O DIA DAS PROMESSAS

Desde pequena que, no dia 31 de dezembro, me habituei a subir a uma cadeira com doze uvas-passas na mão – idealmente para as meter à boca, uma a uma, ao som das doze badaladas. Sempre achei este ritual complicado.


A primeira parte provocava risos: as senhoras a tirarem, à pressa, os sapatos, para não estragarem as cadeiras com os tacões; as crianças a empoleirarem-se nos sofás; e os homens deixando-se ficar em terra enquanto nós lhes gritávamos: “Subam para um lugar alto! Para começarem o ano subindo de nível!”.


A parte das passas era mais complexa. Uma amiga decretara que cada uva-passa representava um desejo e que deveríamos ter preparada uma lista com doze! O exercício tornava-se verdadeiramente difícil pelo facto de termos de atirar para dentro da boca cada uma das passas ao mesmo tempo que formulávamos cada desejo. Ocupava os últimos dias do ano a fazer uma lista e estabelecer prioridades. Sabia que a probabilidade de não conseguir fazer coincidir os desejos com as uvas-passas e as badaladas era bastante alta a partir da quarta ou quinta badalada, pelo que importava mesmo saber o que mais queria.


Se a noite de 31 de dezembro se inscrevia na esfera dos desejos, no primeiro dia do ano comprometia-me a contribuir para que estes se concretizassem. Assim, se o desejo era perder algum peso, no dia 1 prometia fazer dieta durante três meses; se o desejo era comprar aquelas calças à boca de sino que tinha visto nos Pinto’s, prometia poupar as semanadas até reunir o valor necessário.


Este último mês de dezembro, contudo, a minha preparação para o novo ano foi um tanto atabalhoada: as uvas-passas estavam esgotadas no supermercado, pelo que tive de me contentar com sultanas; e só dei conta de que estávamos perto da meia-noite mesmo em cima do último minuto, pelo que subi para o primeiro banco que encontrei e engoli as sultanas sem me lembrar dos desejos. Frustrada, no dia seguinte, achei que deveria compensar com uma promessa séria: aprender a dizer “não” às solicitações de eventos, para ter mais tempo para estar com a família e os amigos. A leitura, na última semana, de O Tempo da Promessa, de Marina Garcés, fez-me colocar a minha promessa em perspetiva.


Hoje todos fazem promessas – afirma a filósofa espanhola. Não são apenas os políticos e os apaixonados, mas também a publicidade, a ciência e a tecnologia, a medicina. Garcés escrutina, no seu livro, todo o tipo de promessas e respectivas retóricas, analisando conceitos que na sua esfera se inscrevem, como a falsidade ou a traição. O que acho mais interessante, contudo, é a forma como a filósofa descreve o poder da palavra.


Prometer – defende Garcés – é “uma ação que se faz com a palavra”. E tão poderosa é que “interrompe o destino”. A promessa “faz nascer um vínculo, reordena a realidade e as suas possibilidades”. “A promessa é a palavra no tempo: quando alguém faz uma promessa, tem de a situar em algum calendário”. “Ao prometermos, tornamo-nos artesãos do tempo: damos-lhe forma, ritmo e acordo”.


À medida que lia o livro de Garcés, imaginava-me a modelar o meu tempo, a libertar-me do peso constante dos eventos em que participo a desoras, durante a semana,  mas também ao fim de semana. Será – pensei – que se disser que fiz a mim mesma uma promessa os outros vão compreender?


Agora que estou a escrever este texto, tenho à minha frente o livro de Marina Garcés aberto na página 84. Leio: “No instante em que a fazemos, a promessa enche de futuro o presente. É um futuro presente”.


Amanhã (sábado) vou estar com o meu neto. Sinto já no corpo o calor do seu abraço.


Fátima Vieira
Vice-Reitora para a Cultura e Museus


P.S. Desejo a todos os amigos e amigas da Casa Comum um excelente 2026, cheio de promessas formuladas e cumpridas!

