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UMA LISTA NÃO É APENAS UMA LISTATenho andado com o corpo em sobressalto. Como se ele pressentisse que alguma coisa está prestes a encolher no país. E está mesmo: o tamanho das nossas referências. Há perdas que parecem administrativas até começarem a alterar a nossa paisagem interior. Assim é sempre que os governos decidem reduzir a lista de obras de leitura obrigatória. Afinal, somos feitos de livros. Ou melhor: somos ampliados por eles. Senti-me maior quando, aos seis anos, consegui recitar de cor a “Balada da Neve”, de Augusto Gil (ainda sei a primeira estrofe: “Batem leve, levemente / Como quem chama por mim. / Será chuva, será gente? / Gente não é certamente... / E a chuva não bate assim” – lembram-se?). Cresci quando, aos catorze, cruzei com Camões os oceanos. E ganhei espessura ao ser confrontada, logo de seguida, com Gil Vicente, Luís Vaz de Camões, Padre António Vieira, Almeida Garrett, Alexandre Herculano, Camilo Castelo Branco, Eça de Queirós, Cesário Verde, Antero de Quental, Guerra Junqueiro, Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, Sophia de Mello Breyner, Miguel Torga, Eugénio de Andrade, Florbela Espanca, José Régio, Aquilino Ribeiro, Vergílio Ferreira e Agustina Bessa-Luís – todos de leitura obrigatória para quem fizesse o ensino secundário de Humanidades. Em casa, tinha outras referências, mas as que lia na escola eram diferentes: eram leituras críticas guiadas (tive sorte!) por excelentes professores. Com eles aprendi o que não saberia ver sozinha: a distinguir narrador de autor, sujeito poético de biografia, voz lírica de confissão; a reconhecer campos lexicais, isotopias, símbolos, alegorias, antíteses, paradoxos, metáforas, metonímias e sinestesias; a perceber a função da métrica, da rima, do ritmo, da pontuação e da estrutura estrófica; a identificar focalizações, tempos narrativos, elipses, analepses, prolepses, ironias e subentendidos. Aprendi a situar cada texto no seu contexto histórico-literário, a desmontar os seus mecanismos formais e ideológicos e a compreender que a literatura é um emaranhado de textos que reagem uns aos outros.
A Sibila, de Agustina Bessa-Luís, foi um dos livros que me ensinou a ler a sério. Ainda guardo o exemplar do 12.º ano, sublinhado a várias cores e cheio de notas nas margens. Hoje percebo que aquele laborioso mapa de leitura era já um ensaio de interpretação do mundo.
Saramago não era, então, de leitura obrigatória – encontrei-o na biblioteca dos meus pais. E foi uma espécie de explosão interior, pois a escola dera-me as ferramentas para o compreender: a paciência da leitura, a atenção à forma, o ouvido treinado para a cadência da frase, o gosto da ambiguidade, a suspeita perante as evidências, a capacidade de reconhecer a ironia, o símbolo e o subentendido, a consciência de que um texto vale tanto pelo que diz como pelo modo como o diz. E é por isso que repudio a hipótese de ver José Saramago, o nosso único Nobel da Literatura, fora da lista de leituras obrigatórias. A sua obra representa uma das formas mais sofisticadas e exigentes de pensar a língua portuguesa, a democracia, o poder, a morte, a identidade e a condição humana.
Um país pequeno não pode dar-se ao luxo de amputar as suas grandes referências comuns. Não se trata de defender um cânone imóvel e fechado. Compreendo a necessidade de se atualizar programas, incluir novas vozes e diversificar as experiências literárias. Mas Saramago deveria permanecer ao lado das novas vozes contemporâneas – não contra elas.
