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A VERDADEIRA ESCUTADepois de jantar, o meu pai retirava-se para uma área de “estar”, separada da zona de refeições por um grande aquário com peixes dourados. Ligava o rádio, ajustava cuidadosamente a sintonia e sentava-se no sofá para ouvir música clássica. Era um ritual reminiscente dos anos 50, um período em que as pessoas escutavam música com uma concentração que hoje quase desapareceu. Desde que me lembro de existir, vejo-me no sofá, aninhada contra o meu pai. Com ele aprendi a ouvir os grandes clássicos – Bach, Mozart, Beethoven, Wagner, Tchaikovsky – com atenção e respeito. Quando comecei a ler, além da música, o rádio de onde ela emanava tornou-se objeto de fascínio. Era um móvel-rádio alemão de finais dos anos 50, da marca WEGA. Todo em madeira escura e polida, com pernas finas e ligeiramente inclinadas (muito ao estilo dos anos 50), apresentava umas belíssimas teclas brancas alinhadas a lembrar as de um piano, e ainda uma grelha de tecido por onde saía o som; à frente, ostentava uma porta que, quando rebatida, revelava um gira-discos (então) moderno. Mas o que me fascinava de verdade era o nome das cidades inscritas a dourado sobre o visor negro: Lisboa, Paris, Roma, Londres, Moscovo – ao todo, 80 cidades europeias que se faziam ouvir naquele aparelho. Havia nomes familiares, mas outros pareciam pertencer a uma geografia secreta – Hilversum era um deles. A Europa, contudo, não entrava automaticamente em nossa casa: era preciso paciência.
Para ouvir a BBC, por exemplo, o meu pai premia a tecla das ondas longas e rodava devagar o botão grande da sintonia, ficando a ver o ponteiro mover-se no visor até “London”. Procedia, depois, a pequenos ajustes até a emissão ficar mais nítida, sem interferências. Eu gostava de o ouvir limpar aquele zumbido quando havia sobreposição de sinais, admirava-lhe a paciência na busca do som mais puro – a verdadeira escuta começava nessa procura, antes da música ou da voz. E depois, espantávamo-nos sempre – como se fosse a primeira vez – com o som límpido e triunfal das orquestras que recompensavam a nossa espera. Após uma boa meia hora, o meu pai dizia Aus –desligado –, e a tecla da esquerda fazia Clac. Acho que foi a primeira palavra alemã que aprendi. Descíamos então para a sala de estar, onde a televisão se tornara já a estrela das noites em família.
Vêm estas memórias à escrita por causa de uma mensagem no WhatsApp que me enviou uma amiga. Que bela prenda pela manhã, pensei enquanto clicava no ficheiro que me daria acesso à escuta da Sonata ao Luar. Sentei-me no sofá e ouvi a música até ao fim com a atenção e o respeito que o meu pai me ensinou. Pensei que me lembrara dos serões radiofónicos da minha infância por Beethoven ser um dos compositores que mais ouvíamos. As mensagens seguintes que a minha amiga me enviou, contudo, ofereciam uma explicação científica para o fenómeno: tonalidades menores, repetições hipnóticas e certas progressões harmónicas ativam no cérebro regiões associadas à emoção e à memória. É por isso que uma música pode, de repente, reabrir caminhos para lembranças muito antigas, como se tocasse diretamente os arquivos mais profundos da experiência.
Fiz um pouco de investigação (confesso, foi na Internet) sobre o assunto. Uma das peças que mais ouço, Gymnopédie n.º 1, de Erik Satie, produz igualmente no cérebro um efeito potente. A sua estrutura extremamente simples, com poucos acordes e uma melodia clara, faz com que o cérebro reconheça rapidamente o padrão e não se canse a tentar decifrar a música. Por outro lado, a repetição lenta e regular, quase hipnótica, cria um estado de atenção relaxada. Por fim, o facto de Satie não usar progressões de forma muito marcada produz uma sensação de suspensão – como se o tempo estivesse parado. Nestas circunstâncias, as áreas do nosso cérebro ligadas à vigilância relaxam e aumenta a atividade cerebral associada à introspecção e memória. Este estado de suspensão e quietude desencadeia frequentemente, em quem ouve a peça, não só a memória, mas também a imaginação.
