GENDER FATIGUE

​​EU University & Culture Summit / Day 1, Afternoon

A expressão foi utilizada pela nossa Colega Marinela Freitas, da FLUP, num workshop que promoveu na Universidade de Lund, no âmbito de um BIP (Blended Intensive Programme) da EUGLOH / The European Alliance for Global Health. Estávamos 40 pessoas na sala, de diferentes universidades europeias. A Marinela começou por dizer que sabia que, muito provavelmente, sofríamos todos de gender fatigue (“fadiga” ou “cansaço” de género), um conceito cunhado em 2009 por Elisabeth Kelan para designar pessoas que têm a consciência de que existe discriminação de género, mas que, simultaneamente, consideram que os lugares em que trabalham são neutros em relação a estas questões, não se sentindo, por isso, motivadas para discutir o assunto. De facto, de acordo com o Relatório Global de Desigualdade de Género 2024, publicado pelo Fórum Económico Mundial, os países representados no workshop (entre os 146 países analisados) ocupam uma boa posição no ranking liderado pela Islândia.


A Suécia, nossa parceira na EUGLOH e anfitriã do BIP, encontra-se em quinto lugar no ranking, com uma pontuação global de 81,6% (sendo tanto menor a desigualdade quanto mais a pontuação se aproxime dos 100%); a Noruega está na terceira posição, com 87,5%; a Alemanha na sétima, com 81%; a Espanha na décima, com 79,9%; Portugal na 17.ª, com 78,7%; e a Polónia na quinquagésima primeira, com 74%. Contudo, esta pontuação global resulta do facto de, em dois dos quatro critérios tidos em consideração – igualdade no acesso à educação e expectativa de vida por sexo à nascença – todos os países que participaram no workshop se encontrarem muito perto dos 100%. Contudo, quando consideradas as duas outras dimensões analisadas no relatório, os resultados já não são tão positivos.


Os números revelam, com efeito, o longo caminho que falta ainda percorrer no que respeita à igualdade de oportunidades no mercado de trabalho: Noruega 79,9% (3.º lugar) Suécia 79,4% (12.º); Portugal 75,4% (27.º); Espanha 73,2 (45.º); Polónia 71,2% (62.º); e Alemanha 67,6% (com um surpreendente 82.º lugar). Também a representação das mulheres em posições políticas se revela, de uma forma geral, muito baixa. Embora a Noruega e a Alemanha apresentem uma situação de vantagem, respetivamente com 74,6% (2.º lugar) e 65% (6.º lugar), as pontuações obtidas pelos outros países não são animadoras: Espanha 49,4% (13.º); Suécia 50,6% (11.º); Portugal 42,9% (26.º); e Polónia 27,2% (57.º).


Apesar de a Marinela Freitas não ter, no workshop, apresentado estes números, revelou um outro dado que a todos chamou a atenção: de acordo com as previsões do Fórum Económico Mundial, a plena igualdade de género só será atingida em 2158, isto é, daqui a 133 anos. Estes números fizeram-nos, por isso, pensar: se é verdade que, nas nossas universidades, esta disparidade não se regista ou está em vias de resolução (assinalo, contudo, que ainda temos duas faculdades na U.Porto que não tiveram, na sua história, uma única professora catedrática), os estudantes que estamos a formar serão lançados num mercado de trabalho e num contexto político desvantajoso para as raparigas. É, por isso, imperativo que as questões de género sejam debatidas, apesar da gender fatigue que nos possa assolar.


