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PRECISAMOS DE BOA LITERATURA JUVENIL
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 Ao receber, em julho passado, o Prémio Anaya 2025 de Literatura Juvenil, a escritora espanhola Espido Freire afirmou que a ideia de uma literatura que simplifica em vez de exigir, e que procura ser divertida e acessível, lhe causa grande inquietação. Na opinião de Freire, por vezes o divertido é que as coisas não sejam tão simples e acessíveis. A leitura deve densificar o nosso pensamento – e essa é uma preocupação a ter em conta especialmente quando estamos a falar da formação de crianças e jovens adultos. O Marcador de Livros e a Cidade Adormecida, de Joana Lima, alumna da FLUP, é um bom exemplo de como a Literatura Juvenil pode contribuir para a formação do espírito crítico dos jovens leitores. É um conto sobre resistência, imaginação e sobre como os livros e as histórias podem reacender uma cidade inteira adormecida pelo “tempo escuro”. Um conto que faz pensar – e convida a explorar outros livros. Joana Lima escreveu o conto inspirada pela situação de destruição da Ucrânia. Por essa razão, contou-me a autora, a pergunta que está por trás do livro é: “como se pode reconstruir uma cidade destruída?”. E logo ofereceu a resposta: com livros, com arte, com memória e com esperança partilhada.
A história começa com um “tempo escuro” que tudo apagou – céu, relógios, sons, pessoas. Apenas uma luz ficou “acordada”: a de um candeeiro de biblioteca, que resiste no silêncio e mantém viva a possibilidade de um recomeço. Simbolicamente, é a faísca que inicia a narrativa de transformação. Mas também permanecem “acordados”, na cidade negra e adormecida, os “marcadores de livros”, e ainda Glória, uma boneca-médica. Juntos, numa operação de salvamento da cidade, colaboram na reescrita de Alice no País das Maravilhas, O Diário de Anne Frank e O Principezinho: Alice organiza o “chá da cidade”, mas sem “desaniversários”; Anne Frank recupera a liberdade e a voz; e o Principezinho espalha verdades invisíveis pelo céu, no seu avião. Harry Potter e a Pedra Filosofal asseguram “Alquimia e Magia para a Vida e para o Bem”, após o que O Hino à Alegria de Beethoven, com letra de Schiller, anuncia uma cidade acordada, com cor, som, poesia e memória.
São sem dúvida complexas, as questões que o conto de Joana Lima coloca. Confronta-nos com a guerra que destrói cidades (e não apenas Kiev; também Gaza, Alepo ou Mariupol podem ser reconhecidas como “cidades adormecidas”); convida-nos à reflexão sobre identidade e perda, e a compreender que a reconstrução não será nunca possível sem cultura, memória e comunidade; e mostra-nos, através da boneca-médica, como é imprescindível o elo entre a ciência e as artes: Glória é o símbolo da empatia, da criatividade e do cuidado resistente – qualidades capazes de levantar cidades.
A Literatura Juvenil forma imaginários e mostra que o mundo pode ser redesenhado. Em Os Marcadores de Livros e a Cidade Adormecida, o universo imaginativo é ampliado pelos excelentes desenhos de Miguel Schreck que expandem o sentido poético da narrativa, criam tensão entre luz e sombra e oferecem pistas visuais para a possibilidade de um recomeço. Com uma história atual, repleta de referências literárias e culturais clássicas, e contada numa linguagem rica, com uma musicalidade frásica que convida à leitura em voz alta, o conto de Joana Lima é um exemplo de boa Literatura Juvenil – daquela que fala com os jovens sem os infantilizar.
