HISTÓRIAS PARA SALVAR

​​EU University & Culture Summit / Day 1, Afternoon

Quando Ricardo Taipa, Diretor do Banco Português de Cérebros (BPC), me mostrou um corte de tecido cerebral espalmado entre acrílicos (ou vidros?), deixei escapar um gritinho: “Parece uma fatia de couve-flor!”. E parecia mesmo. A estrutura ramificada daquele carpaccio de cérebro era tal qual a da couve-flor, com um caule central do qual partem múltiplos ramos menores formando uma rede intrincada de pequenos botões florais com uma estrutura granulada e irregular. Sempre achei que a couve-flor tem uma estética mágica, com a sua simetria e repetição de padrões – uma árvore em miniatura –, pelo que o meu fascínio rapidamente se transferiu para aquele pedaço de cérebro. Mas José Barros, Diretor Clínico do Centro Hospitalar Universitário de Santo António e reputado neurologista, recordou-me a razão da minha visita ao Banco Português de Cérebros: “Não nota nada de especial neste tecido cerebral?”. Olhei mais atentamente.


Havia espaços entre os floretes daquele cérebro-couve-flor. Era como se alguns deles estivessem mirrados ou ausentes. O significado dos espaços vazios entre as estruturas tornou-se óbvio quando Ricardo Taipa explicou: é o cérebro de um indivíduo com Alzheimer.


Cresci com a doença de Alzheimer por perto. A avó de uns primos meus, a casa de quem ia praticamente todos os dias, esperava-me muitas vezes à porta da entrada com uma caneca na mão. Estava naquela altura da doença em que sentia embaraço perante a família por não se lembrar das coisas mais corriqueiras, pelo que apelava à minha cumplicidade infantil: “Fatinha, eu já tomei o leite hoje?”. Eu olhava para dentro da caneca, à procura de sinais do líquido acastanhado pela adição de cevada, para a sossegar: “Hoje ainda não”. A primeira vez que isso aconteceu eu teria uns dez anos. Por volta dos meus doze anos, a avó dos meus primos já não deambulava pela casa com a caneca na mão, tinha assento reservado durante o dia no sofá em frente a uma televisão ligada para lhe fazer companhia. O seu olhar era vazio – como os buracos do tecido cerebral que Ricardo Taipa agora me mostrava.


Todos nós conhecemos indivíduos que padecem de doenças neurológicas – Alzheimer, Parkinson, Epilepsia ou AVC, para citar apenas as mais conhecidas. Mas nem sempre, enquanto familiares e amigos dessas pessoas, compreendemos aquilo por que passam – os seus sintomas, tratamentos disponíveis e perspetivas de tratamentos futuros. A exposição que temos agora nas Galerias da Casa Comum para assinalar o 10.º aniversário do Banco Português de Cérebros oferece informação sobre essas doenças ao mesmo tempo que evidencia o trabalho importante que o BPC tem vindo a desenvolver. Chama-se HISTÓRIAS PARA SALVAR porque é isso mesmo que o BPC faz: ao preservar o cérebro de indivíduos que padecem destas doenças, permite que estes sejam estudados, nacional e internacionalmente, e sejam investigados novos tratamentos. A preservação da história clínica desses indivíduos poderá, pois, significar uma história com um final feliz para outras pessoas. E por isso é importante que mais indivíduos sofrendo de doenças neurológicas doem o seu cérebro ao BPC.


Ricardo Taipa e José Barros pretendiam que esta exposição fosse de Arte & Ciência. Nas Galerias da Casa Comum, contamos as HISTÓRIAS PARA SALVAR em três capítulos. A primeira sala expõe painéis informativos sobre as patologias, bem como peças do Museu de Anatomia do ICBAS, do Hospital de Santo António e do BPC. A segunda sala, para além de um vídeo documental sobre o trabalho desenvolvido no Banco, incluindo imagens de dissecção de cérebros, exibe um vídeo-ensaio artístico de Rui Vieira. A terceira sala acolhe trabalhos de Cristina Mateus, docente da FBAUP, que, através da fotografia e da palavra, nos incita a refletir sobre a memória, a vida e a natureza; nessa mesma sala, na parede do fundo, Maria Beatitude mistura pintura e palavras para nos instar a refletir sobre cérebro e memória. A Galeria II da Casa Comum apresenta um epílogo feliz para estas histórias, com mais de mil rolos de papel etiquetados, lembrando a capacidade única que temos, enquanto seres humanos, para fazermos “planos”. É impossível sair-se da exposição sem um sorriso nos lábios. Algumas das etiquetas de que mais gostei: “Planos para jantares com bons amigos e bons vinhos”; “Esboços de projetos que nunca foram a lugar nenhum”; “Amores quase perfeitos”; “Planos com demasiados detalhes”; “Projetos para ficar deitada contigo numa praia paradisíaca”; “Planos de acontecimentos que sei agora que não deviam ter acontecido”; “Planos para não me engasgar a engolir alguns sapos vivos”; “Planos para não planear tanto”; “Planos onde o exagero foi total”; “Planos para almoços com pessoas que quero ter por perto para sempre”. E o meu preferido (porque acabei de ler as notícias): “Planos para dias de paz”.



