SOMOS AS SUAS HERDEIRAS

​​EU University & Culture Summit / Day 1, Afternoon

A Fundação Marques da Silva acolhe, desde o passado sábado, a exposição documental ARQUITECTAS DA LIBERDADE, promovida pela Associação Mulheres na Arquitectura – e fá-lo num gesto de cumprimento da sua missão. É que, entre as dezenas de acervos de arquitectos que tem à sua guarda, a Fundação preserva e promove o estudo do legado de Maria José Marques da Silva, filha do Arquitecto José Marques da Silva, a primeira mulher licenciada em Arquitectura pela Escola de Belas Artes do Porto. Além de ter assinado dezenas de projetos de arquitectura juntamente com o seu marido, David Moreira da Silva, Maria José presidiu à Secção Regional do Norte da Associação dos Arquitectos Portugueses e organizou o seu 40.º Congresso, um dos mais importantes da Associação.


O nome de Maria José Marques da Silva não se encontra entre as muitas mulheres evocadas em ARQUITECTAS DA LIBERDADE, pois o discurso expositivo foca-se na liderança da luta por habitação digna por parte de mulheres no pós-25 de Abril, mas nela figuram o nome e testemunho de outras arquitectas e técnicas das equipas de intervenção do SAAL – Serviço de Apoio Ambulatório Local que operaram no Porto, “ao lado dos pares masculinos”.


Procurando cobrir, a nível nacional, os diferentes modos de participação das mulheres no combate pela habitação digna para todos – uma aspiração legitimada pelo artigo 36.º da Constituição de 1976, que estabelece que “Todos têm direito, para si e para a sua família, a uma habitação de dimensão adequada, em condições de higiene e conforto que preserve a intimidade pessoal e a privacidade familiar” –, a exposição evoca diferentes formas de procura de solução coletiva, como aconteceu com a habitação cooperativa ou com a constituição de comissões de moradores, nas quais as mulheres tinham um papel especialmente ativo. Como testemunha uma das mulheres que integrou uma dessas comissões, “nós é que sentimos na pele a miséria dentro das casas (…). Todas nós temos a ambição de gostar de uma coisa melhor, não é?”. As Comissões de moradores tornaram-se, pois, uma das mais bem-sucedidas formas organizadas de reivindicação de direitos, que em breve extravasou a questão da habitação digna para abordar outros problemas, como a disponibilização de creches onde as mulheres pudessem deixar os filhos para irem trabalhar, e outros problemas urbanos urgentes, como a necessidade de limpeza de lixeiras e ruas, a falta de iluminação pública ou a imprescindibilidade de um sistema de transportes que servisse todos os bairros.


A exposição evidencia ainda o papel das mulheres (sobretudo arquitectas) no Movimento das Cooperativas de Habitação Económica, mas também em múltiplas instituições e organizações em que trabalharam como técnicas, desde o Laboratório Nacional de Engenharia Civil – por onde passaram as arquitectas Maria da Luz Valente Pereira, Helena Roseta, Manuela Fazenda e Beatriz Madureira – aos Gabinetes de Apoio Técnico e às Câmaras Municipais. Mas num dos painéis, simplesmente intitulado “Hoje”, as curadoras da exposição lembram que o problema da habitação não foi ainda resolvido. Recordando o papel de relevo – muitas vezes de liderança – assumido por mulheres, no passado, o texto do painel responsabiliza-nos. “Somos as suas herdeiras” – lemos em letras em negrito e tamanho destacado; o que deixa implícita a pergunta: “Estaremos à altura desta herança?”.


Fátima Vieira
Vice-Reitora para a Cultura e Museus


Nota: A exposição ARQUITECTAS DA LIBERDADE estará patente na Fundação Marques da Silva até 29 de junho. Poderá ser visitada de segunda-feira a sábado, das 14:00 às 18:00 (último acesso às 17:30). A entrada é livre.

Concertos, cinema e visitas guiadas para celebrar o Rock no Porto

BAN e Trabalhadores do Comércio são duas das bandas confirmadas na programação paralela à exposição Rock no Porto nos anos 80, patente na Casa Comum.

A exposição Uma viagem pelo  asfalto. O rock no Porto nos anos 80, inicialmente prevista até finais setembro, vai prolongar-se até 8 de novembro. Foto: Egidio Santos/U.Porto

São visitas guiadas, filmes, workshops, apresentação de fanzines e, claro, como não poderia deixar de ser, concertos. Até ao próximo mês de novembro há um programa paralelo à exposição Uma Viagem pelo Asfalto: o Rock no Porto nos Anos 80, patente na Casa Comum (à Reitoria) da Universidade do Porto, que promete levar os visitantes numa “viagem pelo asfalto”.