Fátima Vieira Vice-Reitora para a Cultura e Museus
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O melhor do festival CINANIMA passa na Casa ComumDurante o mês de outubro, há cinema de animação para ver na Casa Comum (à Reitoria) nos dias 10, 17 e 24. A entrada é livre A curta-metragem Crab in the Pool, vencedora do Prémio Especial do Júri do CINANIMA 2024, será exibida na noite de 10 de outubro. Foto: DR
A Universidade do Porto vai “antecipar” o CINANIMA – Festival Internacional de Cinema de Animação deste ano, mostrando uma seleção de filmes premiados, mas não só. Nos próximos dias 10, 17 e 24 de outubro, há cinema de animação para ver na Casa Comum – à Reitoria – da U.Porto. Todas as sessões começam às 21h30 e têm entrada livre. Aguçando o apetite para a 49.ª edição do Festival Internacional de Cinema de Animação, a primeira sessão, a 10 de outubro, vai abrir as portas, apagar as luzes e projetar uma seleção de premiados de 2024, em diferentes categorias, num total de sete curtas-metragens de animação.
Entre as obras em exibição destacam-se: A Crab in the Pool – curta canadiana duplamente vencedora, com o Prémio Melhor Argumento e o Prémio Especial do Júri, de Alexandra Myotte e Jean-Sébastien Hamel; Pelas Costuras, que arrecadou o Prémio Jovem Cineasta (Mais de 18 até 30 anos), com realização de Adriana Andrade, Luana Rodrigues e Daniela Tietzen; e a curta-metragem checa I died in Irpin, que conquistou o Prémio Melhor Documentário Animado, com realização de Anastasiia Falileieva.
Unrecognised Character Detected foi uma das curta-metragens premiadas em 2024. (Foto: DR) Da Polónia e de França para a U.Porto
O cartão da sessão de 17 de outubro inclui a exibição de uma seção de filmes com a assinatura da Polish National Film,
Television and Theatre School de Łódź, uma das escolas de cinema mais prestigiadas do mundo, distinguindo-se pelo seu ensino prático e imersivo. Fundada em 1948 e c-om estudantes distribuídos por oito áreas de estudo, incluindo realização, cinematografia e interpretação, a escola produz anualmente cerca de 300 curtas-metragens. Os seus filmes e ex-alunos têm recebido prémios como o Oscar™, a Palma de Ouro e o BAFTA.
Entre os antigos alunos contam-se nomes como Roman Polanski, Krzysztof Kieslowski e Andrzej Wajda. Muitos regressam como professores, fortalecendo a tradição de excelência entre mestres e aprendizes.
Já para a última sessão, está reservada uma seleção de filmes provenientes da École Émile-Cohl (França), uma escola fundada em 1984 em Lyon,e que forma artistas, aliando o desenho clássico aos meios de comunicação modernos, com especial enfoque na banda desenhada e na animação. A celebrar o seu 40.º aniversário, a École Émile-Cohl incentiva os alunos a desenvolverem um estilo artístico próprio, assente numa base sólida. Acompanha a evolução tecnológica, preparando jovens para a ilustração, animação e videojogos. No último ano, cada aluno realiza uma curta-metragem, em colaboração com estudantes de música. Os filmes refletem visões artísticas pessoais.
A École Émile Cohl oferece uma mostra da diversidade e criatividade a todos os parceiros académicos do CINANIMA, na véspera do 50.º aniversário deste Festival. Esta seleção de curtas será projetada dia 24 de outubro, também às 21h30.
A entrada nas sessões é livre, limitada à lotação da sala. A 49.º Edição do CINANIMA irá realizar-se de 7 a 16 de novembro, em Espinho. Para mais informações, consultar a página do evento.
Fonte: Notícias U.Porto
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U.Porto apresenta mostra de cinema estudantil portuguêsA primeira edição de "Elipse" vai decorrer no próximo dia 11 de outubro, na Casa Comum (à Reitoria). A entrada é livre. Driving Nowhere, de Marco Pereira Campos, vai passar na Casa Comum às 17h15. Foto: DR
Quantas histórias podemos conhecer durante um curto espaço de tempo e sem sair do mesmo lugar? Pela capacidade que o cinema tem de nos fazer viajar por décadas, séculos ou fragmentos de tempo, este é um convite para vir experimentar uma Elipse. Vai ser no próximo dia 11 de outubro, na Casa Comum (à Reitoria) da Universidade do Porto e tem entrada livre. Trata-se da primeira edição desta mostra de filmes, realizados por estudantes, e que cruzam tempo e espaço. Olham o tempo, “elemento comum a toda a obra cinematográfica”, como “algo que a raça humana há muito tenta controlar através da medição científica das horas, um cálculo que, apesar de tudo, não passa de uma mera sensação do corpo”.
