A UNIVERSIDADE E O VINHO DO PORTO

Costumo contar esta história quando recebemos visitas nacionais ou estrangeiras à Reitoria da U.Porto – e a reação das pessoas é, tal como a minha quando a ouvi pela primeira vez, de grande espanto. No entanto, depois de processarmos a informação, percebemos a singularidade da nossa universidade e diversos aspectos relevantes do desenvolvimento do território.


Aqui vai a revelação bombástica: a relação da nossa universidade com o Vinho do Porto é umbilical. Ou, por outras palavras: o Vinho do Porto, foco do desenvolvimento da riqueza comercial no Norte do país, ajudou – literalmente – a criar a infraestrutura intelectual e técnica que esteve na origem da Universidade do Porto.


A história começa a 10 de setembro de 1756, com a criação da Junta Administrativa da Companhia do Alto Douro por alvará régio de D. José I, sob orientação de Sebastião José de Carvalho e Melo, futuro Marquês de Pombal. A Companhia foi criada com o objetivo imediato de regular e proteger o comércio dos vinhos do Douro, em especial do vinho que, à época, era exportado para Inglaterra. Cedo, contudo, se compreendeu que precisaria de pilotos e oficiais de navegação para a sua frota, e também de técnicos comerciais, e ainda de desenhadores e especialistas ligados à engenharia e às artes fabris. Desta necessidade resultou o embrião do ensino técnico superior portuense.


As três primeiras instituições antecessoras da Universidade do Porto devem-se exclusivamente à iniciativa e a um financiamento substancial da Companhia do Alto Douro. Assim foi com a Aula de Náutica, criada no reinado de D. José I sob proposta da Companhia – que viria, aliás, a assumir a sua administração. Instituída por Alvará de 30 de agosto de 1762, a Aula de Náutica instalou-se no Colégio de Nossa Senhora da Graça dos Meninos Órfãos (no local onde se encontra atualmente instalada a Reitoria). Esta primeira escola de ensino superior público da cidade definiu como objetivo imediato a preparação de oficiais que iriam servir nas duas fragatas de guerra do Porto.


A Aula de Debuxo e Desenho, criada no reinado de D. Maria por Alvará de 27 de novembro de 1779 – novamente sob proposta, supervisão e financiamento avultado da Companhia –, destinou-se à modernização do comércio e da indústria do Porto. As aulas de desenho tinham, então, várias aplicações práticas: cartografia, desenho técnico para arquitetura e engenharia, desenho para manufaturas e artes fabris e ainda para ornamentação industrial.


A necessidade estratégica de preparação dos jovens da região Norte para a marinha, o comércio e a indústria materializou-se na criação da Academia Real da Marinha e Comércio, a 29 de julho de 1803. Era então príncipe regente D. João (futuro D. João IV). A Academia Real, criada também “na dependência” da Junta Administrativa da Companhia do Alto Douro, pressupôs a extinção das escolas anteriores, definindo como missão a formação de pilotos, comerciantes, engenheiros, quadros técnicos, diretores de fábricas e especialistas ligados à economia mercantil do Norte.


Em 1837, no âmbito da chamada “Reforma de Passos Manuel”, a Academia Politécnica foi extinta, tendo sido substituída pela Academia Politécnica. O vínculo formal com a Companhia foi então quebrado, já que o Estado passou a tutelar diretamente a instituição. A sua missão deixou, a partir desse momento, de ser comercial-marítima para se orientar para a formação de elites científicas e técnicas, apostando no aprofundamento da matemática pura, no desenvolvimento das engenharias e na introdução das ciências naturais. Foi assim que esta antecessora da U.Porto se aproximou do modelo politécnico europeu.


Lembrei-me de contar aqui esta história porque faz parte dos gestos de cuidado patrimonial em que a Reitoria da U.Porto tem vindo a investir. Preservar um lugar ou um edifício implica a sua conservação material, mas obriga também ao estudo da sua história, à interpretação das suas transformações e à transmissão da memória que lhes dá sentido. As instituições que antecederam a fundação da Universidade do Porto nasceram da pressão económica e comercial da burguesia mercantil ligada ao vinho e ao comércio atlântico. Não me consigo lembrar de uma ligação mais direta que a Universidade tenha tido ao mundo empresarial e à sociedade.


