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CASA COMUM DO ROCK
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Quem viveu no Porto nos anos 80 (lembro-me bem, entrei na Faculdade de Letras em 1982) sabe como foram tempos de descoberta. Poucos anos haviam passado desde o 25 de Abril e a abertura à Europa estava a começar quando os GNR puseram o país inteiro a cantar “Quero ver Portugal na CEE”. Do estrangeiro, vinham algumas ideias novas e diferentes modelos de pensamento e de vida – mas demoravam a chegar. Esse vazio criou uma oportunidade para a criação de novas identidades: as subculturas urbanas que Paula Guerra tão bem caracterizou nos seus estudos publicados ao longo das duas últimas décadas. Os espaços dos rockeiros, dos punks, dos góticos, dos metaleiros – e até dos betinhos, nos quais vejo agora que me incluía – encontravam-se bem demarcados na cidade. Na zona da Boavista, quem não se lembra das noites longas do Griffon’s ou do Swing e das propostas culturais do Labirintho Bar? Na Foz, a D. Urraca, o Twins e a Indústria transbordavam de corpos dançantes. Na Ribeira, os concertos eram no Luís Armastrondo, no Cova Funda e no Meia Cave – e lembro-me de ir ao Aniki Bobó para ver um extraordinário D.J. em ação. Na Baixa, o Twiggy acolhia os portuenses pós-modernos e na rua de Costa Cabral, no Pavilhão Académico, o som das bandas parecia-nos mágico. Nesses, e em outros espaços de música dispersos pela cidade, os jovens experimentavam novas estéticas – roupas, penteados, maquilhagem. A moda do Do It yourself convidava à criação com total liberdade. Neste contexto, a música, embora com influências estrangeiras, afirmava-se portuguesa.
O grande mural da exposição O Rock no Porto nos Anos 80: Uma Viagem pelo Asfalto, que inaugurámos na Casa Comum na passada terça-feira, narra episódios destas histórias através de fotografias, recortes de jornais, cartazes e capas de vinis e fanzines. Um outro mural desafia-nos a recordar os espaços da Boavista, Foz, Ribeira e Baixa onde fomos felizes. Um ecrã interativo convida à exploração do nosso site, que funciona como um arquivo da exposição. Lá encontramos alguns dos mais famosos álbuns de bandas inesquecíveis, e até “telediscos” (há que tempos que não ouvia esta palavra!), mas também imagens e números completos de fanzines, e uma evocação das “rádios livres” que passavam música (então) alternativa. Por todo o lado, no site, pululam bandas com nomes que desafiavam as convenções: GNR, TAXI, BAN, Trabalhadores do Comércio, Jáfu’Mega, Repórter Estrábico, Arte & Ofício, King Fisher’s Band, Guru Paraplégico e os Iconoclastas, Hospital Psiquiátrico, Cães Vadios, Filhos do Presidente, Falecido Alves dos Reis, Bramassaji e Telavive, entre outros.
Depois de, em 2022, termos apresentado na Casa Comum a exposição Mulheres que Fazem Barulho – tendo então aproveitado para realizar bons concertos e explorar os lugares de invisibilidade das mulheres na música (e em tantos outros espaços) –, a exposição O Rock no Porto nos Anos 80 evoca, entre muitos outros temas, o direito à diferença. Só este aspecto bastaria para justificar a sua relevância, que assim posiciona a Universidade do Porto como espaço de resistência e proteção dos ameaçados valores da diversidade e da inclusão, mas há pelo menos mais três razões que valerá a pena evocar.
