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LIÇÕES DA HISTÓRIAGosto de BD desde pequena – tive a sorte de ter um irmão colecionador. Em casa, tinha todas as BDs que liam os adolescentes da época, do Tintin ao Mundo de Aventuras, do Gaston Lagaffe ao Michel Vaillant – não faltando, claro está, o fantástico Lucky Luke, que teve grande influência no meu imaginário do Oeste americano. Embora achasse especial piada às aventuras desditosas dos irmãos Dalton e admirasse a fleuma de Lucky Luke (um herói de gestos contidos), as cenas que mais retive na memória envolvem anciãos indígenas. Ali estavam eles, recorrentemente sentados no chão com os “homens brancos”, a fumar o “cachimbo da paz”. Com este objeto simbólico, suspendiam o tempo; lá fora, o mundo moderno corria, invadia, disparava, e eles, dentro da tenda, fumavam, em silêncio. E pensavam. Não acreditavam em soluções simples: tinham vivido muito, sabiam que os tratados falham, as promessas não se respeitam, a violência se repete. A sua consciência de que a história se reconfigura a partir dos mesmos padrões contrastava com a amnésia histórica dos colonizadores – que, além do mais, confundiam novidade com progresso. É esta mesma consciência que encontro no último livro de Edgar Morin.
Morin publicou Lições de História aos 104 anos (sim, 104)! Ao longo de décadas, foi-lhe reconhecida autoridade intelectual (desenvolveu conceitos amplamente difundidos como o do pensamento complexo), autoridade metodológica (propôs um modo de pensar que legitima a dúvida e a necessidade de revisão), e autoridade ética (distinguiu-se sempre pela sua lucidez crítica, evitando o moralismo fácil). A reforçar a sua credibilidade, acrescenta-se agora a autoridade de ancião centenário.
As dezasseis lições que compõem o recente livro de Morin são guiadas pela interrogação que o autor escolheu para subtítulo: “Podemos aprender com o nosso passado?”. A pergunta não é respondida, mas é essa a esperança do sociólogo francês. Ao longo de 114 páginas, recorrendo a múltiplos exemplos históricos – alguns da Antiguidade, outros da História Moderna e Contemporânea da Europa –, Morin transmite-nos as lições que ele próprio aprendeu: “o resultado de uma ação pode ser contrário à intenção que a provocou”; “mais do que o provável, o improvável pode acontecer”; “não basta ter sido perseguido para não se tornar um perseguidor”; “os povos podem, consoante as condições, passar do entusiasmo à revolta, ou da revolta ao entusiasmo”; “as ideias podem ser tão poderosas como os deuses”; “o progresso material não é acompanhado por qualquer progresso moral”.
As lições mais interessantes, contudo, dizem respeito à natureza humana. “Uma das lições da História é mostrar de que modo o poder revela a natureza humana e permite que tanto os piores como os melhores potenciais se concretizem. Autoriza a vingança, as execuções arbitrárias, mas também a magnanimidade e o perdão”, afirma Morin. Adiante, completa a ideia: “O poder é débil nas mãos de personalidades fracas; torna-se criador nas mãos de personalidades fortes”.
“Houve alguns líderes dotados de sabedoria e temperança, como Péricles ou Marco Aurélio”, afirma o sociólogo na página 76. “Em contrapartida, nem Alexandre, nem Napoleão, nem Hitler conseguiram inibir a sua megalomania, que é a doença do poder”. Fechei o livro. Lembrei-me dos indígenas do Lucky Luke: sentados no chão, de cachimbo na mão, a olhar para os “homens brancos” como quem já conhece o argumento. Lá fora, tudo corria. Dentro da tenda, alguém fazia uma coisa quase indecente: observava, pensava, procurava padrões no passado antes de decidir.
Morin tem a esperança de que os povos possam aprender por acumulação lenta, pela capacidade de se precaverem por saberem reconhecer sinais de repetição. Talvez seja pouco. Mas, nos tempos em que vivemos, talvez seja exatamente o suficiente.