Partimos de um “ideal, irreal social” que convertemos em programa  “popular avançado”. Ou seja? A intenção de fazer uma exposição sobre o Rock no Porto foi a força motriz que congregou esforços. Aproximou pessoas e projetos. Acicatou emoções e insuflou vontades. Fez renascer  projetos. E é na senda desta comunhão de partilhas que lançamos um programa de atividades paralelas, alargando, assim, e transpondo até ao momento presente, o itinerário do rock português dos anos oitenta. Vamos  ao programa?


Alguns membros dos BAN vão-se reunir especialmente para um concerto inédito no Pátio do Museu de História Natural da U.Porto. Vai ser no dia 24 de julho às 21h30. A icónica banda de Pop/Rock vai cantar temas como "Irreal Social" e "Mundo de Aventuras". A primeira parte estará a cargo dos Conferência Inferno, um projeto musical portuense com sonoridades post-punk.


Lembram-se de Trips à Moda do Pôrto? E de Nabraza? Se alguém  cantarolar "Chamem a Polícia(…) Que eu não pago". Já poucas dúvidas  haverá! Com humor e sotaque assumidamente do Norte, vai subir ao palco a banda fundada por Sérgio Castro e Álvaro Azevedo. Eles são os: Trabalhadores do Comércio. O concerto acontece dia 25 de julho, às 22h00.


Em setembro, será a vez de ver e ouvir outra banda portuense que começou por fazer covers de folk-rock. Em 1981, Orlando Mesquita reuniu alguns músicos  (Jorge Mesquita, Pedro Taveira e Manuel Guimarães) e a King Fisher’s Band, também conhecida como Bando do Rei Pescador,  avançou como um projeto de originais. Vão atuar no dia 12 de setembro, às 21h30.

King Fisher’s Band vão atuar na Casa Comum no dia 12 de setembro às 21h30. Foto: DR

Todos os caminhos vão dar ao “Rock no Porto”

Muito antes destes três concertos, haverá outras formas de ir ao encontro deste universo do “Rock no Porto”. Já no próximo dia 21 de junho, calha a um sábado, pelas 16h00, um dos curadores da exposição, David Pontes, irá conduzir uma visita guiada.


Licenciado em Comunicação Social e mestre em História Contemporânea, foi diretor do jornal Comércio do Porto, do Jornal de Notícias e da agência de notícias Lusa. Escreveu para televisão, fez rádio, foi organizador de um festival de poesia,  músico, dono de uma loja sobre o Norte, orador em diversas conferências e comentador regular na televisão. Desde 2024 que é diretor do jornal Público. De sublinhar que é ainda vocalista da banda dos anos 1980 Cães Vadios, tendo também estado envolvido na publicação do fanzine Cadáver Esquisito.


Nesse mesmo dia, às 18h00, será exibido BASTARDOS. Trajetos do punk português (1977-2014). Trata-se de um documentário de cariz histórico-sociológico que teve por objetivo documentar os atores, as narrativas e as manifestações punk em  Portugal desde o seu surgimento até à atualidade (1977-2014). Foi  realizado no âmbito do projeto de investigação Keep it Simple, Make it Fast! (KISMIF, PTDC/CS-SOC/118830/2010) coordenado pela docente e investigadora Paula Guerra, da Faculdade de Letras da U.Porto (FLUP) e  sedeado no Instituto de Sociologia da Universidade do Porto (IS-UP).


Quem gostava de saber das novidades do mundo da música, talvez acompanhasse as Confidências do Exílio…um fanzine de divulgação das novas sonoridades portuguesas e europeias. Ora em 2025 assinala-se, precisamente, o 40.º aniversário do lançamento deste fanzine, da autoria do coletivo Novo Fogo e Arte. No dia 5 de julho, às 17h00, será apresentada na Casa Comum a reedição dos quatro números, pelos membros do próprio coletivo.


Ainda sobre fanzines, a manhã de 5 de julho vai ser dedicada ao workshop Fanzine Instantâneo sobre "O Rock no Porto dos anos 80", coordenado por Miguel Correia, designer e criador da Fanzineteca de Aveiro. Durante quatro horas os participantes terão a oportunidade de criar uma composição gráfica em formato A4, de forma analógica, com recurso a materiais previamente preparados sobre uma banda/músico da sua preferência e que esteja mencionada/o na exposição. A participação é gratuita, mas requer inscrição prévia, já que as vagas são limitadas.

O coletivo Novo Fogo e Arte vai estar na Casa Comum no dia 5 de julho às 17h00

Quem não se recorda d’O Chico Fininho? Muitos estarão familiarizados com “o títuto”, mas, ao certo, de quem estaremos a falar?  Este foi o motivo que levou uma equipa de cinema a procurar saber se  esta figura, efetivamente, existe. Interrogando várias pessoas, foram  parar à zona da Boavista – onde, numa discoteca, o acabam por descobrir. Este filme de Sério Fernandes, realizado em 1982, passa dia 12 de julho, sábado, às 18h00 na Casa Comum.


