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A CIÊNCIA E O BELO
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 Quando entrei no gabinete de Orfeu Bertolami, fui interpelada pelo grande quadro onde, a giz, estavam escritas equações misteriosas. Achei-as belas — não porque as tivesse compreendido, mas porque eram o testemunho da capacidade humana para descrever o mundo através de conceitos abstratos. Percebi, então, que a beleza da ciência está nesse simples facto: o de podermos pensar o universo. Há uma espécie de deslumbramento sereno, nascido do encontro entre o conhecimento e o mistério, que tenho testemunhado nos meus Colegas da Faculdade de Ciências. É o que vejo nos olhos de António Machiavelo quando fala desse número irracional e transcendente que é o π. No livro de poemas que publicou na U.Porto Press – onde usa essa constante como medida estruturante dos seus versos –, apresenta-a como um símbolo da harmonia secreta do mundo, uma presença que atravessa a matemática e a natureza. Mas encontro também esse maravilhamento em Luís Belchior, que deslumbra plateias com as suas apresentações de Química – tendo sempre, contudo, o cuidado de lembrar, com humor e clareza: “não é magia, é ciência”. E ainda em Manuel João Monte, que leva essa mesma Química para o palco, fazendo do laboratório um espaço de criação e de imaginação, onde a ciência explica o mundo. E também em Cristina Freire, que fala da Química com gestos largos, como quem descreve uma grande aventura, mas que nos recorda sempre o essencial: o papel da investigação no avanço do conhecimento. Nas conversas que tive com Deolinda Flores, descobri que cada rocha contém, simultaneamente, a memória do tempo e uma promessa de futuro. E é toda uma experiência sensorial e cognitiva percorrer o Jardim Botânico com Paulo Farinha Marques: cada planta é, para ele, uma narrativa de sobrevivência e beleza. Fala do Jardim com uma emoção antiga, com o mesmo espanto que faz nascer a ciência: o desejo de compreender aquilo que se ama.
Cresci com um irmão mais novo que sempre soube que queria ser biólogo. Levava-nos para o jardim e obrigava-nos a olhar para tudo — joaninhas, flores, formigas. No caminho para a escola, fazia autênticas preleções sobre o que tinha aprendido nas aulas. Na altura achava graça; hoje percebo que foi com ele que aprendi o essencial: que a ciência começa num gesto de curiosidade e se torna bela quando é partilhada.
O que há de mais comovente e belo na ciência é a sua dupla lealdade à razão e à emoção. Em cada descoberta científica, a clareza toca o assombro. É o instante em que a linguagem abstrata – a equação, a fórmula, a teoria – se torna uma espécie de poema explicativo do mundo. E os poemas – como a ciência – são mais belos quando são lidos em voz alta.
Fátima Vieira Vice-Reitora para a Cultura e Museus
P.S. Parabéns à Faculdade de Ciências, que celebrou no passado dia 8 o seu 114.º aniversário e dedicou todo o ano de 2025 a uma reflexão luminosa sobre a Ciência e o Belo.
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Casa Comum dedica exposição às palmeiras da "Praça dos Leões"A Terceira Palmeira, da autoria de Paulo Luís Almeida, ficará patente ao público de 14 de outubro até 22 de novembro. A entrada é livre. Foto: DR
São vídeos, desenhos e outros documentos de intervenções de Paulo Luís Almeida. Explorando o papel das árvores na criação de um sentimento de pertença à cidade, A Terceira Palmeira é o título da nova exposição da Casa Comum, – à Reitoria – da Universidade do Porto. A inauguração será às 18h00 do dia 14 de outubro. Quem acede à entrada principal do Edifício Histórico da U.Porto terá certamente reparado nas palmeiras que dominam a Praça Gomes Teixeira, mais conhecida por “Praça dos Leões”. Basta um pequeno exercício de memória para lembrar que uma delas, não tendo recuperado da praga do escaravelho vermelho, foi recentemente substituída. A outra, mais antiga, fora plantada em 2003, sucedendo às anteriores que, por sua vez, haviam sido transplantadas para outro jardim da cidade, longe dos eventuais riscos provocados pela construção do estacionamento subterrâneo da Praça.