Nos tempos em que vivemos, marcados pela urgência quotidiana, ouvir música clássica é cada vez mais necessário, pensei, fascinada pela ideia de suspensão do tempo. Mas só resultará se a ouvirmos com a exigência de outrora. O meu pai continua a fazê-lo. Com a audição diminuída pela idade, todas as noites, após o jantar, coloca uns grandes auscultadores junto aos ouvidos e deixa-se habitar pela música. A minha mãe jura que já o viu chorar. Vi (também na Internet) que o “Allegretto” da Sétima Sinfonia de Beethoven é um dos andamentos que mais frequentemente tocam os ouvintes. Gosto de pensar que são peças como esta que emocionam o meu pai.
Também eu me deixo comover quando descubro coisas belas: talvez porque me permitem esquecer, por momentos, a brutalidade do mundo.
Fátima Vieira Vice-Reitora para a Cultura e Museus
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U.Porto celebra Dia de São Patrício com música e poesia irlandesasO Dia da Cultura Irlandesa (17 de março) vai juntar no palco da Casa Comum o Colectivo de Poesia e os músicos dos Díada. Entrada livre. O Dia da Cultura Irlandesa traz as tradições da Irlanda para o palco da Casa Comum. Foto: Vista de Inisheer, no condado de Galway, Irlanda. É um dos feriados mais populares da Irlanda e, como já vem sendo hábito, também vai celebrar-se na Casa Comum (à Reitoria) da Universidade do Porto. Este ano, o “cartaz” para o Dia de São Patrício (Saint Patrick’s Day) inclui música irlandesa, claro está, mas também poesia. Propostas que serão servidas ao final da tarde de 17 de março, a partir das 18h30, num Dia da Cultura Irlandesa aberto a toda a comunidade. Nesta festa improvisada do “Paddy’s Day”, juntámos o Colectivo de Poesia, coordenado por Rui Amaral Mendes, com os músicos dos Díada – Colm Larkin, no bouzouki, e Sandro Bueno nas flautas. A ideia é expandir e dar um novo contorno ao nosso conhecimento, abrindo, assim, espaço para, de forma simbólica, celebrar a vasta poesia irlandesa, de que são expressão figuras como William Yeats, James Joyce ou Seamus Heaney, vencedor do Prémio Nobel em 1995.
Em português ou em inglês, que não nos falhem as palavras, sendo certo que a música, essa, não faltará. Está, desde já, garantida a presença do violinista João Valente, que foi aprender o ofício junto dos fiddlers da Costa Oeste da Irlanda, ou seja, os músicos tradicionais que tocam fiddler. Trata-se de um instrumento musical, qual violino, inventado no Norte da Itália no séc. XVI. Foi introduzido na Irlanda para acompanhar músicas de dança. O seu uso segue uma tradição oral, com opções estilísticas distintas do violino erudito.
O Dia da Cultura Irlandesa tem entrada livre, ainda que limitada à lotação do espaço.
Díada & Amigos dão concerto dia 17 de março na Casa Comum. Foto DR Sobre o Colectivo de PoesiaÉ sempre à terceira terça-feira de cada mês que o Coletivo se reúne na Casa Comum para descobrir novas perspetivas, ouvir e ler através de outras vozes, tornar mais abrangente o que já conhecemos, ou simplesmente descobrir um determinado património poético e literário. Para além dos membros permanentes, o público é convidado a participar através das leituras que pretender. Os poetas eleitos têm, habitualmente, uma ligação ao mês em que são celebrados (seja pelas datas de nascimento ou morte) e correspondem ao universo da lusofonia.
O mês de março é dedicado a Vasco Gato; abril será o mês de Adília Lopes; em maio, outra voz no feminino, Luiza Neto Jorge; para junho, deixamos o legado de Fernando Pessoa; e, por fim, em julho, o poeta e jornalista brasileiro Mário Quintana.