50 anos da arte de Francisco Laranjo celebrados na U.Porto

Programa de eventos paralelos à exposição  patente na Casa Comum arranca a 15 de janeiro com mesa-redonda para  debater a obra e o pensamento do artista. Entrada livre.

Francisco Laranjo: Porto, Dresden, Nagasaki, vai estar patente nas Galerias da Casa Comum até 23 de março. Foto: U.Porto

São visitas guiadas, conversas e a gravação de um podcast. Inaugurada em dezembro de 2025, Francisco Laranjo: Porto, Dresden, Nagasaki é uma exposição que reúne 50 anos de trabalho artístico do artista,  investigador, professor e antigo diretor da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (FBAUP). Um programa para acompanhar até 23 de março, nas Galerias da Casa Comum (à Reitoria) da U.Porto.


Sempre o Invisível – seleção de entrevistas de Francisco Laranjo é o título de um livro com a chancela da Editora U.Porto Press que foi lançado a 11 de dezembro, dia da inauguração da exposição, e será também o mote para o primeiro evento deste ciclo, agendado para dia 15 janeiro.


Com a participação de Laura Castro (antiga Diretora Regional de Cultura do Norte), Maria Clara Paulino (Professora Emérita, University of Winthrop) e Diniz Cayolla (Professor Auxiliar, FBAUP), esta mesa-redonda será  moderada por Marta Moreira de Almeida (Diretora-adjunta, Museu de Arte Contemporânea de Serralves). A conversa tem início pelas 17h30, no auditório da Casa Comum. A entrada é livre.


Até ao dia 23 de março haverá ainda outras oportunidades para aprofundar o conhecimento sobre o universo de Francisco Laranjo. No dia 5 de fevereiro, às 18h00, irá realizar-se um encontro para “enquadrar” o artista entre a Literatura e a Música - dito de outra forma, conhecer as suas preferências e inclinações nestas duas áreas. Já no dia 19 de fevereiro, também às 18h00, abrimos um pouco mais o leque de reflexões e iremos integrar a questão do infinito. Que pensamentos desenvolvia sobre "O Infinito"?

A exposição reúne cerca de 50 obras realizadas por Francisco Laranjo ao longe de quase cinco décadas. (Foto: U.Porto)

O mês de março vai trazer as vertentes do  investigador, do pedagogo e toda a relação que manteve com a FBAUP,  faculdade da qual foi diretor desde 2008 até 2014. Francisco Laranjo e a Escola será o tema em debate no dia 12 de março, às 18h00.


Há ainda para oferecer um conjunto de visitas orientadas, algumas pelos curadores Domingos Loureiro (24 de janeiro, às 17h00), Maria Clara Paulino (19 de março, às 17h00), e outras por elementos do arquivo e investigadores (12 de fevereiro às 16h00). A Historiadora de Arte e mediadora cultural Susana Pacheco Barros irá também conduzir visitas guiadas todas as quintas-feiras, às 17h00, sendo que também é possível agendar outros horários. Para fazer  marcações e pedir mais informações, basta enviar um e-mail para cultura@reit.up.pt


Utopia e Infinito em Francisco Laranjo
é, por sua vez, o título do podcast que será conduzido por Maria Clara Paulino e terá um naipe alargado de convidados.


A exposição Francisco Laranjo: Porto, Dresden, Nagasaki pode ser visitada nas Galerias da Casa Comum durante a semana das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 17h30. Aos sábados, as portas abrem das 15h00 às 18h00. A entrada é livre. 


Fonte: Notícias U.Porto

Festival IndieJúnior 2026 vai passar pela U.Porto

O Warm Up da 10.ª edição do Festival Internacional de Cinema infantil e Juvenil acontece no dia 17 de janeiro, na Casa Comum. Entrada livre.