Unidas pela condição de cenário, desde o século XIX pela condição de cenário, é desde o século XIX que as palmeiras foram, assim, dando lugar a novos espécimes, mantendo uma falsa ilusão de continuidade das plantas originais, confundindo-se, até, com elas. O título desta exposição surge, precisamente, da história da vida e morte das palmeiras que vigiam a Praça. Uma história cíclica e de renovação. O trabalho de Paulo Luís Almeida, professor e investigador na Faculdade de Belas Artes da U.Porto (FBAUP), caracteriza-se por “uma investigação artística em torno da relação entre espaço urbano, memória coletiva e natureza”. A exposição reflete sobre “o papel das palmeiras na cidade do Porto, entendendo-as como marcos de identidade e vínculo com a comunidade”, explica Sílvia Simões, curadora da exposição.
A Terceira Palmeira reúne desenhos, vídeos e outros documentos de intervenções de Paulo Luís Almeida. (Foto: DR) Ciclicamente substituídas, as palmeiras da “Praça dos Leões” são “testemunhos vivos das transformações da cidade” e é nestes percursos que Paulo Luís Almeida foca o olhar, atribuindo às árvores o papel de “protagonistas de uma narrativa que cruza urbanismo, história e imaginário coletivo”. Segundo Sílvia Simões, A Terceira Palmeira vem, precisamente, estabelecer “uma ligação entre passado e presente, entre árvores desaparecidas e aquelas que resistem, entre cidade planeada e cidade vivida”. Uma interrupção no ciclo vertiginoso do tempo para nos fazer “compreender a presença da natureza no espaço público” e questionar “o modo como esta participa na construção simbólica da cidade”, acrescenta a também docente da FBAUP.
Os arquitetos paisagistas Paulo Farinha Marques, Joana Tinoco e João Junqueira também vão ajudar a fazer o mapeamento destas espécies que se encontram espalhadas pela cidade. Por enquanto, ficam apenas algumas pistas: no Jardim do Passeio Alegre, no Jardim da Praça da República e na Praça “dos Leões” temos as “inconfundíveis palmeiras-das-Canárias (Phoenix canariensis), elemento identitário na paisagem da cidade, hoje muito afetado pela praga do escaravelho vermelho que tem contribuído para o seu rápido desaparecimento (ainda se afirmam )”; a “tocar o céu” dos jardins do Palácio de Cristal, assim como da Praça do Infante D. Henrique, estão as “escultóricas e altíssimas palmeiras-de-leque-do-México (Washingtonia filifera var. robusta)” e quem se passear pelo Jardim Botânico da Universidade do Porto, pela Praça Carlos Alberto e pelo Parque de São Roque pode ainda apreciar “as nativas palmeiras-anãs do Algarve (Chamaerops humilis)”.
A Terceira Palmeira insere-se, assim, numa cadeia de gestos e acontecimentos. Ao “porquê as palmeiras?”, a exposição acrescenta o “como?”: um exercício de reflexão sobre estratégias de representação, interpelação e conhecimento das árvores urbanas através de uma prática artística.
Após a inauguração, a 14 de outubro, a exposição ficará patente ao público até 22 de novembro de 2025. A entrada é livre.
Sobre Paulo Luís AlmeidaNascido em Moçambique, Paulo Luís Almeida é docente na FBAUP e investigador no i2ADS – Instituto de Investigação em Arte, Design e Sociedade, sediado na mesa faculdade. Colabora no projeto DRAWinU com um estudo sobre o uso do desenho nos cruzamentos entre arte e desporto para compreender e potenciar o movimento do corpo, individual e coletivo, no confronto com as regras do jogo. Tem vindo a explorar “pequenas ações anónimas baseadas nos desvios de gestos quotidianos”. Ações que permaneciam no interior da casa e era “raramente documentadas”. Percebeu depois que o desenho poderia ser “uma forma íntima e radical de as pensar, realizar e documentar”.