Fátima Vieira Vice-Reitora para a Cultura e Museus
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O Festival Teoria das Cordas regressa à U.PortoIniciativa vai percorrer diferentes espaços da Academia. Primeiros concertos estão marcados para 23 e 24 de janeiro, na Reitoria e na FBAUP. O concerto de Beatriz Pinto irá assinalar o arranque do Festival Teoria das Cordas, a 23 de janeiro, na Reitoria. Foto: DR
O Festival Teoria das Cordas está de regresso à Universidade do Porto já a partir deste mês de janeiro. Tendo como instrumento comum a guitarra, os concertos serão apresentados em diferentes locais, mas sempre com entrada livre. Os primeiros estão já agendados para o dia 23, no Salão Nobre da Reitoria, e dia 24, na Aula Magna da Faculdade de Belas Artes (FBAUP). É a melhor forma de encerrar a semana. Dia 23 de janeiro calha a uma uma sexta-feira e o que se propõe é que entre no edifício da reitoria, suba a escadaria central, admire as pinturas (colocadas em 1917) de Veloso Salgado e entre no mais Nobre Salão da Academia.
Neste recital inaugural, com início previsto para as 21h00, irá subir ao palco a jovem guitarrista Beatriz Pinto, distinguida com mais de 30 prémios em concursos internacionais. O programa intitula-se Do Renascimento à Contemporaneidade e parte de obras do alaudista John Dowland para chegar, através de peças do período barroco e romântico, a obras de guitarristas-compositores vivos, como Leo Brouwer ou Carlo Domeniconi.
No dia seguinte, 24 de janeiro, sábado, às 16h00, na Aula Magna da FBAUP, será a vez de ficarmos com Sons dos Três Continentes, trazido pelo flautista Luís Meireles e o guitarrista Francisco Berény, que é também o diretor artístico deste festival.
Durante o concerto, os dois músicos vão presentar um programa que junta composições sul-americanas (Sérgio Assad e Piazzola), europeias (Lopes Graça e Béla Bartok, unidos pela importância da música tradicional nas suas composições) e indianas – neste caso, uma obra de Ravi Shankar baseada no raga Todi.
Francisco Berény irá atuar (com o flautista Luís Meireles) na tarde de dia 24 de janeiro, na Aula Magna da FBAUP. (Foto: DR)
Os concertos desta edição do Festival Teoria das Cordas irão prolongar-se até ao final do mês de janeiro. A entrada é livre, mas sujeita à lotação do espaço. Sobre Beatriz PintoEstudou no Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Aveiro e está agora a terminar a licenciatura na Hochschule für Musik Franz Liszt Weimar, na Alemanha. Com apenas 21 anos, conta já com um vasto repertório, com peças desde a Renascença até aos dias de hoje. Já atuou em diversos palcos da Europa e EUA, destacando, por exemplo, o concerto numa das salas da Musikverein em Viena, Áustria. Soma também mais de 30 prémios em concursos internacionais, dos quais se destaca o 1.º prémio no “Concurso internacional de guitarra Alhambra JR.”, com apenas 19 anos.
Participou ainda em diferentes projetos e cursos de formação como um workshop de Bossa Nova para guitarra e um curso de iniciação à guitarra flamenca. Participou num estágio de orquestra de guitarras liderado por Helen Sanderson, Guitarlab, Los Angeles, tendo obtido uma bolsa de estudos completa.
Sobre Luís MeirelesPortuense, nascido em 1958, começou os estudos musicais no Conservatório do Porto (1975), tendo-os prosseguido em Madrid, Bruxelas (1979-80) e Paris (1981-89). Obteve os diplomas superiores de Execução, Pedagogia e Música de Câmara na École Normale de Musique de Paris. A carreira levou-o a 28 países, em vários continentes, com mais de 400 concertos. Colaborou regularmente com outros parceiros de reconhecido mérito (sobretudo flautistas, pianistas e instrumentistas de cordas) e como solista de várias orquestras, como as Orquestras Sinfónicas de Szczecin, da Macedónia, do Porto, Nacional do Cazaquistão, Orquestra de Câmara da Silésia, Clássica de Bratislava, Camerata do Porto, Orquestra do Norte, entre outras. É professor de Flauta e Música de Câmara do Conservatório de Música do Porto desde 1991.
Sobre Francisco Berény DominguesFrancisco Berény Domingues nasceu no Porto (Portugal) e iniciou os seus estudos musicais aos 11 anos. Participou em vários recitais e ministrou masterclasses em Portugal, Espanha, França, Alemanha, Itália, Áustria e Suíça. Destacam-se as suas apresentações a solo na Sala Suggia (Casa da Música), na Assembleia da República (onde teve o papel de solista com a Orquestra Juvenil da Bonjóia), no, no Festival 20.21 Évora Música Contemporânea, nos Teatros do Rivoli e do Campo Alegre, no Festival de Guitar’Essone (França), na Montjoie Musicale (Alemanha), na 32 TMSR para a RTP Palco, e no festival Tocando las Estrellas (Espanha), entre outras.
