BONS VIZINHOS

Chegaram quatro estantes grandes da IKEA e pude finalmente organizar os meus livros. Muitos estavam em fila dupla e, entretanto, comprei e recebi outros tantos, pelo que este era um momento há muito aguardado. Tinha estudado bem a questão: alteraria por completo a organização que antes adotara (três núcleos apenas, ordenados por ordem alfabética), criando várias comunidades mais pequenas de livros. O que pretendi? Fomentar, entre eles, relações de “boa vizinhança”.


A ideia não é nova. Na verdade, o método é utilizado em muitas bibliotecas de acesso livre, mas foi o historiador de arte alemão Aby Warburg (1866-1929) que o celebrizou, aplicando-o à sua biblioteca (um acervo com 60.000 títulos). Segundo Warburg, os nossos livros devem ser organizados de acordo com a “lei da boa vizinhança”, isto é, tendo em conta afinidades culturais, simbólicas e históricas. Como esclarece o site da Biblioteca do Warburg Institute, que incorporou o acervo do historiador, a forma como os livros são dispostos nas estantes deve sugerir caminhos ao leitor. Este, atraído por livros próximos do título que procura, percorre as prateleiras contíguas e acaba por entrar numa nova linha de pensamento, que acrescenta interesse à que inicialmente seguia. Fascinada pela ideia de a minha estante deixar de ser apenas o espaço onde repousam os livros para se transformar num dispositivo de pensamento, meti mãos à obra.


Comecei por tirar todos os livros das estantes, distribuindo-os em pilhas, pelo chão da sala – cada pilha, uma comunidade de livros. Algumas ficaram tão altas que, em breve, ocorreram derrocadas na pequena cidade de papel. As primeiras horas deixaram-me confusa, pois deparei-me com títulos que poderiam pertencer a diferentes comunidades. Faltava-me ainda definir a natureza das afinidades que me interessaria fomentar: mesmo tema, abordagem semelhante, diálogo conceptual, geografia, língua, época de consulta para a construção do meu trabalho (ex. relevância para o doutoramento, agregação...)? Acabei por apostar num modelo híbrido, uma desorganização produtiva que me permitiu, ali mesmo, no chão da minha sala, fazer a cartografia intelectual do meu trabalho. Coloquei depois as pilhas de livros nas estantes: 2.000 títulos organizados em 16 núcleos de dimensões variadas. Terminei o trabalho há instantes, minutos antes de escrever este texto.


Contemplo a estante: os maiores núcleos correspondem, naturalmente, aos meus interesses de investigação mais óbvios: Estudos sobre a Utopia; Estudos de Cultura; Estudos de Tradução Literária; Estudos Shakespeareanos. Agora que vejo os títulos perfilados, compreendo o entusiasmo de Warburg: a boa vizinhança acontecerá, certamente, com núcleos contíguos, com títulos como “Ecologia”, “Mulheres”, “Pensamento”, “Universidade e Sociedade”, “Educação e Ativismos”, “Arquitectura” e “Arte”.


Mas mesmo dentro dos núcleos, a potencialidade da nova organização é já evidente. Analisando o núcleo intitulado “Ecologia”, compreendo que, ao organizar os livros, não pensei na ecologia como um tema, mas como um campo onde convergem ética, política, economia, cultura e formas de vida. Como bons vizinhos com competências diversas, os livros organizam-se em torno de um problema comum. Na secção “Pensamento”, o princípio organizativo não foi disciplinar, nem temático, mas um conjunto de problemas que atravessam filosofia, sociologia, política e ciência. Os livros aproximam-se porque respondem, de formas diferentes, às mesmas perguntas: como viver em sociedade, como compreender o humano, como pensar o presente. O princípio dos “bons vizinhos” faz com que autores, épocas e áreas distintas entrem em diálogo para expor tensões que atravessam séculos. No núcleo dedicado às “Mulheres”, reunir os livros foi torná-los visíveis e reconhecer que, no conjunto da minha estante, são ainda uma comunidade pequena e frágil. Mas é nas secções “Universidade e Sociedade” e “Educação e Ativismos” que a contiguidade na estante revela um movimento claro: pensar e agir. Se, por um lado, a universidade surge como objeto de reflexão crítica – nas suas políticas, práticas e relação com a sociedade –, por outro lado a educação aparece como espaço de intervenção, atravessada por participação, cidadania e ativismo. Entre estas duas comunidades, o princípio dos “bons vizinhos” potencia uma rede de relações onde o conhecimento se orienta para a ação.


