O QUE TEM A UNIVERSIDADE A VER COM O ROCK?

Fiquei atónita quando me perguntaram: “Uma exposição sobre o rock dos anos 80 na universidade? Mas o que tem a universidade a ver com o rock?” Foi como se me tivessem perguntado o que tem a universidade a ver com a vida.


Balbuciei uma resposta trôpega, confesso que fui mesmo apanhada de surpresa. Falei da importância do rock para os estudantes de então, hoje alumni, da participação do Instituto de Sociologia, mas reconheço: não respondi bem.


Sabem quando ficamos a remoer um assunto e continuamos a organizar as ideias horas depois? Quando estamos no duche e, de repente, respondemos com uma clareza luminosa, como se o nosso interlocutor estivesse ali à nossa frente? Pois foi o que me aconteceu.


O rock dos anos 80 foi um dos fenómenos culturais mais marcantes do Porto contemporâneo. Não foi apenas música: foi uma ecologia cultural inteira – rádios livres, fanzines fotocopiados, bares improváveis, grafismos ferozes, novas formas de ocupar a cidade. A exposição nasceu de um trabalho sério de investigação, liderado por Paula Guerra, que, no quadro da investigação mais vasta conduzida pelo Instituto de Sociologia da U.Porto, tem vindo a estudar as culturas musicais e as transformações culturais da cidade. A exposição foi, pois, assumida como um prolongamento dessa investigação.


Paralelamente, foi realizado um trabalho essencial: a construção de um arquivo. Muitos dos vestígios da cena rock – cartazes, fotografias, discos, fanzines, gravações – eram frágeis, dispersos, quase invisíveis. Reuni-los foi uma forma de preservar a memória cultural da cidade. E houve ainda outra coisa extraordinária: a exposição trouxe à Reitoria a geração que viveu o rock portuense dos anos 80 – músicos, fãs, radialistas, autores de fanzines, frequentadores dos lugares onde tudo acontecia. Muitos tinham passado pela Universidade do Porto, e, assim, a exposição tornou-se também um ponto de reencontro de alumni, uma forma de reconhecimento da dimensão cultural das vidas que passaram por esta universidade. Aos estudantes de hoje, a exposição poderá ter proporcionado ainda a descoberta da geração dos seus pais e dos caminhos novos que eles traçaram.


Desde o início que a Casa Comum se assumiu como omnívora, fazendo conviver, no mesmo espaço, concertos de música clássica, jazz, popular, eletrónica e rock. A explicação é simples: a cultura não se divide em compartimentos rígidos entre “alta” e “baixa” cultura. Uma canção, um cartaz fotocopiado, uma emissão de rádio pirata ou um fanzine podem dizer tanto sobre uma época como uma obra consagrada. E a universidade, que é lugar de conhecimento, de memória e de interpretação, não pode fechar os olhos àquilo que verdadeiramente moldou a sensibilidade de uma cidade e de uma geração. 


Nos anos 80, eu era “betinha”. Não frequentava os lugares quentes do rock. Mas era o ar que se respirava no Porto. E eu respirava. Sei que houve quem atravessasse aqueles anos sem dar por isso, como quem atravessa um vendaval e não repara no vento: nem no que ele leva, nem nas novas sementes que espalha.


A esses, posso asseverar: a universidade tem tudo a ver com o rock porque respira o mesmo ar que a cidade.



Fátima Vieira
Vice-Reitora para a Cultura e Museus


Nota: A exposição O Rock no Porto nos Anos 80 esteve patente na Casa Comum até ao dia 22 de novembro de 2025, com um vasto programa paralelo de visitas guiadas, mesas-redondas, concertos, sessões com Dj, apresentação de discos, workshops e exibição de filmes. Para além do arquivo que foi construído, estão em preparação um documentário e um catálogo, que em breve serão apresentados ao público. 

