ONDE AS PALAVRAS POUSAM

Tenho um amigo que ama as palavras. Imagina-lhes biografias – por vezes histórias engraçadas –, atribui-lhes uma cor, um som, uma emoção. Estive ontem a falar com ele. Explicou-me que cão é uma nota musical dissonante. Meia é uma palavra em surdina. Mãe é uma concha deitada para baixo na areia molhada – é essa a imagem que a palavra lhe sugere desde os oito anos de idade. No final, foi buscar as Gueguerías de Ramón Gómez de La Serna. Gosto da forma como o escritor usa a metáfora, disse-me. Peguei no livro. Devorei-o ontem à noite.


A edição que li das Greguerías foi preparada por Jorge Silva Melo, que também assegurou a tradução (Lisboa: Assírio & Alvim, 1998). Trata-se de uma seleção de pensamentos soltos que Gómez de la Serna publicou em opúsculos ou jornais, entre 1910 e 1963. Funcionam, na maior parte dos casos, como metáforas: “Todas as palavras e frases morrem na sua origem correta e literal, e só atingem a glória quando passam a metáforas”, justifica o autor.


Gosto desta ideia da glória das palavras a nascer de relações metafóricas. Dois exemplos, tirados da primeira e da última página: “Como dava beijos lentos, duravam-lhe mais os amores”; e “Muitas algas na praia: o mar a ficar careca”. Em ambos os casos, o escritor reorganiza a nossa percepção das coisas. No primeiro, descobre uma lei implícita do mundo, transferindo um ritmo corporal para um tempo afetivo (a lentidão do gesto torna-se proporcional à duração da relação). No segundo, cria uma relação entre um fenómeno natural e uma biografia humana (o mar deixa de ser paisagem para ganhar corpo e temporalidade, envelhecendo e perdendo o cabelo).


Embora tanto o meu amigo como Gómez de La Serna usem a metáfora como princípio estruturante do seu pensamento, a natureza das relações que criam é distinta.  O meu amigo cria um pouso para as palavras: mãe pousa numa concha; cão, numa nota; meia, numa surdina. As palavras ficam coladas a imagens, num processo irreversível para quem as escuta. Já Gómez de La Serna fixa possibilidades inesperadas, não tanto nas palavras, mas no mundo, que, por instantes, se deixa ver de outra maneira. No seu caso, as palavras pousam apenas por breves momentos; ficamos na expectativa de, a todo o instante, as vermos a voltar a voar. Em ambos os casos, o mundo expande-se. De certo modo, desequilibra-se.


Tenho passado o dia assaltada por palavras à procura de novos lugares onde pousar.



Fátima Vieira
Vice-Reitora para a Cultura e Museus

Prescrição Cultural da U.Porto inspira universidades portuguesas

"O papel da Universidade" na promoção da Arte, da Cultura e do Bem-Estar vai estar em discussão no dia 5 de fevereiro, no Salão Nobre da Reitoria.

O II Encontro Nacional sobre Prescrição Cultural decorreu em julho de 2025, na Reitoria da U.Porto. Foto: DR

As universidades públicas representadas no Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) vão reunir-se, no próximo dia 5 de fevereiro, no Salão Nobre da Reitoria da Universidade Porto, para conhecerem de perto o projeto da Prescrição Cultural – Arte, Cultura e Bem-Estar, numa cerimónia em que se irão atribuir os primeiros certificados.


O que é a Prescrição Cultural? É com este repto que a Vice-Reitora da U.Porto para a Cultura e Museus, Fátima Vieira, irá arrancar “os trabalhos” a partir das 10h30. A sessão contará também com a participação do Reitor da U.Porto, António de Sousa Pereira, Paulo Jorge Ferreira, Presidente do CRUP e António Cunha, Presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N).