Olho de longe para a estante: vejo-a agora como um ecossistema relacional, dinâmico e necessariamente incompleto – e compreendo que a organização se tornou, ela própria, um gesto de pensamento. 


Talvez seja aqui, afinal, que a estante deixa definitivamente de ser arquivo e se torna projeto.



Fátima Vieira
Vice-Reitora para a Cultura e Museus

Valter Hugo Mãe inspira exposição de ilustração na Casa Comum

Yūgen [幽玄] - Uma Reiteração Poética do Japão reúne 37 ilustrações de Tomás Guerrero, inspiradas no livro Homens imprudentemente poéticos. Para visitar de 15 de abril a 12 de setembro.

São 37 ilustrações, tamanho A3, feitas a tinta da china, de autoria de Tomás Guerrero. Yūgen [幽玄] inaugura dia 15 de abril, às 18h00, nas Galerias da Casa Comum (à Reitoria) da Universidade do Porto. No mesmo dia, haverá ainda um workshop e o lançamento de um livro.


Yūgen, palavra que dá título à exposição, poderá traduzir-se  por inefável, ou seja, algo difícil de aprisionar em palavras. Foi no  livro Homens imprudentemente poéticos, de Valter Hugo Mãe, que Tomás Guerrero se inspirou. O artista criou 36 imagens para 36  capítulos. A estes junta-se ainda um desenho original, feito a lápis  azul e vermelho, marcador vermelho, tinta preta e pincel sobre aguarela.  Este original, que não foi incluído no livro, representa uma síntese de  todo o trabalho. Evocando o conceito de yūgen — a beleza misteriosa e  inefável — o ilustrador traçou uma narrativa visual que explora a ideia  de memória, impermanência e reiteração poética.


Homens imprudentemente poéticos é um livro que nos faz  viajar até um Japão antigo, onde as inimizades se esbatem perante a  miséria comum. Valter Hugo Mãe confessa-se “deslumbrado com a mestria de  Tomás Guerrero. A sua linguagem escura, espessa, fiel, mostra o livro  que escrevi numa intimidade que me comove” acrescenta o escritor.

O livro Homens imprudentemente poéticos, de Valter Hugo Mãe, inspirou as ilustrações de Tomás Gerrero. (Foto: DR)

Para mergulhar nesta “linguagem”, no mesmo dia 15 de abril, mas antes da exposição, a partir das 14h30, terá lugar um wokshop com a presença do ilustrador. Os participantes vão poder acompanhar um  trabalho de ilustração e banda desenhada no momento de adaptar um texto literário para uma linguagem visual e gráfica.


Em cima da mesa, e para servir de inspiração, encontrará obras como: Memorial do Convento, de José Saramago; Homens Imprudentemente Poéticos, de Valter Hugo Mãe; ou a biografia do prémio Nobel Português publicada em banda desenhada, O Neto do Homem Mais Sábio, para além de outras obras de diferentes autores nacionais e internacionais.


Vão estar de olhar atento a aspetos visuais e na forma de os verter  do texto para o meio gráfico. A participação é gratuita, mas sujeita a inscrição obrigatória.


