E.1027

​​EU University & Culture Summit / Day 1, Afternoon

E.1027 – Eileen Gray e a Casa Junto ao Mar foi lançado em outubro de 2024 e em novembro estava a ser exibido no Porto, no Cinema Batalha, no âmbito do festival de cinema Porto/Post/Doc. Fui para a porta do Batalha na esperança de alguém ter desistido do bilhete à última hora, mas não tive sorte. No dia seguinte, roí-me de inveja (boa) ao ouvir os meus amigos dizerem que tinham gostado muito do filme. Por isso, quando, há dias, fui convidada para comentar o filme, que passaria desta vez no Cinema Passos Manuel (novamente apresentado pelo Porto/Post/Doc), não podia ter ficado mais feliz.


E.1027 conta a história extraordinária de uma casa vanguardista que Eileen Gray desenhou e mandou construir na Côte d’Azur, em parceria com o seu então companheiro, Jean Badovici. Era uma casa concebida para ser “vivida” – um abrigo com alma, para o qual Gray desenhou mais de 100 objetos. Todo o design de interiores, de peças de mobiliário, de peças de iluminação, foi concebido a pensar na experiência do corpo humano. A moradia contrapunha-se, assim, ao formalismo do movimento moderno encabeçado por Le Corbusier (na época já um arquiteto de renome), para quem uma casa deveria ser, antes de mais, uma “máquina para viver”. Talvez por essa razão o arquiteto suíço-francês se tenha sentido tão fascinado pela habitação – ao ponto de, depois de a relação de Gray com Badovici ter terminado, ficando este último na posse da moradia, Le Corbusier ter pintado dez murais nas paredes que Gray fizera questão de deixar brancas e despidas.


Os murais de Le Corbusier têm vindo a ser interpretados como um gesto de apropriação simbólica que marcou profundamente a história da casa que, depois da morte de Badovici, seria vandalizada e ocupada por forças militares, e posteriormente abandonada. Mas Le Corbusier não se limitou a deixar a sua marca na casa: nunca desfez publicamente a confusão que lhe atribuía a autoria do projeto arquitectónico. O filme lança, pois, um olhar muito crítico sobre o arquiteto suíço-francês, que nos deixou, aliás, várias histórias em que terá apagado ou minimizado a contribuição de colaboradores – sobretudo do género feminino. O caso mais famoso foi, sem dúvida, o que envolveu Charlotte Perriand, cujo contributo para o desenho de LC4 (chaise longue) e LC2 (fauteuil Grand Confort) foi substancial, mas nunca mencionado pelo arquiteto, que cultivava a imagem do “génio solitário”.
 
Foi apenas na década de 1990 que historiadores de arquitetura feminista e do modernismo começaram a publicar estudos que restituíam a autoria a Gray e sublinhavam a importância de E-1027 como obra-prima da história da arquitetura. Em 1999, a casa foi classificada como Monumento Histórico em França, tendo os trabalhos de restauro ocorrido em fases a partir de 2007 até à abertura ao público, em 2015. Mas ainda hoje o projeto musealizado associa o nome de Gray ao de Le Corbusier, beneficiando da fama internacional de que este último goza.
 
A invisibilidade de Gray não é um acaso isolado, mas um sintoma de um sistema cultural que privilegiou nomes masculinos e relegou para segundo plano a autoria feminina, mesmo quando esta era decisiva para a construção do modernismo. E.1027 tem, pois, o mérito de trazer à discussão estas invisibilidades estruturais da nossa sociedade, que não se cingem, naturalmente, ao mundo da arquitectura. Quem não se lembra de Big Eyes, de Tim Burton (2014), baseado na história real de Margaret Keane, cujos quadros eram comercializados com o nome do marido? Ou ainda de Hidden Figures (2016), realizado por Theodore Melfi, sobre três matemáticas negras que deram um contributo substancial para o programa espacial da NASA, tendo os louros recaído em ombros masculinos e caucasianos? Ou, por fim, de Colette (2018, realizado por Wash Wetmoreland) que revela que os primeiros romances da escritora francesa Sidonie-Gabrielle Colette foram comercializados assinados pelo marido?


Gradualmente, muita da investigação que tem vindo a ser realizada nacional e internacionalmente – e que se encontra refletida em filmes, livros e artigos científicos – tem vindo a contribuir para a construção de uma nova história da arquitetura, da literatura, das artes visuais e da ciência. Ao contarmos estas “outras” histórias construímos uma memória mais justa. Essa é a verdadeira tarefa da História - e a nossa missão, em particular, na Academia: abrir espaço a todos os nomes que merecem ser lembrados.



