A MORTE É SONORA

​​EU University & Culture Summit / Day 1, Afternoon

A morte tem som. Fiz esta descoberta surpreendente ao ler Sonora, o último livro da poeta galega Chus Pato.


Chus Pato é uma autora fundamental da poesia galega e europeia, com obra estudada em universidades de diferentes países, traduzida para múltiplas línguas, contemplada com vários prémios e marcando presença regular em festivais literários internacionais. Sonora, lançado em Espanha em 2023, e a que temos agora acesso em edição bilingue (galego/português) numa tradução de Jorge Melícias e José Rui Teixeira (Officium Lectionis, 2025), foi contemplado, em Espanha, com o Prémio Nacional de Poesia 2024. O júri reconheceu o livro como um exemplo da experimentação e da renovação formal na poesia contemporânea. No passado sábado, na Reitoria da U.Porto, tivemos o privilégio de ouvir a poeta numa sessão organizada por José Rui Teixeira para assinalar o Dia das Letras Galegas.


Segundo Chus Pato, o seu novo livro deve ser lido como “uma conversa entre o poema e a morte”. O livro nasceu de um acontecimento fundador – a morte da mãe. “Como podemos falar sobre o que nos deixa petrificados? Como dizer da experiência de orfandade? É para isso que temos a poesia: através dela podemos dizer o indizível”, explicou a autora. Assim se compreende a estrutura fragmentária do livro, as fugas retóricas e semânticas em diferentes direções, a hibridez de códigos, a exploração simultaneamente sensorial (assente na terra, nas cinzas, no corpo, na voz) e filosófica (o questionamento da vida e da morte pela perspetiva crítica de figuras e narrativas mitológicas).


O tema da morte já se havia intrometido em obras anteriores de Chus Pato, mas sobretudo como metáfora, como reflexão sobre a passagem do tempo e a memória coletiva. Em Sonora, contudo, a morte, encarada com uma intensidade pessoal, torna-se audível. São muitos os sons que povoam os poemas: passos, palavras, choros e gritos, murmúrios e cânticos. “E há também os ecos (da memória)”, explicou Chus Pato; “e a vibração da ausência, que é um som persistente”, acrescentou.


Como a crítica tem vindo a sublinhar, apesar da desorientação e da dor, os poemas de Chus Pato são atravessados por uma linguagem surpreendentemente luminosa. “De que outra forma poderia ser?”, esclareceu a autora. “Fiz o luto com o livro. O processo poderia ter-me levado a lugares escuros, mas a poesia permitiu que me orientasse para a renovação”, rematou.


A poesia pode mesmo salvar o mundo, vim para casa a pensar. E não é apenas a poeta, ao dizer o indizível, que se salva. Nos seus livros, poderá também o leitor aprender novas gramáticas e entender inesperadas sonoridades. Obrigada, Chus.


Nota: A sessão a que me refiro decorreu na Reitoria no sábado passado, 17 de maio, Dia das Letras Galegas (feriado na Galiza), que comemora a publicação da primeira edição de Cantares Galegos, de Rosalía de Castro, a 17 de maio de 1863. Nesse dia, foram apresentados quatro livros de poesia galega (em edição bilingue), publicados pelo editor (e também tradutor) José Rui Teixeira: Como um Eco Perdido (antologia de poemas), de Rosalía de Castro; Sonora, de Chus Pato; Com, de Myriam Reyes; e Neve de Agosto, de Nieves Neira Roca. Tive o privilégio de ler os três últimos livros e moderar a conversa com as autoras. E tenho já a antologia (fundamental) de Rosalía de Castro no cimo da pilha de livros da mesa-de-cabeceira.


Fátima Vieira
Vice-Reitora para a Cultura e Museus

U.Porto acolhe Bienal de Fotografia do Porto 2025

A exposição Laços Que Unem, composta por  trabalhos de artistas internacionais, pode ser visitada até 28 de junho,  nas Galerias da Casa Comum. Entrada livre.