Para ir testando esta plasticidade, ou contágio entre linguagens  artísticas, fica, desde já, um alerta, mesmo antes de entrar na  exposição. Homens imprudentemente poéticos foi, como já sabemos, combustível imagético para as ilustrações. Ora estas ilustrações originaram Furusato. O Japão de Valter Hugo Mãe: uma antropologia da reiteração poética,  de autoria de José Rui Teixeira. O escritor afirma que “O Japão de  Valter Hugo Mãe não se explicita. É um organismo implícito, que converte  o espaço e o tempo numa paisagem que se expressa na intimidade que se estabelece entre a representação e a significação, pela reiteração  poética”. Não sendo uma utopia, sublinha o escritor, constitui “um  reduto que resiste pela reiteração poética do humano”. Os dois livros estarão disponíveis no espaço expositivo.

Yugen é o título da exposição, mas também do livro que será lançado no mesmo dia da inauguração. (Foto: DR)

Mas a “matriosca” não se fica por aqui. Também no dia da inauguração, à mesma hora, a U.Porto Press irá apresentar uma edição de Yūgen  que  reproduz, em fac-símile, o caderno em que Tomás Guerrero concebeu as  ilustrações que agora expõe nas paredes da Galeria da Casa Comum. A  edição, com introdução de José Rui Teixeira, revela o “laboratório de  criação” de Tomás Guerrero, no desdobramento do imaginário de Valter  Hugo Mãe.


A exposição Yūgen [幽玄] – Uma Reiteração Poética do Japão ficará patente ao público até 12 de abril. de 2026. A entrada é livre.


Este é mais um evento integrado no programa de celebração dos oito anos da Casa Comum.

Quem é quem?

Tomás Guerrero (Valência, 1972) é um reconhecido autor de BD e  ilustrador, com vários livros publicados em Espanha e Portugal, entre os  quais se destaca a biografia de José Saramago: O neto do homem mais sábio. Radicado na Galiza, tem dividido o seu trabalho entre a animação,  a ilustração e a novela gráfica.


José Rui Teixeira (Porto, 1974) é professor, investigador e editor. Depois dos estudos teológicos e filosóficos, doutorou-se em Literatura  na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Dirige a Cátedra de Sophia na Universidade Católica do Porto. Autor de inúmeras publicações académicas, reuniu a sua poesia em Luto.


Valter Hugo Mãe
(Saurimo, 1971) é um dos mais destacados autores  portugueses da atualidade. Entre as suas obras, traduzidas em várias  línguas: Deus na escuridão, Contra mim, a máquina de fazer espanhóis e o  remorso de baltazar serapião. A sua poesia encontra-se reunida no volume publicação da mortalidade. 


Fonte: Notícias U.Porto

O Porto Femme traz histórias de luta e resiliência à Casa Comum

O tema "Trabalho" vai dominar a 9.ª edição do Festival Internacional de Cinema. Para acompanhar de 20 a 23 de abril,  com entrada livre.

O filme The Day Iceland  Stood Still, que retrata o dia em que 90% das mulheres islandesas  abandonaram o trabalho e as tarefas domésticas, será exibido na tarde de  22 de abril. Foto: DR

Depois das sessões de “aquecimento”, o Porto Femme – Festival Internacional de Cinema traz mais cinema à Casa Comum (à Reitoria) da Universidade do Porto. Um programa variado para acompanhar entre os dias 20 e 23 de abril e com entrada livre.


Centrado no cinema realizado por mulheres e pessoas não-binárias, o Porto Femme deste ano vai dar a conhecer universos que nos farão refletir sobre  desigualdades, estereótipos, inclusão ou a falta dela, e a posição da  mulher em diversos contextos culturais, sociais e profissionais.


No dia 20 de abril, às 17h30, a  proposta passa por repensar o trabalho (in)visível do cuidado nos arquivos de cinema e no património cinematográfico das mulheres. Fatma 75 é o primeiro filme de não-ficção realizado por uma mulher tunisina, e  que foi censurado até recentemente no país de origem. Trata-se de um  ensaio feminista que revisita o trajeto histórico do estatuto da mulher  na Tunísia, de 1930 a 1975, através de Fatma, uma estudante cujo nome  alude à designação escolhida pelos colonos para se referirem às mulheres  árabes. O filme cruza ficção e documentário para expor desigualdades  estruturais e formas de resistência feminina.


