ENCONTRO BILATERAL

Estávamos em Santiago de Compostela, num encontro bilateral entre o CRUP / Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas e a CRUE / Conferencia de Rectores de Universidades Españolas. O encontro visava a identificação de desafios comuns às universidades dos dois países e a partilha de estratégias para os superar. O tema do impacto da Inteligência Artificial (IA) no Ensino Superior fazia, naturalmente, parte da agenda.


Os reitores e vice-reitores presentes foram avançando as suas perspetivas sobre o tema, num diálogo que se foi construindo com interrogações inquietas. As primeiras intervenções traduziram a nossa falta de referências para a compreensão de um tempo que, na verdade, já começou. “A IA vai alterar o paradigma, mas não sabemos ainda em que sentido”, abriu a conversa um dos reitores portugueses. “Somos todos filhos de uma aprendizagem informacional e vamos passar para outro paradigma, que desconhecemos”. O companheiro de mesa atalhou: “Por isso temos de repensar seriamente a estrutura dos nossos cursos: a duração das aulas (terão de ter duas horas?), a avaliação (de que tipo?) e os conteúdos (quais deverão ser?)”. Foi então a vez de uma reitora espanhola provocar novo desassossego: “Temos de rever tudo: até o modo como publicamos a investigação. O formato dos artigos, com introdução, revisão da literatura, metodologia, tudo isso vai mudar”.


Fez-se um silêncio produtivo na sala. Entreolhámo-nos sabendo que estávamos todos a pensar o mesmo: esta é uma área que precisa da nossa inteligência coletiva. Lembrei-me de um livro que li sobre o assunto, Découvrir l’Intelligence Collective (2018), onde Olivier Piazza explica as vantagens de processos de análise e definição de estratégias que resultam da interação ativa entre pessoas com conhecimentos e formações distintos. Os indivíduos – explica Piazza –, quando trabalham juntos, desenvolvem melhores respostas, pois acedem a perspetivas que nunca alcançariam isoladamente. Foi esse pensamento que me colocou em alerta para a intervenção seguinte, apesar do cansaço acumulado de várias horas de reunião. 


“A grande questão” – afirmou um vice-reitor espanhol – é sabermos como é que nós próprios vamos utilizar esta nova ferramenta para o ensino”. “Não é essa a grande questão” – respondeu prontamente uma reitora portuguesa. “Andamos muito preocupados com a IA como ferramenta de ensino, mas e a IA como ferramenta de trabalho? As empresas de recrutamento já procuram perceber de que forma é que os recém-licenciados utilizam estas ferramentas no estudo e na vida pessoal. Precisamos é de formar profissionais capazes de integrar a IA no seu futuro trabalho”.


“Temos de mudar as nossas perguntas” – declarou solenemente um reitor português. “Continuamos a procurar formas de usar a IA para fazer o que sempre fizemos. Mas a verdadeira questão é outra: ‘como vamos transformar todos os processos, sabendo que a IA vai vingar?’”. O reitor anfitrião tomou a palavra, num tom grave. “As universidades sempre demonstraram uma enorme capacidade de resiliência. Ao longo dos séculos, atravessámos revoluções científicas, tecnológicas e sociais. Mas esta é diferente: a mudança é abrupta. Não estamos a falar de um processo que vai acontecer dentro de 5 anos: ele já está aqui! Temos de criar novas licenciaturas, novos mestrados, novos doutoramentos. E temos de nos apressar. Vivemos um tempo de transformação acelerada, quase instantânea.”


 “Todos os avanços tecnológicos provocaram, no passado, alguma ânsia ou expectativa” – sentenciou um reitor espanhol. “Temos de estar juntos neste processo”.


Depois do diálogo empolado, pensei que, com esta declaração de necessidade de união, o assunto fosse dado por encerrado. Mas faltava ainda a intervenção mais importante: “Há um outro aspecto em que temos de estar juntos: não podemos esquecer que o acesso a ferramentas de IA provoca desigualdades entre as universidades, e que essas desigualdades acabarão por se refletir nos estudantes”. Olhei com admiração na direção das palavras: vinham de um reitor de uma universidade com um orçamento confortável. Guardei esse gesto de lucidez para a viagem de regresso ao Porto: independentemente dos usos que venhamos a fazer da IA, o que importa é garantir que as ferramentas sejam acessíveis a todos.



Fátima Vieira
Vice-Reitora para a Cultura e Museus

Viagem no Asfalto chega ao fim com festa aberta à cidade

Exposição dedicada ao Rock no Porto nos Anos 80 despede-se a 22 de novembro com uma emissão de rádio em direto, a apresentação de uma editora, uma sessão de poesia, uma visita guiada e um DJ Set. 

No dia de encerramento da exposição Uma Viagem pelo Asfalto. O Rock no Porto nos Anos 80, a Casa Comum (à Reitoria) da Universidade do Porto oferece múltiplos motivos para  vir passar o dia e parte da noite na “casa mãe” da U.Porto. Vai ser no  próximo dia 22 de novembro, sábado, e estão todos convidados.


Das 10h00 até à meia-noite, qualquer hora será uma boa hora para visitar a exposição, neste dia em que “terminamos” esta Viagem pelo Asfalto.  Pelo caminho, convida-se a que todos possam celebrar, em conjunto, o  poder unificador da música, e em particular do rock, no Porto.


Comecemos por sintonizar a memória. Na década de 1980, a cidade foi  palco de uma revolução “hertziana” que foi profundamente transformadora. Num ambiente de efervescência e ebulição social e cultural, as rádios-pirata faziam reverberar novas correntes, projetos e estéticas, introduzindo irreverência, experimentação e, por fim, algum sentido de  liberdade. Valiam, na altura, as cassetes onde se podia, depois, ouvir os programas de autor. É por tudo isto, e não só, que depois do almoço, às 14h00, vamos ouvir excertos de (quase) todas as rádios livres do Porto, contando com a presença de João Costa e José Martins.