Pormenor de Cute & Tragic, de Jan Durina.(Foto DR)

A Bienal’25 Fotografia do Porto está de regresso à cidade. Laços Que Unem é o título da exposição que se encontra patente, desde o dia 15 de maio, nas Galerias da Casa Comum (à Reitoria) da Universidade do Porto. Para visitar, gratuitamente, até ao próximo dia 28 de junho.


A Bienal parte para mais um ciclo de exposições desafiando-nos a imaginar um mundo mais regenerativo e interdependente, selecionando e apresentando práticas artísticas mais colaborativas que interrogam o  tempo presente e ensaiam futuros possíveis. O mote da edição de 2025 é Amanhã Hoje, propondo-nos um exercício de pensamento e ação inscritos no agora.


Nas galerias da Casa Comum estão patentes trabalhos de artistas de diversas nacionalidades. Jan Durina é um artista interdisciplinar eslovaco que recorre essencialmente a  materiais reciclados para criar máscaras e disfarces delicados que,  entrelaçados no suporte fotográfico criam narrativas sobre saúde mental, identidade, sexualidade e queerness. Angyvir Padilla, natural de Caracas e   sediada em  Bruxelas, cruza disciplinas, incluindo escultura, performance, fotografia, vídeo e som. Inspirada pela experiência de deslocação, as  suas obras vão além da criação de objetos, atravessando fronteiras entre  imaginário e real, efémero e tangível. O resultado é uma experiência  imersiva e corporal, que deixa o espectador suspenso numa sensação de dissonância e perplexidade perante o que é visto, tocado, ouvido e  recordado.


Off the Map é o título do projeto de Sasha Chaika,  artista russa, que aborda diferentes possibilidades de comunicação. Capta imagens que desestabilizam os padrões sociais – percepcionados  como “teatro social” – e propõe novas interações afetivas com diferentes elementos do meio envolvente.

Pormenor de Off the Map, de Sasha Chaika. (Foto: DR)

Em Tales They Don’t Tell You o noroeguês Dev Dhunsi analisa a ocorrência de processos ao longo da vida e vai estabelecendo conexões entre o passado, o presente e diferentes geografias. Faz-se acompanhar de contos antigos não contados do Vedas (textos sagrados do  hinduísmo) – incluindo uma estória de amor gay.


De Hong Kong chega o trabalho de Sheung Yiu. Between Two Trees, There Are Many Worlds  é um vídeo que desafia a percepção da paisagem. Sheung Yiu recorre a  técnicas de recolha de imagem que traduzem a complexidade das redes  sensoriais presentes em duas árvores – uma que sobrevive e outra  infestada, sem vida – na floresta central de Helsínquia. O projeto  revela formas comunicativas invisíveis ao olho humano.

Between Two Trees, There Are Many Worlds, de Sheung Yiu. (Foto: DR)

Por trás da cozinha do apartamento da sua mãe em Caracas, na Venezuela, encontra-se uma pequena loja de roupa. Em Behind Virgy’s Kitchen, Angyvir Padilla recupera as dicotomias entre a privacidade e o espaço público na sua  série de fotogravuras de seda, penduradas por entre molduras de metal.  São delicados retratos de amigos e família, parcialmente velados e  fixados nessas estruturas, enunciando os ritmos e as tensões entre a  domesticidade, a exposição, a intimidade e a memória.


Nascida na Alemanha e filha de pai afegão e mãe egípcia, Donja Nasseri traz The Mummy Eye, uma instalação que traz à luz nuances do passado colonial através da  adaptação de peças históricas a novos contextos tecnológicos. Em  colaboração com o Museu Rautenstrauch-Joest, em Colónia, Nasseri recorre  à tecnologia 3D e à aplicação de aguarela para manipular artificialmente o objeto, desestabilizando a linha temporal entre o novo  e o antigo.


Partindo de um sentimento de desconfiança sentido na pele enquanto fotografava e percorria as ruas da Bielorrússia, Ihar Hancharuk lança uma narrativa ficcionada sob o mote da espionagem. Em What If I am a Spy?, o artista recolhe objetos e imagens do quotidiano que, apropriados e  reunidos num determinado contexto, traçam o paralelismo com as tensões  existentes numa sociedade de políticas conturbadas, vincada pelo  controlo e pela paranoia coletiva.