O programa da manhã incluirá ainda a entrega dos certificados aos primeiros formandos em Prescrição Cultural e a assinatura do Protocolo de Parceria entre o Observatório para a Arte e Cultura no Ensino Superior e a Reitoria da U.Porto. Segue-se uma palestra sobre Práticas Culturais, Culturas Juvenis e Universidade, que será proferida por João Teixeira Lopes, docente da FLUP.


A tarde será dedicada à realização de sessões de sensibilização sobre  Prescrição Cultural e o respetivo processo de construção de uma  formação certificada, destinadas a equipas reitorais, de gestão e  profissionais de saúde.


A entrada é livre.

O II Encontro Nacional sobre Prescrição Cultural decorreu em julho de 2025, na Reitoria da U.Porto. Foto: DR

Sobre a Prescrição Cultural

Trata-se de um projeto alavancado no princípio de que o contacto com a  arte é benéfico para a saúde. Poderá, então, um profissional de saúde  utilizar a cultura como terapêutica? E um médico receitá-la? Se sim,  estarão os profissionais da cultura preparados para desenvolver  abordagens e ações que permitam que os “pacientes” encontrem na fruição  cultural – seja contemplativa ou produtiva – elementos que os ajudem a  manter um equilíbrio existencial, promovendo o bem-estar?


Foi para responder a este desafio que foi criada, em 2025, a unidade curricular de Prescrição Cultural. Sediada na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da U.Porto  (FPCEUP), esta UC dirige-se a todos os estudantes que estejam inscritos  no 2.º e 3.º ciclos de estudo de Psicologia, Saúde, Artes Plásticas,  Museologia, História da Arte, Ciências da Educação, ou no 4.º ou 5.º ano  de um curso de mestrado integrado da U.Porto.


Para além desta unidade curricular, foi também disponibilizada uma formação integrada para profissionais da saúde e da cultura, de forma a promover o diálogo entre setores e um conjunto de ações de sensibilização com a comunidade através dos Laboratórios Artísticos, integrados no Programa Arte, Cultura e Bem-Estar da U.Porto.

Imagem recolhida durante um “Laboratório Artístico”, no âmbito do projeto de Prescrição Cultural. (Foto: U.Porto)

Destas iniciativas resultaram propostas com potencial de  implementação em contextos reais, reforçando o impacto transformador da  prescrição cultural na vida das pessoas e das instituições. 


Fonte: Notícias U.Porto

Unidades Curriculares Cultura, Arte e Património 2025/2026 | 2.º semestre

O Museu Nacional Soares dos Reis é um dos “parceiros” culturais da U.Porto. (Foto: U.Porto)

Música e sociedade, Prescrição cultural e O museu como lugar de fruição são as Unidades Curriculares de Competências Transversais e Transferíveis já disponíveis para o 2.º semestre do ano letivo 2025/2026. Valem 3 ECTS e são de frequência gratuita para todos(as) os/as) estudantes inscritos(as) na Universidade do Porto.


Estas UC’s resultam de parcerias que a U.Porto vem desenvolvendo com  diversas instituições culturais da cidade de forma a oferecer aos seus  estudantes, independentemente da sua formação de base, unidades  curriculares (UC) que, ao longo de um semestre, os colocam em contacto  com o quotidiano dessas instituições e com a sua prática cultural.


O museu como lugar de fruição, com o Museu Nacional de Soares dos Reis, é uma UC sediada na Faculdade de Letras da U.Porto,  com apenas sete vagas disponíveis, embora este número possa ser  alargado por eventuais desistências de inscritos efetivos. A aceitação  das inscrições é realizada pela ordem de inscrição, tendo como única  prioridade, para além desta, o facto de o estudante se estar a inscrever  nesta UC como opcional do seu plano de estudos. Quem se inscrever como  formação complementar ficará em segunda prioridade.


Música e sociedade, a funcionar na Casa da Música, é uma UC sediada na Faculdade de Engenharia da U.Porto. Embora o processo de admissão seja por candidatura (implicando,  portanto, uma seriação prévia à ocupação efetiva da vaga), existe uma  grande probabilidade de admissão de qualquer estudante que se candidate,  seja em primeira prioridade (disciplina opcional integrada no seu plano  de estudos), seja em segunda prioridade (formação complementar).


