O LAGO DOS CISNES

Não me digas que vais ver outra vez, disse-me o meu amigo, quantas vezes viste já? Vou pela enésima, vez, respondi, nunca é igual. Não se compara à dança moderna, disse ele. Não temos de comparar, são registos diferentes, retorqui, um pouco irritada, confesso. De que gostas assim tanto no ballet clássico, perguntou. A técnica, deslumbra-me a técnica, as pontas dos pés, a verticalidade, a simetria como preocupação central, a leveza quase sobrenatural, expliquei. Eu gosto de pés descalços, desafiou ele. Também gosto, uma coisa não invalida a outra, gosto da assimetria da dança moderna, do contacto constante com o chão, da declaração que os bailarinos fazem em palco, não queremos ser cisnes perfeitos, concordei, acalorada, mas também gosto do clássico. A dança moderna conta histórias de hoje, provocou-me ele. E o ballet clássico conta histórias que ainda hoje são atuais, contrapus. Para que queremos o Lago dos Cisnes, sorriu, incrédulo. Só vemos o que queremos ver, atirei, com ar trocista, as grandes histórias não envelhecem, nós é que mudamos, e descobrimos nelas camadas que antes não víamos, e que outras pessoas não viram antes de nós, vê só o caso de Shakespeare, aqui também, n’O Lago dos Cisnes, encontramos o amor ideal por contraposição ao amor real, e os temas do engano, da identidade, da duplicidade, da prisão, da escolha e da responsabilidade moral e política, da comunidade, da imaginação. Chiça, vês tudo isso n’O Lago dos Cisnes, inquiriu, divertido. Isso e muito mais, garanti, mas não revelei por que razão gosto mesmo de ballet clássico, e deste bailado, em particular.


Na verdade, até desvendei em parte, a técnica, é a técnica que me deslumbra, os grand jetés, os fouettés, Odile, o cisne negro faz 32 fouettés en tournant, é mesmo muito, 32 vezes a girar sem parar, e há também as múltiplas pirouettes, duplas, triplas, às vezes até mais, e os relevés sustentados em arabesque, e adoro a coreografia de Nureyev, aérea, a par de Margot Fonteyn, nunca atrás, mas ao lado dela, impondo-se naqueles saltos verticais, nas impensáveis aterragens em quinta posição, nos tours en l’air encadeados, na forma como, a cada passo, preenche densamente a música de Tchaikovsky. E depois há o Pas de Quatre dos pequenos cisnes, milimetricamente sincronizados, é geometria viva, quase matemática coreografada, um exercício de disciplina tão rigoroso que parece impossível, e, claro está, há aquele momento em que o palco fica branco por inteiro, no Ato II, o Ato Branco, o port de bras dos cisnes irrepreensível, as ondulações sincronizadas dos braços, as entradas sucessivas a lembrar um lago infinito, as bailarinas dispostas em fileiras diagonais perfeitas, um corpo de baile transformado em paisagem.


O ballet clássico procura o virtuosismo, observei, voltando à conversa, é uma busca pela superação física, pela precisão levada ao limite, pelo equilíbrio em milímetros de ponta, é isso que arranca o aplauso no final de cada cena e por isso os bailarinos fazem a vénia tantas e tantas vezes, aceitando o reconhecimento do público. O meu amigo não respondeu, estava certamente a pensar em Pina Bausch, sei como admira a fragilidade humana que ela expõe nas suas coreografias. Por isso fiquei em silêncio e não lhe revelei a verdadeira razão por que gosto tanto de O Lago dos Cisnes, é que tinha eu nove anos, vesti um corpete de cetim branco e um tutu de igual cor, e subi ao palco do Rivoli com tantas outras meninas da minha idade, todas com corpetes e tutus iguais, e ajoelhei-me com elas e com elas ondulei os braços, numa coreografia simples que pintou o palco de branco – e, por momentos, senti-me cisne. Na verdade, acho que nunca deixei de o ser.


Fátima Vieira
Vice-Reitora para a Cultura e Museus

Na Casa Comum vai fazer-se Silêncio em Três Tempos Surreais

Concerto comentado, com Ana Telles ao piano e  um repertório dos séculos XIX e XX, terá lugar na tarde de 21 de  fevereiro. Entrada livre.