Concluiu a licenciatura em Performance de Guitarra, o mestrado em Ensino da Música na Universidade de Aveiro e outro mestrado em Performance na Universidade Mozarteum em Salzburgo, com a nota máxima. É, desde 2022, o diretor artístico do Festival “Teoria das Cordas”, resultado de uma parceria entre a Universidade do Porto e Curso de Música Silva Monteiro.
Fonte: Notícias U.Porto
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Coletivo de Poesia da U.Porto celebra Eugénio de AndradeCaberá ao poeta "das mãos e os frutos" "animar" o encontro agendado para a noite de 20 de janeiro, na Casa Comum (Reitoria). Entrada livre. A proposta passa por ler, explorar, debater e celebrar um dos mais relevantes poetas portugueses contemporâneos. É na companhia de Eugénio de Andrade que o Coletivo de Poesia da Universidade do Porto vai abrir o novo ano. Será no dia 20 de janeiro, às 21h30, no auditório da Casa Comum (à Reitoria) da U.Porto. A entrada é livre e todos os contributos são bem-vindos. O amor, a solidão e uma forte ligação à natureza. E o recurso a uma linguagem simples e simultaneamente profunda com a qual muito rapidamente nos identificamos. Assim é ler Eugénio de Andrade, nome maior da literatura portuguesa, que a U.Porto homenageou, ainda em vida, com o título de Doutor Honoris Causa, juntamente com a também escritora Agustina Bessa-Luís. Um gesto “retribuído” em 2022, com a cedência do acervo de Eugénio de Andrade ao Centro de Estudos da Cultura em Portugal da Universidade do Porto (CECUP).
José Fontinhas, que conhecemos como Eugénio de Andrade, nasceu a 19 de janeiro de 1923, na Póvoa de Atalaia, concelho do Fundão. Publicou mais de vinte volumes de poesia, é um dos poetas mais lidos em Portugal e um dos mais traduzidos nas mais diversas línguas. Tem também obras em prosa e traduções de autores como Frederico Garcia Lorca e José Luís Borges.
Recebeu inúmeras distinções, entre as quais o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores (1989) e o Prémio Camões (2001). Em 1982 foi feito Grande-Oficial da Antiga, Nobilíssima e Esclarecida Ordem Militar de Sant’Iago da Espada, do Mérito Científico, Literário e Artístico e, em 1989, foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Mérito.
Quadro patente no Salão Nobre da Reitoria da U.Porto, representando Eugénio de Andrade, Sophia de Mello Breyner Andresen e Agustina Bessa-Luís. (Foto: U.Porto)
Falecido a 13 de junho de 2005, apenas três meses depois de se ter tornado Doutor Honoris Causa da U.Porto, U.Porto, Eugénio de Andrade encontra-se sepultado no cemitério do Prado do Repouso, no Porto, em campa desenhada pelo arquiteto e amigo Siza Vieira, e onde se inscreveram os versos Terra: "se um dia lhe tocares / o corpo adormecido, / põe folhas verdes onde pões silêncio,/ sê leve para quem o foi contigo" (retirados do livro As Mãos e os Frutos). A casa onde viveu, no número 584 da Rua do Passeio Alegre, e que funcionou como Fundação Eugénio de Andrade, é hoje um novo núcleo da Biblioteca Municipal do Porto que acolhe ciclos de conversas e leituras em torno da poesia.
Outras vozes para celebrar nos próximos mesesÉ sempre à terceira terça-feira de cada mês que o Coletivo se reúne para descobrir novas perspectivas, ouvir e ler através de outras vozes, tornar mais abrangente o que já conhecemos, ou simplesmente descobrir um determinado património poético e literário. E se cabe a Eugénio de Andrade inaugurar o novo ano, já há, no entanto, outros universos, pensamentos e diferentes narrativas na agenda. O mês de fevereiro será dedicado a David Mourão Ferreira; em março, iremos ler Vasco Gato; abril será o mês de Adília Lopes; em maio, outra voz no feminino, Luiza Neto Jorge; para junho, deixamos o legado de Fernando Pessoa; e , por fim, em julho, o poeta e jornalista brasileiro Mário Quintana.
Com entrada livre, os encontros acontecem sempre na terceira terça-feira de cada mês, pelas 21h30 na Casa Comum.
