A ARTE SALVA?

​​EU University & Culture Summit / Day 1, Afternoon

“Pode vir ter comigo ao manicómio?” – perguntou. O silêncio que lhe ofereci traduziu o meu desconforto. Estava em Lisboa para me encontrar com a escritora Cláudia R. Sampaio e preparar a sessão de poesia que deveríamos ter na Casa Comum uma semana depois. Sabia que tinha estado já três vezes internada, acometida por uma inexplicável nostalgia que a fazia não querer viver. Estaria de novo no Júlio de Matos?


Do outro lado da linha, a Cláudia soltou uma gargalhada. Via-se que não era a primeira vez que pregava a partida. “No Manicómio, quero dizer, no Beato, não é no verdadeiro manicómio”. Expirei de alívio. Quando cheguei ao Beato inspirei de excitação.


O Manicómio está num espaço de co-working. Mesmo ao fundo da grande sala, anuncia-se com enormes letras de néon. Aqui nada se esconde. Cláudia R. Sampaio encontrava-se junto à tela que andava a trabalhar, com seres etéreos representados em formas coloridas e arredondadas. Tinha acabado de publicar a antologia de poesia com curadoria de Valter Hugo Mãe Já não me deito em pose de morrer, e o que pintava indiciava essa (re)descoberta da vida. Apresentou-me um dos fundadores do projeto Manicómio e outros artistas que também haviam estado internados no Júlio de Matos.


Sandro Resende falou-me brevemente do projeto – o primeiro espaço de criação e Galeria de Arte Bruta do país –, mas interessou-me sobretudo o que disse sobre os seus objetivos. “Aqui a arte é um meio de terapia; mas aqui a arte é também um fim”. Em declarações públicas posteriores, tanto Sandro Resende como o outro co-fundador do Manicómio, José Azevedo, viriam a sublinhar que o que tinham em exposição e à venda, na Galeria, era arte; e que o projeto visa a promoção dos artistas e a sua empregabilidade. No caso da Cláudia, o sucesso desse desígnio é bem visível: o nosso primeiro encontro no Beato deu-se em 2019, a propósito da sua poesia; hoje, ganha a vida sobretudo como artista plástica.


Na nossa universidade e na nossa cidade, a Arte Bruta – assim chamada, em 1945, pelo artista francês Jean Dubuffet para designar a arte produzida em liberdade, fora das regras e constrangimentos de escolas e estilos – não é nova. Culturas Paralelas, a exposição que esteve patente na Faculdade de Belas Artes até ao passado mês de abril, mostrou obras da Coleção Tregar / Saint Silvestre, que se encontra em depósito no Centro de Arte Oliva. Também o Museu Nacional Soares dos Reis recorreu a esta coleção, à qual acrescentou obras do seu próprio acervo, para organizar a maior exposição de arte bruta na Península Ibérica, Portreto de La Animo Art Brut etc, que poderá ser ainda visitada até 12 de novembro. Em ambos os casos, as exposições foram iluminadas por debates que discutiram a Arte Bruta do ponto de vista artístico, nomeadamente as relações que estabelece com outros géneros artísticos marginais e a produção artística contemporânea, mas também da perspetiva da saúde, trazendo à discussão o importante contributo que a cultura, de uma forma geral, e os museus, em particular, poderão dar para a saúde mental e existencial de todos nós.   


Segundo as estatísticas, no nosso país um quinto da população sofre de doenças mentais – a grande maioria de ansiedade e depressão. Portugal é mesmo o quinto país da União Europeia com mais casos de doenças mentais. A situação – sabemo-lo bem – foi agravada pela pandemia de COVID-19, e afetou, em particular, a população estudantil. Precisamos, por isso, de multiplicar as exposições e outras iniciativas culturais na universidade (e dar, à comunidade académica, acesso privilegiado a iniciativas externas); necessitamos de promover práticas artísticas que permitam a exorcização dos problemas que nos afetam; e é urgente que criemos ambientes culturais saudáveis, que proporcionem situações de inclusão, empatia e bem-estar.


Necessitamos de exposições como Insubmissos, que estará patente no ICBAS – Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar até ao dia 10 de outubro, dando visibilidade ao trabalho que é feito, há anos, nos ateliers promovidos no Hospital de Magalhães Lemos e no Centro Hospitalar Universitário de Santo António, onde a arte se assume como instrumento promotor da recuperação dos pacientes.