Ana Telles vai liderar "uma viagem musical pelos domínios do insólito e do poético, num percurso entre o visível e o invisível". Foto: DR

Estreou no final de janeiro no Museu de Arte Contemporânea e Centro de Arquitetura do Centro Cultural de Belém e chega agora à Casa Comum (à Reitoria) da Universidade do Porto. Silêncio em Três Tempos Surreais é o título do recital comentado de Ana Telles. Para acompanhar no próximo dia 21 de fevereiro, às 16h00.


Nas palavras da própria artista, este recital vai convida-nos a fazer “uma viagem musical pelos domínios do insólito e do poético, num  percurso entre o visível e o invisível”. Seremos conduzidos, ao piano,  por um repertório dos séculos XIX e XX. De inspiração surrealista, “cada obra evoca um universo em que o tempo se curva, a lógica se dissolve, e  o som revela paisagens interiores de humor, sátira, sonho, meditação e  transcendência”.


Esta “viagem musical” terá início com Erik Satie (1866-1925), ícone precoce do surreal, que propõe, nas suas Gnossiennes, uma escuta ritual e misteriosa. De Mel Bonis (1858-1937) ficaremos com Mélisande, evocando o feminino em traços impressionistas, passando ainda por Francis Poulenc (1899-1963), do Grupo dos Seis. A interpretação seguirá para excertos da Suite Ttai, de Giacinto Scelsi (1905-1988), potenciando uma imersão meditativa, até  passar para um registo mais etéreo com Arvo Pärt (n. 1935), em Für Alina.


Do programa fazem ainda parte obras de Olivier Messiaen (1908-1992) — “Regard des hauteurs” e “Regard du Temps”, do ciclo Vingt regards sur l’Enfant-Jésus — que darão uma espécie de perceção dilatada do tempo. Com Chaconne, de Sofia Gubaidulina (1931-2025), a última etapa desta viagem irá levar  o público até territórios paradoxais, colocando-o entre sombra e a luz.


A entrada é livre, ainda que sujeita à lotação do espaço.

Sobre Ana Telles

Ana Telles estudou em Lisboa (Escola  Superior de Música de Lisboa), Nova Iorque (Manhattan School of Music e  New York University) e Paris, com Yvonne Loriod-Messiaen, Sara Buechner e Nina Svetlanova, entre outros. Doutorou-se na Universidade de Paris IV –  Sorbonne (França).


Foi solista com a Orquestra Sinfónica Nacional de Taiwan, as  orquestras Gulbenkian, Metropolitana de Lisboa, Filarmonia das Beiras,  Sinfonietta de Ponta Delgada, Clássica da Madeira, Tutti de Levallois, Orchestre de Flûtes Français, Conservatório de Dijon (França), Nuova Amadeus (Roma, Itália), e a Banda Sinfónica da GNR, entre outras. A sua discografia conta com mais de 25 títulos.


Para além de Portugal, tem realizado concertos em países como a Alemanha, Reino Unido, Dinamarca, França, Itália, Irlanda, Polónia,  Croácia, Cuba, Taiwan, Coreia do Sul, Brasil, E.U.A e Canadá.

Ana Telles irá dar um concerto ao piano na Casa Comum.

Em paralelo com a carreira musical, Ana Telles é Professora Catedrática e Vice-Reitora para a Cultura e Comunidade da Universidade de Évora, instituição onde leciona desde 2009 e cuja Escola de Artes  dirigiu entre 2017 e 2024.


É também Investigadora integrada do CESEM (Grupo de Investigação em  Música Contemporânea) e é autora de um número significativo de capítulos  de livros, artigos em revistas indexadas e edições musicais.


É membro do Board of Representatives e do Executive Group da ELIA – European League of Institutes of the Arts, bem como presidente do Grupo de Trabalho Arts in Education. Mais recentemente, foi nomeada membro do Board da EQ-Arts. 


Fonte: Notícias U.Porto

Prescrição Cultural: um projeto em expansão

A Reitoria da U.Porto acolheu a entrega dos  primeiros certificados da Prescrição Cultural, assinalando consolidação de um projeto com ambição transformadora.