São, por isso, filmes que não só refletem o "tempo do passado" através de uma revisitação ou criação de memórias”, mas que também nos levam a explorar diferentes sensações. Apesar de os filmes “terem a sua duração matemática, vão ter sempre o seu único e próprio tempo, que nos pode emergir ou custar-nos a ultrapassar, mas será sempre algo que nos atravessa e se adapta à nossa forma, criando a sua própria elipse no espaço que representamos”. Na tarde de sábado, dia 11 de outubro, há três sessões para acompanhar. Vamos elipsar?
A primeira sessão tem início às 15h15 e apresenta um conjunto de trabalhos dos quais se poderão destacar, por exemplo, Bacia das Almas, de Fernando Sá Machado. O filme leva-nos até à Rua de Santa Catarina, um dos arruamentos comerciais mais frequentados da cidade do Porto, onde multidões de turistas se passeiam espelhando o fenómeno da gentrificação que descontextualizou a cultura portuguesa, tornando a paisagem perturbadora.
A segunda sessão tem início às 17h15 e, entre os filmes que estão já no alinhamento, encontramos Driving Nowhere, de Marco Pereira Campos, que nos apresenta um jovem adulto num momento de encruzilhada entre a confusão e admiração de uma nova fase da sua vida. Um road movie que explora a sinergia da música e da dança, ressoando com emoções de alienação e desafio.
A terceira e última sessão, mesmo antes do jantar, arranca às 19h15 e irá apresentar três filmes: Corte, de Afonso Rapazote e Bernardo Rapazote faz-nos emergir no ambiente de uma corte real desequilibrada com um rei ausente, sem mulheres e o assassinato do príncipe herdeiro. Uma trama para desnovelar.
Corte, de Afonso Rapazote e Bernardo Rapazote vai abrir a terceira sessão de Eclipse. (Foto: DR)
Com Chuvas de Verão, Mário Veloso leva-nos para dentro de um sótão onde, interrompendo o silêncio pontuado pelas chuvas de fim de verão, vemos um grupo de adolescentes a perpetuar situações de agressão. Um contexto de tensão e violência que vem perturbar a memória matriarcal do espaço. Para finalizar a sessão, Um Caso de Fogo transporta-nos até ao interior de Portugal, para uma aldeia onde onde um crime de ódio foi cometido. Chico, o protagonista desta história de Paula Tomás Marques Chico, vive assombrado por este crime e pela pressão, exercida pelos amigos, para esconder os seus medos e desejos.
Para que a sala de cinema seja também espaço para a partilha, estas sessões contarão com a presença dos realizadores.
Elipse convida assim o público a deixar-se levar para além do seu espaço físico para um sítio de sensações, mas também os jovens realizadores a partilharem a arte que produzem.
Esta primeira edição, com curadoria de Sofia Afonso e Diana Gonçalves, traz-nos filmes realizados por estudantes de várias escolas de cinema, como a Escola das Artes da Universidade Católica, a Escola Superior Artística do Porto (ESAP), a Universidade da Beira Interior, a Universidade Nova de Lisboa, a Escola Superior de Media Artes e Design (ESAD), a Escola Superior de Cinema i Audiovisuals de Catalunya, entre outras... As sessões terão lugar dia 11 de
outubro na Casa Comum e têm entrada livre, ainda que limitada à lotação da sala. O programa completo está disponível na agenda do site da Casa Comum.
