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DOIS LIVROS À CONVERSA
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Ando sempre de mochila. Meto lá o computador, os carregadores, livros e revistas que compro, panfletos, agendas, post-its, papéis com notas sobre o que tenho de fazer, uma quantidade astronómica de canetas e marcadores fluorescentes… Tudo isto convive em perfeita harmonia até ao momento em que a minha coluna começa a acusar o peso e concluo que chegou a altura de despejar tudo em cima da mesa e inspecionar a relevância daquela convivência desgovernada. São sempre momentos de surpresa: este fim-de-semana, descobri que aquele batom neutro que dera por perdido aterrara afinal no fundo da mochila, entre um saco de bolachas de milho esmagadas e o carregador rápido do telemóvel; recuperei também algumas canetas perdidas; e percebi que andei nas últimas semanas na mochila com um número especial da National Geographic sobre o funcionamento do nosso cérebro e um livro de capa verde que há tempos me ofereceram. Peguei no livro. Já quase o havia esquecido. Abrindo-o, percebi que as páginas finais estavam sublinhadas. Reli-as. Lembrava-me agora: era um texto de Vítor Serrão incluído na antologia publicada pelo Plano Nacional das Artes, Artes e Educação: Antologia de Autores Portugueses. O texto era sobre a arte do passado, que continua a gerar fascínios através das gerações. Achei a situação poética: voltei a lê-lo mesmo ali, naquela mesa, pousando os antebraços sobre aqueles pedaços quase-fossilizados da minha vida. O texto de Vítor Serrão, “Ensinar, Investigar, Fruir as Artes: Um serviço público”, é uma exortação aos professores de História de Arte e aos mediadores de arte para que saibam abrir canais de empatia entre as obras e quem as aprecia. Importa, argumenta Serrão, sublinhar as capacidades transcontemporâneas de toda a arte, que são de ordem estética e afetiva. Mais do que testemunhos datados, as obras têm uma “dinâmica inesgotável, única e irrepetível”; a arte é sempre “um exercício de engenho que se situa algures entre o desafio, o testemunho e a inquietação”, e é nessa condição que “assume terreno de contemporaneidade”.
Mostrar a condição transcontemporânea de todas as obras de arte, evidenciar o seu poder de “encantação permanente”, descrever as obras de arte como objetos vivos, “dotados de capacidade de prolongarem a sua função pela fruição, de assumirem novos contextos e de se exprimirem em plenitude face a novos olhares” – defende Serrão – é evidenciar a sua “imensa dimensão social”. É possível – continua Serrão –, entre uma obra do passado e os nossos dias, encontrarmos um “terreno comum de afetividade”. Foi aqui que pousei o livrinho verde para abrir o número da National Geographic que tenho andado a ler aos poucos. É que a última secção que lera falava exatamente de emoção e de afeto. Procurei, na revista, as páginas sobre a “neuroestética”, uma corrente de investigação que estuda “os mecanismos neuronais responsáveis pelo poder da empatia das imagens carregadas de elementos artísticos”. E o que li do texto assinado por Manuela Costa e Ignacio Obeso Martín iluminou a minha compreensão do “terreno comum de afetividade” de que fala Serrão.
Depois de nos recordarem a comoção que frequentemente sentimos quando vemos um filme ou contemplamos uma obra de arte, parecendo partilhar os sentimentos dos personagens ou do artista, os autores do número especial sobre o funcionamento do cérebro explicam que tal se deve aos nossos neurónios-espelho, um tipo de célula nervosa do nosso cérebro ativada quando realizamos uma ação, mas também quando observamos alguém a realizar essa mesma ação. E explicam:
“(...) é na empatia que reside a chave da emoção estética, pois o espectador experimenta um sentimento de participação ou envolvimento do seu próprio corpo na obra de arte. De facto, a contemplação produz uma mudança detectável nas respostas fisiológicas que é consistente com o que uma pintura e o seu artista pretendem transmitir. Assim, estas alterações fisiológicas revelam as emoções internas da obra em questão, razão pela qual as melhores obras são aquelas que mais facilmente conseguem afectar a empatia dos espectadores.” As descobertas no campo da neuroestética, em muito impulsionadas por Vittorio Gallese, são, de facto, reveladoras. O exemplo que Gallese nos propõe das esculturas dos Escravos de Miguel Ângelo é elucidativo: ao observarmos estas obras, em que os Escravos parecem querer escapar-se da pedra mármore de que são feitos, diz-nos Gallese, ativamos inconscientemente os mesmos músculos que as personagens representadas nas esculturas usariam para se tentarem libertar.