Fátima Vieira
Vice-Reitora para a Cultura e Museus

Brasil e Portugal unidos em novo ciclo de cinema da U.Porto

Territórios, Brasil e Portugal é o título do  ciclo de cinema que explora narrativas de dois mundos. É coorganizado  pela U.Porto e pela Universidade Estadual de Campinas.   

YamiYhex - As Mulheres Espírito, de Sueli Maxakali e Isael Maxakali, vai ser exibido a 21 de março, na Casa Comum. Foto: DR

A Casa Comum (à Reitoria) da Universidade do Porto recebe, entre março e abril de 2025, o ciclo de cinema Territórios, Brasil e Portugal, uma iniciativa conjunta com a Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e que apresenta uma seleção de filmes que refletem sobre identidade, memória e resistência, promovendo um diálogo entre os dois países. As sessões decorrem sempre às sextas-feiras, às 18h30, e têm entrada gratuita.


A programação arranca a 7 de março com Branco sai, preto fica, de Adirley Queiroz, um filme que mistura ficção científica e documentário para contar a história de um tiroteio num baile de black music na periferia de Brasília. Anos depois, um homem retorna do futuro para  investigar o evento e denunciar a repressão sofrida pela população negra.


No dia 14 de março é exibido Café com canela, de Ary Rosa e Glenda Nicácio, um drama que acompanha Margarida, uma  mulher reclusa após a morte do filho. A sua rotina muda quando Violeta, uma antiga aluna, reaparece decidida a resgatar a alegria em sua vida.

Café com Canela, de Ary Rosa e Glenda Nicácio, passa dia 14 de março, na Casa Comum. (Foto: DR)

Já a 21 de março, o documentário Yãmiyhex: As Mulheres-Espírito,  de Sueli Maxakali e Isael Maxakali, leva o espectador à Aldeia Verde,  em Minas Gerais, onde as yãmiyhex, figuras espirituais femininas, se  preparam para partir após meses de convivência com a comunidade indígena. A produção regista os rituais e as emoções de uma despedida  marcada pela presença de diversos espíritos.


A 28 de março, A mãe, de  Cristiano Burlan, apresenta a história de Maria, uma mãe solteira da periferia de São Paulo que chega do trabalho e não encontra o filho  adolescente. Ao descobrir que ele foi morto pela polícia, embarca numa  busca incansável por justiça.


A encerrar o ciclo, dia 4 de abril, Limiar, de Coraci Ruiz, traz um olhar intimista sobre a transição de género de  um jovem, registada pela própria mãe. Este documentário explora as  mudanças, desafios e descobertas vividas ao longo deste processo que  leva também a mãe numa viagem de rutura com velhos paradigmas,  enfrentando medos e preconceitos.


Com curadoria de José Paulo Santos (U.Porto) e Gilberto Sobrinho (UNICAMP), o ciclo Territórios, Brasil e Portugal promove uma reflexão  profunda sobre os territórios, identidades e relações sociais no Brasil  e em Portugal através do cinema.


Para além das exibições em Portugal, a iniciativa terá uma  programação complementar no Brasil, com a projeção de filmes portugueses na UNICAMP. Serão exibidos Alcindo, de Miguel Dores; Por detrás da Moeda, de Luís Moya; Pare, Escute e Olhe, de Jorge Pelicano; Memórias do 25 de Abril, 50 anos da Revolução dos Cravos, de Carlos Pronzato e Nove meses de inverno e três de inferno, de João Pedro Marnoto.


É também objetivo deste intercâmbio cinematográfico partilhar  contextos sociais, políticos e etnográficos, fortalecendo o diálogo  cultural entre Brasil e Portugal.