Morte ao Biquini vai passar no Salão Nobre da Reitoria na manhã de 29 de janeiro. Foto: DR

A Universidade do Porto vai ser um dos palcos da 10.ª edição do IndieJúnior Porto – Festival Internacional de Cinema infantil e Juvenil. As sessões deste ano arrancam a 17 de janeiro, com o Warm Up, na Casa Comum (à Reitoria), mas vão passar, até ao final do mês de janeiro, por diferentes locais da academia.


É uma espécie de antecipação do festival. No dia 17 de janeiro, às 16h00, a Casa Comum irá apresentar cinco curtas-metragens recentes de animação europeia, que convidam à viagem, à imaginação e à descoberta: Olá, Verão (Eslováquia), Bobo (Eslováquia), A Carpa e a Criança (França), The Night Tunnel (Bélgica) e Cascos no Skate (Lituânia) são as propostas para esta tarde de sábado, abrindo assim caminho para o espírito do festival.


Dia 29 de janeiro, às 11h00, também no edifício da Reitoria, mas no seu Salão Nobre, terá lugar uma sessão/debate intitulada E em vez do Medo? A Alegria!.


A sessão, que terá como mote a apresentação do filme Morte ao Biquíni!,  de Justine Gauthier, propõe uma reflexão sobre liberdade, aceitação,  amizade e respeito pelas diferenças, contando com a participação de um  painel de convidados e de turmas do ensino secundário. Esta iniciativa é  organizada em colaboração com o Plano Nacional das Artes e integra a Bienal #2 Cultura Educação. A entrada é gratuita, mediante a lotação do espaço.


O programa deste ano inclui ainda uma sessão dirigida a educadores e professores. A Formação Cinema para a Infância realiza-se no dia 27 de janeiro, às 17h00, na Casa Comum.


Orientada pela realizadora de animação Alexandra Allen, esta formação  propõe uma reflexão sobre o cinema enquanto experiência artística e  ferramenta pedagógica, explorando estratégias para trabalhar filmes com  crianças pequenas em contexto educativo.


A iniciativa é realizada em colaboração com a Associação de Profissionais da Educação de Infância (APEI) e tem entrada livre, mediante inscrição prévia em www.apei.pt.

Do espaço à celebração da biodiversidade

Dias 30 e 31 de janeiro, iremos viajar até ao Planetário do Porto – Centro Ciência Viva, para participar em iniciativas que cruzam cinema e ciência.


Para além das sessões especiais Pudim Cósmico e Outras Viagens,  uma experiência imersiva que apresenta um filme sobre o cosmos criado  inteiramente com comida, o Planetário oferece ainda a oficina Galáxia Comestível, onde crianças e famílias serão convidadas a criar um sistema solar comestível, explorando criatividade, imaginação e conhecimento  científico de forma lúdica. Esta oficina tem um custo de 15 euros,  estando a participação sujeita a inscrição prévia.


Na Galeria da Biodiversidade – Centro Ciência Viva, o festival promove duas atividades educativas para famílias e escolas.


Dia 26 de janeiro, às 14h30, propõe Pequenas Vozes, Grandes Mudanças, uma reflexão sobre a relação com a natureza e a importância da ação coletiva para o sucesso da preservação do planeta.


Já no dia 31 de janeiro, sábado, à mesma hora, o convite é para que pais e crianças venham conhecer os Sabores da Diversidade.  A biodiversidade será o principal ingrediente desta atividade que  culminará com “as mãos na massa” na preparação de um bolo. Iniciativas  que reforçam a ligação entre cinema, ciência e educação ambiental.


De referir ainda que o Coral Infantil do Coral de Letras da U.Porto irá atuar no encerramento do Festival IndieJúnior 2026. A atuação está marcada para dia 1 de fevereiro, às 16h00, no Centro Cinema Batalha.

