A FRONTEIRA DOS BEIJINHOS

​​EU University & Culture Summit / Day 1, Afternoon

Todas as quartas-feiras, a Maria Ermelinda ia lá a casa limpar o candeeiro da sala de jantar. Subia, descalça, para a mesa (a minha mãe a insistir que não se esquecesse de forrar o tampo com jornais) e investia num bailado como só ela era capaz, girando com uma elegância desajeitada entre os pingentes de cristal. Quando, de seguida, se entregava ao enceramento dos tacos da sala, eu demorava-me a observar a sua lentidão zelosa: varria o chão, passava-lhe um pano húmido, distribuía-lhe uma camada uniforme de cera Johnson e ia tomar uma cevada à cozinha para deixar a madeira absorver a pasta amarela. Regressava depois com uma enceradora elétrica, e lembro-me de as ouvir (a ambas) rugir enquanto as escovas rotativas mastigavam o chão. Havia algo hipnótico naquele vai-e-vem metódico em que mulher e máquina se conjugavam num ritual de zelo doméstico a cada semana renovado.  Mas se o trabalho da Maria Ermelinda me fascinava, eu escapulia-me às suas manifestações de afeto. 


A Maria Ermelinda dava beijos repenicados e húmidos, daqueles que nos baptizam o rosto. A sua devoção labial deixava-me (literalmente) marcada a cada quarta-feira e, apesar de eu saber que o dia não acabaria sem aquela cerimónia de saliva e entrega, na minha inocência de criança era sempre apanhada desprevenida pela convicção da sua boca. Pois é na Maria Ermelinda que penso quando os meus amigos me apresentam os seus filhos ou netos. Sorrio-lhes, esboço um gesto afetuoso que termina numa espécie de piparote na cabeça, mas nunca – nunca – os beijo. O mundo já é suficientemente assustador para as crianças. 


Tenho pensado muito, ultimamente, no tema dos beijinhos. É impossível não o fazermos quando vivemos no Porto – a cidade está geograficamente dividida entre os que dão um beijinho e os que dão dois. Divirto-me particularmente quando dou dois a quem só ofereceu um – resulta numa espécie de passo de dança mal ensaiado. Mas ainda mais graça me fazem os que, morando bem longe da zona do beijinho solitário, o adoptam com todo o afinco, acreditando que o número de beijos pode disfarçar o código postal.


Vêm estas memórias a propósito do beijinho brasileiro. Na verdade, não é um beijinho só – é um gesto composto, um cumprimento com várias camadas. Esta semana estive na Universidade Federal de Alagoas, a trabalhar com um grupo de investigação da Faculdade de Letras, e voltei a cruzar-me com essa coreografia muito própria: braços abertos com entusiasmo, aproximação firme pelo lado esquerdo (há contacto de peito, sim), e um beijo no ar – audível, mas sem toque. O mais curioso é identificar os colegas brasileiros que já passaram por Portugal: esses ajustam automaticamente o código. Dão dois beijinhos, como manda a prática, ou então oferecem um aperto de mão discreto, sobretudo em contextos mais formais. Mas mesmo esses, que mudam a forma, mantêm a intenção do afeto tropical.


No voo de regresso, estive a refletir sobre estas diferenças. Enquanto no Porto discutimos se damos um ou dois beijinhos, no Brasil já resolveram: dão tudo. Abraço, beijo, peito com peito. No Porto, cumprimentamo-nos e definimos fronteiras. No Brasil, recebem-nos antes que elas se notem. Talvez por isso goste tanto de lá voltar.



Fátima Vieira

Vice-Reitora para a Cultura e Museus

Casa Comum apresenta Amour en latin, de Saguenail

À exibição do filme seguir-se-á de uma conversa entre o realizador francês (antigo professor da Faculdade de Letras) e  Ana Deus. A entrada é livre.

