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O PATRIMÓNIO É UM ACTO PRESENTE
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Desde que li Uses of Heritage (2006), de Laurajane Smith, que olho para o património de forma diferente. Smith defende, no seu livro, que o património não é uma coisa em si, mas um processo cultural e social que interage com actos de recordação que criam formas de entendimento relevantes para o presente. Nesta perspetiva, os actos de comemoração do património são actos vividos que atualizam para os nossos tempos o legado que recebemos do passado: a comemoração é uma (re)afirmação das nossas escolhas – é uma declaração de que as consideramos relevantes agora. Vem esta referência a propósito da comemoração que tivemos, no passado sábado, na Fundação Marques da Silva, do projeto que, desde 1996, a Universidade do Porto tem vindo a construir. Fá-lo desde que os arquitectos Maria José Marques da Silva e David Moreira da Silva – filha e genro do Arquitecto José Marques da Silva, autor, entre muitos outros projetos, do Teatro Nacional de São João e da Estação de São Bento – deixaram um legado à Universidade do Porto, confiando-lhe a missão de criar uma fundação que preservasse o “acervo literário, artístico, arquitectónico e urbanístico” dos três arquitectos e acolhesse “outros fundos documentais de valor patrimonial, histórico, científico, artístico ou documental relativos, preferencialmente, à arquitectura e ao urbanismo portuense e português.”
Vinte e nove anos mais tarde, a Fundação Marques da Silva acolhe acervos de mais de 57 arquitectos, que incluem 279.550 desenhos, 486 maquetas, 44.087 registos fotográficos, 102.509 imagens digitais e 986 metros lineares de documentação escrita. Possui uma das maiores bibliotecas portuguesas especializadas em arquitectura, disponibilizando 28.000 publicações para consulta. O seu núcleo museológico integra uma coleção de pintura (óleo, pastel e aguarela) de 135 peças, além de peças de escultura, cerâmica, têxteis, ourivesaria, medalhística, mobiliário e mesmo alfaias litúrgicas.
A atividade principal da Fundação estrutura-se, naturalmente, em torno do centro documental de arquitetura, área em que uma equipa multidisciplinar actua baseada na aplicação de um modelo sistémico de tratamento da informação, padronizado e cientificamente validado, que garante a gestão integrada dos arquivos. Contudo, ao longo dos últimos seis anos, Graciela Machado, membro da Direção da Fundação e docente da Faculdade de Belas Artes, tem vindo a operar uma verdadeira revolução, desafiando-nos a valorizar objetos, equipamentos e espaços da Fundação a que, até ao momento, não havíamos prestado a devida atenção. E por isso, quem por estes dias visitar a Fundação Marques da Silva, encontrará para além da belíssima exposição Paisagens Construídas (resultado do trabalho de investigação de Valdemar Cruz, com fotografias de Inês d’Orey e curadoria de Luís Martinho Urbano) e da magnífica e muito necessária exposição Marques da Silva: Retrato de um Arquitecto, com curadoria de Rui Ramos (FAUP) e design gráfico de Diana Vila Pouca, uma terceira exposição inusitada para a instituição: Eidoteca, com curadoria de Graciela Machado.
Com a metodologia de um arqueólogo, os estudantes, docentes e investigadores que integram o projeto “Pure Print Archeology” (FBAUP / i2ADS), coordenado por Graciela Machado, olharam para as maquetas da Fundação procurando perceber como foram construídas – é o caso da grande maqueta de um projeto de José Porto para o Plano de Urbanização do Gerês, que foi inteiramente replicada pela equipa em materiais, técnicas e processos. Tendo deparado, na Fundação, com uma velha máquina de ozalid, os artistas identificaram empresas que continuam a fabricar papel heliográfico amoniacal e recriaram os métodos tradicionais dos processos reprográficos, analisando a sua relação com instrumentos de desenho habituais no desenho técnico produzido nos ateliers de arquitetura. E perante o acervo de Amândio Silva, votaram-se à descoberta das origens e práticas da litografia na cidade do Porto e na Faculdade de Belas-Artes, em particular.