O caminho não é, pois, retirar Saramago para abrir espaço a Mário de Carvalho. É ler Saramago e Mário de Carvalho; Agustina e Lídia Jorge; Vergílio Ferreira e Gonçalo M. Tavares; Pessoa e Ana Luísa Amaral; Sophia e Manuel António Pina – e continuar por Mário de Sá-Carneiro, Florbela Espanca, Eugénio de Andrade, Herberto Helder, Adília Lopes, Valter Hugo Mãe, Afonso Cruz, Dulce Maria Cardoso, Maria do Rosário Pedreira e tantos mais. Cresce-se por acrescento, não por amputação.
A verdade é que uma lista de leituras não é apenas uma lista: é uma ideia do tamanho que queremos para o nosso país. E por isso tenho o corpo em sobressalto: há livros que, ao saírem da escola, levam uma parte do futuro consigo.
Fátima Vieira Vice-Reitora para a Cultura e Museus
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U.Porto dá as boas-vindas ao verão com música clássicaCiclo de música aberto a toda a cidade arranca a 16 de maio, na Casa Comum. Bach, Mozart, Chopin e Debussy são alguns dos compositores "convidados". O ciclo arranca com um recital das pianistas Elena Chesnokova e Nadejda Tsvetkov, acompanhadas pela violinista Natalia Dremina. Foto: DR
Há compositores mais conhecidos, como Beethoven, Liszt, Ravel e Brahms, mas também outros nomes que poderão representar novas descobertas. Sempre à tarde ou à noite, A caminho do solstício – um ciclo musical irá decorrer de 16 de maio a 30 de junho, na Casa Comum, (à Reitoria) da Universidade do Porto. A entrada é livre, limitada à lotação da sala. Que melhor forma, senão através da música, de aguardar pelo solstício de 21 de junho? O que está em agenda é um programa musical apresentado em cooperação com a Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo (ESMAE), pelo Instituto de Investigação em Arte, Design e Sociedade (i2ADS), sediado na Faculdade de Belas Artes da U.Porto (FBAUP), e também em ligação com a Rumor – Cooperativa de Compositores. São vários recitais, predominantemente ao piano, de compositores do Barroco até à contemporaneidade, interpretados por músicos de diversas nacionalidades.
O primeiro recital acontece já a 16 de maio, sábado, às 16h00. Ao “palco” da Casa Comum subirão as pianistas russas Elena Chesnokova e Nadejda Tsvetkov, acompanhadas pela violinista Natalia Dremina.
Do “cardápio” fará parte um património musical que nos chega dos séculos XX e XXI, de compositores como Arvo Pärt ou o português Eurico Carrapatoso, mas haverá também alguns momentos propícios à descoberta.
Caso lhe pareça conveniente, poderá até pesquisar os nomes: Dick Kattenburg (1919-1944; morreu com apenas 24 anos em Auschwitz); e também os nossos contemporâneos Alfonso Peduto e Nastasya Khrushcheva. Ou, claro, aceitar o nosso convite e entrar na Casa sem referências e de espírito aberto.
O trabalho de Peduto é (entre outras influências) marcado pelo minimalismo, com obras para piano a solo, vários pianos, ou pianos para várias mãos; já Khrushcheva, também marcada por aquela escola, apresenta-nos “Russian Dead Ends”, um rosário de 36 pequenas peças para piano a quatro mãos que variam entre pouco mais do que uma dezena de segundos e um minuto.
No sábado seguinte, a 23 de maio, também às 16h00, renova-se o convite. Desta vez, o protagonista será o pianista Andrei Enoiu Pânzariu, concertista internacional e professor da Universidade de Arte “George Enescu”, em Iași, na Roménia.
Pânzariu irá fazer-se acompanhar de dois estudantes – a guitarrista Sofia Enoiu Pânzariu e o pianista Juan Luis Jimenez Vînău – para um recital em três partes: piano solo, com obras de Chopin e Beethoven; guitarra solo (Lauro e Weiss) e com acompanhamento de piano (Vivaldi); finalmente, piano a quatro mãos (Saint-Saëns, Brahms e Silvestri) – estas obras serão interpretações de danças romenas recolhidas por Bartok).