Precisamos, na Universidade, de um plano estratégico que articule cultura e saúde. É nisso que estamos a trabalhar. Porque a arte salva mesmo – que quem duvide pergunte a Cláudia R. Sampaio.


Fátima Vieira
Vice-Reitora para a Cultura e Museus

U.Porto apresenta o "etceteras: festival feminista de edição e design"

Certame chega à Casa Comum entre os dias 5 e 7  de outubro, para celebrar quem faz circular as ideias feministas. A  entrada é livre.

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O que podem as palavras, filme de Luísa Marinho e Luísa Sequeira. Para ver dia 7 de outubro, na Casa Comum

Do programa fazem parte palestras, workshops, conversas, performances, projeção de filmes, uma tour feminista e uma Feira do Livro. O etceteras: festival feminista de edição e design vai acontecer dias 5, 6 e 7 outubro, na Casa Comum (à Reitoria) da Universidade do Porto. A entrada é livre, embora alguns dos eventos obriguem a inscrição prévia.


São três dias para celebrar o trabalho de “escritoras, editoras,  designers, artistas, impressoras, livreiras, distribuidoras, tradutoras,  investigadoras, bibliotecárias, contrabandistas—e tantes outres” que  fazem circular as ideias feministas, afirma o comunicado.


Quem vai estar e como vão ser, então, estes três dias na Casa que temos em Comum?

Mulheres que revolucionaram a história

O arranque do festival, marcado para quinta-feira, 5 de outubro, faz-se logo pela manhã, às 10h00. Começará com uma Tour Feminista do Porto. O convite é para que sigam Alícia Medeiros, arquiteta, artista e  investigadora e Isabeli Santiago, curadora, investigadora e escritora. Convém trazer um calçado confortável porque o objetivo é atravessar a  cidade e recuperar a memória de escritoras, artistas, ativistas e outras personagens que ocuparam e revolucionaram o território e a história do  Porto. O registo, para fazer este circuito, é obrigatório.


Às 13h00 inaugura a Feira do Livro. Nas  bancas estarão livros, revistas, ilustrações, fanzines, edições,  cartazes, jornais e muitas outras publicações que representam o legado  da literacia feminista. No total, estarão presentes 26 editoras,  livreiras, e coletivos editoriais nacionais e internacionais.


Uma hora depois, teremos dois workshops à escolha. O coletivo de design "Macheia" apresenta Autoria Coletiva. Como o próprio nome já indicia, pretende-se fazer emergir o poder das identidades da comunidade que se manifesta em técnicas artesanais antigas. Este workshop experimental irá desafiar os participantes a cruzarem a narração de  histórias e a sustentabilidade, enquanto reimaginam o conceito de autoria no design.


À mesma hora, a designer e investigadora Mio Kojima propõe Yours Truly, XOXO. É um convite para mergulhar na tradição feminista e pensar sobre as “redes temporais e espaciais” que as cartas podem criar. Com pequenos  exercícios de redação, este será o formato de escrita a explorar, sem  esquecer o carácter de intimidade que o caracteriza.


Quem preferir, também às 14h00, poderá ver o filme The Books We Made de Anupama Chandra e Uma Tanuku. Esta projeção permitirá conhecer a história de Kali for Women, a primeira editora feminista da Índia fundada por Urvashi Butalia e Ritu Menon, em 1984.

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O filme The Books We Made, de Anupama Chandra e Uma Tanuku, passa no dia 5 de outubro, no auditório da Casa Comum. (Foto: DR)

Ir para além da história instituída

Às 16h00, o tema da primeira conversa será o Arquivismo como Memória Coletiva. Participam Paula Guerra, professora de sociologia da Faculdade de Letras da U.Porto e colecionadora de fanzines, e Joana Matias, investigadora e historiadora.


Nesta sessão, vai falar-se sobre o processo de documentação de  histórias marginalizadas e os desafios de procurar objetos e narrativas  fora da história instituída.

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Para Não Esquecer Virgínia Quaresma, filme  do Grupo de Género e Performance (GECE), da Universidade de Aveiro, será  exibido no dia 6 de outubro. (Foto: DR)

Trazer à luz arquivos marginalizados

Durante três dias, o etceteras promete “colocar em cima da  mesa” histórias de mulheres na publicação, ferramentas editoriais  feministas, imprensa LGBTQIA+ e constrangimentos na escrita académica,  assim como os mistérios da tradução, nas plataformas digitais feministas  e na pesquisa de arquivos marginalizados.


