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A ARQUITETURA É UMA LÍNGUA ESTRANGEIRA
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A arquitetura é uma língua estrangeira. Tem uma história e uma gramática próprias; exprime-se por plantas; a sua pontuação são os cortes e alçados. É essa língua que se ensina e estuda nas faculdades de arquitetura – na verdade, a missão dessas escolas é formar falantes competentes. Por vezes, alguns estudantes são tão brilhantes no domínio da língua que com ela brincam e produzem novos sentidos. A esses, chamamos poetas. São eles as estrelas das exposições de arquitetura. O problema, contudo, é que por vezes os curadores das exposições se esquecem de que nem toda a gente domina aquela língua com signos desconhecidos. Por essa razão, a comunicação de arquitetura precisa, cada vez mais, de bons intérpretes. Um exemplo de um intérprete extraordinariamente competente é Alexandre Alves Costa, a quem ouvi, na inauguração da exposição comemorativa do Centenário de Távora, na Assembleia da República, uma explicação que iluminou tudo o que de Távora eu havia visto: “Távora entra nos edifícios antigos como mais um dos arquitetos que neles foram trabalhando ao longo de séculos e acrescenta-lhes o programa contemporâneo, sem qualquer ostentação e sem bloquear futuras intervenções”.
Um outro intérprete que muito admiro é Nuno Grande. Nas ocasiões em que o escutei, melhorou substancialmente a qualidade da minha compreensão e interação com a arquitetura. Por isso tive tanto interesse em assistir, na passada quarta-feira, à conversa que protagonizou na Fundação Marques da Silva com Valdemar Cruz.
O tema da conversa era a Igreja do Sagrado Coração de Jesus, em Lisboa, um projeto dos arquitetos Nuno Portas e Nuno Teotónio Pereira. Com as palavras simples que apenas os sabedores sabem usar, Nuno Grande explicou como os arquitetos haviam promovido, com o complexo paroquial, uma arquitetura que, dando expressão a uma forma nova de se conceber os espaços religiosos, se deixa atravessar pela cidade. De seguida, entre muitos outros assuntos, falou do falou do brutalismo do conjunto edificado, explicando como se distinguia do brutalismo de que a Fundação Calouste Gulbenkian é um dos melhores exemplos no nosso país.
“Com Portas e Teotónio Pereira”, disse Nuno Grande, “o brutalismo dá um passo em frente. Percebemos, na ornamentação da igreja, no seu desenho excessivo, a influência italiana. A Igreja é uma afirmação nova de brutalismo: com esta nova geração de arquitetos, o ornamento deixa de ser um delito. O que edificam é uma afirmação de que o betão pode conviver com materiais nobres como o mármore”.
São, sem dúvida, explanações como esta que nos permitem vislumbrar – a nós, que não somos falantes competentes dessa língua enigmática – o entendimento da forma como os poetas da arquitetura declinam a sua gramática. Ao ouvir Nuno Grande, finalmente percebi não apenas a evolução do brutalismo português, mas também o do arquiteto que Adrien Brody magnificamente interpreta no filme O Brutalista (2024), de Brady Corbet. Refiro-me, em particular, à obsessão do protagonista da película pelo mármore de Carrara. Os pressupostos da igreja que constrói são, sem dúvida, brutalistas, pensei, mas o seu brutalismo admite já a convivência do betão com materiais nobres.
Descobertas iluminadoras como esta fazem valer a pena irmos à Fundação Marques da Silva. Pessoalmente, saio sempre de lá com novas chaves para entender a semântica da nossa poesia arquitetónica.
Nota: O Ciclo de Conversas em que participou Nuno Grande faz parte do programa paralelo da exposição Paisagens Construídas, criada a partir do livro homónimo de Valdemar Cruz. Com curadoria conjunta do autor e de Luís Urbano, pode ser visitada na Fundação Marques da Silva até 29 de março, de segunda a sexta, das 14:00 às 18.00. A próxima conversa, com João Mendes Ribeiro e Cristina Guedes, será sobre o Arquipélago – Centro de Arte Contemporânea e realizar-se-á no dia 22 de fevereiro, às 16:00. Só bons “intérpretes” são convidados para a Fundação!