Os estudantes que receberam os certificados e parte da equipa da UC Prescrição Cultural, na Reitoria da U.Porto

O evento Prescrição Cultural – Arte, Cultura e Bem-Estar: O papel da Universidade realizou-se  no dia 5 de fevereiro, na Reitoria da Universidade do Porto, reunindo responsáveis académicos, investigadores e profissionais das áreas da  saúde e da cultura. A sessão ficou marcada pela entrega dos primeiros certificados em Prescrição Cultural, espelhando a transição  de um projeto académico para um movimento em clara expansão a nível  nacional.


Assente na evidência de que o contacto com a arte e a cultura (nas suas vertentes de fruição e de produção) tem efeitos positivos na  saúde mental e no bem-estar, a Prescrição Cultural afirma-se, cada vez mais, como uma resposta inovadora aos desafios contemporâneos do cuidar. Para Fátima Vieira, Vice-Reitora da U.Porto para a Cultura e Museus, o projeto da Prescrição Cultural transformou-se num “verdadeiro  movimento ao ganhar missão, estrutura e escala”. Um percurso que começou a nível regional e que hoje assume uma dimensão mais ampla, potenciado  pela universidade enquanto espaço privilegiado de articulação entre  conhecimento científico, formação e compromisso com a sociedade.


Nesse processo, a Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto (FPCEUP) desempenhou e continua a desempenhar um papel determinante. A presença do seu diretor, Pedro Nobre, reforçou essa centralidade, que ganhou especial destaque na intervenção de Diana Alves. Docente da FPCEUP, investigadora do Centro de Psicologia da Universidade do Porto (CPUP) e principal coordenadora do lançamento da Prescrição Cultural enquanto  Unidade Curricular (UC) no ano letivo 2025/2026, Diana Alves destacou  dois conceitos estruturantes do projeto-movimento: a confiança e a co-construção.  A sua metodologia assenta na confiança do potencial de mudança de cada pessoa e de um trabalho co-construído de forma intersectorial,  envolvendo profissionais de saúde, agentes culturais, artistas e ensino superior, ao longo de três grandes momentos:referenciação, implementação acompanhada e sustentação.

Diana Alves, Catarina Grande, Joana Cadima e Joana Manarte – parte da equipa da Prescrição Cultural da FPCEUP

Os primeiros formados, que receberam os certificados das mãos  de Pedro Nobre e de Diana Alves, passam agora a integrar um movimento em  expansão. Mais importante do que aquilo que a Prescrição Cultural já é,  reforçou Fátima Vieira, é aquilo que ainda pode vir a ser. Esse  crescimento ficou bem patente com a assinatura do Protocolo de Parceria entre o Observatório para a Arte e a Cultura no Ensino Superior, do Instituto de Sociologia da Universidade do Porto, e a Reitoria da Universidade do Porto, um passo decisivo para a consolidação, expansão e avaliação científica do projeto.


Criada em 2025 e sediada na FPCEUP, a Prescrição Cultural concretiza-se através de uma UC dirigida a estudantes de diferentes  áreas e ciclos de estudo da U.Porto, complementada por uma formação  integrada para profissionais da saúde e da cultura. Ao promover o  diálogo intersetorial e ações de sensibilização junto da comunidade, o projeto tem vindo a gerar propostas com aplicação em contextos reais,  reforçando o papel transformador da arte e da cultura na promoção do  bem-estar individual e coletivo. 


Fonte: Notícias U.Porto

Fevereiro na U.Porto

Para conhecer o programa da Casa Comum e outras iniciativas, consulte a Agenda Casa Comum ou clique nas imagens abaixo.

Francisco Laranjo: Porto, Dresden, Nagasaki

11 DEZ'25 a 28 FEV'26
Exposição | Casa Comum 
Entrada Livre. Mais informações aqui

Eu sou o meu mundo, corpo vegetal | Exposição de Graça Sarsfield 

10 DEZ'25 a 21 MAR'26
Exposição | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

Visitas Orientadas à exposição Francisco Laranjo: Porto, Dresden, Nagasaki

Até 28 FEV'26 
Visitas orientadas | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

Colectivo de Poesia - Poetas a várias vozes na Casa Comum | David Mourão Ferreira