A sessão irá ainda integrar a apresentação do livro Stretching the Archives: Toward a Global Women’s Film Heritage (2024), editado por Ana Grgić, Lizelle Bisschoff e Stefanie Van de Peer.


Braille’s Alphabet é o nome da curta  experimental que se segue e que constrói uma linguagem visual a partir  do sistema braille. O filme explora a leitura tátil como forma de  conhecimento e propõe uma reflexão sobre acessibilidade, comunicação e  representação de comunidades marginalizadas.

A exibição de Braille’s Alphabet vai fechar o primeiro dia do Porto Femme – Festival Internacional de Cinema. (Foto: DR)

No dia 21 de abril, as luzes apagam-se um pouco mais. Às 16h15, arranca a sessão de competição internacional de documentário do festival. The Silence of Pomegranates é um documentário que acompanha uma mulher, no sul de Itália, que denuncia abusos e obstáculos no acesso ao aborto. O filme expõe fragilidades do sistema de saúde e evidencia desigualdades no exercício dos direitos reprodutivos.


De seguida, Flying Hands irá oferecer o  retrato de uma jovem surda no Paquistão e do percurso da mãe na criação  de uma escola inclusiva. O filme aborda educação, inclusão e barreiras  sociais, evidenciando o papel da família na transformação de contextos  adversos.


Às 18h15, It Will Always End in the End traz-nos o retrato de um designer queer que revisita o diagnóstico de HIV e o impacto dessa experiência na vida  pessoal e profissional. O filme articula memória, ativismo e identidade  no contexto da comunidade seropositiva.


Logo depois, Manal Issa apresenta o íntimo da atriz libanesa-francesa Manal Issa, que reflete sobre o papel do  artista em contextos de conflito político e social. O filme acompanha a  sua voz crítica e o posicionamento público enquanto figura cultural.


Para terminar, The Strike é um documentário  centrado em formas de resistência coletiva no contexto laboral. Através  de diferentes testemunhos, o filme aborda organização, protesto e luta  por direitos em ambientes de trabalho precários.

It Will Always End in the End será exibido ao final da tarde de 21 de abril. (Foto: DR)

Dia 22 de abril, as portas da Casa Comum abrem logo ao início da tarde. Às 14h15, será exibido o filme Wolobougou,  palavra que significa “local de nascimento”. Um documentário que acompanha o trabalho da parteira Honorine Soma no Burkina Faso, fundadora de uma maternidade criada para responder às necessidades das  mulheres rurais. Para além do acesso desigual aos cuidados de saúde, o  filme cai acompanhando o esforço de emancipação feminina.


Às 16h15, revela-se The Day Iceland Stood Still, ou  seja, o dia, em 1975, em que 90% das mulheres islandesas abandonaram o  trabalho e as tarefas domésticas. Com esta iniciativa, catapultaram a  Islândia para a linha da frente da luta pela igualdade de género. Esta é  a verdadeira história de doze horas que lançaram uma revolução.


De seguida, Lembra de Mim é uma curta sobre  o encontro entre duas crianças que constroem uma amizade espontânea,  com base num terreno de descoberta, criatividade e ligação emocional.  Até terem de ir para casa. Já Desert Island é uma ficção centrada numa funcionária que teme a possibilidade de encarar um cenário  de despedimento. O encontro com o superior hierárquico transforma-se  num confronto tenso, que expõem relações de poder e insegurança laboral.


Ainda no mesmo dia, Kickoff introduz uma iniciativa de futebol feminino numa aldeia do Quirguizistão, que vem desafiar as normas patriarcais.