Com entrada livre, os encontros acontecem sempre na terceira terça-feira de cada mês, pelas 21h30 na Casa Comum.
Sobre os DíadaNatural da Irlanda, mas a residir atualmente no Porto, Colm Larkin é bacharel em Artes Liberais (Música) pelo University College de Cork, na Irlanda. Estudou teoria musical, musicologia, etnomusicologia e história, nomeadamente música clássica do norte da Índia e a prática de um dos principais instrumentos desta tradição: o sitar. Realizou concertos um pouco por toda a Irlanda. No Porto, tem colaborado com vários músicos e atuado a norte de Portugal e na Galiza. Toca bouzouki, um instrumento de cordas da família do alaúde. Com o flautista e gaiteiro brasileiro Sandro Bueno, formou os Díada, um coletivo dedicado à música tradicional irlandesa, embora não recuse a incorporação de músicas de outras tradições europeias. A participação que têm garantido em diversos festivais tem-lhes permitido continuar a dedicar-se às tradições europeias da fachada atlântica (irlandesa, galega, bretã e outras).
Fonte: Notícias U.Porto
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José Gardeazabal lança novo livro na Casa ComumMulher no Espaço é o título da mais recente obra de José Gardeazabal. O lançamento irá acontecer no próximo dia 11 de março. Entrada livre. José Gardeazabal é considerado um dos autores mais lúcidos do nosso tempo. Foto: DR
Escreve poesia e teatro, mas é o lançamento do seu último romance que traz José Gardeazabal à Casa Comum (à Reitoria) da Universidade do Porto. Mulher no Espaço será apresentado no próximo dia 11 de março, às 18h30. A acompanhar o autor estarão várias personalidades que ajudarão a audiência a entrar neste universo produzido por aquele que é considerado um dos autores mais lúcidos do nosso tempo.
Será uma distopia, a expressão de uma ironia corrosiva, ou uma lúcida anatomia da contemporaneidade? Um registo poético e político, ou uma radiografia da estranheza dos tempos que vivemos? A narrativa de Mulher no Espaço tem como foco uma trabalhadora de uma gigantesca empresa de expedição de encomendas, Bárbara de seu nome de guerra, que vive um periclitante equilíbrio entre uma gravidez escondida, o conforto das redes sociais e o aconselhamento terapêutico aos colegas de trabalho, também eles prisioneiros de ansiedades várias. Já os gabinetes da administração “são módulos espaciais” que têm pendurada na parede “a fotografia azul do antigo planeta terra”. Este é o cenário criado pelos “extraterrestres” que “aterraram e moram nas empresas do futuro”. No fundo, acrescenta, “As empresas infelizes são todas iguais (…) chefiadas por gente do espaço igual a nós, por fora carapaça, por dentro máquinas de fazer chichi. Tem isso de proletário, a urina, um interior de dignidade e obscenidade, não se esqueçam”. Aos operários, cabe “calcar a poeira de Marte, dois anos depois de um deus malvado condenar os melhores do mundo à derradeira escravatura”.
Bárbara é convidada a partilhar um voo de turismo espacial como única operária entre astronautas milionários, aproveita o passeio na atmosfera para denunciar a sua condição precária e exercer uma pequena grande vingança sobre um dos milionários, reconhecido assediador.
Regressada do espaço, assiste ao lento desmoronar da atmosfera fabril, com a chegada de novas máquinas que empurram o operariado ao despedimento e ao desespero, enquanto a administração oferece como menu consolador uma panóplia de eremitas, falsos santos, mulheres-mágicas e especialistas do fim do mundo, entre outros.
Confessa que, na verdade, nunca amou o trabalho: “É um emprego, liberta-me tanto como uma doença, um desgosto, uma fome, um frio velho e doido no centro escuro da Europa. A textura do gelo grosso, na Sibéria, a humidade de um verão no Alabama, no Norte do Brasil. Assim me sinto, uma refém do clima”. E deixa-nos ainda uma reflexão: “O futuro é circular? Queira Deus.”