18 FEV'26 | 21h30 
Poesia | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui
Entrada Livre. Mais informações aqui

O Processo, de Hélder Filipe 

20 e 27 FEV'26 | 18h00
Cinema | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

Silêncio em Três Tempos Surreais | Ana Telles, piano

21 FEV'26 | 16h00
Música | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

Sombras que não quero ver

 DEZ'25 a MAR'26
Exposição | FMUP
Entrada Livre. Mais informações aqui

LOUREIRO 100. ARQUITECTURAS DE REPRESENTAÇÃO

De 8 NOV'25 a 21 FEV'26 
Exposição | Fundação Marques da Silva
Mais informações aqui 

Sob mares frágeis, de Pedro Camanho

De 14 JAN a 29 MAR'26
Exposição | Galeria da Biodiversidade - CCV
Entrada Livre. Mais informações aqui 

Gemas, Cristais e Minerais

Exposição | Museu de História Natural e da Ciência U.Porto
Entrada Livre. Mais informações aqui 

Corredor Cultural

Condições especiais de acesso a museus, monumentos, teatros e salas de espetáculos, mediante a apresentação do Cartão U.Porto.
Mais informações aqui

U.Porto Press regressa à Mostra da Universidade do Porto

Foto: DR

A U.Porto Press está de volta à Mostra da Universidade do Porto (U.Porto)!


De 19 a 22 de fevereiro a U.Porto Press estará representada no Pavilhão Multiusos de Gondomar,  onde decorre este certame anual que dá a conhecer a diversa oferta  formativa e o conhecimento produzido na Universidade do Porto.


Durante este período, docentes, investigadores, técnicos e estudantes  das faculdades, centros de investigação e serviços centrais da U.Porto  reúnem-se naquele espaço para receber os estudantes – sobretudo do 3.º  ciclo do ensino básico e do ensino secundário – e visitantes de outras  faixas etárias que por ali passarem.


Ali será possível explorar os cursos do seu interesse e respetivas  saídas profissionais, ou, ainda, obter informações sobre acesso ao  ensino superior, apoios sociais, perspetivas de empregabilidade e  programas de mobilidade.


O objetivo passa por dar a conhecer a oferta formativa da U.Porto, uma das mais completas de Portugal, desde licenciaturas a doutoramentos, os respetivos planos de estudo, e outros  programas formativos disponibilizados por esta instituição de ensino  superior, não esquecendo os que se dirigem ao público pré-universitário. Mas não só. A grande área de demonstração e experimentação,  caraterística da Mostra há alguns anos, promove a transmissão de  conhecimento, revelando ao público em geral o que de melhor se produz  nesta universidade, quer no campo das ciências, quer no campo das  letras, da engenharia ou das artes.


E a U.Porto Press, o que tem para mostrar?


A Editora da U.Porto leva até à Mostra mais de três dezenas de publicações do seu catálogo, de áreas temáticas diversas, com destaque para títulos pensados para os estudantes e professores do ensino secundário, bem como para as suas mais recentes novidades.


A estes juntam-se publicações da Faculdade de Arquitetura, da Faculdade de Desporto, da Faculdade de Letras e do Museu de História Natural e da Ciência da U.Porto, que a U.Porto Press representará.


Uma visita ao espaço da U.Porto Press na Mostra da U.Porto – situado na área dos serviços centrais – permitirá ao visitante adquirir livros com descontos até 50%, com alguns preços abaixo de 5 euros e metade dos títulos à venda por menos de 10 euros.


Mas há mais: A U.Porto Press tem presentes para oferecer aos visitantes!


Em compras realizadas no seu espaço, de valor igual ou superior a 20,00€, oferecerá um livro, a partir de uma seleção de títulos (campanha limitada títulos disponíveis e stock existente).


A Mostra da U.Porto estará aberta ao público das 9h30 às 18h00 nos  dias 19 e 20 de fevereiro (quinta-feira e sexta-feira), das 11h00 às  19h00 no dia 21 de fevereiro (sábado) e das 11h00 às 18h00 no dia 22 de  fevereiro (domingo).


A organização disponibiliza um serviço de transporte gratuito entre pontos específicos da cidade do Porto e o Pavilhão Multiusos de Gondomar.


A entrada é livre e gratuita.