U.Porto expõe objetos com história da Escola Superior de Enfermagem

Paraquedas usado por enfermeiras na guerra do  Ultramar será o primeiro de um conjunto de objetos da ESEP que serão  apresentados à Academia.

O paraquedas faz parte do acervo do Núcleo Museológico da ESEP. Foto: ESEP

É a mais recente faculdade da Universidade do Porto, mas nela cabem quase 130 anos de história. A mesma que se vai revelar, a partir do  próximo dia 23 de março, no hall de entrada do edifício da Reitoria da U.Porto, com a exibição da primeira de um conjunto de peças pertencentes ao Núcleo Museológico da Escola Superior de Enfermagem da U.Porto (ESEP). E para começar, um objeto que simboliza uma parte da história não só da instituição, mas do país: um paraquedas.


Na década de 1960, só as enfermeiras mais experientes se  voluntariavam para uma missão sem precedentes lançada pela Força Aérea Portuguesa: Deslocarem-se para os teatros de guerra no Ultramar. Eram as Enfermeiras Paraquedistas quem prestava os cuidados necessários (e possíveis) a militares feridos ou doentes, sendo que também apoiavam populações locais afetadas pelo conflito e colaboravam na evacuação de civis.


Foi em maio de 1961 que abriu o primeiro curso de formação de enfermeiras paraquedistas. O processo de recrutamento foi imediato. A  responsável pela iniciativa das "Enfermeiras dos Aresfoi Isabel Bandeira de Mello, considerada a primeira mulher paraquedista portuguesa.


Com o apoio de Kaúlza de Arriaga, então subsecretário da Aeronáutica,  o projeto foi apresentado ao governo de Salazar, que reconheceu a  respetiva relevância no contexto da Guerra Colonial. Antes de seguirem  para zonas de combate, as formandas cumpriam cerca de dois meses de  instrução em Tancos, onde realizavam treino militar. Aqui aprendiam a  manusear armamento e efetuavam saltos de paraquedas.


Ainda nesse verão, duas enfermeiras foram mobilizadas para Angola e, ao longo dos anos seguintes, várias dezenas de jovens integraram estas missões. A derradeira operação ocorreu já depois do 25 de Abril de 1974, quando participaram na evacuação de civis de Timor para Lisboa. Com o processo de descolonização, o curso foi extinto.

A ESEP é uma referência nacional e internacional na formação de enfermeiros e na investigação em saúde. (Foto: U.Porto)

Em exposição vão estar também pensos individuais utilizados pelo exército português e um cinturão que foi usado por uma antiga estudante da Escola de Enfermagem do Hospital de S. João, que depois foi Enfermeira Paraquedista ao serviço da Força Aérea Portuguesa no  Ultramar, no tempo da Guerra Colonial.


O Núcleo Museológico da Escola de Enfermagem do Porto foi criado na década de 1990, por iniciativa de um grupo de enfermeiras professoras da Escola Superior de Enfermagem,  com o objetivo de preservar e dar a conhecer a história da instituição.  Ao longo dos anos, tem reunido e conservado diversos objetos ligados à  prática e ao ensino da enfermagem.


Este Núcleo Museológico pode ser visitado, mediante agendamento prévio, na Rua de Álvares Cabral, 384.

Sobre a ESEP

Plenamente integrada na Universidade do Porto desde dezembro de 2025, a Escola Superior de Enfermagem da U.Porto é uma instituição de ensino superior de referência, a nível nacional e internacional, dedicada ao ensino da enfermagem pré e pós-graduada.


Com origens que remontam a 1896, a ESEP afirma-se pela qualidade do ensino, da investigação e da ligação à comunidade, preparando  profissionais altamente qualificados e comprometidos com os cuidados de  saúde.


A Escola está organizada em vários polos — Sede (junto ao Hospital de  São João), Polo D. Ana Guedes e Polo Cidade do Porto — que asseguram  uma forte ligação ao contexto clínico e hospitalar da cidade. Esta rede  de campi proporciona aos estudantes da ESEP um contacto direto com diferentes realidades de prática profissional, reforçando a dimensão  prática e de proximidade da formação em enfermagem. 


