PARA QUE SERVE A FACULDADE DE LETRAS?

Recordo com nitidez aquele fim de tarde. Havíamos sido convidados para uma sessão na grande sala onde se costumava reunir o Conselho Científico. Por alguma razão, a mesa que normalmente atravessa a sala fora afastada, mas as cadeiras permaneciam alinhadas longitudinalmente, de um lado e do outro, e também na extremidade junto à janela. Formávamos um “U” – de “Universidade”, pensei, já que nos tinham dito que o assunto era o nosso trabalho na Faculdade de Letras.


É interessante a forma como funciona a nossa memória: não sei ao certo se estávamos em 2014 ou 2015, mas recordo que foi num fim de tarde, pois a sala estava escura e tivemos de acender as luzes. Não me consigo lembrar, tão-pouco, de quem nos veio falar – ficou-me apenas a imagem de uma figura masculina, alta e morena, que percorreu a sala várias vezes, para cima e para baixo, olhando-nos nos olhos para se certificar de que ouvíamos e compreendíamos o que procurava transmitir. A dificuldade, contudo, revelou-se no sentido inverso: ele é que não compreendia o que dizíamos, porque falávamos línguas diferentes.


A língua dele era dominada pelo vocabulário que começava a dominar as políticas universitárias europeias – um léxico feito de palavras como “utilidade”, “relevância” e “empregabilidade” tomadas da Comunicação da Comissão Europeia de 2011 – Supporting Growth and Jobs: An Agenda for the Modernisation of Europe’s Higher Education Systems – que defendia políticas institucionais orientadas para a transição para o mercado de trabalho, a monitorização dos diplomados, a ligação a empregadores e a integração de competências profissionais nos currículos.


O homem alto e impetuoso percorreu a nossa sala pedindo que nos definíssemos em termos instrumentais: “o que fazem?”; “para que servem?”; “que emprego dão”? Dirigia-se, em especial, aos responsáveis pelos cursos de Humanidades. Balbuciámos respostas evocando as vias profissionalizantes que já tínhamos em oferta, mas não pareciam satisfazê-lo. Até que, sentado ao meu lado, Gualter Cunha, Professor Catedrático do (meu) Departamento de Estudos Anglo-Americanos, lhe respondeu com uma pergunta: “Antes de perguntarmos para que servem as Humanidades, não deveríamos perguntar o que são?”.


Desse dia, ficou-me a admiração pela forma como Gualter Cunha deslocara o problema para um plano anterior, recusando-se a discuti-lo sem antes interrogar os seus pressupostos. Antes da utilidade, vinha a definição; antes da empregabilidade, a natureza da instituição. O problema não consistia apenas em perguntar para que serve uma Faculdade de Letras, e os seus cursos de Humanidades, em particular, mas em decidir o que ela é – e, acima de tudo, o que não pode deixar de ser.


Veio-me este episódio à memória quando, estando a preparar uma intervenção no âmbito de uma homenagem a Gualter Cunha realizada na FLUP na passada sexta-feira, dei com um ensaio que ele publicou em 2016 – ano da sua aposentação – intitulado “Uma filosofia para a Faculdade de Letras”. Nele reconheci o prolongamento da discussão daquele dia, agora densificada por investigação, reflexão teórica e propostas.


Rejeitando uma oposição simplista entre utilidade e inutilidade, Gualter Cunha reconhece, no ensaio, a necessidade de formações profissionalizantes e admite que uma Faculdade de Letras tenha de acolher cursos orientados para aplicações concretas. O problema começa, contudo, quando essa lógica se transforma no princípio organizador de tudo. As Humanidades, defende, não são apenas um conjunto de saberes em potência nem uma reserva de competências transferíveis à espera de tradução económica. São, antes de mais, uma forma particular de investigação sobre a experiência humana, a linguagem, a literatura, a arte, as ideias, a memória, a verdade, a beleza, aquilo que uma vida humana procura compreender sobre si mesma. Não podem, por isso, ser reduzidas à lógica de uma competência técnica. Quando isso acontece, argumenta, a literatura, a filosofia ou a história deixam de ser procuradas como formas de entendimento do humano para se tornarem repertórios de técnicas, competências ou estratégias ao serviço de outras finalidades. Vistas assim, como saberes fundamentais, as Humanidades não estão muito distantes da matemática ou da física teórica.