A relação entre as práticas do desenho, os contextos e as metodologias performativas estruturam o seu trabalho artístico e investigativo, um ensaio contínuo em torno de micronarrativas do quotidiano. O trabalho, que se desdobra em desenho, pintura e performance, resulta de noções muito simples: a noção narrativa de prova; a transferência de gestos e ações entre contextos; o desenho como um gesto social.
Fonte: Notícias U.Porto
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Casa Comum apresenta concerto de sonatas para clarineteLuís Pedro Sampaio, no clarinete, e João Sousa Mesquita, no piano, sobem ao palco da Casa Comum na noite de 18 de outubro. Entrada livre. João Sousa Mesquita e Luís Pedro Sampaio vão interpretar obras dos compositores Johannes Brahms, Francis Poulenc e Telmo Marques. Foto: DR
No próximo dia 18 de outubro, pelas 21h30, o clarinetista Luís Pedro Sampaio e o pianista João Sousa Mesquita vão subir ao palco da Casa Comum – à Reitora – da Universidade do Porto - para interpretar um concerto de sonatas para clarinete. Trata-se de uma das formas mais distintas de música de câmara, permitindo ao solista explorar todo o potencial técnico e tímbrico do instrumento, num equilíbrio com o piano. Instrumento que se afirma, particularmente, a partir do século XVIII com compositores do período clássico como Stamitz e Mozart, o clarinete continuou a ser valorizado por compositores do romantismo, nomeadamente em música de câmara.
As Sonatas Op. 120, n.º 1 e 2, de Johannes Brahms, constituem uma obra-chave na história do instrumento, que Luís Sampaio e João Mesquita fazem questão de destacar, executando os três movimentos da segunda destas sonatas.
Do programa do concerto fará também parte a última obra que o compositor e pianista francês Francis Poulenc completou antes de morrer, a Sonata para Clarinete e Piano, FP 184 (1962), escrita para o clarinetista de jazz Benny Goodman e dedicada à memória do compositor suíço Arthur Honegger. Com uma mistura de tradição, inovação e uma pitada de irreverência, desta obra poderá dizer-se que representa o espírito do século, oferecendo ainda alguns momentos de beleza lírica.
Luís Sampaio e João Mesquita dedicam também a sua atenção a um compositor português. Telmo Marques, na sua Sonata in Acrylic para Clarinete e Piano (2012), opta por contrastes vivos, equilibrando lirismo com energia rítmica. A escolha do título, “em acrílico”, evoca a ideia de cor e textura — como se cada andamento fosse um quadro sonoro pintado com intenções expressivas distintas.
A entrada é livre.
Sobre Luís Pedro SampaioIniciou os seus estudos no Conservatório de Música de Felgueiras, de onde é natural, e frequentou a Academia de Música José Atalaya, em Fafe, a Escola Superior de Artes Aplicadas do Instituto Politécnico de Castelo Branco, e obteve o grau de mestre em Ensino de Música pela Escola Superior de Artes Aplicadas (ESART), em Castelo Branco. Premiado com distinção em diversos concursos nacionais e internacionais, participou no Festival Penderecki Musik: Akademiewestfalen na Alemanha e foi admitido como clarinete suplente para o Estágio Gulbenkian Orquestra e na Neue Philarmonie München. Ficou como residente na The World Orchestra, Orquestra da Costa Atlântica, Orquestra Académica Filarmónica Portuguesa e clarinete suplente para o Estágio Gulbenkian para Orquestra.