O último dia do programa (
23 de abril) começa às 16h15, com a exibição de Bad Reputation. Trata-se de um documentário sobre a luta de uma trabalhadores do sexo  no Uruguai pelo reconhecimento dos seus direitos laborais.


Naima é outro documentário que, desta vez,  segue a vida de uma mulher migrante venezuelana na Suíça que, após anos  de trabalho precário, consegue um estágio em enfermagem. Uma experiência  que lhe vai colocar barreiras não só institucionais como sociais.

Bad reputation abre o último dia das sessões do Porto Femme na Casa Comum. (Foto: DR)

O Porto Femme – Festival Internacional de Cinema vai passar por diferentes espaços da cidade Porto. A programação completa pode ser consultada no website do festival. 


Fonte: Notícias U.Porto

Abril na U.Porto

Para conhecer o programa da Casa Comum e outras iniciativas, consulte a Agenda Casa Comum ou clique nas imagens abaixo.

Inventarium: Derivas da Forma | Exposição de Ana Aragão

13 ABR a 12 SET'26 
Exposição | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

YUGEN [幽玄]: UMA REITERAÇÃO POÉTICA DO JAPÃO | Exposição

15 ABR a 12 SET'26
Exposição | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

FESTIVAL OCTAETÉRIDE

Programa Geral

13 a 18 ABR'26
Música, performance, poesia, workshop, conversa, exposições...| Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

FESTIVAL OCTAETÉRIDE

Causa Comum |  Performance poética e musical de Ana Deus e Marta Abreu 

13 ABR'26 | 21h30
Música | Casa Comum 
Entrada Livre. Mais informações aqui

FESTIVAL OCTAETÉRIDE

Derivas da Forma | Workshop com Ana Aragão 

14 ABR'26 | 17h00
Workshop | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações e inscrições aqui

FESTIVAL OCTAETÉRIDE

Porto Showcase | Evento ESN – Erasmus Student Network 

14 ABR'26 | 21h30
Encontro | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

FESTIVAL OCTAETÉRIDE

COMICS E LITERATURA, REITERANDO OS SENTIDOS | Workshop com Tomas Guerrero 

15 ABR'26 | 14h30
Workshop | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações e inscrições aqui

FESTIVAL OCTAETÉRIDE

Duo Concert: Kii Ishii and Hibiki Mukai | Concerto 

15 ABR'26 | 21h30
Música | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

FESTIVAL OCTAETÉRIDE

Poética do Ritmo | Masterclass 

16 ABR'26 | 17h00
Workshop | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações e inscrições aqui

FESTIVAL OCTAETÉRIDE

I LIBRI SECONDO BAGINI E CARLONE | Espetáculo

16 ABR'26 | 21h30
Música e literatura | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

FESTIVAL OCTAETÉRIDE

PORTO FEMME WARM-UP SESSIONS | Filme + Conversa 

17 ABR'26 | 17h00
Cinema, Conversa | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

FESTIVAL OCTAETÉRIDE

BrancuSING: Rodica Vică, soprano; Angela Drăghicescu, piano 

17 ABR'26 | 21h30
Música  | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

FESTIVAL OCTAETÉRIDE

Descobrir a voz | Workshop de exploração vocal a partir do corpo com Josefina Fuentes

18 ABR'26 | 15h00
Workshop  | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações e inscrições aqui

FESTIVAL OCTAETÉRIDE

Esta é a minha casa | Oficina de arte, com Abigail Ascenso 

18 ABR'26 | 17h00
Workshop | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações e inscrições aqui

PORTO FEMME WARM-UP SESSIONS

10 e 17 ABR'26 
Cinema | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

Oficinas de Escrita Criativa | Rosa Alice Branco 

07, 28 ABR e 26 MAI'26 | 18h30
Oficina, poesia | Casa Comum
Participação gratuita. Mais informações e inscrições aqui