Visite-nos! 


Fonte: U.Porto Press

Lançamento de Uma Primavera em Itália, de Abel Salazar, marcado para 24 de fevereiro

A obra, baseada numa viagem do histórico médico e docente da U.Porto por cidades italianas, será apresentada na Reitoria da U.Porto. A entrada é livre.

Originalmente publicada em 1934, esta é uma reedição da U.Porto Press e da Casa-Museu Abel Salazar, com o apoio da Fundação Engenheiro António de Almeida. / Foto: U.Porto Press

Em Uma Primavera em Itália, Abel Salazar recorda uma viagem que realizou em 1925, a convite da Association des Anatomistes, que se reuniu em Turim para a sua vigésima reunião. À época, o  histórico médico, escritor e professor da Universidade do Porto  (U.Porto) marcou presença enquanto representante do Instituto de  Histologia e Embriologia da Faculdade de Medicina da U.Porto.


Partindo dali, Abel Salazar relata a sua visita a outras cidades italianas.


Esta obra de Abel Salazar, originalmente publicada em 1934, foi reeditada pela U.Porto Press e pela Casa-Museu Abel Salazar, com o apoio da Fundação Engenheiro António de Almeida.


Integra a coleção Pensamento, Arte e Ciência, da U.Porto Press, juntando-se a Paris em 1934, Testamento de um Morto Vivo Sepulto na Casa dos Mortos, em Barcelos, A Crise da Europa e Um Estio na Alemanha, do mesmo autor.


O lançamento de Uma Primavera em Itália decorrerá a 24 de fevereiro, a partir das 18h00, no Auditório da Casa Comum – Reitoria da U.Porto (à Praça Gomes Teixeira).


A apresentação da obra ficará a cargo de Pedro de Almeida Saavedra, Provedor da Ordem da Trindade e Presidente da Assembleia Geral da Associação Divulgadora da Casa-Museu Abel Salazar, e Maria do Céu Pinto Arena, da Associazione Socio-Culturale Italiana del Portogallo Dante Alighieri (ASCIP Dante Alighieri). A sessão será presidida pela Pró-Reitora Olívia Pestana, responsável pela Casa-Museu Abel Salazar.


A entrada é livre.

Sobre a Obra

Uma Primavera em Itália foi publicado originalmente em 1934, em Lisboa, pela Casa Editora Nunes  de Carvalho, sendo o primeiro volume da Contemporânea – Biblioteca de  autores nacionais e estrangeiros.


“Galgado o cenário do nosso Douro alcantilado, com a solidária rudeza  das suas vinhas em socalcos, a prumo sobre a torrente barrenta que  desliza em baixo, vagarosamente, entra-se no planalto de Castela”, assim  começa “A Loucura das paisagens”, capítulo inaugural deste livro.  Neste, Abel Salazar relata a sua viagem de 1925 até Itália, com  passagens por Madrid e sul de França, incluindo olhares sobre os  Pirenéus, a Côte d’Azur ou os Alpes.


Mas não se ficou por ali. Nos capítulos seguintes do livro refere-se  às suas visitas a Milão, Florença, Roma, Nápoles, Pisa, Génova e Veneza,  registando os seus encantos e desencantos.

Além do texto original, a presente reedição inclui obras de dois alunos,  depois professores na FMUP, também da primeira edição de 1934: uma  caricatura da autoria de Luís de Pina (1901-1972) e uma nota  biobibliográfica de Almerindo Lessa (1909-1995). (Foto: U.Porto Press).

Para além do texto original, a presente reedição inclui, “também da  primeira edição de 1934, obras de dois alunos e depois professores na  Faculdade de Medicina do Porto: uma caricatura da autoria de Luís de  Pina (1901-1972), que retrata Abel Salazar ao microscópio, desenho esse  anteriormente usado num postal comemorativo do Centenário da Faculdade  de Medicina do Porto em 1925; e uma nota biobibliográfica de Almerindo  Lessa (1909-1995), assistente de Abel Salazar na cadeira de Anatomia  Microscópica e seguidor do seu ideário progressista”.


Uma Primavera em Itália está disponível na loja online da U.Porto Press, com 10% de desconto. 