Fonte: Notícias U.Porto
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Cinema One Health celebra os 50 anos do ICBAS na Casa ComumO ciclo de cinema ICBAS One Health terá lugar nos dias 13, 20 e 27 de outubro. Sessões serão comentadas por docentes do Instituto. Entrada livre. As sessões decorrem sempre à segunda-feira, ao final da tarde na Casa Comum (à Reitoria). Foto: DR
São três sessões dedicadas aos temas da água, alimentação e poluição e doenças crónicas e, durante o mês de outubro, vão levar as comemorações dos 50 anos do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) da Universidade do Porto à Casa Comum – à Reitoria – da U.Porto, no âmbito do ciclo de cinema ICBAS One Health. Esta iniciativa resulta de uma parceria entre o Gabinete de Comunicação e Imagem (GCI) e o Gabinete One Health do ICBAS, a Casa Comum e o CineEco – Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela.
“Mais uma vez procuramos colocar a arte – neste caso a sétima arte – em diálogo com a ciência. Com este ciclo queremos sair para a cidade, chegar a outros públicos e colocar em cima da mesa o debate em torno da abordagem Uma Saúde”, explica o GCI do ICBAS.
A primeira sessão, agendada para dia 13 de outubro às 18h30, abordará a importância da água para a vida e contará com a exibição do documentário DES RIVES, do realizador David Sanchez (2023, Canadá), e comentários de Adriano A. Bordalo e Sá, docente do ICBAS, hidrobiólogo e coordenador do Gabinete One Health.
No dia 20 de outubro, Ana Rita Cabrita, docente do ICBAS, com agregação em Ciência Animal – Nutrição, comentará os filmes THE KEEP, de Federico Conti (2024, Itália) e ERVILHA, de Teresa Mendonça (2023, Portugal), que questionam a sustentabilidade da produção alimentar.
A encerrar este ciclo de cinema, dia 27 de outubro, o ICBAS vai desafiar a audiência a refletir sobre doenças crónicas e a sua relação com o meio ambiente, através da exibição dos filmes CANCER ALLEY, de Pamela Falkenberg e Jack Cochran (2023, EUA), e WASTE WHISPERS, de Achmad Rezi Fahlevie (2023, Indonésia), com comentário do médico e diretor do serviço de oncologia da ULS de Santo António, e também docente no ICBAS, António Araújo.
“É fundamental que a sociedade civil compreenda que as mudanças estão ao alcance de todos. Neste caso, e sob o chapéu do cinquentenário do ICBAS, encontrámos no cinema uma forma de nos expressarmos e de levarmos a debate temas centrais, com impacto na vida das pessoas. Claro que tudo isto foi possível com o apoio incondicional da Unidade de Cultura da Universidade do Porto (Casa Comum) e do festival CineEco”, conclui o GCI em comunicado.
O gabinete One Health do ICBAS tem trabalhado junto da comunidade académica e da sociedade civil, nomeadamente com escolas e vários municípios, para promover a abordagem através de eventos de divulgação de ciência. Exemplos disso são o One Health Day (que este ano vai para a 5.ª edição, agendada para 8 de novembro), a edição do livro One Health – Uma Saúde, Um contributo da Universidade, ou o ciclo conversas One Health.
Segundo o Gabinete One Health, “este ciclo de cinema é uma oportunidade para continuar o trabalho de promoção da abordagem. Os comentadores de cada sessão foram cuidadosamente selecionados por serem especialistas nos temas em debate, garantindo que o público terá acesso a reflexões fundamentadas e enriquecedoras. Para o Gabinete One Health do ICBAS, é um compromisso levar este conceito além das fronteiras académicas, tornando-o acessível para a toda a sociedade.”
As sessões decorrem sempre à segunda-feira, às 18h30, na Casa Comum. A entrada é livre.
Fonte: Notícias U.Porto
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Outubro na U.Porto
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Para conhecer o programa da Casa Comum e outras iniciativas, consulte a Agenda Casa Comum ou clique nas imagens abaixo.