Mas não consigo tão-pouco deixar de sorrir ao perceber isto: que a nossa Universidade é uma extraordinária consequência intelectual do Vinho do Porto.



Fátima Vieira
Vice-Reitora para a Cultura e Museus

MHCH-UP de portas abertas no Dia Internacional dos Museus 2026

Este domingo (17 de maio) é dia de entrada  livre no Polo Central do Museu de História e da Ciência da U.Porto e na  Galeria da Biodiversidade - Centro Ciência Viva.

O Laboratório Ferreira da Silva, no Polo Central do MHNC-UP, é um dos espaços que estarão de portas abertas. Foto: U.Porto

A Universidade do Porto associa-se, mais uma vez, ao Dia Internacional dos Museus, abrindo as portas dos dois polos do Museu de História Natural e da Ciência (MHNC-UP) e promovendo visita orientada para espreitar armários históricos. Tudo no dia 17 de maio. E tudo com entrada livre.


Esta é uma oportunidade a não perder para ver de perto mais de 470  peças que contam cerca de 200 anos de história. Testemunham a extração  dos recursos minerais, o avanço tecnológico e o fabrico de maquinaria  que transformou o modo como vivemos. A exposição Gemas, Cristais e Minerais está patente no Polo Central do (MHNC-UP).


Mas… antes disso. Quando entrar no museu, pela fachada virada para a Cordoaria, avance alguns metros e vire à esquerda. É aqui que começa  viagem no tempo, ao encontro dos primórdios da Ciência moderna em  Portugal. Vai deparar-se com o requinte do estilo Art Déco de inícios do  século XX quando entrar no  renovado Laboratório Ferreira da Silva, um espaço histórico da prática e do ensino da Química em Portugal.


As portas de “acesso ao tesouro” abrem das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 20h00 (último acesso: 19h30)

Espreitar armários históricos

Ainda no dia 17 de maio, e também no Polo Central do MHNC-UP, há outro desafio à espera dos participantes: Instrumentos para ensinar Física: espreitando os armários históricos. É um convite para conhecer a história do ensino da Física na cidade do  Porto, desde a criação da Academia Politécnica – antecessora da  Universidade – em 1837.


Orientados por Marisa Monteiro, Curadora da Coleção de Instrumentação Científica do MHNC-UP, os participantes partirão numa digressão por  armários tradicionalmente utilizados em gabinetes de Física do século XIX  para armazenamento de instrumentos de demonstrações experimentais ou  trabalhos práticos. 


Esta atividade vai decorrer das 15h30 às 17h00, dirige-se a adultos e tem uma lotação máxima de 20 participantes.


A participação é gratuita mediante inscrição prévia, até 16 de maio, através do e-mail: visitas@mhnc.up.pt

Os visitantes vão poder espreitar armários históricos, situados no corredores da “casa mãe” da U.Porto. (Foto: DR)

À descoberta da Galeria da Biodiversidade

Durante o dia 17 de maio, será também possível entrar gratuitamente na Casa Andresen, que pertenceu aos avós dos escritores Sophia de Mello Breyner Andresen  (1919-2004) e Ruben A. (1920-1975). É aqui que está instalada a Galeria da Biodiversidade – Centro Ciência Viva, um espaço que cruza arte com biologia e história natural.


Os módulos expositivos em exibição estimulam experiências sensoriais,  concebidas para celebrar a diversidade da vida. Sem esquecer, claro,  que poderá (e deverá) dar um passeio pelos mais de quatro hectares do  histórico Jardim Botânico da U.Porto, com um traçado delineado em finais do século XIX.

Os visitantes da Galeria da BIodiversidade  serão “recebidos” pelo esqueleto de baleia azul que domina o átrio da  Casa Andresen. (Foto: U.Porto)

Museus unindo um mundo dividido…

… é o tema deste Dia Internacional dos Museus, que se celebra entre 16 e 18 de maio. Como vai sendo hábito, o MHNC-UP  participa também no Museuspaper, um pedipaper que desafia os participantes a resolver enigmas e perguntas enquanto vão percorrendo vários museus da cidade.