O pianista Andrei Enoiu Pânzariu irá atuar no dia 23 de maio, na Casa Comum.
Em junho, e já com o verão à porta, o programa será ainda mais intenso. Mais informações serão divulgadas brevemente. Vão subir ao palco…Elena Chesnokova formou-se no Conservatório de São Petersburgo, onde estudou piano, e, posteriormente concluiu estudos de pós-graduação em música de câmara. Foi premiada em diversos concursos internacionais e já se apresentou como solista e como instrumentista de câmara na Rússia, Finlândia, Suécia, Áustria, Alemanha e Portugal. Nadejda Tsvetkova é música e musicóloga, formada pelo Conservatório de São Petersburgo. Apresentou-se como solista e em ensembles em São Petersburgo. Apaixonada por jazz, tem-se apresentado em diversas salas portuguesas.
Natalia Dremina formou-se na Escola Superior de Música Rimsky-Korsakov de São Petersburgo, bem como na Universidade Pedagógica Estatal Herzen da Rússia, em São Petersburgo. Apresentou-se em diversos ensembles de câmara e orquestras em São Petersburgo. Atualmente, frequenta o mestrado em Violino na ESMAE – Instituto Politécnico do Porto, com especialização em instrumentos históricos (do período barroco).
Andrei Enoiu Pânzariu formou-se na Faculdade de Interpretação Musical da Universidade Nacional de Música de Bucareste. Obteve o título de doutor em música em 2010, na Universidade de Artes «George Enescu» de Iași. Conquistou vários prémios, entre os quais o Grande Prémio – Piatra Neamț, Prémio Covent Garden – Cluj, Prémio Carl Filtsch – Sibiu, Prémio Especial – Bucareste/Iași. Realiza recitais e concertos no país e no estrangeiro (Bulgária, Sérvia, Áustria, Alemanha, França). Fonte: Notícias U.Porto
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As quintas-feiras de maio na U.Porto são Quintas Brasileiras!António Carlos Jobim é a figura central que inspira, até ao final do mês de maio, os finais de tarde de quinta-feira, na Casa Comum. Entrada livre. António Carlos Jobim é a estrela das Quintas Brasileiras, conduzidas por Rodrigo Alzuguir. Foto: DR A figura central desta edição das Quintas Brasileiras é António Carlos Jobim e a influência que este compositor exerceu em outros artistas de música popular brasileira. Sob a batuta de Rodrigo Alzuguir, há todo um património imaterial para descobrir, ou redescobrir, até ao final do mês de maio. Sempre às quintas, às 18h30, na Casa Comum. A entrada é livre. Dia 14 de maio, às 18h30, a proposta é Elis Regina: A Perfeição Técnica e o “Piano de Pau”. Esta sessão tem o epicentro no histórico encontro de 1974 em Los Angeles para a gravação do álbum Elis & Tom, considerado um dos melhores documentos musicais do Brasil.
A palestra RodrigoAlzuguir destaca como Elis, a maior intérprete de Jobim em quantidade de obras gravadas, deu voz definitiva ao seu repertório. Será ainda analisada a tensão criativa que se transformou numa verdadeira “história de amor” fonográfica.
Elis Regina: A Perfeição Técnica e o “Piano de Pau”, para conhecer no dia 14 de maio, na Casa Comum. (Foto: DR)
Dia 21 de maio, à mesma hora, vamos apresentar Johnny Alf: A Semente da Bossa e a Inovação Harmónica. Antes da Bossa Nova ser rotulada, existia Johnny Alf, o pianista que Tom Jobim e seus amigos iam ouvir religiosamente nas boates de Copacabana para aprender o seu piano “diferente”. Esta palestra explora a forma como Alf inovou, introduzindo harmonias modernas que influenciaram diretamente a formação de Jobim. Walter Lopes (violão e voz) e Pedro Larrubia (sopros) serão os músicos convidados para esta sessão.