Para além dos membros permanentes, o público é convidado para participar através das leituras que pretender. O encontro começa com uma breve contextualização do universo a explorar, recuperando, sempre que possível, alguns elementos que ajudem à construção de uma biografia como notícias ou entrevistas.
Os poetas eleitos têm, habitualmente, uma ligação ao mês em que são celebrados (seja pelas datas de nascimento ou morte) e correspondem ao universo da lusofonia.
Fonte: Notícias U.Porto
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U.Porto e ESMAE voltam a oferecer "Música na Cidade"Concerto do pianista e investigador Michael G. Jennings terá lugar ao final da tarde de 23 de janeiro, na Casa Comum (Reitoria). Entrada livre. Michael G. Jennings vai interpretar obras de compositores como Mozart e Bach. Foto: DR
Haverá uma relação entre a música e técnicas de expressão? Recursos de linguagem? Poderemos falar de uma relação histórica entre a música e a arte da oratória? Estes são os temas que Michael G. Jennings irá explorar, com recurso a obras de compositores bem conhecidos. O concerto acontece no próximo dia 23 de janeiro, às 18h30, na Casa Comum (à Reitoria) da Universidade do Porto. "The concepts of rhetoric and cantabile, variety and unity in Baroque, early and late Classical Age" é o título da conferência que o investigador e pianista americano irá proferir, na Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo do Instituto Politécnico do Porto (ESMAE), no dia 22 de janeiro e que continuará a abordar ao longo do concerto marcado para o dia 23 na Casa Comum.
Ao longo do recital, o investigador e pianista americano irá, de forma explícita, recuperar conceitos apresentados na conferência, focando-se nos aspetos esteticamente mais relevantes. Com ele iremos perceber como a interpretação musical pode potenciar certos aspetos musicais, conduzindo o ouvinte no sentido do que se pretende que seja captado, sejam imagens, emoções, sentimentos… Do programa fazem parte obras de D. Scarlatti (Sonatas K. 132, K. 513, K. 1, K. 27), W. A. Mozart (Sonata N.° 6 Dürnitz, Kv. 284), F .J. Haydn (Variações em Fá Menor, Hob:XVII:6) e J. S. Bach (Partita N.° 6, BWV 830).
Este concerto surge em colaboração com o curso de Piano e Teclas da ESMAE, e tem entrada livre, ainda que sujeita à lotação da sala
Sobre Michael G. JenningsLicenciado em Filosofia e mestre em Piano pelo Conservatório G. Verdi de Como e Milão, Michael G. Jennings é doutorando no Conservatório de Milão, trabalhando num projeto de investigação sobre a relação entre figuras retóricas e gestos performativos nas Seis Partitas para Teclado de J.S. Bach. Recentemente, gravou as Variações Goldberg de J.S. Bach para a etiqueta UrsaRec. Lançou um álbum dedicado a R. Schumann, outro a L. van Beethoven e F. Schubert, e ainda um álbum conceptual com música de F. Liszt, J. Brahms, A. Lourié e Bach/Busoni.
Correntemente, prepara um álbum dedicado a Scarlatti e outro dedicado a Ravel e Janáček. Trabalha ainda com a PianoLink Association como coordenador da Orquestra Filarmónica PianoLink e como membro do seu conselho diretivo.
O ciclo Música na CidadeNasceu para acolher propostas diversificadas, permitindo o contacto com música feita por ensembles ou solistas. A programação é realizada com base em propostas apresentadas pelos próprios músicos ou através do convite a projetos específicos. O palco está particularmente adaptado a recitais acústicos, e tem recebido fundamentalmente músicos da tradição clássica ocidental, sejam já concertistas de carreira ou jovens promissores que necessitam de exposição pública. Também tem capacidade de receber grupos amplificados da área do jazz e da música experimental.
Peça central para a criação e continuidade do ciclo tem sido a cooperação ente a U.Porto e a ESMAE, principal escola de formação superior musical da região. Contudo, as propostas podem surgir de outras instituições, músicos e estudantes da U.Porto, envolvidos em projetos que se enquadrem no espaço físico e no âmbito deste ciclo de divulgação musical.