Fonte: Notícias U.Porto

Casa Comum exibe Nação Valente, de Carlos Conceição

Sessão inserida no programa Nossas Memórias  1930-2026 | Comemoração dos 50 anos da independência de Angola vai ter  lugar a 21 de março.

Foto: DR

Vencedor do prémio Europa Cinemas Label e do Junior Jury Award no Festival de Cinema de Locarno (Suíça), Nação Valente, do realizador Carlos Conceição, vai passar dia 21 de março pelas 17h00, na Casa Comum (à Reitoria) da Universidade do Porto. É mais uma iniciativa do programa Nossas Memórias 1930-2026 | Comemoração dos 50 anos da independência de Angola.


O filme, de 2022, leva-nos até um dos anos mais marcantes da nossa  história coletiva. Vamos fazer uma viagem até 1974, quando a luta  armada, em Angola, durava há já 13 anos. No terreno, os militares  portugueses tinham por missão o combate contra grupos pró-independência  que reivindicavam o território, numa altura em que milhares de portugueses estavam a sair do país para regressar a Portugal.


Nação Valente consegue dar-nos, no entanto, uma dupla perspetiva sobre esta luta. Conhecemos uma menina, de cultura tribal, que descobre o amor e a morte quando o seu caminho se cruza com o de um jovem soldado português.

Foto: DR

O filme tem argumento e realização do angolano Carlos Conceição e  fotografia de Vasco Viana. Do elenco de atores fazem parte João Arrais, Anabela Moreira, Gustavo Sumpta, Leonor Silveira, Miguel Amorim e André  Cabral, entre outros.


Após o filme, haverá um debate entre o público e um painel de convidados.


Com entrada livre, esta iniciativa está inserida no programa Nossas Memórias 1930-2026 | Comemoração dos 50 anos da independência de Angola, uma iniciativa que junta a U.Porto, a Associação Kafukolo5, a Plataforma História Social de Angola,  a Escola Utópica e a Casa de Angola no Porto na missão conjunta de  levar arte, cultura e a história de Angola às academias e reforçar pontes entre memória, investigação e diáspora. 


Fonte: Notícias U.Porto

U.Porto eterniza as primeiras mulheres a concluir um curso superior


Retrato das irmãs Moraes Sarmento será descerrado no Salão Nobre da Reitoria a 23 de março, dia em que a Universidade assinala 115 anos de existência.

O retrato, de autoria do Mestre António Bessa, foi realizado com base numa fotografia que terá sido tirada em 1891. Foto: DR

A partir do dia 23 de março vai ser possível “conhecer” as primeiras mulheres que concluíram um curso superior nas instituições que deram origem à Universidade do Porto. O retrato das  quatro irmãs Moraes Sarmento, realizado pelo Mestre António Bessa, irá  ficar patente nas paredes do Salão Nobre do Edifício Histórico da U.Porto (à Reitoria).


Foi em finais do século que Laurinda, Aurélia, Guilhermina e Rita Moraes Sarmento colocaram o seu nome na história. Eram filhas de Anselmo Evaristo, um empresário e jornalista, natural de Aveiro, de espírito liberal, que dirigiu algumas publicações como A Gazeta Literária do Porto, A Atualidade e A Ideia Nova – diário democrático. 


Do seu circuito social e profissional faziam parte figuras como  Oliveira Martins, Ramalho Ortigão, Camilo Castelo Branco, Antero de Quental e Teófilo Braga. A casa dos Moraes Sarmento era um espaço de  reflexão para ideais liberais, numa altura em que se tentava construir  uma cultura e uma mentalidade democráticas. Laurinda, Aurélia e Guilhermina, formaram-se em Medicina na Escola Médico-Cirúrgica no Porto  (antecessora das atuais faculdades de Medicina e de Farmácia da U.Porto), e Rita em Engenharia na Academia Politécnica do Porto (antecessora das faculdades de Ciências e de Engenharia da U.Porto).