A exposição Laços Que Unem pode ser visitada nas Galerias da Casa Comum, de segunda a sexta-feira, das 10h00 às 13h00 e das 14h30 às 17h30. Aos sábados, as portas abrem das 15h00 às 18h00. A entrada é  livre. 


Ties That Bind é, pois, a proposta de um coletivo  que explora e desafia redes de interdependências e ligações. Estruturas que nos definem e influenciam o modo como nos conectamos com o que nos rodeia. Unem e, simultaneamente, desestabilizam. São obras que navegam por estas tensões sobre pertença e conexão, revisitando relações afetivas, territoriais e tecnológicas numa procura por reconciliação com  o(s) nosso(s) mundo(s) danificado(s).

Celebrar o Amanhã Hoje na Bienal’25 Fotografia do Porto

Conetar, sustentar, vivificar e expandir são as quatro plataformas que sustentam o programa da Bienal’25 Fotografia do Porto, materializadas através de projetos expositivos, residências artísticas, investigações colaborativas e processos de mediação territorial.


Através destas plataformas, a Bienal acolhe práticas que atravessam territórios urbanos e rurais, comunidades locais e redes internacionais, promovendo modos plurais de relação entre imagem, ecologia, tecnologia, afeto e memória. A Universidade do Porto participa na Bienal de fotografia através das exposições patentes nas Galerias da Casa Comum, na Galeria da Biodiversidade e na Fundação Marques da Silva..


Mais informações 


Fonte: Notícias U.Porto

Coletivo de Poesia da U.Porto celebra obra de Ana Hatherly 

O próximo encontro do "Colectivo de Poesia -  Poetas a várias vozes" terá lugar na noite de 20 de maio, na Casa Comum  (Reitoria). Entrada livre.

Ana Hatherly (1929-2015) foi um dos grandes nomes da cultura portuguesa da segunda metade do século XX. Foto: DR

"Ana Hatherly: vanguarda, experimentalismo e subversão" é o mote do próximo encontro de poesia do Colectivo de Poesia – Poetas a várias vozes, agendado para 20 de maio, terça-feira, a partir das 21h30, na Casa Comum (à Reitoria) da Universidade do Porto.


Vanguarda, experimentalismo e subversão são os três conceitos que funcionarão de “plataforma giratória de ideias” em torno do trabalho  desta professora, escritora e artista plástica multifacetada com  formação em cinema, pela London Film School.


Nascida no Porto, a 8 de maio de 1929, Ana Hatherly (1929-2015)  distinguiu-se no panorama cultural português, na década que antecedeu o  25 de Abril de 1974, assim como nos anos subsequentes. Inicia, ainda nos  anos 1960, um percurso artístico que a levou a concluir que a escrita é  (“nunca foi senão”) representação: imagem. A sua pesquisa prossegue em  torno da caligrafia (da contemporânea à ancestral) e dos signos,  desenvolvendo o que viria a ser designado por “escrita-imagem”.


Integrou o Grupo Experimentalista Português, participou em várias exposições e tornou-se uma das figuras centrais do “experimentalismo  poético”, movimento caracterizado pela inovação e pela busca de novas  formas de expressão na poesia, tendência que, na segunda metade do  século XX, se tornaria mais abrangente e transversal a outras áreas como a  música, a pintura, o teatro e o cinema experimentais.


O lado mais visível deste experimentalismo reside, precisamente, naquilo que se designa por Poesia Visual: o poema como um  “objecto-acto”. Ou “a verdadeira mão que o poeta estende / E quando o  poema é bom / não te aperta a mão: / aperta-te a garganta. Um exercício  através do qual ”O poeta desaparece / na verdade da sua ausência / dissolve-se no biombo da escrita”. Versos onde Ana Hatherly revela uma das dimensões mais significativas da sua condição de artista  multifacetada: a de artífice da palavra.