O futuro longínquo ninguém sabe, mas o que se pode propor, para um futuro mais próximo, é a leitura circular desta obra. No dia 11 de março, às 18h30, caberá a Álvaro Domingos, Carlos Magno, José Rui Teixeira, Raquel Patriarca, Rosa Alice Branco e Rui Couceiro, moderados por Fátima Vieira, fazer a leitura e análise crítica de excertos do livro
A entrada é livre. Sobre José GardeazabalNasceu em Lisboa, em 1966. José Gardeazabal, pseudónimo literário de José Tavares, passou grande parte da vida a percorrer o mundo. Passou por Luanda, Aveiro, Boston e Los Angeles, onde viveu, estudou e trabalhou. O primeiro livro de poesia, história do século vinte (2015), foi distinguido com o Prémio INCM/Vasco Graça Moura. Em 2017, editou três peças de teatro, reunidas na obra Trilogia do Olhar. Publicou, na Companhia das Letras, os romances Meio homem metade baleia (2018, finalista do Prémio Oceanos, um dos mais importantes da literatura de língua portuguesa, traduzido em 2019 para o castelhano), A melhor máquina viva (2020, primeiro volume da Trilogia dos Pares; finalista dos prémios Fernando Namora, Correntes d’Escritas e Sociedade Portuguesa de Autores; um dos livros do ano para os jornais Expresso e Público).
Em 2021, publicou o romance Quarentena — Uma história de amor (finalista do Prémio Oceanos). Um ano depois, publica Quando éramos peixes (segundo volume da Trilogia dos Pares; finalista do Prémio Correntes d’Escritas).
O inédito A Fábula do Elefante venceu o Prémio de Literatura Infantil Maria Rosa Colaço. Lançou ainda A mãe e o crocodilo (2023) e Origami (2024) e Mulher no espaço (2026).
Fonte: Notícias U.Porto
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U.Porto oferece workshops com artistas residentesSessões conduzidas por Josefina Fuentes e Abigail Ascenso arrancam já este mês de março, na Casa Comum e em várias faculdades. Inscrição gratuita. Durante o mês de março, a Universidade do Porto vai oferecer workshops a toda a comunidade. Conduzidos por duas artistas residentes, Josefina Fuentes e Abigail Ascenso, estas propostas são abertas a toda a comunidade e vão decorrer na Casa Comum (à Reitoria) e em diversas faculdades. A participação é gratuita, mas sujeita a inscrição. “A contratação de duas artistas residentes para a Casa Comum é mais uma medida de promoção da democratização cultural na Universidade do Porto”, aponta Fátima Vieira, Vice-Reitora para a Cultura e Museus da U.Porto.
Espera-se que “estas artistas introduzam novas dinâmicas na instituição, proporcionando à comunidade académica momentos de experimentação artística e de pensamento crítico. Queremos envolver estudantes, docentes, investigadores e pessoal técnico em processos criativos participativos, contribuindo igualmente para o seu bem-estar e resiliência face ao ritmo acelerado da vida contemporânea”, acrescenta.
Os workshops e as atividades propostas funcionam, então, “como brechas no quotidiano apressado – espaços de pausa, de atenção e de espessura temporal, onde é possível experimentar, refletir e criar em comum”. A aposta neste programa é, por isso, estratégica: “pretendemos afirmar a universidade como um ecossistema cultural ativo, crítico e colaborativo”, remata a Vice-Reitora.
Dirigidos a estudantes, docentes, investigadores, técnicos e alumni, estes workshops são abertos a toda a comunidade académica. Vão passar por todas as faculdades, sendo possível inscrever-se para qualquer workshop, de qualquer faculdade, na data e no local que for mais conveniente.
Faz-te EntenderSeja em contexto profissional ou social, já sentiu que tinha dificuldade em falar em público? Na altura em que tinha de intervir, congelou? Deixou de saber o que tinha para dizer? Se isto já lhe aconteceu, então não quererá perder o primeiro Ciclo de Workshops Faz-te Entender, a decorrer já este mês de março. Nestas sessões, vai ser possível conhecer a teoria e a prática de contar histórias. De trabalhar a voz, a postura, a capacidade de comunicar, brincar, ter presença, improvisar, desenvolver confiança a ser espontâneo/a. Será também um momento para se sentir relaxado e uma oportunidade para conhecer pessoas novas. Tudo sob a batuta de Josefina Fuentes, atriz, encenadora, cantora e agora artista-residente da Casa Comum da U.Porto.