Numa época em que a presença masculina era dominante em todas as  áreas, o facto de quatro mulheres frequentarem o ensino superior e concluírem os respetivos cursos, nomeadamente em Medicina e Engenharia, era um acontecimento chocante. Um “fenómeno” tão raro que, no dia 10 de novembro de 1891, o Jornal do Porto chegou a  dar notícia: “As duas filhas do nosso prezado colega da Ideia Nova, senhor Anselmo de Morais Sarmento, concluíram como se sabe distintamente o curso da Escola Médico-Cirúrgica no Porto. As duas inteligentes meninas fizeram ontem com muito brilho, as suas teses na Escola. […] Ambas ficaram plenamente aprovadas pelo que as felicitamos”.

Um retrato para a história

O retrato que será agora descerrado, da autoria do Mestre António  Bessa, foi realizado com base numa fotografia que terá sido tirada em 1891 e que retrata a família Morais Sarmento. O autor é desconhecido.

A família Morais Sarmento. Da esquerda para a  direita: Guilhermina, Rita, Aurélia, Laurinda. Ao centro Anselmo  Evaristo (pai). (Foto: DR)

O retrato vai então integrar a Galeria de Retratos do Salão Nobre do Edifício Histórico da U.Porto, palco dos mais solenes atos da Academia, como a tomada de posse do Reitor, cerimónias de atribuição do título de Doutor Honoris Causa, ou a  comemoração do Dia da Universidade.


Nesta sala estão já 51 retratos. Três deles representam os fundadores  da Academia Real de Marinha e Comércio da Cidade do Porto (1803), da  Academia Politécnica do Porto (1837) e da Universidade do Porto (1911). Aqui está também retratada Leopoldina Paulo (1908-1996), a primeira  mulher doutorada pela U.Porto (1944), e que integra desde 2019 esta  galeria de retratos, até então exclusivamente masculina.


Aqui estão também representados os escritores Sophia de Melo Breyner Andresen (1919-2004), Agustina Bessa-Luís (1922-2019) e Eugénio de Andrade (1923-2005).  A vida e obra de Sophia tem fortes ligações à Universidade, através do Jardim Botânico e da Galeria da Biodiversidade – Centro de Ciência Viva instalados na casa dos seus avós, enquanto Agustina e Eugénio foram  distinguidos com o título de Doutor Honoris Causa da U.Porto em 2005.

Sobre o Mestre António Bessa

Há mais de 30 anos que é no número 314 da Rua do Almada, no Porto que António Bessa dá lastro à criatividade. Com amplas janelas para a  rua, é muito fácil observar o mestre na sua “labuta”. Basta passar na  rua. De resto, confessa que lhe agrada essa ideia de transformar o  atelier numa montra. E de deixar a porta aberta. É uma forma de  comunicar com quem passa, mesmo enquanto está implicado no processo criativo.


Estava ainda na escola primária quando as brincadeiras “à Indiana  Jones” o levaram a descobrir bem mais do que, no momento, poderia imaginar. Ao explorar uma gruta, encontrou um objeto que, pela  curiosidade que despertou, lhe viria a traçar o destino: um pedaço de  carvão. Surpreendeu-se com o que “aquele pedaço de carvão podia produzir  numa superfície”.


Entrou na Escola Superior de Belas Artes do Porto (precursora da  Faculdade de Belas Artes da U.Porto) graças ao Professor e artista plástico Júlio Resende. Queria ter acesso a algumas aulas, obter  conhecimentos. “Falei com o Júlio Resende e entrei como aluno extraordinário. E foi extraordinário. Fui um aluno livre!”


Para além do quadro dos três escritores (Agustina Bessa Luís, Sophia de Mello Breyner Andresen e Eugénio de  Andrade) António Bessa  pintou também o retrato do atual Reitor, António  de Sousa Pereira, que se encontra na Sala do Conselho (Galeria de Retratos dos Reitores) da Reitoria. 