Antes disso, às 16h00, no mesmo dia  12 de julho, haverá mais uma visita guiada, desta ver orientada por Paula Guerra, também curadora da exposição. Se não tiver oportunidade de participar nesta, saiba que haverá outras visitas guiadas pelos curadores até ao final da exposição


No dia 4 de outubro, haverá ainda uma oficina de escrita criativa em redor das letras das canções das bandas de rock do Porto dos anos 80. A coordenadora desta oficina, Ana Rita Rodrigues, promete, "efetivamente", uma tarde de jogos de palavras e criatividade. 


Para terminar, na festa de encerramento da exposição, agendada para dia 8 de novembro, está prevista a realização da última visita guiada e a estreia de um documentário sobre o tema, que está ser produzido pela Casa Comum. À noite, um DJ set (a anunciar), marcará o final desta "viagem pelo asfato".

Uma viagem no tempo

Inaugurada no passado dia 8 de abril, a exposição Uma viagem pelo asfalto. O rock no Porto nos anos oitenta propõe-se a traçar um itinerário do rock português dos anos oitenta através da reunião objetos, fotografias, cartazes, recortes de jornais e capas de vinis de bandas como os GNR, os Taxi e os Trabalhadores do Comércio.

Foto: Egidio Santos/U.Porto

Com entrada gratuita, a exposição prevista inicialmente até 20 de setembro, pode ser visitada até 8 de novembro de 2025,  de segunda a sexta-feira, entre as 10h00 e as 13h00, e das 14h00 às  17h30. Aos sábados, as portas da Casa Comum abrem das 15h00 às 18h00.


O concerto dos Hospital Psiquiátrico, no passado dia 17 de maio, marcou o arranque do programa de iniciativas paralelas à exposição.


No website d’O Rock no Porto nos Anos 80 é também possível encontrar álbuns de bandas como Os Entes Queridos, Repórter Estrábico ou Bramassaji, assim como telediscos, testemunhos, vídeos e mais fotografias. 


Fonte: Notícias U.Porto

Junho na U.Porto

Para conhecer o programa da Casa Comum e outras iniciativas, consulte a Agenda Casa Comum ou clique nas imagens abaixo.

Uma viagem pelo asfalto. O rock no Porto nos anos oitenta

Até 20 SET'25 
Exposição | Casa Comum
Entrada livre. Mais informações aqui 

Laços que Unem [Ties that Bind] | Bienal’25 Fotografia do Porto

Até 28 JUN'25
Exposição | Casa Comum
Entrada livre. Mais informações aqui

Theodore Mezei, piano | Romantismo, impressionismo e eternas variações

16 JUN'25 | 19h00
Música | Casa Comum 
Entrada Livre. Mais informações aqui 

Colectivo de Poesia - Poetas a várias vozes na Casa Comum | Machado de Assis

17 JUN'25 | 21h30
Poesia | Casa Comum 
Entrada Livre. Mais informações aqui 

SENHORA SÉRIA NÃO TEM OUVIDOS

20 JUN'25 | 21h00
Teatro | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui 

Visita guiada à exposição Uma viagem pelo asfalto. O rock no Porto nos anos oitenta, por David Pontes

21 JUN' 25 | 16h00
Visita Guiada | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui 

Bastardos. Trajetos do punk português (1977-2014)

21 JUN'25 | 18h00
Cinema | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui 

Arquiteturas Film Festival

25 a 28 JUN' 25 
Cinema, conversas | Casa Comum
Mais informações aqui 

Club di Lettura Italiano 2025 | Clube de Leitura Italiano 2025

12 JUN, 17 SET, 29 OUT e 11 DEZ'25 | 19h00
Literatura | Casa Comum e ASCIPDA
Entrada Livre. Mais informações e inscrição aqui 

Exposição de Pintura: Do silêncio à cor

JUN 2025
Exposição | FPCEUP
Entrada Livre. Mais informações aqui 

ARQUITECTAS DA LIBERDADE

14 a 29 JUN,'25 
Exposição | FIMS
Entrada Livre. Mais informações aqui 

FUGA PARA O TEMPO PRESENTE - O LEVE PODER DA LUA APENAS QUEIMA OS OLHOS

21 JUN'25 | 15h00
Performance | FIMS
Entrada Livre. Mais informações aqui 

Gemas, Cristais e Minerais

Exposição | Museu de História Natural e da Ciência U.Porto
Entrada Livre. Mais informações aqui 

Corredor Cultural

Condições especiais de acesso a museus, monumentos, teatros e salas de espetáculos, mediante a apresentação do Cartão U.Porto.
Mais informações aqui

ARQUITECTAS DA LIBERDADE inaugurou na Casa-Atelier José Marques da Silva

A exposição, com entrada gratuita, estará patente até ao dia 29 de junho.