Estremeci ao ler o ensaio de 2016, percebendo como, em tão pouco tempo, a situação se radicalizou: hoje as Humanidades continuam presentes, mas sob permanente ameaça de domesticação – constantemente chamadas a provar impacto, competências, inovação ou empregabilidade.


É urgente que teimemos no gesto que Gualter Cunha nos ensinou naquele fim de tarde, pensei. E ali mesmo resolvi que, da próxima vez que me perguntarem para que serve a Faculdade de Letras, deslocarei a discussão para uma questão mais profunda: que forma de saber, pensamento, atenção e liberdade perderemos quando tudo passar a ter de servir para alguma coisa?


Porque não quero nem pensar no que acontecerá às Humanidades quando deixarem de se poder justificar em nome da verdade, da interpretação crítica e da imaginação.



Fátima Vieira
Vice-Reitora para a Cultura e Museus

U.Porto promove o III Encontro Nacional de Prescrição Cultural

Iniciativa vai decorrer no próximo dia 2 de junho, em diferentes espaços do edifício da Reitoria. Inscrição gratuita.

Assistentes sociais, mediadores culturais, artistas, agentes de  Unidades Locais de Saúde, profissionais de saúde e público em gera — todos estão convocados para o III Encontro Nacional de Prescrição Cultural (PC), que terá lugar no próximo dia 2 de junho, em diferentes espaços do edifício da Reitoria da Universidade do Porto.


Esta será uma oportunidade para fazer o balanço do trabalho iniciado no I Encontro Nacional de Prescrição Cultural, em 2024, em que se lançaram as bases para a constituição de um Consórcio Prescrição Cultural que,  entre outras medidas, iria permitir a formação de profissionais já no  terreno (médicos, psicólogos, artistas e mediadores culturais). 


No ano seguinte, o II Encontro Nacional de Prescrição Cultural foi decisivo para a consolidação de um projeto piloto que se afirmou em  três eixos: a criação da unidade curricular de Prescrição Cultural com  estudantes de diferentes áreas numa abordagem interdisciplinar e  prática; a formação intensiva para profissionais da saúde e da cultura, promovendo o diálogo entre setores; e a dinamização de ações de  sensibilização com a comunidade através de Laboratórios Artísticos integrados no Programa Arte, Cultura e Bem-Estar da U.Porto. Iniciativas  das quais resultaram propostas com potencial de implementação em contextos reais, reforçando o impacto transformador da prescrição  cultural na vida das pessoas e das instituições.


Ainda em 2025, realizou-se um Encontro Internacional de Prescrição Cultural que trouxe perspetivas de diferentes pontos do mundo e durante o qual foi assinado o protocolo do Consórcio Prescrição Cultural,  que junta a U.Porto a instituições como a Universidade de Trás-os-Montes  e Alto Douro, a CCDRN, a Direção-Geral da Saúde, a Secção Regional do Norte – Ordem dos Médicos, a Ordem dos Psicólogos Portugueses, o Centro  de Arte Oliva, a Fundação da Casa de Mateus, a Fundação Côa Parque, os Museus e Monumentos de Portugal.

Apontar lanças para o futuro

Mas este III Encontro Nacional de Prescrição Cultural será também um momento para preparar o futuro da Prescrição Cultural. A começar logo na  sessão se arranque, intitulada Movimento Prescrição Cultural U.Porto – História e Futuro,  que contará, entre outras, com as presenças do Diretor da Direção de  Serviços de Prevenção da Doença e Promoção da Saúde, dos reitores das universidades do Porto e do Minho, e da Vice-Reitora para a Cultura e  Museus da U.Porto.


