ANABELA MOTA RIBEIRO: AS CASAS QUE ESCAVAMOS

“Há uma quantidade industrial de livros escritos no presente”, declarou a Prémio Nobel da Literatura Annie Ernaux ao Louisiana Channel. Referia-se à literatura contemporânea, que parece cada vez mais desinteressada pelo uso de tempos verbais que convocam o passado. “Estamos a extinguir a profundidade do tempo exprimida pela língua” – lamentou. O problema, segundo Ernaux, é que a memória e a esperança estão interligadas. Precisamos sempre das três dimensões: memória do passado, fruição do presente e esperança no futuro. Sem o passado, ficamos enredados no presente.


Ao ouvir as declarações de Ernaux, percebi por que razão gostei tanto de Na Casa da Minha Mãe, de Anabela Mota Ribeiro. No romance, a espessura do passado faz-se sentir por duas vias: Conceição escreve depois da morte do pai; Ester escreve enquanto a mãe se aproxima lentamente da ausência. Uma confronta-se com a perda consumada, a outra com a sua iminência. Para ambas, porém, a única forma de seguirem em frente será regressando a uma casa e a uma forma familiar de estar e de pensar – e, no caso de Ester, a uma vergonha social inscrita numa longa genealogia de vozes e corpos femininos.


A relação entre presente e passado não é, contudo, linear. Se existe uma relação de causalidade, ela será oblíqua e discernível apenas através de escavações sucessivas. Em Na Casa da Minha Mãe, escrever equivale a investir numa campanha arqueológica: na remoção, vagarosa e insistente, das camadas da existência até que palavras, gestos, medos, objetos e silêncios deixem entrever, no subsolo, as suas formas – que Conceição e Ester terão de reconhecer e cuidar para poderem ressignificar.


De início, a escrita de Conceição, embora reflexiva, é contida e estruturante. É ela quem estabelece o enquadramento da narrativa: o luto pelo pai – psicanalista –, a descoberta do diário de uma paciente, Ester, e o encaixe da história desta na narrativa que compõe o romance. Conceição organiza; Ester deriva. “A angústia não tem fio narrativo” – argumenta esta última. E por isso escreve sob o efeito da angústia: avança, recua, interrompe-se, associa, regressa, sonha, salta entre tempos e imagens. Apesar das suas derivas, contudo, Ester revela uma forte autoconsciência narrativa, interrogando-se constantemente sobre o próprio ato de escrita, revendo frases, comentando os seus gestos e hesitações – e chegando mesmo a corrigir graficamente algumas palavras. Neste processo, contamina Conceição ao ponto de a distinção entre as duas vozes se tornar porosa, como se uma aprendesse a respirar pela outra.


O romance atinge o seu clímax quando as duas filhas deixam de ocupar territórios separados – na verdade, no momento em que deixamos de perguntar “quem está a falar?” para começarmos a perguntar “porque é que estas vozes se reconhecem tanto uma na outra?”. A resposta a esta questão é simples: porque, embora com biografias diversas, as duas mulheres necessitam de se reposicionar em relação às suas origens. Conceição, a “filha do seu pai” (como se define logo no início do romance), tem de ultrapassar a vulnerabilidade ontológica que lhe trouxe o luto: a sensação de desproteção e interrupção da continuidade do eu que agora sente e lhe suscita fascínio pela ruína. Ester terá de ultrapassar a sensação de “despertença” que a mantém em suspenso entre o universo popular, rural e feminino do interior do Norte do país, de onde provém, e os espaços culturais e sociais a que ascendeu pela inteligência e pela educação. Ambas têm em comum uma sensação de “deslibido” – um feliz neologismo que traduz a dificuldade que sentem em desejar – não apenas em termos sexuais, mas também existenciais.


Mexendo nas feridas, Conceição e Ester reconciliam-se com o passado – e, estão, por isso, preparadas para perspetivarem um futuro diferente do presente. Conceição transforma a ausência do pai numa presença incorporada; percebendo que as pessoas não desaparecem inteiramente, deixa de viver a morte como rutura para a pensar enquanto continuidade. E Ester, regressando ao Norte interior, às mulheres da família, às palavras da mãe, aos objetos e aos ritmos do trabalho, compreende que a língua da origem não era um estigma, mas um dos seus alicerces mais profundos. “Hoje repito as frases da minha mãe sem pudor”, afirma. “Imersas no dialeto que se falava em nossa casa, foram sempre minhas, elementos constitutivos de quem sou. A diferença é que deixei de rejeitar a identificação”.