Os filmes vão revelar editoras, jornalistas e escritoras que lutam  pela conquista de espaços de disseminação de mensagem radicais e anti-hegemónicas. Os workshops pretendem oferecer novas perspetivas sobre escrita criativa, tipografia, criação de zines e espaço urbano, entre outras.


O festival encerrará no final do dia 7 de outubro, sábado, com uma perfomance de voz e áudio pela artista Ece Canlı.


O etceteras: festival feminista de edição e design é coproduzido pela Associação Cultural Calote Esférica e pela plataforma feminista Futuress.


Para mais informações e inscrições, consultar a página do festival.


​Fonte: Notícias U.Porto

CINANIMA 2023 tem estreia antecipada na U.Porto

É uma espécie de "aquecimento" do Festival de  Cinema de Animação que acontece em Espinho. Sessões decorrem na Casa Comum a 6, 13 de 20 de outubro. Entrada livre.

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Bestia, de Hugo Covarrubias, será exibido na noite de 6 de outubro. (Foto: DR)

O movimento das bobines começa mais cedo. O CINANIMA  – Festival Internacional de Cinema de Animação está de regresso à Universidade do Porto em jeito de antecipação para o  encontro marcado para novembro, em Espinho. Há uma vasta seleção de  curtas e longas-metragens animadas de todo o mundo para ver nos dias 6, 13 e 20 de outubro, no auditório da Casa Comum (à Reitoria).


Este ano, para além dos filmes premiados da edição do CINANIMA de  2022, a Casa Comum apresenta mais dois programas de curtas oriundos de  duas escolas superiores de arte europeias: a KASK, em Ghent, na Bélgica,  e a HKU, em Utrecht, nos Países Baixos.


No dia 6 de outubro, às 21h30, serão exibidos os filmes premiados do CINANIMA 2022. Destaque para o Bestia,  do chileno Hugo Covarrubias, vencedor do  Grande Prémio do CINANIMA e indicado para o Óscar de melhor curta-metragem de animação.


Vão passar ainda as curtas Curiosa, de Tessa Moult-Milewska, do Reino Unido – Grande Prémio CINANIMA 2022 na Competição Internacional Obras de Estudantes -, Um Homem Pequeno, curta francesa de Aude David e Mikaël Gaudi que conquistou o Prémio Especial do Júri, e Duo – a curta que arrecadou o prémio de jovem cineasta português -, de João Levezinho.

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O filme Dutchgaria passa a 13 de outubro, no auditório da Casa Comum (Foto: DR)

No dia 13 de outubro, também às 21h30,  vamos ficar com uma seleção de filmes que poderá surpreender pela  diversidade na abordagem. Na Escola de Artes/KASK (Ghent, na Bélgica), a investigação individual e o processo artístico são considerados  elementos fundamentais, pelo que, no domínio do cinema de animação, há  todo um ambiente criativo que incentiva cada estudante a recorrer às  mais diversas ferramentas. Ou seja, para além das técnicas de animação  mais convencionais, podem recorrer ao cinema, ao teatro e às artes  plásticas, sempre com uma forte aposta na investigação. O mundo da  animação é, assim, encarado e surge como algo que está em constante  mudança.


Entre as várias propostas ficaremos com Danse Macabre, uma viagem que nos leva até às ruínas de uma catedral onde alguns esqueletos saem da sepultura para dançar. Um ensaio em stop motion baseado na “dança macabra” de Camille Saint-Saëns. Niebla transporta-nos para um lugar onde o tempo e o espaço desaparecem, deixando fragmentos de sons e imagens de uma história, de um sonho ou de uma memória. 3 Women apresenta o percurso e o mundo distópico de três mulheres e Dutchgaria enquadra  as aventuras de uma rapariga francesa que acaba de se mudar para um  país chamado Dutchgar, onde se depara com as dificuldades de adaptação a uma língua desconhecida e aos habitantes locais.


No dia 20 de outubro, às 21h30,  ficaremos com a sessão HKU (Utrecht, Países Baixos). São filmes de fim  de curso, com diferentes técnicas de animação como animação em  computador 2D, animação tradicional, stop motion e animação 3D.