Durante o dia haverá ainda uma mesa-redonda com os parceiros do  Consórcio, e outra com artistas certificados (pela formação da PC) sobre  a experiência e conhecimentos adquiridos, assim como sobre as oportunidades  profissionais que conseguiram depois da formação.


Do programa fazem ainda parte sessões paralelas: uma para médicos e psicólogos e outra para assistentes sociais, mediadores culturais e pessoas interessadas em saber como o Consórcio planeia concretizar o ciclo de referenciação implicado no projeto. No final, haverá ainda espaço para oficinas com duas artistas em residência na Casa Comum da U.Porto: uma oficina de Expressão Plástica com Abigail Ascenso, e outra de Expressão Corporal com Josefina Fuentes.

No final deste III Encontro poderá ainda participar em oficinas artísticas

A participação no III Encontro Nacional de Prescrição Cultural é livre, mediante inscrição prévia e limitada à lotação do espaço (120 participantes). Haverá ainda um número limite de vagas para as oficinas.


A inscrição no encontro e nas oficinas deverá ser efetuada até às 23h59 do dia 1 de junho, através do preenchimento do respetivo formulário. 


Fonte: Notícias U.Porto

O BEAST 2026 vai estar à solta na Casa Comum

A "Casa" é o tema central do Festival de Cinema Internacional que estará de regresso à U.Porto no dia 6 de junho. A  entrada é livre.

A Casa Comum (à Reitoria) da Universidade vai acolher, no próximo dia 6 de junho, a partir das 19h00, uma sessão de filmes experimentais inserida na 9.ª edição do BEAST – International Film Festival.


O programa Grounds for Speculation vai  exibir um conjunto de filmes experimentais do artista checo Oskar  Helcel, com curadoria de Pavla Rouskova. Através de três obras, Helcel analisa projetos de desenvolvimento urbano em Praga para questionar a  privatização do espaço público e as dinâmicas do capitalismo tardio na  cidade contemporânea.


Com uma abordagem crítica e ativista, os filmes exploram o impacto do  “developerism” (desenvolvimentismo) e da lógica de lucro sobre a vida  coletiva, estabelecendo paralelos com a rápida transformação urbana que a cidade do Porto está a viver.


Combinando humor, identidades performativas e novas tecnologias, Grounds for Speculation reflete sobre quem pertence à cidade e de que forma as mudanças urbanas redefinem não apenas a paisagem, mas também as relações sociais,  culturais e afetivas dentro dela.


Após a sessão, terá lugar uma conversa com o coletivo Habitação Hoje,  dedicada à atual situação da habitação no Porto e em Portugal, criando  um espaço de reflexão e debate a partir das questões levantadas pelos  filmes. A sessão terá uma duração aproximada de 30 minutos, seguida de uma conversa de 30 a 45 minutos.

Um festival aberto aos estudantes da U.Porto

A edição deste ano do BEAST – International Film Festival vai  decorrer de 3 a 7 de junho, em vários locais da cidade, e será dedicada ao cinema e à cultura contemporânea da Europa Central e de Leste.


Sob o tema Home (Casa) e o slogan "nothing left to lose", o BEAST 2026 propõe uma reflexão sobre pertença, deslocação e as transformações sociais e urbanas do presente.


Nesta edição, o festival disponibiliza ainda acreditação gratuita para estudantes. Para mais informações, consultar a página do BEAST. 


Fonte: Notícias U.Porto

O Clube de Leitura italiano vai levar-nos Mais alto do que o mar

Livro da autoria de Francesca Melandri vai  estar em destaque na sessão agendada para 27 de maio, na Casa Comum. A  inscrição é gratuita.