Os workshops de expressão corporal serão desenvolvidos por Josefina Fuentes. (Foto: Casa Comum)
Neste primeiro ciclo, os workshops vão decorrer em diferentes faculdades, a saber: Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação (FPCEUP) no dia 10 de março, das 9h00 às 12h30, na Sala 254. O Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS) junta-se à iniciativa no dia 11 de março das 9h30 às 11h30. O local será a Sala 04.P1.E3.
Na Faculdade de Ciências (FCUP), os workshops serão realizados no Auditório da Biblioteca no dia 12 de março, das 17h00 às 19h00.
O ciclo de workshops seguinte irá decorrer nas faculdades de Belas Artes, Letras e Medicina, em datas e locais a confirmar. Basta escolher o local que lhe for mais conveniente.
As inscrições são então gratuitas e podem ser efetuadas no formulário criado para o efeito.
A Mulher PlantaNo dia 9 de março, logo a seguir ao Dia Internacional da Mulher, Josefina Fuentes propõe um workshop exclusivo para o público feminino, baseado na exposição Eu sou o meu mundo, corpo vegetal, de Graça Sarsfield, patente no auditório da Casa Comum. A proposta desta sessão passa pela criação de um espaço seguro para as mulheres se expressarem através da ligação do corpo, mente e voz, numa improvisação de contacto e expressão corporal, oferecendo uma experiência de bem-estar, partilha e conforto. O workshop irá decorrer das 18h00 às 20h00.
Os Workshops de expressão plástica serão conduzidos por Abigail Ascenso. (Foto: Casa Comum)
Rever Laranjo: Do Gesto Pictórico ao Gesto VivoFrancisco Laranjo: Porto, Dresden, Nagasaki é o título da exposição que se encontra patente até 23 de março, nas Galerias da Casa Comum e que servirá de “pano de fundo” ao workshop de 10 de março. Desta vez, o desafio a ser lançado será o de aplicar os princípios da filosofia de Francisco Laranjo. Ou seja? Será uma oficina de expressão corporal para refletir sobre o abstrato, a contenção e o divino. Partindo da autodescoberta do potencial do corpo físico, pretende-se atingir uma expressão física descontraída que motive a coragem e o “atrevimento” da criação artística. Este workshop irá decorrer entre as 18h00 e as 20h00.
A participação nestas sessões conduzidas por Abigail Ascenso é igualmente é igualmente gratuita e sujeita ao preenchimento do respetivo formulário.
Para grupos com um mínimo de dez pessoas, a U.Porto propõe ainda um programa especial, composto por uma visita guiada à exposição, orientada pela historiadora de arte e mediadora cultural Susana Pacheco Barros, seguida de um workshop de expressão plástica com Abigail Ascenso.
Estas sessões terão um total de 60 minutos. As inscrições devem ser feitas através do e-mail cultura@reit.up.pt .
As artistas residentes da Casa ComumJosefina Fuentes dedicou-se ao teatro e à pedagogia teatral na Universidade do Chile, com foco na poética de Antonin Artaud e no método Alba Emoting de Susana Bloch. Trabalhou corpo, emoção e presença como bases da criação e do ensino, com experiência no Chile, Vietname e Portugal. Atualmente, é artista residente na U.Porto, onde desenvolve projetos de Prescrição Cultural orientados para autoestima, criatividade e bem-estar da comunidade académica.
Abigail Ascenso é artista plástica, ilustradora e arte-terapeuta. Integra o Programa de Prescrição Cultural da U.Porto como artista residente, onde dinamiza atividades artísticas focadas em bem-estar e participação comunitária. Desenvolve intervenção em Arte-Terapia com estudantes acompanhados pelo BAMBUP e facilita Laboratórios de Expressão Plástica e oficinas criativas.