Fonte: U.Porto Press

Há novos podcasts no espaço virtual da Casa Comum

192. Posse, Leonor de Almeida

 “Posse”, de Leonor de Almeida, in na curva escura dos cardos do tempo – poesia reunida, 2020, p. 142.

10. Ilídio André Costa

O percurso de Ilídio André Costa é marcado por uma convicção  profunda: aprender é um ato de descoberta e de aproximação ao mundo. Há  mais de duas décadas que leva a ciência para fora das paredes da escola,  num caminho que cruza o ensino público e privado, a divulgação  científica e a formação de públicos diversos, sempre com a mesma energia  de quem acredita no poder transformador do conhecimento. Atualmente, é coordenador pedagógico do Planetário do Porto – Centro  Ciência Viva, onde transforma a astronomia em narrativas acessíveis a todos. É autor de manuais escolares de Ciências Naturais, formador de professores em formação inicial e contínua, e docente na Faculdade de  Ciências da Universidade do Porto e no Instituto Politécnico de  Bragança. Paralelamente, desenvolve investigação na área do ensino e  divulgação das ciências, explorando novas formas de ligar o público ao  conhecimento científico. Ao longo do seu percurso, passou da geologia à astronomia, da sala de  aula ao planetário, desafiando fronteiras disciplinares e  reinventando-se sempre que necessário. Mas, acima de tudo, destaca como  parte central da sua identidade o papel de pai, marido e membro de uma  família que continua a ser o seu principal ponto de equilíbrio. Neste episódio do Alumni MundusAgentes de Mudança, conhecemos um percurso onde o rigor científico convive com a fé, a música, o desporto e  a imensidão do cosmos, numa reflexão sobre o papel da divulgação  científica como forma de cuidar da sociedade


Mais podcasts AQUI


Casa dos Livros celebra 50 anos da morte de Agatha Christie

A mostra Mistérios em Exposição: a Dama do  Crime nos Espólios da Casa dos Livros está patente ao público até 8 de  maio. Entrada livre.

Foto: DR

Em 2026, assinalam-se os 50 anos do falecimento da eterna Dama do Crime. Para destacar esta efeméride, a Casa dos Livros | Centro de Estudos da Cultura em Portugal da Universidade do Porto apresenta, pela primeira vez, uma exposição bibliográfica dedicada a narrativas de mistério e dedução, centrando-se exclusivamente na obra de Agatha Christie (1890-1976).


Dos espólios incorporados na Casa dos Livros, apenas três contêm  obras desta escritora inglesa: as bibliotecas Ana Luísa Amaral, Maria  Virgínia Monteiro e Vasco Graça Moura. Representam, no entanto, um  pequeníssimo núcleo face ao conjunto de obras de mistério incorporadas  nestes acervos.


A maioria dos livros exibidos na mostra Mistérios em Exposição: a Dama do Crime nos Espólios da Casa dos Livros pertence à Biblioteca Ana Luísa Amaral e foi publicada pela Livros do Brasil, editora das célebres coleções Vampiro e Vampiro Gigante, que marcaram gerações de leitores portugueses.


Esta é então uma oportunidade para desvendar os enigmas Hercule  Poirot, Miss Marple, Tommy e Tuppence, entre outros personagens que  imortalizaram o nome de Agatha Christie.

Um desafio para os visitantes

Como em qualquer bom mistério, nem tudo é o que parece. Como tal, os  visitantes da exposição são desafiados a olhar com atenção redobrada: ao  terminar de ler as legendas ou o catálogo, devem tentar resolver um  enigma que ficou aí escondido. O segredo? 36 letras. Dispersas ou camufladas, quando reunidas, formam uma das frases mais representativas  de uma das obras da autora.


Estará o visitante à altura da perspicácia de Miss Marple ou das  “pequenas células cinzentas” de Hercule Poirot? Uma questão para  responder de 10 de fevereiro a 8 de maio, na Casa dos Livros.


Com entrada livre, Mistérios em Exposição: a Dama do Crime nos Espólios da Casa dos Livros pode ser visitada de segunda a sexta-feira, das 10h30 às 12h30 e das 14h30 às 17h30. 