Fátima Vieira
Vice-Reitora para a Cultura e Museus

U.Porto promove "O dia das rádios... Pirata"

Encontro inédito vai reunir os fundadores da  Rádio Caos, Rádio Delírio, Rádio Festival e Rádio Universitária do Porto  na tarde de 4 de outubro. Entrada livre.

Que papel tinham as rádios piratas? Que programas emitiam? Com que missão? Quem ouvia? No próximo dia 4 de outubro, às 16h00, o fenómeno das rádios livres no Porto nos anos 1980 vai estar em debate, pela voz dos seus principais protagonistas, na Casa Comum – à Reitoria – da Universidade do Porto.


Palco das mais diversas mutações, é para os anos 1980 do século XX que apontamos o microfone. Das fanzines mais improváveis às bandas com o “som mais fresco”, a exposição Uma viagem pelo asfalto. O rock no Porto nos anos oitenta já foi mapeando algumas das ramificações dessa grande transformação, mas há mais.


Paula Guerra, uma das curadoras da exposição,  recorda que o Porto “era uma cidade em que as novas tendências estéticas  e culturais chegavam muito lentamente. Segundo vários relatos, era uma  cidade em que se abafava culturalmente. A verdade é que esse deserto  cultural impulsionava, paradoxalmente, tentativas de dinamização e renovação cultural, geralmente underground ou alternativas”.


E se a frugalidade de sons, projetos e opções determinava a voracidade da fome, a descoberta de horizontes mais alternativos  implicava a urgência de os partilhar. Embora tivessem dado os primeiros  passos nos anos 1970 (a Rádio Juventude surge, em Lisboa, em 1977,  emitindo apenas algumas horas ao fim-de-semana), é na década seguinte  que proliferam as chamadas rádios piratas, ou rádios livres.


No Porto, é num edifício antigo da Praça da República que, nos  inícios da década de 1980, duas salas são transformadas em “estúdios”.  Da frequência 102 MHz, que começava a passar de boca em boca, ouviam-se  rubricas como “Leite, Literatura e Assassinos”, ou “O Crepitar da  Pipoca”, entremeadas com programas sobre música (do jazz ao pop e do  rock alternativo à clássica), sobre poesia, ecologia e até radionovelas, escritas e interpretadas por um dos fundadores da Rádio Caos: António Oliveira (também conhecido por A. Dasilva O.). Numa reportagem do semanário Expresso, em 1983,  a equipa assumia-se contra a “macrocefalia que vigora na rádio  portuguesa”, e a favor da “fantasia e do maravilhoso, quebrando os  dogmas conservadores que atrofiam a radiodifusão portuguesa”.


Paula Guerra acrescenta que “o objetivo primordial desta rádio  consistia na problematização da situação cultural no Porto”, cidade que  consideravam “cultural e esteticamente parada no tempo”. Por outras  palavras e “sem desconsiderar o prazer e as fortes sociabilidades que aí  se forjaram”, o propósito era “bem sério”. Tinha na sua génese “a preocupação em estimular a participação de várias associações locais, de  forma a estabelecer uma ligação entre a rádio e o contexto local onde se  encontrava inserida”.

Artigo da Revista Mais de 7/10/1983.

Apontando agora as antenas para o meio académico, a Rádio Universitária do Porto (RUP) nasce da iniciativa de estudantes de Engenharia Geográfica que se juntaram à Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. Foi do 5,º piso da faculdade (hoje edifício da Reitoria) que, em 1986, soou a primeira emissão, contando com a presença do então Reitor, Alberto Amaral.


A RUP mudou-se, mais tarde, para um edifício na Rua Miguel Bombarda. Em entrevista ao JPN, João Bonucci, um dos fundadores, acrescenta que desta mudança resultou também uma  parceria com a Escola Superior de Jornalismo, contribuindo “para dar os  primeiros passos na ótica do jornalismo radiofónico”.


Dois anos depois, em fevereiro de 1988, foi para o ar, em Lisboa, a Telefonia Sem Fios.  Com “pezinhos de lã”, como quem quer despistar a Polícia, Fernando Alves deu voz à poesia de Ruy Belo que, naquela manhã de domingo, ecoou nas paredes de casa de alguns lisboetas. Contrariamente aos exemplos anteriores, a TSF resistiu e é hoje uma das principais estações de rádio nacionais.