Atualmente, Luís Pedro Sampaio colabora com orquestras de renome nacional, é solista B na Orquestra da Costa Atlântica e é professor de Clarinete e Música de Câmara no Conservatório de Música de Barcelos
Sobre João Sousa MesquitaIniciou os seus estudos musicais na Associação Pró-Música da Póvoa de Varzim, de onde é natural. Obteve a licenciatura em Piano na ESMAE (Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo, Porto) e o mestrado em Ensino da Música na Universidade de Aveiro. Em 2015, iniciou a sua atividade como professor de piano e pianista acompanhador no Conservatório de Música da Jobra, tendo continuado a trabalhar como pianista acompanhador no Conservatório de Música de Barcelos (2018-2024). Foi o pianista colaborador das classes de viola dos professores Miguel da Silva e Lars Anders Tomter no âmbito da 8.ª edição do Festival/Academia Verão Clássico (Lisboa, 2022). Atualmente, trabalha como pianista acompanhador na Artave (Escola Profissional Artística do Vale do Ave, Famalicão) e na ESART (Escola Superior de Artes Aplicadas, Castelo Branco).
Fonte: Notícias U.Porto
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Outubro na U.Porto
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Para conhecer o programa da Casa Comum e outras iniciativas, consulte a Agenda Casa Comum ou clique nas imagens abaixo.
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Uma viagem pelo asfalto. O Rock no Porto nos anos 80 | EXPOSIÇÃO
Entrada livre. Mais informações aqui
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Uma Viagem pelo Asfalto. O Rock no Porto nos anos 80 | PROGRAMA PARALELO DE EVENTOS
Entrada livre. Mais informações aqui
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"Intimismo" | Exposição de Juan Ricardo Nordlinger
Entrada livre. Mais informações aqui
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A TERCEIRA PALMEIRA, Desenhos e outras interrupções
Entrada Livre. Mais informações aqui
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CINANIMA na U.Porto
Entrada Livre. Mais informações aqui
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Ciclo de cinema ICBAS One Health
13, 20 e 27 OUT'25 | 18h30 Entrada Livre. Mais informações aqui
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Performances Family Film Project
Performance | Vários Espaços da Reitoria da U.Porto Entrada Livre. Mais informações aqui
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3 Lugares, 3 filmes, 3 conversas | VI ciclo de documentário etnográfico
Cinema, conversa | Casa Comum Entrada Livre. Mais informações aqui
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Sonatas para Clarinete | Luís Pedro Sampaio, clarinete; João Sousa Mesquita, piano
Entrada livre. Mais informações aqui
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A muitas vozes | Ciclo de oficinas e concertos organizado pelo NEFUP
Literatura | Casa Comum e ASCIPDA Entrada Livre. Mais informações aqui
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Espectros | João Casimiro de Almeida, piano; Camila Mandillo, soprano
Entrada livre. Mais informações aqui
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Club di Lettura Italiano 2025 | Clube de Leitura Italiano 2025
29 OUT e 11 DEZ'25 | 19h00 Literatura | Casa Comum e ASCIPDA Entrada Livre. Mais informações e inscrição aqui
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Gemas, Cristais e Minerais
Exposição | Museu de História Natural e da Ciência U.Porto Entrada Livre. Mais informações aqui
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Corredor Cultural
Condições especiais de acesso a museus, monumentos, teatros e salas de espetáculos, mediante a apresentação do Cartão U.Porto.
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Antigos estudantes da U.Porto celebram "a Música que nos Une"Encontro marcado para a tarde/noite de 31 de outubro, no Círculo Universitário do Porto, contará com vários momentos musicais e de convívio. Inscrições abertas. O Coral de Letras da U.Porto é um dos três que vão atuar no evento. Foto: U.Porto
É um convite a todos os antigos estudantes das Universidade do Porto interessados em “partilhar e reviver momentos marcantes e (re)encontrar colegas e amigos”, tendo a música como pano de fundo. E, para aceitá-lo, basta marcar presença no próximo dia 31 de outubro, das 18h00 às 20h30, no Círculo Universitário do Porto (Campo Alegre), para celebrar A Música que nos Une. Este encontro especial dos alumni da U.Porto apresenta-se como “uma celebração da nossa comunidade através da arte e do convívio”. A liderá-la estarão três Coros Alumni da U.Porto: o Coro dos Antigos Orfeonistas da U.Porto, o Coral de Letras da U.Porto e o Coro Alumni ICBAS da U.Porto.
