VER DE NOVO, VER MELHOR

​​EU University & Culture Summit / Day 1, Afternoon

Lembro-me de, em criança, passear na Avenida do Brasil com os meus pais e irmãos. Lembro-me bem porque a experiência me ficou entranhada nos sentidos: o mar bravo a exibir-se, o cheiro salgado a agarrar-se à pele, o vento a empurrar-me, o afeto quente dos meus pais – e as palmeiras, sempre lá, altas e solenes, com uma elegância exótica. Na minha cabeça de criança, aquelas palmeiras tinham toda a lógica do mundo: afinal, estávamos na Avenida do Brasil, ao lado da Avenida de Montevideu – e esses nomes pediam sol, mar e plantas a tocar o céu. Na altura, não sabia que as palmeiras não são árvores. Na verdade, só agora soube, depois de ter visitado a exposição de Paulo Luís Almeida, A Terceira Palmeira, na Galeria I da Casa Comum.


Diz Jacques Rancière que a arte não é apenas uma forma de expressão estética – é também um modo de reorganizar o visível, de perturbar o que é dado como evidente. Vivemos dentro de um regime sensível – aquilo a que Rancière chama “partilha do sensível” –, que define o que é visível, o que é audível, o que é reconhecível como arte, como voz ou como presença. A arte intervém nesse regime: torna visível o que estava invisível, audível o que estava silenciado, pensável o que estava naturalizado. A força política da arte está nas formas de visibilidade que produz – na maneira como nos ensina a ver não o novo, mas a ver de novo – e, assim, ver melhor.


O trabalho de Paulo Luís Almeida inscreve-se nesta lógica: uma prática artística que nos convida a olhar de novo para a cidade, para os seus elementos naturais, urbanos e simbólicos. Através de desenhos, vídeos e fotografias, o artista reconstrói a presença cíclica – quase invisível – das palmeiras na paisagem urbana: sempre lá, mas em constante substituição. Com A Terceira Palmeira, Paulo Luís Almeida interrompe o automatismo do nosso olhar, obrigando-nos a rever o que sempre esteve diante de nós, a reconhecer como extraordinário o que se tornou banal. Elevada a protagonista de uma narrativa sobre identidade, memória coletiva e tempo, a “terceira” palmeira, recentemente transplantada para a Praça dos Leões, forma-nos um olhar mais consciente sobre a cidade que habitamos.


Mas – disse-me Paulo Luís Almeida no dia da abertura da exposição – a palmeira, que sempre tomámos por árvore, não o é – pelo menos do ponto de vista da botânica. Falta-lhe madeira, crescimento secundário, anéis. É alta como uma árvore, vive muitos anos como uma árvore, mas biologicamente é outra coisa. Esta confusão mostra como o nosso olhar é condicionado não só pela cultura e pelo hábito, mas também pela ausência de conhecimento científico.


Ver não é saber. E por isso precisamos da arte – para reposicionar o mundo, para questionar o que parece evidente. Mas também por isso precisamos da ciência – para entendermos o que é real para além da aparência. A arte dá-nos a pergunta. A ciência, a resposta.


Talvez, afinal, as palmeiras sempre tenham sido perguntas disfarçadas de árvores. Estou muito grata ao Paulo Luís Almeida por me ter ajudado a vê-las assim. 



Fátima Vieira
Vice-Reitora para a Cultura e Museus

O cinema etnográfico também passa na U.Porto

A 6.ª edição do ciclo "3 lugares, 3 filmes 3 conversas", promovido pelo Núcleo de Etnografia e Folclore da  Universidade do Porto, chega à Casa Comum a 23 e 30 de outubro. A entrada é livre.

O Diabo do Entrudo vai passar na Casa Comum na noite de 30 de outubro Foto: DR

É já a 6.ª edição de um ciclo que todos os anos nos traz 3 lugares, 3 filmes e 3 conversas. Desta vez, há dois documentários que prometem fazer refletir sobre questões como tradição versus contemporaneidade. Vai ser nos próximos dias 23 e 30 de outubro, na Casa Comum (à Reitoria) da Universidade do Porto. Sempre às 21h00 e com entrada livre. 


Promovido pelo NEFUP – Núcleo de Etnografia e Folclore da Universidade do Porto, em parceria com a Casa Comum, estas duas sessões de cinema documental irão abordar questões como o rural versus o urbano, a transmissão oral e geracional versus recolha e registo, a tradição versus contemporaneidade e, até, realidade local versus poder central.