(Foto: Egidio Santos/U.Porto)

Já pelas 16h00, a Casa Comum acolhe um evento que celebra a história da editora Pós-80’s. Criada por André Carneiro em 2022, é responsável por dar voz a bandas underground das décadas de 1980 e 1990, incluindo projetos marcantes da cena portuense dos anos 80.


A revisitação deste legado musical contará com a presença de músicos  convidados que integraram algumas dessas bandas. A André Carneiro (editor da Pós-80’s) juntar-se-ão os músicos Vitorino Almeida Ventura (Falo  Quente e U-Nu), Paulo Coimbra Martins (Restos Mortais de Isabel e Archétypo 120) e Miguel Cerqueira (Trabalhadores do Comércio e  Pippermint Twist). A moderação do debate estará a cargo de Manuel Melo, radialista da Rádio de Barcelos e produtor do programa Sinfonias de Aço.


Logo a seguir, às 18h30, vamos ficar com a Performance Poética dos aCtivoS tóxXxiCos, que colocam em diálogo poemas de António Pedro Ribeiro, Carlos Bessa,  Filipa Leal, Francisca Camelo, Francisco Duarte Mangas, João Habitualmente, Nuno F. Silva, Paulo Leminski, Rui Sobral, entre outros, e  os de Vitorino Almeida Ventura. O resultado aponta para uma espécie de  contentamento descontente, ou imperfeição em constante busca.


Ao início da noite, às 21h00, dar-se-á início à última visita guiada à exposição que, através de fotografias, cartazes, recortes de jornais, fanzines,  capas de vinis de bandas como os GNR, os Taxi e os Trabalhadores do  Comércio e outros objetos que nos ajudam a traçar um roteiro da música,  mas também dos locais de culto, povoados pelas tribos urbanas dos anos  oitenta. Esta visita ficará a cargo de Paula Guerra e David Pontes, os  curadores da exposição.

Uma Viagem pelo Asfalto: o Rock no Porto nos Anos 80. (Foto: Egidio Santos/U.Porto)

Por volta das 22h00, haverá um Set pelo DJ Puto,  que promete recriar o ambiente e a energia do rock portuense. Iniciado e  amadurecido em Vila Real, e “aprimorado no Porto”, António Carvalho –  ou Tó-Bé, para os amigos – é o Puto quando passa música em público.


Antigo estudante da U.Porto, começou a sua carreira “botadisquista”  por carolice em 1995, em Vila Real, paralelamente à sua outra carreira como engenheiro eletrotécnico. Nos cerca de 30 anos nesta atividade, num universo musical de várias décadas de pop/rock alternativo mas onde cabe muita soul e alguma eletrónica, pôde alternar discos em muitas  cidades (Vila Real, Aveiro, Porto, Braga, Lisboa, Leiria, Guimarães, Santa Maria da Feira, etc.). Atualmente, tem uma presença mensal no Era Uma Vez em Paris. Mais recentemente, como baterista, integrou os Olavo Lüpia e integra os Silly Boy Blue. 

O DJ Puto estará nos comandos da Festa de Encerramento. (Foto: DR)

A exposição termina, mas a recolha de memórias e testemunhos irá continuar através do site O Rock no Porto nos Anos 80 e o catálogo da exposição será lançado no próximo ano.


Inaugurada em abril deste ano, a exposição Uma Viagem pelo Asfalto: o Rock no Porto nos Anos 80 despede-se, assim, com uma sessão especial que celebra com a cidade o espírito vibrante e irreverente dessa década marcante. À chamada não faltarão também alguns dos músicos que fizeram e outros que continuam a fazer esta viagem pelo asfalto. 


Fonte: Notícias U.Porto

Paulo Barros traz Temas Ocultos à Casa Comum

O pianista junta-se ao contrabaixista José Lima para oferecer um concerto a toda a comunidade na tarde do dia 21 de novembro. Entrada livre.

Paulo Barros vai atuar pela terceira vez na Casa Comum, desta vez acompanhado pelo contrabaixista José Lima. Foto: DR

O que poderá ser melhor, para encerrar a semana, do que um concerto ao piano, acompanhado de contrabaixo? É esta a proposta que a  Universidade do Porto deixa para a tarde de 21 de novembro, sexta-feira. Basta entrar na Casa Comum (à Reitoria da Universidade do Porto), procurar uma cadeira e sentar. O concerto tem início às 18h30 e a entrada é livre.


Não é a primeira vez que o pianista de jazz Paulo Barros visita a Casa Comum – já aqui tocou a solo e em trio, explorando os  temas das suas, então recentes, gravações: no primeiro caso, Live Piano Solo (gravado na Casa da Música); no segundo caso, Colagens (gravado com Joel Silva e Mário Franco). Desta vez, será acompanhado por José Lima, no contrabaixo, e promete apresentar temas que, nas suas palavras, “raramente ou nunca toquei ao vivo”.


A entrada é livre, ainda sujeita à lotação da sala.

Sobre Paulo Barros

Nasceu em Kingston-Upon-Thames, Inglaterra, em 1968, e começou a tocar piano clássico com sete anos de idade. Em 1998, concluiu o Bacharelato de Piano na ESMAE. Para além da música clássica, o interesse  pelo jazz fê-lo ingressar no Conservatório de Música de Amesterdão onde, em 2002, conclui a licenciatura em piano jazz.


Paulo Barros faz parte do Quinteto de Adriana Miki com o qual gravou os CDs Sashimiki e Mulata de Arroz. Trabalha também com o Quarteto de Carlos Mendes, com o qual lançou o CD – Estórias, e com o Quinteto de Manuel Linhares, tendo, com este, graavdo os CDs Traces of Cities e Bounderies. Com o quarteto de Richard Okkerse gravou Suspenso. Gravou  ainda o CD Slow Emotion com a cantora dinamarquesa Mai Seidelin Norby, que contou com a participação especial do contrabaixista Jesper Bodilson.