Sediada na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da U.Porto, a Prescrição cultural é a mais recente unidade curricular “Cultura, Arte e Património”,  e introduz uma prática inovadora que utiliza as artes e a cultura para  fomentar o bem-estar e promover a saúde mental. Apoia-se numa rede de  instituições, tendo o objetivo de formar profissionais que, quer ligados  à área cultural, quer à área da saúde, sejam capazes de fomentar a  fruição e a prática cultural para a promoção do equilíbrio psicológico e  do bem-estar individual.


As candidaturas estão restritas a estudantes das áreas de Psicologia,  Saúde, Artes Plásticas, Museologia, História da Arte e Ciências da  Educação. O acesso é realizado através da apresentação de uma  candidatura.

Imagem recolhida durante um “Laboratório Artístico”, no âmbito do projeto de Prescrição Cultural. (Foto: U.Porto)

Estas unidades curriculares integram-se na categoria de “competências  transversais e transferíveis” e, em princípio, podem ser frequentadas  como disciplinas opcionais (portanto, integradas no currículo) se o  plano de estudos do curso que o estudante está a seguir incluir essa  possibilidade. Mas a prática tem demonstrado que sobram suficientes  vagas para que estas unidades curriculares também possam ser frequentadas como formação complementar, sendo neste caso apenas  referenciadas no Suplemento ao Diploma, e os créditos assim obtidos (3  ECTS) somam-se, por excesso, aos necessários para completar cada plano  curricular.


Neste segundo semestre do ano letivo 2025/2026, está aberta a  possibilidade de inscrição nestas unidades curriculares através do  mecanismo de alteração da inscrição nas UC opcionais que é estabelecido  em cada faculdade.


Na maioria das faculdades, as inscrições nas unidades curriculares  opcionais são feitas logo no início do ano letivo, outras realizam a  inscrição imediatamente antes do início do semestre correspondente. Mas  as inscrições (ou candidaturas, se existir seriação prévia) serão  aceites de acordo com os prazos estabelecidos nas diferentes faculdades.


Estas unidades curriculares de “Cultura, Arte e Património”  correspondem a 3 ECTS, destinam-se a estudantes inscritos na  Universidade do Porto e a sua frequência é gratuita. 


Fonte: Notícias U.Porto

U.Porto Press lança livro-objeto em homenagem a Mário Soares

Mário Soares. O Caminhar da História, da autoria do artista plástico Agostinho Santos, será apresentado a 10 de fevereiro, na Reitoria da U.Porto. Entrada livre.

Segundo António de Sousa Pereira, Reitor da U.Porto, esta edição “constitui uma forma de a Universidade do Porto procurar prestar tributo a um estadista ímpar”. / FOTO: U.Porto Press

Opções políticas à parte, Mário Soares é, de forma incontestável, uma  das mais marcantes personalidades da segunda metade do século XX em  Portugal”, afirma António de Sousa Pereira, Reitor da Universidade do  Porto, no Prefácio que assina em Mário Soares. O Caminhar da História.


Da autoria do artista plástico e jornalista Agostinho Santos, este livro-objeto foi editado pela U.Porto Press, na sua coleção Concertina.


A obra integra, também, um texto de João Soares, filho do estadista,  que afirma que “esta obra de Agostinho Santos, original e esteticamente  atrevida, toca-nos como homenagem à memória do meu pai”.


O lançamento de Mário Soares. O Caminhar da História terá lugar a 10 de fevereiro, a partir das 18h00, no Auditório da Casa Comum, à Reitoria da Universidade do Porto (U.Porto).


A sessão contará com intervenções dos oradores convidados João Soares e Jorge Miguel Pacheco.


A entrada é livre.