A primeira razão prende-se com o facto de a exposição resultar de um projeto de investigação com coordenação científica de Paula Guerra, a partir do Instituto de Sociologia da U.Porto. A segunda é o programa paralelo que estamos a criar a partir da exposição, suscitado, em parte, pelas letras de músicas que então todos cantámos – pois não vivemos hoje ainda, como então cantaram os TAXI, numa “sociedade de consumo imediato” onde tudo se “prova, mastiga e deita fora”, como a chiclete? E não nos apetece dizer, como reclamavam os BAN, “Não me dês moral, dá-me um ideal irreal social popular avançado” para eu poder “surrealizar por aí”? A terceira razão tem também que ver com o programa paralelo, que pretende dar um salto até aos nossos dias e integrar, na programação da Casa Comum, concertos com bandas emergentes (estou curiosa: que espaços ocupam, que estéticas ostentam, que mensagem gritam nas letras das suas músicas)?
No dia da inauguração, a Casa Comum encheu-se de mentes nostálgicas desses anos repletos de juventude. Vieram (e deixaram-nos felizes) membros de bandas como os Jáfu’Mega, Trabalhadores do Comércio, BAN, Telavive, Culto da Ira, King Fisher's Band, Hospital Psiquiátrico, e muitas outras. Estiveram também presentes caras conhecidas da noite do Porto dos anos 80, editores de fanzines, dinamizadores de rádios pirata e membros ativos das tribos de então, que apontavam para as fotografias com jovens estilosos de cabelo espetado e diziam “eh pá!”. Faltou David Pontes, Diretor do jornal Público, que comissariou a exposição juntamente com Paula Guerra, mas que nos fez já saber que teremos de arranjar uma sexta-feira para uma sessão em que possa recordar o tempo em que deu voz aos Cães Vadios, liderou o programa Minuto de Ódio na Rádio Caos e alimentou o projeto da fanzine punk Cadáver Esquisito.
A exposição só pôde ser realizada graças à colaboração de muitas pessoas, elencadas na ficha técnica. Permito-me agradecer aqui a apenas algumas, cuja generosidade e criatividade transpiram em cada elemento exposto: aos comissários, Paula Guerra e David Pontes, pela genialidade do conceito; ao sociólogo Pedro Martins de Menezes, que fez parte da investigação sobre as bandas; a Filomena Mesquita, que fez a ponte com os músicos; a Susana Serro e Alexandre Lourenço (equipa Casa Comum), que assumiram a produção da exposição (e muito mais); a Rui Sousa, que generosamente partilhou connosco a coleção que construiu ao longo de décadas; a Gilberto Bernardes, docente da Faculdade de Engenharia, e aos estudantes dessa faculdade que criaram o site (com destaque para o empenho de Beatriz Dobbs); e aos designers da T.I.N.A., Sérgio Correia e Elias Marques, que conseguiram surpreender-me, apesar das altas expectativas que desde o primeiro minuto eu tinha em relação ao seu trabalho.
Deixo o convite para a exploração do site que criámos para que possa ter também a exposição em casa, mas que de forma alguma dispensa uma visita presencial. Nas quatro “montras” da nossa sala temos uma surpresa que não desvelo para garantir que virão mesmo à Casa Comum, que temporariamente é a casa do rock portuense dos anos 80, das suas muitas nuances e das suas causas, infelizmente ainda atuais, mesmo quatro décadas depois.
Fátima Vieira Vice-Reitora para a Cultura e Museus
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João Diogo Leitão e Óscar Rodrigues dão concerto na Casa Comum
A Casa Comum acolhe concerto inserido no ciclo dos 20 anos da Casa da Música. Acontece dia 15 de abril, às 18h30. São concertos “Fora da Casa” para celebrar os 20 anos de existência de uma das mais significativas instituições culturais da cidade do Porto: a Casa da Música. João Diogo Leitão e Óscar Rodrigues irão atuar no próximo dia 15 de abril, às 18h30, na Casa Comum – à Reitoria – da Universidade do Porto. A entrada é livre. Com base na música tradicional portuguesa e utilizando duas violas de regiões distintas do país – a viola braguesa do Minho e a viola campaniça do Alentejo –, o duo João Diogo Leitão e Óscar Rodrigues explora o património sonoro nacional. Recorrendo à eletrónica como se de uma lupa se tratasse, amplificam e expandem a diversidade de timbres, cantos e sons típicos de Portugal.