Dos trabalhos a solo, destaque para o CD Um Piano Só e Live Piano Solo (Casa da Música). O CD Colagens foi resultado de um trabalho em trio.


Fonte: Notícias U.Porto

U.Porto oferece workshops de Performance e Identidade Cidadã

Workshops de expressão corporal vão decorrer  durante o mês de novembro e resultam de uma residência com a atriz e  cantora Josefina Fuentes.

Josefina Fuentes propõe uma “visita guiada” à exposição A Terceira Palmeira, patente na Casa Comum. Foto: DR

São wokshops de expressão corporal conduzidos pela atriz, cantora e formadora Josefina Fuentes, que se encontra este ano letivo em residência artística na Universidade do Porto, . E vão acontecer nos dias 20 e 21 de novembro, nas Galerias da Casa Comum (à Reitoria), tendo como  pano de fundo a exposição A Terceira Palmeira, ali patente até 22 de novembro.


Nestes workshops de Performance e Identidade Cidadã, os participantes vão receber treino de expressão corporal e emotiva, no  contexto de dinâmicas teatrais em diálogo com a exposição, que apresenta vídeos, desenhos, instalações e outros documentos de  intervenções de Paulo Luís Almeida, explorando o papel das palmeiras na criação de um sentimento de pertença à cidade.


Josefina Fuentes propõe uma “visita guiada” à exposição, à procura de  referências que, de uma ou outra forma, todos temos em comum: memórias,  músicas, partilhas e representações da cidade. Quem somos neste espaço  que habitamos? Como nos relacionamos com a cidade? E como é que as  árvores (e as palmeiras) nos ajudam a desenvolver um sentimento de  pertença a um lugar? Vamos, em conjunto, refletir sobre a nossa  identidade.


Estes wokshops têm a duração de duas horas e terão lugar nos dias 20 e 21 de novembro (quintas e sextas-feiras), das 18h00 às 20h00.  O conteúdo do workshop será idêntico em ambas as datas, mas, se assim o entenderem, os participantes poderão inscrever-se nos dois dias. Recomenda-se também o uso de roupa desportiva e confortável.


Estes workshops dirigem-se a toda a comunidade académica, ou seja, estudantes, docentes, investigadores, staff e alumni. A participação é gratuita, mas sujeita a inscrição obrigatória.

Os wokshops de Josefina Fuentes vão arrancar na Casa Comum. Foto: DR

Em residência artística com a comunidade académica

Inspirada pelo conceito do teatro documental da encenadora argentina Lola Arias, durante esta residência artística Josefina Fuentes pretende colocar ao serviço da comunidade as ferramentas e as possibilidades que  o teatro oferece. Os workshops que se propõe realizar ao longo do ano  letivo 2025/2026, passando pelos mais diversos espaços da universidade,  têm por objetivo ouvir e recolher histórias que permitam fazer um  mapeamento de toda a comunidade U.Porto, estimulando, em simultâneo, a  criação artística. A montante de todo este trabalho estará,  naturalmente, a criação de um espaço seguro para que os participantes  possam desenvolver as respetivas capacidades, seja no teatro, na  dramaturgia, na música, direção de cena, desenho teatral, entre outras.  Essencialmente, há três temáticas que irão funcionar de “fio de prumo”: o  bem-estar, a identidade e o sentimento de pertença.


As técnicas de autoconhecimento e de controlo corporal constituem  outra vertente essencial para o ambiente criativo, ou seja, a  inteligência emocional, a confiança na comunicação de ideias e emoções,  assim como a participação em processos criativos coletivos e  multidisciplinares. 


Fonte: Notícias U.Porto

U.Porto celebra o Dia Europeu do Património Académico

O Jardim Botânico e o Edifício Histórico (à  Reitoria) são dois dos pontos de passagem do périplo que a Universidade  propõe para dia 18 de novembro. Participação gratuita.

O programa da U.Porto para o Dia  Europeu do Património Académico 2025 começa com uma atividade no Jardim Botânico. (Foto: U.Porto)

Será um dia para abrir as portas da academia e convidar a curiosidade entrar. Se tiver disponibilidade, o desafio da Universidade do Porto para 18 de novembro, Dia Europeu do Património Académico, começa “com a mão na massa”, na Rua do Campo Alegre. Depois, pés ao  caminho para chegar ao outro lado da margem do Rio Douro, para, mais  tarde, culminar o dia “entre palmeiras” e de regresso à “casa-mãe” da  U.Porto.


Que tal começar a manhã no histórico Jardim Botânico da Universidade do Porto, rodeado de sebes de camélias centenárias que “abrem alas” até um amplo Roseiral? Descobrir onde fica o Jardim do Rapaz de Bronze,  o tal que, que na imaginação de Sophia de Mello Breyner Andresen, deixava a noite cair para reinar sobre todas as plantas do “jardim  maravilhoso”? Esta é uma oportunidade para entrar no Jardim do Xisto,  percorrer o Jardim do Peixe, ver de perto o Jardim dos Anões e descer,  até ao segundo patamar para encontrar o Jardim dos Catos e das  Suculentas, lado a lado com as estufas. Rapidamente encontrará, na cota  ainda mais baixa, o Arboreto, a presa e o lago grande.


O Jardim Botânico (Rua do Campo Alegre, 1191, Porto) é uma das unidades que integram o Museu de História Natural e da Ciência da U.Porto e será, precisamente, aqui que vamos estar Com as mãos na terra. Trata-se de um programa de voluntariado, que convida os intervenientes a participarem na manutenção das coleções do Jardim. A atividade vai  decorrer das 10h00 às 12h00 e as inscrições fazem-se através do e-mail jardimbotanico@mhnc.up.pt.