Em Amour en latin (1989), Saguenail aborda questões como a necessidade "quase trágica" do amor. Foto: DR

Território de contágios, ou portal das transformações mais imprevisíveis, é para o universo do amor que este filme nos remete.  Amour en latin, do realizador francês Saguenail vai ser exibido no próximo dia 8 de novembro, às 18h00, na Casa Comum (à Reitoria) da Universidade do Porto, Mais um evento integrado na programação paralela à exposição Uma viagem pelo asfalto. O rock no Porto nos anos oitenta.


Com capacidades transformativas, o amor é abordado como algo que se  encontra para além do bem e do mal. Este filme de 1989 é um convite à  reflexão, colocando-nos perante questões como a necessidade “quase  trágica” do amor. Lugar onde “as coisas se confundem” e “os conceitos se diluem”, também se apontam as sensações dolorosas do amor, ou estaremos, afinal, reféns de uma espécie de “fado linguístico” (amor / dor) desta  palavra de tinta tão gasta? Das paredes das ruas até às portas de tanta casa de banho pública… Será amor ou será vício? Ou apenas uma forma de pensar em latim?


Estas são algumas das conclusões que saltam para cima da mesa de um  café, onde as personagens “encenam a sua sede de amor” e partilham  visões sobre este “mito no sentido profundo de alicerce cultural, capaz  de tornar a vida suportável”. E as ocasiões “apresentam-se naturalmente – como beber um copo, ou acender um cigarro”. Mas, na realidade, “quantos  se atreverão a escolher o risco e assumir as consequências?”…


Após a exibição do filme,  haverá espaço para uma conversa entre o realizador, Saguenail e Ana Deus (BAN, Três Tristes Tigres, Osso Vaidoso). A entrada é livre, ainda  que limitada à lotação do espaço

Sobre Saguenail

Antigo docente da Faculdade de Letras da U.Porto (FLUP), Serge Abramovici (Seguenail) nasceu em Paris, em 1955. É autor de uma vasta bibliografia  (entre ensaios universitários e poesia, passando pela narrativa curta,  pelo teatro e pela crítica) e filmografia (que inclui ficções e documentários), através da qual interroga os códigos literários, cinematográficos e sociais.


Fundou a revista de cinema A Grande Ilusão e é membro da associação “Os filhos de Lumière”. De 2002 a 2013, foi programador e animador do ciclo anual O sabor do Cinema,  no Museu de Serralves. É também organizador e animador, na FLUP, de  ciclos de cinema francófono (CinÉmotion) e de um círculo de leitores  (déLire).


Dirige o curso de crítica cinematográfica A Forja,  no Centro de Cinema Batalha. Hélastre é o nome da produtora independente  que criou com Regina Guimarães, com quem trabalha desde 1975. 


Fonte: Notícias U.Porto

Festival Queer traz histórias de superação e dissidência à Casa Comum

A U.Porto volta a acolher o Festival  Internacional com a projeção de filmes e a atribuição da 4.ª edição do  Prémio Casa Comum do Queer Porto. 

In Hell with Ivo, de Kristina Nikolova, passa na Casa Comum a 5 de novembro. Foto: DR

É uma oportunidade rara para conhecer propostas de Resistência Queer que chegam dos mais diversos e conturbados pontos da geografia mundial. As sessões da 11.ª edição do Queer Porto - Festival Internacional de Cinema Queer vão ser apresentadas na Casa Comum (à Reitoria) da Universidade do Porto, nos próximos dias 4, 5 e 6 de novembro, sempre às 18h00.


São histórias de superação e dissidência, aquelas a que iremos assistir na tela da Casa Comum. Vamos mergulhar em territórios política, social e culturalmente complexos, de câmara apontada ao crescimento da extrema-direita e consequente ameaça aos princípios democráticos e direitos das comunidades minoritárias, sejam pessoas queer, racializadas, migrantes, precárias, entre outros grupos. Mergulhamos, desde já, “no cardápio”.