Nesta perspetiva, valerá a pena realçar o importante trabalho que a Comissão Conhecimento e Sociedade do Conselho Geral da nossa Universidade tem vindo a desenvolver, e que culminou, no passado dia 15 de maio, no Encontro Diversidade, Igualdade e Inclusão no Ensino Superior. Num momento em que o Conselho Geral da U.Porto está prestes a cessar funções, será da mais elementar justiça sublinhar o papel fundamental que os dois membros da Comissão – a Dr.ª Maria Amélia Cupertino de Miranda, membro co-optado, e a Professora Isabel Dias, Professora Catedrática da Faculdade de Letras – assumiram ao longo dos últimos quatro anos, dinamizando Encontros sobre questões importantes como o idadismo, o papel da universidade na preservação do património construído e dos museus, e a sua missão social. Nos três Encontros promovidos pela Comissão, ouvi com muito interesse as intervenções do Presidente do Conselho Geral, Professor Fernando Freire de Sousa, que abordou as questões do ponto de vista da Economia, sua área de especialidade, sublinhando sempre a vontade do Conselho Geral de não se confinar às quatro paredes da sala onde faz as suas deliberações, assumindo um papel ativo na vida da Universidade, mais próximo da comunidade académica.


“É só pena” – alguém comentou no Encontro organizado pela Comissão – “que a estas sessões só venham os convertidos. Precisávamos de ter aqui os Coordenadores e Diretores de Serviços, Departamentos e Centros de Investigação para que possam estar mais atentos a estas questões”. Enquanto tal não acontece, o projeto RESET /Redesigning Equality and Scientific Excellence Together, em que a U.Porto participou sob coordenação de Marisa Matias (FPCEUP), oferece-nos uma ficha de autodiagnóstico que nos poderá ajudar a pensar o que falta fazermos na nossa área. Deixo aqui o desafio.


Fátima Vieira
Vice-Reitora para a Cultura e Museus

Última semana para usufruir de aula de Arte "única e irrepetível"

A exposição Aula do Visível já foi vista por  mais de 13 mil pessoas. A última visita guiada está marcada para 31 de maio, data de encerramento.

O tempo está a esgotar e há dois momentos que não pode deixar escapar: descobrir a exposição Aula do Visível e  conhecer por dentro o renovado Edifício Abel Salazar (antes de este entrar  na sua próxima fase de vida). No próprio dia do encerramento, a 31 de maio, há, ainda, um motivo acrescido: uma visita guiada pelos 145 anos de arte moderna e contemporânea portuguesa.


É uma oportunidade única para ter acesso a mais de 120 obras da Coleção da Fundação Ilídio Pinho que, pela primeira vez, foram reunidas num mesmo espaço expositivo: o  renovado Edifício Abel Salazar da Universidade do Porto (Largo do Prof.  Abel Salazar, junto ao edifício histórico do Hospital de Santo António).


Como sublinha Miguel von Hafe Pérez, curador da  exposição, “Há poucos museus que mostram a arte portuguesa na sua  amplitude, quer na modernidade, quer na contemporaneidade” daí que esta  seja “uma oportunidade única para perceber aquilo que é a arte portuguesa durante aquilo que foi o século XIX e o século XX”.


Vieira da Silva, Amadeo de Souza-Cardoso, Paula Rego, Helena Almeida,  Júlio Pomar e Almada Negreiros são apenas alguns dos artistas  representados, assim como outros de gerações mais jovens como José Almeida Pereira, Carlos Lobo e André Cepeda, nesta mostra que abrange cerca de 145 anos de arte portuguesa.


“Para nós, é importante este acesso democrático à cultura que estamos  a promover”, sublinha a Vice-Reitora para a Cultura e Museus da  U.Porto. Fátima Vieira acrescenta que esta é, efetivamente, uma exposição “única e irrepetível” que constitui “um marco” no trabalho que tem vindo a ser desenvolvido “ao longo dos últimos anos”.

Osias André é um dos artistas plásticos representados na exposição Aula do Visível. (Foto: DR)

Vamos, então, às atividades da última semana? Dia 28 de maio, às 15h00, a diretora da Faculdade de Belas Artes da U.Porto (FBAUP), Lúcia Almeida Matos, irá conduzir uma visita guiada intitulada Escola do Porto.


Integrada no programa Arte, Cultura e Bem-Estar, dia 30 de maio, sábado, irá realizar-se no edifício Abel Salazar a última Oficina de Performance. Durante os últimos meses, este programa tem oferecido gratuitamente à comunidade um conjunto de laboratórios artísticos de expressão plástica, performance e escrita. Encontra mais informações aqui.