São múltiplas as intervenções artísticas que integram a Eidoteca, mas todas têm em comum interrogações novas para a Fundação Marques da Silva, e foi isso, também, que quisemos comemorar: a patrimonialização de espaços, materiais e equipamentos da Fundação que proporcionam uma melhor compreensão da forma como arquitectos, escultores, desenhadores, litógrafos e heliógrafos se relacionavam, no passado. Mas a exposição proporciona-nos também uma reflexão sobre os nossos dias – sobre a relevância desses métodos, materiais e procedimentos antigos para a criação artística contemporânea. E é aqui que volto ao ponto em que comecei. Laurajane Smith tem razão: o património não é uma coisa em si, é uma prática cultural que atualizamos constantemente. É, acima de tudo, um acto presente.
Nota: As exposições da Fundação Marques da Silva, no Palacete Lopes Martins e na Casa-Atelier (entrada Praça Marquês de Pombal, n.º 44), poderão ser visitadas de segunda a sábado, das 14:00 às 18:00. A entrada é gratuita para jovens com menos de 18 anos e estudantes universitários mediante apresentação de documento comprovativo. O bilhete normal tem um valor de 3€; bilhete para seniores 1,5€; Portadores de Cartão Porto 2,10€.
Fátima Vieira Vice-Reitora para a Cultura e Museus
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Casa Comum propõe uma viagem pelo rock dos anos 80
Uma viagem pelo asfalto. O rock no Porto nos anos oitenta é o título da exposição que estará patente ao público de 8 de abril a 20 de setembro. Entrada livre. Concerto dos GNR (Cortesia: Alexandre Soares)
São fotografias, cartazes, recortes de jornais e capas de vinis de bandas como os GNR, os Taxi e os Trabalhadores do Comércio. Elementos que nos permitem traçar um itinerário do rock português dos anos oitenta. De 8 de abril até 20 de setembro venha fazer Uma viagem pelo asfalto do rock no Porto nos anos oitenta para percorrer a partir da Casa Comum – À Reitoria – da Universidade do Porto. O bilhete é gratuito. Uma viagem pelo asfalto
Durante a década de 80, a cidade do Porto assistiu ao apogeu das tribos urbanas (dos punks aos rockabillys, passando pelos metaleiros, góticos, urbano-depressivos e skinheads), das fanzines alternativas e das rádios pirata onde se ouviam e descobriam bandas que a agilidade dos dedos permitia gravar em cassete. Assim o gravador estivesse já preparado… Avançando para uma sexta-feira à noite, fosse qual fosse o ponto de partida, o mais certo seria, ainda antes dos primeiros raios da manhã, desaguar na zona das Fontaínhas para assistir ao serpentear azul das águas do rio douro, sob a batuta das trocas comerciais da Feira da Vandoma.
Locais como o (Luís) “Armastrondo”, na Ribeira do Porto, ou o “Porto Rock 85”, no Solar da Cruz Vermelha, em Massarelos, eram verdadeiras fontes de pedagogia musical, oferecendo palco e incentivando o surgimento de novas bandas. Numa outra escala, os concertos de maior dimensão ficavam a cargo de espaços como o Pavilhão Infante Sagres, que acolheu concertos de bandas como os Jesus & Mary Chain, Lloyd Cole & The Commotions e Lene Lovich, ou até o Vale Formoso, onde os Psychedelic Furs deram um concerto quase em horário de matiné.
Porto Rock 85. (Foto: Óscar Valério)
Depois da Feira da Vandoma, o circuito (das matinés) diversificava, passando por locais de crescente popularidade, à época, como foi o caso dos Centros Comerciais. De paragem (praticamente) obrigatória, no Dallas, havia o Lá Lá Lá, onde o sabão da casa de banho servia para aprimorar a estrutura capilar, os focos de luz, ainda que à mingua, permitiam continuar a leitura do livro que não se conseguiu abandonar em casa, e se arranjava sempre espaço para erguer os braços e “abrir a pista” ao som de "Israel", uma das mais dançáveis músicas dos britânicos Siouxsie and the Banshees.