Fátima Vieira Vice-Reitora para a Cultura e Museus
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Edifício Abel Salazar acolhe exposição da Fundação Ilídio Pinho
A Aula do Visível reúne mais de 120 trabalhos de artistas como Vieira da Silva, Amadeo de Souza-Cardoso ou Paula Rego. Para apreciar de 11 de fevereiro a 31 de maio. Vieira da Silva, Printemps, 1952 (pormenor) (Foto: DR)
É uma oportunidade rara para ver de perto mais de um século de produção artística nacional. Entre pintura, desenho, escultura e fotografia, a Aula do Visível – Obras da Coleção da Fundação Ilídio Pinho vai expor um importante núcleo da coleção da Fundação Ilídio Pinho. A exposição de arte moderna e contemporânea portuguesa inaugura no próximo dia 11 de fevereiro, às 17h30, no renovado Edifício Abel Salazar da Universidade do Porto (Largo do Prof. Abel Salazar, junto ao edifício histórico do Hospital de Santo António). Recorrendo a propostas que tanto abarcam as maiores figuras da nossa cultura visual, como nomes menos reconhecidos publicamente, mas que determinaram o contexto nacional, a Aula do Visível irá apresentar mais de 120 trabalhos, incluindo dez de Vieira da Silva e cinco de Amadeo de Souza-Cardoso.
“A riqueza da coleção Ilídio Pinho, uma das mais significativas dedicadas exclusivamente à arte portuguesa, permite a uma instituição de ensino como a Universidade do Porto oferecer à sua comunidade académica e ao país uma autêntica ‘aula’ sobre a forma pouco linear como a produção artística nacional evoluiu nos últimos 145 anos”, afirma Fátima Vieira, Vice-Reitora para Cultura e Museus da U.Porto.
“As obras expostas atravessam o panorama da arte nacional, dos primórdios da modernidade, com Columbano Bordalo Pinheiro, Amadeo de Souza-Cardoso ou Almada Negreiros até aos novos caminhos da arte dos nossos dias, com ecos da portugalidade e de influências estéticas, artísticas, técnicas e filosóficas internacionais”. Em suma, esta Aula do Visível vai trazer até nós, acrescenta Fátima Vieira, “não só a arte de Vieira da Silva ou Maria Beatriz, as artistas com maior presença na exposição, mas também as obras, entre outros, de Paula Rego, Helena Almeida, Júlio Pomar, Rui Sanches ou André Cepeda, que tiveram forte impacto na arte nacional e internacional”.
Paula Rego, O meu Tio no Dordogne, 1972 (pormenor). (Foto: DR)
Uma viagem pela história da arte portuguesa
Para além de referências da modernidade como Mário Eloy, Almada Negreiros, Sarah Afonso, Júlio Resende e Nadir Afonso, destacam-se ainda presenças pioneiras como Helena Almeida, e outros nomes associados à arte abstrata tais como Ângelo de Sousa, Eduardo Batarda, Jorge Martins, ou visionários com uma tendência alegórica ou simbólica, com destaque para Paula Rego e Álvaro Lapa, entre outros. Há, ainda, um importante núcleo dedicado à fotografia, às novas gerações da pintura e alguns apontamentos escultóricos da autoria de artistas como Rui Sanches, Francisco Tropa, Susanne Themlitz, Miguel Palma e Miguel Ângelo Rocha.
A exposição irá permitir “uma leitura por vezes inesperada de linhas de continuidade e de rutura que se cruzam em inédita coabitação: uma Aula do Visível, portanto”, sublinha o curador da exposição, Miguel von Hafe Pérez.