É formada em Design de Comunicação pela FBAUP, com especialização em Arte-Terapia, e frequenta o mestrado em Artes Plásticas.
Fonte: Notícias U.Porto
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Março na U.Porto
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Para conhecer o programa da Casa Comum e outras iniciativas, consulte a Agenda Casa Comum ou clique nas imagens abaixo.
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Francisco Laranjo: Porto, Dresden, Nagasaki
Entrada Livre. Mais informações aqui
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Eu sou o meu mundo, corpo vegetal | Exposição de Graça Sarsfield
Entrada Livre. Mais informações aqui
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Visitas Orientadas à exposição Francisco Laranjo: Porto, Dresden, Nagasaki
Visitas orientadas | Casa Comum Entrada Livre. Mais informações aqui
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Mulher no Espaço, de José Gardeazabal | Apresentação do Livro
Apresentação de livro | Casa Comum Entrada Livre. Mais informações aqui
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Francisco Laranjo | Habitar um Arquivo - Práticas da Investigação Artística
Entrada Livre. Mais informações aqui
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CIDAAD – III Ciclo de Cinema Alemão | Corpos, Vozes e Lutas
13, 20 e 27 MAR'26 | 18h30 Entrada Livre. Mais informações aqui
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Dia de S. Patrício | Música e Poesia da Irlanda
Música e Poesia da Irlanda | Casa Comum Entrada Livre. Mais informações aqui
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Sombras que não quero ver
Entrada Livre. Mais informações aqui
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Sob mares frágeis, de Pedro Camanho
Exposição | Galeria da Biodiversidade - CCV Entrada Livre. Mais informações aqui
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Gemas, Cristais e Minerais
Exposição | Museu de História Natural e da Ciência U.Porto Entrada Livre. Mais informações aqui
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Corredor Cultural
Condições especiais de acesso a museus, monumentos, teatros e salas de espetáculos, mediante a apresentação do Cartão U.Porto.
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Editora da U.Porto apresenta manual dedicado à Matemática e à “arte de contar”O livro Curso de Combinatória. Ciência e Arte de Contar, novo manual dos docentes António Guedes de Oliveira e Rui Duarte, será lançado a 16 de março, na Reitoria da U.Porto. Entrada livre. A obra destina-se a estudantes e tem como objetivo ajudar a aprofundar os seus conhecimentos e a melhorar as suas competências na “arte de contar”./ FOTO: U.Porto Press
Curso de Combinatória. Ciência e Arte de Contar é um novo manual destinado a estudantes de Matemática. A obra visa ajudar a aprofundar os seus conhecimentos e a melhorar as suas competências na “arte de contar”. Os autores – António Guedes de Oliveira, professor catedrático aposentado da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), formado em Matemática Pura e especialista na área de Combinatória, e Rui Duarte, professor na Universidade de Aveiro, doutorado em Matemática e também ligado a áreas como Combinatória, Geometria e Teoria dos Números e Aplicações – explicam que o livro foi “pensado para uma primeira disciplina universitária de Combinatória”.
O lançamento deste novo título da U.Porto Press está marcado para 16 de março, a partir das 18h00, no Auditório da Casa Comum, à Reitoria da Universidade do Porto.
Com moderação de Fátima Vieira, Vice-Reitora da U.Porto responsável pela U.Porto Press, a sessão contará com intervenções dos autores e de Pedro Silva (autor do Prefácio) e Samuel Lopes, professores na FCUP e investigadores do Centro de Matemática da Universidade do Porto, convidados para apresentar o livro.
A entrada é livre.
Uma incursão no mundo da matemáticaAo abrir o livro, logo no interior da capa, surge uma manipulação digital do retrato de Leonhard Euler, notável matemático do século XVIII, considerado um dos melhores de todos os tempos. Esta famosa obra de arte pastel sobre papel do pintor suíço Jakob Emanuel Handmann enquadra, assim, o objeto de estudo nesta publicação. Segundo os autores, para além de ajudar os estudantes a aprofundar conhecimentos e a melhorar competências de cálculo, este manual visa “recolocar os conceitos ligados à contagem que o estudante conhece (arranjos, combinações, etc.) no mesmo nível de rigor e abstração que têm os conceitos da Álgebra Linear ou do Cálculo Infinitesimal”, o que, acreditam, “torna mais claro o que distingue e o que aproxima os conceitos”.