A 31 de maio, último dia da exposição, as portas abrem às 10h00, sendo que, a partir das 11h00,  daremos início à última visita guiada à exposição. Desta vez caberá a Laura Castro convidar os visitantes para uma viagem pelos lugares de vida e morte, do visível e do invisível e de coisas avulsas que a arte inventa. Isto para que, em conjunto, possamos fixar uma Tábua das matérias.


Licenciada e mestre em História de Arte pela Faculdade de Letras da  U.Porto e doutorada em Arte e Design pela FBAUP, Laura Castro integra  ainda Centro de Investigação em Ciência e Tecnologia das Artes da  Universidade Católica do Porto. Apresenta um extenso currículo no setor  cultural bem como em museus e galerias de arte. Foi diretora regional de  Cultura do Norte.


Até lá, durante a última semana, ainda é possível agendar outras  visitas. A liderá-las estará a historiadora de arte e mediadora cultural  Susana Pacheco Barros ! Quando? Na segunda-feira, às 15h00, e na sexta-feira, às 16h30. Não havendo disponibilidade para estes horários, basta enviar um e-mail e é possível agendar outras visitas por marcação.


Há também um programa conjunto de atividades educativas direcionadas  para escolas, nomeadamente para o Pré-escolar (dos 3 aos 5 anos de  idade), para o 1.º Ciclo (dos 6 aos 9 anos de idade), para o 2.º e 3.º  Ciclo (dos 10 aos 15 anos de idade), para o Secundário (dos 16 aos 18  anos de idade) e ainda para as Universidades Seniores.


Todas as iniciativas / visitas guiadas requerem inscrição prévia. Basta enviar um e-mail para: cultura@reit.up.pt


Mas há mais! Quem visitar a exposição durante a última semana, será  convidado a seguir as atividades da Casa Comum nas redes sociais e  levará para casa uma recordação desta Aula do Visível.


A exposição pode ser visitada de segunda-feira a sábado, das 10h00 às 17h30. A entrada é livre. 


Fonte: Notícias U.Porto

Festival BEAST traz sinfonia para violino elétrico à Casa Comum

Integrada no BEAST International Film Festival  2025, a "Listening Session - Ocean" terá lugar nos dias 6 e 7 de junho.  Entrada livre.

Sessões propõe a escuta integral da obra "Ocean" (2022), da compositora ucraniana Valentina Goncharova. Foto: DR

É um festival de cinema que nos traz uma sinfonia para violino eléctrico. O Beast Internacional Film Festival propõe uma Listening Session – Ocean já a partir do próximo dia 6 de junho, às 17h00, na Casa Comum (à Reitoria) da Universidade Porto.


Na realidade, a Listening Session vai decorrer durante dois dias. Como assim? Vamos por partes. Trata-se de um dos destaques do BEAST International Film Festival que, de 6 a 8 de junho regressa ao Porto com o compromisso de divulgar o cinema e as artes da Europa Central e de Leste.


É uma sinfonia épica para violino elétrico, dedicada à compositora ucraniana Valentina Goncharova. Ocean desenrola-se  em onze partes, sendo cada “meditação sonora” moldada por uma singular  instrumentação. Gravada originalmente em 1988, a versão completa da obra  só foi lançada em 2022, como parte da série Lost Tapes da  editora Hidden Harmony Recordings. A partir das fitas analógicas  originais, foi restaurada e remasterizada, revelando uma peça marcante  da história da música experimental soviética. A curadoria da sessão é  assinada por Pavla Rousková.


Para que possa ter acesso à escuta integral, Ocean será tocada em ciclo contínuo ao longo das tardes. Com entrada livre, o público pode entrar e sair a qualquer momento durante os ciclos de uma hora e meia. Sendo a abertura oficial no dia 6 de junho, às 17h00, as sessões terão continuidade no dia 7 de junho, das 14h00 às 18h00, com ciclos contínuos de 1h30.