Fonte: Notícias U.Porto

Março na U.Porto

Para conhecer o programa da Casa Comum e outras iniciativas, consulte a Agenda Casa Comum ou clique nas imagens abaixo.

Francisco Laranjo: Porto, Dresden, Nagasaki

Até 23 MAR'26
Exposição | Casa Comum 
Entrada Livre. Mais informações aqui

Eu sou o meu mundo, corpo vegetal | Exposição de Graça Sarsfield 

10 DEZ'25 a 21 MAR'26
Exposição | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

Visitas Orientadas à exposição Francisco Laranjo: Porto, Dresden, Nagasaki

Até 23 MAR'26 
Visitas orientadas | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

Dia de S. Patrício | Música e Poesia da Irlanda

17 MAR'26 | 18h30
Música e Poesia da Irlanda | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

Colectivo de Poesia - Poetas a várias vozes na Casa Comum | Vasco Gato 

17 MAR'26 | 21h30
Poesia | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

CIDAAD – III Ciclo de Cinema Alemão | Corpos, Vozes e Lutas 

20 e 27 MAR'26 | 18h30
Cinema | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

Nação Valente, de Carlos Conceição | Exibição do filme + conversa 

21 MAR'26 | 17h00
Filme + conversa | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

On New York’s Ground: Dense, Diverse and Sustainable, de Vítor Oliveira | Apresentação do livro 

23 MAR'26 | 18h30
Apresentação de livro | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

E se?… Constelações de Modos de Viver o Espaço Urbano

19 MAR a 29 SET'26 
Exposição | Fundação Marques da Silva
Mais informações aqui

FRONTISPIECE | PRECIPICE

19 MAR a 27 JUN'26 
Exposição | Fundação Marques da Silva
Mais informações aqui

Sombras que não quero ver

 DEZ'25 a MAR'26
Exposição | FMUP
Entrada Livre. Mais informações aqui

Gemas, Cristais e Minerais

Exposição | Museu de História Natural e da Ciência U.Porto
Entrada Livre. Mais informações aqui 

Sob mares frágeis, de Pedro Camanho

De 14 JAN a 29 MAR'26
Exposição | Galeria da Biodiversidade - CCV
Entrada Livre. Mais informações aqui 

Corredor Cultural

Condições especiais de acesso a museus, monumentos, teatros e salas de espetáculos, mediante a apresentação do Cartão U.Porto.
Mais informações aqui

A Casa Comum tem novos podcasts sobre cultura, arquitetura e cinema

Na passada semana, três novas rubricas ficaram disponíveis na plataforma  da Casa Comum, com a possibilidade de serem seguidas no  Spotify e no Youtube

O mês de março trouxe novas vozes e formatos à programação cultural da Universidade, com o lançamento e a divulgação de três podcasts dedicados à reflexão e à partilha de experiências no campo da cultura, da arquitetura e do cinema. Estas iniciativas reforçam o papel das plataformas digitais como espaço de encontro, diálogo e disseminação de ideias, aproximando a comunidade académica de diferentes áreas do pensamento e da criação. 


No dia 11 de março, iniciou-se o podcast (A)gentes da cultura: vozes vivas da academia, da responsabilidade do Observatório de Arte e Cultura no Ensino Superior (projeto sediado no Instituto de Sociologia da Universidade do Porto), que pretende explorar a forma como “a universidade vê, sente e expressa a cultura” através de entrevistas a docentes, investigadores, estudantes e técnicos, ou seja, “os agentes que pensam, fazem e agitam o espaço universitário”. No primeiro episódio, Diana Lourenço fala com a Vice-Reitora para a Cultura e Museus da Universidade do Porto, Fátima Vieira.