Francesca Melandri é uma das vozes mais reconhecidas da literatura italiana contemporânea. Foto: Francesca Melandri/Facebook

O Clube de Leitura Italiano está de volta à Universidade do Porto e, com ele, a proposta de um novo livro. No próximo dia 27 de maio, quarta-feira, às 19h00, vamos “mergulhar” em Mais alto do que o mar (Più alto del mare), título da obra que valeu a Francesca Melandri o Prémio Selezione Campiello, em 2012.  Será na Casa Comum (à Reitoria) e com direito a entrada gratuita.


Saiba que está a “comprar” um bilhete de ida para uma pequena ilha, entre o céu o mar, e que fica na ponta noroeste de outra ilha, a Sardenha. Para além de ter um parque nacional é conhecida por dar  guarida a uma população de burros albinos. Também tem um aroma  característico que é libertado pelos helicrisos. Uma planta de flor amarela brilhante, com óleos essenciais que tem uso cosmético e terapêutico. A narrativa desta história vai levar-nos até 1979. Estamos a  falar da… Ilha de Asinara.


Aparentemente, é um lugar isento da violência que, durante aquele período, fustiga Itália. Os Anni di piombo ou Anos de Chumbo, correspondem a um período da história, desde a década de 1960 até ao  final da década de 1980, marcado por violência política e várias  convulsões sociais. Da época, chegam-nos os registos de incidentes  associados ao terrorismo político, com confrontos tanto de  extrema-esquerda como de extrema-direita.


É nesta ilha, onde um aroma de helicrisos se respira acima do nível  da água, que existe uma prisão de máxima segurança. É lá que vamos  conhecer Luisa e Paolo. Pertencem a mundos muito diferentes. Ela é uma  camponesa, mãe de cinco filhos, que visita o marido “pluri-homicida” encarcerado na ilha. Ele é um antigo professor de filosofia, viúvo, que  vai visitar o filho, condenado por terrorismo. Têm em comum o facto de viverem isolados no próprio sofrimento. Num dos dias de visita à cadeia  surge uma enorme tempestade que bloqueia a saída e é a partir  desse momento que estas vidas se cruzam. Luisa e Paolo reconhecem-se  mais próximos do que alguma vez poderiam imaginar.


Este segundo romance de Francesca Melandri debruça-se, assim, sobre aqueles sombrios Anos de Chumbo italianos a partir da perspectiva dos familiares dos criminosos, igualmente vítimas de violência e, também eles, condenados ao isolamento e à falta  de compaixão.


O
 Clube de Leitura Italiano é uma iniciativa da Associação Sociocultural ASCIP Dante Alighieri em parceria com a Casa Comum, e vai decorrer até ao próximo mês de dezembro, nas duas instituições. O convite à participação é aberto a  todos, a quem já leu, a quem vai ler, e a quem quer descobrir os livros  antes de os ler. No fundo, este é um desafio para entrar nesta viagem  pelos livros, acompanhado.


O Clube de Leitura da ASCIP Dante Alighieri existe desde 2019 e visa  promover a literatura italiana, com particular atenção à produção contemporânea, sem esquecer os clássicos mais recentes.


Todos os encontros são de entrada gratuita, mas sujeita a inscrição obrigatória através do respetivo formulário.

Sobre Francesca Melandri

Nasceu em Roma, em 1964. É escritora, argumentista e realizadora de documentários. Colabora com diversos jornais europeus, entre os quais o The Guardian, o Libération e o Die Zeit.


Após o sucesso da sua estreia na ficção com o romance Eva dorme, lançado em 2010 em Itália – e, em 2023, em Portugal, pela mesma Book Cover Editora –, publicou, em 2012,  Mais alto do que o mar,  que já venceu diversos prémios, entre os quais o Prémio Selezione  Campiello, o Prémio Rapallo-Carige, o Prémio Isola d’Elba-Raffaello  Brignetti, o Prémio Stresa e o Prémio Asti d’Appello.


O seu terceiro livro, Sangue giusto (2017), foi durante várias semanas um best-seller em muitos países e, em Itália, conquistou o Prémio Sila’49 e foi selecionado para o Prémio Strega. 