Depois do almoço, sugerimos que atravesse a ponte para chegar à outra  margem do Rio Douro. É no município de Vila Nova de Gaia que se  encontra a Casa-Museu Teixeira Lopes/Galerias Diogo de Macedo onde, às 15h00, Susana Pacheco Barros, historiadora de arte e mediadora cultural, e Teresa Azevedo, técnica superior na CMTL, irão apresentar Três artistas. Um encontro. Teixeira Lopes. Abel Salazar. Diogo de Macedo.


A exposição, que reúne trabalhos destes três alumni da U.Porto, resulta de uma atividade conjunta da Casa-Museu Abel Salazar e da Casa-Museu Teixeira Lopes e está patente ao público até 21 de dezembro. A participação nesta atividade está sujeita a inscrição através do e-mail casamuseuteixeiralopes@cm-gaia.pt.

Abel Salazar trabalhando no seu laboratório na Faculdade de Farmácia da U.Porto. (Foto: Arquivo Abel Salazar /CMAS)

É, precisamente neste espaço que se encontra exposta a “bata cinzenta de sarja” que era usada por Abel Salazar, tanto em contexto de trabalho científico como artístico. Eleita “a peça do mês”, integra o acervo da Casa-Museu Abel Salazar e estará em destaque, neste dia, no website da CMAS.


No final desta visita, o que propomos é que regresse ao Porto, mais  especificamente ao Edifício Histórico da U.Porto (à Reitoria, na Praça  de Gomes Teixeira), onde irá ficar “entre palmeiras”. Não é sobre um  jardim em particular que iremos focar o discurso, mas sim no movimento  circular ou itinerante das palmeiras pelos diferentes jardins da cidade.  Sabe quantas palmeiras já passaram pela praça que é mais conhecida por  ser “dos Leões”? Para onde foram? O exotismo da folha crispada será já  cenário esbatido? Banalizou-se ao ponto de a deixarmos de ver?


Partindo das duas grandes palmeiras que dominam a Praça Gomes Teixeira, conhecida por “Praça dos Leões”, Paulo Luís Almeida fez um mapeamento da cidade, estabelecendo pontos de ligação entre “espaço urbano, memória coletiva e natureza”. Às 18h00, este professor e investigador da Faculdade de Belas Artes da U.Porto (FBAUP) irá conduzir uma visita guiada à exposição A Terceira Palmeira, patente na Casa Comum (à Reitoria).


À visita, seguir-se-á uma conversa sobre a Vida e História das  Palmeiras da Cidade, que terá como principais protagonistas os  arquitetos paisagistas Paulo Farinha Marques, Joana Tinoco e João Junqueira.

A Terceira Palmeira estará patente na Casa Comum até 22 de novembro.

Mas há um bom motivo para chegar mais cedo à “casa mãe” da Universidade: às 16h30, arranca uma visita guiada à micro-exposição dedicada a  Luís de Pina, uma das Figuras Eminentes da U.Porto 2025. Já às 17h00, será a vez do artista plástico argentino, Juan Nordlinger, orientar uma visita à outra exposição que se encontra também patente na Casa Comum: Intimismo.


Organizado anualmente pelas universidades que se encontram  representadas no Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas  (CRUP), o Dia Europeu do Património Académico congrega um conjunto de  iniciativas com o objetivo de promover e partilhar a riqueza de uma herança cultural que pode ser usufruída por todos. 


Fonte: Notícias U.Porto

U.Porto recorda Luís de Pina, o "Professor de toda a Universidade"

Exposição de objetos pertencentes ao histórico  médico, professor, humanista e uma das Figuras Eminentes da U.Porto 2025  estará patente na Reitoria, a partir de 18 de novembro.

Luís de Pina destacou-se  como professor da Faculdade de Medicina, mas também como primeiro diretor da "segunda" Faculdade de Letras. Foto: DR

Um desenho arqueológico e outro de anatomia comparada, assim como um  alto-relevo de S. João de Deus são as peças que estarão em exposição a partir das 16h45 do próximo dia 18 de novembro, no hall de entrada do edifício da Reitoria da Universidade do Porto. As peças pertencem a Luís de Pina e é com elas que celebramos o legado do antigo estudante e professor da  Faculdade de Medicina da U.Porto (FLUP), primeiro diretor da Faculdade  de Letras (FLUP) e uma das Figuras Eminentes da U.Porto 2025.


São João de Deus é um dos maiores expoentes da tradição cristã de  assistência aos doentes, inserindo-se na galeria de santos médicos e  cuidadores, enquanto pioneiro na assistência a alienados e símbolo de uma medicina inspirada pela caridade. Para Luís de Pina, a sua vida e obra colocam-no com pleno direito entre os grandes nomes da história médico-religiosa, como precursor da ética assistencial contemporânea.


Os desenhos de anatomia comparada e de arqueologia, da autoria de Luís de Pina, assim como o alto-relevo de S. João de Deus, pertencem ao  Museu de História da Medicina Maximiano Lemos, da Faculdade de Medicina  da U.Porto (FMUP).

Sobre Luís de Pina

Nascido em Luanda, em 1901, Luís José de Pina Guimarães regressou a  Portugal aos oito anos, fixando morada em Guimarães, terra do pai.  Depois de concluídos os estudos preparatórios médicos na Universidade de Coimbra, matriculou-se, em 1921, na Faculdade de Medicina da U.Porto. Foi aqui que escreveu o seu primeiro livro de poemas Sol Nascente e se fez médico. Doutorou-se em 1930 com a tese Vimaranes,  coletânea arqueológica, etnográfica, histórica, científica e médica. Na FMUP, ocupou os lugares de assistente de Anatomia (1927), de professor auxiliar de Medicina Legal, História da Medicina e Deontologia Criminal  (1931) e de professor catedrático de História da Medicina e Deontologia  Profissional (1944).