No dia da apresentação do seu livro, na Galeria da Biodiversidade, ouvi Anabela Mota Ribeiro declarar: “Só na semana passada dei conta de que Ester sou eu”. E fiquei a pensar: talvez escrever seja isto – escavar as casas dos outros até percebermos, demasiado tarde ou finalmente a tempo, que a casa que andávamos a escavar era também a nossa.



Fátima Vieira
Vice-Reitora para a Cultura e Museus

Casa Comum exibe obras-primas do cinema expressionista alemão

Ciclo de cinema inserido no projeto Cine  Vandoma inclui quatro sessões, a decorrer ao longo de todo o mês de  junho. Entrada livre.

 O ciclo de cinema expressionista vai encerrar com a exibição do icónico Metropolis, de Fritz Lang. Foto: DR

De 3 a 26 de junho, os “habitantes” da Casa Comum (à Reitoria) da Universidade do Porto vão ter a oportunidade de explorar um movimento artístico e cinematográfico que se destacou pelas técnicas inovadoras, recurso às artes gráficas, e a performances (e maquilhagem) dramáticas: o Expressionismo Alemão dos anos 20.


O projeto Cine Vandoma nasceu durante a pandemia de Covid-19 como um espaço de partilha cinematográfica entre amigos, afirmando-se hoje como um ciclo aberto ao público, dedicado à descoberta  e reflexão em torno do cinema.


Este Ciclo de Cinema Expressionista Alemão que  trazem à Casa Comum, programado por Rui Sousa, propõe uma viagem pelo Expressionismo Alemão dos anos 20, um dos movimentos mais influentes da  história do cinema, marcado por cenários distorcidos, jogos intensos de  luz e sombra e narrativas sombrias que exploram o medo, a loucura e a  alienação.


A decorrer ao longo de quatro noites de junho, a iniciativa vai  apresentar quatro obras fundamentais do movimento. O arranque acontecerá dia 3 de junho, quarta-feira, às 21h30, com a exibição de Das Cabinet des Dr. Caligari, de Robert Wiene (1920).


Considerado o ponto de partida do cinema expressionista, este filme rompe com o realismo ao criar um mundo inteiramente subjetivo. Com  cenários pintados, perspetivas impossíveis e atuações estilizadas, o  filme reflete uma mente fragmentada e instável. A narrativa, centrada na  manipulação e na autoridade, transforma o espaço visual numa metáfora  do trauma psicológico e da submissão social. Funcionou como uma espécie  de porta de entrada para o universo expressionista.

Das Cabinet des Dr. Caligari será o filme de arranque deste ciclo. (Foto: DR)

Dia 12 de junho, sexta-feira, também às 21h30, será projetado Der Golem, de  Paul Wegener (1920). Inspirado na lenda judaica do Golem, o filme  encarna o expressionismo numa dimensão mítica, arcaica e mais  filosófica, abordando questões como a criação, a identidade e a  rebelião. O corpo do monstro que nos surge como uma escultura animada evoca o conflito entre criação e destruição. O medo nasce da perda de  controlo sobre aquilo que se cria. A criatura de barro que vai ganhando vida e se revolta contra o criador serve de metáfora das ansiedades  sociais e tecnológicas da época.


Neste ciclo de clássicos, não poderia faltar Faust, de F. W. Murnau (1926). Dia 19 de junho,  outra sexta-feira, as luzes vão apagar-se para ficar com uma obra que é simultaneamente transição e síntese. Murnau usa luz e sombra com um  rigor pictórico para representar o combate entre o bem e o mal. Nuvens,  paisagens e corpos tornam-se extensões morais do drama humano, elevando o cinema a uma dimensão quase metafísica.


Culminação e despedida só poderiam ter um título: Metropolis. Com a estética monumental a atingir o ponto máximo, este filme de Fritz Lang (1927) projeta um futuro de angústias. A cidade-máquina, os contrastes verticais e a coreografia dos corpos traduzem a luta de classes, mas também a desumanização industrial. Com Metropolis,  a estética expressionista não só ganha como se torna influência duradoura no cinema de ficção científica. Para ver (ou rever) na noite de  26 de junho.