Fechei a revista e pus-me a pensar na Maternidade, a obra de Almada Negreiros de que falei já aqui, e que integra a exposição Aula do Visível, patente no Edifício Abel Salazar até ao final de maio. O quadro pinta a alegria de se ser mãe, representando, em formas abstratas, uma mulher deitada, com as pernas ao alto, com um bebé a despontar-lhe entre as pernas, e com os braços estendidos, para cima, brincando com o bebé já nascido. Lembro-me de a observação do quadro ter provocado em mim uma reação emocional, mas também fisiológica – como se, intuitivamente, eu tivesse tentado imitar aquele exercício de simultaneidade fisicamente impossível, mas emocionalmente tão verdadeiro.
Sacudi as migalhas e pedaços de papéis da mochila e voltei a lá meter a minha seleção de canetas, marcadores fluorescentes, post-its e agendas. Não voltei a meter a revista e o livro verde, mas fiquei feliz por o acaso os ter juntado. Pois foram estes dois livros à conversa, durante várias semanas, dentro da minha mochila, que me fizeram compreender a reação verdadeiramente física que sinto sempre que vejo a Maternidade de Negreiros.
Fátima Vieira Vice-Reitora para a Cultura e Museus
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KULTURfest traz cultura de expressão alemã à Casa Comum
De 28 a 30 de abril, a Casa Comum recebe o festival de música, dança, cinema e debates com a marca da diversidade cultural alemã. A entrada é livre. Durante três dias, o KULTURfest traz um programa para todos os gostos: cinema, dança, exposições, música e debate de ideias. Com o objetivo de promover a diversidade de culturas de expressão alemã, o festival acontece na Casa Comum, no edifício da Reitoria da U.Porto, com entrada gratuita. A integração, a imigração, o populismo, a identidade, a igualdade de género e a liberdade individual são alguns dos temas, transversais à sociedade contemporânea, que o festival pretende abordar.
A abertura oficial, no Porto, acontece a 28 de abril, às 19h00, com a inauguração da exposição 60 anos da comunidade portuguesa na Alemanha, que ficará patente nas arcadas do edifício da Reitoria da U.Porto.
A mostra dá a conhecer a história da emigração portuguesa para a Alemanha, assinalando a chegada dos primeiros trabalhadores ao abrigo do acordo bilateral assinado entre os dois países em 1964. Após a inauguração será ainda efetuada uma visita guiada especial para o público do festival à exposição Aula do Visível, ao edifício Abel Salazar, para explorar a influência alemã na obra de artistas portugueses.
Nessa noite, às 21h00, na Casa Comum, será exibida a comédia alemã Dois por Um, realizada por Natja Brunckhorst, a atriz principal de Os Filhos da Droga. O filme decorre no verão de 1990, após a queda do Muro de Berlim, quando três amigos de infância encontram milhões de marcos da antiga República Democrática Alemã (RDA) e decidem começar uma nova vida. O plano rapidamente se transforma num jogo perigoso repleto de dilemas morais e reviravoltas. A produção conta com Sandra Hüller (Anatomia de uma Queda), Max Riemelt e Ronald Zehrfeld nos principais papéis.
Dois por um será exibido dia 28 abril, às 21h30, na Casa Comum.
No dia 29 de abril, a Casa Comum será palco de três filmes e um debate. A programação começa às 15h00 com a exibição de Shahid, da iraniana Narges Kalhor. Entre a realidade e a ficção, o filme segue uma mulher iraniana que tenta apagar o apelido “Shahid” (mártir), herdado do bisavô. O processo desencadeia conflitos internos, resistência burocrática e até a revolta dos atores que a ajudam a dramatizar o seu caso. Misturando teatro, musical e sátira, o filme questiona ideologias e confronta o peso da herança cultural. Após a exibição, terá lugar uma mesa-redonda sobre temas como integração, identidade e pátria, com a participação de Katharina Baab, leitora do Serviço Alemão de Intercâmbio Académico (DAAD), membros da comunidade estudantil e o público presente.