O Prémio Impacto

Para além de acolher, a Universidade do Porto volta também a atribuir o Prémio Impacto do Festival IndieJúnior Porto. Oferecido pela Reitoria, este galardão visa distinguir o filme que mais se destaque pela sua abordagem temática, cuidado estético e criatividade. O júri é composto por membros da comunidade U.Porto, entre eles jovens estudantes universitários.


Este ano o festival terá ainda o apoio do Núcleo de Apoio à Inclusão  da U.Porto, num esforço para tornar os filmes mais acessíveis a todos os  públicos.


A longa metragem Olívia e o Terramoto Invisível, que vai ser exibida no sábado, dia 31 de janeiro, às 14h25, no Centro Cinema  Batalha, terá tradução simultânea em língua gestual portuguesa. Além  desta sessão, muitos outros filmes nacionais serão legendados.

Olívia e o Terramoto Invisível será acompanhado por Língua Gestual Portuguesa. (Foto: DR)

Para mais informações sobre toda a programação do 10.º Festival Internacional de Cinema infantil e Juvenil, consultar o website do evento. 


Fonte: Notícias U.Porto

Uma Primavera em Itália, de Abel Salazar, reeditado pela U.Porto Press

Originalmente publicada em 1934, a obra detalha uma viagem do histórico médico e professor da U.Porto a Itália, em 1925, e a sua passagem por diversas cidades.

Coeditada pela U.Porto Press e pela Casa-Museu Abel Salazar, esta publicação contou com o apoio da Fundação Engenheiro António de Almeida. / Foto: U.Porto Press

Com Uma Primavera em Itália a U.Porto Press convida a mais uma viagem por destinos europeus, conduzida por Abel Salazar, histórico médico, escritor e professor da Universidade do Porto (U.Porto).


Desta vez Abel Salazar rumou até Itália, em 1925, onde visitou  diversas cidades, detalhando as suas impressões a respeito das mesmas.


Esta é uma coedição da Editora da Universidade do Porto e da Casa-Museu Abel Salazar, com o apoio da Fundação Engenheiro António de Almeida, que assim reeditam uma obra originalmente publicada em 1934, em Lisboa, pela Casa Editora Nunes de Carvalho.


Uma Primavera em Itália foi publicado em 1934, em Lisboa, pela Casa Editora Nunes de Carvalho, sendo o primeiro volume da Contemporânea – Biblioteca de autores nacionais e estrangeiros.


O livro junta-se, agora, à coleção Pensamento, Arte e Ciência, da U.Porto Press, criada em 2022 com o propósito de divulgar a obra ensaística, literária  e artística de Abel Salazar, através da publicação de títulos esgotados  ou pouco conhecidos e, também, inéditos.


Da mesma coleção fazem parte Paris em 1934 (2022), Testamento de um Morto Vivo Sepulto na Casa dos Mortos, em Barcelos (2022), A Crise da Europa (2023) e Um Estio na Alemanha (2024).

Um périplo por Itália, com Abel Salazar

“Galgado o cenário do nosso Douro alcantilado, com a solidária rudeza  das suas vinhas em socalcos, a prumo sobre a torrente barrenta que  desliza em baixo, vagarosamente, entra-se no planalto de Castela”, lê-se  logo no início de “A Loucura das paisagens”, capítulo inaugural deste livro. Neste, Abel Salazar relata a sua viagem de 1925 até Itália, com  passagens por Madrid e sul de França, incluindo olhares sobre os  Pirenéus, a Côte d’Azur ou os Alpes.


“E quase de chofre altos muros se erguem, bruscos, entre estampidos, ranger de ferrolhos, gritos de rails húmidos − o expresso estaca em Turim, com o Sol matinal dourando o ocre patinado do casario regular”.


Abel Salazar deslocou-se a Turim a convite da Association des Anatomistes, para a sua vigésima reunião, na qual participou enquanto representante  do Instituto de Histologia e Embriologia da Faculdade de Medicina da  U.Porto.