Dia 4 de novembro, Aliens in Beirut, de Raghed Charabaty, irá levar-nos até ao fatídico verão da explosão do Porto de Beirute em 2020. O realizador queer regressa do Canadá ao Líbano para fazer a reconstituição de como conheceu o parceiro nas ruelas secretas de Beirute e como foi viver na cidade que assistiu àquela brutal explosão.


A proposta que se segue leva-nos a vestir a pele de quem tenta uma fuga de Gaza. Out of Gaza,  de Jannis Osterburg e Seza Tiyara Selen apresenta uma jovem palestiniana que tenta abandonar aquele território, na esperança de  encontrar liberdade no Ocidente. Que dúvidas a interpelam e que mundo a  aguardará lá fora? No Pride in Genocide é um programa composto por obras cuja narrativa e diversidade estética evocam a cultura e a  diáspora palestiniana, o seu lugar na História e, inevitavelmente, o  genocídio em Gaza. Tem curadoria do coletivo internacional Queer Cinema for Palestine.


No dia 5 de novembro, vamos poder “viajar” até ao Leste Europeu, com filmes onde mais do que uma expressão artística, a criação performativa é forma de sobrevivência.


Com forte incidência nas questões de saúde mental, In Hell with Ivo,  de Kristina Nikolova, dá-nos a conhecer Ivo Dimchev. Entre Sófia e Nova Iorque, o documentário revela as forças e fragilidades do performer e  compositor búlgaro. Vamos assistir ao esforço de resistência ao contexto  adverso e ao choque político entre os progenitores, na Bulgária, e o seu processo criativo.


A seguir à projeção, terá lugar uma conversa com o duo ucraniano de  performers, Sasha e Boji (mofo collective), Cristina Planas Leitão,  diretora artística do festival Materiais Diversos, e Aura da Fonseca,  artista transdisciplinar.


Chegado da Ucrânia, Queens of Joy nasce da amizade da realizadora, Olga Gibelinda, com Diva Monroe, uma das mais antigas drags do país, em atividade desde os anos 1990. Acompanhando a vivência de  Diva – que hoje se identifica como mulher trans –, e de outras duas drags,  Marlene e Aura, o documentário mostra a importância destes espaços onde atuam, que num contexto de guerra assumem toda uma nova dimensão. O documentário passa dia 6 de novembro, às 18h00.

Queens of Joy, de Olga Gibelinda, é a proposta para dia 6 de novembro. (Foto: DR)

A entrada nas sessões é livre, ainda que limitada à lotação da sala.


Mais informações

O Prémio Casa Comum

No valor de 500 euros, o Prémio Casa Comum, patrocinado pela Reitoria da Universidade do Porto, tem como objetivo apoiar a curta-metragem nacional.


Em competição nesta quarta edição vão estar quatro filmes produzidos em Portugal e outros quatro em contexto internacional, de cineastas portugueses a trabalhar na Alemanha, no Reino Unido e na Suíça.


Em estreia nacional, e explorando temas como o luto e a infância, apresenta-se o documentário O Cemitério de Insetos, da artista visual Alex Simões. Já Erasure, de Fá Maria, leva-nos a testar a porosidade das fronteiras entre o humano e a máquina, o autêntico e o sintético. E, por fim, The Immovable Structure, de Juliana Julieta, apresenta-nos corpos  e vozes que resistem. Esta curta experimental foi filmada durante o  protesto anti-TERF (Transgender Exclusionary Radical Feministem) de  2022, em Nova Iorque.


Destaque ainda para Tapete Voador, terceira curta do  realizador e produtor Justin Amorim. Com argumento coassinado por  Francisco Mira Godinho e cinematografia de Leonor Teles, esta ficção aborda o maior caso de pedofilia registado em Portugal, centrando-se na  história ficcionada de um adolescente que se tenta libertar de uma realidade traumática.

Mais de uma década a celebrar o cinema queer

O Queer Porto - Festival Internacional de Cinema Queer propõe, para esta 11.ª edição, 40 filmes para celebrar o poder transformador que o olhar queer pode ter sobre um mundo em constante transformação.