Desde a história do sol que quer fazer crescer as flores, Blooming Sun, às vidas anteriores de uma borboleta, em Forever a Kid, passando por um escavador de iscos, em Tides e a história de um paraíso perdido, Paradise Lost, onde a luz desempenha o papel principal, vamos encontrar uma multiplicidade de linguagens, contextos e narrativas.

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Tides será um dos filmes em exibição na noite de 20 de outubro.

A entrada é livre em todas as sessões.


A 47.ª edição do CINANIMA - Festival Internacional de Cinema de Animação acontece este ano de 13 a 19 de novembro, em Espinho. O programa completo pode ser consultado aqui.  


Fonte: Notícias U.Porto

Acervo de Ana Luísa Amaral chega à Casa dos Livros para ser "vivido"

Assinatura do contrato de comodato da biblioteca e do arquivo da escritora marcou o arranque das celebrações  da Figura Eminente da U.Porto 2023.

​​Bienal Fotografia

A Casa dos Livros – Centro de Estudos da Cultura em Portugal da Universidade do Porto (CECUP) é, desde o passado dia 22 de setembro, a nova “morada” da biblioteca e do arquivo da escritora Ana Luísa Amaral (1956-2022).


Momento inaugural das comemorações da Figura Eminente da Universidade do Porto 2023, dedicadas à escritora, investigadora e docente da Faculdade de Letras  da U.Porto (FLUP), a assinatura do contrato de comodato juntou no Palacete Burmester a família, amigos e colegas da homenageada.


“A Casa os Livros é um espaço especial, uma vez que convoca-nos a  memória viva da Ana Luísa Amaral, por tudo aquilo que ela viveu nesta casa”, referiu Paula Pinto Costa, diretora da FLUP, antes de destacar a  “forma muito generosa” como a filha da escritora – falecida em 2022 – decidiu confiar o acervo da mãe à Universidade.


“Não num sentido de depósito, mas de quase multiplicação. Ela própria  utilizou uma palavra muito bonita, quase que um ‘retorno’. A mãe volta a  casa e e é uma forma de tornarmos o seu acervo vivo e vivido. Creio que  são dimensões muito importantes para celebrarmos e para projetarmos o  valor da Ana Luísa Amaral”, enaltece a responsável.


Atualmente em fase de catalogação, o acervo de Ana Luísa Amaral é  composto pelas suas obras, pela biblioteca pessoal e pelo arquivo  reunido ao longo da sua vida. Um tesouro literário que se junta agora  aos acervos de outros autores que já habitam a Casa dos Livros, como  Vasco Graça Moura, Eugénio de Andrade, Herberto Helder, Manuel António  Pina, Maria Virgínia Monteiro, Óscar Lopes, ou António Cortesão.


A cerimónia ficou ainda marcada pela inauguração do Auditório Ana Luísa Amaral, uma mesa-redonda sobre a vida e obra da autora, uma sessão de poesia e a projeção de um documentário sobre a entrega do seu acervo à Casa dos Livros.

Um ano para celebrar uma Figura Eminente

Está assim dado o “pontapé de saída” para as comemorações de mais um  ciclo “Figura Eminente da Universidade do Porto”, dedicado este ano à  vida e à obra de uma das vozes mais notáveis e aclamadas da poesia  portuguesa contemporânea.


“O programa vai desdobrar-se ao longo do ano, em diferentes momentos,  para cobrir as diferentes facetas da vida da Ana Luísa Amaral”, apresenta Fátima Vieira, Vice-Reitora para a Cultura e Museus da  U.Porto.


Entre os eventos programados incluem-se uma exposição documental na  FLUP (a inaugurar a 9 de outubro) e um congresso organizado pelo Instituto de Literatura Comparada Margarida Losa (ILCML), a decorrer a 5  e 6 de abril, por ocasião das celebrações do aniversário de Ana Luísa Amaral.


Mas as comemorações não se ficarão por aí. Como explica Fátima  Vieira, “vamos também convocar todas as forças de criação da comunidade  académica. A partir da revista PÁ, que vamos começar a distribuir proximamente que contém 10 poemas escritos pela Ana  Luísa Amaral e dedicados à sua filha, vamos convidar toda a comunidade a, com a sua arte, responder a esses poemas… Vai ser  uma forma de toda a gente poder contribuir!”.