Subindo a Avenida da Boavista, ao Centro Comercial Brasília, o ponto de encontro seria o Griffon’s (agora com versão revisitada na baixa do Porto), ou então, de regresso ao centro da cidade, o mais certo seria parar no Jimmy’s, à Rua Faria Guimarães, e, mais tarde, descer para a zona da Ribeira e continuar a noite no Aniki (Bobó) e no Meia Cave. Imagem recolhida no Lá Lá Lá (Foto: Miguel Nogueira)
Estes locais eram plataformas privilegiadas (partilhadas por todas as tribos urbanas) de descoberta e expansão de horizontes, espaços onde a busca por uma identidade própria encontrava uma infinidade de possibilidades e a música funcionava de veículo de libertação de convenções artísticas, sociais e políticas. Sem esquecer ainda a importância de lojas comerciais como a Tubitek que, na ausência de amigos que traziam as novidades de fora do país, eram espaços de aprendizagem e também, diga-se, de maravilhamento e namoro das capas dos discos.
Está tudo aqui! Esta “viagem pelo asfalto” convida-nos a redescobrir uma cidade que, “pautada por criadores e ávidos consumidores de pop-rock, de arte e de cultura” encheu o peito de coragem, rasgou o pano puído do provincianismo e partiu à descoberta de si própria. Tribos consumidoras “de liberdade” e “de diferença”, dizem-nos Paula Guerra e David Pontes, os curadores da exposição. Vindos da asfixia de uma ditadura e com a abertura à europa (CEE) “tudo se tornou possível”. Foram anos de ver crescer “modas, consumos, drogas, noite, prédios, centros comerciais”. Para além do “pop-rock – e seus subgéneros estético-musicais” – multiplicaram-se “novas formas de (des)institucionalizar o acesso e a produção de cultura apelidada de alternativa”. Subculturas de “rebeldes com causas” que ainda hoje “permanecem no nosso lastro imaginativo”. Sem cânones a insuflar ao medo de errar, predominava o espírito do contributo para fazer surgir algo novo. Dos diferentes cantos da cidade soava o “faz tu mesmo”. Como Rui Reininho cantou, em 1986, “os pós-modernos agarram na angústia /E fazem dela uma outra indústria”.
Uma viagem pelo asfalto. O rock no Porto nos anos oitenta inaugura no dia 8 de abril, às 18h30, e ficará patente até 20 de setembro. A exposição pode ser visitada de segunda a sexta-feira, entre as 10h00 e as 13h00 e das 14h00 às 17h30. Aos sábados, as portas abrem das 15h00 às 18h00. A entrada é livre.
Fonte: Notícias U.Porto
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Casa Comum apresenta ciclo de cinema jovem alemão
De 11 de abril a 2 de maio, o CIDAAD – II Ciclo de Cinema Alemão vai exibir um conjunto de obras de jovens cineastas alemães. Entrada livre. Freibadsinfonie (Sinfonia de Verão), de Sinje Köhler, vai ser exibido a 17 de abril. (Foto: DR)
A Casa Comum – à Reitoria – da Universidade do Porto acolhe, entre 11 de abril e 2 de maio, o CIDAAD – II Ciclo de Cinema Alemão, dedicado, desta vez, à projeção de alguns dos mais promissores jovens cineastas alemães. Criado por Katharina Baab, docente do Departamento de Estudos Germanísticos da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP), o CIDAAD contará, nesta segunda edição, com três sessões, sempre às 18h00 e com entrada gratuita.
Com narrativas ousadas e registos pessoais, os filmes em cartaz traçam um retrato multifacetado da Alemanha contemporânea, explorando temas como os desafios do crescimento, as barreiras linguísticas e as mudanças culturais que definem o espírito do tempo. A iniciativa, que aposta na diversidade de estilos e perspetivas, destaca novos talentos do cinema germânico e reforça a ligação entre o universo académico e a criação cinematográfica.
A 11 de abril, será exibido Second Thoughts
(Ich Ich Ich), de Zora Rux, uma comédia surrealista que acompanha a protagonista, um alter ego da própria realizadora, numa jornada à procura do “verdadeiro eu”.
Inspirado no estilo visual de Roy Andersson, com quem Zora Rux colaborou, o filme cria um universo poético e satírico, onde a personagem principal se vê confrontada com inúmeras versões de si mesma. O enredo desenvolve-se em tom humorístico, refletindo sobre as pressões da identidade na sociedade contemporânea.