Com esta iniciativa pretende-se destacar o papel essencial dos museus  como espaços de diálogo e inclusão, promovendo a aproximação entre  culturas e gerações.


O Dia Internacional dos Museus é uma iniciativa coordenada pelo ICOM –  Conselho Internacional de Museus e dinamizada no Porto pela rede do  Museu do Porto. 


Fonte: Notícias U.Porto

U.Porto leva Caricaturas de Abel Salazar ao Hospital de Santo António

O evento encontra-se inserido nas atividades do Dia Internacional dos Museus 2026.

Caricaturas de Pereira Salgado, da autoria de Abel Salazar, 1936. Lápis e tinta de caneta s/ papel CMAS

São caricaturas académicas, fotografias e outros objetos da Casa-Museu Abel Salazar (CMAS) que viajam até ao Museu do Centro Hospital do Porto (MCHP). Caricaturas Académicas de Abel Salazar irá inaugurar no próximo dia 17 de maio, a partir das 10h30. A exposição ficará patente até ao próximo dia 29 de maio.


Trata-se de uma exposição conjunta do MCHP e da CMAS, comemorativa do Dia Internacional dos Museus, na qual se apresentam, entre outros objetos, caricaturas de Abel Salazar produzidas durante a formação académica e durante o período em que foi professor e investigador. Vamos encontrar representações de condiscípulos, professores e colegas de Medicina.


Pelos apontamentos biográficos de Dulce Salazar Dias Ribeiro, irmã de Abel Salazar, o gosto pelo desenho surgiu cedo: “Desde muito garotinho que fazia muitas caricaturas, e no Liceu eram sempre uma tragédia, pois os professores na maioria velhos pirrónicos, davam muita sorte e volta e meia, lembro-me que ele chegava a casa e ia entregar um cartão do reitor com uma queixa, e era certa uma grande zanga de meu pai…" Certa vez, no primeiro dia do ano letivo, recorda Dulce Salazar, o pai "fez mil recomendações por causa das caricaturas, que tivesse cuidados, etc., etc." Acontece que, nesse mesmo dia, o irmão "não resistiu a fazer a carvão na padieira de uma porta da entrada do liceu, a caricatura de um professor, um padre muito gordo… Logo chegou a queixa a meu pai que lhe deu como castigo, ter de ir lá limpar a pedra…"


Dulce Salazar explica que os cadernos do irmão tinham sempre caricaturas "e fazia tantas de certo professor, padre, que eu, de tanto as ver também o fazia".

Fotografia de Abel Salazar a lecionar na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, atual Edifício Abel Salazar [1915-1935]

Durante os tempos da faculdade, fosse a lápis, pena ou pincel, continuou a verter o olhar trocista e sarcástico para o papel. "Lembro-me que na récita do 5.º ano médico levaram à cena uma revista que, se não estou em erro, tinha por título É dos Livros e em que apareciam, muito bem caricaturados todos os professores da Faculdade de Medicina e foi meu irmão que fez todas as caracterizações. Lembro-me que estavam assistindo muitos professores e alguns deram muito cavaco, outros acharam muita graça.”


Depois do curso de medicina na Escola Médico-Cirúrgica do Porto e na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, Abel Salazar foi professor catedrático e fundou o Instituto de Histologia e Embriologia na Faculdade de Medicina. Entre 1926 e 1931, uma depressão nervosa afastou-o da carreira académica. No regresso à vida ativa procurou reconstituir o trabalho científico e pedagógico, mas descobriu o Instituto de Histologia praticamente ao abandono e desprovido da biblioteca. Nos anos seguintes continuou o trabalho pedagógico e científico e entregou-se também, entusiasticamente, à Pintura, à História, à Crítica de Arte, à Filosofia e à divulgação cultural. Mais informações no website da CMAS.