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Uma viagem pelo asfalto. O Rock no Porto nos anos 80 | EXPOSIÇÃO
Entrada livre. Mais informações aqui
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Uma Viagem pelo Asfalto. O Rock no Porto nos anos 80 | PROGRAMA PARALELO DE EVENTOS
Entrada livre. Mais informações aqui
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"Intimismo" | Exposição de Juan Ricardo Nordlinger
Entrada livre. Mais informações aqui
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CINANIMA na U.Porto
10, 17 e 24 OUT'25 | 21h30 Entrada Livre. Mais informações aqui
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Elipse - Mostra de Cinema Estudantil Português
11 OUT '25 | 15h15, 17h15 e 19h15 Entrada livre. Mais informações aqui
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Ciclo de cinema ICBAS One Health
13, 20 e 27 OUT'25 | 18h30 Entrada Livre. Mais informações aqui
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Sonatas para Clarinete | Luís Pedro Sampaio, clarinete; João Sousa Mesquita, piano
Entrada livre. Mais informações aqui
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Club di Lettura Italiano 2025 | Clube de Leitura Italiano 2025
29 OUT e 11 DEZ'25 | 19h00 Literatura | Casa Comum e ASCIPDA Entrada Livre. Mais informações e inscrição aqui
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Gemas, Cristais e Minerais
Exposição | Museu de História Natural e da Ciência U.Porto Entrada Livre. Mais informações aqui
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Corredor Cultural
Condições especiais de acesso a museus, monumentos, teatros e salas de espetáculos, mediante a apresentação do Cartão U.Porto.
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Novo livro de Mário Mesquita apresenta o Porto como cidade pluralEste é “um ensaio sobre as singularidades de uma cidade plural”, afirma Anni Günther Nonell, arquiteta e Professora Aposentada da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto (FAUP) a propósito de Porto: a Cidade das Cidades, o novo livro de Mário Mesquita. A publicação da U.Porto Press, que contou com o apoio da Fundação Engenheiro António de Almeida, teve origem num estudo sobre o Porto, partindo da Carta do Porto de 1892, de Augusto Teles Ferreira – planta topográfica encomendada pela Câmara Municipal com a finalidade de servir como instrumento de planeamento urbanístico, considerada como o primeiro levantamento cartográfico científico a disponibilizar um retrato rigoroso da cidade no final do século XIX.
Segundo Mário Mesquita, este documento foi “absolutamente determinante” para o estudo que estruturou o ensaio, de modo a identificar “continuidades e ruturas” desde a sua “fixação em papel”, a pensar “a imagem do que se encontra mais para lá da cidade que se vê racional e emocionalmente”, a preservar “a memória do que apenas se vislumbra” e a combater “o esquecimento do que agora se afirma em múltiplas paisagens que o nosso olhar constrói, (…) cuja materialidade pode vir a desaparecer”.
O ensaio agora publicado é resultado de um “estudo do território portuense na contemporaneidade”, para o qual o autor recorreu a trabalho de campo, “num contexto de investigação de raiz qualitativa e de prática letiva”.
Ao invés de ter encontrado uma “cidade homogénea”, o docente da FAUP encontrou como que um Porto desdobrado em “várias ‘cidades’ que cabem numa só”, convergindo na formação da identidade e da imagem. Na sua opinião, é dali que resulta “uma riqueza de análise bastante interessante”.
Porto: a Cidade das Cidades, que agora integra a coleção Fora de Série da Editora da Universidade do Porto, será lançado publicamente a 21 de outubro, a partir das 18h00, na Reitoria da Universidade do Porto (U.Porto). A obra será apresentada por Paulo Almeida, docente da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (FBAUP) e Diretor do i2ADS – Instituto de Investigação em Arte, Design e Sociedade.