Um encontro inédito

Quatro décadas depois, o edifício onde a Rádio Universitária do Porto nasceu volta a ouvir a voz de João Bonucci que, desta vez, estará à conversa com António Oliveira (Rádio Caos), Alberto Guimarães (Rádio Delírio) e Alberto Rocha (Rádio Festival). Protagonistas  que se destacaram num universo radiofónico absolutamente vibrante com outras emissoras como a Rádio Placard, a Rádio Cultura, a Rádio Activa, a  Rádio Mistério, entre muitas outras que marcaram o Porto daquela época.


Integrado no programa paralelo à exposição Uma viagem pelo asfalto. O rock no Porto nos anos oitenta, e com entrada livre, o encontro do dia 4 de outubro, organizado por Rui Sousa e João Costa, assume-se como uma oportunidade única de revisitar o espírito irreverente e criativo que sintonizou uma geração de ouvintes e comunicadores.  Recuperar memórias e episódios dos dias em que bastava abrir o microfone  para se fazer rádio e, sem se saber, se estava também a fazer história.


A moderação ficará a cargo de Ricardo Alexandre, jornalista da TSF.


Uma viagem pelo asfalto. O rock no Porto nos anos oitenta inaugurou em abril e pode ser visitada de segunda a sexta-feira, entre  as 10h00 e as 13h00 e das 14h30 às 17h30. Aos sábados, as portas abrem  das 15h00 às 18h00. A exposição estará patente ao público até ao dia 8 de novembro de 2025. A entrada é livre. 


Fonte: Notícias U.Porto

Casa Comum acolhe concerto do pianista Nikolai Pestov

Concerto do pianista russo radicado no Porto  tem lugar a 3 de outubro e incluirá obras de Domenico Scarlatti e Sergei  Prokofiev. Entrada livre

Nikolai Pestov encara com "grande alegria" a sua estreia na Casa Comum da U.Porto. Foto: DR

É uma “uma ponte musical” entre o Barroco e o Modernismo aquela que Nikolai Pestov promete construir, permitindo-nos, numa só noite, viajar entre destas  duas linguagens “diametralmente” opostas. O concerto vai realizar-se no  próximo dia 3 de outubro, às 21h30, na Casa Comum – à Reitoria – da Universidade do Porto.


O pianista russo, atualmente radicado no Porto, confessa que é com  “grande alegria” que avança para o palco da Casa Comum, contribuindo  para “a vida cultural da cidade do Porto”.


Sobre o programa, Nikolai Pestov revela que irá interpretar obras de Domenico Scarlatti e Sergei Prokofiev.  “Os dois compositores viveram em épocas diferentes: um compôs durante o  período barroco e o outro no século XX. A linguagem da sua música é  diametralmente oposta, mas vamos tentar construir uma ponte musical de  uma época para outra”.


O programa será composto por sonatas selecionadas de Scarlatti e pela  Sonata N.º 6, em Lá Maior, de Prokofiev, com quatro movimentos: 1.  Allegro moderato, 2. Allegretto, 3. Tempo di valzer lentissimo, 4.  Vivace. Vamos, então, assistir ao contraste da fluidez melódica de  Scarlatti com as expressivas cambiantes da primeira (1940) das “sonatas  de guerra” de Prokofiev.


Para além da sua carreira internacional de concertista, com apresentações na Áustria, Federação Russa, Espanha, Bulgária, Chipre,  França, Alemanha e Montenegro, Nikolai Pestov tem desenvolvido atividade pedagógica, com particular foco na educação musical para crianças.


O concerto tem entrada livre, ainda que sujeita à lotação da sala. 


Fonte: Notícias U.Porto

Setembro e Outbro na U.Porto

Para conhecer o programa da Casa Comum e outras iniciativas, consulte a Agenda Casa Comum ou clique nas imagens abaixo.

Uma viagem pelo asfalto. O Rock no Porto nos anos 80 | EXPOSIÇÃO

Até 08 NOV'25 
Exposição | Casa Comum
Entrada livre. Mais informações aqui 

Uma Viagem pelo Asfalto. O Rock no Porto nos anos 80 | PROGRAMA PARALELO DE EVENTOS