No dia 23 de outubro, será exibido Filhos do Vosso Amore,  um documentário de 2025 da autoria de Rui Pedro Lamy. Trata-se de uma ode às tradições de Melgaço e à ligação das pessoas à terra, pelo que  esta representa de mais árduo, mas também de generoso e ritualístico.


Recorrendo a imagens e testemunhos de épocas passadas, em que a economia de subsistência ditava o ganha-pão e estimulava a entreajuda,  Rui Pedro Lamy aborda, neste trabalho, a identidade do povo de uma  região montanhosa e fronteiriça. O filme obteve o prémio de Melhor Curta  ou Média-Metragem e Melhor Documentário Português do Festival Internacional de Documentário de Melgaço.


Na semana seguinte, a 30 de outubro, também às 21h00, será projetado O Diabo do Entrudo. Este documentário, de Diogo Varela Silva, será uma excelente oportunidade  para sentir o frenesim de cor e energia eletrizante de uma das  celebrações carnavalescas mais antigas e genuínas que se celebram em  território nacional: O Entrudo de Lazarim.


Indo para além dos trajes dos caretos e das festividades  carnavalescas, o filme promove uma reflexão sobre as dinâmicas de género  e a perpetuação de costumes ancestrais que, nesta aldeia do concelho de  Lamego, passam de geração em geração. Absorvendo todas as  transformações sociais e culturais que vão decorrendo ao longo do tempo,  como manter vivos os rituais e as tradições? Esta é uma pergunta à qual o realizador poderá dar resposta no final da exibição. O Diabo do Entrudo foi já galardoado com vários prémios a nível nacional e internacional.


No final de cada sessão, haverá ainda tempo para uma conversa com os realizadores,  em que estes irão partilhar a visão que têm sobre o trabalho realizado e todo o contexto local que funcionou de “matéria-prima”. As rodagens  dos filmes foram realizadas nas localidades de Melgaço e Lazarim.


As exibições destes dois filmes de cinema documentais têm entrada livre, ainda que limitada à lotação do espaço.  


Fonte: Notícias U.Porto

Camila Mandillo e João Casimiro de Almeida trazem Espectros à Casa Comum

A soprano e o pianista portugueses sobem ao palco da Casa Comum no dia 25 de outubro, para um concerto aberto ao público. Entrada livre.

Camila Mandillo e João Casimiro de Almeida vão interpretar obras de Manuel de Falla e Claude Debussy, entre outros compositores. Foto: DR

A soprano Camila Mandillo e o pianista João Casimiro de Almeida vão apresentar, no próximo dia 25 de outubro, na Casa Comum (à Reitoria) da Universidade Porto, o programa Espectros. O concerto está agendado para as 18h00 e tem entrada livre.


O programa da noite abre com A Torre da Barbela, de Solange Azevedo, e com a compositora a recriar a atmosfera misteriosa da obra inspirada no romance homónimo de Ruben A.


Seguem-se as Siete canciones populares españolas, de Manuel de Falla, do século XX. Baseadas em melodias tradicionais de várias  regiões de Espanha, estas canções conseguem promover uma fusão entre o  folclore e a arte erudita.


Mergulharemos, depois, no universo impressionista de Claude Debussy, ao som de três Préludes do Primeiro Livro — La fille aux cheveux de lin, Ce qu’a vu le vent d’Ouest e La cathédrale engloutie.


Em Hommages, o compositor português Bernardo Lima presta  tributo a dois grandes mestres do século XX: o compositor húngaro György  Kurtág e o compositor americano George Crumb. Com Metamorfoses e Ressonâncias,  de Hugo Vasco Reis, o som evolui e dissolve-se, numa obra para piano  solo que parte da ideia de uma transformação contínua. O recital encerra com Quatre Instants, da compositora finlandesa Kaija Saariaho.


A apresentação de Espectros é organizada pela EncorArte com o apoio da Fundação GDA.


O concerto tem entrada livre, ainda que sujeita à lotação da sala.

Sobre João Casimiro Almeida

Um dos mais conceituados pianistas portugueses da sua geração, João  Casimiro Almeida concluiu a licenciatura em Piano na ESMAE, no Porto, e o  mestrado em Performance de Piano no Conservatório Nacional Superior de  Música e Dança de Paris. Foi bolseiro da Fondation Meyer, da Fondation  Les Amis d’Alain Marinaro e recebeu uma bolsa de mérito da ESMAE-IPP.