Mais informações. 


Fonte: Notícias U.Porto

Lançamento de livro de Agostinho Santos celebra Dia Internacional da Mulher na U.Porto

Mulheres, obra da autoria do pintor e jornalista Agostinho Santos, será apresentada a 8 de março, a partir das 17h00, no Auditório da Casa Comum (à Reitoria da U.Porto). Entrada livre.

Esta é a mais recente publicação da Editora da U.Porto, na sua coleção Concertina. / FOTO: U.Porto Press

A 8 de março a U.Porto Press assinalará o Dia Internacional da Mulher com uma sessão a decorrer a partir das 17h00, no Auditório da Casa Comum (à Reitoria da U.Porto).


Trata-se do lançamento de Mulheres, livro-objeto do artista Agostinho Santos, que é também a mais recente publicação da Editora da U.Porto, na sua coleção Concertina.


Com prefácio de Fátima Vieira, Vice-Reitora da U.Porto para a Cultura e Museus, e responsável pela U.Porto Press, e desenhos de Agostinho Santos, a obra integra, ainda, poemas de Rosa Alice Branco e Ilda Figueiredo, em dois postais igualmente ilustrados pelo artista.


A sessão decorrerá em formato mesa-redonda, com moderação de Nazaré Álvares, professora e artista plástica. A apresentação da obra será assegurada mediante intervenções de Felícia de Sousa, artista plástica e curadora, Ilda Figueiredo, economista e vereadora da Câmara Municipal do Porto, Rosa Alice Branco, professora e poeta, Rosário Gamboa, professora e deputada à Assembleia da República, e do próprio autor, Agostinho Santos.


A entrada é livre.

As Mulheres

Na maioria das 16 ilustrações que Agostinho Santos preparou para esta  obra, o “denominador comum” parece remeter para os ramos que florescem  ora nos cabelos, ora nos ombros, ora nas costas destas mulheres.


Para Fátima Vieira, autora do prefácio, as Mulheres,  conforme o pintor e jornalista as retratou, “representam um coletivo” já  que, “mesmo quando se apresentam como figura singela transportam em si  as almas e aspirações de outras mulheres”.

Este  livro-objeto integra desenhos de Agostinho Santos e poemas de Rosa Alice  Branco e Ilda Figueiredo, em dois postais também ilustrados pelo  artista./ Foto: U.Porto Press

Estas mulheres não se encerram em si próprias, pois para além de o  serem, “são ao mesmo tempo eu e tu e as nossas mães e as nossas filhas e  irmãs e primas e tias e vizinhas e amigas (…)”, afirma Fátima Vieira.


A Vice-Reitora da U.Porto para a Cultura e Museus alerta para o facto  de frequentemente nos deixarmos “ofuscar pelas conquistas do passado”,  frisando que “nos compete construir o futuro”. Nas suas palavras, este  “só poderá ser diferente se for imaginado por todos, com a memória das  lições do passado, mas também com a ambição de um progresso social que  inclui a consagração plena da igualdade de direitos humanos, de que os  direitos da mulher são apenas uma parte”. Fátima Vieira reconhece esta  ambição às mulheres desenhadas por Agostinho Santos.


Desta obra fazem também parte dois postais ilustrados, com poemas de  Rosa Alice Branco – “As mulheres nas estrelas de alcatrão” – e Ilda  Figueiredo – “Mulheres Deusas”.


Mulheres estará brevemente disponível na loja online da U.Porto Press, com 10% de desconto e portes grátis.

Sobre Agostinho Santos

Agostinho Santos – pintor, curador independente, jornalista e investigador – é mestre em Pintura pela Faculdade de Belas  Artes da Universidade do Porto (FBAUP) e doutor em Museologia pela Faculdade de Letras da U.Porto e pela FBAUP. Fez pós-doutoramento em Ciências da Arte e do Património, na Faculdade de Belas Artes da  Universidade de Lisboa.


É diretor da Bienal Internacional de Arte de Gaia e presidente do  Conselho de Administração da Artistas de Gaia – Cooperativa Cultural.


Realizou mais de 100 exposições individuais e participou em mais de 500 mostras coletivas, em Portugal e no estrangeiro. 


Fonte: U.Porto Press

Março na U.Porto

Para conhecer o programa da Casa Comum e outras iniciativas, consulte a Agenda Casa Comum ou clique nas imagens abaixo.