Mário Soares: a Luta Antifascista e a Construção da Democracia em Portugal

No seguimento das comemorações do centenário do nascimento de Mário  Soares, a edição deste livro é uma forma de a Universidade do Porto  prestar tributo “a um estadista ímpar, que o foi não só pelas suas  qualidades políticas e humanas, mas também pelo modo – frequentemente  incomum – de exercer o poder e de participar na vida cívica do país”,  realça o Reitor da U.Porto.


Mário Soares. O Caminhar da História recorda a luta antifascista de Mário Soares, rumo à conquista da  Liberdade em Portugal, com recurso a excertos dos seus escritos e à arte  de Agostinho Santos, vertida em desenhos e palavras de ordem, como  “democracia”, “liberdade”, “consensos”, “coragem” ou o emblemático  slogan que marcou a campanha presidencial de 1986, “Soares é fixe”.

Os  desenhos são de Agostinho Santos e os textos de António de Sousa Pereira  (Reitor da U.Porto) e de João Barroso Soares, filho do estadista  homenageado. (Foto: U.Porto Press)

São, assim, assinalados momentos marcantes da vida de Mário Soares,  desde a oposição à ditadura do Estado Novo, que lhe valeu passagens  pelas prisões da PIDE e o exílio em França, até às suas conquistas  democráticas, como a criação do Partido Socialista, os cargos de  Primeiro-Ministro e o de Presidente da República. Sempre “com confiança no futuro”, como o próprio defendia.


Como afirma António de Sousa Pereira, “Se a liberdade que Portugal construiu a partir do dia 25 de Abril de 1974 deve muito a Mário Soares, devemos-lhe também o triunfo de uma certa mundividência e do olhar  livre que autoriza que o homenageemos de forma tão pouco canónica”.


Mário Soares. O Caminhar da História está disponível na loja online da U.Porto Press, com 10% de desconto e portes grátis.


Sobre o autor

Agostinho  Santos – pintor, curador independente,  jornalista e investigador – é  mestre em Pintura pela Faculdade de Belas  Artes da Universidade do  Porto (FBAUP) e doutor em Museologia pela Faculdade de Letras da  U.Porto e pela FBAUP. Fez pós-doutoramento em  Ciências da Arte e do Património, na Faculdade de Belas Artes da  Universidade de Lisboa.


É diretor da Bienal Internacional de Arte de Gaia e presidente do Conselho de Administração da Artistas de Gaia – Cooperativa Cultural.


Realizou mais de 100 exposições individuais e participou em mais de 500 mostras coletivas, em Portugal e no estrangeiro.

Fonte: U.Porto Press

Fevereiro na U.Porto

Para conhecer o programa da Casa Comum e outras iniciativas, consulte a Agenda Casa Comum ou clique nas imagens abaixo.

Francisco Laranjo: Porto, Dresden, Nagasaki

11 DEZ'25 a 28 FEV'26
Exposição | Casa Comum 
Entrada Livre. Mais informações aqui

Eu sou o meu mundo, corpo vegetal | Exposição de Graça Sarsfield 

10 DEZ'25 a 21 MAR'26
Exposição | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

Dupla Exposição

15 DEZ'25 a 15 FEV'26
Exposição | Museu de História Natural e da Ciência da U.Porto
Entrada Livre. Mais informações aqui

Visitas Orientadas à exposição Francisco Laranjo: Porto, Dresden, Nagasaki

Até 28 FEV'26 
Visitas orientadas | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

Sombras que não quero ver

 DEZ'25 a MAR'26
Exposição | FMUP
Entrada Livre. Mais informações aqui

LOUREIRO 100. ARQUITECTURAS DE REPRESENTAÇÃO

De 8 NOV'25 a 21 FEV'26 
Exposição | Fundação Marques da Silva
Mais informações aqui 

Sob mares frágeis, de Pedro Camanho

De 14 JAN a 29 MAR'26
Exposição | Galeria da Biodiversidade - CCV
Entrada Livre. Mais informações aqui 

Gemas, Cristais e Minerais

Exposição | Museu de História Natural e da Ciência U.Porto
Entrada Livre. Mais informações aqui 

Corredor Cultural

Condições especiais de acesso a museus, monumentos, teatros e salas de espetáculos, mediante a apresentação do Cartão U.Porto.
Mais informações aqui

Há novos podcasts no espaço virtual da Casa Comum

 190. Elegia, Leonor de Almeida

 ““Elegia”, de Leonor de Almeida, in na curva escura dos cardos do tempo – poesia reunida, 2020, p. 40.