E se?… Constelações de Modos de Viver o Espaço Urbano

Até 29 SET'26 
Exposição | Fundação Marques da Silva
Mais informações aqui

FRONTISPIECE | PRECIPICE

Até 27 JUN'26 
Exposição | Fundação Marques da Silva
Mais informações aqui

Gemas, Cristais e Minerais

Exposição | Museu de História Natural e da Ciência U.Porto
Entrada Livre. Mais informações aqui 

Corredor Cultural

Condições especiais de acesso a museus, monumentos, teatros e salas de espetáculos, mediante a apresentação do Cartão U.Porto.
Mais informações aqui

Novo livro da U.Porto Press aborda transformação cultural na sociedade portuguesa contemporânea

Cultural change in contemporary Portugal será apresentado publicamente a 21 de abril, na Reitoria da U.Porto. A entrada é livre.

O objetivo deste novo livro é discutir questões relacionadas com a transformação cultural nas sociedades contemporâneas, tomando Portugal como relevante caso de estudo, dadas as mudanças sociais e políticas após o 25 de Abril e os seus efeitos nos universos da arte e da cultura. / FOTO: U.Porto Press

Em Cultural change in contemporary Portugal abordam-se as mudanças nas sociedades contemporâneas, de uma perspetiva cultural.

Segundo o Prefácio a esta edição, as artes e a cultura podem ser  consideradas áreas de grande relevância na análise das “complexas  dimensões da mudança social na era contemporânea”.


Os editores da publicação – Augusto Santos Silva, Helena Santos e Paula Guerra,  todos doutorados em Sociologia –, explicam que Portugal foi escolhido  como caso de estudo por se tratar de “um exemplo relevante”, dada a sua  transformação política e social após a Revolução dos Cravos e suas  implicações nos universos da arte e da cultura.


Este livro – resultante de uma parceria entre a U.Porto Press, que o publicou na sua Coleção Transversal, e o Instituto de Sociologia da Universidade do Porto (IS-UP) –, será lançado a 21 de abril, a partir das 18h00, na Reitoria da U.Porto (Biblioteca do Fundo Antigo).


A apresentação da obra ficará a cargo de Francisca Carneiro Fernandes, gestora cultural, Presidente da PEARLE – Performing Arts Europe e membro da Direção da Union des Théatres de l’Europe, e João Teixeira Lopes,  doutorado em Sociologia da Cultura e da Educação, coordenador do IS-UP, Professor Catedrático do Departamento de Sociologia da Faculdade de  Letras da U.Porto (FLUP) e membro do Conselho Científico da mesma  instituição.


A entrada é livre.

O Impacto das Mudanças Sociais e Políticas nos Universos da Cultura e da Arte

A mudança social é caraterística da modernidade, atendendo a que  nenhuma sociedade é imune à evolução e transformação. Todas as  sociedades se inserem na História e são influenciadas pelos efeitos do  tempo, do espaço e da atividade humana.


Mas, como ocorre a mudança no mundo da arte e que elementos  específicos a definem? De que forma é que as mudanças no contexto social  influenciam as características e a evolução daquele universo? Quais os  principais fatores em jogo e como são percecionados pelos artistas e  pelas instituições culturais? Como respondem as políticas públicas a  esses fatores, como os antecipam ou até os geram?


Cultural change in contemporary Portugal aborda  estas questões do ponto de vista das ciências sociais, promovendo um  diálogo profícuo entre a sociologia e outras disciplinas, como a economia, a ciência política, a história e a antropologia.

CULTURAL  CHANGE IN CONTEMPORARY PORTUGAL foi publicado pela U.Porto Press, em  parceria com o Instituto de Sociologia da Universidade do Porto. (Foto:  U.Porto Press)

O objetivo é discutir questões mais amplas relacionadas com a  transformação cultural nas sociedades contemporâneas, “tomando a  situação portuguesa como um exemplo relevante”, que merece uma  investigação holística e minuciosa, explicam os editores da publicação.  Assim, pretendem que o livro alcance um público internacional de  estudantes e investigadores.