Valentina Goncharova (nascida em Kiev em 1953) é uma violinista,  compositora e pioneira da música eletrónica e experimental. Com formação  clássica em Kiev e Leninegrado (atual São Petersburgo), estudou com  mestres consagrados do violino de concerto. Ainda nos anos 1980, rompeu  com o circuito académico para se afirmar na cena underground soviética, colaborando com nomes da vanguarda, do jazz livre e da música  eletroacústica.


Radicada na Estónia desde 1984, começou a trabalhar com gravações  caseiras e técnicas DIY em parceria com o engenheiro de som Igor Zubkov.  A sua obra-prima é a peça Ocean, finalizada e editada em 2022.


Os estudantes da U.Porto têm entrada gratuita, mediante inscrição, em todos os eventos do Beast Internacional Film Festival. A acreditação dá acesso às sessões de cinema, atividades paralelas e eventos especiais, incluindo a Listening Session.


Para usufruir da acreditação, é necessária inscrição prévia até 1 de junho, através do formulário disponível no site oficial do BEAST.


Fonte: Notícias U.Porto

Uma viagem pelo asfalto. O rock no Porto nos anos oitenta. Entrevista com Óscar Branco

É a vez do ator Óscar Branco nos contar como era a "noite no Porto" dos anos 1980, recordando lugares como o Griffon's, o Aniki Bobó  ou ainda o Splash. 


Este circuito do rock portuense pode ser "percorrido" na exposição Uma viagem pelo asfalto. O rock no Porto nos anos oitenta, patente na Casa Comum, até dia 20 de setembro. A entrada é livre.

Maio e Junho na U.Porto

Para conhecer o programa da Casa Comum e outras iniciativas, consulte a Agenda Casa Comum ou clique nas imagens abaixo.

Uma viagem pelo asfalto. O rock no Porto nos anos oitenta

Até 20 SET'25 
Exposição | Casa Comum
Entrada livre. Mais informações aqui 

Laços que Unem [Ties that Bind] | Bienal’25 Fotografia do Porto

Até 28 JUN'25
Exposição | Casa Comum
Entrada livre. Mais informações aqui

Aula do Visível | Exposição de Obras da Coleção da Fundação Ilídio Pinho

Até 31 MAI'25
Exposição | Edifício Abel Salazar
 Entrada livre. Mais informações aqui

Aula do Visível | Visita orientada por Laura Castro 

31 MAI'25 | 11h00
Visita guiada | Edifício Abel Salazar
Entrada livre. Mais informações e inscrições aqui

Aula do Visível – Obras da Coleção da Fundação Ilídio Pinho | Programa de Laboratórios Artísticos

Até 31 MAI'25
Laboratórios artísticos | Edifício Abel Salazar
Entrada Livre. Mais informações e inscrições aqui

Aula do Visível – Obras da Coleção da Fundação Ilídio Pinho | Programa de Visitas Orientadas

Até 31 MAI'25
Visitas orientadas | Edifício Abel Salazar
Entrada Livre. Mais informações e inscrições aqui

Do arroz à globalização gastronómica

26 MAI' 25 | 18h00
Palestra | Casa Comum 
Entrada Livre. Mais informações aqui 

Europa- América Latina: num mundo fracturado | Apresentação de livro

28 MAI' 25 | 18h00
Apresentação de livro | Casa Comum 
Entrada Livre. Mais informações aqui 

Quintas Brasileiras 2

29 MAI e 5, 12 JUN'25 | 18h30
Música | Casa Comum 
Entrada Livre. Mais informações aqui 

Alfred Hitchcock: In the beginning | II Ciclo de cinema britânico

30 MAI e 6 JUN'25 | 18h30
Cinema | Casa Comum 
Entrada Livre. Mais informações aqui 

BEAST International Film Festival na U.Porto | Listening Session

06 e 07 JUN'25
Música, Instalação | Casa Comum 
Entrada Livre. Mais informações aqui 