Às 17h00, decorrerá o debate Bacalhau e Brezel – quais os ingredientes necessários para uma integração bem-sucedida?, que propõe uma conversa descontraída e crítica sobre imigração e convivência intercultural entre Portugal e Alemanha.
Ainda no dia 29, às 18h00, será exibido o documentário As insubmissas 2 – Bom dia, lindas!, de Torsten Körner, que destaca a luta de quinze mulheres que marcaram a política alemã desde o pós-guerra até à atualidade. O filme dá voz a protagonistas da República Federal da Alemanha e da Alemanha de Leste que desafiaram um sistema dominado por homens, abrindo caminho para transformações sociais e políticas que culminaram na eleição de Angela Merkel como a primeira chanceler da Alemanha.
Às 21h00, fecha-se o dia com Solo Sunny, realizado por Konrad Wolf, no ano em que se assinala o centenário do nascimento do cineasta. Lançado em 1980, o filme acompanha a vida de Sunny, cantora pop que sonha com independência numa RDA rígida e conservadora. Uma obra marcante da DEFA, e que valeu a Renate Krößner o Urso de Prata da Berlinale.
A programação do KULTURfest na Casa Comum encerra no dia 30 de abril, às 18h00, com um concerto dedicado a Johann Sebastian Bach, interpretado por músicos da Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo (ESMAE). O recital assinala os 275 anos da morte do compositor alemão, celebrando o seu legado intemporal. O KULTURfest é promovido pelo Goethe-Institut Portugal com o apoio de várias instituições culturais e académicas. No Porto, o festival propõe um olhar artístico e crítico sobre temas centrais da sociedade contemporânea, reforçando os laços entre a cultura de expressão alemã e o público português.
Fonte: Notícias U.Porto
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Uma viagem pelo asfalto. O rock no Porto nos anos oitenta. Entrevista com Paula Guerra e Fátima Vieira
No passado dia 8 de abril, inaugurou Uma Viagem no Asfalto. O Rock no Porto nos anos 80, título da exposição que pinta, por estes dias, as paredes da Casa Comum. Ao longo das próximas semanas, vamos partilhar entrevistas com algumas das figuras que marcaram presença no arranque desta viagem pelas histórias, memórias e identidades do rock em Portugal.
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Casa Comum acolhe conferência sobre o impacto mundial do Arroz
A conferência, proferida por Pedro Graça, inclui uma prova de amostras de arroz preparadas segundo as tradições asiáticas A sexta conferência do ciclo Ásia e Europa – um futuro partilhado, intitulada Do arroz à globalização gastronómica, terá lugar no dia 28 de abril pelas 18h00 na Reitoria da U.Porto. Pedro Graça, diretor da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da U.Porto, conhecido colunista sobre alimentação e influenciador das políticas públicas portuguesas neste domínio, irá conduzir o público pela história e aspetos nutricionais de um cereal que conquistou um particular favor entre os portugueses – o arroz. O arroz, e de forma dominante a espécie de origem asiática, espalhou-se por todo o mundo e está na base dos hábitos alimentares de muitas populações. Mas o que explica que os portugueses sejam o maior consumidor europeu per capita de arroz?
Na resposta a esta pergunta, Pedro Graça conduzirá a assistência pela fascinante história cultural (em mais do que um sentido) deste cereal e a sua adaptação gastronómica, com o apoio de Thuy-Thiên de Oliveira, que providenciará a prova de amostras de arroz preparadas segundo as tradições dos extremos do grande continente euro-asiático.
A entrada é livre, sujeita à lotação da sala.
O ciclo de conferências Ásia e Europa – um futuro partilhado, que continuará com sessões sempre à segunda-feira, promete abordagens muito diversificadas à cultura, à história e às sociedades do espaço euroasiático, perspetivando também as tendências que modelarão o seu futuro.
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Abril na U.Porto
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Para conhecer o programa da Casa Comum e outras iniciativas, consulte a Agenda Casa Comum ou clique nas imagens abaixo.