Sobre as reações a este processo criativo a artista considerava que  “a postura subversiva dos Experimentalistas”, que pela “novidade e  virulência” era “diferente da insubordinação surrealista e da militância  neo-realista”, tinha originado “uma onda de rejeição por parte dos  mandarins das letras então instalados no nosso meio literário”. Quem  seriam então os seus “companheiros”, aqueles com quem comunga formas de  interpretar e interagir com a realidade? Ana Hatherly nomeia Rainer  Maria Rilke e Fernando Pessoa como seus “anjos tutelares”.


Ideias para comungar no próximo dia 20 de maio, terceira terça-feira do mês, na Casa Comum, na companhia do Colectivo de Poesia – Poetas a várias vozes.


A entrada é livre. 


Fonte: Notícias U.Porto

U.Porto apresenta Do arroz à globalização gastronómica

Pedro Graça, diretor da Faculdade de Ciências  da Nutrição e Alimentação, será o anfitrião da próxima sessão ciclo Ásia e Europa – um futuro partilhado, marcada para 26 de maio.

Pedro Graça vai abordar a história e os diferentes aspetos nutricionais do arroz. Foto: DR

Com ou sem pauzinhos, já pensou no arroz que cozinha, coloca no prato e depois oferece ao teste do palato? De onde vem? Porque faz parte  da nossa gastronomia? Vamos falar sobre isto e não só. Também vamos dar-lhe o arroz! A provar… Vítima do apagão, a conferência que se devia ter realizado no passado dia 28 de abril foi reagendada para 26 de maio. A partir das 18h00, o conhecimento vai ser servido e avaliado através dos sentidos na Reitoria da Universidade do Porto. É que, por vezes, também se come.


De origem asiática (e nome científico “Oryza Sativa”), o arroz espalhou-se por todo o mundo, sendo o alimento básico de mais de dois  terços da humanidade. Ainda assim, o que explica que sejamos, per  capita, o maior consumidor europeu? O que levará a esta (improvável)  atração, nós que somos o país europeu mais afastado do Oriente? Será  pelas razões nutricionais, históricas ou agrárias e de produção? A  nutrição e a história andam juntas, mas nem sempre explicam todas as  razões dos gostos alimentares de um povo…


Na resposta a todas estas questões, Pedro Graça irá conduzir o público pelo tronco e ramificações da viagem deste cereal e a respetiva  adaptação gastronómica e cultural. E não estará sozinho. A acompanhar o  diretor da FCNAUP estará a vietnamita Thuy-Thiên de Oliveira, que irá  dar a provar amostras de arroz, especialmente preparadas segundo as  tradições dos extremos do grande continente euro-asiático.


Por razões logísticas, esta sessão em específico irá decorrerá na sala 111 da Reitoria da U.Porto. Os estudantes que o pretendam podem  solicitar, no momento, um certificado de participação.


A entrada é livre, sujeita à lotação da sala.


O ciclo de conferências Ásia e Europa – um futuro partilhado, que continuará com sessões sempre à segunda-feira (ver programa completo),  promete abordagens diversificadas à cultura, à história e às sociedades  do espaço euroasiático, perspetivando também as tendências que  modelarão o seu futuro. 


Fonte: Notícias U.Porto

Uma viagem pelo asfalto. O rock no Porto nos anos oitenta. Entrevista com João Loureiro (BAN)

João Loureiro, vocalista dos BAN, evoca o contexto criativo e social em que surgiu a banda portuense dos anos 80. Nas décadas seguintes, fomos cantarolando (Dá-me um) Irreal Social (dos BAN), mas como era a estética da banda?  


Até dia 20 de setembro, na Casa Comum, pode relembrar (ou conhecer um pouco melhor) esta “revolução do rock” através de fotografias, capas de vinil, cartazes e recortes de imprensa. A entrada é livre!

Maio na U.Porto

Para conhecer o programa da Casa Comum e outras iniciativas, consulte a Agenda Casa Comum ou clique nas imagens abaixo.