Durante décadas, dirigiu também o Instituto de Criminologia do Porto. Foi um dos grandes entusiastas da criação do Centro de Estudos Humanísticos do Porto, organização cultural a que presidiu e, em grande parte, devido à ação dedicada aos estudos históricos, foi o primeiro Diretor da Faculdade de Letras da U.Porto (FLUP), entre 1961-1966.


Organizador (com outras figuras da História e das Letras portuenses) das comemorações do 6.º Centenário da Morte do Infante D. Henrique,  no Porto, apresentou numerosos trabalhos científicos em congressos  nacionais e internacionais. Escreveu textos nas áreas da História da Medicina e da Deontologia Profissional, como o capítulo "Instituições de bemfazer e atividades culturais," na História da Cidade do Porto dirigida por Damião Peres e "A medicina portuense no século XV", publicada na Revista Studium Generale do Centro de Estudos Humanísticos. Foi autor de desenhos, caricaturas e esculturas.


Fundou e dirigiu o Museu de História da Medicina Maximiano Lemos da FMUP, em 1933, que ajudou a transferir para o edifício do Hospital de S. João, que também acolhe a Faculdade de Medicina.


Integrou ainda diversas sociedades científicas portuguesas e estrangeiras e recebeu altas distinções. Foi agraciado com a Medalha de  Honra da Cidade do Porto, e nomeado Grande Oficial da Ordem de Cristo,  da Ordem do Infante D. Henrique, da Ordem Equestre do Santo Sepulcro,  Oficial de Mérito da República Italiana, e ainda Oficial da Ordem Científica de Carlos Finlay.


Luís de Pina morreu em 1972 e, por todo o seu percurso e trabalho  desenvolvido, foi intitulado de “Professor de toda a Universidade”. 


Fonte: Notícias U.Porto

Novembro na U.Porto

Para conhecer o programa da Casa Comum e outras iniciativas, consulte a Agenda Casa Comum ou clique nas imagens abaixo.

Uma viagem pelo asfalto. O Rock no Porto nos anos 80 | EXPOSIÇÃO

Até 22 NOV'25 
Exposição | Casa Comum
Entrada livre. Mais informações aqui 

Uma Viagem pelo Asfalto. O Rock no Porto nos anos 80 | PROGRAMA ESPECIAL DE ENCERRAMENTO

22 NOV'25 | das 10h00 às 00h00
Programa | Casa Comum
Entrada livre. Mais informações aqui 

"Intimismo" | Exposição de Juan Ricardo Nordlinger

Até 22 NOV'25
Exposição | Casa Comum
Entrada livre. Mais informações aqui

A TERCEIRA PALMEIRA, Desenhos e outras interrupções

Exposição | Casa Comum
Até 22 NOV'25 
Entrada Livre. Mais informações aqui 

Dia Europeu do Património Académico

18 NOV'25 
Várias atividades | Casa Comum, Jardim Botânico, Casa-museu Teixeira Lopes
Entrada Livre. Mais informações e inscrições aqui 

IndieJúnior Porto 2026 | Antevisão para Profissionais da Educação 

18 NOV'25 | 18h00
 Cinema; Sessão informativa | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações e inscrições aqui

Colectivo de Poesia - Poetas a várias vozes na Casa Comum | Cecília Meireles

18 NOV'25 | 21h30
Poesia | Casa Comum 
Entrada Livre. Mais informações aqui

Performance e Identidade Cidadã, de Josefina Fuentes | workshop em diálogo com a exposição A Terceira Palmeira

20 e 21 NOV'25 | 18h00 
Workshop | Casa Comum 
Entrada Livre. Mais informações e inscrições aqui

U.PORTO ARGUMENTA, com Sociedade de Debates da U.Porto 

20 NOV'25 | 18h30
Debate | Casa Comum 
Entrada Livre. Mais informações aqui

Temas Ocultos | Paulo Barros, piano e composição; José Lima, contrabaixo 

21 NOV'25 | 18h30
Música | Casa Comum 
Entrada Livre. Mais informações aqui

Tardes de Matemática | A descoberta de Neptuno

22 NOV'25 | 16h00
Palestra, ciência | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui 

Daniel Serrão, 3 retratos  

19 NOV'25 | 18h00
Figura Eminente | Fundação Livraria Lello - Mosteiro Leça Balio
Entrada Livre. Mais informações aqui 

Club di Lettura Italiano 2025 | Clube de Leitura Italiano 2025

11 DEZ'25 | 19h00
Literatura | Casa Comum e ASCIPDA
Entrada Livre. Mais informações e inscrição aqui 

LOUREIRO 100. ARQUITECTURAS DE REPRESENTAÇÃO

De 8 NOV'25 a 21 FEV'26 
Exposição | Fundação Marques da Silva
Mais informações aqui 

Exposição LOBO2526GLER

De 11 NOV'25 a 04 JAN'26
Exposição | Galeria da Biodiversidade
Entrada Livre. Mais informações aqui 

Gemas, Cristais e Minerais

Exposição | Museu de História Natural e da Ciência U.Porto
Entrada Livre. Mais informações aqui 

Corredor Cultural

Condições especiais de acesso a museus, monumentos, teatros e salas de espetáculos, mediante a apresentação do Cartão U.Porto.
Mais informações aqui

Ocean Coast Film Festival 2025 premeia documentário sobre José Luís Borges Coelho

O filme Zé Luís, um Escultor de Vozes,  dedicado ao histórico maestro do Coral de Letras da U.Porto, venceu o  prémio de melhor documentário do festival.

O Festival Internacional Ocean Coast Film Festival 2025 decorreu nos dias 7 e 8 de novembro, no  Auditório de Lavra, em Matosinhos. Foto: DR

Foi uma homenagem que a academia prestou ao fundador do Coral de Letras da Universidade do Porto e arrecadou, no passado dia 7 de novembro, o Prémio de Melhor Documentário do Festival Internacional Ocean Coast Film Festival 2025. O filme Zé Luís, um Escultor de Vozes, dedicado a José Luís Borges Coelho, que faleceu em agosto passado, foi realizado por José Paulo Santos, da Unidade de Cultura da Reitoria da U.Porto.