As comemorações da Figura Eminente 2023 encerram em setembro de 2024,  com “uma celebração de todo um ano de grande festa em torno da vida da  que foi uma grande poeta, mas que recordamos também como uma querida amiga e extraordinária docente e investigadora da FLUP”. 


Veja a fotogaleria AQUI

Outubro na U.Porto

Para conhecer o programa da Casa Comum e outras iniciativas, consulte a Agenda Casa Comum ou clique nas imagens abaixo.

etceteras: festival feminista de design e edição

5 a 7 OUT'23
Festival | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações e inscrição aqui

CINANIMA na U.Porto

06, 13 e 20 OUT'23 | 21h30
Cinema de Animação | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

U.PORTO ARGUMENTA, com Sociedade de Debates da U.Porto

04 OUT'23 | 18h30
Debate | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

ILUSTRA UP II | Exposição

Até 21 DEZ'23 
Exposição | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

Sombras que não quero ver #2 | Escultura de Hélder Carvalho

A partir de 20 SET'23
Exposição | FPCEUP
Entrada Livre. Mais informações aqui

As Viagens de Abel Salazar: Paris 1934 | Exposição

14 OUT'23 
Exposição | Reitoria da U.Porto 
Entrada Livre. Mais informações aqui

O Museu à Minha Procura

Até SET'23
Exposição | Polo Central do Museu de História Natural e da Ciência da U.Porto
Entrada Livre. Mais informações aqui

Pequenos Naturalistas

SET'23 a 2024
Programa Educativo | Museu de História Natural e da Ciência da U.Porto
Entrada Livre. Mais informações aqui

CORREDOR CULTURAL DO PORTO 

Condições especiais de acesso a museus, monumentos, teatros e salas de espetáculos, mediante a apresentação do Cartão U.Porto.
Consulte a lista completa aqui

"Insubmissos": a exposição que quer combater o estigma da doença mental

Exposição de arte bruta dedicada ao tema da doença mental vai estar patente de 2 a 10 de outubro, no Foyer do ICBAS/FFUP.

​​U.Porto press

(Foto: DR)

São trabalhos assinados por algumas dezenas de utentes do Serviço de Reabilitação Psicossocial do Hospital de Magalhães Lemos (HML) do Centro Hospitalar Universitário de Santo António (CHUdSA) e, de 2 a 10 de outubro, vão “ocupar” o Foyer do ICBAS/FFUP,  numa iniciativa que tem como objetivo combater o estigma da doença  mental e promover a valorização dos trabalhos desenvolvidos pelos utentes.


Insubmissos é o título desta mostra de arte bruta inserida na estratégia do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar  da Universidade do Porto (ICBAS-UP) de promoção do bem-estar e da saúde  mental da comunidade.


“Esta proposta insere-se num caminho que temos vindo a desenvolver,  que tem como objetivo principal a promoção da saúde mental, também,  através da arte. Poder mostrar estes trabalhos, dá-los a conhecer à  comunidade académica, mas também ao público que nos quiser visitar,  significa que contribuímos um pouco mais para desmistificar a doença  mental”,  reforça o diretor do ICBAS, Henrique Cyrne Carvalho.


Também para o responsável pelo Serviço de Reabilitação Psicossocial do HML, José João Silva,  esta é uma oportunidade que contribui para promover a melhoria da  autoestima dos utentes através da divulgação dos seus trabalhos.

“Este serviço desenvolve um trabalho que possibilita que o utente seja  mais autónomo e se sinta mais gratificado no desempenho dos seus papéis  sociais. Os ateliers terapêuticos, como o de pintura ou cerâmica, cujos  trabalhos vemos aqui expostos, têm como finalidade promover e facilitar a  autonomia, estimular a criatividade, criar ou manter hábitos e rotinas  de trabalho, melhorar a autoestima e criar e desenvolver aptidões  pessoais, sociais e profissionais”, sublinha o responsável.

O papel da sociedade civil no lançamento da exposição

O desafio chegou por intermédio de um grupo de pessoas da sociedade civil que, em 2022, inauguraram a mesma exposição, com curadoria do escritor Richard Zimler, na Galeria Geraldes da Silva.


Para Sérgio Rodrigues, promotor da iniciativa, este é um trabalho que  pretende contribuir para a consciencialização da comunidade para a  importância de eliminar o estigma que existe em torno da doença mental.