No dia 17 de maio, a sessão terá início com uma apresentação no Salão Nobre do Hospital de Santo António e terminará com uma visita à exposição, protagonizadas por Susana Pacheco Barros (coordenadora executiva e cultural da CMAS) e Sónia Faria (responsável pelo MCHP). A entrada será efetuada pela fachada principal do edifício hospitalar. As visitas podem ser efetuadas das 09h00 às 17h30.


Mais informações através do e-mail museuchporto@ulssa.min-saude.pt

Maio na U.Porto

Para conhecer o programa da Casa Comum e outras iniciativas, consulte a Agenda Casa Comum ou clique nas imagens abaixo.

Inventarium: Derivas da Forma | Exposição de Ana Aragão

13 ABR a 12 SET'26 
Exposição | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

YUGEN [幽玄]: UMA REITERAÇÃO POÉTICA DO JAPÃO | Exposição

15 ABR a 12 SET'26
Exposição | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

Memórias em Tempo de Amnésia : o Futuro depois do Apocalipse, de Álvaro Vasconcelos | Apresentação do Livro 

18 MAI'26 | 18h00
Apresentação de livro | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

Apresentação de A Arte de Roubar Fruta, um romance de Francisco Duarte Mangas 

19 MAI'26 | 18h00
Apresentação de livro | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

Colectivo de Poesia — Poetas a várias vozes | Luiza Neto Jorge 

19 MAI'26 | 21h30
Poesia | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

Johnny Alf: A Semente da Bossa e a Inovação Harmónica | Quintas Brasileiras 3 

21 MAI'26 | 18h30
Música | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

Two tickets to Gangland, please | III Ciclo de cinema britânico 

22 e 29 MAI'26 | 18h30
Cinema | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

 Enoiu-Pânzariu, Jimenez Vînău, Enoiu-Pânzariu e Bătrânu | Barroco,  Romantismo e Nacionalismo| A caminho do solstício - um ciclo musical

23 MAI'26 | 16h00
Música | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

Caricaturas Académicas de Abel Salazar | Exposição 

17 a 29 MAI'26
Exposição | Museu do Centro Hospitalar do Porto
Entrada Livre. Mais informações aqui

Oficinas de Escrita Criativa | Rosa Alice Branco 

26 MAI'26 | 18h30
Literatura | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações e inscrições aqui

Club di Lettura Italiano 2025 |  Clube de Leitura Italiano 2026 

27 MAI, 10 SET, 30 OUT e 10 DEZ'26 | 19h30
Literatura | Casa Comum e ASCIPDA
Entrada Livre. Mais informações e inscrições aqui

Gemas, Cristais e Minerais

Exposição | Museu de História Natural e da Ciência U.Porto
Entrada Livre. Mais informações aqui 

E se?… Constelações de Modos de Viver o Espaço Urbano

Até 29 SET'26 
Exposição | Fundação Marques da Silva
Mais informações aqui

FRONTISPIECE | PRECIPICE

Até 27 JUN'26 
Exposição | Fundação Marques da Silva
Mais informações aqui

Corredor Cultural

Condições especiais de acesso a museus, monumentos, teatros e salas de espetáculos, mediante a apresentação do Cartão U.Porto.
Mais informações aqui

U.Porto e CMP apresentam exposição sobre a Europeização do sistema de Ensino Superior em Portugal

A mostra, patente na Câmara Municipal do Porto, assinala o Dia da Europa e dos 40 anos da adesão de Portugal à CEE. 

A exposição foi Inaugurada no âmbito das celebrações do Dia da Europa, promovidas pela Câmara Municipal do Porto. Foto: Andreia Merca/CMP

A europeização do sistema de Ensino Superior em Portugal, e em particular na Universidade do Porto, foi o mote lançado pela Câmara Municipal do Porto. O resultado poderá conhecer-se no átrio dos Paços do Concelho da Câmara Municipal do Porto.


E se as universidades forem a chave para revitalizar a democracia? É através desta perspetiva que avançamos pelo espaço expositivo. Europeização do Ensino Superior em Portugal é o título desta mostra que assinala o Dia da Europa, na passagem dos 40 anos da adesão de Portugal à União Europeia.