Dois dias depois, a 13 de março, inaugurou-se na plataforma da Casa Comum o podcast Ser arquiteto é…, uma iniciativa da APJAR-Associação Pró-Arquitectura João Álvaro Rocha, onde em cada episódio se ouvirá “uma pessoa que, ao falar do seu relacionamento com João Álvaro Rocha, nos introduzirá no mundo de um arquiteto e da arquitetura”. No primeiro episódio, sob o título “Ser arquiteto é… ser professor”, ouve-se a voz de Rute Carlos, docente da Escola de Arquitetura, Arte e Design da Universidade do Minho. As entrevistas são conduzidas por Cristina Emília Silva e Maria Conceição Melo.


Este podcast já tem seis episódios publicados no Spotify, mas a sua introdução na plataforma da Casa Comum tem o objetivo de amplificar esta mensagem, dirigindo-a mais especificamente para a comunidade universitária.

Finalmente, a 15 de março deu-se início ao podcast de periodicidade quinzenal Noites de Cabíria, dedicado ao cinema, e em que Daniel Marques Pinto (professor universitário), Francisco Noronha (crítico, realizador e programador) e Pedro Ludgero (músico e realizador) conversam sobres as mais recentes estreias nas salas portuguesas, assim como ciclos, sessões especiais e outras efemérides da história do cinema. O primeiro episódio foi maioritariamente dedicado a dois filmes de 2025: Valor Sentimental, de Joachim Trier, 2025, e Orwell: 2+2=5, de Raoul Peck). 


Com estes três projetos, amplia-se o espaço de escuta e de pensamento crítico em torno das artes e da cultura. Ao integrar e divulgar estas iniciativas, a plataforma da Casa Comum contribui para tornar mais visível o debate cultural dentro e fora da universidade, fortalecendo a ligação entre a academia e o público.


Há novos podcasts no espaço virtual da Casa Comum

1. A redefinição do coming-of-age e uma homenagem pouco orwelliana a Orwell

No episódio inaugural das Noites de Cabíria, os filmes em foco são a família e suas vicissitudes de Valor Sentimental (Joachim Trier, 2025), bem como a vida, obra e legado de George Orwell em Orwell: 2+2=5 (2025, Raoul Peck). O olhar percorre ainda, de forma mais sintética, Sex e Love (Dag Johan Haugerud, 2025), a cópia restaurada pelo aniversário dos 25 anos de Rasganço (Raquel Freire, 2001), Sinners (Ryan Coogler, 2025) e o resistente e vital cinema iraniano de A Semente do Figo Sagrado (Mohammad Rasoulof, 2025).

1. Ser arquiteto é… ser professor, com Rute Carlos

Rute Carlos, professora auxiliar na Escola de Arquitetura, Arte e  Design da Universidade do Minho, fala-nos da sua experiência como aluna  de João Álvaro Rocha na disciplina de Projeto, no 2.º ano, na Faculdade  de Arquitetura da Universidade do Porto. Rute indica-nos os caminhos do  que pode ser ensinar e aprender arquitetura, no indissociável duplo papel de ex-aluna e atual professora. Apesar de dizer querer ser arquiteta desde tenra idade, fez incursões  noutras áreas, como a arqueologia, a eletrotecnia e a informática.  Acabou por seguir o conselho da sua professora do secundário na Escola  de Sintra, arquiteta de formação, que lhe dizia dever ir estudar para a  Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, por ser a melhor  escola, na época. Foi no último ano do curso, em 1996/97, ao frequentar a  ETSAB, Escola Técnica Superior de Arquitetura de Barcelona, ao abrigo  do Programa Erasmus, que descobriu o interesse pela área de urbanismo.  Perseguiu-o no mestrado que realizou no ano seguinte na Universidade de  Girona. Continuou a desenvolver o tema no seu doutoramento, na  Universidade do Minho, com uma tese sobre o modelo que Le Corbusier  imaginou para a zona residencial da cidade não construída, Ville Radieuse, na qual o parque verde desempenha um papel estruturador. Desde o final dos anos 90 que Rute concilia a docência na Universidade do Minho com a investigação e com o exercício de projeto, o  que a continua a entusiasmar como quando era criança. Este episódio tem o apoio da Escola Secundária da Maia.