Tardes de Matemática | Um Prémio Nobel para um Matemático: John Nash e a Teoria de Jogos

07 JUN'25 | 16h00
Ciência, conversa | Casa Comum 
Entrada Livre. Mais informações aqui 

Club di Lettura Italiano 2025 | Clube de Leitura Italiano 2025

12 JUN, 17 SET, 29 OUT e 11 DEZ'25 | 19h00
Literatura | Casa Comum e ASCIPDA
Entrada Livre. Mais informações e inscrição aqui 

Gemas, Cristais e Minerais

01 MAR a 30 ABR'25
Exposição | Museu de História Natural e da Ciência U.Porto
Entrada Livre. Mais informações aqui 

Corredor Cultural

Condições especiais de acesso a museus, monumentos, teatros e salas de espetáculos, mediante a apresentação do Cartão U.Porto.
Mais informações aqui

Artistas representados na exposição Aula do Visível – Obras da Coleção da Fundação Ilídio Pinho

Júlio Resende

Júlio Resende (Porto 1917 – Gondomar 2011)

Júlio Martins Resende da Silva Dias nasceu no Porto a 23 de outubro de 1917. Era o segundo dos quatro filhos de Manuel Martins Dias, comerciante, e de Emília Resende da Silva Dias, professora de Música no Conservatório do Porto. Foi batizado a 19 de novembro desse ano na paróquia da Vitória.


Habituado a viver num ambiente artístico, dotado de forte cultura musical, desde cedo se dedicou à pintura e à ilustração. Este caminho que escolheu para a sua vida gorou as expectativas dos progenitores, esperançados em que o filho optasse por uma carreira musical ou por uma comercial. Com a ajuda de Aurora Jardim, colaboradora de dois dos mais populares periódicos do Porto, do Jornal de Notícias e d’ O Primeiro de Janeiro, foi encaminhado para as aulas de desenho e pintura da Academia Silva Porto, orientadas por Alberto Silva. No entanto, apesar desta aposta num futuro artístico, para agradar ao pai trocou o curso liceal por um curso comercial entre 1934 e 1935.


Em 1935 participou na Grande Exposição dos Artistas Portugueses e retratou o avô materno a lápis, num trabalho assinado, pela primeira vez, com o nome Júlio Resende, em homenagem à mãe.


Passados dois anos, matriculou-se na Escola de Belas Artes do Porto (atual Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto), sendo discípulo, entre outros, de Dordio Gomes. Por dificuldades financeiras decorrentes da má situação económica da loja paterna, viu-se obrigado a suportar sozinho as despesas do curso, através da venda de trabalhos gráficos, como desenhos publicitários, banda desenhada e ilustrações. Desta faceta menos conhecida da sua obra, que se prologou temporalmente dos anos trinta aos anos setenta, podem destacar-se as histórias de Matulinho e Matulão, publicadas n’O Primeiro de Janeiro, entre 1942 e 1952, e as colaborações nas revistas infantis O Papagaio e Tic-Tac.


Em 1938 apresentou uma obra na exposição de alunos do pintor Alberto Silva e em 1940 desenhou a lápis o Retrato da minha Avó, que assinou com o apelido materno – Resende, nome que manterá definitivamente.


No ano de 1943 casou com a colega de escultura, Maria da Conceição Moutinho, estreou-se a expor individualmente, no Salão Silva Porto, e participou na criação do Grupo dos Independentes, uma associação de artistas da ESBAP, como Júlio Pomar, Nadir Afonso ou Fernando Lanhas, de sensibilidades variadas, mas unidos na crítica ao academismo e na proximidade ao movimento neorrealista.


A carreira de docente iniciou-se em 1944, na Escola Industrial de Guimarães, no ano em que proferiu uma palestra no Instituto Britânico do Porto, sobre gravadores britânicos.


Em 1945, expôs no Porto e ganhou os primeiros de muitos prémios.