“Imaginar um futuro melhor”
De acordo com o Reitor da U.Porto, António de Sousa Pereira, para além da formação técnica e científica dos profissionais do futuro, a Universidade tem também “o dever fundamental de promover a disseminação da reflexão cultural e do pensamento crítico”, contribuindo, desta forma, “para ampliar a dimensão ética da instrução que queremos proporcionar aos nossos estudantes para que saibam imaginar um melhor futuro”. Daí que esta exposição constitua “uma excelente oportunidade para a concretização dessa missão”. Até ao final do mês de maio, e “numa das mais emblemáticas casas da Academia”, acrescenta António de Sousa Pereira, iremos acolher “uma parte significativa da maior coleção privada de arte portuguesa, numa ação afirmativa de promoção do acesso democrático à cultura. A Aula do Visível é, assim, para a Universidade do Porto, um forte motivo de júbilo”.
A Aula do Visível – Obras da Coleção da Fundação Ilídio Pinho vai ficar patente ao público até ao próximo dia 31 de maio.
A exposição pode ser visitada de segunda-feira a sábado, das 10h00 às 17h30. A entrada é livre.
Fonte: Notícias U.Porto
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Fevereiro na U.Porto
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Para conhecer o programa da Casa Comum e outras iniciativas, consulte a Agenda Casa Comum ou clique nas imagens abaixo.
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Pedra, Papel, Guerra — Arqueologia da Litografia em Portugal
Exposição | Reitoria da U.Porto Entrada Livre. Mais informações e inscrição aqui
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7 contos esculturas | Exposição
Entrada Livre. Mais informações aqui
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AC/BC: Ciclo de cinema húngaro (antes e depois do Covid )
14, 21 e 28 FEV'25 | 18h00 Entrada Livre. Mais informações aqui
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Colectivo de Poesia - Poetas a várias vozes na Casa Comum | Ruy Belo
Entrada Livre. Mais informações aqui
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Club di Lettura Italiano 2025 | Clube de Leitura Italiano 2025
20 FEV, 02 ABR, 12 JUN, 17 SET, 29 OUT e 11 DEZ'25 | 19h00 Entrada Livre. Mais informações e inscrição aqui
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AstroGeoFest – Feira de Minerais, Fósseis e Meteoritos
Feira, atividades de serviço educativo| Planetário do Porto Entrada Livre. Mais informações aqui
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Aula do Visível | Exposição de Obras da Coleção da Fundação Ilídio Pinho
Exposição | Edifício Abel Salazar Entrada livre. Mais informações aqui
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AMANHÃ AMANHÃ AMANHÃ | TUP - TEATRO UNIVERSITÁRIO DO PORTO
Teatro | Auditório da CRL – Central Elétrica Mais informações e reservas aqui
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PAISAGENS CONSTRUÍDAS
Exposição | Fundação Marques da Silva
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Gemas, Cristais e Minerais
Exposição | Museu de História Natural e da Ciência U.Porto Entrada Livre. Mais informações aqui
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Ensaios | Exposição
Entrada Livre. Mais informações aqui
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Corredor Cultural
Condições especiais de acesso a museus, monumentos, teatros e salas de espetáculos, mediante a apresentação do Cartão U.Porto.
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Shakespeare inspira nova peça do Teatro Universitário do Porto
O espetáculo Amanhã Amanhã Amanhã sobe ao palco do Auditório da CRL – Central Elétrica, CACE Cultural do Porto, de 11 a 16 de fevereiro. Amanhã Amanhã Amanhã é uma peça original, criada a partir do clássico Macbeth, de William Shakespeare. Este novo espetáculo do Teatro Universitário do Porto (TUP) vai estar em cena de 11 a 16 de fevereiro, no Auditório da CRL – Central Elétrica, CACE Cultural do Porto. A criação de uma peça original, com base no clássico de William Shakespeare, constituía uma vontade antiga, nomeadamente de Nuno Matos, sócio e antigo dirigente associativo, e Raquel S., sócia e antiga presidente do TUP. Depois de ter completado 76 anos de existência, o mais antigo teatro do Porto em atividade sentiu ser agora o momento de concretizar este projeto, fazendo, como vem sendo hábito, uma chamada aberta a todo o corpo associativo. Durante quatro meses, deu-se corpo e voz, desenhou-se o guarda-roupa e criaram-se os adereços necessários para que se conseguisse, agora, levar Amanhã Amanhã Amanhã ao palco.