Aula do Visível | Exposição de Obras da Coleção da Fundação Ilídio Pinho

Até 31 MAI'25
Exposição | Edifício Abel Salazar
 Entrada livre. Mais informações aqui 

Histórias para Salvar – 10 Anos do Banco Português de Cérebros

27 FEV a 03 MAI'25 
Exposição | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui 

7 contos esculturas | Exposição

Até 29 MAR'25  
Exposição |Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

Territórios, Brasil e Portugal | Ciclo de Cinema

07, 14, 24, 28  MAR e 04 ABR'25 | 18h30
Cinema | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui 

Mulheres, de Agostinho Santos | Apresentação de livro

08 FEV'25 | 17h00
Apresentação de livro | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

Norte Tradições

08 MAR'25  | 21h00
Música, dança, etnografia | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

Representações contemporâneas da Ásia em Portugal: literatura, políticas editoriais, programas culturais, com Fátima Vieira

10 MAR'25 | 18h00
Conferência | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui 

Chiquinha Gonzaga – 90 anos de saudades | Concerto de Maria Teresa Madeira, com Rodrigo Alzuguir

14 MAR'25 | 21h30
Música | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

S. Patrício nos Idos de Março | Concerto dos Díada & Amigos

15 MAR'25 | 21h30
Música | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

Club di Lettura Italiano 2025 | Clube de Leitura Italiano 2025

20 FEV, 02 ABR, 12 JUN, 17 SET, 29 OUT e 11 DEZ'25 | 19h00
Literatura | Casa Comum e ASCIPDA
Entrada Livre. Mais informações e inscrição aqui 

PAISAGENS CONSTRUÍDAS

Até 25 MAR'25
Exposição | Fundação Marques da Silva
Mais informações aqui 

Gemas, Cristais e Minerais

Exposição | Museu de História Natural e da Ciência U.Porto
Entrada Livre. Mais informações aqui

Ensaios | Exposição

De 19 NOV'24 a 21 MAR'25
Exposição | FCUP
Entrada Livre. Mais informações aqui

Corredor Cultural

Condições especiais de acesso a museus, monumentos, teatros e salas de espetáculos, mediante a apresentação do Cartão U.Porto.
Mais informações aqui

António Modesto traz Seios, 300 Desenhos à  

Galeria da Biodiversidade

Exposição inédita reúne 300 desenhos a lápis de  cera, inspirados no livro A Mulher Nua, de Desmond Morris. Para visitar de 2 de março a 30 de abril.

Foto: António Modesto

A Galeria da Biodiversidade – Centro Ciência Viva, do Museu de História Natural e da Ciência da U.Porto (MHNC-UP), vai receber, até 30 de abril, a exposição Seios, 300 Desenhos, de António Modesto, antigo professor de Design da Faculdade de Belas Artes da U.Porto (FBAUP).


Refletindo sobre a diversidade do corpo feminino, esta exposição apresenta, pela primeira vez, a coleção de 300 desenhos executados por António Modesto a lápis de cera sobre papel, entre 2010 e 2025, a partir da leitura do livro A Mulher Nua — Um Estudo do Corpo Feminino, de Desmond Morris (2024).


À expressão artística caraterística desta forma de comunicação,  associa-se uma reflexão sobre a diversidade humana, nas suas vertentes  biológica e cultural. Os desenhos de António Modesto partem da  observação de registos fotográficos. O artista explica que os primeiros trabalhos foram influenciados pelo estudo da morfologia mamária descrita por Desmond Morris, sendo que, ao longo do tempo, o projeto evoluiu  para uma reflexão mais abrangente sobre a diversidade do corpo feminino e  suas representações culturais.


“Os 300 desenhos aqui expostos foram executados a lápis de cera sobre papel, a partir da leitura do livro A Mulher Nua — Um Estudo do Corpo Feminino (2004), de Desmond Morris”, e do respetivo registo fotográfico, afirma  Modesto. Para o artista, os desenhos ultrapassam a mera forma estética,  funcionando como “uma metáfora da diversidade do mundo”.