Sérgio Rodrigues reforça a importância de “mostrar à sociedade que as  capacidades dos utentes não se encerram num diagnóstico. Sensibilizar  quem tem o poder para a criação de oportunidades para estes artistas  serem divulgados fora do contexto hospitalar. Esse é o primeiro passo  para uma real integração social”. Refere, ainda, que o papel da  sociedade civil deve ser, “cada vez mais, interventivo, pois é através  desse exercício da cidadania que obteremos uma sociedade mais justa e  inclusiva”.


A inauguração de Insubmissos está marcada para as 18h00 do dia 2 de outubro e contará com a participação do grupo coral do HML, orientado pelo maestro António Miguel Teixeira.


Com entrada livre, a exposição pode ser visitada até 10 de outubro, de segunda a sexta-feira, entre as 9h00 e as 20h00, ao sábado entre as 10h00 e as 13h00. 


Fonte: Notícias U.Porto

Há novos podcasts no espaço virtual da Casa Comum

72. Há dias para não usar…, Filipe Fonseca e Castro

“Há dias para não usar… “, de Filipe Fonseca e Castro, in O Amor das Mãos, Poética Grupo Editorial, maio de 2023.


71. “Moana”, de Robert Flaherty (1926)

Comentário de David Passos (Curso Avançado de Documentário KINO-DOC).


72. “Bones of the Forest”, de Heather Frise, Velcrow Ripper (1995)

Comentário de Cristiana Sena (Curso Avançado de Documentário KINO-DOC).


73. “Terra do Silêncio e da Escuridão”, de Werner Herzog (1971) 

Comentário de Raquel Vieira (Curso Avançado de Documentário KINO-DOC).



Mais podcasts AQUI


Livro da U.Porto Press (re)lança debate sobre a erosão costeira


Estruturas de Defesa Costeira e ordenamento no  concelho de Ovar analisa o impacto da erosão costeira nas praias de  Esmoriz, Cortegaça e Furadouro.

​​U.Porto press

Este título insere-se na coleção "Transversal", da U.Porto Press. Foto: U.Porto Press


Portugal é um dos países europeus mais afetados pela erosão costeira, verificando-se o recuo da zona de costa em largos metros, ao longo das últimas décadas. Em Estruturas de Defesa Costeira e ordenamento no concelho de Ovar. Esmoriz, Cortegaça, Furadouro (Portugal). 1993-2015, título recentemente lançado pela U.Porto Press, Fernando Veloso Gomes –, professor catedrático jubilado do Departamento de Engenharia Civil  da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) e Presidente do Instituto de Hidráulica e Recursos Hídricos (IHRH) entre 1993 e 2017 –  coloca em análise o impacto da erosão costeira nas praias de Esmoriz, Cortegaça e Furadouro, bem como novas abordagens para a resolução dos  graves problemas que afetam este trecho costeiro.


O trecho em causa tem uma extensão de 13 quilómetros, situando-se a  cerca de 30 quilómetros a sul do Porto e da foz do Rio Douro e  imediatamente a sul da Barrinha de Esmoriz ou Paramos, na fronteira  entre os concelhos de Espinho e Ovar.


Numa das primeiras Cartas de Vulnerabilidade para a costa portuguesa  (1994), nas quais se começou a questionar a expansão das frentes urbanas  em zonas vulneráveis, as praias de Esmoriz, Cortegaça e Furadouro  surgem com classificação elevada a nível da sua localização (e consequente risco de exposição).

​​U.Porto press

Exemplo de uma das primeiras Cartas de  Vulnerabilidade para a costa portuguesa (Veloso-Gomes & Papadatos,  1994) [P. 15 do livro] / Foto: DR


Atualmente, seis esporões e oito estruturas longitudinais aderentes, num  total aproximado de 4,4 quilómetros, defendem a frente edificada litoral de Esmoriz-Cortegaça-Furadouro. “A origem dos problemas erosivos  neste trecho costeiro está relacionada com a diminuição do volume de  sedimentos transportados pela corrente de deriva litoral (originada pela obliquidade da agitação marítima), cuja direção predominante é de norte  para sul”, explica Fernando Veloso Gomes. Os processos erosivos iniciaram-se ainda no século XIX, justificando a construção das primeiras estruturas de defesa costeira (1909) “a norte  da frente edificada Esmoriz-Cortegaça, designadamente na zona costeira  de Espinho”. Isto porque, entre 1885 e 1910, a linha de costa em Espinho  tinha recuado um total de 225 metros. 