À sessão de dia 28 de maio chamamos João Gilberto: O Violão que Dividiu as Águas. Esta palestra ira levar-nos ao encontro que, em finais dos anos 1950, “depurou” o samba e deu origem à Bossa Nova. Iremos perceber como Tom Jobim atuou como arquiteto do som durante as gravações, garantindo que a batida revolucionária de João Gilberto fosse preservada com precisão. Tom forneceu a estrutura harmónica e os arranjos para que o violão e a voz de João ficassem para a história. O músico convidado para esta sessão será Walter Lopes (violão e voz).
As Quintas Brasileiras são conduzidas pelo escritor, músico, investigador, conferencista e produtor cultural Rodrigo Alzuguir. As sessões têm sempre entrada livre, ainda que sujeita à lotação da sala.
Sobre Tom JobimAntônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim (Rio de Janeiro, 25 de janeiro de 1927 — Nova Iorque, 8 de dezembro de 1994), mais conhecido como Tom Jobim, foi um compositor, maestro, pianista, cantor e violonista. Nome incontornável da música brasileira, é também um dos criadores do movimento da bossa nova. Nasceu no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro, e um ano depois a família mudou-se para Ipanema, onde foi criado. Aprendeu a tocar violão e piano com professores como o alemão Hans-Joachim Koellreutter, introdutor da técnica dodecafônica no Brasil. Gravou a primeira canção, "Incerteza", com Newton Mendonça e voz de Mauricy Moura, mas o primeiro sucesso "Tereza da Praia", nasceu de uma parceria com Billy Blanco.
Teve, ao longo da vida, várias parcerias, nomeadamente com a cantora e compositora Dolores Duran ("Se é por Falta de Adeus", "Por Causa de Você"), tendo, já nos anos 1950, musicado a peça Orfeu da Conceição com Vinícius de Moraes, parceria que se iria tornar constante. Na década seguinte, gravou com Frank Sinatra.
Tom Jobim recebeu também influências de outros compositores como, por exemplo, Villa-Lobos e Debussy. Na década de 1970, chegou a gravar discos com artistas como Elis Regina (Elis & Tom), Miúcha e Edu Lobo.
Fonte: Notícias U.Porto
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Maio na U.Porto
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Para conhecer o programa da Casa Comum e outras iniciativas, consulte a Agenda Casa Comum ou clique nas imagens abaixo.
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Inventarium: Derivas da Forma | Exposição de Ana Aragão
Entrada Livre. Mais informações aqui
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YUGEN [幽玄]: UMA REITERAÇÃO POÉTICA DO JAPÃO | Exposição
Entrada Livre. Mais informações aqui
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[CON]TEXTUALIDADES, Encontro de Poetas | "Aches o que aches, dust to dust", de Ana Janeiro.
Entrada Livre. Mais informações aqui
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Filosofia, Cidade & Políticas Pública | Session #4
Entrada Livre. Mais informações aqui
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Elis Regina: A Perfeição Técnica e o “Piano de Pau” | Quintas Brasileiras 3
Entrada Livre. Mais informações aqui
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Two tickets to Gangland, please | III Ciclo de cinema britânico
15, 22 e 29 ABR'26 | 18h30 Entrada Livre. Mais informações aqui
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[CON]TEXTUALIDADES, Encontro de Poetas | "Mundos num Oito", de Luísa Tender
Entrada Livre. Mais informações aqui
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Johnny Alf: A Semente da Bossa e a Inovação Harmónica | Quintas Brasileiras 3
Entrada Livre. Mais informações aqui
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Caricaturas Académicas de Abel Salazar | Exposição
Exposição | Museu do Centro Hospitalar do Porto Entrada Livre. Mais informações aqui
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Oficinas de Escrita Criativa | Rosa Alice Branco
Entrada Livre. Mais informações e inscrições aqui
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Club di Lettura Italiano 2025 | Clube de Leitura Italiano 2026
27 MAI, 10 SET, 30 OUT e 10 DEZ'26 | 19h30 Literatura | Casa Comum e ASCIPDA Entrada Livre. Mais informações e inscrições aqui
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Gemas, Cristais e Minerais
Exposição | Museu de História Natural e da Ciência U.Porto Entrada Livre. Mais informações aqui
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E se?… Constelações de Modos de Viver o Espaço Urbano
Exposição | Fundação Marques da Silva
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FRONTISPIECE | PRECIPICE
Exposição | Fundação Marques da Silva
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Corredor Cultural
Condições especiais de acesso a museus, monumentos, teatros e salas de espetáculos, mediante a apresentação do Cartão U.Porto.