Em homenagem a Daniel Pinheiro, programador do festival falecido em  janeiro último, o Queer Porto 2025 dedica-lhe a exibição de quatro filmes que marcaram a sua passagem de 10 anos a trabalhar para o Queer Lisboa e Queer Porto.


O programa completo pode ser consultado no website do festival.


Fonte: Notícias U.Porto

Novembro na U.Porto

Para conhecer o programa da Casa Comum e outras iniciativas, consulte a Agenda Casa Comum ou clique nas imagens abaixo.

Uma viagem pelo asfalto. O Rock no Porto nos anos 80 | EXPOSIÇÃO

Até 22 NOV'25 
Exposição | Casa Comum
Entrada livre. Mais informações aqui 

Uma Viagem pelo Asfalto. O Rock no Porto nos anos 80 | PROGRAMA PARALELO DE EVENTOS

Até 22 NOV'25
Programa | Vários locais
Entrada livre. Mais informações aqui 

"Intimismo" | Exposição de Juan Ricardo Nordlinger

Até 22 NOV'25
Exposição | Casa Comum
Entrada livre. Mais informações aqui

A TERCEIRA PALMEIRA, Desenhos e outras interrupções

Exposição | Casa Comum
Até 22 NOV'25 
Entrada Livre. Mais informações aqui 

QUEER PORTO na Casa Comum | Sessões Resistência Queer

4, 5 e 6 NOV'25 | 18h00
Cinema | Casa Comum
Entrada livre. Mais informações aqui

Amour en Latin, de Saguenail | Exibição do Filme + conversa entre o realizador e Ana Deus

08 NOV'25 | 18h00
Cinema | Casa Comum
Entrada livre. Mais informações aqui

Portugal com Futuro | Apresentação do livro

08 NOV'25 | 11h00
Apresentação de livro | Casa Comum
Entrada livre. Mais informações aqui

O Surpreendente Silêncio dos Homens, de Rita Ferro | Apresentação de livro

11 NOV'25 | 18h30
Apresentação de livro | Casa Comum
Entrada livre. Mais informações aqui

Cybertrip nos ‘80 | EDITATONA, maratona de edição

12 NOV'25 | Das 10h00 às 21h00
Maratona de edição | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui 

Salão Piolho | Ciclo de cineconcertos

15 DEZ'25 | 15h00, 17h30, 21h30
Cineconcertos, conversa | Casa Comum 
Entrada Livre. Mais informações aqui

Tardes de Matemática | A descoberta de Neptuno

22 NOV'25 | 16h00
Palestra, ciência | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui 

Club di Lettura Italiano 2025 | Clube de Leitura Italiano 2025

11 DEZ'25 | 19h00
Literatura | Casa Comum e ASCIPDA
Entrada Livre. Mais informações e inscrição aqui 

Gemas, Cristais e Minerais

Exposição | Museu de História Natural e da Ciência U.Porto
Entrada Livre. Mais informações aqui 

Corredor Cultural

Condições especiais de acesso a museus, monumentos, teatros e salas de espetáculos, mediante a apresentação do Cartão U.Porto.
Mais informações aqui

Estudantes da U.Porto foram explorar dois "tesouros" da cidade

Visita organizada pela Mentoria U.Porto e pelo  Corredor Cultural levou os estudantes até à Sé Catedral do Porto e ao  icónico Bairro da Sé.

Cerca de três dezenas de estudantes da Universidade do Porto participaram, no passado dia 23 de outubro, numa visita guiada à Sé Catedral do Porto e ao Bairro da Sé, organizada pela Mentoria U.Porto, em colaboração com o Corredor Cultural.


Esta visita ao “coração” do centro histórico da Invicta teve início em plena Sé Catedral do Porto, um dos principais símbolos da cidade e classificada como Património Mundial pela UNESCO.