O  livro integra a coleção Pensamento, Arte e Ciência da Editora da  Universidade do Porto, dedicada à edição e reedição de obras de Abel Salazar. (Foto: U.Porto Press)

Mas não se ficou por ali. Nos capítulos seguintes desta obra  refere-se às suas visitas a Milão, Florença, Roma, Nápoles, Pisa, Génova  e Veneza, registando os seus encantos e desencantos.


Para além do texto original, a presente reedição inclui, “também da  primeira edição de 1934, obras de dois alunos e depois professores na  Faculdade de Medicina do Porto: uma caricatura da autoria de Luís de  Pina (1901-1972), que retrata Abel Salazar ao microscópio, desenho esse  anteriormente usado num postal comemorativo do Centenário da Faculdade  de Medicina do Porto em 1925; e uma nota biobibliográfica de Almerindo  Lessa (1909-1995), assistente de Abel Salazar na cadeira de Anatomia  Microscópica e seguidor do seu ideário progressista”.


Uma Primavera em Itália está disponível na loja online da U.Porto Press, com 10% de desconto. 


Fonte: U.Porto Press

Janeiro na U.Porto

Para conhecer o programa da Casa Comum e outras iniciativas, consulte a Agenda Casa Comum ou clique nas imagens abaixo.

Francisco Laranjo: Porto, Dresden, Nagasaki

11 DEZ'25 a 28 FEV'26
Exposição | Casa Comum 
Entrada Livre. Mais informações aqui

Eu sou o meu mundo, corpo vegetal | Exposição de Graça Sarsfield 

10 DEZ'25 a 21 MAR'26
Exposição | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

Dupla Exposição

15 DEZ'25 a 15 FEV'26
Exposição | Museu de História Natural e da Ciência da U.Porto
Entrada Livre. Mais informações aqui

Meu nome é ninguém, de Luís Soares Barbosa | Apresentação do livro 

12 JAN'26 | 18h30
Apresentação de livro | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

Sempre o Invisível | Conversa 

15 JAN'26 | 17h30
Conversa | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

IndieJúnior Porto Warm-UP 

17 JAN'26 | 16h00
Cinema | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

A arte do discurso no barroco e no classicismo | Michael G. Jennings, piano

23 JAN'26 | 18h30
Música | Casa Comum 
Entrada Livre. Mais informações aqui

Teoria das Cordas | Festival de guitarra em espaços universitários

 23, 24, 30 e 31 JAN'26
Música | Vários locais
Entrada Livre. Mais informações aqui

Sombras que não quero ver

 DEZ'25 a MAR'26
Exposição | FMUP
Entrada Livre. Mais informações aqui

LOUREIRO 100. ARQUITECTURAS DE REPRESENTAÇÃO

De 8 NOV'25 a 21 FEV'26 
Exposição | Fundação Marques da Silva
Mais informações aqui 

Sob mares frágeis, de Pedro Camanho

De 14 JAN a 29 MAR'26
Exposição | Galeria da Biodiversidade
Entrada Livre. Mais informações aqui 

Gemas, Cristais e Minerais

Exposição | Museu de História Natural e da Ciência U.Porto
Entrada Livre. Mais informações aqui 

Corredor Cultural

Condições especiais de acesso a museus, monumentos, teatros e salas de espetáculos, mediante a apresentação do Cartão U.Porto.
Mais informações aqui

Galeria da Biodiversidade vai estar Sob Mares Frágeis

Exposição convida a "mergulhar" nas profundezas  do oceano através da fotografia de Pedro Camanho. Para "sentir a  maresia" de 14 de janeiro a 29 de março. Entrada livre.

"Hypselodoris apolegma". Imagem captada no oceano Indo-Pacífico. (Foto: Pedro Camanho)

São 25 fotografias, em grande escala, colhidas das profundezas submarinas. Pedro Camanho, professor  e investigador da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), mergulhou Sob Mares Frágeis, nos oceanos Pacífico, Atlântico, Índico e Indo-Pacífico e traz-nos, agora, à tona, os tesouros que tanto o fascinam. Para descobrir na Galeria da Biodiversidade – Centro Ciência Viva do Museu de História Natural e da Ciência da U.Porto (MHNC-UP), de 14 de janeiro a 29 de março.