Para Nuno Matos, trata-se de um espetáculo “sobre o sonho de um dia sermos capazes de, lentamente, inelutavelmente, cruel e implacavelmente, levar os nossos líderes à loucura”. Mais ainda, acrescenta, “de lhes matar o sono, de lhes causar medo de sair à rua, medo de perderem o emprego, de ficarem sem dinheiro, posição, respeito, poder. Medo de não poderem escolher a casa que querem, na rua de que gostam. Medo de terem de começar a comprar a comida no Minipreço”.
Este antigo dirigente do TUP sublinha que este espetáculo também é sobre aqueles “que reclamaram para si o poder de destruir não um rei, mas toda uma linhagem (várias linhagens) de reis até à destruição total da monarquia”.
A peça de William Shakespeare, sublinha Nuno Matos, é focada nos “problemas que arreliam gente rica e poderosa”, transformando “criados e criadas em meros figurantes, por vezes, sem sequer terem o direito a um nome próprio – pessoas silenciosas no Macbeth de Shakespeare”. Em Amanhã Amanhã Amanhã a opção foi de “inverter o campo de batalha”, ou seja, “subverter (quase) tudo o que Shakespeare escreveu, e dar o verdadeiro poder a quem o merece”, afirma.
Durante o ensaio de Amanhã Amanhã Amanhã, antes da estreia da peça do TUP, marcada para 11 de fevereiro. (Foto: Ni Soares)
Amanhã Amanhã Amanhã foi selecionado para o RITU 42 – Rencontres Internationales de Théâtre Universitaire, organizado por Le TURLg – Théâtre Universitaire Royal de Liège, na Bélgica. A peça vai estar em cena de 11 a 16 de fevereiro, de terça a sábado às 21h30 e, ao domingo, às 19h00, no Auditório da CRL – Central Elétrica, CACE Cultural do Porto, à Rua do Freixo, nº 32, 4300-219 Porto.
Para efetuar reservas ou obter mais informações, contactar o TUP através do e-mail reservas.tup@gmail.com e/ou do telefone 917677249.
O Teatro Universitário do Porto
É a companhia de teatro mais antiga do Porto. O Teatro Universitário do Porto nasceu em dezembro de 1948, fruto da iniciativa de um grupo de estudantes da Universidade do Porto. O primeiro dirigente foi Hernâni Monteiro, docente da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. Trata-se de uma associação juvenil sem fins lucrativos que aposta na experimentação, na força coletiva, na valorização do que cada intérprete traz consigo e na formação informal. O TUP tem vindo a trabalhar com diversos profissionais das artes performativas e a lançar outros tantos.
Até ao próximo dia 14 de março, estarão abertas as inscrições para o Concurso de Textos Teatrais do TUP, que procura apoiar a produção de nova dramaturgia em língua portuguesa, incentivando-a e divulgando-a junto do público.
Fonte: Notícias U.Porto
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Há novos podcasts no espaço virtual da Casa Comum |
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139. Ver a Fixação, Regina Guimarães
“Ver a Fixação”, de Regina Guimarães, in Levantamento, 29 de janeiro de 2024 – 29 de fevereiro de 2024.
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No Alumni Mundus desta quinzena, fomos conhecer Duarte Oliveira, que terminou há não muito tempo o mestrado integrado em Engenharia Informática e de Computação da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. Duarte nasceu no Porto e estudou na Escola Francesa do Porto, onde seguiu o ensino francês. É um amante do desporto e pratica surf desde os 9 anos, chegando a competir nesta modalidade. Conheceu Diogo Silva na Faculdade e foi com ele que cofundou a Intuitivo em 2020, ainda enquanto estudavam. A empresa é uma startup de educação que tem como missão ajudar os professores a serem mais produtivos para que se possam focar no que é importante: ensinar. Hoje, Diogo já não está na empresa, mas a equipa continua a crescer e não faltam projetos e ideias para esta companhia, que venceu em novembro do ano passado o concurso de startups da Web Summit, em Lisboa, e promete dar muito que falar.