Abrangendo um arco temporal que nos situa entre novembro de 2022 e  julho 2023, o documentário leva-nos a assistir aos ensaios do maestro  com o Coral de Letras, mas também a outros momentos do seu dia-a-dia.  Participamos das conversas com atuais e antigos elementos do Coro e  entramos em sua casa, testemunhando o convívio com familiares, amigos e  outros músicos como, por exemplo, Pedro Abrunhosa.


Para além da música, este documentário de José Paulo Santos abre uma  janela para outra faceta do maestro, menos conhecida, que era a paixão  por cinema. Durante uma conversa, em casa, com o filho, Miguel Borges  Coelho, pianista e antigo membro do Coral de Letras, vemos filmagens que  José Luís Borges Coelho realizou, em super 8, documentando as viagens  do Coral de Letras da U.Porto pelo país e no estrangeiro. Nestas  conversas mais informais, o maestro revelou ainda que criou bandas  sonoras para alguns filmes de Manoel de Oliveira.


Zé Luís, um Escultor de Vozes vai ser ainda exibido no próximo dia 29 de novembro, no Festival Internacional de Cinema Independente de Braga.

Zé Luís, um Escultor de Vozes, venceu o Prémio de Melhor Documentário do Ocean Coast Film Festival 2025.

Sobre José Luís Borges Coelho

Nasceu em Murça, em 1940, e concluiu o Curso Superior de Canto do  Conservatório de Música do Porto. Em 1968, licenciou-se em História pela  Faculdade de Letras da U.Porto (FLUP). Professor em diversas  instituições dedicadas ao ensino especializado da música e do teatro,  foi presidente do Conselho Diretivo do Liceu Alexandre Herculano (Porto)  e do Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Braga, assim como  diretor pedagógico da Academia de Música de Viana do Castelo e da  Cooperativa de Ensino Superior Artístico Árvore (Porto). Presidiu também  ao Conselho Científico da ESMAE — Escola Superior de Música e Artes do  Espetáculo do Porto.


Militante do PCP, José Luís Borges Coelho foi membro fundador do  Sindicato dos Professores da Zona Norte, da Associação dos Profissionais  do Ensino da Música, dos Conselhos Gerais da Culturporto, da Fundação  para o Desenvolvimento Social do Porto, do Instituto Politécnico do  Porto, do Conservatório de Música do Porto e da Cooperativa Árvore.  Integrou ainda o Conselho de Administração da Sociedade Porto 2001 e da  Fundação Casa da Música (2006-2013).


Para além do Coral de Letras que dirigiu desde a fundação, em 1966,  dirigiu o Coro Misto Sacro de S. Tarcísio, o Orfeão Universitário do  Porto, o Coro do Círculo Portuense de Ópera (1983-1994) e o Ensemble  Clepsidra. O maestro faleceu em agosto de 2025.

Sobre José Paulo Santos

Nasceu em Coimbra, em 1979, e reside em Matosinhos. Desde 2013 que se dedica ao cinema independente. Realizou os filmes …além da sala de espera que integrou o Plano Nacional de Cinema, Circunstâncias, Observador, 13H, 1965 | Panreal, um edifício de Nadir Afonso e o Zé Luís, um escultor de vozes.


Os seus filmes foram exibidos em mais de 270 festivais internacionais  de cinema, tendo ultrapassado os 250 prémios internacionais. Pontualmente, é júri em festivais internacionais de cinema.


Atualmente, José Paulo Santos integra a equipa da Unidade de Cultura da Reitoria da U.Porto. É também coordenador e professor no curso de  Multimédia da Escola Artística da Árvore.


Fonte: Notícias U.Porto

U.Porto acolhe XI Congresso Internacional sobre Cultura

O papel da Universidade na construção de  culturas inclusivas é um dos temas que estarão em debate, de 24 a 27 de  novembro, no Edifício Abel Salazar.

O encontro internacional vai decorrer de 24 a 27 de novembro, no Edifício Abel Salazar. Foto: U.Porto

A Universidade do Porto, em parceria com a Associação Internacional de Pesquisadores de Culturas (InterCult), recebe, nos dias 24 a 27 de novembro, no renovado Edifício Abel Salazar, o XI Congresso Internacional sobre Culturas.


Investigadores das artes, culturas, património, filosofia, ciências  sociais e humanas, literatura e campos afins vão marcar encontro neste  congresso internacional para debater a cultura como motor de cidadania,  diálogo e transformação social.


Com direito a um painel sobre a Educação para a Interculturalidade, Universidade, Lugar de Cultura, vão ser quatro dias (ver programa)  dedicados ao papel da Universidade na construção de culturas  inclusivas, mas não só. O músico, compositor, artista plástico, curador,  escritor e empreendedor social Dino D’Santiago será o cocoordenador de outro painel dedicado a Culturas Urbanas e Expressões Artísticas e irá participar de uma das mesas-redondas.


Há ainda outros painéis dedicados a temas como a Diversidade Cultural e Inclusão: Raça, Género e Sexualidade; Políticas para a Cultura e a Democracia; Cultura, Desenvolvimento, Redes e Inteligência Artificial, entre outros.

Como participar no XI Congresso Internacional sobre Culturas?

A participação no XI Congresso Internacional sobre Culturas está sujeita a uma inscrição prévia. A entrada é gratuita para estudantes, docentes, investigadores e técnicos da U.Porto. Já para os alumni, os bilhetes custam 20 euros e dão direito aos materiais do congresso, bem como a todos os coffee-breaks.


Para o público em geral, nomeadamente estudantes, docentes e técnicos  de outras universidades, o preço da inscrição é de 30 euros.