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U.Porto Press lança volume dedicado à “erosão do bem comum” nas sociedades urbanasO lançamento do livro Philosophy of the City – Ethical and Political Challenges / Volume 1. Common Good será a 19 de maio, na FLUP. Entrada livre. Common Good é o primeiro de três volumes destinados quer à comunidade académica, quer aos cidadãos preocupados, procurando dar resposta aos paradoxos e contradições inerentes às sociedades urbanas. / FOTO: U.Porto Press
Philosophy of the City – Ethical and Political Challenges / Volume 1. Common Good é o primeiro de uma série de três volumes dedicados a refletir sobre os desafios que enfrentam as sociedades urbanas pós-industriais, em resultado de processos como a urbanização contemporânea ou a globalização, e consequente impacto na qualidade de vida dos cidadãos. Destinados quer à comunidade académica, quer aos cidadãos preocupados, os livros desta série procuram dar resposta aos paradoxos e contradições inerentes às sociedades urbanas, defende Paula Cristina Pereira, coordenadora da publicação.
Coeditado pela U.Porto Press e pelo Instituto de Filosofia da Universidade do Porto (IF/UI&D), este volume decorre de um projeto do grupo de investigação Philosophy and Public Space, daquele instituto, financiado pela FCT.
O lançamento de Philosophy of the City – Ethical and Political Challenges / Volume 1. Common Good terá lugar a 19 de maio, a partir das 17h30, na Faculdade de Letras da U.Porto (FLUP – Sala de Reuniões 1).
A apresentação da obra ficará a cargo de José Francisco Meirinhos, Professor Catedrático, Presidente da Comissão de Ética da Universidade do Porto, Diretor do Departamento de Filosofia da FLUP e do IF/UI&D, e João Cardoso Rosas, Vice-Reitor da Universidade do Minho para a Cultura, Inclusão e Responsabilidade Social, Professor Catedrático de Filosofia na mesma instituição e Presidente da Associação Portuguesa de Filosofia Política (APFP).
A entrada é livre.
"A Erosão do bem Comum" Nas palavras de Paula Cristina Pereira, também fundadora e coordenadora da rede internacional Philosophy and Public Space (PaPSIN), o “bem comum” pode ser visto, essencialmente, como “um princípio colaborativo, como uma prática social e política intrinsecamente ligada à alteridade e à liberdade, indispensável à criação e governação das comunidades e instituições democráticas”. Isto quer se trate de um recurso natural ou de um recurso cultural, social ou relacional. Contudo, a coordenadora de Philosophy of the City – Ethical and Political Challenges / Volume 1. Common Good alerta para o facto de vivermos tempos de “profunda instabilidade social, política e económica”, sendo que a instabilidade generalizada mina os recursos materiais e imateriais. Assiste-se ao declínio de valores como a cooperação e a solidariedade, enquanto outros, como a xenofobia, ganham terreno.
Além disso, destaca frequentes ameaças aos laços e relações que considera essenciais à vida social, como o facto de os interesses privados e comerciais prevalecerem sobre as preocupações coletivas e comunitárias. “Deparamo-nos constantemente com a erosão do ‘bem comum’, que é crucial para a constituição de comunidades democráticas”, afirma.