No dia 17 de abril, o ciclo continua com uma sessão de curtas-metragens que exploram a diversidade de vozes no cinema alemão atual.
Deutsche Sprache, Schwere Sprache (Língua Alemã, Língua Difícil), de Sejad Ademaj, apresenta uma comédia provocadora sobre Theo, um motoqueiro neo-nazi que, após um acidente, acorda a falar árabe e precisa reaprender alemão com Mahmoud, o responsável pelo acidente. A obra joga com estereótipos e expectativas culturais, refletindo sobre preconceitos linguísticos e identidade nacional.
Deutsche Sprache, Schwere Sprache (Língua Alemã, Língua Difícil), de Sejad Ademaj, passa na Casa Comum a 17 de abril. (Foto: DR)
Do mesmo realizador, 15 Minuten (Quinze Minutos) traz um drama intenso sobre uma família de imigrantes confrontada com uma visita inesperada da polícia, revelando tensões sociais e desafios da integração. A terceira curta da sessão, Freibadsinfonie (Sinfonia de Verão), de Sinje Köhler, leva o espectador a uma piscina pública durante um dia quente de verão, onde diferentes histórias e personagens se cruzam num microcosmo das dinâmicas sociais. O ciclo encerra a 2 de maio com Jessy, de Rebeca Ofek, um drama íntimo e sensível sobre uma adolescente de 13 anos que vive num ambiente aparentemente seguro e estruturado, mas que vê o mundo desmoronar com o regresso do pai da prisão. Confrontada com uma nova realidade familiar e com a perceção de que a vida pode mudar inesperadamente, Jessy embarca numa jornada de autodescoberta, desafiando as próprias convicções.
O CIDAAD – II Ciclo de Cinema Alemão oferece assim uma oportunidade única de conhecer narrativas ousadas de jovens realizadores alemães, abordando temas que vão desde a busca da identidade e sentimento de pertença até aos desafios da integração e às tensões culturais. Um olhar cinematográfico diversificado sobre a sociedade contemporânea, convidando-nos a refletir sobre questões universais através de um prisma provocador.
A entrada é livre, ainda que limitada à lotação do espaço.
Fonte: Notícias U.Porto
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Abril na U.Porto
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Para conhecer o programa da Casa Comum e outras iniciativas, consulte a Agenda Casa Comum ou clique nas imagens abaixo.
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Uma viagem pelo asfalto. O rock no Porto nos anos oitenta
Entrada livre. Mais informações aqui
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Histórias para Salvar – 10 Anos do Banco Português de Cérebros
Entrada Livre. Mais informações aqui
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Aula do Visível | Exposição de Obras da Coleção da Fundação Ilídio Pinho
Exposição | Edifício Abel Salazar Entrada livre. Mais informações aqui
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CIDAAD – II Ciclo de Cinema Alemão
11, 15 ABR e 02 MAI'25 | 18h00 Entrada Livre. Mais informações aqui
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Aula do Visível – Obras da Coleção da Fundação Ilídio Pinho | Programa de Laboratórios Artísticos
Laboratórios artísticos | Edifício Abel Salazar Entrada Livre. Mais informações e inscrições aqui
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Aula do Visível – Obras da Coleção da Fundação Ilídio Pinho | Programa de Visitas Orientadas
Visitas orientadas | Edifício Abel Salazar Entrada Livre. Mais informações e inscrições aqui
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Cidades inteligentes e a "rota da seda digital" – um futuro cada vez mais presente
Conferências | Casa Comum Entrada Livre. Mais informações aqui
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Porto Femme na Casa Comum
Cinema, workshops | Casa Comum Entrada Livre. Mais informações aqui
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Science and Philosophy fo Brain Donation
Conferências | Casa Comum Entrada Livre. Mais informações aqui
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Tardes da Matemática
Ciência, palestra | Casa Comum Entrada Livre. Mais informações aqui
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João Diogo Leitão e Óscar Rodrigues | violas braguesa e campaniça, eletrónica / 20 anos da Casa da Música
Entrada Livre. Mais informações aqui
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Club di Lettura Italiano 2025 | Clube de Leitura Italiano 2025
12 JUN, 17 SET, 29 OUT e 11 DEZ'25 | 19h00 Literatura | Casa Comum e ASCIPDA Cinema, conversa | Casa Comum Entrada Livre. Mais informações e inscrição aqui
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Porque ninguém me pediu isso: romance de parede
Exposição | Instituto de Pernambuco Entrada Livre. Mais informações aqui
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SEIOS, 300 DESENHOS
Exposição | Galeria da Biodiversidade – Centro Ciência Viva, Museu de História Natural Entrada Livre. Mais informações aqui
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Gemas, Cristais e Minerais
Exposição | Museu de História Natural e da Ciência U.Porto Entrada Livre. Mais informações aqui
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Corredor Cultural
Condições especiais de acesso a museus, monumentos, teatros e salas de espetáculos, mediante a apresentação do Cartão U.Porto.