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Argumentos 2: em convergência é o novo livro de Alexandre Alves Costa
A obra será apresentada a 12 de fevereiro, às 18h30, na Fundação Marques da Silva, com intervenções de José Manuel Pureza e Pedro Levi Bismarck. À semelhança do primeiro volume, também esta publicação resulta de uma parceria entre a Fundação Marques da Silva e a U.Porto Press. / FOTO: U.Porto Press
Argumentos 2: em convergência é o segundo volume de Argumentos, de Alexandre Alves Costa. Estas publicações abordam, em formato de ensaio, os escritos, a obra, a vida e até as relações de amizade que o autor foi construindo ao longo das últimas décadas. À semelhança de Argumentos 1: em deriva, também este segundo volume resulta de uma parceria entre a Fundação Marques da Silva (FIMS) e a U.Porto Press, que o publica na sua coleção Transversal.
A sessão de lançamento de Argumentos 2: em convergência está marcada para o próximo dia 12 de fevereiro, às 18h30, na FIMS, e contará com intervenções de José Manuel Pureza, Professor Catedrático de Relações Internacionais, investigador, autor e político, e Pedro Levi Bismarck, arquiteto, investigador, crítico e ensaísta.
A entrada é livre (sujeita à lotação do espaço).
Argumentos “em deriva” e “em convergência”
Se, por um lado, Argumentos 1: em deriva não foi considerado por Alexandre Alves Costa “um livro de Arquitetura”, mas antes uma tentativa de se servir da sua experiência naquele âmbito para “articular tempo e espaço, (…) modelar a realidade, (…) fazer sonhar”, o “segundo volume de Argumentos é em convergência, dada a sua maior aproximação à análise crítica e ao exercício disciplinar da arquitetura”, defende o reconhecido arquiteto. Argumentos 2: em convergência é composto por textos de temas distintos, alguns inéditos, e outros já publicados em diversos espaços – entre jornais, revistas, sessões académicas, de homenagem ou exposições – e momentos da sua vida.
“Para além da Arquitetura”, “O Território da Arquitetura”, “Obras e autores” e “Ideias sem matéria: a Arquitetura não é una cosa mentale” dão nome aos quatro grandes capítulos em que o livro se subdivide. Pelo meio, Alexandre Alves Costa deu voz a outros nomes consagrados da Arquitetura, como em “Conversa Ficcionada com Eduardo Souto de Moura”, “Excerto de um capítulo inexistente”, por Fernando Távora, ou “Interregno para festejar a nossa juventude, com belas palavras do Camilo Cortesão”.
O também Professor Catedrático Emérito da Universidade do Porto (U.Porto) explica que, além de integrar os ensaios críticos habituais, este volume abriu “uma experiência de comunicação de projetos não construídos, utilizando a linguagem escrita e não o desenho”, conforme documenta o quarto capítulo. Especifica que, para tal, “serviram-nos os textos das memórias descritivas desses projetos nunca concretizados”.
Argumentos 2: em convergência integra textos de Alexandre Alves Costa, sobre temas distintos, entre os quais alguns inéditos. / Foto: U.Porto Press
“O que quisemos foi experimentar a nossa disciplina como cosa mentale, colocando por escrito os elementos conceptuais que estiveram na base do projeto e que, sabendo não poderem pela sua própria condição tangencial à disciplina ser conclusivos, nos permitem, assim, continuar se for caso disso, a pensar e a concordar e a perguntar e a discordar e até a desistir, sempre desenhando”, remata o autor. A propósito dos textos da autoria de Alexandre Alves Costa, Maria Manuel Oliveira – ex-aluna, agora docente e “muito amiga e conhecedora dos múltiplos sentidos da minha vida”, que assina o Depoimento incluído nesta obra – destaca a diversidade temática comentando que “não sendo autobiográficos, neles se desenha a vida do seu autor”.