Fonte: Notícias U.Porto
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Rosa Alice Branco apresenta "Mapa dos Amores Incompletos" na U.PortoÉ o último livro publicado pela escritora e vai estar em destaque no próximo dia 24 de janeiro, na Casa Comum (Reitoria). A entrada é livre. Mais de três anos depois de ter protagonizado uma sessão do ciclo Ouvir, 59 minutos de imersão poética na Casa Comum, Rosa Alice Branco volta ao mesmo local para apresentar o seu mais recente livro. Foto: DR
O mais recente livro de Rosa Alice Branco é também uma antologia poética. No próximo dia 24 de janeiro, caberá a Fátima Vieira, Vice-Reitora da U.Porto para a Cultura e Museus, fazer a apresentação deste Mapa dos Amores Incompletos. A sessão tem início às 17h00, na Casa Comum (à Reitoria). A entrada é livre. Depois de 14 títulos de poesia e mais de 40 anos de atividade literária, o livro Mapa dos Amores Incompletos, publicado em 2025 em Portugal e no Brasil pela Assírio & Alvim, reúne toda a poesia de Rosa Alice Branco.
Recuando até 1988, a proposta é que venha connosco fazer uma viagem de descoberta deste universo literário, num processo contínuo e sempre atualizado. Este Mapa dos Amores Incompletos foi lançado com nove poemas inéditos e um posfácio de Valter Hugo Mãe, primeiro editor a reunir a obra da poeta, em 2002, com Soletrar o Dia.
O livro parte da premissa de que todos os amores são incompletos, marcados por igual índice de complexidade e imprevisibilidade. É neste mesmo labirinto que iremos todos entrar, na tarde dia 24 de janeiro, para juntos podermos encontrar algum sentido de orientação.
Sobre Rosa Alice BrancoÉ poeta, ensaísta, investigadora nas áreas de Neuropsicologia da Percepção e Estética, tradutora e curadora cultural. Com um doutoramento em Filosofia Contemporânea, tem 14 livros de poesia editados em Portugal e livros de poemas publicados nos EUA, em Itália, Brasil, Suíça, Luxemburgo, Canadá, Tunísia, Espanha, Venezuela (obra reunida) e Córsega, além de poemas publicados em Revistas e Antologias, em quase todas as línguas. Publicou também cinco livros de ensaio, quatro deles em Portugal e um no Brasil, sobre a Percepção na natureza e nas artes. Em 2017, publicou um livro de ensaio ficcional, em edição bilingue, Il mondo in italiano/O mundo em italiano.
Venceu diversos prémios, entre eles o Prémio Espiral Maior de Poesia, em 2008, com Gado do Senhor, que é também publicado em Portugal pela & etc, e o Prémio de Tradução Internacional da Colectividade de Córsega, em 2013, pela organização e tradução da antologia que intitulou E se puséssemos azulejos em verso? Em 2013, foi nomeada para o prestigiado Pushcart Prize, pelo melhor trabalho em Poesia ou Ficção publicados em Revistas literárias nos USA. O seu livro Amor Cão e outras palavras que não adestram foi distinguido pelo Grémio Literário A. M. Pires Cabral com o Prémio Literário António Cabral / 2023.
Representou Portugal em Londres nas “Olimpíadas da Poesia”, em 2012. O livro Cattle of the Lord foi considerado um dos 12 melhores livros de Poesia nos EUA (pela The Chicago Review of Books), em 2016, o que lhe valeu uma digressão com leituras e debates em várias universidades do país, em 2018. Nesse mesmo ano, o seu livro de poemas — Traçar um nome no coração do branco — foi lançado pela editora Assírio & Alvim.
Em 2022, foi a protagonista de uma das sessões do ciclo “Ouvir, 59 minutos de imersão poética”, organizado pela U.Porto. Em 2025, foi condecorada com a Medalha de Mérito Cultural (grau prata) pela Câmara de Aveiro.
Fonte: Notícias U.Porto
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Janeiro na U.Porto
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Para conhecer o programa da Casa Comum e outras iniciativas, consulte a Agenda Casa Comum ou clique nas imagens abaixo.