Fonte: Notícias U.Porto

Maio e Junho na U.Porto

Para conhecer o programa da Casa Comum e outras iniciativas, consulte a Agenda Casa Comum ou clique nas imagens abaixo.

Inventarium: Derivas da Forma | Exposição de Ana Aragão

13 ABR a 12 SET'26 
Exposição | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

YUGEN [幽玄]: UMA REITERAÇÃO POÉTICA DO JAPÃO | Exposição

15 ABR a 12 SET'26
Exposição | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

Dia Africano | African Day 

25 MAI'26 | 10h00-16h00
Conversas| Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

Apresentação de Democracia e Universidade, de José Saramago

25 MAI'26 | 18h00
Apresentação de livro | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

Oficinas de Escrita Criativa | Rosa Alice Branco 

26 MAI'26 | 18h30
Literatura | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações e inscrições aqui

Club di Lettura Italiano 2025 |  Clube de Leitura Italiano 2026 

27 MAI, 10 SET, 30 OUT e 10 DEZ'26 | 19h30
Literatura | Casa Comum e ASCIPDA
Entrada Livre. Mais informações e inscrições aqui

João Gilberto: O Violão que Dividiu as Águas | Quintas Brasileiras 3 

28 MAI'26 | 18h30
Música | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

Two tickets to Gangland, please | III Ciclo de cinema britânico 

22 e 29 MAI'26 | 18h30
Cinema | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

BELLA LETTERATURA, Bienal de Literatura Italiana

30 MAI'26 | 16h30 e 18h00
Apresentação de livri e Cinema | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

3º. ENCONTRO NACIONAL PRESCRIÇÃO CULTURAL 

02 JUN'26 | 10h00-17h30
Encontro | Reitoria da U.Porto
Entrada Livre. Mais informações e inscrições aqui

Caricaturas Académicas de Abel Salazar | Exposição 

17 a 29 MAI'26
Exposição | Museu do Centro Hospitalar do Porto
Entrada Livre. Mais informações aqui

Gemas, Cristais e Minerais

Exposição | Museu de História Natural e da Ciência U.Porto
Entrada Livre. Mais informações aqui 

E se?… Constelações de Modos de Viver o Espaço Urbano

Até 29 SET'26 
Exposição | Fundação Marques da Silva
Mais informações aqui

FRONTISPIECE | PRECIPICE

Até 27 JUN'26 
Exposição | Fundação Marques da Silva
Mais informações aqui

Corredor Cultural

Condições especiais de acesso a museus, monumentos, teatros e salas de espetáculos, mediante a apresentação do Cartão U.Porto.
Mais informações aqui

U.Porto Press apresenta DEMOCRACIA E UNIVERSIDADE, de José Saramago

A obra será lançada a 25 de maio, na Reitoria da U.Porto, com intervenções de António de Sousa Pereira, Reitor da U.Porto, Pedro Teixeira, Reitor eleito, e Pilar Del Río, Presidente da Fundação José Saramago.

Com Democracia e Universidade a U.Porto Press publica, em português, a intervenção de José Saramago na Universidade Complutense de Madrid, em 2005. / FOTO: U.Porto Press

Com Democracia e Universidade, a U.Porto Press publica a célebre intervenção de José Saramago na Universidade Complutense de Madrid, em 2005.


Nesta obra, o Nobel da Literatura português realça o papel relevante  das universidades na formação dos cidadãos, promovendo a sua  participação ativa na sociedade.


O lançamento de Democracia e Universidade, resulta de uma parceria entre a U.Porto Press e a Fundação José Saramago, e integra a coleção Lições da Editora da U.Porto. Decorrerá a 25 de maio, a partir das 18h00, no Auditório da Casa Comum, à Reitoria da Universidade do Porto (Praça Gomes Teixeira).


A sessão contará com intervenções de António de Sousa Pereira, Reitor da Universidade do Porto (U.Porto), Pedro Teixeira, Reitor eleito da U.Porto, e Pilar Del Río, Presidente da Fundação José Saramago.