Elemento incontornável desta exposição é, naturalmente, a representação da Declaração Schuman, apresentada no dia 9 de maio de 1950. O ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Robert Schuman, proferiu um discurso histórico no qual apresentou um plano para uma cooperação mais profunda na Europa. A Declaração Schuman abriu caminho a uma nova era de paz e cooperação no Continente, lançando as bases para a União Europeia como a conhecemos hoje.


Outro poster fundamental recorda-nos a Adesão à Comunidade Económica Europeia (CEE), em 1986, e as transformações que decorreram da europeização do Sistema de Ensino Superior em Portugal. O Processo de Bolonha introduziu mudanças estruturais no ensino português. Na U.Porto verificou-se uma expansão do número de faculdades e de centros de investigação que passaram a operar em rede, tanto a nível nacional como europeu, reforçando a sua internacionalização e capacidade científica.


Em dezembro de 1979, a U.Porto era constituída por 8 faculdades; hoje são 15 + Porto Business School. Em 1979 tínhamos 27 centros de investigação apoiados pelo INIC (Instituto Nacional de Investigação Científica); hoje são 45 unidades de investigação financiadas pela FCT. Assim que for caminhando vai encontrando representada no chão uma timeline que sintetiza a história recente da U.Porto.


A exposição apresenta ainda fotografias de vários momentos marcantes da história da U.Porto, mas não só. Há um poster que apresenta um detalhe da obra O Rapto da Europa - c.1726, do Philadelphia Museum of Art, da autoria de Nöel-Nicolas Coypel (1690-1734), um artista francês que pintou essencialmente cenas mitológicas. Segundo a história narrada na obra Metamorfoses, de Ovídio, o Deus Júpiter apaixonou-se pela ninfa Europa, que raptou, sob a forma de um touro branco, nadando com ela às costas num mar de divindades marinhas. A obra pertenceu a José Bonaparte, que ali viveu exilado em Filadélfia, após a queda de seu irmão, o Imperador Napoleão.


A Europeização do sistema de Ensino Superior em Portugal foi produzida pela  Unidade de Cultura da Reitoria da Universidade do Porto, tendo contado  com o apoio do CIPES - Centro de Investigação de Políticas do Ensino Superior e do projeto internacional DRU  – Democratic Role of Universities. Poderá ser visitada até ao  próximo dia 9 de junho, de segunda a sexta-feira, das 09h00 às 19h00 e sábados e feriados das 10h00 às 19h00. A entrada é livre.

Há novos podcasts no espaço virtual da Casa Comum

203. Cresce na vertical esta cidade, José Almeida da Silva

“Cresce na vertical esta cidade”, de José Almeida da Silva, in Naquele tempo não era fácil, o amor, 2024, p. 75.

4. António Teixeira

Natural do Porto, António Teixeira entrou no curso de Ciências da  Nutrição em 2009 e presidiu à Associação de Estudantes no ano letivo de 2011/2012. Com ele, recuamos à década de 2010-2020 e ao tempo em que a FCNAUP funcionava provisoriamente na FEUP.


124. Fantasia Lusitana, de João Canijo (2010)

Comentário de Nuno Azevedo (Curso Avançado de Documentário KINO-DOC)

125. “Space Coast”, de Ross McElwee, Michel Negroponte (1979)

Comentário de Guilherme Rodrigues (Curso Avançado de Documentário KINO-DOC)