Até 08 NOV'25
Programa | Vários locais
Entrada livre. Mais informações aqui 

"Intimismo" | Exposição de Juan Ricardo Nordlinger

Até 22 NOV'25
Exposição | Casa Comum
Entrada livre. Mais informações aqui

[CON]TEXTUALIDADES | Encontros de Poetas

01 OUT'25 | 18h00
Poesia | Casa Comum
Entrada livre. Mais informações aqui 

"Quinta da Lua Azul", de Joana Lima | Apresentação do livro

01 OUT'25 | 21h00
Apresentação de livro| Casa Comum
Entrada livre. Mais informações aqui

Nikolai Pestov, piano | Do barroco ao modernismo

03 OUT' 25 | 21h30
Música | Casa Comum
Entrada livre. Mais informações aqui 

As Rádios Livres no Porto, no FM de uma Cidade em Transformação

04 OUT '25 | 16h00
Conversa | Casa Comum
Entrada livre. Mais informações aqui 

CINANIMA na U.Porto

10, 17 e 24 OUT'25 | 21h30
Cinema | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui 

Club di Lettura Italiano 2025 | Clube de Leitura Italiano 2025

29 OUT e 11 DEZ'25 | 19h00
Literatura | Casa Comum e ASCIPDA
Entrada Livre. Mais informações e inscrição aqui 

Gemas, Cristais e Minerais

Exposição | Museu de História Natural e da Ciência U.Porto
Entrada Livre. Mais informações aqui 

Corredor Cultural

Condições especiais de acesso a museus, monumentos, teatros e salas de espetáculos, mediante a apresentação do Cartão U.Porto.
Mais informações aqui

Jardim Botânico da U.Porto exibe exposição Wiki Loves Earth 2024

Exposição internacional de fotografia  organizada pelo CIIMAR e pela Wikimedia Portugal estará patente ao  público até 30 de outubro. Entrada livre.

Veado no nevoeiro, Parque Nacional dos Abruzos, Itália. (Foto: Michele Illuzzi/DR)

Chama-se Wiki Loves Earth 2024 a exposição que o Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental da Universidade do Porto (CIIMAR-UP) e a Wikimedia Portugal vão inaugurar, no próximo dia 30 de setembro, no Jardim Botânico da Universidade do Porto.


São imagens impactantes que revelam não só a riqueza como a  vulnerabilidade dos ecossistemas naturais de diferentes partes do  planeta. A Wiki Loves Earth é uma competição fotográfica à  escala global que promove a partilha de imagens do património natural  através da plataforma Wikimedia Commons, onde ficam disponíveis em  acesso aberto.


Esta exposição, com algumas das melhores imagens submetidas à edição  2024 do concurso, “celebra a diversidade da vida selvagem e das  paisagens naturais do mundo, mas também a sua relação com o ser humano.  É, acima de tudo, um convite à reflexão sobre a urgência de proteger o  nosso património natural comum”, destacam os curadores da exposição, José Teixeira e Inês Matos.

A foto Cromeleques de Almendra, da autoria de José Nuno Rosado, venceu o 1.º prémio nacional na categoria “Paisagem”. (Foto: José Nuno Rosado/DR)

Este ano, concorreram 3.800 participantes, provenientes de 56 países,  o maior número de países envolvidos desde o início da iniciativa.


No total, o concurso contou com mais de 80 mil submissões. Destas,  apenas 583 fotografias  foram selecionadas para a fase internacional,  tendo sido distinguidas nas categorias: Paisagem, Oceano, Vida Selvagem e  Direitos Humanos e Ambiente.


A exposição Wiki Loves Earth 2024, em formato outdoors, poderá ser visitada gratuitamente até ao próximo dia 30 de outubro de 2025.


As portas do Jardim Botânico da U.Porto estão abertas todos os dias.  Durante os meses de novembro a março, das 9h00 às 18h00 e, de abril a outubro, o horário de abertura ao público é das 9h00 até às 19h00.  


Fonte: Notícias U.Porto

Há novos podcasts no espaço virtual da Casa Comum

172. Para o pirómano, Benito Pascual,

“Para o pirómano”, de Benito Pascual, in Da Água ao Fogo, 2020, p. 121.             “

4. Vítor Rua

Músico multifacetado e prolífico, Vítor Rua obriga a uma entrevista  em duas partes: na segunda, Paula Guerra trocará palavras com a persona rock de Vítor Rua; nesta primeira, Paulo Gusmão Guedes tenta abordar a  sua produção na área da música contemporânea, improvisada ou escrita,  incluindo expressões pós-rock ou pós-jazz, palavras convenientes para  (não) descrever uma música que tem o seu quê de indescritível. Por isso mesmo, citam-se e ligam-se abaixo (Spotify ou Youtube), na  mesma ordem em que são abordadas na entrevista, as obras que Vítor Rua  escolhe para representarem momentos-chave da sua carreira, assim como  outras de que é autor e que vai referindo ao longo de uma conversa que é  tudo menos linear, e também por isso mais interessante. Como de outras músicas também se fala – de Toy e Hildegarda de  Bingen, Stockhausen e Monk, Zappa e Zorn, Vangelis e Terterian –  aproveita-se ainda para incluir ligações a obras destes dois últimos que  suscitam rasgados elogios de Vítor Rua. Boas audições e felizes descobertas.