Os problemas erosivos foram avançando para sul, sendo que, nas últimas  três décadas do século XX, assistiu-se a uma expansão e densificação da construção nas praias de Esmoriz-Cortegaça, “sem ter em atenção o  elevado nível de exposição desses territórios, de baixa altitude e sem  proteções naturais, às ações diretas e indiretas do mar”. Inclusive,  nalgumas áreas “a erosão chegou até ao limite onde poderia avançar sobre  terra, colocando a primeira linha de casas separada do mar apenas pelas  estruturas de defesa costeira”, nota o autor.

A floresta como zona tampão da erosão costeira


Por outro lado, a extensa mancha florestal a sul da frente urbana de  Cortegaça tem sido sujeita a erosão progressiva, o que tem resultado na  queda de centenas de pinheiros, colocando em causa a segurança de  banhistas e de pequenas embarcações de pesca artesanal.


Nesta vasta extensão de mancha florestal, em processo erosivo,  localiza-se o aglomerado urbano do Furadouro, com notórias erosões a  norte e a sul, apesar das estruturas de defesa existentes.


A intensidade da erosão na mata florestal assume dimensões  preocupantes – tanto mais que em planícies costeiras de baixa altitude,  sem proteções naturais, a floresta funciona como zona tampão, “com um  estatuto de proteção em relação à não edificabilidade”, o que constitui  “um aspeto de ordenamento globalmente muito favorável”.


Pelo facto de as intervenções de defesa costeira terem limitações  funcionais e gerarem impactos negativos, ao longo das últimas quatro  décadas tem sido dada atenção crescente a novas abordagens para a  resolução dos graves problemas que afetam este trecho, quer por parte  dos organismos de governo, quer por parte da comunidade académica e  científica.


Com esta publicação – e com as que se seguirão, com o mesmo cariz, inseridas na série Zonas Costeiras. Um Legado para o Futuro –, Fernando Veloso Gomes pretende deixar um testemunho de problemas,  dinâmicas naturais e antropogénicas, metodologias, estudos e  intervenções no terreno, que servirão como ensinamentos e meios para  eventuais reorientações estratégicas.


A obra Estruturas de Defesa Costeira e ordenamento no concelho de Ovar está disponível na loja online da U.Porto Press, com um desconto de 10%. 


Fonte: U.Porto Press

Alunos Ilustres da U.Porto

Alberto Carneiro

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Foto MIEC


Alberto Almeida Carneiro nasceu em São Mamede de Coronado, concelho da Trofa, a 20 de setembro de 1937.


Em 1947 iniciou a sua aprendizagem artística como imaginário, numa oficina de santeiro, na qual trabalhou durante 11 anos. Fez, entretanto, os estudos liceais, frequentando o ensino noturno na Escola de Artes Decorativas Soares dos Reis, no Porto, e na Escola António Arroio, em Lisboa.


Em 1961 voltou ao Porto para estudar Escultura na Escola Superior de Belas Artes do Porto. Depois de concluída a licenciatura em 1967, partiu no ano seguinte para Londres onde frequentou uma pós-graduação na Saint Martin's School of Arts (1968-1970). Aqui foi aluno do escultor britânico Anthony Caro (1924-2013) e do seu mais famoso discípulo, Philip King (1934-2021). Entre 1975 e 1976, anos em que estudou as formas e os procedimentos estéticos resultantes do amanho da terra, foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian.


Estreou-se a expor ainda nos tempos de estudante: coletivamente, em 1963; a título individual, em 1967, na ESBAP.


A sua atividade artística teve início na década de setenta. Foi professor de Escultura na ESAP (1972-1976), assumiu a direção pedagógica e artística do Círculo de Artes Plásticas da Universidade de Coimbra (1972-1985) e lecionou na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (1985-1994).


Foi autor e co-autor de textos e livros sobre Arte e Pedagogia e participou em cursos, debates e seminários sobre Arte e dinâmica corporal.


Dedicou-se, também, ao estudo da Psicologia Profunda, do Zen, do Tantra e do Tao, matérias sobre as quais lecionou cursos, proferiu conferências e escreveu. Recebeu a influência da "poética da matéria", do filósofo e ensaísta francês Gaston Bachelard (1884-1962).