No seu currículo recente destacam-se os concertos com o Ensemble  Orchestral Contemporain de Lyon, Ensemble Darcos, recitais a solo com  Sonatas de Beethoven no Porto, em Aveiro e em Lisboa, bem como música de  câmara contemporânea com o Sond’Ar-te Electric Ensemble, o Remix  Ensemble, e o Ensemble Ars ad Hoc.


A sua discografia inclui Alepo e Outros Silêncios, da Artway Records, com música de câmara de Luís Tinoco, bem como Le Grand Tango,  da Percos Music, álbum do GuiCollective dedicado a Astor Piazzolla. Em  2024, editou o primeiro CD a solo, intitulado, precisamente, Espectros, com música portuguesa do século XXI, gravado pela Neper Music.


Recebeu mais de uma dezena de prémios nacionais e internacionais,  incluindo o 1.º prémio no Concurso Internacional Cidade do Fundão, nos  Prémios David Russell em Vigo e no Concurso Internacional Paços Premium.  Foi também semifinalista no VIII Concurso Internacional Rosario Marciano, em Viena.


Atualmente, João Casimiro Almeida vive no Porto e leciona na Escola Profissional de Música de Espinho.

Sobre Camila Mandillo

Formada com distinção pela Hochschule für Musik Hanns Eisler Berlin,  onde completou a licenciatura e o mestrado com uma bolsa da Fundação  Calouste Gulbenkian, Camila Mandiollo é atualmente, artista em  residência na Queen Elisabeth Music Chapel (Bélgica).


Apresenta-se regularmente em recitais, produções de ópera e música  contemporânea. Colaborou com ensembles como Il Gardellino Orchestra,  Orchestre de l’Opéra Royal de Wallonie-Liège, IEMA Ensemble, Orquestra  Gulbenkian, Orquestra Metropolitana de Lisboa e Orquestra Barroca da Casa da Música. Desde 2020, participa ativamente em projetos com o  Sond’Ar-te Electric Ensemble.


Após nomeação conjunta da Fundação Calouste Gulbenkian, Casa da  Música e BOZAR, foi selecionada pela rede ECHO como uma das seis Rising Stars para a temporada 2026–2027, o que lhe permitirá realizar uma digressão internacional por prestigiadas salas europeias.


Fonte: Notícias U.Porto

Outubro na U.Porto

Para conhecer o programa da Casa Comum e outras iniciativas, consulte a Agenda Casa Comum ou clique nas imagens abaixo.

Uma viagem pelo asfalto. O Rock no Porto nos anos 80 | EXPOSIÇÃO

Até 22 NOV'25 
Exposição | Casa Comum
Entrada livre. Mais informações aqui 

Uma Viagem pelo Asfalto. O Rock no Porto nos anos 80 | PROGRAMA PARALELO DE EVENTOS

Até 22 NOV'25
Programa | Vários locais
Entrada livre. Mais informações aqui 

"Intimismo" | Exposição de Juan Ricardo Nordlinger

Até 22 NOV'25
Exposição | Casa Comum
Entrada livre. Mais informações aqui

A TERCEIRA PALMEIRA, Desenhos e outras interrupções

Exposição | Casa Comum
Até 22 NOV'25 
Entrada Livre. Mais informações aqui 

CINANIMA na U.Porto

24 OUT'25 | 21h30
Cinema | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui 

Ciclo de cinema ICBAS One Health

20, 27 OUT'25 | 18h30
Cinema | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui 

3 Lugares, 3 filmes, 3 conversas | VI ciclo de documentário etnográfico 

23 e 30 OUT'25 | 21h00
Cinema, conversa | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui 

Há Sombra, de António Alberto | Apresentação do livro

 21 OUT'25 | 18h00
Apresentação de livro | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui 

Colectivo de Poesia - Poetas a várias vozes na Casa Comum | Carlos Drummond de Andrade

21 OUT'25 | 21h30
Poesia | Casa Comum
Entrada livre. Mais informações aqui

Tetralética + S-Block: Arte pública, IA federada e blockchain | Conversa, por Claudio Rivera-Seguel

22 OUT'25 | 18h30
Palestra | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui 

Os Marcadores de Livros e a Cidade Adormecida, de Joana Lima | Apresentação do livro

25 OUT'25 | 15h00
 Apresentação de livro | Casa Comum
Entrada livre. Mais informações aqui

Atelier artístico “Marcadores e a Cidade Adormecida”