João Diogo Leitão é conhecido pela abordagem contemporânea à viola braguesa, introduzindo este instrumento da tradição popular minhota num novo contexto musical.
Vencedor do Prémio Carlos Paredes 2024 e do 1.º Concurso Nacional de Composição para Viola Braguesa (2024), foi um dos Official Showcases na Folk Alliance International Conference 2025 (Canadá). Em 2024, terminou a sua primeira digressão internacional a solo com a viola braguesa, tendo tocado na Finlândia, Suécia, Letónia, Kuwait e E.U.A.
Enquanto guitarrista-intérprete, já foi solista com a Orquestra do Norte, Orquestra Metropolitana de Lisboa, Orquestra Clássica da Madeira e Orquestra Gulbenkianm sob a direção dos maestros José Ferreira Lobo, Pedro Neves, Pedro Amaral, Cesário Costa e Pedro Carneiro. Apresentou-se nas mais importantes salas portuguesas como o Coliseu do Porto, Teatro Rivoli, Casa da Música, Centro Cultural de Belém ou Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian.
Óscar Rodrigues é licenciado em Composição pela ESMAE, em Economia pela Faculdade de Economia da U.Porto (FEP), mestre em Composição e Teoria Musical pela ESMAE, concluiu o 8.º grau de Guitarra no Conservatório de Música do Porto e é mestrando em Ensino de Música na Escola das Artes da UCP – Porto.
Atualmente, é membro do Factor E! e do Digitópia Collective, do Serviço Educativo da Casa da Música, onde desempenha funções de criação e liderança de workshops, desenvolvimento de software, direção artística e/ou pedagógica de projetos e performance na área da música eletrónica. Desde 2016, é também membro do LabJázzica – Serviço Educativo da Orquestra Jazz de Matosinhos, e professor de ATC no Conservatório de Música e Dança de Bragança.
Em 2016, criou o Instant Ensemble – Ensemble de Composição em Tempo Real do Porto, do qual é o diretor artístico. Este ensemble especializa-se na criação em tempo real (durante o momento da performance) e abrange música erudita, rock, jazz e música eletrónica. Paralelamente, tem desenvolvido uma atividade regular como compositor, particularmente na área da música eletrónica e da escrita para orquestra e para cinema.
Fonte: Notícias U.Porto
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Todos os caminhos do rock vão dar à Casa Comum
A exposição Uma viagem pelo asfalto. O rock no Porto nos anos oitenta estará patente ao público até 20 de setembro, na Casa Comum. Entrada livre. Fotos: Egídio Santos/U.Porto
Mais do que a inauguração de uma exposição, foi um encontro de velhos amigos aquele a que se assistiu, no passado dia 8 de abril, no arranque de Uma viagem pelo asfalto. O rock no Porto nos anos oitenta, título da exposição que pinta, por estes dias, as paredes da Casa Comum (à Reitoria) da Universidade do Porto. Membros de bandas como os Ja'fumega, Trabalhadores do Comércio, BAN, TelAviv, Culto da Ira, King Fisher’s Band e muitas outras, assim como frequentadores de salas de concertos e bares da época, marcaram presença na inauguração desta exposição que resulta de cerca de três anos de investigação da U.Porto.
E se o olhar rapidamente se fixa no extenso mural repleto de fotografias, testemunhos, fanzines, recortes de jornais, cartazes e circuitos por locais emblemáticos do rock na cidade do Porto durante os anos 80, há muito mais para (re)viver nesta viagem no tempo.
A começar pela guitarra elétrica de Sérgio Castro (dos Trabalhadores do Comércio) e os óculos com os quais o compositor e músico aparece na capa do disco Trip's à Moda Do Porto, lançado em 1981. Mesmo ao lado, e desse mesmo ano, está o primeiro disco de ouro do rock português. Foi das mãos de Júlio Isidro que os Taxi receberam esta distinção pelo álbum homónimo que vendeu mais de 35.000 discos.