Casas e mulheres têm vínculos imemoriais. Em todo o mundo, a luta  pelo direito à habitação foi e é uma luta das mulheres. Em Portugal, a Revolução de Abril de 1974 herdou uma pesada herança: as mulheres eram  consideradas cidadãs de segunda, faltavam muitas casas para morar e os bairros de lata, pátios e ilhas proliferavam nas maiores cidades. Moradoras (particularmente as mais pobres), arquitectas, técnicas de  serviço social, e outras, envolveram-se na reivindicação por casas  dignas. Consagrado na Constituição de 1976, o direito à habitação está hoje por cumprir, assim como outros direitos das meninas e das mulheres. Arquitectas da Liberdade fala delas.

Ao redor de mulheres e das casas pelas quais lutaram, antes e depois do  25 de Abril de 1974, esta proposta expositiva articula história, fontes  orais e visuais. Arquitectas da Liberdade  é  cronológica, temática, interdisciplinar. Parte das experiências e das  histórias de vida, olhando para os seus saberes e gestos. Pensada para  cumprir um circuito itinerante, integra ainda conversas com convidadas  que viveram este período histórico e visitas guiadas. Todos os momentos  serão gravados, contribuindo, assim, quer para a construção de um arquivo de memórias ao redor do 25 de Abril, dos direitos das mulheres e  da luta pela casa; quer para partilhar histórias, inquietações,  projetos, necessidades e desejos, que instiguem a pensarmos, hoje, a  transformação social, a igualdade e a liberdade, e a democracia em  Portugal.
 
Tendo tido início a 6 de março, no Museu do Aljube, onde esteve  patente ao público até 30 de abril, e tendo já passado por Évora, entre  17 de maio e 2 de junho, será agora a vez desta exposição se apresentar  no Porto, na Casa-Atelier José Marques da Silva (Fundação Marques da Silva), onde permanecerá até 29 de junho. Promovida pela Associação Mulheres na  Arquitectura, é de um dos 45 projectos apoiados pela 2.ª edição do  programa Arte pela Democracia, uma iniciativa da Comissão Comemorativa 50 anos do 25 de Abril em parceria com a Direção-Geral das Artes.

A exposição tem entrada livre e está aberta de segunda-feira a sábado, das 14h às 18h (último acesso às 17h30). 


Fonte: FIMS

Lançamento de O FIM DE UM MUNDO marcado para 25 de junho

O lançamento do novo ensaio de Mário Mesquita, arquiteto, urbanista e docente da FAUP, decorrerá na Reitoria da U.Porto. A entrada é livre.

Nesta publicação Mário Mesquita desvenda espaços votados ao abandono, que recuperou e interpretou através da sua lente. / FOTO: U.Porto Press

“O fim de um mundo será sempre um princípio”. O repto foi lançado pelo próprio autor, Mário Mesquita, arquiteto, docente da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto (FAUP), urbanista e artista.


Este novo ensaio de Mário Mesquita vem desvendar espaços votados ao  abandono, que o autor recuperou através da sua lente fotográfica e  verteu, depois, em imagens a preto e branco, integradas em O fim de um mundo.


O lançamento deste livro, recentemente publicado pela U.Porto Press e pela Húmus, terá lugar a 25 de junho, a partir das 18h00, na Reitoria da Universidade do Porto (Auditório Ruy Luís Gomes).


A apresentação ficará a cargo de José Guilherme Abreu, autor do Prefácio, investigador do CITAR – Centro de Investigação em  Ciência e Tecnologia das Artes e coordenador da R3IAP – Rede de  Informação, Investigação e Intervenção em Arte Pública, Sílvia Simões,  investigadora do i2ADS – Instituto de Investigação em Arte, Design e Sociedade e Presidente do Conselho Pedagógico da Faculdade de Belas  Artes da U.Porto (FBAUP), e Joaquim Magalhães, arquiteto e Presidente do Conselho de Administração da Fundação “O Lugar do Desenho”.


A entrada é livre.

Do olhar ao ver. A dimensão poética do olhar

“Podíamos ter ficado presos ao passado. Contudo, não. Evitámos a  sombra da morte pré-anunciada desses lugares que foram perdendo gente e  ousámos entrar no concerto inacabado do seu pontilhado na paisagem e que  ainda perdura”. É assim que Mário Mesquita inicia o seu ensaio O fim de um mundo, expondo, também, as razões que o levaram a desenvolver este projeto.


De câmara fotográfica na mão, Mário Mesquita viajou “a passo lento  por entre os escombros de um mundo que ruiu (…)”. Fala de viagens “sem  destino acertado” e “numa deriva por entre as ruínas”, que o levaram a  descobrir “que a memória dos sítios vai envelhecendo”.


Mas não só: das suas “reincidentes deambulações” resultaram mais do  que meras imagens: a “constatação de algo que resistiu, de um fim de um  mundo que não finou e foi ficando, indómito não por convicção, mas por  abandono, constituindo-se como dissonâncias em tempos de modernidade  (…)”.

O FIM DE UM MUNDO é uma publicação conjunta da U.Porto Press e da Húmus. / Foto: U.Porto Press

Para este arquiteto e urbanista, “são múltiplas as histórias” que  contam os “fragmentos” que visitou, referindo-se ainda, nesse contexto, a  um “fio condutor que nos leva do olhar ao ver”.