Argumentos 2: em convergência está disponível na loja online da U.Porto Press, com um desconto de 10%.
Sobre o autor
Alexandre Alves Costa é Professor Catedrático Emérito da U.Porto, onde lecionou Projeto I e História da Arquitetura Portuguesa e foi diretor do Programa de Doutoramento em Arquitetura. É autor de uma vasta bibliografia publicada, sobretudo, em revistas da especialidade, portuguesas e estrangeiras. Durante a década de 1970 fundou, com Sérgio Fernandez, o Atelier 15. Abordando temas relacionados com o ensino ou com a crítica e história da arquitetura, Alexandre Alves Costa tem participado em múltiplos cursos, seminários ou mesas redondas e proferido conferências em Portugal e no estrangeiro. É membro do Conselho Nacional de Cultura (Secção do Património Arquitetónico), do Conselho Municipal de Cultura da Câmara Municipal do Porto (desde 2021) e do Conselho Geral da Fundação Marques da Silva. Tem vindo a ser agraciado com múltiplas distinções, entre as quais se destaca o Grau de Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada (2006), a Medalha de Ouro da Cidade de Vila Nova de Gaia (2013) e a Medalha de Mérito (Grau Ouro) da Câmara Municipal do Porto (2021).
Fonte: U.Porto Press
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Alunos Ilustres da U.Porto
António Xavier
António Xavier (1943-2006)
A 31 de agosto de 1943 nasceu no Hospital da Ordem do Terço, no Porto, o filho mais novo dos três que teve o casal José Inácio Xavier e Maria Isabel Vasconcelos Lopes, António Augusto de Vasconcelos Xavier. Logo depois do seu nascimento, a família mudou-se do centro da cidade (Rua Costa Cabral) para a praia de Miramar, em Vila Nova de Gaia, onde António Xavier fez os estudos primários e os do 1.º ciclo no "Liceu particular" da Aguda e Miramar.
Em 1954, a família regressou ao Porto, fixando residência na área da Boavista. António Xavier frequentou como aluno interno o Liceu D. Manuel II (atual Escola Secundária Rodrigues de Freitas), onde concluiu o segundo ciclo, em 1959, e o "Curso Complementar dos Liceus - alínea f", em 1962.
Nesse mesmo ano ingressou na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, frequentando o curso de Engenharia Química. Em 1964, no decurso da licenciatura, casou na Igreja dos Loios de Évora com D. Maria Francisca Merckx de Bívar Branco, com quem teve três filhos.
Em 1965 pediu transferência da Faculdade de Ciências do Porto para o Instituto Superior Técnico (IST) em Lisboa, onde, em 1969, concluiu a licenciatura em Engenharia Químico-Industrial, obtendo quinze valores de classificação final.
Seguidamente, interessou-se pelo estudo dos iões metálicos em sistemas biológicos por influência do Dr. Robert D. Gillard, com quem contactou, em 1969, num Ciclo de Conferências no Instituto Superior Técnico. Trabalhou no laboratório do Instituto Gulbenkian de Ciência e candidatou-se a uma bolsa de doutoramento na Universidade de Oxford. Todavia, antes de conhecer o resultado desta candidatura decidiu, por recomendação do Professor João Fraústo da Silva, ingressar no laboratório do Professor Robert J. O. Williams, orientador de doutoramento, onde colaborou com o Professor Evert Nieboer.
Os estudos aí efetuados foram a base da sua inovadora tese sobre os métodos de ressonância magnética nuclear (RMN) para o estudo das estruturas de moléculas flexíveis em solução, utilizando lantanídeos como sondas paramagnéticas extrínsecas.