Integrou a nona Missão Estética de Férias em Évora. Começou a pintar quadros com temas alentejanos. Durante uma estadia em Madrid, visitou o Prado, museu que o fascinou sobretudo pelas obras dos pintores Goya, Solana e Vázquez Díaz, tendo tido a oportunidade de conhecer este último. Nesse ano, terminou a licenciatura em Pintura com o quadro Os Fantoches, classificado com dezoito valores.


Em 1946 criou um curso de arte no Instituto Britânico do Porto. Expôs pela primeira vez em Lisboa, ilustrou um livro de Adolfo Simões Müller e ganhou uma bolsa do Instituto para a Alta Cultura, para aperfeiçoamento da técnica da pintura no estrangeiro. Ainda nesse ano, partiu para Paris com a mulher e a filha.


Entre 1947 e 1948, já sem a família, estudou as técnicas de fresco e gravura na Escola de Belas-Artes de Paris e na Academia Grande Chaumière. Foi discípulo de Duco de La Haix e de Othon Friesz. Copiou os mestres da pintura no Museu do Louvre e visitou outros museus de referência, na Bélgica, na Holanda, em Inglaterra e em Itália.


No regresso, em 1949, trabalhou como professor na Escola Industrial e Comercial Carlos Amarante, em Braga, e, depois, na Escola de Cerâmica de Viana do Alentejo (1949-1951), lugar onde criou as bases da sua obra e produziu quadros que refletem as suas preocupações humanistas.

A primeira exposição individual no exterior aconteceu em 1950, em Kristiansund, na Noruega. Em 1951, de novo em Portugal, expôs no Palácio Foz, em Lisboa. Na capital contactou com o escritor Vergílio Ferreira e com os artistas Júlio, Charrua, Almada Negreiros e Eduardo Viana. Foi convidado a visitar a Noruega, país a que regressa em 1952. Por essa altura, visitou também a Dinamarca e realizou um fresco, o primeiro dos seus murais, para a Escola Gomes Teixeira no Porto, onde lecionava. Nesta fase também produziu inúmeros murais cerâmicos para edifícios, públicos e privados, obras que se inseriram no contexto da reutilização do azulejo na arquitetura nacional dos anos 50 e 60. Neste capítulo da arte pública, colaborou com notáveis arquitetos nacionais, em especial com a dupla José Carlos Loureiro e Luís Pádua Ramos (na Pousada de Bragança, no Hotel D. Henrique, na Casa Sical, no Edifício da U. A. P., no Edifício da Companhia de Seguros Tranquilidade, nas Torres Habitacionais da Pasteleira, no Conservatório de Aveiro e no Hotel Solverde de Espinho).


Em 1953 instituiu as Missões Internacionais de Arte, que se estrearam em Trás-os-Montes, e voltou ao Porto. Nos dois anos seguintes, na Póvoa de Varzim, deu aulas na Escola Comercial e Industrial e promoveu a segunda edição da Missão Internacional de Arte.


Com o arquiteto João Andresen e o escultor Barata Feyo integrou, em 1956, a equipa vencedora do concurso para o monumento do Infante D. Henrique, em Sagres, com o projeto Mar Novo. Todavia, esta obra não viria a ser concretizada por não ser do agrado de António Oliveira Salazar. Nesse ano, terminou o curso de Ciências Pedagógicas na Universidade de Coimbra.


Sem perder o alento, organizou, em 1957, a exposição 4 Artistas Portugueses em Oslo e Helsínquia, e pintou quadros sobre o Porto e a Póvoa. Em 1958 promoveu a 3.ª Missão Internacional de Arte em Évora e foi convidado a dar aulas na Escola Superior de Belas Artes do Porto, como assistente de Pintura de Dordio Gomes. Nestes anos também executou vários painéis cerâmicos para edifícios: para o Hospital de S. João, para o Posto Alfandegário de Vilar Formoso e para a Pousada de Santa Catarina de Miranda do Douro, estes últimos da autoria do arquiteto Castro Freire.