Como nos diz o escritor, filósofo e professor universitário Onésimo Teotónio Almeida, parafraseando o realizador Glauber Rocha, Pedro Camanho surge-nos como  um mergulhador “de câmara na mão”, guiado por “uma obsessão na cabeça  coberta de máscara submarina”. O seu foco é “a vida debaixo da  superfície do mar, o que ela foi e ao que está condenada a ser se não  nos acautelarmos”.  O seu olhar leva-nos a descobrir os “melhores  segredos” que a natureza sepultou bem fundo, “sob os mares”. Um  requintado universo de magia e deslumbramento que, pela sua velada  condição, só a muito poucos se revela. O que torna ainda mais rara esta  oportunidade quase sinestésica de “pairar nas profundezas do mar”.


Para além da sua inigualável beleza, Sob Mares Frágeis  pretende também chamar a nossa atenção para a degradação dos oceanos e  ecossistemas marinhos e para o risco de desaparecimento destas  fascinantes e prodigiosas espécies, caso não se tomem medidas concretas  para a proteger destes habitats e combater poluição dos mares, assim com a pesca excessiva.


“Não nos restam desculpas para nos mantermos insensivelmente  passivos. É urgente salvarmos o mar se queremos salvar a terra”,  sublinha Onésimo Teotónio Almeida no prefácio do livro que resume esta  aventura fotográfica pelos mares, e que assume o mesmo título da  exposição.


A Galeria da Biodiversidade – Centro Ciência Viva poderá ser visitada  de terça-feira a domingo das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00, sendo  que o último acesso às 17h30.

“Mobula tarapacana e Remora”. Imagem captado na Oceano Atlântico. (Foto: Pedro Camanho)

Sobre Pedro Camanho

É Professor Catedrático da Faculdade de Engenharia da U.Porto (FEUP),  Investigador Integrado no Laboratório Associado em Energia, Transportes  e Aeroespacial e Investigador Colaborador no Centro de Investigação em  Biodiversidade e Recursos Genéticos. Doutorado em Engenharia Aeronáutica  pelo Imperial College London, foi também Investigador Convidado na NASA  – Langley Research Center e Professor Visitante nas Universidades de  Brown, Cambridge e ENS-Cachan.


É, ainda, Sócio Correspondente da Academia das Ciências de Lisboa,  Membro Efetivo da Academia de Engenharia e Fellow da Royal Aeronautical  Society. Recebeu, entre outros, o Prémio de Excelência Científica da  Universidade do Porto (2020), a Medalha da Académie de l’Air et de l’Espace (2024) e o NASA Reid Award (2006). 


Fonte: Noticias U.Porto

Curta-metragem portuguesa produzida na UPTEC na corrida aos Óscares

A produtora Os Filmes do Pinguim fez parte do desenvolvimento de Porque Hoje é Sábado, uma curta-metragem de Alice Eça Guimarães.

Porque Hoje é Sábado retrata o peso desproporcional da vida familiar no quotidiano das mulheres Imagem: Alice Eça Guimarães/DR

A curta-metragem animada Porque Hoje é Sábado, que retrata o peso desproporcional da vida familiar nas mulheres, integra a longlist para os Óscares de 2027. A produção foi levada a cabo pel’Os Filmes do Pinguim, marca da Pinguim Atrevido, estúdio de animação e ilustração instalado na UPTEC – Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto.


Além do sucesso em Portugal, o filme realizado por Alice Eça Guimarães já arrecadou mais de uma dezena de prémios e menções honrosas em  Festivais de Cinema Internacionais de países como a Grécia, a Suíça, a  Espanha e a Arménia.