Na sua opinião, a transição para o regime democrático e a integração  na atual União Europeia implicaram grandes consequências no nosso país  “em termos sociais e económicos, mas também para o mundo das artes e  para as políticas culturais”.


“A mudança foi tardia, mas intensa”, implicando “uma reconfiguração  radical do posicionamento geopolítico, institucional, económico e  cultural deste país europeu de média dimensão, periférico e homogéneo. O  modo como a sua história evoluiu, na transição para o século XXI e no  primeiro quartel deste século, foi ditado pela interação de todos estes  fatores”, frisam.


“Portugal do pós-25 de Abril é um bom caso de estudo, tamanhas foram  as mudanças sociais e políticas e os seus efeitos no mundo da cultura e  da arte”, defendem. Daí que, neste livro, se examinem “as práticas e as  políticas culturais, em áreas como o património, a música, o teatro, o cinema ou as artes plásticas”.

Cultural change in contemporary Portugal está disponível na loja online da U.Porto Press, com 10% de desconto e portes grátis.

Sobre os Editores

Augusto Santos Silva é doutorado em Sociologia pelo  ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa. É professor catedrático na  Faculdade de Economia da Universidade do Porto e investigador no IS-UP.


Helena Santos é doutorada em Sociologia pela  U.Porto. É professora auxiliar na FEP, investigadora no CITCEM – Centro  de Investigação Transdisciplinar Cultura, Espaço e Memória da  Universidade do Porto e investigadora colaboradora no CEF.UP – Centro de  Economia e Finanças da Universidade do Porto.


Paula Guerra é doutorada em Sociologia pela U.Porto.  É professora associada na FLUP e professora associada adjunta do  Griffith Centre for Social and Cultural Research, da Griffith University. É investigadora no IS-UP, investigadora colaboradora no  CITCEM, no CEGOT – Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do  Território e no DINÂMIA’CET-ISCTE – Centro de Estudos sobre a Mudança  Socioeconómica e o Território. 


Fonte: U.Porto Press

Há novos podcasts no espaço virtual da Casa Comum

197. Circos de nero, Josefa de Maltesinho

 “Circos de nero”, de Josefa de Maltesinho, in Pela lente do repórter, abril de 2025, p. 27.

 4. Ser arquiteto é… ter crítico, com José Manuel Pozo

José Manuel Pozo é arquiteto, crítico e professor na Escola de  Arquitetura de Navarra, onde João Álvaro Rocha foi docente durante 16  anos. Fala-nos da obra de João como se a tivesse acabado de visitar, com  uma espontaneidade que não deixa transparecer o tempo necessário  àquelas reflexões. Aproveitemos, pois, esta oportunidade para perceber o  que pode querer significar falar em qualidade em arquitetura.


197. Circos de nero, Josefa de Maltesinho

Os aviadores portugueses passam por tempos difíceis, desalentados com  a perda do Pátria e sufocados com o calor a que não estão habituados.  Mas, na remota Índia britânica, não lhes faltam apoios, desde os mais  humildes habitantes até ao marajá da Rajputana, e também a RAF e as  companhias britânicas lhes facilitarão a vida após o desastre. E, de  Portugal, será que também virá ajuda?

Mais podcasts AQUI


Alunos Ilustres da U.Porto

Domingos Rosas da Silva

Retrato de Domingos Rosas da Silva por A. Mendes, da Galeria de Retratos do Salão Nobre da Reitoria da Universidade do Porto. fotografia de Marisa Monteiro.

Domingos José Rosas da Silva, filho de Domingos José da Silva, nasceu no Porto a 14 de novembro de 1896.


Em 1920 concluiu com distinção o curso de Engenharia na Faculdade Técnica da Universidade do Porto, numa altura em que já trabalhava como 2.º assistente da Faculdade de Ciências, funções que exerceu entre 1 de Outubro de 1918 e 30 de Junho de 1920.