Porto, uma cidade plural“Do tempo longo da mágica Cidade da Água ao tempo expectante da que foi a Cidade do Trabalho, é o processo milenar de formação e transformação desta cidade que está em causa”, assinala Anni Günther Nonell a propósito desta publicação, que reflete sobre uma multiplicidade de cenários identificados por Mário Mesquita como sendo parte integrante da atualidade portuense. Na sua opinião, “A escolha dos territórios críticos de análise, consciente e deliberada, racional e emocional, tem como propósito o interesse do investigador e do aprendiz, do viajante nas suas curiosidades e do flâneur nas suas derivas.” E assim “sobressaem as dezanove ‘cidades’ que elencamos neste ensaio”, defende Mário Mesquita.
Há a Cidade dos Fluxos, “a cidade do quotidiano, mais apressado ou mais lento, que vivemos cada dia”, onde a mobilidade e o acesso marcam o passo do funcionamento diário. A Cidade das Aldeias, marca que o Porto conserva, apesar das mudanças nos últimos 150 anos, e que a distingue de “outras urbes que substituíram completamente o seu perfil por traçados que ignoraram tudo o que antes se edificara”. A Cidade da Deriva, quando nos deixamos ir, “distanciamo-nos sempre do centro, sem rumo e sem destino”, aprendendo “com passos incertos”; “compreendendo um pouco mais as suas dinâmicas”. A Cidade Escondida, “Como uma boneca russa que fôssemos descobrindo na justa medida da nossa curiosidade. (…) Lugares que são uma extensão do espaço público”. A Cidade Flâneur, que remete para uma forma peculiar de nos relacionarmos com a cidade, para o “anonimato persistente de quem apenas quer andar livremente observando e percebendo o espaço, em busca de sensações” (…) dela “pintando quadros inacabados”. A Cidade Judaica, de ruas estreitas, “vielas tortuosas e becos”. A Cidade dos Pescadores, resistente “em dois ou três núcleos nas duas margens da foz do rio”, embora já não em exercício de funções. A Cidade da Pobreza, daqueles que fazem da rua a sua casa. A Cidade da Resistência, com um extenso roteiro, abrangendo “várias épocas históricas determinantes para a cidade e para o País”. Mas também A Cidade da Indústria, A Cidade da Luz, A Cidade Subterrânea, A Cidade Romântica…
PORTO: A CIDADE DAS CIDADES foi recentemente publicado pela U.Porto Press, com o apoio da Fundação Engenheiro António de Almeida. (Foto: U.Porto Press)
Cidades que, aos olhos deste arquiteto e urbanista, são bastantes diversas do ponto de vista material e imaterial, que “ora se sobrepõem de forma aleatória, ou se assumem como adjacentes e, de certa forma, complementares, curtos capítulos de um mais vasto conceito que é a singular imagem que faz do Porto a cidade que é”. Porto: a Cidade das Cidades está disponível na loja online da U.Porto Press, com um desconto de 10%.
Sobre o autorMário Mesquita é arquiteto, urbanista, artista. É Professor na FAUP, lecionando também na FBAUP e na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da U.Porto. É investigador integrado no i2ADS, colaborador no CITCEM – Centro de Investigação Transdisciplinar Cultura, Espaço e Memória, e membro da R3IAP – Rede de Informação, Investigação e Intervenção em Arte Pública. Coordena a Comunidade de Inovação Pedagógica da U.Porto PTRI – Porto: Territórios e Redes da Invisibilidade. É Vice-Presidente do Conselho Pedagógico da FAUP. Publicou vários livros e artigos sobre Arquitetura, Património e Urbanismo, tem obra pública em Arquitetura, Design e Projeto/Planeamento Urbano e expõe regularmente a sua atividade artística. É especialista na cidade do Porto e no seu território, tendo sido investigador na Águas e Energia do Porto e colaborador do Museu do Porto.
Fonte: U.Porto Press
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Há novos podcasts no espaço virtual da Casa Comum |
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173. Raízes I, Esther Ferreira
“Raízes I”, de Esther Ferreira Leonís, in nus na moreira, 2025
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1. Literacia: saúde, arte e ciência – que equação?