A exposição estará aberta ao público até finais de abril, na Galeria da Biodiversidade. (Foto: DR)

O Corpo Feminino entre Arte e Sociedade

A representação dos seios femininos tem atravessado séculos de  história da arte, variando entre a celebração da beleza, da fertilidade e  até da censura. Para Desmond Morris, a forma dos seios humanos não está  apenas ligada à maternidade, mas também a códigos visuais de atração  sexual desenvolvidos ao longo da evolução da espécie. “A forma dos seios  humanos não está relacionada com os cuidados maternos, mas com outra  coisa qualquer, nomeadamente a beleza sexual”, escreve o autor.


Para além da biologia, os seios foram moldados por normas estéticas e  sociais, que influenciam a forma como são representados e  percecionados. Como destaca Alexandra Matias,  (professora da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), “o  seio feminino – muitas vezes ainda objeto de tabus, escândalos ou  interesse voyeurístico – é elevado através da arte e torna-se portador  de uma importante mensagem política”.


Seios, 300 Desenhos abre assim espaço para uma reflexão  crítica sobre as imposições sociais, os padrões de beleza e a censura do  corpo feminino, promovendo uma abordagem artística que desafia  convenções e convida à reinterpretação da identidade e da diversidade  corporal.


A exposição será inaugurada no dia 1 de março, às 18h00. Depois deste momento, pode ser visitada de 2 de março a 30 de abril, de terça-feira a domingo, entre as 10h00 e as 13h00, e das 14h00 às 18h00, sendo o último acesso permitido até às 17h30.


A entrada é livre.

Sobre António Modesto

António Modesto Nunes nasceu em Ponte do Abade, Aguiar da Beira, em  1957. Estudou arte e design na Escola Superior de Belas de Artes do Porto — atual Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto —, onde foi professor desde 1983 até se aposentar, em 2023.


Em paralelo com a docência, é investigador (membro integrado do ID+), designer e desenhador, autor e coautor de múltiplos artefactos e  publicações nas áreas do design gráfico e editorial, ilustração,  identidade visual, embalagem, design de equipamento e interiores, com os quais obteve diversos prémios e distinções. É coautor da mascote da  Expo 98 e do manual mais adotado pelas escolas em Portugal para o ensino  da Educação Visual no 3.º ciclo do ensino básico.


Foi diretor artístico do seu próprio atelier de design até 2012. 


Fonte: Notícias U.Porto

Artistas representados na exposição Aula do Visível – Obras da Coleção da Fundação Ilídio Pinho

Dominguez Alvarez

Auto-retrato de Dominguez Alvarez (Porto, 1906-1942). Óleo sobre cartão. Centro de Arte Moderna Gulbenkian, Inv.83P625

De ascendência galega, José Cândido Dominguez Alvarez nasceu na freguesia portuense de Campanhã, em 23 de fevereiro 1906.


Fez os estudos liceais no Porto e em Pontevedra.


Em 1919 instalou-se na Galiza com o objetivo de fazer um curso para funcionário dos Correios e Telégrafos, mas voltou ao Porto, em 1920, sem o ter frequentado. Nesse ano ingressou no Colégio Almeida Garrett e, de seguida, por vontade do pai, foi trabalhar num armazém de tecidos.


Nos anos 20 colaborou na Revista Contemporânea. Em 1924 realizou os primeiros desenhos e aguarelas e, em 1926, com 20 anos, matriculou-se no curso Preparatório de Arquitetura da Escola de Belas Artes do Porto (ESBAP), que veio a trocar pelo de Pintura, em 1928.


Foi membro fundador do grupo "+ Além" que, em 1929, juntou no Porto diferentes artistas que se opunham às homenagens póstumas dedicadas ao mestre João Marques de Oliveira (1853-1927). Nessa ocasião tornou-se um dos subscritores do manifesto Em Defesa da Arte.

Em 1931 perdeu o ano por motivos de saúde e, parte do ano seguinte, passou-o na Galiza, a pintar. Em 1934 produziu algumas das suas obras mais aclamadas, entre as quais o Homem da Cartola, Louco, Casario, Homem Compostelano ou Figura dum Sonho.


Durante esta fase criativa colaborou em várias publicações culturais e publicou, com regularidade, no periódico portuense Jornal de Notícias.


A sua única exposição individual foi realizada no Salão Silva Porto, no Porto, em junho de 1936. Em contrapartida, fez parte do elenco de algumas mostras coletivas. Integrou exposições de alunos do ESBAP (no Salão Silva Porto, em 1929, e, em 1931, no Ateneu Comercial do Porto), expôs com Artur Justino, do grupo "+ Além", no Salão Silva Porto, em 1930, participou na Grande Exposição dos Artistas Portugueses, em 1935, na V Exposição de Arte Moderna do Secretariado de Propaganda Nacional, em 1939, e na Exposição Etnográfica do Douro Litoral no já desaparecido Palácio de Cristal do Porto, em 1940. Durante este ano interveio, também, na Missão Estética de Férias de Viana do Castelo.