25 OUT'25 | 16h00
Oficina | Reitoria da U.Porto
Entrada Livre. Mais informações e inscrição aqui 

Espectros | João Casimiro de Almeida, piano; Camila Mandillo, soprano

25 OUT'25 | 18h00
Concerto | Casa Comum
Entrada livre. Mais informações aqui

Club di Lettura Italiano 2025 | Clube de Leitura Italiano 2025

29 OUT e 11 DEZ'25 | 19h00
Literatura | Casa Comum e ASCIPDA
Entrada Livre. Mais informações e inscrição aqui 

Notas Portuguesas | Arsénio Martins, composição e piano; Paulo Lopes, saxofones e flauta

30 OUT'25 | 18h30
Concerto | Casa Comum
Entrada livre. Mais informações aqui

ANUTIS QUARTET - “Il sacro profano” | Concerto

31 OUT'25 | 21h30
Literatura | Reitoria da U.Porto
Entrada livre. Mais informações aqui

Gemas, Cristais e Minerais

Exposição | Museu de História Natural e da Ciência U.Porto
Entrada Livre. Mais informações aqui 

Corredor Cultural

Condições especiais de acesso a museus, monumentos, teatros e salas de espetáculos, mediante a apresentação do Cartão U.Porto.
Mais informações aqui

Há novos podcasts no espaço virtual da Casa Comum

175. No céu raiano, Esther Ferreira Leonís

 “No céu raiano”, de Esther Ferreira Leonís, in nus na moreira, 2025, p. 23.

3. Liliana Afonso

Alumna da Universidade do Porto, Liliana Afonso é  nutricionista e uma profissional comprometida com a promoção da saúde e o desenvolvimento comunitário em contextos de elevada vulnerabilidade.  Licenciada pela Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação  (FCNAUP), descobriu a sua vocação para a nutrição enquanto trabalhava  como técnica de farmácia no IPO de Lisboa, onde o contacto diário com a  doença despertou o desejo de dedicar a sua carreira à prevenção e à  educação para a saúde. Após o estágio de ingresso na Ordem dos Nutricionistas, ligado à  nutrição comunitária, integrou uma ONG, assumindo a responsabilidade  pela educação alimentar em escolas do ensino básico — um projeto que  viria a ser replicado em Cabo Verde e a abrir caminho para novas  experiências no terreno. Um ano depois, partiu para a Guiné-Bissau, onde  coordenou vários projetos de educação para a saúde, e mais tarde para  São Tomé e Príncipe, onde liderou um programa de nutrição  materno-infantil que apoiou o lançamento do primeiro curso de nutrição  do país. Ao longo do seu percurso, Liliana Afonso tem liderado equipas,  capacitado profissionais locais e implementado programas sustentáveis em  diferentes países africanos de língua portuguesa, sempre com uma  abordagem centrada nas pessoas e nas necessidades das comunidades. Para Liliana, ser um agente de mudança é colocar o conhecimento e a  experiência ao serviço do bem comum, desconstruindo preconceitos e  criando soluções que geram impacto positivo e duradouro. O seu percurso é  um exemplo inspirador de como a ciência, a liderança e o compromisso  social podem transformar vidas e contribuir para um futuro mais justo e  saudável.


Mais podcasts AQUI


Figuras Eminentes da U.Porto 2025

Joaquim Guilherme Gomes Coelho/ Júlio Dinis 

Júlio Dinis é Figura Eminente da U.Porto 2025

Joaquim Guilherme Gomes Coelho, mais conhecido pelo pseudónimo Júlio Dinis, nasceu no Porto a 14 de novembro de 1839 e quatro dias depois foi batizado na igreja de S. Nicolau da mesma cidade. O pai, José Joaquim Gomes Coelho, era natural de Ovar e médico-cirurgião pela Escola Médico-Cirúrgica do Porto. Casou no Porto com Ana Constança Potter Pereira, natural desta cidade, embora com ascendência britânica. Tiveram nove filhos. Quando tinha cerca de seis anos de idade, a mãe de Júlio Dinis faleceu com a doença que se iria tornar na mais infeliz herança da família – a tuberculose –, a qual também tirou a vida aos seus oito irmãos e, mais tarde, a si próprio.