Na sua opinião, a crise da democracia “é marcada pela falta de confiança nas instituições e nos decisores políticos”. Fala, ainda, num “clima de intolerância cada vez mais consolidado”, perante o qual “o ‘outro’ deixa de ter lugar e a cidade se transforma gradualmente num território hostil”. Considerando que o bem comum remete para a cooperação humana e está associado a virtudes (como verdade, justiça, bondade), este volume tem como “finalidade (e urgência) enfatizar o seu papel na defesa das dimensões objetiva e subjetiva do espaço público e da cidade”.
Esta é uma coedição da U.Porto Press e do Instituto de Filosofia da U.Porto, com base num projeto financiado pela FCT, desenvolvido pelo seu grupo de investigação Philosophy and Public Space. (Foto: U.Porto Press)
“No que diz respeito à configuração da cidade como um espaço partilhado, o bem comum é examinado, de forma crítica, nos capítulos deste livro”, explica Paula Cristina Pereira. Do ponto de vista da “filosofia da cidade”, o objetivo passa por “compreender as relações estruturais entre os cidadãos, a política e o espaço”. Assim, o compromisso da filosofia é com “as comunidades, com o conhecimento e com as ideias, valores e conceitos fundamntais, como (…) a ciência, a liberdade, a justiça, os direitos humanos e o direito à cidade”.
Para João Cardoso Rosas, autor do Prefácio, este livro propõe vários caminhos de reflexão tendo em vista “a manutenção e construção do bem comum nas sociedades e cidades do nosso tempo”, entendendo que o bem comum “pode, e deve, ser construído através de práticas urbanas e políticas que reforcem o tecido social”.
É uma obra “urgente para todos aqueles que reconhecem a importância de cuidar dos ‘laços que unem’ os cidadãos e outros membros de uma comunidade política no seio do Estado e da cidade”, conclui.
Philosophy of the City – Ethical and Political Challenges / Volume 1. Common Good está disponível na loja online da U.Porto Press, com 10% de desconto e portes grátis.
Sobre a CoordenadoraPaula Cristina Pereira é Professora Associada no Departamento de Filosofia da FLUP. Atualmente, a sua investigação abrange a condição humana e urbana, o bem comum, o espaço público, a cidade, os bens comuns e a justiça espacial, no âmbito da Antropologia Filosófica, Ética e Política, e Filosofia da Cidade. É investigadora principal do grupo de investigação Filosofia e Espaço Público, do (IF/UI&D), e fundadora/coordenadora da rede internacional Philosophy and Public Space (PaPSIN).
Foi professora visitante em várias universidades estrangeiras e tem participado em projetos internacionais centrados em questões de Ética, Democracia e Justiça Espacial.
Fonte: U.Porto Press
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Há novos podcasts no espaço virtual da Casa Comum |
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201. À Raquel, José Almeida da Silva
“À Raquel”, de José Almeida da Silva, in Naquele tempo não era fácil, o amor, 2024, p. 52
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Com o nutricionista transmontano, e antigo presidente da AEFCNAUP, Nuno Palas, natural de Chaves, recordamos a década de 2000 e a entrada da Faculdade e do Porto no século XXI.
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123. “Dez Minutos mais Velho”, de Herz Frank (1978)
Comentário de Carlos Confort (Curso Avançado de Documentário KINO-DOC)
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Alunos Ilustres da U.PortoEdgar CardosoEdgar Cardoso (1913-2000) Edgar António de Mesquita Cardoso nasceu no Porto, em 11 de maio de 1913, no primeiro andar do n.º 245 da Rua Pinto Bessa, na freguesia do Bonfim. Era filho de Francisco Vítor Cardoso, Oficial de Infantaria com o Curso do Estado-maior e Engenheiro Civil de Minas, e de Amélia Teixeira de Mesquita Cardoso, proprietária em Belém, no Pará, Brasil. Casou em 1941 (7 de junho) com Margarida Congeol, de quem não teve filhos.
Edgar Cardoso passou os primeiros anos da sua infância no Porto, mas ainda muito novo foi viver com a família para a Beira Alta, em resultado da transferência do pai, então Alferes de Infantaria. Daí seguiriam depois para Lisboa, onde Edgar frequentou a escola primária.