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Uma viagem pelo asfalto. O rock no Porto nos anos oitenta
Entrada livre. Mais informações aqui
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Histórias para Salvar – 10 Anos do Banco Português de Cérebros
Entrada Livre. Mais informações aqui
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Aula do Visível | Exposição de Obras da Coleção da Fundação Ilídio Pinho
Exposição | Edifício Abel Salazar Entrada livre. Mais informações aqui
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CIDAAD – II Ciclo de Cinema Alemão
17 ABR e 02 MAI'25 | 18h00 Entrada Livre. Mais informações aqui
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Aula do Visível – Obras da Coleção da Fundação Ilídio Pinho | Programa de Laboratórios Artísticos
Laboratórios artísticos | Edifício Abel Salazar Entrada Livre. Mais informações e inscrições aqui
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Aula do Visível – Obras da Coleção da Fundação Ilídio Pinho | Programa de Visitas Orientadas
Visitas orientadas | Edifício Abel Salazar Entrada Livre. Mais informações e inscrições aqui
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Universidade Comum | apresentação de revista
Apresentação de revista | Casa Comum Entrada Livre. Mais informações aqui
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Do arroz à globalização gastronómica
Entrada Livre. Mais informações aqui
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KULTURfest Festival de Culturas de Expressão Alemã
Entrada Livre. Mais informações aqui
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Club di Lettura Italiano 2025 | Clube de Leitura Italiano 2025
12 JUN, 17 SET, 29 OUT e 11 DEZ'25 | 19h00 Literatura | Casa Comum e ASCIPDA Cinema, conversa | Casa Comum Entrada Livre. Mais informações e inscrição aqui
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Gemas, Cristais e Minerais
Exposição | Museu de História Natural e da Ciência U.Porto Entrada Livre. Mais informações aqui
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SEIOS, 300 DESENHOS
Exposição | Galeria da Biodiversidade – Centro Ciência Viva, Museu de História Natural Entrada Livre. Mais informações aqui
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Corredor Cultural
Condições especiais de acesso a museus, monumentos, teatros e salas de espetáculos, mediante a apresentação do Cartão U.Porto.
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Artistas representados na exposição Aula do Visível – Obras da Coleção da Fundação Ilídio Pinho
Mário Eloy
Mário Eloy (Lisboa 1900-1951)
Artista lisboeta que ganhou áurea de desequilibrado e maldito, decorrente de uma doença psicomotora degenerativa, que o atirou de 1945 a 1951 para o internamento num hospital psiquiátrico. Na década de 10 do século XX passou fugazmente pela Escola de Belas-Artes de Lisboa (1912–13), que abandonou pelo desagrado do ensino académico, e por Madrid (1919).
No seu regresso a Portugal começou a pintar a óleo, influenciado pela tradição naturalista de Columbano Bordalo Pinheiro e de Eduardo Viana, que introduziu novas referências modernas no seu trabalho. Ambas as vias estarão presentes na primeira exposição individual em 1924.
Em 1925 partiu para Paris, onde foi absorvendo novas experiências de Cézanne, Picasso e Matisse. Contudo, o conhecimento da pintura de Van Dongen, Kokoscha e Hoffer, que abriram o seu trabalho para o Expressionismo, encaminharam-no, em 1927, para Berlim, onde permaneceu até 1932, com viagens frequentes a Lisboa, onde apresentou individualmente a sua obra, da qual representou tipos populares portugueses e alguns retratos.
Participou na vida artística berlinense como ilustrador de revistas (Der Querschnitt) e em exposições coletivas importantes.
Já em Lisboa participou ativamente nas mais importantes exposições aqui organizadas, obtendo o prémio Amadeo Souza-Cardoso. Mas em 1935 a sua obra começou a transformar-se, acusando já sinais do processo de distanciamento do mundo causados pela sua doença. A desrealização de cenas quotidianas, a inquietação, a tortura e a angústia pontuam o conjunto de pinturas e desenhos da fase final.
Uma mulher e dois homens / O desemprego, óleo sobre tela de Mário Eloy que se exibe na sala 1 da exposição “Aula do Visível”, patente até 31 de maio no renovado edifício Abel Salazar.