No início dos anos 60 viajou por França, Itália e Inglaterra. Foi tema de uma exposição retrospetiva promovida pelo Secretariado Nacional de Informação e executou, entre outras obras, os murais do Palácio da Justiça do Porto e do Banco Pinto de Magalhães, cenários e figurinos teatrais, um fresco para o Tribunal de Justiça de Anadia, a ilustração da obra Aparição de Vergílio Ferreira, e seis painéis em grés para o Palácio da Justiça de Lisboa.


Nesta época, paralelamente à atividade artística, progrediu na sua já bem sucedida carreira universitária, na ESBAP. Em 1962 prestou provas públicas para professor, sendo nomeado primeiro assistente de Pintura em 1963. Mais tarde, exerceu funções de gestão (1974) e foi eleito Presidente do Conselho Diretivo (1975), cargo que absorveu a totalidade do seu tempo até 1976.


Nos anos setenta dirigiu a parte estética do Espetáculo de Portugal na Exposição Mundial de Osaka, realizou cenários para teatro, ballet e cinema, ilustrou obras literárias e fez várias viagens ao Brasil e a Espanha. Na sua primeira viagem ao Brasil (1971), conheceu na Baía o escritor Jorge Amado e o artista Mário Cravo Filho. E na de 1977, ao Nordeste Brasileiro, encontrou-se com os artistas Sérgio Lemos e Francisco Brennand.


Em 1980 participou nas comemorações dos 100 anos da ESBAP. Nos anos seguintes, decorou a Igreja de Nossa Senhora da Boavista riscada pelo arquiteto Agostinho Ricca Gonçalves, com 9 vitrais e uma escultura. Voltou ao Brasil (Pernambuco, Baía, Recife). Pintou o enorme painel Ribeira Negra (40mx3m), que ofereceu à sua cidade é que, posteriormente, foi executado em grés e colocado à entrada do Túnel da Ribeira. Nesta obra, o poeta Eugénio de Andrade viu "o magnificente historial da miséria e da grandeza da população ribeirinha do Porto (...)." (Ribeira Negra, Galeria Nasoni, 1989).


Em 1987 abandonou o ensino na ESBAP e em 1989 foi tema de uma exposição retrospetiva na Fundação Calouste Gulbenkian.


Nos anos 90, voltou às viagens, desta feita a Cabo Verde (S. Vicente, Santo Antão, Santiago e Fogo), à Índia (Goa), a Moçambique e ao Brasil (Recife); produziu arte pública como o painel de azulejos para a Estação de Sete Rios do Metropolitano de Lisboa e instituiu, em 1993, a Fundação Júlio Resende – "Lugar do Desenho" – em Valbom, Gondomar.

Em 2001, a Câmara Municipal de Matosinhos organizou uma exposição retrospetiva da sua obra e, em 2007, durante a comemoração dos seus 90 anos, foi homenageado no Porto com uma exposição antológica.


Teve uma longa carreira de professor, construída no ensino secundário, técnico e regular, e no ensino artístico universitário. E é autor de uma diversificada e premiada obra, marcada pelas viagens que foi fazendo ao longo da vida e pelos mestres que conheceu, que abrange essencialmente a pintura sobre tela ou mural, serigrafias e gravuras, vitral, painéis cerâmicos para obras de arquitetura, ilustração de livros e, ainda, cenários e figurino para teatro e ballet. Grande parte da sua obra é apresentada em exposições, individuais e coletivas, em Portugal e no estrangeiro, desde os anos quarenta, e está patente em muitos e prestigiados museus e coleções particulares em Portugal, na França, no Brasil, na Finlândia, na Noruega, na Bélgica e em Macau.

Pintou quase até ao fim da vida no Porto, a cidade que o inspirou e à qual sempre voltou.


Faleceu em Valbom, Gondomar, a 21 de setembro de 2011, aos 93 anos de idade.