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Artistas representados na exposição Aula do Visível – Obras da Coleção da Fundação Ilídio Pinho
Mily Possoz
A pintora, desenhadora e gravadora Emília Possoz era filha de um casal belga residente em Portugal. Em Lisboa, iniciou os estudos no Colégio Alemão e teve aulas com os artistas Emília dos Santos Braga (1867-1950) e Enrique Casanova (1850-1913). No início do século XX, continuou os estudos em Paris, na Académie de La Grande Chaumière, na Bélgica, na Holanda e na Alemanha, onde aprendeu gravura com Willy Spatz (1861-1931), na cidade de Düsseldorf. Em 1909 regressou a Portugal associando-se ao movimento modernista, tendo, nos anos 20, produzido ilustração para importantes publicações periódicas como as revistas ABC, Contemporânea e a Athena.
Voltou a Paris entre 1922 e 1937. Nesse tempo trabalhou na área da gravura. Integrou a associação de gravadores Jeune Gravure Contemporaine, visitou museus e fez amizade com o gravador japonês Tsugouharu Foujita (1886-1968), que muito a influenciou.
Em 1938 retornou a Portugal. Integrou exposições coletivas internacionais, designadamente, na França e na Bélgica, e executou ilustração. Recuperou o trabalho parisiense, com a instituição da Sociedade Cooperativa de Gravadores – Gravura (1956). E, adaptando-se às solicitações do mercado artístico nacional, dedicou-se ao desenho e à aguarela. Participou na Exposição do Mundo Português (1940), na decoração da Sala do Japão, colaborou ainda com figurinos com a Companhia de bailados Verde-Gaio e fez também tapeçaria.
A obra de Mily Possoz foi agraciada com a Medalha de Ouro na Exposição Internacional de Paris (1937), o prémio Amadeu de Souza-Cardoso (1944), o prémio de Desenho José Tagarro (1949) e o prémio de Pintura Columbano (1951).
Maternidade, óleo sobre tela de 1940 da autoria de Mily Possoz (Caldas da Rainha 1888 – Sintra 1967), que se exibe na primeira sala do segundo piso da exposição no renovado edifício Abel Salazar. Mily Possoz - Centro de Arte Moderna
MNAC: Mily Possoz
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Há novos podcasts no espaço virtual da Casa Comum |
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147. Insubmissão, Odete Costa Ferreira
“Insubmissão”, de Odete Costa Ferreira, in manuscrito 1 da autora, setembro de 2022.
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Neste Alumni Mundus, conversamos com Alexandra Rafael, nascida em Coimbra, e que se formou como artista plástica e mestre em Desenho e Técnicas de Impressão pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto em 2014. Apaixonou-se pela gravura e o seu percurso artístico tem-se desenvolvido em projetos sempre em torno da gravura, procurando contribuir para o desenvolvimento da gravura contemporânea. Desde 2010 que tem vindo a participar em várias residências artísticas e exposições coletivas e individuais, tendo vencido, em 2016, o grande prémio da Bienal Internacional de Arte Jovem de Vila Verde. A sua obra faz parte da coleção municipal de arte do Porto. Em 2018 trabalhou como técnica de oficina do departamento de gravura na FBAUP. Em 2019 co-fundou a Oficina Mescla, de que é técnica impressora, mas também responsável pela gestão, coordenação e produção.