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Há novos podcasts no espaço virtual da Casa Comum |
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149. Levarei o xaile negro, Teresa Almeida Subtil
“Levarei o xaile negro”, de Teresa Almeida Subtil, in Rio de infinitos / Riu d’anfenitos, março de 2017, p. 84.
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2. Os ciganos/as não se querem integrar?
O segundo episódio explora, junto com Sónia Matos, mediadora intercultural e fundadora da AMUCIP (Associação de Mulheres Ciganas Portuguesas), a questão da inclusão das comunidades ciganas em Portugal. Faz-se uma viagem pelo tempo até às primeiras leis repressivas oficialmente definidas em 1562, ano em que se incentivava o impedimento da entrada de pessoas ciganas nas fronteiras. Seguidamente, reflete-se sobre as flutuações desse texto legislativo que embora permitam, numa fase posterior, a entrada e permanência de pessoas ciganas em território português, as despem dos seus costumes, identidades e práticas culturais. Finalmente, analisa-se o impacto prolongado destas políticas de assimilação forçada e os seus efeitos persistentes nos processos de integração e reconhecimento pleno das pessoas ciganas na sociedade portuguesa contemporânea.
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Neste episódio do Alumni Mundus – U.Porto Empreendedores, estivemos com Filipe Pinto, alumnus do Mestrado Integrado em Medicina no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), curso que terminou em 2011. Fez o ano comum no Centro Hospitalar Universitário de Santo António e depois um internato em Psiquiatria e Saúde Mental no Hospital de São João. Fascinado pela tecnologia e pelas neurociências, em 2015 integrou a equipa fundadora da Knok. Começou como diretor clínico, hoje é o chief medical officer, tendo assumindo toda a componente de investigação de desenvolvimento técnico-científico da empresa. A Knok é hoje a maior prestadora de medicina digital do país e uma das maiores da Europa, tendo sido reconhecida várias vezes nos últimos anos como uma das empresas que mais cresce na Europa nos últimos anos (top 10 na região EMEA e segunda health tech de maior crescimento da Europa do Sul). Filipe Pinto está a doutorar-se em Ciências de Dados de Saúde e é embaixador médico para a inteligência artificial da Google, onde trabalha soluções práticas e de vida real para a saúde. Além disso, tem competência em medicina farmacêutica e vasta experiência no desenvolvimento farmacêutico, tendo participado em mais de 200 ensaios clínicos. Na indústria, ocupou várias posições: médico de investigação, investigador principal, gestor médico, diretor de escrita médica e diretor de desenvolvimento de negócios. Hoje, para além da Knok, trabalha como consultor para algumas das maiores empresas da Europa em ensaios clínicos. É desde 2022 European Fellow in Clinical Leadership (EACL).
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Alunos Ilustres da U.Porto
Artur Vieira de Andrade
Artur Vieira de Andrade nasceu na Rua Antero de Quental, freguesia de Cedofeita, Porto, a 14 de maio de 1913. Era filho de Manuel Vieira de Andrade e de Clara Rodrigues de Vila Real. Foi desde muito jovem que se interessou pela política, faceta que se revelou durante a frequência do Liceu Rodrigues de Freitas e motivou a sua saída de casa, aos 18 anos de idade, por divergências familiares. A mãe, em particular, não aceitava este seu envolvimento em questões políticas e, mais do que tudo, as constantes visitas da polícia política (PVDE, mais tarde PIDE).
Nessa altura passou a trabalhar numa fábrica e, mal teve possibilidade para o fazer, matriculou-se no Curso de Arquitectura na Escola Superior de Belas Artes do Porto. O seu talento para o desenho foi reconhecido por esta escola, o que lhe valeu a oportunidade de trabalhar no atelier do arquiteto Arménio Losa, em horário noturno, depois do final das aulas.
Na ESBAP frequentou o Curso Especial de Arquitectura, entre 1934 e 1937, e o Curso Superior de Arquitectura, entre 1941 e 1946. Após a conclusão da licenciatura trabalhou numa empresa de construção civil.