Quando tinha cerca de 11 anos de idade, a família voltou ao Porto. Passado pouco tempo, o seu pai, Capitão prestes a ser promovido a Major, passou à Reserva para se tornar diretor de Estradas da JAE, no distrito de Bragança, e, depois, no de Vila Real. Nessa época, os sete filhos do casal viviam só com a mãe durante a semana e as férias grandes eram passadas na Quinta de Resende, de que Edgar tanto gostava.
Em 1924, matriculou-se na 1.ª classe do ensino secundário, no Liceu Alexandre Herculano, no Porto. Terminou o curso em junho de 1931 (na 7.ª classe de Ciências), com quinze valores. Matriculou-se, seguidamente, na Faculdade de Ciências nos preparatórios de Engenharia e, depois de estes estarem concluídos, nos Cursos de Engenharia Eletrotécnica e Civil, da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. No último ano de licenciatura, foi obrigado a optar por um dos cursos, escolhendo, por influência paterna, o de Engenharia Civil, que concluiu em julho de 1937, com a média de dezassete valores.
Terminada a licenciatura, estagiou na Divisão de Pontes da JAE, em Lisboa, entre os meses de agosto e setembro. Com o relatório de estágio, louvado pelo Engenheiro Militar Silveira e Castro, presidente da JAE e da Comissão Administrativa da Urbanização Costa do Sol, foi aprovado na FEUP com dezanove valores e convidado, pelo mesmo Silveira e Castro, a trabalhar naquela Comissão; competia-lhe o cálculo da passagem de betão armado sobre a autoestrada Lisboa-Estádio Nacional, na Cruz das Oliveiras.
Em janeiro de 1938 ingressou na JAE como Engenheiro Civil de 3.ª classe, trabalhando na Direção de Pontes. Durante cerca de três anos manteve a colaboração com a Comissão, em horário pós-laboral.
Na JAE, foi nomeado Engenheiro de 2.ª classe, em 1944, e de 1.ª, em 1951. Nesta fase da sua vida estudou, projetou e construiu essencialmente pontes, mas também se dedicou a trabalhos de investigação, sendo o introdutor em Portugal da investigação experimental em Engenharia Civil, na área de Estruturas, tendo recebido uma bolsa de estudo do Instituto para a Alta Cultura.
Em 1947 (agosto) foi nomeado Presidente da Comissão de Estudo da Reorganização da Cerâmica de Construção, do Ministério da Economia, e participou em trabalhos do Conselho Superior de Obras Públicas. Foi igualmente vogal da Comissão de Revisão e Instituição de Regulamentos Técnicos, entre 1951 e 1983, e vogal agregado desse Conselho, entre 1956 e 1965, e 1969 e 1983. Como reconhecimento da contribuição que lhe fora prestada desde 1951, o Conselho propôs, em 1987, que lhe fosse atribuído um Louvor, concedido pelo Ministro das Obras Públicas, Eng.º João de Oliveira Martins.
Paralelamente à carreira no sector público, também trabalhou no privado. Em 1944 instalou o seu escritório (Laboratório de Ensaio e Estudo de Estruturas e Fundações Eng. Edgar Cardoso) no primeiro andar direito do n.º 172 da Avenida Elias Garcia (morava no terceiro andar direito do mesmo prédio), transferido em 1958 para a Rua Andrade Corvo (7.º andar do n.º 29) e que em 1992, se transformou numa sociedade.
Desenvolveu igualmente uma brilhante carreira académica e científica. Aos 35 anos, o seu currículo era já invejável, se atentarmos na dissertação e memória apresentadas no concurso de catedrático no Instituto Superior Técnico, por solicitação do Conselho Escolar, no qual constam, entre outras atividades, o projeto e acompanhamento de execução de trinta e cinco pontes, oito reparações de pontes, as estruturas das novas faculdades de Letras e de Medicina, em Coimbra, e do Cine-Teatro Império, em Lisboa.