Uma viagem pelo asfalto. O rock no Porto nos anos oitenta

Até 20 SET'25 
Exposição | Casa Comum
Entrada livre. Mais informações aqui 

Laços que Unem [Ties that Bind] | Bienal’25 Fotografia do Porto

Até 28 JUN'25
Exposição | Casa Comum
Entrada livre. Mais informações aqui

Aula do Visível | Exposição de Obras da Coleção da Fundação Ilídio Pinho

Até 31 MAI'25
Exposição | Edifício Abel Salazar
 Entrada livre. Mais informações aqui

Aula do Visível | Visita orientada por Laura Castro 

31 MAI'25 | 11h00
Visita guiada | Edifício Abel Salazar
Entrada livre. Mais informações e inscrições aqui

Aula do Visível – Obras da Coleção da Fundação Ilídio Pinho | Programa de Laboratórios Artísticos

Até 31 MAI'25
Laboratórios artísticos | Edifício Abel Salazar
Entrada Livre. Mais informações e inscrições aqui

Aula do Visível – Obras da Coleção da Fundação Ilídio Pinho | Programa de Visitas Orientadas

Até 31 MAI'25
Visitas orientadas | Edifício Abel Salazar
Entrada Livre. Mais informações e inscrições aqui

A História da Ásia Vista do Ocidente, com João Paulo Oliveira e Costa

19 MAI' 25 | 18h00
Palestra | Casa Comum 
Entrada Livre. Mais informações aqui 

Colectivo de Poesia - Poetas a várias vozes na Casa Comum | Ana Hatherly

20 MAI' 25 | 21h30
Entrada Livre. Mais informações aqui 

Quintas Brasileiras 2

22, 29 MAI e 5, 12 JUN'25 | 18h30
Música | Casa Comum 
Entrada Livre. Mais informações aqui 

Alfred Hitchcock: In the beginning | II Ciclo de cinema britânico

23, 30 MAI e 6 JUN'25 | 18h30
Cinema | Casa Comum 
Entrada Livre. Mais informações aqui 

Do arroz à globalização gastronómica

26 MAI' 25 | 18h00
Palestra | Casa Comum 
Entrada Livre. Mais informações aqui 

Europa- América Latina: num mundo fracturado | Apresentação de livro

28 MAI' 25 | 18h00
Apresentação de livro | Casa Comum 
Entrada Livre. Mais informações aqui 

Club di Lettura Italiano 2025 | Clube de Leitura Italiano 2025

12 JUN, 17 SET, 29 OUT e 11 DEZ'25 | 19h00
Literatura | Casa Comum e ASCIPDA
Entrada Livre. Mais informações e inscrição aqui 

Gemas, Cristais e Minerais

01 MAR a 30 ABR'25
Exposição | Museu de História Natural e da Ciência U.Porto
Entrada Livre. Mais informações aqui 

Corredor Cultural

Condições especiais de acesso a museus, monumentos, teatros e salas de espetáculos, mediante a apresentação do Cartão U.Porto.
Mais informações aqui

Artistas representados na exposição Aula do Visível – Obras da Coleção da Fundação Ilídio Pinho

Nikias Skapinakis

Nikias Skapinakis (Lisboa 1931-2020)

Pintor, desenhador e gravador lisboeta de origem grega, que inicialmente escolheu a arquitetura que veio a trocar, sobretudo, pela pintura.


Começou a expor em 1948, na III Exposição Geral de Artes Plásticas, e desde cedo a sua obra se apresenta independente no tratamento das figuras humanas e das paisagens e no gosto pelas formas coloridas. As suas composições são paisagens com casas produzidas com uma paleta contrastante, nas quais as formas se reduzem a cubos e quadrículas. O cromatismo surge, desde o início, como o seu foco de interesse.  


Na década seguinte afasta-se das influências “cubizantes” do passado, e, por contágio da pintura renascentista, privilegia a linha curva e a pintura cenográfica, peneirada pela cor e por um pensamento sintético, para além da realidade e da memória.


Não se envolveu nos debates estéticos do seu tempo, produzindo uma pintura inscrita numa sensibilidade mediada pela razão.