Também vai ser possível assistir à transmissão das mesas-redondas plenárias no canal InterCult | Rede Culturas.


O congresso é realizado em parceria com a InterCult, rede a que a  U.Porto aderiu em 2024 e que reúne 24 universidades brasileiras,  portuguesas e moçambicanas na promoção e partilha de saberes,  informações, e experiências sobre culturas em países lusófonos. São  ainda parceiros diferentes centros de investigação da Universidade,  nomeadamente o CETAPS – Centre for English, Translation, and  Anglo-Portuguese Studies, o Centro de Investigação e Intervenção Educativas (CIIE), o Centro de Psicologia da U.Porto (CPUP) e o Instituto de Sociologia (IS-UP). 


Fonte: Notícias U.Porto

Há novos podcasts no espaço virtual da Casa Comum

179. catorze mil seiscentos e noventa e um, oito e trinta e sete, Rui Sobral

 “catorze mil seiscentos e noventa e um, oito e trinta e sete”, de Rui Sobral, in noturnos, 2025, p. 103.

104. Ls gambusinos de Furmino

“I sabes que más? Lhebórun-lo eilhi pal pie de la silbeira a la punta  de baixo de la tierra de Tiu Abelino i deixórun-lo de zinolhos na niebe  ancarambinada c’ua saca abierta a spera que ls gambusinos antráran…” Esta cuonta,  screbida por Alcides Meirinhos, de Cicuiro, fai parte de l manhuço de  cuontas an mirandés que partecipórun ne l “II PREMIO MEMORIA ESCOLAR  RURAL” patrocinado pul Ayntamiento de Fonfría, la Ounibersidade de  Salamanca i la Casa del Maestro an Ceadeia.


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Daniel Serrão recordado por discípulos e antigos colegas

O evento Daniel Serrão, 3 retratos, inserido  no programa das Figuras Eminentes da U.Porto 2025, tem lugar a 19 de  novembro, no Mosteiro de Leça do Balio.

O histórico médico e professor da FMUP vai ser recordado pela voz de três antigos professores e estudantes de Medicina. Foto: Egidio Santos

Será um momento para explorar e celebrar a obra e o legado de Daniel Serrão, uma das seis Figuras Eminentes da Universidade do Porto 2025. O encontro, intitulado Daniel Serrão, 3 retratos, realiza-se no próximo dia 19 de novembro, às 18h00, na Fundação Livraria Lello, no Mosteiro de Leça do Balio.


Com este encontro, pretende-se cruzar diferentes gerações e partilhar  a vida e obra do antigo estudante e professor da Faculdade de Medicina  da U.Porto (FMUP), pela voz – e memória – dos colegas e discípulos que o  acompanharam, bem como analisar o impacto nas gerações mais novas que  nunca o conheceram pessoalmente.


À conversa estarão então dois Professores Catedráticos Jubilados da FMUP: Levi Guerra, que é também pintor e escritor, e o patologista Manuel Sobrinho Simões, Diretor do IPATIMUP. A estes juntar-se-á o médico Francisco Sousa Vieira,  deputado da Comissão de Saúde da Assembleia da República. “Três  retratos” de uma conversa que vai ser coordenada por José Paulo Andrade, docente da FMUP.


Cada interveniente deixará um retrato do colega, do mestre e da  pessoa que foi Daniel Serrão, ajudando assim a reconstituir o património  que se encontra disponível para as gerações mais novas. Todos os  intervenientes são alumni da FMUP, à semelhança do próprio Daniel Serrão.


A entrada é gratuita mediante aquisição prévia do bilhete (pelo número de lugares limitados).


A Fundação Livraria Lello localiza-se no Mosteiro de Leça do Balio,  lugar onde os Reis D. Fernando e D. Leonor casaram em 1372 e cuja  reabilitação recente foi conduzida pelo Arquiteto Álvaro Siza Vieira. 


Fonte: Notícias U.Porto

U.Porto Press traduz para português contos de Susan Glaspell

Julgada Pelos Seus Pares e Outras Histórias será apresentado publicamente a 25 de novembro, no renovado Edifício Abel Salazar, no âmbito do XI Congresso Internacional sobre Culturas. Entrada livre.

Esta obra, que inaugura a coleção Liminal da U.Porto Press, é uma homenagem à escritora norte-americana e a Ana Luísa Amaral, impulsionadora da publicação e tradutora de um dos contos. / FOTO: U.Porto Press

Julgada pelos seus pares e outras histórias é a obra escolhida pela U.Porto Press para inaugurar a sua coleção Liminal,  através da qual passa a publicar ficção curta estrangeira, da autoria  de mulheres, traduzida para português europeu. Esta nova coleção tem como objetivo dar voz a autoras de outras culturas menos conhecidas do público lusófono.


“Lançada a oportunidade de a U.Porto Press beneficiar do programa da FLAD – Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento de apoio à tradução de obras literárias escritas por autores  americanos, a proposta de Ana Luísa Amaral foi imediata: deveríamos  publicar contos de Susan Glaspell (1876-1948)”, conta Fátima Vieira, na "Nota Prévia" a esta edição.


Este título nasce, portanto, de um projeto idealizado por Ana Luísa  Amaral – escritora, tradutora e professora de Literatura e Cultura  Inglesa e Americana –, que passaria pela tradução dos contos nele  incluídos e, também, pela redação da introdução. Contudo, “a sua morte  prematura impediu a materialização [dessa] ideia”, explica Fátima Vieira.


Julgada pelos seus pares (A Jury of her peers, 1917) – ainda hoje  estudado nas escolas e universidades de língua inglesa – foi o único conto que Ana Luísa Amaral deixou traduzido e que foi aqui publicado, com revisão de Marinela  Freitas.  Os restantes três contos – “O sorriso dele” (“His smile”, c.  1921), “O Anarquista e o seu cão” (“The Anarchist and his dog”, 1912) e  “De A a Z” (“From A to Z”, 1909) – foram traduzidos por Marinela Freitas  e Fátima Vieira.