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Alunos Ilustres da U.Porto
Arnaldo Roseira
Arnaldo Roseira (1912-1984)
Arnaldo Deodato da Fonseca Roseira, filho de Arnaldo Francisco Lopes Roseira e de Maria Amélia da Fonseca e Silva, nasceu em Nossa Senhora das Neves, São Tomé e Príncipe, a 29 de abril de 1912. Em 1930 matriculou-se na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, onde foi professor entre 28 de março de 1936 e 29 de abril de 1982 e fez toda a sua carreira académica na área da Botânica.
Doutorou-se em 1944 com a tese A flora de Trás-os-Montes e Alto Douro. Em 1949 concorreu ao lugar de professor extraordinário do 2.º grupo – Botânica -, da 3.ª secção – Ciências Histórico-Naturais - da FCUP, com Alfredo Andrade da Silva e Manuel Cabral Resende Pinto. Arnaldo Roseira, então 1.º assistente de Botânica e bolseiro do Instituto para a Alta Cultura, apresentou a dissertação A Secção STOECHAS Gingins do Género LAVANDULA Linn, sendo aprovado em mérito absoluto juntamente com Manuel Pinto; em mérito relativo foi aprovado por maioria. Foi nomeado para o lugar pela portaria 3 de março de 1949, publicada no Diário do Governo, 2.ª série, n.º 65, de 2 de março. Tomou posse a 14 de abril de 1952 e, a 29 de março, foi reconduzido definitivamente.
No ano letivo de 1950-1951 fez um estágio em Montpellier com o patrocínio do Instituto para a Alta Cultura. Em 1952 e 1953 foi eleito delegado dos professores extraordinários ao Senado da Universidade do Porto, respetivamente para os anos de 1952-1953 e 1953-1954.
Esteve em serviço na missão científica de S. Tomé desde 3 de setembro de 1954, tendo-se apresentado ao serviço da FCUP a 30 de dezembro desse ano. Entre 13 de junho e 3 de julho de 1955 esteve de novo em missão oficial fora do país.
Em julho de 1957, com Manuel Cabral de Resende Pinto, realizou as provas de concurso para professor catedrático de Botânica, tendo, na ocasião, apresentado uma lição subordinada ao tema "Estudos Botânicos nas Ilhas de S. Tomé e Príncipe. Problemas fundamentais", no Salão Nobre da Faculdade de Ciências. Os dois candidatos foram aprovados em mérito absoluto, tendo Roseira também sido aprovado em mérito relativo. Ainda nesse ano, foi nomeado professor catedrático a 10 de agosto e tomou posse do lugar a 22 desse mês.
A sua carreira académica prosseguiu com brilhantismos. Entre 30 de junho de 1958 e 8 de junho de 1959, assumiu interinamente a direção do Museu e Laboratório Antropológico, anexo à FCUP. Ascendeu a diretor em 1969 e foi renomeado em 1970. Entretanto, no ano letivo de 1958-1959 foi autorizado a deslocar-se a S. Tomé para integrar a campanha de prospeção botânica.
Em 1960 foi empossado no cargo de diretor do Instituto de Botânica "Dr. Gonçalo Sampaio", vinculado à mesma faculdade, sendo reintegrado nessa função em 1967 e 1970. Dirigiu igualmente o Jardim Botânico, de 1960 a 1974 e de 9 de janeiro e 29 abril de 1982, e a FCUP, entre 27 de abril de 1972 e 29 de abril de 1974. Foi também Presidente da Associação de Filosofia Natural da FCUP.
Foi aposentado compulsivamente em 1975 e reintegrado em 1976. Mais tarde, em 1982, foi nomeado definitivamente professor catedrático do 2.º grupo – Botânica, da 3.ª secção – Ciências Histórico-Naturais da FCUP (Diário da República n. º44 de II série, de 22 de fevereiro de 1982).
Atingiu o limite de idade a 29 de abril de 1982.
Era casado com Maria Irene de Mariz Teixeira, com quem teve 10 filhos: Arnaldo Eduardo, Maria Irene, António José, Maria do Céu, Augusto Duarte, Nuno Manuel, João Luís, Armando Jorge, Maria da Graça e Paulo Maria de Mariz Roseira.
Morreu no Porto a 8 de março de 1984.
Sobre Arnaldo Roseira (up.pt)
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