Mais podcasts AQUI


Figuras Eminentes da U.Porto 2025

Luís de Pina

Luís de Pina é Figura Eminente da U.Porto 2025

Luís José de Pina Guimarães nasceu em Lisboa a 24 de agosto de 1901.

Depois de concluídos os estudos preparatórios médicos na Universidade de Coimbra, licenciou-se, em 1927 e doutorou-se em 1930, tendo apresentado a dissertação Vimaranes já na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, onde, entretanto, passara a trabalhar.


Nesta Faculdade ocupou progressivamente os lugares de assistente de Anatomia (1927), de professor auxiliar de Medicina Legal, História da Medicina e Deontologia Criminal (1931) e de professor catedrático de História da Medicina e Deontologia Profissional (1944).

Jubilou-se em 1971.


Para além das funções docentes, Luís de Pina desempenhou diversos cargos em diferentes instituições. Foi Procurador-vogal do Centro de Estudos Demográficos do Instituto Nacional de Estatística, vogal da Junta das Missões Geográficas e de Investigações Coloniais, vogal da Comissão Nacional de História das Ciências, Vice-presidente do Conselho Regional da Ordem dos Médicos (1942-1944) e Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto no biénio 1953-1955. Durante décadas dirigiu o Instituto de Criminologia do Porto. Foi um dos grandes entusiastas da criação do Centro de Estudos Humanísticos do Porto, organização cultural a que presidiu e, em grande parte devido à ação dedicada aos estudos históricos, foi o primeiro Diretor da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, entre 1961-1966.


Organizador (com outras figuras da História e das Letras portuenses) das comemorações do 6.º Centenário da Morte do Infante D. Henrique, no Porto, apresentou numerosos trabalhos científicos em congressos nacionais e internacionais. Escreveu textos nas áreas da História da Medicina e da Deontologia Profissional, como o capítulo "Instituições de bemfazer e atividades culturais", na História da Cidade do Porto, dirigida por Damião Peres, e "A medicina portuense no século XV", publicada na Revista Studium Generale (Número Especial dedicado ao Infante D. Henrique, Volume VII, Porto, 1960) do Centro de Estudos Humanísticos. Foi autor de desenhos, caricaturas e esculturas.


Fundou e dirigiu o Museu de História da Medicina Maximiano Lemos da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, em 1933, que ajudou a transferir para o edifício do Hospital de S. João, que também acolhe a Faculdade de Medicina.

Integrou diversas sociedades científicas portuguesas e estrangeiras e recebeu altas distinções. Foi agraciado com a Medalha de Honra da Cidade do Porto, e nomeado Grande Oficial da Ordem de Cristo, da Ordem do Infante D. Henrique, da Ordem Equestre do Santo Sepulcro, Oficial de Mérito da República Italiana, e ainda Oficial da Ordem Científica de Carlos Finlay.


Na sua carreira política desempenhou os cargos de Vogal da Comissão Consultiva da União Nacional, de deputado pelo Porto (1938-1945), de vogal da Comissão Administrativa da Câmara Municipal do Porto (1935-1937), de Presidente da Câmara Municipal do Porto (de 8 de Março de 1945 a 8 de Novembro de 1949), e de Procurador à Câmara Corporativa (entre 1945 e 1957).


Luís de Pina morreu em 1972.


U.Porto - Antigos Estudantes Ilustres da Universidade do Porto: Luís José de Pina Guimarães



Copyright © *2020* *Casa Comum*, All rights reserved.
Os dados fornecidos serão utilizados apenas pela Unidade de Cultura da Universidade do Porto para o envio da newsletter da Casa Comum, bem como para divulgação futura de iniciativas culturais. Se pretender cancelar a recepção das nossas comunicações, poderá fazê-lo a qualquer momento para o e-mail cultura@reit.up.pt, ou clicar em Remover, após o que o seu contacto será prontamente eliminado da nossa base de dados.
Quaisquer questões sobre Proteção de Dados poderão ser endereçadas a dpo@reit.up.pt.