Acompanhados pelas docentes Maria Leonor Botelho e  Ana Cristina Correia de Sousa, do Departamento de Ciências e Técnicas  do Património da Faculdade de Letras da U.Porto (FLUP), os estudantes  puderam apreciar o interior da Catedral, cuja origem remonta ao século  XII, com destaque para o retábulo de talha dourada da capela-mor,  considerado um dos maiores exemplos do barroco joanino em Portugal.


Esta experiência permitiu aos participantes  compreender a evolução arquitetónica e a organização espacial da Sé ao  longo dos séculos, valorizando o seu significado cultural e religioso.


A visita prosseguiu depois pelo vizinho Bairro da Sé,  conduzida por João Novais Tavares, Doutorando em Estudos do Património  na FLUP e investigador bolseiro FCT no CITCEM. O percurso centrou-se na  evolução histórico-urbanística do bairro, com especial atenção ao  edificado de matriz tradicional e às novas expansões da cidade, como a  Rua Mouzinho da Silveira e a Avenida da Ponte, destacando a paisagem  urbana do núcleo medieval.


O roteiro incluiu pontos emblemáticos como o  Largo da Sé, o Convento dos Grilos, o edificado da Penaventosa, a Rua  Mouzinho da Silveira, a Avenida Dom Afonso Henriques e a Estação de São  Bento. Esta incursão permitiu aos estudantes refletir sobre a evolução  urbana e a valorização do património histórico, promovendo o pensamento  crítico e a compreensão das dinâmicas de transformação da cidade.


Para os participantes, esta dupla visita  representou uma experiência de aprendizagem única, combinando  conhecimento histórico, patrimonial e urbanístico com experiências  práticas e interativas.


A iniciativa constituiu ainda uma oportunidade  para promover a cidadania cultural e o sentimento de pertença à  Universidade e à cidade do Porto, reforçando a missão da Mentoria  U.Porto de apoiar a integração e o desenvolvimento pleno dos estudantes, bem como o compromisso do Corredor Cultural em tornar o acesso à cultura mais inclusivo e democrático.  


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Fonte: Notícias U.Porto

Há novos podcasts no espaço virtual da Casa Comum

177. circus, Rui Sobral

 “circus”, de Rui Sobral, in noturnos, 2025, p. 31.

4. Manuel Fontes de Carvalho

Natural de Braga e licenciado pela Universidade do Porto, o Professor  Manuel Fontes de Carvalho é uma das figuras mais influentes da medicina  dentária em Portugal. Médico dentista desde 1979, foi fundador e o  primeiro Bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, assumindo um papel  decisivo na organização e valorização da profissão a nível nacional e  internacional.
Ao longo de mais de quatro décadas, conciliou a  prática clínica com uma intensa atividade académica — contribuindo para a  formação de várias gerações de profissionais e fortalecendo a  disciplina no panorama universitário — e institucional. Desempenhou  ainda funções de liderança em instituições de saúde e ensino, promovendo  a Medicina Dentária enquanto disciplina autónoma. O seu compromisso  com a sociedade é igualmente notável: é cofundador e presidente da  Assembleia Geral da ONG Mundo a Sorrir, alinhando a sua ação humanista  com o espírito de solidariedade nacional, à semelhança da obra do Padre  Américo.
Apesar de se ter jubilado em 2023, o seu legado de  dedicação, visão estratégica e serviço público continua a inspirar  profissionais e estudantes da área da saúde.


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Pedro Neves estreou Northern Train no palco da FEUP

O Auditório José Carlos Marques dos Santos  voltou a abrir as suas portas para mais um concerto com a chancela do carimbo Porta-Jazz.

Pedro Neves produziu Northern Train em janeiro deste ano. Foto: DR

No passado dia 29 de outubro, o Auditório da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) recebeu o pianista e compositor Pedro Neves para a apresentação de Northern Train, o seu quinto álbum de originais.


O álbum, produzido em janeiro deste ano, remete para um ambiente invernal e convida a uma reflexão "pela janela do comboio" que nos leva na viagem que é ouvir este trabalho.