Segundo José Guilherme Abreu, “a série fotográfica de Mário Mesquita  incide sobre o mundo rural, ou se calhar melhor, sobre o mundo  pré-industrial”, sendo que a sua deriva transporta “a dimensão poética  do olhar, que nos dá a ver o ver”.


Partindo desta afirmação, sugere acrescentar “Olhares sem fim” ao título  do seu Prefácio [“Lugares do fim”], por entender como “infindo o  caminho que separa o olhar do ver, já que quando orientado pelos  caminhos da arte o olhar leva a ver novos sentidos (…)”.


E é nesse pressuposto que apresenta “os fins-de-mundos” como “lugares  de charneira, que inspiram a passagem para registos inusitados que  trazem a possibilidade de uma mudança (…)”.


Acerca da coleção de imagens coligidas em O fim de um mundo,  José Guilherme Abreu refere-se a um “movimento de imersão no espaço  entrópico do ‘mundo do fim’” mas, também, a um “movimento inverso da  emersão (e de participação) de fulgurações do tempo presente que teimam  em persistir, e que o problematizam: a parabólica da meo que denuncia a  adesão aos novos tempos digitais; os estendais de roupa a secar ao  vento; (…) o aparelho de ar condicionado acoplado à parede de um  edifício oitocentista; o candeeiro de iluminação pública com lâmpada de  vapor de mercúrio (…)”.
Nas suas palavras, “Estas e outras miscigenações mostram até que  ponto (…)  as barreiras entre os mundos se transpõem, e como o mundo é  uma constelação de mundos distintos e interdependentes que se  confrontam, e que se visitam, uns aos outros (…)”.


Porque afinal, como afirma Mário Mesquita ao encerrar este livro, “Nunca será o fim da História”.

O fim de um mundo está disponível na loja online da U.Porto Press, com um desconto de 10%.

Sobre o autor

Mário Mesquita é arquiteto, urbanista, artista. É Professor na Faculdade de Arquitectura da U.Porto (FAUP), lecionando também na FBAUP e na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação  da U.Porto. É investigador integrado no i2ADS, colaborador no CITCEM –  Centro de Investigação Transdisciplinar Cultura, Espaço e Memória, e membro da R3IAP. Coordena a Comunidade de Inovação Pedagógica da U.Porto  PTRI – Porto: Territórios e Redes da Invisibilidade. É Vice-Presidente  do Conselho Pedagógico da FAUP. Publicou vários livros e artigos sobre  Arquitetura, Património e Urbanismo e tem obra pública em Arquitetura, Design e Projeto/Planeamento Urbano. É especialista na cidade do Porto e  no seu território, tendo sido investigador na Águas e Energia do Porto,  Museu do Porto, Direção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais,  Arquivo Distrital do Porto e Instituto Marques da Silva. 


Fonte: U.Porto Press

Ilustração científica: um curso que mostra como a arte ajuda a comunicar ciência

O Curso de Especialização em Ilustração  Científica - Ilustração em Ciências Naturais da Universidade do Porto tem inscrições abertas para nova edição entre 11 de junho e 14 de julho.

Um dos trabalhos apresentados durante o curso de 2022-2023 foi a ilustração digital de uma rã, vista de cima. Ilustração de João Oliveira

Estávamos no início dos anos 2000, quando a bióloga e docente da  Faculdade de Ciências da U.Porto, Maria João Santos, decidiu aprender a  ilustrar. Viajou do Porto a Aveiro para ter formação com os ilustradores  Fernando Correia e Nuno Farinha. Foi aí que nasceu uma paixão que viria  a dar origem ao Curso de Especialização em Ilustração Científica – Ilustração em Ciências Naturais da Universidade do Porto, cujas candidaturas estão abertas para uma nova edição em 2025-2026.


Começou por trazer ao Porto pequenos cursos de ilustração científica  realizados no Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e  Ambiental (CIIMAR), onde é investigadora. Em 2016, ao lado de Francisca Cavaleiro, alumna e colaboradora da FCUP, aceitou o convite da Biblioteca da  Faculdade de Ciências para, neste local, organizar uma exposição de  ilustração científica. Pensada para durar apenas alguns meses e acabou  por estar patente durante dois anos.


“E porque não criar um curso no Porto?”, pensaram. O curso de especialização, com duração de um ano e em colaboração com a Faculdade de Belas Artes da U.Porto, teve a sua primeira edição em 2018-2019.

Maria João Santos, bióloga e docente da FCUP,  foi uma das fundadoras do curso de ilustração científica na U.Porto.  Foto: SIC.FCUP

Atualmente, são duas das melhores alunas desta edição que passam esta paixão aos novos estudantes. Helena Baptista formou-se em Biologia na FCUP, mas sempre gostou de artes. Assim que soube do curso, percebeu que ali surgia a “oportunidade perfeita” para aliar arte e ciência.