Entre 1967 e 1974 desenvolveu um ciclo sob o título “Para o Estudo da Melancolia em Portugal”, a que regressaria no início do século XXI na série “Tag”.


Depois procurou trabalhar sobre suportes cilíndricos, como o papel de cenário, entre outros vulgares papeis, a espacialização do tempo.


A sua obra encontra-se representada em destacados museus portugueses, foi premiada e objeto de vários estudos e de mostras antológicas (Museu do Chiado, 1996; Museu de Serralves, 2000; Fundação Arpad Szenes, 2006; Museu Coleção Berardo, em 2012).

Paisagem com circo, óleo sobre tela de Nikias Skapinakis de 1955, em exibição na sala 3 da mostra “Aula do Visível” patente no renovado edifício Abel Salazar”.


https://gulbenkian.pt/cam/artist/nikias-skapinakis/

Há novos podcasts no espaço virtual da Casa Comum

153. O Rio é só um, João Rasteiro

“O Rio é só um”, de João Rasteiro, in As pedras que choram o Douro, 2023.

99. Bibliotecas Bibas – Tie Marie i Tiu Diamantino

Tie Marie i Tiu Diamantino (que Dius tenga) cumbersórun i cuntórun  passaiges de la sue bida, un retrato de la bida de la maior parte de ls mirandeses de l sou tiempo.
San Martino de Angueira, nobembre de 2021.


95. “S-21: a Máquina de Morte do Khmer Vermelho”, de Rithy Panh (2002)

Comentário de Francis Seleck (Curso Avançado de Documentário KINO-DOC)

96. “Intimidades de Shakespeare y Víctor Hugo”, de Yulene Olaizola (2008)

“O Rio é só um”, de João Rasteiro, in As pedras que choram o Douro, 2023.

8. João Almeida

No Alumni Mundus desta quinzena conhecemos João Almeida, da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, onde se  licenciou em Ciências Farmacêuticas em 1996. Natural de São Pedro do  Sul, apaixonado pela química e pela biologia, decidiu seguir o curso de Farmácia porque na altura era um negócio de família. Pai de quatro  filhos, é atualmente proprietário e diretor técnico da Farmácia Moreno  no Porto, uma das farmácias mais emblemáticas da Invicta, que tem vindo a  modernizar-se ao longo dos anos. É sócio fundador e CEO da Moreno,  Produtos de Saúde, uma das PME de referência na indústria farmacêutica  nacional. Tem também vindo a exercer cargos associativos e profissionais  ligados ao sector farmacêutico, nomeadamente na Associação Nacional das  Farmácias e na Ordem dos Farmacêuticos.


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Alunos Ilustres da U.Porto

Aurélia de Souza

Autorretrato de Aurélia de Souza da coleção do Museu Nacional Soares do Reis. Óleo sobre tela (45,6x36,4cm) c. 1900

Maria Aurélia Martins de Souza nasceu no Chile, na cidade de Valparaíso, em 13 de junho de 1866. Foi a quarta dos setes filhos (seis raparigas e um rapaz) do casal António Martins de Souza e Olinda Perez, emigrantes portugueses no Brasil e no Chile.


Em 1869 acompanhou o regresso da família a Portugal que, com o dinheiro amealhado na América Latina, comprou a Quinta da China, na margem norte do rio Douro, nas proximidades da cidade do Porto, onde passou a residir. Após a morte do pai, em 1874, a sua mãe voltou a casar-se, em 1880. O seu segundo irmão nasceu fruto deste casamento.


Aos dezasseis anos, Aurélia iniciou as suas aulas de desenho e pintura com António da Costa Lima, ex-discípulo de Roquemont, e em 1889 pintou o seu primeiro autorretrato. Quatro anos volvidos, inscreveu-se, juntamente com a sua irmã Sofia de Souza (1870-1960), na Academia Portuense de Belas Artes, na Aula de Desenho Histórico. Com ela, efetuou exames dos dois primeiros anos, começando a frequentar regularmente a escola em Outubro de 1893, no terceiro ano.