5. Miguel Paiva

O percurso de Miguel Paiva reflete uma trajetória construída entre a  gestão, o serviço público e a liderança no setor da saúde. Natural de  Vila do Conde, licenciou-se em Economia pela Faculdade de Economia da  Universidade do Porto, iniciando o seu percurso profissional no setor  têxtil, numa empresa familiar com forte vocação exportadora.  Foi no início dos anos 2000 que iniciou uma viragem decisiva na sua  carreira, ao ingressar na Administração Regional de Saúde do Norte,  passando a assumir funções de responsabilidade na gestão pública da  saúde. Ao longo das últimas duas décadas, construiu um percurso  consistente no setor, atravessando diferentes contextos institucionais,  do público ao privado, com crescente responsabilidade na liderança de  organizações de saúde. Destaca-se o seu papel à frente do Centro Hospitalar de Entre o Douro  e Vouga, onde, durante mais de uma década, contribuiu para afirmar a  instituição como uma referência de eficiência no Serviço Nacional de  Saúde. Atualmente, preside ao Conselho de Administração da Unidade  Local de Saúde de S. José, uma das maiores e mais prestigiadas  estruturas do SNS, mantendo uma forte ligação à formação, à reflexão  estratégica e ao serviço público.  Neste episódio do Alumni Mundus – Serviço Público, damos a conhecer  um percurso marcado pela gestão, pela liderança e pelo compromisso com a  saúde pública. 


110. L galho bielho

“Cócórócócó! Cócórócócó! L galho ten un sporon dourado! Mas l amo ye un ourdinário i pa la ruga fui ampuntado!”
 Ua cuonta tradecional finlandesa, adaptada para mirandés por Alcides Meirinhos i cuntada por Teresa Martins.

5. No litoral

A maresia (atlântica e mediterrânica) enche as Noites de Cabíria: em Romaria, Carla Simón acompanha a busca de uma estudante de cinema pela história  dos pais biológicos, o que lhe permite conhecer o lado menos luminoso da  movida espanhola, na sua declinação especificamente galega. Já  o esplendor luminoso e luxuriante prometido no grande projeto  meridional (em Sète, na Ocitânia francesa) de Abdellatif Kechiche deixa,  neste segundo volume de Mektoub, My Love, um travo de frustração. Conversa-se ainda sobre Isabelle Huppert no Teatro Nacional S. João (Bérénice) e vários outros títulos da atualidade cinematográfica (Os Domingos, Entroncamento, Projecto Global).


Mais podcasts AQUI


Alunos Ilustres da U.Porto

Eduardo Santos Silva 

Eduardo Santos Silva (1879-1960)

Eduardo Ferreira dos Santos Silva nasceu no dia 18 de março de 1879, na cidade do Porto, filho de Dionísio Ferreira dos Santos Silva e de Ana Teixeira.


Oriundo de uma família da classe média e vivamente republicana, desde novo foi influenciado por estes ideais. Com a morte de sua mãe, em 1894, Eduardo, como irmão mais velho de quatro irmãs, teve de ajudar o pai no sustento da família. Com 16 anos, trabalhou como escriturário em Vila Nova de Gaia e lecionou instrução primária no Colégio Português, na Rua do Almada. Apesar das dificuldades económicas, em 1897 Eduardo matriculou-se no curso de Medicina da Escola Médico-Cirúrgica do Porto (atual Faculdade de Medicina da Universidade do Porto), que acumulava com o ensino particular.

"Retrato do Dr. Santos Silva (Pai)", óleo sobre madeira, c. anos 30 do século XX, da Associação Divulgadora da Casa-Museu Abel Salazar, em depósito na Casa-Museu Abel Salazar.

O percurso académico de Eduardo Santos Silva ficou marcado pelo seu aproveitamento escolar: em 1903, concluiu o Curso de Medicina com a Dissertação Final, na qual obteve a classificação de Bom (16 valores), e com a classificação geral de quatorze valores. Com o curso terminado, não foi de imediato exercer medicina. Em 1905 foi nomeado para o Liceu Central do Porto, onde lecionou Geografia, Ciências Naturais, Francês e Português. Em 1906, com 27 anos, casou-se com Ernestina Cândida Martins Morgado, de quem viria a ter seis filhos: Eduardo, Ernestina Ana Cândida, Artur, Sílvia, Osvaldo e Fernando. Em 1909, em Paris, especializou-se em dermatologia e sifiligrafia. Durante este período, conheceu um grupo de republicanos exilados, entre os quais Aquilino Ribeiro, Amadeu de Sousa Cardoso e Teixeira Lopes. Quando regressou ao país, retomou o ensino (no Liceu Alexandre Herculano, no Porto) e a medicina.