Em 2017, nas comemorações do “Centenário do nascimento do Pintor Júlio Resende”,  a sua vida e obra foram revisitadas. O programa arrancou oficialmente a 23 de outubro no Lugar do Desenho – Fundação Júlio Resende, com a inauguração da exposição Antológica – Resende, na sala das exposições temporárias, de uma Linha do Tempo na sala do Acervo, e d’ “Evocação” da intimidade do artista na casa-ateliê.

Mulher, óleo sobre tela de Júlio Resende de 1973, que se exibe na terceira sala da exposição “Aula do Visível” patente no renovado edifício Abel Salazar. 


Biografia ∙ Lugar do Desenho — Fundação Júlio Resende


U.Porto - Antigos Estudantes Ilustres da Universidade do Porto: Júlio Resende

https://arte.fundacaoip.pt/individual_work/1/604/1

Há novos podcasts no espaço virtual da Casa Comum

154. A cidade tem degraus, João Rasteiro

“A cidade tem degraus”, de João Rasteiro, in As pedras que choram o Douro, 2023.

7. Bushire – Carachi: ventos de fogo e de pó

Depois de algum tempo de paragem, pelo qual pedimos as nossas  desculpas, retomamos a narrativa da primeira viagem aérea entre Portugal  e Macau. Agora, acompanhamos os aviadores portugueses desde Bushire, na Pérsia (onde foram forçados a esperar autorização para prosseguir viagem), ao  longo do Golfo Pérsico até ao estreito de Ormuz para, mais à frente,  assistirmos à travessia da costa desértica de Makran, no conturbado  Baluchistão. Finalmente, o Pátria aterra em Carachi, na Índia britânica  (hoje cidade do Paquistão).Viagem difícil, feita em condições adversas, e que correu o risco de acabar em desastre.


97. “Falamos de António Campos”, de Catarina Alves Costa (2009)

Comentário de Cristiano Jesus (Curso Avançado de Documentário KINO-DOC)

 98. “From the Circus to the Moon”, de Hans Richter (1963)

Comentário de António Barbosa (Curso Avançado de Documentário KINO-DOC)

Mais podcasts AQUI


Alunos Ilustres da U.Porto

Aureliano Capelo Veloso

Aureliano Capelo Veloso (1924-2019)

Aureliano Capelo Veloso, filho de Manuel Pires Veloso e de Piedade Capelo Cardoso, professores do Ensino Básico, nasceu na freguesia de Folgosinho, em Gouveia, a 25 de fevereiro de 1924.


Licenciou-se em Engenharia Químico-Industrial pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, a 3 de fevereiro de 1950.


Foi chefe do Laboratório da Direção Geral das Alfândegas. A partir de 1957 trabalhou no laboratório e na produção das Tintas CIN, onde veio a integrar a sociedade (1968) e a administração da empresa.


Aureliano Veloso foi o primeiro presidente da Câmara Municipal do Porto democraticamente eleito após o 25 de Abril de 1974. 


Candidato independente apoiado pelo Partido Socialista, foi presidente entre 3 de janeiro de 1977 e 11 de janeiro de 1980.


Em 1993 assumiu funções como consultor da ADITEC (Associação para o Desenvolvimento e Inovação Tecnológica do Instituto Politécnico Português) e, mais tarde, diretor-geral desta Associação. Foi presidente da Assembleia-geral da Cooperativa de Lordelo do Ouro e da Unicoop. Integrou os órgãos sociais da Ordem dos Engenheiros. Presidiu ao Conselho Fiscal do Círculo Cultural Teatral/Teatro Experimental do Porto (1991-2009), instituição de que é sócio honorário.


Durante as comemorações do 25 de abril de 2011 foi agraciado com a Medalha Municipal da Cidade do Porto.


Irmão do general António Elísio Capelo Pires Veloso (1926-2014), Aureliano Veloso tinha três filhos, um dos quais é o músico Rui Veloso (1957-).


Morreu aos 95 anos, a 12 de junho de 2019.
 
U.Porto - Antigos Estudantes Ilustres da Universidade do Porto: Aureliano Capelo Veloso

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