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Francisco Laranjo: Porto, Dresden, Nagasaki
Entrada Livre. Mais informações aqui
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Eu sou o meu mundo, corpo vegetal | Exposição de Graça Sarsfield
Entrada Livre. Mais informações aqui
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Dupla Exposição
Exposição | Museu de História Natural e da Ciência da U.Porto Entrada Livre. Mais informações aqui
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Colectivo de Poesia - Poetas a várias vozes na Casa Comum | Eugénio de Andrade
Entrada Livre. Mais informações aqui
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A arte do discurso no barroco e no classicismo | Michael G. Jennings, piano
Entrada Livre. Mais informações aqui
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Teoria das Cordas | Festival de guitarra em espaços universitários
Entrada Livre. Mais informações aqui
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Mapa dos Amores Incompletos, Poesia Reunida de Rosa Alice Branco | Apresentação do livro
Apresentação de livro | Casa Comum Entrada Livre. Mais informações aqui
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Memórias Intensivas / um olhar emocional sobre um serviço de medicina intensiva em tempos de pandemia | Apresentação do livro de Clara Ramalhão
Apresentação de livro | Salão Nobre Entrada Livre. Mais informações aqui
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Sombras que não quero ver
Entrada Livre. Mais informações aqui
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LOUREIRO 100. ARQUITECTURAS DE REPRESENTAÇÃO
Exposição | Fundação Marques da Silva
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Sob mares frágeis, de Pedro Camanho
Exposição | Galeria da Biodiversidade Entrada Livre. Mais informações aqui
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Gemas, Cristais e Minerais
Exposição | Museu de História Natural e da Ciência U.Porto Entrada Livre. Mais informações aqui
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Corredor Cultural
Condições especiais de acesso a museus, monumentos, teatros e salas de espetáculos, mediante a apresentação do Cartão U.Porto.
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Clara Ramalhão traz Memórias Intensivas à U.PortoO novo livro da fotógrafa e médica neurorradiologista convida a recuar aos tempos da pandemia. Obra é lançada a 26 de janeiro, na Casa Comum. É um olhar emocional sobre os tempos da pandemia. Depois de Porto Só,
Clara Ramalhão vai estar no próximo dia 26 de janeiro, às 21h00, no Salão Nobre da Reitoria da Universidade Porto, para apresentar o livro de fotografia Memórias Intensivas / um olhar emocional sobre um serviço de medicina intensiva em tempos de pandemia. Cinco anos após o inicio oficial da pandemia de Covid-19 em Portugal, este é um trabalho que convida, agora, à reflexão. Que propõe um olhar sobre o que aconteceu para que possamos, em conjunto, olhar para todo o percurso trilhado, avaliar comportamentos e ativar consciências. Chamando a atenção para alguns valores éticos e morais, Clara Ramalhão deixa questões como “qual o real valor da vida humana”?
Enquanto médica neurorradiologista, mas também enquanto fotógrafa, preocupou-se “em olhar de uma forma profunda” para aqueles tempos inquietantes “de evolução da civilização humana”. Tempos que operaram “mudanças de conduta e de relacionamento brutais”. Assistimos à perda de vidas humanas, “entre nós e no mundo, absolutamente assustadoras”. Todo um contexto que, de uma ou outra forma, a todos impeliu a “uma reflexão interior”.
As fotografias testemunham momentos vividos no interior do Serviço de Medicina Intensiva do Hospital Pedro Hispano e transmitem “um olhar emocional sobre a expressão humana dos profissionais de saúde”, mas também dos pacientes, enquadrando alguns rituais “que incorporaram os momentos de luta pela vida humana aquando do 4.º ciclo pandémico – 2021”.
O projeto foi desenvolvido no âmbito do Mestrado em Fotografia Artística pela Escola das Artes da Universidade Católica do Porto. O investigador e patologista Manuel Sobrinho Simões assina o prefácio do livro.
Em 2020, Clara Ramalhão já tinha lançado Só Neste Porto Só, um livro editado pela U.Porto Press e que reúne fotografias que testemunham ruas de uma cidade do Porto deserta, povoada de ausências.
Clara Ramalhão conquistou recentemente o prestigiado Prémio Internacional Enrico Caruso. (Foto: DR)
Sobre Clara RamalhãoNascida em Lourenço Marques, Moçambique, Clara Ramalhão é fotógrafa (desde 1997), atividade que concilia com a profissão de médica neurorradiologista no Hospital Pedro Hispano – Unidade Local de Saúde de Matosinhos. É membro da Sociedade Portuguesa de Neurorradiologia. É autora de diversas publicações nos domínios das artes e da medicina, tendo assinado várias exposições de fotografia focadas maioritariamente na sua ligação a África. Entra elas inclui-se A Voz da Forma, exposição que esteve patente na Casa Comum da Reitoria da U.Porto entre os finais de 2019 e os primeiros meses de 2020.
No passado mês de dezembro, recebeu o Prémio Internacional Enrico Caruso, um galardão internacional que homenageia personalidades que se destacam nas artes e no compromisso social.
Fonte: Notícias U.Porto
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Há novos podcasts no espaço virtual da Casa Comum |
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188. Cardamomo e açafrão, António Carlos Santos
“Cardamomo e açafrão”, de António Carlos Santos, in 13|23 Poesia Reunida 2013-2023, 2024, p. 308.