Foi, de resto, graças ao Prémio de Melhor Curta de Animação do  Festival POFF, na Estónia, que a equipa por detrás de Porque Hoje é Sábado viu a curta-metragem automaticamente qualificada para a longlist dos Óscares de 2027.


“Apesar do caminho para a nomeação a um Óscar ser ainda longo, conseguir entrar automaticamente na longlist é algo que nos deixa muito contentes. Deixa-nos ainda mais entusiasmados o facto de, até à data, o filme já ter ganho 17 prémios”,  destaca a equipa d’Os Filmes do Pinguim.


Uma vez finalizada a longlist, os membros da Academia irão votar em cerca de 15 filmes para seguirem para a shortlist. De seguida, serão oficialmente nomeados cinco filmes para os Óscares.


Em Porque Hoje é Sábado (ver trailer), Alice Eça Guimarães procura  retratar a realidade de muitas mulheres para quem um dia habitualmente  associado ao descanso e à liberdade está, na verdade, associado ao  trabalho doméstico.


“Apesar de termos evoluído muito na luta pela igualdade entre homens e  mulheres, o peso da vida familiar ainda constrange desproporcionalmente  a vida, a liberdade e a criatividade da maior parte das mulheres”,  esclarece a realizadora.


“Este tipo de trabalho, rotineiro e impercetível, é muitas vezes  desvalorizado. No entanto, traduz-se efetivamente numa sobrecarga na  vida das mulheres e torna-se potenciador de transtornos mentais comuns  como a depressão, a insónia e a falta de autoestima”, acrescenta.


A produtora instalada na UPTEC aliou-se à Animais AVPL, produtora com quem já tinha trabalhado anteriormente na série da RTP As 7 Caixas, e foi responsável por desenvolver parte da animação, assim como pelo clean up de frames, pintura e pós-produção de áudio. Na coprodução da  curta-metragem estiveram ainda envolvidos o Studio Kimchi e a La Clairière Ouest. 


Fonte: Notícias U.Porto

Há novos podcasts no espaço virtual da Casa Comum

184. Água grande, Conceição Lima

185. Cinquenta, António Carlos Santos

186. Alvorecer em Viana, António Carlos Santos

187. Mobílias, António Carlos Santos

106. L Gato de las Botas

“Era ua beç…
…. un home mui probe que tenie trés filhos. Un die  quedou mui malico até que se morriu i, de hardança, deixou un molino, un  burro i un gato.
Ls armanos más bielhos quedórun cul molino i cul burro. Sobrou l gato pa l más nobico.”


7. Sandra Xará

O percurso de Sandra Xará começou cedo, ainda em Braga, marcado por  uma curiosidade constante e por uma vontade de intervir nas causas em  que acreditava. Na adolescência, contactou a Greenpeace e envolveu-se na  divulgação de iniciativas ligadas às causas ambientais. Chegou ao Porto para estudar Ciências do Meio Aquático no Instituto  de Ciências Biomédicas Abel Salazar, num percurso que antecedeu o  ingresso na sua primeira opção académica: a Medicina. Após entrar no  curso, construiu um caminho onde ciência, saúde e contacto humano se  cruzam de forma consistente. Especialista em doenças infeciosas, é assistente hospitalar graduada e  coordena o Centro de Vacinação Internacional da Unidade Local de Saúde  de Santo António. Na instituição onde se formou, é também docente,  lecionando temas ligados às doenças emergentes e à medicina do viajante. O seu percurso profissional inclui experiências na Amazónia, num  barco hospital, bem como trabalho desenvolvido na Guiné-Bissau e em  Angola, contextos que marcaram a sua prática médica e o contacto com  diferentes comunidades. Neste episódio do Alumni Mundus – Agentes de Mudança, damos a  conhecer um percurso construído entre a clínica, o ensino e a  intervenção em contextos internacionais, refletindo sobre diferentes  formas de exercer a medicina.