Entre 1893 e 1896 integrou diversas exposições, entre as quais as Exposições dos Trabalhos Escolares dos Alunos da Academia Portuense de Belas-Artes Considerados Dignos de Distinção (de 1893 a 1896), as Exposições de Belas-Artes do Ateneu Comercial do Porto (de 1893 a 1895) e certames promovidos por António José da Costa, Marques de Oliveira e Júlio Costa.


No ano letivo de 1896-1897, fez o primeiro e o segundo anos do curso de Pintura Histórica, na Academia de Belas-Artes do Porto. No ano de 1897-1898 completou o terceiro ano com a classificação final de dezasseis valores. Em outubro de 1898 matriculou-se no quarto ano, não tendo, contudo, chegado a completá-lo.


Em 1899, sem bolsa de estudo do Estado, mas com o apoio monetário da sua irmã mais velha, Helena Souza Dias, casada com José Augusto Dias, rumou até Paris. Nos três anos em que aí residiu frequentou os cursos de J. P. Laurens e B. Constant na Academia Julien, expôs e vendeu trabalhos, enviou estudos ao mestre Marques de Oliveira para que este avaliasse a progressão da sua arte e viajou até à Bretanha. Em 1900 pintou o famoso autorretrato, com casaco vermelho, hoje pertença do Museu Nacional de Soares dos Reis, obra que, ao contrário do primeiro que realizou, não se encontra assinado nem datado. Por esta altura, a irmã e artista Sofia de Souza, com o patrocínio de outra das suas irmãs, Maria Estela de Souza, casada com Vasco Ortigão Sampaio, juntou-se a ela em França, passando ambas a frequentar a já referida Academia em 1900-1901. Em 1902, antes do regresso a Portugal, as duas irmãs dedicaram-se a viajar pela Europa, visitando a Bélgica, a Alemanha, a Itália e a Espanha, aproveitando para frequentar museus, que firmaram em Aurélia o gosto pela pintura flamenga.


Em 1907, foi convidada por António Teixeira Lopes a presidir à Sociedade de Belas-Artes do Porto, mas declinou a oferta. Nos anos seguintes participou nas exposições anuais da Sociedade de Belas-Artes do Porto (de 1909 a 1911), expôs nas Galerias da Misericórdia (1908-1909 e 1911-1912) e do Palácio de Cristal (1917 e 1933), no Porto, e na Sociedade Nacional de Belas-Artes de Lisboa (de 1916 a 1921).


Em 1921, desistiu de ser sócia da Sociedade de Belas-Artes do Porto, protestando duplamente contra o aumento das quotas e contra o facto de esta instituição deixar de ter sala de exposições.


Para além da sua atividade de pintora, Aurélia fez ilustrações para a revista Portugália, Materiais para o Estudo do Povo Português (1899-1905), para Elegia Pantheista a uma Mosca Morta, de M. Duarte de Almeida (1874-1889), trabalhos estes que não chegaram a ser editados, e para o livro de contos Perfis Suaves, de Júlio Brandão.


De saúde frágil, morreu na sua casa da Quinta da China, a 26 de Maio de 1922, com 55 anos, uma das poucas mulheres portuguesas que tem, por direito próprio, lugar na galeria dos grandes pintores portugueses da segunda metade do século XIX, a par de artistas de renome como Marques de Oliveira, Henrique Pousão ou António Carneiro, e cuja obra, embora não raras vezes reduzida por críticos do seu tempo à pintura de flores, é feita de temas diversos como o retrato, o seu género favorito (autorretratos, retratos familiares, etc.); a paisagem, esboçada ou acabada, reflexo das suas viagens ou da sua casa e do Porto rural; e as cenas do quotidiano, representando, em interiores tenebristas, mulheres nas tarefas domésticas ou crianças.

U.Porto - Antigos Estudantes Ilustres da Universidade do Porto: Aurélia de Souza


https://museusoaresdosreis.gov.pt/aurelia-de-souza-um-caso-raro-na-arte-portuguesa-de-finais-do-seculo-xix/

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