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6. Mulheres ciganas: que identidades, que representações?
No sexto episódio do podcast Dos Outros Ninguém Sabe: História dos Portugueses Ciganos, as convidadas Maria Gil, Mariana Gil e Daniela Torres partilham as suas experiências enquanto mulheres ciganas, questionando as representações estereotipadas que circulam no senso comum, na academia e nos media. Discutem as especificidades de um feminismo cigano e as tensões com o feminismo hegemónico, mostrando como a arte se pode tornar território de afirmação e reinvenção de identidades e de resistências.
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O percurso de Maria Oliveira tem sido marcado pela ligação entre conhecimento, inovação e impacto na sociedade. Alumna da Universidade do Porto, concluiu o mestrado em Inovação e Empreendedorismo Tecnológico na FEUP/FEP e um Executive MBA pela Porto Business School. Com mais de 20 anos de experiência, passou pela consultoria de inovação, liderou a área da Inovação da Universidade do Porto, foi fellow convidada da Universidade de Boston e assumiu a Direção Executiva do UTEN, no âmbito do Programa UT Austin | Portugal. Atualmente, é diretora executiva de negócios da UPTEC e co-diretora do Executive Master in Business Innovation da Porto Business School, onde também leciona. Neste episódio do Alumni Mundus – Agentes de Mudança, damos a conhecer um percurso construído entre a universidade, o empreendedorismo e a criação de impacto, refletindo sobre o papel da inovação na transformação da sociedade.
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Alunos Ilustres da U.PortoCarlos RibeiroCarlos Ribeiro (1813-1882) Carlos Ribeiro, filho de José Joaquim Ribeiro e de Francisca dos Santos Ribeiro, nasceu na freguesia lisboeta da Lapa, onde foi batizado a 21 de dezembro de 1813. As suas origens humildes e o trabalho no comércio desde tenra idade não contrariaram a sua curiosidade intelectual. Na loja onde laborava, conheceu Filipe Folque (1800-1874), à altura aluno da Real Academia de Fortificação, que lhe emprestou livros e lhe proporcionou explicações. Com o consentimento do patrão e o apoio de Francisco José de Freitas Rego, realizou estudos que lhe permitiram alcançar uma formação académica.
No contexto das guerras liberais, Carlos Ribeiro ingressou na vida militar (1833), mas com o fim do conflito, em 1834, voltou a estudar. Primeiro, frequentou a Academia Real de Marinha, onde obteve dois prémios, e em seguida ingressou na Real Academia de Fortificação, Artilharia e Desenho, completando a sua formação na Escola do Exército, que sucedeu à Real Academia.
Uma vez concluídos com distinção os cursos de Artilharia e de Engenharia, ascendeu ao posto de Oficial a 28 de julho de 1837.
Dois anos mais tarde estava aquartelado em Elvas, onde viveu cerca de ano e meio. Nesse período da sua vida estabeleceu relações com a família de Nery Salgado.
Em 1840, o Primeiro-tenente Ribeiro transitou do 2.º para o 3.º regimento sedeado no Porto e iniciou estudos em Geologia, uma área de investigação nova em Portugal. No Porto, ingressou na Academia Politécnica do Porto, escola onde obteve 4 prémios pecuniários e uma distinção, e conheceu o lente José Vitorino Damásio.
Em 1844, depois de concluídos os estudos na Academia, realizou alguns estudos práticos de geologia nos arredores do Porto, em cujo âmbito reuniu as suas primeiras coleções.
Dois anos mais tarde casou com Úrsula Damásio, irmã de José Vitorino Damásio, da qual teve três filhos: José Vitorino, Zélia e Sofia.
Pouco tempo depois, trocou a vida militar pelo trabalho na Companhia das Obras Públicas de Portugal. No Inverno de 1845 ficou incumbido de dirigir a construção da estrada Lisboa-Caldas da Rainha, transitando depois para a chefia dos trabalhos de abertura da estrada Carvalhos-Ponte do Vouga. Todavia, estas obras foram suspensas na sequência da revolta da Maria da Fonte, à qual Ribeiro aderiu, o que viria a custar-lhe uma pena prisional e a retirada do serviço militar.
Passadas as atribulações políticas, e por um curto espaço de tempo, Carlos Ribeiro lecionou no Arsenal do Exército até 1849, ano em que passou a integrar os quadros da Companhia Farrobo e Damásio. Enquanto empregado desta firma, realizou viagens de estudo pelo país, por si custeadas, durante as quais reuniu espólios nas áreas de petrografia e paleontologia, que depois viriam a ser integradas na coleção da Comissão Geológica do Reino.