8. De Carachi ao crash no deserto indiano

Chegados à Índia sob domínio britânico, não é o exotismo de Carachi que  atrai a atenção dos aviadores, mas sobrepõe-se-lhe a preocupação em  continuar viagem. Em direção à próxima escala – a cidade de Agra, no  interior do subcontinente indiano –, a travessia do deserto de Thar, com  o seu calor infernal e os fortes ventos característicos de maio,  revela-se extraordinariamente difícil para o Pátria e testa o limite da  resistência física dos aventureiros portugueses.


46. William Barak

William Barak was an elder of the Wurundjeri people of southeastern Australia, whose portrait by Artur Loureiro hangs in the Museu Nacional  de Soares dos Reis in Porto. Barak used diplomacy, teaching and painting  to help his people adapt to colonization on their own terms, leaving an  important legacy of his culture. By Liam Benison

 9. Clara Vale

“O percurso de Clara Pimenta do Vale reflete uma ligação consistente  entre arquitetura, conhecimento académico e compromisso com a sociedade.  Arquitecta, professora e investigadora na Faculdade de Arquitectura da  Universidade do Porto, é doutorada pela FAUP e tem desenvolvido trabalho  reconhecido nas áreas da História da Construção, da sustentabilidade e  do papel social da arquitetura, contribuindo para uma leitura mais  profunda da evolução urbana do Porto e para a formação de novas gerações  de profissionais atentos aos desafios contemporâneos. Ao longo do seu percurso, conciliou a investigação e o ensino com uma  prática cívica ativa. Colaborou com os Arquitectos sem Fronteiras em  diferentes iniciativas, entre as quais a candidatura da cultura avieira a  património imaterial e ações de apoio às populações afetadas pelos  grandes incêndios de 2017, em Figueiró dos Vinhos. Durante a pandemia,  foi também uma das dinamizadoras do Norte em Ação, uma rede que  mobilizou centenas de pessoas na produção de material de proteção para  hospitais e instituições sociais. Atualmente, continua envolvida em projetos de impacto social e  ambiental, como a Associação Nada Novo, ligados à reutilização, à  sustentabilidade e à responsabilidade ambiental.  Neste episódio do Alumni Mundus – Agentes de Mudança, damos a  conhecer um percurso onde a arquitetura se afirma como ferramenta de  reflexão crítica, intervenção cívica e transformação social.


Mais podcasts AQUI


Alunos Ilustres da U.Porto

Celestino de Castro 

Celestino de Castro (1920-2007)

Celestino Joaquim de Abreu Castro nasceu a 21 de junho de 1920 na freguesia de Paranhos, no Porto. Era filho de Baltazar da Silva Castro, arquiteto e diretor dos Monumentos Nacionais, e de Mariana Amélia de Abreu Castro, professora primária.


No Porto, frequentou o estabelecimento de ensino anexo à Escola do Magistério Primário e, mais tarde, o liceu. Em 1937 fez o exame de admissão à Escola de Belas Artes da mesma cidade.


Em 1940, com o 3.º ano do curso especial da Escola Superior de Belas Artes do Porto, transferiu-se, por motivos familiares, para a Escola de Belas Artes de Lisboa, onde concluiu a licenciatura no ano letivo de 1943-1944.


Terminada a formação académica, estagiou com o Professor Cristino da Silva na Direção de Edifícios de Lisboa, do Ministério das Obras Públicas, entre 1944 e 1947.