Pouco sabemos acerca do período da sua infância e adolescência. Ao que parece, frequentou a escola primária da freguesia de Miragaia. Em 1853, depois de concluir o curso preparatório do Liceu, matriculou-se na Academia Politécnica do Porto. Depois de aí frequentar as cadeiras de química, matemática, física, botânica e zoologia com boas classificações, matriculou-se na Escola Médico-Cirúrgica do Porto no ano letivo de 1856-57.


Foi nesta Escola que, em 1861, defendeu a sua dissertação, intitulada Da Importância dos Estudos Meteorológicos para a Medicina e Especialmente de Suas Aplicações no Ramo Cirúrgico. O facto de ter escolhido este tema deveu-se à sua relação tão próxima com a doença que já tinha tirado a vida à sua mãe e aos seus irmãos. Depois de ter terminado o curso, logo pensou em seguir a carreira de professor, porque considerava a profissão de médico de grande responsabilidade e de alguma desumanidade. Concorreu ao lugar de demonstrador na escola onde se tinha formado, mas só à terceira tentativa é que conseguiu o lugar, em 1865.


A sua carreira foi interrompida por diversas vezes devido à doença de que sofria, que o obrigava a mudar-se para ambientes rurais, como Ovar e Funchal. Foi em Ovar, na sua primeira cura de ares, em 1863, que se apaixonou por um tipo de romance diferente do que tinha vindo a escrever – o romance rural. Até então, as suas obras tinham um carácter lírico, novelístico e de romance citadino. Utilizou pela primeira vez o pseudónimo Júlio Dinis em 1860, quando enviou textos de poesia para a revista Grinalda. Ninguém sabia quem era Júlio Dinis, mas todos gostaram dos poemas. Também utilizou o pseudónimo "Diana de Aveleda" em textos que entregou ao Jornal do Porto.


As suas principais obras, todas assinadas como Júlio Dinis, são: As Pupilas do Senhor Reitor (1867), A Morgadinha dos Canaviais (1868), Uma Família Inglesa (1868), Serões da Província (1870), Os Fidalgos da Casa Mourisca (1871), Poesias (1873), Inéditos e Esparsos (1910), Teatro Inédito (1946-47). O único romance citadino é Uma Família Inglesa, baseado na literatura inglesa. As Pupilas do Senhor Reitor e A Morgadinha dos Canaviais foram romances praticamente escritos em Ovar; já os Serões da Província e Os Fidalgos da Casa Mourisca foram redigidos no Funchal. Esta última obra não chegou a ser totalmente revista pelo autor devido à sua morte prematura; um primo seu ajudou-o nesta tarefa e concluiu-a.


Atendendo à época em que Júlio Dinis viveu, seria natural situá-lo no ultrarromantismo. Porém, as suas obras literárias não deverão ser inseridas nesta corrente, já que, devido à influência do pai, médico, e à sua educação científica, Júlio Dinis tinha uma visão bem mais real e verdadeira do que a dos autores ultrarromânticos. Mas também não devemos classificar a sua obra na corrente Realismo – Naturalismo que começou com as Conferências do Casino da geração de 70, de Eça de Queirós. Podemos, sim, dizer que ele foi o precursor desta corrente literária no nosso país, o que levou a que fosse apelidado de inaugurador da escola naturalista.


Joaquim Guilherme Gomes Coelho morreu na madrugada de 12 de setembro de 1871, na casa de uns primos, na Rua de Costa Cabral. Na sua companhia estava Custódio de Passos, primo e fiel amigo, com quem trocou inúmeras cartas, às quais ainda hoje temos acesso. Já há algum tempo que se encontrava confinado a uma cama, mal conseguindo andar. Morreu, desta forma, aquele que, segundo Eça: "viveu de leve, escreveu de leve, morreu de leve".


(Texto de Ana Sofia Silva Barroso, 2008)



U.Porto - Antigos Estudantes Ilustres da Universidade do Porto: Joaquim Guilherme Gomes Coelho (Júlio Dinis)


Copyright © *2020* *Casa Comum*, All rights reserved.
Os dados fornecidos serão utilizados apenas pela Unidade de Cultura da Universidade do Porto para o envio da newsletter da Casa Comum, bem como para divulgação futura de iniciativas culturais. Se pretender cancelar a recepção das nossas comunicações, poderá fazê-lo a qualquer momento para o e-mail cultura@reit.up.pt, ou clicar em Remover, após o que o seu contacto será prontamente eliminado da nossa base de dados.
Quaisquer questões sobre Proteção de Dados poderão ser endereçadas a dpo@reit.up.pt.