Fonte: Notícias U.Porto

Alunos Ilustres da U.Porto

Clara Menéres

Clara Menéres (1943-2018), fotografada por Luís Branco em 2002 (Público)

A 22 de agosto de 1943 nasceu na Casa de Vilar, em S. Vítor, Braga, Maria Clara Rebelo de Carvalho Menéres.


No Porto estudou escultura (cursos Superior e Complementar) na Escola Superior de Belas Artes do Porto, tendo concluído a licenciatura em 1968, com a apresentação do trabalho "A Menina Amélia que vive na Rua do Almada".


Nesses tempos passados na ESBAP, foi discípula dos mestres Barata Feyo, Lagoa Henriques, Heitor Cramez e Júlio Resende, e começou a expor. Estreou-se nas mostras coletivas nas Exposições Magnas da FBAUP, e individualmente, em 1967, na Galeria Borges de Aveiro, mostrando cerâmica.


Posteriormente, entre os finais dos anos setenta e o início da década de noventa prosseguiu os seus estudos em França e nos Estados Unidos, como bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian e da Fundação Luso Americana. Em 1983 doutorou-se em Etnologia na Universidade de Paris VII, e entre 1989 e 1991, foi Research Fellow do Center for Advanced Visual Studies do Massachusetts Institute of Technology.


Entretanto, começou a ensinar. Primeiro na ESBAP, depois na Faculdade de Belas-Artes de Lisboa (1971-1996), instituição onde ascendeu ao título de Professora Agregada, e exerceu o cargo de Presidente do Conselho Diretivo (1993-1996), e, por fim, na Universidade de Évora, onde foi Professora Catedrática Emérita.


Os temas dominantes da sua obra escultórica são os mitos fundadores, e cultos solares, aquáticos, e essencialmente de fecundidade, bem evidente em obras como Papisa ou Coincidentia Oppositorum (1983), dos jardins da Fundação Calouste Gulbenkian, Relicário,  Fogo Fátuo III ou Igniculli Terra Emicantes (1987) e Alba Navis (1987). Outros temas são a alegoria da morte (Os Amantes ou Restos Arqueológicos de uma viagem para a morte com o qual alcançou o Prémio de Escultura da IV Bienal Internacional de Vila Nova de Cerveira); a intervenção cívica (apresentou Jaz morto e arrefece o menino de sua mãe na SNBA, em 1973 e no pós-25 de Abril integrou o Grupo ACRE, com Queiroz Ribeiro e Lima de Carvalho); as reflexões científicas e filosóficas (exposição Da terra à Luz ou a Coincidentia Oppositorum entre Nicolua de Cusa e Max Planck) e as temáticas bíblicas.


Em peças como Mulher-Terra-Viva, apresentada na exposição Alternativa Zero de 1977, em Belém, deixou transparecer influências da Land Art (Arte Ecológica), enquanto esculturas como A grande espiral no I Simpósio de Escultura de 1988, o Monumento ao viajante, de Guimarães (1991), o Monumento a Willy Brandt, Porto (1993), e o Monumento a Salgueiro Maia, Castelo de Vide (1994) se assumiram como intervenções de arte pública que resultam sobretudo das investigações da autora sobre as relações entre arte e natureza.


Nos anos oitenta redescobriu a luz na sua escultura, vindo a afirmar-se como uma "light sculptor". Mais recentemente, produziu para o Santuário de Fátima a imagem da Pastora Jacinta (2000) e O Anjo da Paz (2016). A sua última obra foi a estátua de João Paulo II, inaugurada na Páscoa de 2018, na rotunda da Maia.


A artista e professora dedicou-se também à investigação artística e à participação na vida cultural e política do país. Integrou a I Conferência sobre "A representação do sagrado no mundo da imagem", e associou-se ao Programa Cultural do Congresso Feminista 2008, no qual esteve patente o painel fotográfico Clara Meneres. Escultura. Obra retrospetiva entre os anos 1968-1980.


Foi membro efetivo do MIC (Movimento de Intervenção e Cidadania), formalmente instituído em 2006, e em 2009 candidatou-se às Eleições Europeias pelo MPT (Partido da Terra) e à Assembleia da República pela coligação Frente Ecologia e Humanismo.


Morreu em Lisboa a 10 de maio, aos 74 anos de idade.


Sobre Clara Menéres (up.pt)

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