Em 1911, foi nomeado Diretor da Escola Normal do Porto e, em 1912, foi eleito reitor do Liceu Rodrigues de Freitas. Ainda em 1911, ligou-se à Maçonaria, à loja Luz e Progresso, com o nome de Erasmo, e, mais tarde, à loja Portugália. Após as eleições municipais, integrou, em 1914, a Comissão Executiva da Câmara Municipal do Porto, tendo sido nomeado Vice-Presidente (pouco depois assumiria a Presidência) e vereador da Instrução, Beneficência e Bairros Operários. Como obras mais marcantes, enquanto autarca, podemos mencionar a rede de Bibliotecas Populares que criou, escolas para alunos com deficiência e um sistema de apoio às crianças pobres, com distribuição de refeições gratuitas. Além do seu interesse pelo ensino, é de salientar, na sua passagem pela Câmara do Porto, o início da construção de alguns edifícios que hoje são referências da cidade, como o Mercado do Bolhão, o Matadouro, o Conservatório de Música do Porto e o atual edifício da Câmara Municipal do Porto, bem como a construção de Bairros Operários (Ramalde, Campanhã, Prelada, Lordelo, etc.).


Tendo sido preso em 1918, durante o "Sidonismo", solicitou a sua incorporação no Corpo Expedicionário Português como médico miliciano, tendo combatido na 1.ª Guerra Mundial. Foi condecorado com a Cruz de Guerra pela sua prestação.


Após o seu regresso, voltou a ser vereador (até março de 1923), cargo que acumulou com a presidência do Senado da Câmara Municipal do Porto até 1921, ano em que se demitiu por divergências com o Partido Republicano. Como figura respeitada da política nacional, foi convidado duas vezes por António Maria da Silva a assumir funções como Ministro da Instrução. A primeira, durante um mês, de 1 de julho a 1 de agosto de 1925; mais tarde, de 17 de dezembro de 1925 a 30 de maio de 1926. No entanto, não teve tempo, nem condições para pôr em prática algumas das reformas que pretendia implementar. A partir de 1926, foi convidado para Diretor Clínico do Sanatório Hospital Rodrigues Semide e, após vinte anos de dedicação extrema a esta instituição, entrou em conflito com a direção da Misericórdia do Porto, claramente pró-salazarista. Em 1945, o seu pedido de exoneração foi aceite e, em 1948, abandonou o cargo de Diretor de Enfermaria.


Em maio de 1935, e com a instauração do Estado Novo, foi um dos professores exonerados pelo Conselho de Ministros como opositores ao regime, tendo sido colocado em "inatividade permanente, seguida de aposentação". Defensor acérrimo dos ideais democráticos, participou ativamente nas revoltas republicanas, em especial na de 3 de fevereiro de 1927. Foi preso no Porto em setembro deste ano. Mais tarde, a 5 de julho de 1930, voltaria a ser preso, sendo enviado para o degredo no Funchal até 9 de março de 1931, acusado de envolvimento "em manejos conspiratórios".


A partir de 1949, Santos Silva envolveu-se na candidatura do General Norton de Matos às eleições presidenciais. Em 1950, passou por momentos difíceis com a morte da sua filha Ernestina e, em 1951, assistiu à morte de seu filho Osvaldo. Em 1955, com 76 anos, dava por terminada a sua carreira de médico, assumindo "não ter já resistência indispensável para o exercício da medicina". Afastado do ensino e da medicina, Santos Silva manteve alguma atividade política e, em 1958, o seu nome surgiu como uma possível candidatura à Presidência da República. No entanto, e apesar do forte apoio que recebeu, acabou por não avançar, tendo apoiado o General Humberto Delgado. A 18 de Março de 1959, na comemoração do seu 80.º aniversário, foi alvo de uma grande homenagem, que reuniu num jantar mais de 300 pessoas.


Faleceu no Porto a 14 de setembro de 1960.


U.Porto - Antigos Estudantes Ilustres da Universidade do Porto: Eduardo Ferreira dos Santos Silva


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