Teve como professor Pedro Salgado, considerado o pai da ilustração científica atual em Portugal e no qual o  curso muito se inspira. Conta que esta formação lhe abriu as portas de  “um novo mundo”. “Além de adquirir competências técnicas fundamentais,  pude dedicar tempo a aperfeiçoar as minhas habilidades artísticas e a  explorar diferentes métodos de representação científica”, partilha a  alumna da FCUP.

Não é preciso escolher entre arte e ciência

A trabalhar como formadora e consultora em I&D e inovação, Helena  Baptista revela que nesta área consegue aplicar muitas competências  adquiridas na ilustração científica, sobretudo na “comunicação clara e  eficaz de conceitos técnicos”.


Ensinar neste curso depois de ter sido aluna tem sido “gratificante” e  tem agora como missão mostrar às gerações mais novas que, quem tem  paixão pela ciência e pela arte, não precisa de escolher: “as duas podem  coexistir de forma muito harmoniosa”. Helena completa com Isabel Leal, formada em Arquitetura Paisagista na FCUP, a atual equipa de formadores do curso.


Luísa Jorge é a prova de que esta formação faz nascer ilustradores profissionais. Mestre  em Ecologia e Ambiente pela FCUP, Luísa trabalha no Instituto de  Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) e soube do curso através de  uma pesquisa no Google. Candidatou-se e foi uma das formandas da edição  2023-2024. Desde então a ilustração passou a fazer parte do seu dia a  dia e já tem realizado várias exposições em nome próprio. No futuro,  quer “dedicar mais tempo à ilustração como trabalho profissional e  continuar a comunicar – através de palestras e na academia”..

Ciclo de vida do escaravelho-do-alecrim (Chrysolina americana). Aguarela e lápis de cor de Ana Sara Gomes (Foto: DR)

João Oliveira, aluno da edição de 2022-2023, está agora a frequentar o mestrado em Bioquímica na FCUP, e recorda a “experiência valiosa” do curso, sobretudo as saídas de campo.


“Ir a parques e vários outros locais ajuda a diversificar as nossas  competências porque há muito dinamismo ao ver se os animais a mexerem-se e constitui um desafio extra”, conta. As aulas do curso dividem-se entre a  FCUP e diversas saídas de campo a locais como o Jardim Botânico do  Porto, Sealife, Parque Biológico de Gaia, entre outros.


João sempre gostou de desenhar e construiu um portfólio de propósito  para se poder candidatar. De uma partida sem muita experiência, destaca a  aprendizagem de várias técnicas de ilustração científica, pois há  muitas formas diferentes de  se desenhar: desde o uso do lápis à tinta-da-china, até a uma técnica – o scratchboard – que  recorre a um x-ato ou agulha para fazer surgir o desenho. Esta última é  uma das suas preferidas e também uma das que Maria João Santos mais aprecia.

Candidaturas abertas para a próxima edição

No seu gabinete, a professora já reúne os trabalhos da última edição prontos para integrarem a exposição ILUSTRA UP III, que decorrerá na Galeria da Biodiversidade, e que será inaugurada a 19 de julho.  Fala do curso com um brilho nos olhos e fala das três edições do curso  com orgulho, pois delas resultaram “trabalhos de muita qualidade”. 


No final de cada edição, a professora da FCUP procura sempre expor os trabalhos, por norma na Casa Comum, da Reitoria da Universidade do Porto, na FCUP, no CMIA de Matosinhos, no CMIA de Vila do Conde e em escolas secundárias.


As inscrições para a próxima edição, que arranca em setembro de 2025, estarão abertas de 11 de junho até 14 de julho. Será a segunda fase de inscrições, havendo ainda uma terceira oportunidade para concorrer. 


O curso, criado com o apoio dos  docentes da Faculdade de Belas Artes, Mário Bismark e Paulo Almeida, e  de José Luís Santos  — à data vice-diretor da FCUP e diretor da Biblioteca —, é aberto a todas as áreas e níveis de formação de qualquer  faculdade. Entre os formadores estão jovens ilustradores, com diversas formações de base, desde a Biologia à Arquitetura Paisagista, passando  também pelas Belas Artes e o Design, e que têm formação na área da  ilustração científica. 


Tem atraído estudantes das Ciências  às Belas Artes, conta com mais de 30 alunos formados e dezenas de  trabalhos expostos. Maria João Santos quer continuar a partilhar a sua paixão pela divulgação e ilustração científica — e sonha com a transformação deste curso no primeiro mestrado em Ilustração científica  no país. 


Fonte: Notícias U.Porto

FMUP regressou à sua "primeira casa" com exposição histórica

A Casa da Medicina estará patente até 27 de setembro, no Salão Nobre do edifício neoclássico do Hospital de Santo António. 

A Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) regressou à sua primeira “casa”, dois séculos depois de ter sido  criada, com uma exposição que é também uma viagem pela sua história e  pela história da Medicina portuguesa.