“Muito precipitado pelo anúncio do nascimento da minha filha, que nasceu em julho, obrigou-me a antecipar todo o processo e a gravar o álbum em janeiro, com a chuva lá fora, num verdadeiro mês de inverno, e  foi nesse ambiente que esta viagem foi construída e que foi lançado o  desafio aos restantes membros do quarteto”, explica Pedro Neves.


Este lançamento é também um regresso a uma casa conhecida: “é  muito bom voltar aqui, ver tantas caras conhecidas, para lançar o quinto  disco, agradecer ao Professor Luís Melo, à Mariana Vergueiro e ao  Comissariado Cultural da FEUP”, agradeceu o artista.


O concerto de apresentação contou ainda com a participação de  Javier Pereiro no trompete, Miguel Ângelo no contrabaixo e José Marrucho  na bateria. “Apesar de termos ouvido muitas vezes o disco, para  remisturas ou edições, é normal existir algum cansaço e saturação em ouvirmos a nossa própria música, mas este disco continua vivo. Estou  muito contente com ele e espero que possam ouvi-lo. Está a partir de  hoje disponível!”, conclui Pedro Neves.


Este é o 118.º disco do catálogo Porta-Jazz, que regressa ao Auditório José Carlos Marques dos Santos no dia 26 de novembro para mais um concerto.  


Fonte: Notícias U.Porto

Alunos Ilustres da U.Porto

Carlos Alberto Ferreira de Almeida

Carlos Alberto Ferreira de Almeida (1834-1996)

Carlos Alberto Ferreira de Almeida nasceu a 27 de dezembro de 1934, na freguesia de Vila Maior, concelho de Vila da Feira, onde viveu até aos 11 anos, altura em que entrou para o Seminário, primeiro em Vila Nova de Gaia, depois no Porto (Seminário de Vilar e Seminário Maior). Aí fez os estudos preparatórios (1945-1954) e o Curso Superior de Teologia (1954-1958).


Foi ordenado presbítero a 3 de agosto de 1958, na Sé do Porto, pelo Bispo D. António Ferreira Gomes. Nomeado vigário cooperador de Rio Tinto em janeiro de 1959, aí se manteve até 2 de Janeiro de 1961. Permaneceu como pároco das freguesias de Santa Maria de Avioso e de Gondim, ambas no concelho da Maia, até 1973, altura em que abandonou o sacerdócio.


Como estudante, matriculou-se no curso de História da Universidade de Coimbra em 1961, transferindo-se no ano seguinte para a recém-restaurada Faculdade de Letras da Universidade do Porto, onde concluiu a sua licenciatura a 29 de julho de 1968, apresentando como tese o trabalho intitulado Vias Medievais I. Entre-Douro-e-Minho. Concluiu a licenciatura com a média final de dezassete valores.


Ainda em 1968, integrou o corpo docente da Faculdade que o diplomara e nele fez toda a sua carreira académica. Em março de 1979 defendeu provas de doutoramento em História da Arte e Arqueologia com a tese Arquitectura Românica de Entre-Douro-e-Minho; a dissertação complementar recebeu o título de Castelologia de Entre-Douro-e-Minho. Das origens a 1220.


Em 1982 obteve o grau de professor agregado da Faculdade de Letras da Universidade do Porto com a lição "Iconografia do Presépio Medieval", atingindo a cátedra em 1984.


Foi responsável pela criação dos Institutos de Arqueologia (1974) e de História da Arte (1982) da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e foi, também, o primeiro subscritor da criação do Departamento de Ciências e Técnicas do Património.


Autor de vasta produção científica, a sua obra abrange vários temas, incidindo sobre a Arqueologia e a História da Arte, a Etnografia e a Antropologia Cultural.


O seu falecimento deu-se em circunstâncias trágicas, a 28 de julho de 1996, quando passava férias com a família na Isla Margarita (Venezuela).


U.Porto - Antigos Estudantes Ilustres da Universidade do Porto: Carlos Alberto Ferreira de Almeida


Repositório Aberto da Universidade do Porto: In Memoriam : Carlos Alberto Ferreira de Almeida


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