195. O Tejo é mais belo, Fernando Pessoa

“O Tejo é mais belo”, de Fernando Pessoa, in Obra Completa de Alberto Caeiro, 2024, pp. 53, 54.

Mais podcasts AQUI


Alunos Ilustres da U.Porto

Daniel Barbosa 

Daniel Barbosa (1908-1986)

Daniel Maria Vieira Barbosa nasceu no Porto a 13 de julho de 1908.


Nesta cidade cursou Engenharia Civil na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), onde foi discípulo de Ezequiel de Campos (1874-1965). Em 1935, concluiu o curso com a mais alta classificação do seu ano, o que lhe valeu um prémio da Câmara Municipal do Porto. Depois da licenciatura, estudou em vários centros universitários europeus, designadamente alemães, suíços e franceses.


Em 1936 começou a trabalhar como engenheiro-adjunto na Direção Técnica da Administração dos Portos do Douro e de Leixões e, no ano seguinte, integrou o corpo docente da faculdade que frequentara, inicialmente como assistente, depois como professor auxiliar (1941) e, por fim, como professor catedrático (1948), lecionando disciplinas de Engenharia, de Finanças e de Economia Política.


Entre 1950 e 1951, realizou um curso no Centro de Estudos Económicos e Financeiros da Associação Industrial do Porto e, em 1952, transferiu-se para o Instituto Superior Técnico de Lisboa, onde chefiou o ensino da Economia como professor catedrático. Aqui, lecionou as cadeiras de Organização e Administração e de Economia, e desenvolveu os estudos que conduziram à publicação de Análise Económica (1960), tida como a sua grande obra de economia teórica.


A par da sua carreira no ensino, desenvolveu atividades nos sectores público e privado. Foi nomeado pelo Ministério da Economia para estudar a reforma da indústria do papel, em dezembro de 1941, e, no início de 1942, foi escolhido para presidir à Comissão Organizadora da Indústria do Papel. Entre 1945 e 1947 exerceu o cargo de Governador do Distrito Autónomo do Funchal. Foi deputado à Assembleia Nacional (1949-1957), bastonário da Ordem dos Engenheiros (1953-1956), governador do Banco de Fomento Nacional (1965-1974) e, ainda, Ministro da Economia (1947-1948) e Ministro da Indústria e Energia (1974) no último governo de Marcelo Caetano. Desempenhou também funções no mundo empresarial.


Como economista, produziu apontamentos sobre as teorias da produção e do salário, assim como um estudo inovador sobre o mercado negro, inserido na obra Realidades Económicas (1952), no qual apresentou estudos de economia aplicada. Rejeitou o socialismo como modelo organizativo, não aderiu entusiasticamente à economia corporativa e defendeu um capitalismo autoritário de cariz nacionalista e intervencionista. Desde os tempos em que escrevia sobre economia no Diário Popular que perfilhava que a modernização da economia portuguesa passava, essencialmente, pelo desenvolvimento industrial: lançamento de indústrias pesadas, criação de um sistema de produção e distribuição de eletricidade, reorganização e modernização das indústrias, entre outros fatores; no entanto, ao contrário da elite do Estado Novo, advogava que as finanças ativas deveriam ultrapassar o rigor orçamental.


Durante a sua atuação política, sobretudo como Ministro da Economia, não respeitou as bases doutrinárias, pois procurou, acima de tudo, regularizar o abastecimento público pela importação de bens de consumo e estabilizar os preços, esquecendo, em grande medida, as pretendidas criação de indústrias e reestruturação do sistema bancário.


Daniel Barbosa faleceu a 12 de maio de 1986.

U.Porto - Antigos Estudantes Ilustres da Universidade do Porto: Daniel Barbosa

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