Foi no meio de toda esta atividade que concluiu o curso de Pintura, mais precisamente em 1940, tendo apresentado o trabalho Paisagem com Animais, com o qual obteve a classificação de 20 valores. Entretanto, durante a licenciatura, recebeu alguns prémios e elogios de diversos professores, tais como Aarão de Lacerda (1890-1947) e Dordio Gomes (1890-1976).


Entre 1940 e 1942 foi bolseiro do Instituto de Alta Cultura. Nesse período pintava essencialmente paisagens e foi nomeado professor da Escola Industrial Infante D. Henrique, no Porto.


A saúde frágil traiu-o a 16 de abril de 1942, dia em que faleceu, vítima de tuberculose.


A título póstumo, a sua obra foi objeto de várias exposições. No ano da sua morte, o Instituto da Alta Cultura realizou no Salão Silva Porto uma exposição retrospetiva, organizada pelos pintores Dordio Gomes e Guilherme Camarinha (1912-1994), depois repetida em Lisboa, em 1943, na Sociedade Nacional de Belas Artes – a essa exposição seguiram-se uma exposição no Ateneu Comercial do Porto, organizada por Fernando Lanhas (1923-2012), Alberto de Serpa (1906-1992) e João Menéres Campos (1912-1988), em 1951; uma exposição na Academia Dominguez Alvarez (galeria inaugurada em 1954, no Porto, por Jaime Isidoro e António Sampaio), em 1958; uma exposição intitulada Dominguez Alvarez na Colecção de Adolfo Casais Monteiro, a qual teve lugar na Galeria Gravura, em Lisboa, em 1963; uma retrospetiva de Alvarez exibida na Casa de Serralves, no Porto, e, mais tarde, na Secretaria de Estado da Cultura, em Lisboa (1987); uma homenagem na Bienal Internacional de Cerveira, em 1997; uma exposição em sua memória na Galeria de Vilar, da responsabilidade da Cooperativa Árvore, no Verão de 2002; e uma exposição denominada "Dominguez Alvarez 770, Rua da Vigorosa, Porto", montada no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, em 2006, no centenário do nascimento do artista.


Apesar da sua breve carreira, a qual foi praticamente coincidente com a sua formação académica e interrompida por diversas viagens a Espanha e por consecutivos períodos de doença, Dominguez Alvarez deixou centenas de obras.


Ao contrário de muitos dos seus colegas, não estudou fora do país. Pintou o Porto e as localidades dos seus antepassados, motivos que dominaram os seus horizontes de inspiração. Este "pintor oriundo de Pontevedra, residente no Porto", como se auto intitulava, foi, também, um estudioso, especialista em pintura espanhola (Zuloaga, Dario de Regoios e Gutierrez Solana), e um promotor das relações artísticas entre Portugal e a Galiza (permuta de livros e revistas entre escritores e artistas dos dois países), tendo chegado, inclusivamente, a tentar organizar no Porto, durante o Outono de 1935, uma exposição de arte galega que integraria a "Semana da Cultura Galega", projeto este que, no entanto, não se concretizou.


Construtor de paisagens rurais e urbanas que partem do natural, visitadas pelo artista durante as viagens que fez pela Península Ibérica (Porto, Minho, Galiza e Castela), representou cenas do dia-a-dia com homens a negro e torcidos, figuras à chuva, retratos de figuras com paisagens em fundo e torres de catedrais espanholas, como a de Segóvia e a de Compostela, utilizando uma linguagem expressionista e surrealista que revela um bom domínio dos materiais e das soluções plásticas.


Esta figura do "segundo modernismo português" está representada no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian com 39 obras (pinturas e desenhos), em Lisboa, no Museu Nacional de Soares dos Reis, no Porto, na Casa-museu de José Régio, em Vila do Conde, no Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso, em Amarante, e no Museu do Abade de Baçal, em Bragança.

Natureza Morta, 1929. Óleo sobre tela. Obra de Alvarez na Sala 1 da exposição, no segundo piso do renovado edifício Abel Salazar.