A entrada é livre.

A missão das universidades na formação dos cidadãos

A propósito da conferência que José Saramago proferiu na Universidade  Complutense de Madrid, em 2005, António de Sousa Pereira, Reitor da  U.Porto, mostra-se espantado quer pelo facto de não ter sido publicada em Portugal antes da presente edição da U.Porto Press, quer pela “acutilância” e “razoabilidade com que Saramago estabelece a missão e a importância do  ensino superior no contexto da construção de uma (utópica?) sociedade  democrática”.


Como recorda, Saramago advogava que “a universidade é o último nível  formativo em que o estudante se pode converter, com plena consciência, em cidadão; é o lugar de debate onde, por definição, o espírito crítico  tem de florescer: um lugar de confronto, não uma ilha onde o aluno  desembarca para sair com um diploma”.

 Esta é uma publicação da U.Porto Press, em parceria com a Fundação José Saramago. (Foto: U.Porto Press)

Para Pilar Del Río, recuperar esta intervenção de José Saramago, “20  anos depois, faz sentido”,  pois “Universidade e Democracia são duas aspirações fundamentais para a sociedade ativa e  consciente que queremos ser”. “Nenhuma sociedade poderá avançar sem o saber que emana da universidade, nem alcançará o grau de excelência sem a igualdade e a justiça que a democracia – governo do  povo para o povo – exige (…)”- argumenta. E acrescenta “A sociedade  vivificada precisa da universidade, altar-mor do conhecimento”; “a  democracia promove o respeito e abre caminhos à sabedoria”.


Prestes a concluir o seu ensaio, José Saramago afirma que “a universidade tem de assumir a sua responsabilidade na formação do  indivíduo, e tem de ir além da pessoa, porque não se trata apenas de  formar um bom informático ou um bom médico, ou um bom engenheiro, a  universidade, além de bons profissionais, deveria lançar bons cidadãos”.


Democracia e Universidade está disponível na loja online da U.Porto Press, com 10% de desconto e portes grátis.

Sobre o autor

José Saramago (1922-2010) nasceu na aldeia de Azinhaga. Aos 4 anos mudou-se com a família para Lisboa, onde concluiu o  ensino profissional e aprendeu o ofício de serralheiro mecânico.


As noites passadas na Biblioteca Palácio Galveias foram fundamentais para a sua formação.


Autor de mais de 40 títulos, estreou-se em 1947 com um romance que intitulou A Viúva, que, por razões editoriais, viria a designar-se Terra do Pecado. Em 1953 terminaria Claraboia, publicado apenas em 2011.


Construiu uma obra incontornável na literatura portuguesa e  universal, com títulos traduzidos em todo o mundo. Recebeu o Prémio Camões em 1995 e o Prémio Nobel de Literatura em 1998. É Doutor Honoris Causa por 38 universidades. 


Fonte U.Porto Press

Há novos podcasts no espaço virtual da Casa Comum

204. Todas as manhãs no quiosque habitual, José Almeida da Silva

“Todas as manhãs no quiosque habitual”, de José Almeida da Silva, in Naquele tempo não era fácil, o amor, 2024, p. 70.

1. Legado e Continuidade

Uma conversa fundadora sobre a génese do  Prémio, a memória de Luis Ferreira Alves e a forma como o seu olhar  continua a projetar-se no presente através de uma plataforma  internacional dedicada à fotografia de arquitetura.
 A origem do Prémio e a atualidade do legado de Luis Ferreira Alves:
• O percurso humano, cultural e fotográfico de Luis Ferreira Alves
• O olhar singular que marcou a representação da arquitetura portuguesa
• A criação do Prémio como gesto de continuidade e projeção internacional
• A memória como prática ativa de pensamento e transmissão
• O papel do Prémio na afirmação de uma cultura crítica da imagem
 Entrevistadora/moderadora: Maria Neto; Convidados: Catarina Providência e Pedro Leão Neto