O tema central de Curso de Combinatória. Ciência e Arte de Contar é, portanto, a combinatória enumerativa, conforme explica Pedro V. Silva no Prefácio a esta edição. Como defende, os seus fundamentos – nomeadamente a necessidade de contar e de medir, associados à origem da Matemática – “merecem ainda hoje o reconhecimento da maior parte das pessoas quando as questionam sobre a utilidade da Matemática”, o que faz da combinatória enumerativa “uma das poucas áreas capazes de despertar interesse num público mais abrangente”.
CURSO DE COMBINATÓRIA. CIÊNCIA E ARTE DE CONTAR inclui mais de 150 exercícios de dificuldade variável, muitos dos quais resolvidos. (Foto: U.Porto Press)
A obra encontra-se dividida em quatro capítulos. Os três primeiros são dedicados a um aprofundamento do saber e ao retomar de definições, fornecendo “uma base sólida e rigorosa para um curso de primeiro ciclo”, refere Pedro V. Silva. Já o quarto capítulo “levanta desafios a um nível superior”, atendendo a que as questões ali abordadas “envolvem argumentos de maior complexidade e remetem em certos casos para trabalho de investigação recente, inclusive dos próprios autores”, incitando o leitor a “aprofundar a curiosidade despertada nos capítulos anteriores, estabelecendo no processo pontes com várias outras áreas da Matemática”. Neste último capítulo, os autores procuraram fazer “um retrato atrativo e contemporâneo” do tópico em análise.
O texto é acompanhado por mais de 150 exercícios de dificuldade variável, muitos dos quais resolvidos, bem como por diversos exemplos de aplicação.
Curso de Combinatória. Ciência e Arte de Contar está disponível na loja online da U.Porto Press, com 10% de desconto e portes grátis.
Sobre os autoresAntónio Guedes de Oliveira formou-se em Matemática Pura na FCUP, onde se aposentou como Professor Catedrático em 2020. Teve a seu cargo a regência de cursos em várias áreas, da Álgebra e da Geometria à Combinatória, área em que se especializou e em que publicou a maior parte dos artigos. É coautor, com Peter Gothen, do livro Geometria Euclidiana — Com construções interativas, da Coleção Transversal da U.Porto Press.
Rui Duarte é Professor Auxiliar na Universidade de Aveiro, onde obteve o Doutoramento em Matemática em 2007. Leciona unidades curriculares de várias áreas, entre as quais Grafos e Combinatória, Geometria e Teoria dos Números e Aplicações.
Fonte: U.Porto Press
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Há novos podcasts no espaço virtual da Casa Comum |
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O primeiro episódio do podcast (A)gentes da cultura: vozes vivas da academia conta com a participação de Fátima Vieira, Vice-Reitora da Universidade do Porto para a Cultura e Museus, investigadora cujo trabalho tem colocado a utopia no centro do pensamento académico. A conversa parte da presença da cultura no quotidiano para refletir sobre a forma como esta é pensada, praticada e valorizada no contexto universitário, bem como sobre as tensões e resistências que ainda persistem. Ao longo do episódio discute-se de que modo o pensamento utópico pode inspirar novas formas de imaginar, fazer e viver a cultura na Universidade do Porto, abrindo caminho a práticas mais inclusivas e participativas.
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194. Se eu pudesse trincar a terra toda, Fernando Pessoa
"Se eu pudesse trincar a terra toda", de Fernando Pessoa, in Obra Completa de Alberto Caeiro, 2024, pp. 54, 55.
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Alunos Ilustres da U.PortoCristina Amélia Machado Cristina Amélia Machado era filha de Inácio José Machado, fiscal no Pocinho, e de Maria Júlia Guedes, e irmã de Maria da Luz Machado (Reis), nasceu na Coriscada, atual concelho da Meda, a 17 de agosto de 1860. Em 1865 o seu pai assumiu o cargo de subchefe Fiscal da Alfândega do Porto, o que motivou a mudança da família para a cidade Invicta.