Aluno distinto, obteve a classificação de 17 valores a Acústica, Ótica e Calor no ano letivo de 1915-1916, de 19 valores a Física dos Sólidos e dos Fluidos, de 17 valores a Eletricidade e a Mineralogia e Geologia (Curso Geral) no ano letivo de 1916-1917.

Em 1922 foi nomeado 1.º assistente do 1.º grupo da 3.ª Secção – Ciências Geológicas -, da Faculdade de Ciências. Em 1925 era professor auxiliar de Mineralogia e Geologia (5.º grupo, 3.ª Secção da mesma Faculdade).

Em 1930 realizou as provas de doutoramento em Engenharia, tendo sido aprovado por unanimidade, com a classificação de Muito Bom (18 valores).


Seis anos mais tarde foi indigitado professor catedrático de Mineralogia e Geologia (1.º grupo, 3.ª Secção – Ciências Histórico-naturais), após ter sido aprovado por unanimidade em provas públicas, nas quais defendeu a dissertação "Granitos do Porto" e apresentou a lição "Evolução da Cristalografia". Em 1936 foi nomeado diretor do Museu e Laboratório Mineralógico e Geológico da FCUP, funções que exerceu até 1964.


Durante a sessão do Conselho Escolar de 10 de março de 1951 foi escolhido para proferir a "oração inaugural dos trabalhos escolares" do novo ano letivo. A oração de sapiência subordinou-se ao tema "Ciências e Civilização" e foi publicada no Anuário da Universidade do Porto de 1951-1952 (páginas 44 a 70). Aquando das comemorações do 10.º aniversário do Centro Universitário da Mocidade Portuguesa, de que foi o primeiro diretor, proferiu uma conferência sobre a "Origem e evolução do Centro Universitário do Porto", a qual teve lugar no Salão Nobre do edifício da Universidade.


Domingos Rosas da Silva foi nomeado proprietário da cadeira de Geologia em 1965 e de Geologia Geral em 1966. Jubilou-se no final do ano de 1966, após ter atingido o limite de idade a 14 de novembro.

Durante a sua carreira profissional desempenhou outros cargos de relevo, dentro e fora da Universidade do Porto. Foi diretor do Centro Escolar do Porto (1941-1947), procurador do Conselho Provincial do Douro Litoral (eleito em sessão do Senado Universitário de 28 de novembro de 1950), gerente-técnico da Companhia Hidroelétrica, engenheiro dos Caminho-de-ferro do Minho e Douro e vereador da Câmara Municipal do Porto.


Fez parte de júris de provas e concursos nas faculdades de Ciências das universidades de Lisboa e de Coimbra e no Instituto Superior Técnico. Publicou vários trabalhos científicos como As ciências geológicas na Academia Politécnica do Porto (1937), A Cidade do Porto e o Terramoto de 1755: alguns documentos (1939) e O problema da carta geológica de Portugal (1942).


Foi membro da Comissão Organizadora do XVI Congresso Internacional de Geografia, realizado em Lisboa, em 1949, participante no XIX Congresso da Associação Espanhola para o Progresso das Ciências em San Sebastian (1947) juntamente com Amândio Tavares, 9.º reitor da Universidade do Porto, e no XXII Congresso Luso-Espanhol para o Progresso das Ciências, que teve lugar em Oviedo, em 1953. Foi ainda membro da Sociedade Geológica de França, da Sociedade Francesa de Mineralogia, da Real Sociedade Espanhola de História Natural e do Instituto de Coimbra. Foi agraciado com a Comenda da Ordem da Instrução Pública.



Rosas das Silva faleceu a 13 de janeiro de 1967.

U.Porto - Antigos Estudantes Ilustres da Universidade do Porto: Domingos Rosas da Silva


U.Porto - Galeria de Retratos do Salão Nobre da Universidade do Porto - Domingos Rosas da Silva

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