Julgada pelos seus pares e outras histórias, que homenageia simultaneamente Susan Glaspell e Ana Luísa Amaral, será apresentado publicamente no próximo dia 25 de novembro, pelas 17h45, no auditório do renovado Edifício Abel Salazar (Largo do Prof. Abel Salazar, junto ao Hospital de Santo António), no âmbito do XI Congresso Internacional sobre Culturas.


A sessão contará com intervenções de Fátima Vieira, Vice-Reitora da  Universidade do Porto (U.Porto) para a Cultura, Museus e U.Porto Press,  docente do Departamento de Estudos Anglo-Americanos da Faculdade de  Letras da U.Porto (FLUP) e coordenadora do CETAPS – Centre for English,  Translation and Anglo-Portuguese Studies, e Marinela Freitas, docente da  FLUP e membro da Direção do Instituto de Literatura Comparada Margarida  Losa.


Também esta sessão será uma forma de a U.Porto Press e a U.Porto homenagearem Ana Luísa Amaral.


A entrada é livre.

O legado de uma escritora feminista

Susan Glaspell foi “amplamente reconhecida no seu tempo”, conforme explica Fátima Vieira na "Introdução" a esta obra, o que justificou a atribuição do prestigiado Prémio Pulitzer de Teatro, com A  Casa de Alison (Alison’s House, 1930). A escritora norte-americana  teve um papel ativo na definição da literatura modernista, tendo-se  notabilizado como ativista política e feminista.


“Em 1920, as suas peças começaram a ser publicadas no Reino Unido, onde obteve ainda maior reconhecimento como dramaturga”. Contudo, “foi apenas na década da 70 do século XX que o nome de Susan Glaspell se viu resgatado para a história da literatura americana”.  Segundo Fátima Vieira, a obra foi votada ao esquecimento devido à  “valoração de autores masculinos que presidia à criação do cânone literário”, bem como aos temas que abordava na sua ficção, “inscritos no  dia-a-dia das mulheres”.


“Vista, nas décadas imediatas à sua morte, em 1948, como uma  escritora ‘doméstica’, porta-voz de emoções femininas, Glaspell foi uma  das autoras mais injustamente marginalizadas na literatura – felizmente  tornada relevante pela crítica feminista das últimas décadas”, defende  Fátima Vieira.


Nos seus trabalhos – peças, romances, contos – “fez refletir as  preocupações da primeira vaga do movimento feminista, focada na  conquista de direitos para as mulheres”. Grande parte da sua obra denuncia a vida das mulheres, “sobretudo na esfera doméstica (…),  acompanhada pela descrição da sensibilidade feminina como uma forma de  resistência”.


 A  tradução destes contos, a primeira em português europeu, teve o apoio da  FLAD – Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento. (Foto: U.Porto  Press)

Com a publicação dos seus contos em revistas, Glaspell conseguiu  alcançar um público vasto e variado. “Julgada pelos seus pares” – o  primeiro deste livro – foi publicado na revista Every Week Magazine,  dirigida a homens e mulheres de classe média, com um formato e estética  inovadores e uma circulação semanal aproximada de 600.000 exemplares.


Já o segundo conto – “O sorriso dele” – foi publicado originalmente na revista Pictorial Review,  essencialmente dirigida a donas de casa de classe média, à época da  publicação com uma tiragem superior a um milhão de exemplares mensais.


“O anarquista e o seu cão” e “De A a Z” foram publicados em The American Magazine,  destinada à classe média interessada em cultura, atualidades e  literatura que, naquele período, “excedia amplamente a tiragem de meio  milhão de exemplares, afirmando-se como altamente influente junto dos  leitores americanos”.


Sempre com “a experiência feminina no centro da narrativa, a maioria  dos seus contos proporciona um entendimento da forma como as mulheres  das primeiras décadas do século XX se sentiam e reagiam à injustiça  social silenciosa, em grande parte decorrente da imposição de papéis de  género”.


Para Fátima Vieira, os contos que compõem este livro “exemplificam os  temas que mais preocuparam a autora americana: a solidão, a justiça, a  crítica social e a opressão feminina”. Temas “ainda não resolvidos”, que  fazem da leitura da obra de Susan Glaspell “não (…) apenas um ato de  justiça literária face a uma autora que abriu caminhos em tantos  sentidos, mas sobretudo um ato ético e empático: uma afirmação da  vontade de escuta das vozes esquecidas, silenciadas e marginalizadas – e  da capacidade para reconhecermos o seu eco em muitas lutas  contemporâneas”.


Julgada pelos seus pares e outras histórias está disponível na loja online da U.Porto Press, com 10% de desconto.

Sobre a autora

Susan Glaspell nasceu em 1876 em Davenport, no Iowa  (EUA). Desde cedo se afirmou pelo seu espírito combativo e irreverente.  Licenciou-se em Filosofia na Drake University.


É autora de uma vasta obra, distribuída por diferentes géneros: nove  romances, catorze peças para teatro, cerca de cinquenta contos, um texto  de literatura para jovens e uma biografia. O seu primeiro romance, A Glória dos Conquistados (The Glory of the Conquered, 1909), tornou-se um best-seller,  mas a sua irreverência revelou-se mais forte na sua obra dramática,  acolhida com grande simpatia pela crítica e pelo público. Embora a fama  lhe tenha sido assegurada por Bagatelas (Trifles, 1916), foi com A Casa de Alison (Alison’s House,  1930) que granjeou o Prémio Pulitzer de Teatro. Em 1920, as suas peças  começaram a ser publicadas no Reino Unido, onde obteve ainda maior  reconhecimento como dramaturga.


Fonte. U.Porto Press

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