Em 22 de dezembro de 1951 tomou posse do referido lugar de Professor Catedrático de Pontes do Instituto Superior Técnico, por dois anos, passando a nomeação definitiva logo em 1953. Em 18 de novembro de 1960 foi admitido como sócio correspondente da Academia das Ciências de Lisboa, ocupando a cadeira deixada vaga pelo Professor Reynaldo dos Santos. Em 12 de dezembro de 1968 tornou-se sócio efetivo. Nesta Academia apresentou comunicações sobre temas da sua especialidade, bem como sobre fotografia e cinema de panorâmicas totais.
O marcante, mas ao mesmo tempo implacável professor, foi obrigado a interromper a atividade docente entre 1974 (final de outubro) e 1979, por ser acusado de defender o regime fascista. Readmitido depois de 1979, lecionou, até se aposentar em 1983, as cadeiras semestrais de Pontes e de Estruturas Especiais que, a partir da reforma dos planos de estudo em 1970, substituíram a cadeira anual de Pontes e, ainda, a de Dimensionamento de Estruturas, também semestral.
Na altura da reintegração no Técnico foi ressarcido das remunerações devidas, no valor de um milhão de escudos, dinheiro que doou ao Estado, destinando-o a atividades de interesse nacional. O Governo usaria este dinheiro para instituir a Fundação Edgar Cardoso, com o intuito de conceder bolsas de estudo a alunos e doutorandos do IST, na área de Pontes e Estruturas Especiais, e atribuir prémios a trabalhos de investigação ou projetos de engenharia nesse domínio.
Depois do reingresso no IST, a sua atividade privada como Engenheiro alargou-se consideravelmente, tanto no país como no estrangeiro. Em 1990, o seu currículo referia cerca de 500 estudos e projetos de pontes e o estudo e projeto de estruturas especiais, como edifícios, pontes-cais, aeroportos sobre o mar, e de consolidação de muros de suporte de taludes.
Desde o início da sua carreira publicou artigos em revistas como a Técnica do IST, a Revista da Faculdade de Engenharia e o Boletim da Ordem dos Engenheiros e nas Memórias e Boletins da Academia das Ciências de Lisboa.
Das suas intervenções no estrangeiro destacam-se, além das obras projetadas, a participação no júri de apreciação dos trabalhos das pontes e viadutos das Autopistas de Barcelona, em 1969, e o convite do Governo Italiano para participar na discussão sobre o atravessamento rodo e ferroviário do estreito de Messina, em 1974.
Em 2013, assinalaram-se os 50 anos da Ponte da Arrábida e o centenário do seu criador, Edgar Cardoso (Foto DR). Da obra projetada devem salientar-se as suas distintas e poéticas pontes. Verdadeiras esculturas, como lhes chamaram. Inovadoras, imponentes, leves e esteticamente modernas. Tão surpreendentes como desrespeitadoras de prazos e orçamentos. Fruto da sua impressionante capacidade inventiva e habilidade manual, nasciam a partir de modelos ou maquetas, em diversos materiais e estruturalmente estudadas com aparelhos da sua autoria. Nas memórias do engenheiro foram sempre evocadas a Ponte de Mosteirô, no Douro Médio, uma das primeiras que realizou, a da Arrábida, na Foz do Douro, que não caiu, como esperavam muitos dos especialistas que acorreram ao Porto no dia da sua inauguração (22 de Junho de 1963), ou a Ponte de S. João, a sua última ponte, inaugurada no dia de S. João de 1991.
Solitário e desiludido por não receber solicitações para novos projetos, morreu a 5 de julho de 2000, no Hospital Pulido Valente, em Lisboa, e com ele desapareceu um dos maiores génios da história da engenharia civil nacional e internacional.
U.Porto - Antigos Estudantes Ilustres da Universidade do Porto: Edgar Cardoso
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