Na cidade de Oxford, onde viveu com a mulher e viu nascer a sua filha mais velha, trabalhou como investigador independente (Júnior Research Fellow) no Wolfson College daquela universidade.
Em 1973, deixou este cargo e recusou convites de reputadas instituições para voltar a Portugal, onde integrou o Centro de Química Estrutural do Instituto Superior Técnico, em Lisboa. Nesse ano, ainda, prestou o serviço militar obrigatório, mas por um curto espaço de tempo, possivelmente devido à sua situação familiar e ao seu trabalho. Naquele Centro, além da docência com a categoria de professor auxiliar (1973 e 1974), fundou o grupo de Biofísica Molecular.
Em 1974 deu início a uma profícua e duradoura colaboração com o microbiologista Jean LeGall. No ano seguinte, promoveu a aquisição do primeiro espectrómetro de RMN no nosso país, facto que lhe permitiu prosseguir os estudos estruturais de moléculas complexas. Dois anos mais tarde, ingressou na Universidade Nova de Lisboa (UNL) como Professor Associado da Faculdade de Ciências e Tecnologia, tendo sido promovido a Professor Catedrático em 1979. Nesta data, foi nomeado Diretor Científico Molecular do Centro de Química Estrutural do Instituto de Investigação Científica (INIC), cargo que manteve até 1989.
Nos EUA, onde esteve por algum tempo devido à sua atividade de investigação e ensino, foi nomeado Adjunct Full Professor of Biochemistry' o Gray Freshwater Biological Institute da Universidade de Minnesota (1978-1984) e Adjunct Full Professor of Biochemistry no Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular da Universidade de Geórgia (1985-2000).
A par da docência, publicou cerca de 250 trabalhos científicos na área da metaloproteína e do mecanismo de transdução de energia em microorganismos; organizou, em Tomar, no ano de 1979, uma conferência internacional subordinada ao tema "Metal Ions in Biology" — um marco histórico da Química Bioinorgânica — e, juntamente com o Professor Carlos Portas, fundou, em 1986, o Instituto de Tecnologia Química e Biologia da Universidade Nova de Lisboa (ITQB), do qual foi Presidente da Comissão Instaladora até 1998. Neste Instituto, que constituiu um dos primeiros laboratórios associados do país e que se tornaria o mais popular e o mais produtivo, criou equipas interdisciplinares. Em 1999, passou a dedicar-se a tempo inteiro ao trabalho científico.
Nos primeiros anos do novo milénio, o seu trabalho foi oficialmente reconhecido. Em 2004, o governo português incluiu-o no grupo dos setenta cientistas nacionais agraciados com a atribuição do "Estímulo à Excelência" pelo Ministério da Ciência, Inovação e Ensino Superior e, em Dezembro de 2005, foi a vez da revista Visão, que o escolheu como um dos dez "heróis" portugueses.
A 7 de Maio de 2006 faleceu em Lisboa este pioneiro investigador de Química Bio-inorgânica e um dos mais brilhantes cientistas portugueses, respeitado internacionalmente, mas desconhecido fora da esfera dos cientistas. Da igreja de S. João de Deus, em Lisboa, o corpo foi a enterrar no cemitério do Alto de S. João.
A 12 de Dezembro desse ano, o Laboratório Associado IBMC/INEB prestou-lhe uma homenagem póstuma, na qual participaram importantes figuras portuguesas e estrangeiras como Francisco Carvalho Guerra, Miguel A. de La Rosa, Helena Santos, Carlos Salgueiro, Ilídio Correia e A. Quintanilha. Em 2006, o Bruker Group instituiu o "Prémio António Xavier", em reconhecimento da sua dedicação à Ciência e à sua ação no desenvolvimento da metodologia de RMN em Portugal, a atribuir a um investigador nacional ou uma equipa de trabalho que se evidencie nos domínios da Ressonância Magnética Nuclear, da Imagem por Ressonância Magnética ou da Ressonância Paramagnética Eletrónica.
Sobre António Xavier (up.pt)
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