Em abril de 1881, Cristina Machado exibiu um retrato a crayon do ator lisboeta Júlio Soller, no estabelecimento de comerciante de origem espanhola D. Manoel Costenla, na rua de Santo António (atual rua de 31 de Janeiro) e, em outubro do mesmo ano, a imprensa noticiou o retrato que ela fez de Anselmo Evaristo de Morais Sarmento (1847-1900), proprietário do jornal A Actualidade e pai das pioneiras irmãs Morais Sarmento: Laurinda, a primeira mulher diplomada na Escola Médico-Cirúrgica do Porto; Aurélia, a primeira mulher diplomada pela EMCP; Guilhermina, uma das primeiras clínicas portuguesas, e Rita, a primeira engenheira portuguesa. Cristina Machado fica na história da Universidade do Porto como a primeira mulher a frequentar a Academia Portuense de Belas Artes na sequência da reforma escolar decretada a 22 de março de 1881 (Diário do Governo, n.º 67, de 26 de março desse ano), que permitiu o ingresso de alunas neste estabelecimento de ensino e delas exigiu a realização dos mesmos estudos e provas que os colegas do sexo masculino, exceto o estudo de modelo vivo, que permanecia uma atividade exclusivamente reservada aos alunos. A Academia congénere de Lisboa registara a matrícula de quatro senhoras no ano letivo de 1879-1880.
É referida na ata da sessão de conferência ordinária da Academia Portuense de Belas Artes de 1 de julho de 1882, a qual regista que "Em atenção aos bons trabalhos que apresentou D. Christina Amélia Machado, que havia requerido para seguir o curso de desenho histórico muito depois do encerramento das matrículas, concedeu-se-lhe que fosse admitida aos exames do primeiro e do segundo ano".
No mesmo ano volta a ser mencionada, desta vez, no relatório anual da Academia enviado ao governo pelo Inspetor da instituição, o conde de Samodães (que exerceu o cargo entre 1881 e 1906), datado de 18 de setembro de 1882, onde se pode ler: "(…) requereu para cursar a aula de desenho uma Senhora D. Cristina Amélia Machado, o que lhe foi concedido, dando-lhe um repartimento separado para ela trabalhar sem estar próxima dos alunos (….) e mais se informa que no ano letivo de 1881-1882 a estudante fez exame do 1.º ano, com elogio e 16 valores, e também do 2.º ano, no qual foi aprovada".
Do magro processo de aluna existente no arquivo da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto constam apenas três documentos: os requerimentos para matrícula em Desenho Histórico, relativos aos 3.º e 4.º anos e datados de 12 de outubro de 1882 e de 10 de outubro de 1883, respetivamente, e o atestado médico, passado por António de Oliveira Monteiro, justificativo da sua ausência às aulas entre 15 de maio e 25 de julho de 1884, por motivos de saúde (bronquite crónica).
A aspirante a artista integrou a XIV edição da Exposição Trienal da Academia Portuense de Belas Artes, em 1884, apresentando três provas: Cabeça de Alexandre, cópia de gesso; Cincinnato, cópia de estampa, exame do 1.º ano que obteve elogio e a classificação de 16 valores em conferência geral da APBA, a 31 de agosto de 1882; e Mercúrio sentado, desenho do antigo, que mereceu menção honrosa em 1883.
Foi condiscípula de grandes nomes da arte nacional como os escultores António Teixeira Lopes e Tomás Costa, o pintor João Augusto Ribeiro e os arquitetos Miguel Ventura Terra e Adães Bermudes e discípula do mestre Marques de Oliveira.
Cristina Amélia Machado faleceu na sua casa, sita no número 66 da rua Formosa, no Porto, a 30 de novembro de 1884, com apenas 24 anos de idade, vítima de tísica pulmonar.
U.Porto - Antigos Estudantes Ilustres - Cristina Amélia Machado
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