"Taquetinho ou lebas no fucinho" (de 1982), dos Trabalhadores do Comércio é apenas um refrão (e título) dos muitos que se foram perpetuando na memória, mas como era o teledisco? Nestas décadas, fomos cantarolando (Dá-me um) "Irreal Social" (dos BAN), mas como era a estética da banda? E dos Repórter Estrábico? Recordam-se?
Explorar o “espírito da época” é, também, recordar concertos ao vivo de bandas como Hospital Psiquiátrico, Teléctu, Falecido Alves dos Reis, Cães Vadios ou Bramassaji. Ou então, revisitar os telediscos que eram produzidos na época e as capas dos álbuns de bandas como Entes Queridos, Café Lusitano e Guru Paraplégico e os Iconoclastas.
Com entrada gratuita, Uma viagem pelo asfalto. O rock no Porto nos anos oitenta pode ser visitada de segunda a sexta-feira, entre as 10h00 e as 13h00, e das 14h00 às 17h30. Aos sábados, as portas da Casa Comum abrem das 15h00 às 18h00.
Ainda no âmbito da exposição, foi lançado um website: O Rock no Porto nos Anos 80 a partir do qual é possível reviver (ou conhecer um pouco melhor) esta “revolução do rock”.
Fonte: Notícias U.Porto
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Abril na U.Porto
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Para conhecer o programa da Casa Comum e outras iniciativas, consulte a Agenda Casa Comum ou clique nas imagens abaixo.
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Uma viagem pelo asfalto. O rock no Porto nos anos oitenta
Entrada livre. Mais informações aqui
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Histórias para Salvar – 10 Anos do Banco Português de Cérebros
Entrada Livre. Mais informações aqui
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Aula do Visível | Exposição de Obras da Coleção da Fundação Ilídio Pinho
Exposição | Edifício Abel Salazar Entrada livre. Mais informações aqui
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CIDAAD – II Ciclo de Cinema Alemão
17 ABR e 02 MAI'25 | 18h00 Entrada Livre. Mais informações aqui
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Aula do Visível – Obras da Coleção da Fundação Ilídio Pinho | Programa de Laboratórios Artísticos
Laboratórios artísticos | Edifício Abel Salazar Entrada Livre. Mais informações e inscrições aqui
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Aula do Visível – Obras da Coleção da Fundação Ilídio Pinho | Programa de Visitas Orientadas
Visitas orientadas | Edifício Abel Salazar Entrada Livre. Mais informações e inscrições aqui
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João Diogo Leitão e Óscar Rodrigues | violas braguesa e campaniça, eletrónica / 20 anos da Casa da Música
Entrada Livre. Mais informações aqui
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Colectivo de Poesia - Poetas a várias vozes na Casa Comum | Hilda Hilst
Entrada Livre. Mais informações aqui
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"THEASTHAI: o poder de não ver", de Cintya Floriani Hartmann
Apresentação de livro | Casa Comum Entrada Livre. Mais informações aqui
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Club di Lettura Italiano 2025 | Clube de Leitura Italiano 2025
12 JUN, 17 SET, 29 OUT e 11 DEZ'25 | 19h00 Literatura | Casa Comum e ASCIPDA Cinema, conversa | Casa Comum Entrada Livre. Mais informações e inscrição aqui
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Porque ninguém me pediu isso: romance de parede
Exposição | Instituto de Pernambuco Entrada Livre. Mais informações aqui
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SEIOS, 300 DESENHOS
Exposição | Galeria da Biodiversidade – Centro Ciência Viva, Museu de História Natural Entrada Livre. Mais informações aqui
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Gemas, Cristais e Minerais
Exposição | Museu de História Natural e da Ciência U.Porto Entrada Livre. Mais informações aqui
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Corredor Cultural
Condições especiais de acesso a museus, monumentos, teatros e salas de espetáculos, mediante a apresentação do Cartão U.Porto.