2. Determinantes sociais de saúde: o impacto das desigualdades
3. Dor: da incapacidade física à relação com o outro através da música
4. Cancro: o diagnóstico, o tratamento e as palavras que também curam
5. Oceanos: do imaginário artístico ao equilíbrio dos ecossistemas
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Alumnus da Universidade do Porto, Sérgio Guedes Silva é um profissional dedicado ao apoio humanitário em contextos de crise e emergência. Licenciado e mestre em Engenharia Mecânica pela Faculdade de Engenharia (FEUP), iniciou o seu percurso em missões humanitárias aos 19 anos como membro fundador do G.A.S. Porto, organização que considera determinante na forma como passou a olhar o mundo. Atualmente, integra o World Food Programme (WFP) das Nações Unidas — a maior organização humanitária mundial de combate à fome —, onde trabalha há mais de uma década a partir de Roma. Com mais de 30 missões em países como Moçambique, Síria, Sudão do Sul ou Etiópia, participou diretamente em ações que valeram ao WFP o Prémio Nobel da Paz em 2020 e o Prémio Franz Edelman em 2021, a distinção internacional mais relevante na área da análise avançada e otimização de operações. Com um percurso marcado pelo serviço, dedicação e impacto global, Sérgio mantém um profundo vínculo à Universidade do Porto, tendo sido membro do Conselho Geral da U.Porto, e à cidade onde tudo começou.
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Figuras Eminentes da U.Porto 2025
Daniel SerrãoDaniel Serrão é Figura Eminente da U.Porto 2025 Daniel dos Santos Pinto Serrão nasceu a 1 de março de 1928, em S. Dinis, Vila Real, filho do engenheiro, funcionário público, Manuel Morais Serrão, e de Arminda dos Santos Pinto Trindade, doméstica. Completou o Curso Geral dos Liceus com dezoito valores e, em 1951, o Curso de Medicina, com a classificação final de 17 valores. Doutorou-se em 1959 pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, com 19 valores. Jubilou-se a 1 de março de 1998.
Daniel Serrão casou em 1958 com Maria do Rosário de Castro Quaresma Valladares Souto, teve seis filhos, um dos quais falecido em 1994.
Iniciou a sua carreira nas enfermarias da antiga Patologia do Hospital de Santo António. Entre 1967-68 teve uma breve passagem por Angola, mas foi realmente ao ensino, na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, que dedicou a maior parte do seu tempo entre os anos de 1952 e 2005.
Foi demitido das funções de professor universitário e de Diretor de Serviço Hospitalar em 23 de junho de 1975, acusado de colaboração com a PIDE/DGS, mas foi reintegrado um ano depois nas funções que exercia. Entretanto, abriu um laboratório privado de patologia, que se transformou num sucesso e apenas vendeu em 2003.
Orientou a sua atividade para o campo da ética médica e da bioética em geral. Fez parte de diversas organizações, como o Comité Internacional de Bioética da UNESCO, o Comité Diretor de Bioética do Conselho da Europa, o Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida e a Academia Pontifícia para a Vida.
Destacou-se, também, como autor de centenas de publicações, especialista internacionalmente reconhecido em patologia hepática, regeneração do fígado, biopsia renal, oncologia.
Daniel Serrão desenvolveu diversas investigações, sendo a mais importante a que realizou sobre a patologia do fígado e que começou com a sua tese de doutoramento.
Aposentou-se aos 70 anos por limite de idade, mas, continuou a lecionar cursos de Mestrado do Instituto de Bioética e da Faculdade de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa.
Otimista, dotado de uma imensa capacidade de trabalho e vontade de ajudar, católico por convicção, considerava a família o marco fundamental de toda a sua atividade e era defensor da vida, quer opondo-se ao aborto e à eutanásia, quer defendendo o embrião e a criopreservação das células do cordão umbilical.
Daniel Serrão morreu no Porto, na madrugada de 8 de janeiro de 2017.
U.Porto - Antigos Estudantes Ilustres da Universidade do Porto: Daniel Serrão
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