“Esta exposição, patente no Hospital de Santo António, tem um significado muito especial porque é quase como se a Faculdade de  Medicina voltasse à sua casa-mãe, às suas origens, onde começou, em  1825. A Medicina teve outros endereços, mas o primeiro endereço não deve  ser descurado”, afirmou, na ocasião, o diretor da FMUP.


Para Altamiro da Costa Pereira, a realização desta exposição, intitulada A Casa da Medicina – Criação e Legado da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, tem um profundo valor “simbólico”, numa altura em que se perspetivam muitas mudanças.


“Sem passado não há presente e sem presente não há futuro. A evocação  da história faz-nos perceber de onde viemos e certamente pode  ajudar-nos a perceber para onde queremos ir. Neste momento em que tudo  se transforma, no mundo, em Portugal, na Universidade do Porto, é  fundamental sabermos quem somos e onde queremos chegar”, asseverou.


A cerimónia de inauguração da exposição, que  decorreu no dia 5 de junho, contou com a participação de diversas personalidades ilustres, civis e militares, que quiseram associar-se a  este momento de festa, desde os membros do Conselho Executivo a antigos  professores e responsáveis desta Faculdade, passando pelo diretor do ICBAS, Henrique Cyrne Carvalho, e pelos vice-reitores da Universidade do Porto, Pedro Rodrigues e José Castro Lopes.


Entre os presentes que usaram da palavra, além do diretor da FMUP, estavam o presidente do Conselho de Administração da ULS Santo António, Paulo Barbosa, o presidente da Santa Casa da Misericórdia do Porto, António Tavares, e o coordenador dos Museus da FMUP e curador da exposição, José Paulo Andrade.


Estiveram igualmente nesta inauguração figuras como o presidente da  Entidade Reguladora da Saúde, António Pimenta Marinho, o bastonário da  Ordem dos Dentistas, Miguel Pavão, o vice-reitor da Universidade de  Trás-os-Montes (UTAD), Eduardo Rosa, o presidente da Fundação Eng.º  António de Almeida, Augusto Aguiar Branco, e o diretor da Casa-Museu  Júlio Dinis.

A primeira “casa da Medicina”

Em 1825, quando a antecessora da FMUP foi criada por alvará régio de  D. João VI, a primeira “casa da Medicina” era o então Hospital da  Misericórdia do Porto. Para o atual provedor, a ligação entre as duas instituições é “uma ligação umbilical”, tendo a Misericórdia servido como uma espécie de “incubadora”.


Atualmente, “a primeira casa da Medicina” acolhe a ULS Santo António,  cujos responsáveis manifestaram também o seu regozijo por poderem  participar destas celebrações do bicentenário. “É uma enorme honra poder  receber a comemoração dos 200 anos da Faculdade de Medicina, que nasceu  aqui neste edifício”, declarou, a propósito, Paulo Barbosa, presidente do Conselho de Administração daquela Unidade.


Segundo o coordenador dos Museus da FMUP, esta exposição, neste  local, é também “uma homenagem” ao “ninho onde se formou a Faculdade de  Medicina do Porto” e onde se realizaram as primeiras aulas, em novembro  daquele mesmo ano.


José Paulo Andrade levou os primeiros visitantes da exposição, que somavam várias dezenas, por uma visita-guiada pelas peças  em exposição, chamando a atenção, por exemplo, para a serra de  amputação do século XVIII, para a lanceta para vacinação antivariólica e  para os recortes de jornais que noticiaram as comemorações do primeiro  centenário.


As peças aqui expostas pertencem ao Museu de Anatomia, Museu de História da Medicina Maximiliano Lemos, Arquivo e Biblioteca da FMUP, com a exceção de peças provenientes do Museu do Centro Hospitalar de Santo António e da Casa-Museu Abel Salazar.


A exposição estará patente ao público até ao dia 27 de setembro, no Salão Nobre do Edifício Neoclássico do Hospital de Santo António. A entrada é livre.


Fonte: Notícias U. Porto

Há novos podcasts no espaço virtual da Casa Comum

157. Escondi as palavras ocas, Olívia Clara Pena

“Escondi as palavras ocas”, de Olívia Clara Pena, in Amor e outros desencontros, 2024

104. “C’était un rendez-vous”, de Claude Lelouch (1976)

Comentário de Mário Santos (Curso Avançado de Documentário KINO-DOC)

105. “News from Home”, de Chantal Akerman (1977)

Comentário de Luís Cruz (Curso Avançado de Documentário KINO-DOC)


12. Joana Maia e Silva

No Alumni Mundus desta quinzena conhecemos Joana Maia e Silva, alumna da licenciatura e mestrado de Direito da Faculdade de Direito da  Universidade do Porto. Nunca chegou realmente a exercer a advocacia e  tem vindo a complementar a sua formação com especializações em gestão, coaching e programação neurolinguística. Atualmente é diretora de operações e  cofundadora da Talento-Formação, dedicando-se há quase 10 anos à área da  formação e qualificação de adultos.  Ao longo do seu percurso, tem  conciliado o conhecimento técnico com a paixão pelo desenvolvimento  humano, acreditando que a formação é um dos motores mais poderosos de  transformação pessoal e profissional.  A Talento-Formação é um projeto  que nasceu do sonho do seu pai, que considera também seu mentor, de  fazer diferente na área da formação e deixar um impacto positivo e  duradouro na vida das pessoas. Um sonho que diz ter abraçado desde o  início com propósito e profundo orgulho.