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Artistas representados na exposição Aula do Visível – Obras da Coleção da Fundação Ilídio Pinho
Sarah Affonso
Sarah Affonso nasceu em Lisboa no seio de uma família humilde, mas residiu em Viana do Castelo até aos 15 anos. Mais tarde, cursou Pintura na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, onde foi uma das derradeiros discípulas do pintor Columbano Bordalo Pinheiro (1857-1929). Em 1923 estreiou-se a expor na Sociedade Nacional de Belas Artes (SNBA). No ano seguinte passou uma temporada em Paris, com o apoio familiar, para frequentar aulas de modelo na Académie de Grande Chaumière, aproveitando também para visitar museus e exposições, e assistir a espetáculos teatrais e bailados.
No regresso a Portugal participou no Salão de Outono da SNBA (em 1925 e 1926) e trabalha na área das artes decorativas. Ilustrou livros infantis, colabora na imprensa e faz cenografia.
Depois de expor de forma individual pela primeira vez, no Salão Bobonne, regressou a Paris em 1928. Aí viveu do trabalho de costura e teve a oportunidade de ver uma impactante exposição de Henri Matisse (1869-1954).
Em 1929 regressou a Portugal. Expôs coletivamente entre 1930 e 2945, e individualmente em 1932 e 1939.
Entretanto, casou em 1934 com José de Almada Negreiros (1893-1970). Os primeiros anos da vida conjugal marcaram o auge da sua carreira. As obras desse período evoluíram, dos retratos femininos e paisagens citadinas, para produções com reminiscências da infância da cultura popular minhota e para cenas íntimas da vida em família.
No final dos anos 40 afastou-se da pintura para se dedicar às obrigações familiares, mantendo, apesar de tudo, a realização de trabalhos na área das artes decorativas. No final dos anos 50 retomou a ilustração infantil e o desenho.
Em 1953 a sua obra integrou a representação portuguesa na Bienal de S. Paulo, no Brasil, entre outras mostras.
Ao longo da sua carreira foi galardoada com o prémio Amadeo de Souza-Cardoso (1944).
Maternidade, óleo sobre tela de Sarah Affonso (Lisboa 1899-1983) de 1948. Obra patente na primeira sala do segundo piso da exposiçãoAula do Visível – Obras da Coleção da Fundação Ilídio Pinho, no renovado edifício Abel Salazar.
Conversas sobre Sarah Affonso - Museu Calouste Gulbenkian
Sarah Affonso - Centro de Arte Moderna.
MNAC: Sarah Afonso
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Há novos podcasts no espaço virtual da Casa Comum |
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148. O povo unido jamais será vencido!”, Odete Costa Ferreira
“O povo unido jamais será vencido!”, de Odete Costa Ferreira, in manuscrito 2 da autora, abril de 2024.
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97. L Folar de Adelaide Ruano
Uns dies antes de la Páscoa de 2022 stubimos na cozina de l forno de Adelaide Ruano a ber i a oubir l sou saber suobre las tradiçones desta época de l’anho que tan bien daprendiu de sue mai.
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Alunos Ilustres da U.Porto
Artur Loureiro
Retrato do Mestre Artur Loureiro da autoria de Abel Salazar, c.1936. Óleo sobre madeira, 27X19 cm. UP-CMAS-000161
Artur José de Sousa Loureiro nasceu na Rua do Bonjardim, no Porto, a 11 de fevereiro de 1853. Era filho de Francisco José de Sousa Loureiro e de Guilhermina Luísa Soares Ribeiro e irmão de Urbano José de Sousa Loureiro, jornalista e escritor. Começou a estudar desenho e pintura com o mestre e amigo António José da Costa, tendo depois ingressado na Academia Portuense de Belas Artes, onde continuou a sua aprendizagem com João António Correia.
Em 1873 concorreu ao pensionato em Paris, do qual viria a desistir em favor de Silva Porto. Em 1875 voltou a concorrer a pensionista, desta vez para Roma, rivalizando com Malhoa e ficando empatado com o seu oponente. A prova foi anulada, mas Artur manteve a viagem com o patrocínio de Delfim Guedes, futuro conde de Almedina, seu patrono. Na capital romana ingressou no Círculo Artístico, em 1876.