Para além das atuações musicais, que serão intercaladas com vários momentos de networking, o evento incluirá também a cerimónia de entrega de prémios da 2.ª edição do concurso de fotografia “Alumni U.Porto pelo Mundo”.
A participação é gratuita e aberta a todos os antigos estudantes da U.Porto, mediante inscrição obrigatória.
Para mais informações, consultar o portal Alumni U.Porto ou enviar um e-mail alumni@reit.up.pt.
Fonte: Notícias U.Porto
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Há novos podcasts no espaço virtual da Casa Comum |
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174. Raízes II, Esther Ferreira Leonís
“Raízes II”, de Esther Ferreira Leonís, in nus na moreira, 2025, p. 13.
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Ua cuonta que ansina l balor de l trabalho an eiquipa, amostrando que até ls mais pequeinhos — cumo l ratico — son amportantes quando todos s’ajúntan para fazer algo.
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Figuras Eminentes da U.Porto 2025
Maria de SousaMaria de Sousa é Figura Eminente da U.Porto 2025 Maria Ângela Brito de Sousa nasceu em Lisboa em 1939. Em 1963 concluiu a licenciatura em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.
No início da carreira académica foi Leitora na Universidade de Glasgow (Escócia), onde fez o doutoramento em Imunologia. Já nos E.U.A. foi Professora Associada na Escola de Estudos Pós-Graduados de Cornell Medical College e, em simultâneo, Membro Associado e Diretora do Laboratório de Ecologia Celular no Memorial Sloan Kettering Cancer Center do Sloan Kettering Institute (SKI), em Nova Iorque.
Nesse período foi autora de artigos científicos de alcance internacional, tidos como fundamentais para a definição da estrutura funcional dos órgãos que constituem o sistema imunológico, entre os quais se destaca o consagrado à descoberta da área timo-dependente (1966), hoje conhecida universalmente por área T.
Seguidamente estudou o sistema imunológico em pacientes com uma doença genética de sobrecarga de ferro, a hemocromatose hereditária. Esta investigação conduziu-a ao Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, em 1985, para fundar o Mestrado em Imunologia.
Enquanto docente e investigadora da Universidade do Porto liderou (1996) a junção de três mestrados, resultante na criação do Programa Graduado em Biologia Básica e Aplicada (GABBA), o primeiro programa doutoral em Portugal; e constituiu uma inovadora equipa de investigação no campo da hemocromatose, dividida pelo ICBAS, o Hospital Geral de Santo António e o Instituto de Biologia Celular e Molecular (IBMC), uma das entidades que deu origem ao atual Instituto de Investigação e Inovação em Saúde, i3S, onde é investigadora honorária.
No Salão Nobre do edifício histórico da Reitoria da Universidade do Porto, a Professora Catedrática de Imunologia (1985-2009) proferiu a sua Última Aula, na sua jubilação em 2009, e, em 2010, foi-lhe atribuído o título de Professora Emérita da Universidade do Porto.
Maria de Sousa foi distinguida com o Bial Merit Award in Medical Sciences (1994), o Prémio Estímulo à Excelência, atribuído pelo Ministério da Ciência Tecnologia e Ensino Superior (2004), o Prémio Universidade de Coimbra (2011), o Prémio Universidade de Lisboa (2017) e o Prémio Mina Bissel (2018).
Foi ainda condecorada com graus de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique- (1995), de Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada (2012) e com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada (2016).
Em 2018, juntamente com Corino de Andrade (1906-2005) e Nuno Grande, foi figura de destaque no ICBAS.
Morreu dia 14 de abril de 2020, nos cuidados intensivos do Hospital de S. José, vítima de COVID-19.
U.Porto - Professores Eméritos da Universidade do Porto - Maria de Sousa
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