Fundação Ilídio Pinho


Centro de Arte Moderna Gulbenkian


Sobre Alvarez Dominguez (up.pt)

Há novos podcasts no espaço virtual da Casa Comum

142. Parque habitacional, Paulo José Borges

“Parque habitacional”, de Paulo José Borges, in Um ócio todo estendido, dezembro de 2019.

95. Eiduardo i Marie Sabel Lopes, de Fuente Lhadron

“You sou Eiduardo Augusto Lopes, Fuonte Lhadron, nacido i criado, miu pai era d’acá, mie mai era de la Granja.”
 “You sou Marie Sabel Pinto Lopes, fui nacida i criada na Granja , apuis casei-me cun Eiduardo Lopes.”


Mais podcasts AQUI


Alunos Ilustres da U.Porto

Armando Alves

 Armando Alves Fernando Veludo/NFactos

Armando José Ruivo Alves nasceu em Estremoz, em 1935.


Em Lisboa, fez o Curso de Preparação às Belas Artes, na Escola de Artes Decorativas António Arroio, e, no Porto, frequentou o curso de Pintura na Escola Superior de Belas Artes (atual Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto), que terminou em 1962, com a classificação de vinte valores.


Após a conclusão da licenciatura foi nomeado Professor Assistente, na ESBAP, onde introduziu o estudo das Artes Gráficas.


Em 1964 realizou uma viagem de estudo a Londres, enquanto bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, e começou a expor individualmente. No ano seguinte fez novas viagens de estudo, desta vez a Espanha e a França.

Catálogo da exposição Os Quatro Vintes nos 25 anos da Árvore.

Com os colegas Ângelo de Sousa, José Rodrigues e Jorge Pinheiro formou o grupo "Os Quatro Vintes", em 1968, com o qual veio a expor no Porto, em Lisboa e em Paris, durante os anos 60 e 70. Naquele ano, começou, também, a dedicar-se a fundo às Artes Gráficas, área que ajudou a modernizar e a revalorizar.


Nesta atividade, esteve profissionalmente ligado a três editoras - à Editorial Inova, em 1968; à Editorial Limiar, em 1975, e à Editorial Oiro do Dia, em 1980. Dirigiu graficamente obras literárias (antologias de versos e prosa, livros infantis e coleções) e produziu cartazes e pósteres, comemorativos e publicitários, catálogos de exposições e programas de concertos e de atividades desportivas.


Em 1973 deixou a ESBAP para se dedicar inteiramente às Artes Gráficas. Entre os seus inúmeros trabalhos neste domínio podem destacar-se, entre outros: o cartaz e os cenários da peça Lux in Tenebris, baseada num texto de Bertolt Brecht, encenada por Pere Planella e levada à cena pelo Seiva Trupe, no Porto (1975); a organização da exposição dos 30 anos de Eugénio de Andrade, na Fundação Engenheiro António de Almeida, no Porto, e a edição do catálogo da exposição (1976); a direção da exposição e a organização do catálogo da Semana de Colóquios e Cinema dedicada à obra de Vergílio Ferreira, realizada no Ateneu Comercial do Porto (1977); a realização da exposição O Pintor e a Cidade (aguarelas de António Cruz sobre o Porto e outros lugares, na Casa do Infante), e a direção gráfica de um álbum com o mesmo título.


É um dos fundadores da Cooperativa Árvore e um dos intervenientes, desde a sua criação, do Lugar do Desenho - Fundação Júlio Resende, no âmbito da qual participou, entre 1997 e 1999, em exposições no Brasil, no Chile, em Cabo Verde e em Moçambique (Maputo).


Este notável ilustrador, artista gráfico, desenhador e pintor (que evoluiu do neorrealismo para o abstracionismo) está representado em coleções do Museu Nacional Soares dos Reis, no Porto, da BCG, em Lisboa, e da Câmara Municipal de Matosinhos. Ao longo da sua carreira alcançou importantes prémios e distinções, como o primeiro prémio na Mostra de Artes Gráficas Grafiporto 83, no Museu Nacional de Soares dos Reis, e o grau de Grande Oficial da Ordem do Mérito, concedido pelo Presidente da República, Cavaco Silva, nas comemorações do 10 de Junho de 2006, decorridas na Alfândega do Porto.


Sobre Armando Alves (up.pt)


Um alentejano tranquilo, pintor de paisagens | Entrevista | PÚBLICO

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