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Alunos Ilustres da U.Porto

Basílio Teles

Basílio Teles (1856-1923)

Basílio Teles nasceu no Porto, na freguesia de Massarelos, a 14 de Fevereiro de 1856.


Após a conclusão dos estudos preparatórios, ingressou na Academia Politécnica do Porto (antecedente da Universidade do Porto) e, em 1875, na Escola Médico-Cirúrgica do Porto (escola que precedeu a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto), instituição que abandonou devido a eventuais conflitos com os mestres Antunes Lemos e Vicente Urbino de Freitas, este último protagonista do tristemente célebre episódio da "Tragédia da Rua das Flores", o qual constou da tentativa de envenenamento dos sobrinhos da sua mulher, Maria das Dores, para herdar a fortuna do sogro, um rico comerciante de linhos.


No entanto, os seus problemas académicos tinham começado antes. Durante o terceiro ano de frequência da Escola Médico-Cirúrgica foi censurado pelo diretor por ter sido encontrado no corredor a soprar a lição, através da frincha da porta, a um aluno que estava a ser chamado a Anatomia, na aula do Dr. Lebre, que era surdo.


Após o abandono dos estudos universitários ministrou, no ensino liceal, as disciplinas de Literatura, Filosofia e Ciências Naturais e colaborou em jornais políticos e literários, nomeadamente no Intransigente.


De seguida, envolveu-se nas discussões políticas do tempo. Filiou-se no Partido Republicano, cooperou em jornais republicanos, do Porto e de Lisboa, integrou o Clube de Propaganda Democrática do Norte e o Directório do Partido Republicano (de 1897 a 1899 e de 1909 a 1911) e envolveu-se na Revolta de 31 de Janeiro de 1891. Esta intentona, que ocorreu na cidade do Porto, conduziu-o ao exílio e motivou a escrita do Ultimatum ao 31 de Janeiro, uma obra de cariz patriótico e exaltadora dos ideais republicanos.


Na sequência da concessão de uma amnistia, regressou ao país, deixando definitivamente a vida política ativa, sem, no entanto, renunciar aos ideais democráticos e perder o interesse pela atividade dos seus antigos correligionários.


Aquando da formação do Governo Republicano de 1910 recusou assumir a Pasta das Finanças. No entanto, enviou a Teófilo Braga uma revolucionária proposta governativa.


Em 1911 publicou Ditaduras, um opúsculo onde compilou os artigos publicados no diário portuense A Voz Pública e recebeu quatro votos na eleição do 1.º Reitor da Universidade do Porto, ganha pelo Matemático Francisco Gomes Teixeira.


Em 1912, depois da queda do governo de Augusto Vasconcelos, foi convidado pelo presidente da República a organizar um ministério, mas uma vez mais declinou o convite, alegando motivos de saúde, e aconselhando a entrega da chefia do ministério a Afonso Costa.


Durante a I Guerra Mundial editou diversos opúsculos sobre o conflito ou inspirados por ele (Na Flandres, O nó dos Balcãs, A França e a guerra de 70, A situação militar europeia, A Inglaterra pacifista, O Imperialismo germânico, entre outros).


A 15 de Maio de 1915 rejeitou mais um cargo político, desta vez a Pasta da Guerra.


Vivia para escrever e estudar. E, numa atitude de cidadania ativa, não deixou de apontar os defeitos que encontrava no instável regime republicano que sempre defendera.


Era um homem respeitado e admirado nos círculos intelectuais e políticos, apesar de ser um solitário. Em Matosinhos, onde habitava, convivia com Afonso Cordeiro, Pedro Sousa e, em especial, com Guerra Junqueiro. Foi sobretudo com eles que conviveu até morrer, no Porto, no dia 23 de março de 1923.


Basílio Teles foi uma reputada figura do seu tempo, o que se deveu à intervenção política, à atividade de publicista crítico da I.ª República (1910-1926) e, também, às reflexões económicas, sociais, políticas, históricas e filosóficas (centradas nos temas da teoria da ciência e da metafísica do mal).


Da sua obra escrita podem destacar-se: O Problema Agrícola (1899), Estudos Históricos e Económicos (1901), Introdução do Problema do Trabalho Nacional (1902), Figuras Portuenses - livro resgatado do esquecimento pela sua viúva Teles e publicado em 1961 - e Memórias Políticas (obra póstuma, publicada em 1969, com introdução de Costa Dias).


U.Porto - Antigos Estudantes Ilustres da Universidade do Porto: Basílio Teles


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