Durante essa década, Celestino participou nas Exposições Gerais de Artes Plásticas da Sociedade Nacional de Belas Artes (1946/1956); integrou um grupo de arquitetos de Lisboa que visitou, a título profissional, os colegas da cidade do Porto (1947); associou-se ao I Congresso Nacional de Arquitetura e ao I Congresso da União Internacional dos Arquitetos, em Lausanne (1948), e viu publicada na revista "Arquitectura" a primeira tradução integral da "Carta de Atenas", um documento fundamental para as novas gerações de arquitetos, elaborado em parceria com Castro Rodrigues (1948).


Em 1951 trabalhou na Junta de Colonização Interna e, em 1953, filiou-se no Partido Comunista Português por influência de José Dias Coelho.


No Verão de 1955 fez parte da equipa n.º 6 do "Inquérito à Arquitectura Popular em Portugal", onde trabalhou com os arquitetos Artur Pires Martins e Fernando Torres. No âmbito deste projeto também contribuiu para a composição da maqueta final do livro, editado em 1961.


Entre o final dos anos 50 e o início da década de 60 organizou com Manuel Barreira a Exposição Itinerante de Arquitectura Portuguesa Contemporânea, destinada à Smithsonian Institution, enquanto delegado do Sindicato junto do Secretariado Nacional de Informação; trabalhou, ainda, no Gabinete de Urbanização da Câmara Municipal de Almada (1958/1960) e no Gabinete Técnico de Habitação da Câmara Municipal de Lisboa (1960/1962).


A sua militância no PCP conduziu-o à clandestinidade em agosto de 1963 e, mais tarde, ao exílio, em 1965. Nesses tempos difíceis vividos em Paris, trabalhou nos gabinetes dos arquitetos Lucien Billard e André Mahé e no de André Laborie, assim como no Service des Bâtiments et Jardins du Sénat.


Em 1974 regressou a Portugal, no mesmo avião onde viajava Álvaro Cunhal, para participar nas celebrações do 1.º de Maio.


Em março do ano seguinte ingressou na função pública, inicialmente nas Brigadas de Apoio Local da Câmara Municipal de Lisboa e, depois, na Direção das Instalações e Equipamentos de Saúde, onde se manteve até junho de 1990.


Em 1976 ajudou a converter o Sindicato Nacional dos Arquitetos na Associação dos Arquitetos Portugueses, entidade na qual participou ativamente até ao seu III Congresso.


Em 1990 aposentou-se, passando então a dedicar boa parte do seu tempo ao gabinete do projeto do Avante!. Em 2003 passou a Membro Honorário da Ordem dos Arquitetos, juntamente com outros colegas de profissão como Fernando Távora.


Da sua obra arquitetónica devem salientar-se a Habitação José Braga, na Rua Santos Pousada, Porto (1950/1951), a Habitação do Amial, Porto (projeto de 1949, construção de 1950-1952), que hoje se encontra muito descaracterizada, e o Bloco de Citologia do Hospital de Santo António (1989), também no Porto; e os blocos residenciais da Avenida dos E.U.A., em Lisboa, em colaboração com Huertas Lobo, João Simões, Hernâni Gandra e Francisco Castro Rodrigues.


Celestino de Castro morreu em agosto de 2007. O seu corpo esteve em câmara ardente na Igreja do Campo Grande, em Lisboa, e no dia 15 foi cremado no cemitério dos Olivais.


Figura cimeira do modernismo português, foi um homem fiel aos seus princípios; conheceu a privação da liberdade, visitou Paris, Moscovo e Washington, e nunca usou gravata, apresentando-se sempre de camisa completamente abotoada.


O espólio do seu atelier, que doara ao Partido Comunista Português, encontra-se atualmente na posse da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto, responsável pelo seu estudo e preservação.



U.Porto - Antigos Estudantes Ilustres da Universidade do Porto: Celestino de Castro

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