Em 1879 o artista voltou a candidatar-se a bolseiro em Paris, juntamente com Columbano, ficando classificado em primeiro lugar. Na capital francesa viveu no Quartier Latin e frequentou a École des Beaux-Artes, onde foi discípulo de Cabanel.
Durante este período expôs no Salon parisiense (de 1880 a 1882), ao lado de artistas como Marques de Oliveira, Silva Porto, António Ramalho, Sousa Pinto, Columbano e João Vaz, e na Galeria Goulpil, em Londres. Teve tempo para se apaixonar, ligando-se sentimentalmente a uma australiana, Marie Huybers, que retratou no quadro O Descanso
do Artista e com quem veio a casar e ter filhos, um rapaz e uma rapariga.
Detalhe de Convalescente, pintura a óleo de Artur Loureiro da coleção do Museu Nacional Soares dos Reis, escolhida pelo Reitor da U.Porto António de Sousa Pereira para a exposição DEPOSITORIM 2 em 2021.
Em 1884, fisicamente debilitado, emigrou para a Austrália, fixando-se em Melbourne. Nesse lado do mundo, integrou, com outros 8 artistas, a Australian Art Association (1885) que, depois, se fundiu com a Victorian Artist’s Society (1888); lecionou Desenho na Presbyterian Ladies Academy; vendeu obras aos endinheirados patronos locais; recebeu prémios; integrou júris; foi Inspector da Galeria Nacional da Cidade de Vitória e teve dois seguidores: Constable e Mrs. Melba. A sua obra teve reconhecimento internacional. Ficaram famosos os quadros A Visão de Santo Estanislau de Kostka, que obteve a Medalha de Ouro da Galeria Nacional; a obra Os Tigres, que, em Londres, alcançou uma Medalha de Ouro e foi adquirida pela Galeria Sanderston; o retrato de Alderman Stewart da Câmara de Melbourne; os painéis decorativos de uma casa particular, intitulados As Quatro Estações, Íris e A Cruz do Sol; o Santo António da Catedral de Melbourne; e A Morte de Burke que, em 1889, recebeu a Medalha de Ouro na Exposição Internacional de Londres.
No início do século XX regressou em definitivo ao Porto, empenhando-se no fomento das artes. Na sua cidade natal montou, então, um atelier-escola, numa ala do já desaparecido Palácio de Cristal, o qual se tornou um espaço de referência, procurado por aspirantes a artistas e admiradores do pintor. Aí ensinou, pintou e expôs.
Nesta fase, expôs na Sociedade Nacional de Belas Artes, em Lisboa (1920), na Galeria da Misericórdia do Porto (1923) e no Salão Silva Porto (1929), na cidade Invicta. Um autorretrato do pintor apresentado neste último certame foi comprado pelo prestigiado Museu dos Uffizi, de Florença.
Em 1932 tornou-se membro da Ordem de Santiago.
Morreu em Terras de Bouro, a 7 de julho de 1932, local para onde se deslocara com o intuito de pintar. Antes dessa data já haviam falecido a sua primeira mulher e o seu único filho, este último vítima da I Guerra Mundial. Sobreviveu-lhe a segunda mulher, Elisa Fernanda de Sousa Pires, com quem casara a 19 de Junho de 1918.
Em 1953 comemorou-se o centenário do nascimento deste grande pintor naturalista, especializado na paisagem, na figuração animalista e no retrato.
Obras suas integram o espólio de museus portugueses e estrangeiros como o Museu de Évora, o Museu do Chiado, em Lisboa, o Museu Nacional de Soares dos Reis, no Porto, o Museu Grão Vasco, em Viseu, a Galeria de Sanderstan e a Galeria Nacional de Melbourne.
Sobre Artur Loureiro (up.pt)Reitor e diretores da U.Porto são os curadores da nova exposição do MNSR
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