Em 1947, foi convidado pela Associação Industrial Portuense a riscar o novo palácio de exposições nos Jardins do Palácio de Cristal, para as comemorações do 1.º centenário da sua fundação. Porém, o anteprojeto que riscou foi rejeitado pela Câmara, com a justificação de que o seu autor era um opositor ao Regime. A deceção que sofreu foi em parte ultrapassada pela solidariedade dos seus pares. Trinta e quatro arquitetos assinaram uma carta, publicada na revista Arquitectura, na qual manifestaram o repúdio pela injusta decisão da autarquia que, ignorando o mérito da obra, se baseava em motivações meramente políticas.
Embora não tenha edificado o Palácio de Exposições, projetou o emblemático Cinema Batalha, na praça com o mesmo nome da baixa portuense, no lugar do cinema High Life e nas proximidades do Cinema Águia d'Douro. Trata-se de um edifício de linhas expressionistas e de grande dinamismo, decorado com pinturas murais de Augusto Gomes, António Sampaio e Júlio Pomar, e com esculturas alegóricas de António Braga e Arlindo Gonçalves. Esta obra foi bem acolhida pelos portuenses, mas gerou polémica. O mural neorrealista de Júlio Pomar foi interpretado pelas autoridades como um manifesto comunista e por esse motivo foi ocultado.
A inauguração solene deste espaço cultural aconteceu a 3 de junho de 1947. Durante décadas foi um dos lugares preferidos de gerações de portuenses amantes da 7.ª Arte, até cair num processo de degradação do qual foi resgatado recentemente. Mais de meio século volvido, o edifício renovado foi reinaugurado em 2006. O Batalha dispõe agora de dois auditórios, dois bares, diversos foyers e um terraço reformado no último piso, com vistas sobre a cidade, estando, por isso, preparado para acolher eventos de diversos tipos.
Abel Salazar a trabalhar no mural a “Síntese da História no café Rialto.
Artur Andrade foi também autor de muitas outras obras, como o Café Rialto, no qual contou com a colaboração de três artistas plásticos (os pintores Dordio Gomes, Guilherme Camarinha e o médico-artista Abel Salazar, que participaram na obra com murais, e o escultor João Fragoso com um baixo-relevo, que desapareceu na altura em que o café foi convertido numa agência bancária), o Prédio n.º 500, da Rua Delfim Ferreira e o prédio da FIAT, na Rua Latino Coelho, no Porto; a Estalagem de São Tiago, em Entre-os-Rios; uma fábrica em Santo Tirso; algumas obras em Vila Real e o prédio n.º 718, na Rua Hintze Ribeiro, em Leça da Palmeira, para onde o arquiteto foi viver no fim da vida, por muito apreciar a praia. Na sua carreira de arquiteto destacou-se, também, por ser um dos introdutores do Modernismo e por ter sido membro da ODAM (Organização dos Arquitetos Modernos).
Artur Andrade não foi apenas um grande arquiteto. Foi também um cidadão politicamente ativo, que sonhava com a criação de uma sociedade justa.
Acompanhou as tertúlias de António Sérgio e de Jaime Cortesão e, no início da vida, aderiu aos ideais comunistas, dos quais se veio a afastar após a instauração da ditadura russa na U.R.S.S.
Durante a juventude e a idade adulta foi preso nove vezes pela PIDE. Participou ativamente no MUD (Movimento de Unidade Democrática) e incitou Humberto Delgado a concorrer às eleições presidenciais de 1958, tendo sido secretário-geral da sua candidatura. Candidatou-se pela oposição em todas as eleições anteriores ao 25 de Abril.
Filiou-se no PPD (Partido Popular Democrático), a pedido de Francisco Sá Carneiro e de Magalhães Mota, em 1974, tendo daí em diante integrado as comissões de admissão do Partido, no Porto e em Lisboa, e as comissões de propaganda.
No período pós-25 de Abril foi o primeiro presidente da Comissão Executiva da Câmara do Porto e Vereador do Urbanismo, eleito pelo PSD (Partido Social Democrata). Em 1989 candidatou-se à presidência da Câmara Municipal do Porto, pelo PRD (Partido Renovador Democrático), de Ramalho Eanes, mas foi derrotado por Fernando Gomes, candidato do Partido Socialista. No dia 9 de novembro de 2005 morreu um homem livre, determinado e compreensivo.
U.Porto - Antigos Estudantes Ilustres da Universidade do Porto: Artur Vieira de Andrade
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