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Alunos Ilustres da U.Porto

Carlos Ramalhão

Carlos Ramalhão (1889-1970)

Carlos Faria Moreira Ramalhão, filho de António Faria Moreira Ramalhão (1896-1936), mestre pedreiro, nasceu em Moreira, concelho da Maia e distrito do Porto, a 25 de fevereiro de 1889.


Aluno distinto na escola primária e no liceu, diplomou-se pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto em 1914, tendo apresentado como dissertação inaugural o trabalho intitulado A serologia do cancro: reacção de Dungern e Abderhalden.


Ainda estudante, integrou a Associação Filantrópica dos Estudantes de Medicina e foi nomeado 2.º assistente provisório da 5.ª classe (decreto de 6 de dezembro de 1913). Em 1914, pelo decreto de 5 de setembro, assumiu funções como 1.º assistente provisório da mesma classe e, em 1916, pelo decreto de 5 de junho, como 1.º assistente efetivo. A 28 de janeiro de 1920 tomou posse como professor ordinário de Bacteriologia e Parasitologia (nomeado pelo decreto de 27 de dezembro de 1919). O despacho de 21 de fevereiro de 1921 afetou-o à cadeira de Bacteriologia e Parasitologia.


Em 1924 doutorou-se em Medicina pela Universidade do Porto.


Na FMUP, foi nomeado professor catedrático de Higiene e Medicina Social (cadeira do 5.º grupo) em 1956. Jubilou-se a 25 de fevereiro de 1959 quando fez 70 anos.


Além de lecionar, Carlos Ramalhão foi diretor do Laboratório de Bacteriologia, anexo à Direção Geral de Saúde (por nomeação de 26 de novembro de 1926), secretário interino da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto entre maio de 1922 e 23 de janeiro de 1923, delegado dos professores catedráticos da mesma Faculdade por nomeação datada de 1951. Dirigiu a FMUP durante a ausência do seu diretor, em 1951 e 1958.


Carlos Ramalhão é autor de trabalhos como Tifo-vacinação: estudo de experimentação laboratorial (dissertação de concurso, 1916), A Escola do Porto na Medicina Ultramarina (1954), A Actividade científica do Instituto de Medicina Tropical (1959), Prof. Luís Câmara Pestana vítima do descer profissional (1965). Colaborou com os periódicos Portugal Médico, Lisboa Médica e Jornal do Médico.


Representou a Universidade do Porto no V Congresso Internacional de Microbiologia (Rio de Janeiro, 1950) e foi delegado de Portugal no VI Congresso Internacional de Microbiologia (Roma, 1953). Integrou a Comissão Nacional organizadora do VI Congresso Internacional de Medicina Tropical e de Paludismo em 1956 e fez viagens de estudo a Madrid e Paris.


Proferiu numerosos discursos sobre médicos cientistas, portugueses e estrangeiros, entre os quais se incluem Edward Jenner (1749-1823), Louis Pasteur (1822-1895), Robert Koch (1843-1910) e Ricardo Jorge (1858-1939). Proferiu também diversas conferências, entre as quais a apresentada em 1934 no anfiteatro da Faculdade de Medicina - "Síndromas meníngeos – Meningites agudas e normais" –, organizada pela Associação de Estudantes. Associou-se ao ciclo de homenagens que decorreu no 1.º centenário do nascimento de Ricardo Jorge (1858-1958), que havia sido seu mestre.


O Instituto de Medicina Tropical concedeu-lhe o grau de doutor honoris causa (portaria de 12 de abril de 1950). Carlos Ramalhão foi também homenageado em 1959, primeiro pela direção do Hospital Joaquim Urbano e, depois, pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, quando se jubilou.


Durante a I Guerra Mundial foi médico do Corpo Expedicionário Português. Em 1957 foi candidato da oposição à Assembleia Nacional do Estado Novo.


Morreu em Moreira da Maia a 16 de setembro de 1970.


U.Porto - Antigos Estudantes Ilustres - Carlos Ramalhão

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