Nesta fase da sua vida, relacionou-se com o médico A. A. da Costa Simões, lente da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra.
Em 1850 conheceu o geólogo inglês Daniel Sharpe (1806-1856), que visitara o país e publicara trabalhos sobre Geologia Portuguesa. A revisão científica desses trabalhos, que ficou a seu cargo, viria a trazer-lhe o primeiro reconhecimento internacional nesta área de investigação.
Em 1852, Carlos Ribeiro foi convidado a chefiar a 4.ª secção da Repartição Técnica da Direção Geral de Obras Públicas, responsável pelas pedreiras, minas e trabalhos geológicos. Seria ele, com F. A. Pereira da Costa (1809-1888), lente de Mineralogia, Geologia e Princípios de Metalurgia, da Escola Politécnica de Lisboa, a preparar a primeira lei de minas em Portugal.
Entre 1852 e 1857 esboçou a carta geológica da região entre os rios Douro e Tejo, a partir da carta militar inglesa de James Wyld, e realizou o esboço geológico do Alentejo sobre a carta de Bonnet, duas obras que se encontram na base da carta geológica geral. Da mesma forma, usaria as cartas de Verneuil e Coulomb para traçar a carta geológica da Península Ibérica.
Em 1857 foi nomeado diretor da Comissão Geológica, cargo que partilhou com Pereira da Costa. Esta comissão, que tinha por objetivo a criação de um mapa geológico de Portugal, foi dissolvida em 1868 e convertida no ano seguinte numa secção da Direção dos Trabalhos Geodésicos. Nela, Carlos Ribeiro ocupou o cargo de diretor da 5.ª Secção da Direção dos Trabalhos Geodésicos, Topográficos, Hidrográficos e Geológicos do Reino até ao fim da vida, vindo a suceder-lhe, nesse lugar, Nery Delgado (1835-1908).
Entretanto, em 1858 viajou pela Europa, onde teve oportunidade de conhecer uma série de especialistas, com os quais haveria de manter correspondência. Em 1859 foi nomeado chefe da Repartição de Minas, Geologia e Máquinas-a-Vapor.
Em 1863, encetou pesquisas no domínio da Pré-História. A ele se deveria a descoberta dos célebres concheiros de Muge do Mesolítico (classificados em 2011 como Monumento Nacional), enquanto procedia ao estudo dos terrenos terciários do vale do Tejo. Anos mais tarde, o interesse internacional sobre o Terciário e a evolução do Homem, juntamente com o entusiasmo de Ribeiro permitiram, a realização em Lisboa do IX Congresso Internacional de Antropologia e Arqueologia Pré-Históricas.
Nos anos subsequentes, foi nomeado para a comissão responsável pela proposta de classificação e graduação do pessoal técnico do MOPCI (Ministério das Obras Públicas, Comércio e Indústria) e de propor a reorganização do ensino industrial (1864). Publicou um estudo precursor sobre a arborização geral do país, em 1868, e o seu mapa geológico de Portugal Continental foi enviado à Exposição Internacional de Paris de 1878, onde alcançou uma medalha de prata. Este mapa foi posteriormente revisto e atualizado por Nery Delgado e pelo geólogo suíço Paul Choffat (1849-1919), cientista que Ribeiro conhecera naquela exposição.
Teve ainda tempo para uma breve passagem pelo mundo da política. Foi deputado nas legislaturas de 1870-1874 e 1880-1881, tendo coapresentado, em 1872, um relatório sobre o Imposto Predial.
Integrou diversas sociedades científicas nacionais e internacionais e alcançou reputadas condecorações.
Carlos Ribeiro, considerado um dos pais da Geologia portuguesa, pioneiro no reconhecimento da sucessão estratigráfica dos terrenos de Portugal Continental e inaugurador do trabalho de campo como ponto fulcral do estudo da Geologia, faleceu em Lisboa, a 13 de novembro de 1882, na sua casa da rua do Arco das Amoreiras, vítima de complicações hepáticas e cardíacas.
Em 1887 foi instituída a Sociedade Carlos Ribeiro, que veio a ter como órgão cultural a Revista de Sciencias Naturaes e Sociaes (editada a partir de 1889).
U.Porto - Antigos Estudantes Ilustres da Universidade do Porto: Carlos Ribeiro
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