Ao longo da sua carreira fez inúmeras viagens de estudo. Em 1968 viajou até à antiga Jugoslávia, Áustria e Alemanha. Nos anos setenta visitou Moçambique, Angola, Brasil e, pela primeira vez, Itália, país a que regressaria em muitas outras ocasiões. Na década seguinte prosseguiu o seu ciclo de viagens pela Europa (Jugoslávia, Bulgária, Turquia, Grécia, etc.), pelos Estados Unidos da América e por Marrocos, tendo passado uma temporada nas cidades de Praga e Budapeste. Nos anos noventa viajou por Índia, Nepal, China e Japão, onde buscou o aprofundamento dos seus conhecimentos sobre o Hinduísmo, o Taoismo, as manifestações tântricas e Zen e jardins.


Alberto Carneiro realizou mais de setenta exposições individuais e participou em mais de cem mostras coletivas, no país e no estrangeiro.


Várias cidades portuguesas exibem obras públicas do escultor. Em 1991, Santo Tirso recebeu "Água sobre a terra, granito e água" e "O barco, a lua e a montanha". Para as "Jornadas de Arte Contemporânea do Porto", de 1992, realizou a instalação "Uma árvore é uma obra de arte quando recriada em si mesma como um conceito para ser metáfora"; para a inauguração do Centro Cultural de Belém, em Lisboa, no ano de 1993, projetou a instalação "Nas margens de um rio", usando árvores de água e transparências de vidro; e, para a sede da Associação dos Arquitectos do Porto, produziu a escultura em granito "Sobre a água". Fez também esculturas para o Metropolitano de Lisboa ("Sobre as Árvores", esculturas em bronze, datadas de 1995-1996), para a Expo 98' ("Sobre o mar", escultura em granito e madeira datada de 1997-1998), para a Biblioteca Municipal Almeida Garrett, no Porto ("Sete flores de lótus para uma coluna sem fim", escultura de madeira instalada em 2001), para Chaves, um bronze, para os Jardins de Casa de Serralves ("Ser Árvore e Arte", inaugurada em 2002) Em 2002 iniciou a instalação do Parque Internacional de Escultura Contemporânea na vila de Carrazeda de Ansiães, para onde esculpiu uma obra que pontifica no jardim da Biblioteca local.


Fora do país também se podem encontrar esculturas da sua autoria, designadamente "The Stone garden", no Derwenthaugh Park, em Gateshead, Inglaterra; uma escultura com árvores, pedras, terra e relva no parque Metropolitano de Quito, Equador; uma escultura no parque Sculpture in Woodland em Devil's Glen, Ashford, Wicklow, Irlanda; uma escultura na Aldeia Folclórica Coreana, Coreia do Sul; o espaço/escultura "A casa da terra e do fogo" no caminho das esculturas do vale de Ordino, Andorra; uma escultura na cidade de Taoyuan, na Ilha Formosa; a escultura "As árvores florescem em Huesca", Espanha; e uma escultura em Santiago do Chile.


Alberto Carneiro foi o grande impulsionador da criação do Museu Internacional de Escultura Contemporânea de Santo Tirso (MIEC), do qual foi diretor artístico nacional. Criado oficialmente a 20 de Outubro de 1996, o Museu tem por base o espólio recebido dos simpósios internacionais de escultura contemporânea ao ar livre, realizados em Santo Tirso desde 1991.


A este escultor foram atribuídos variados prémios e distinções, entre os quais se contam o Prémio Nacional de Escultura (1968), o Prémio Nacional de Artes Plásticas da Associação Internacional de Críticos de Arte (1985) e o Prémio de Artes do Casino da Póvoa (2007), galardão composto por uma recompensa pecuniária, pela aquisição de uma escultura do premiado ("Sinais e Sabedoria da Floresta", de 2000-2001), e ainda pela publicação da monografia Alberto Carneiro – Lição das Coisas, com texto de Bernardo Pinto de Almeida e direção artística de Armando Alves.


Representado em numerosos museus e coleções, no país e no estrangeiro, Alberto Carneiro vivia e trabalhava na sua aldeia de origem.


Morreu no Porto, a 15 de abril de 2017, aos 79 anos de idade.


Postumamente, a 12 de maio de 2018, foi inaugurado no Largo de S. Domingos o conjunto escultórico Três metáforas de árvores para uma árvore verdadeira, que integra o Programa de Arte Pública instituído pela Câmara Municipal do Porto em 2015.


Sobre Alberto Carneiro (up.pt)

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