126. “Born to Lose”, de Lech Kowalski (1999)

Comentário de Filipa Sampaio (Curso Avançado de Documentário KINO-DOC)

127. “The Great White Silence”, de Herbert G. Ponting (1924)

Comentário de Eduardo Pires (Curso Avançado de Documentário KINO-DOC)

Mais podcasts AQUI


Alunos Ilustres da U.Porto

Eduardo Luiz (1932-1988)

Eduardo Luiz (1932-1988). Auto-retrato Póstumo, 1983, óleo sobre tela

Eduardo Luiz Teles Fernandes Gomes nasceu em Braga, a 16 de julho de 1932. Em 1935, a família foi viver para Vila Nova de Gaia.


Recebeu de seu pai - o escultor Joaquim Fernandes Gomes - as primeiras lições de desenho. No Porto, estudou na Escola de Artes Decorativas Soares dos Reis (1943-1946) e cursou pintura na Escola de Belas Artes do Porto e na Escola Superior de Belas Artes do Porto (atual Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto), entre 1946 e 1952.


Realizou a primeira de várias exposições individuais na Galeria Portugália (Porto, 1950) e expôs coletivamente desde 1952, em galerias e museus portugueses, espanhóis, franceses, italianos, belgas, macaenses, brasileiros e norte-americanos.


No início da carreira também se interessou pela dança, pela música e pela cenografia, tendo produzido cenários teatrais (1952-1957) para o Teatro Universitário e para o Teatro Experimental do Porto.


Em 1958 partiu para Paris enquanto bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, mais tarde fixando residência em França. Em 1971, foi viver para uma granja em Les Vaux, perto de Yèvre-le-Châtel, onde, anos mais tarde, se instalou definitivamente.


Em 1964 criou desenhos e pinturas para o filme de animação La Brûlure de Mille Soleils, de Pierre Kast e Chris Marker, que ganhou quatro prémios internacionais.

"Au boucher vegetarien", 1969. Óleo sobre tela de Eduardo Luiz que esteve patente, em 2025, na exposição Aula do Visível. Obras da Coleção da Fundação Ilídio Pinho no Edifício Abel Salazar

A sua obra está representada em vários museus e coleções, públicas e privadas – no Museu de Arte Erótica de São Francisco (EUA), no Museu de Arte Moderna da Cidade de Paris, França, na Coleção Manuel de Brito (CAMB, Algés), Portugal, no acervo do Millennium BCP, na Secretaria de Estado da Cultura e no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, Portugal.


Em 1990, a Fundação Calouste Gulbenkian organizou duas mostras antológicas da pintura de Eduardo Luiz - a “Exposição Retrospetiva”, patente no Centro de Arte Moderna da FCG, em Lisboa, e “Eduardo Luiz 1932-1988”, na Fondation Calouste Gulbenkian, em Paris.


Em 2006, Victor Candelas realizou o vídeo Eduardo Luiz. Retrato do Artista Desaparecido.


Entre os vários prémios e distinções que lhe foram atribuídos, podem salientar-se o Prémio Jovem Pintura da Galeria de Março (1953) e a Grã-Cruz de Ordem de Sant’ Iago da Espada.


Eduardo Luiz morreu a 30 de abril de 1988, em Yévre-Le-Châtel (França).


Postumamente, foram-lhe dedicadas duas exposições, uma em Macau e outra em Algés - Eduardo Luiz (Galeria de Exposições Temporárias do Leal Senado, 1996) e Eduardo Luiz – Exposição Antológica (Centro de Arte Manuel de Brito, 2009), respetivamente. Mais recentemente, em 2025, o Centro de Arte Manuel de Brito exibiu a mostra Eduardo Luiz na Coleção Manuel de Brito.   



U.Porto - Antigos Estudantes Ilustres da Universidade do Porto: Eduardo Luiz


Fundação Ilídio Pinho

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