As quatro sessões têm início às 21h30 e entrada livre, ainda que limitada à lotação do espaço. 


Fonte: Notícias U.Porto

The Gift apadrinham sete anos da Mentoria U.Porto

Um Piano e Uma Voz é a proposta que a banda de Alcobaça vai apresentar na noite de 9 de junho, no Auditório da FEUP.  Entrada gratuita.

Nuno Gonçalves (piano) e Sónia Tavares (voz) vão conduzir uma viagem pelos temas mais emblemáticos da banda de Alcobaça. Foto: Sérgio Paciência/DR

A Mentoria U.Porto prepara-se para celebrar os seus sete anos de existência com um momento especial. Para assinalar esta data, o programa de Mentoria da Universidade do Porto recebe um dos  nomes mais marcantes e reconhecidos da música portuguesa: os The Gift.


Será na noite de 9 de junho, a partir das 21h30, que o Auditório da Faculdade de Engenharia (FEUP) acolherá um concerto único da banda de Alcobaça, num formato raro e intimista.


Num registo mais próximo e envolvente, o espetáculo Um Piano e Uma Voz vai  juntar em palco o piano de Nuno Gonçalves e a voz singular de Sónia  Tavares para uma viagem pelos temas mais emblemáticos da banda.


A iniciativa integra o programa comemorativo do aniversário da  Mentoria U.Porto, que ao longo deste ano assinala sete anos de impacto  na vida académica de milhares de estudantes da Universidade.


As comemorações culminarão com a realização das V Jornadas da Mentoria U.Porto, agendadas para o próximo dia 17 de junho, na Faculdade de Medicina (FMUP).

Entrada gratuita, mas…

A entrada para o concerto é gratuita e aberta à comunidade, estando apenas sujeita à lotação do Auditório da FEUP.


Os bilhetes podem ser levantados (até um máximo de dois por pessoa) nos dias 5 e 8 de junho, em vários espaços da U.Porto.


Os locais de levantamento serão divulgados brevemente através do site e das redes sociais da Mentoria U.Porto.

Sobre os The Gift

Com mais de 30 anos de carreira, os The Gift são um dos projetos  musicais portugueses com maior reconhecimento nacional e internacional.  Formados em Alcobaça, em 1994, construíram um percurso singular e  independente, marcado pela inovação contínua, pela reinvenção artística e  pela criação de uma identidade musical própria, consolidada ao longo de  décadas.


Ao longo da sua trajetória, a banda alcançou uma projeção expressiva,  ultrapassando os 30 milhões de visualizações no YouTube e afirmando-se  como uma presença constante em palcos internacionais de referência,  onde tem atuado e esgotado algumas das mais importantes salas de  espetáculo.


Os The Gift destacam-se ainda pela forte dimensão performativa dos  seus concertos, onde som, imagem e conceito se fundem numa experiência  artística completa. 


Fonte: Notícias U.Porto

Junho na U.Porto

Para conhecer o programa da Casa Comum e outras iniciativas, consulte a Agenda Casa Comum ou clique nas imagens abaixo.

Inventarium: Derivas da Forma | Exposição de Ana Aragão

13 ABR a 12 SET'26 
Exposição | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

YUGEN [幽玄]: UMA REITERAÇÃO POÉTICA DO JAPÃO | Exposição

15 ABR a 12 SET'26
Exposição | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

3º. ENCONTRO NACIONAL PRESCRIÇÃO CULTURAL 

02 JUN'26 | 10h00-17h30
Encontro | Reitoria da U.Porto
Entrada Livre. Mais informações e inscrições aqui

The Wind that Shakes the Barley, de Ken Loach | Green on The Screen , JRAAS Cinema Cycle

02 JUN'26 | 18h00
Cinema | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações  aqui

Cine Vandoma | Ciclo de Cinema Expressionista Alemão 

03, 12, 19 e 26 JUN'26 | 21h30
Cinema | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

Roberto Rosca | A arte da sonata: da Alemanha à Austrália | A caminho do solstício - um ciclo musical

05 JUN'26 | 18h00
Música | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

OLHARES SOBRE A ANIMAÇÃO PORTUGUESA, 3.ª E 4.ª EDIÇÃO | Apresentação dos livros 

06 JUN'26 | 16h00
 Apresentação de livros | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

GROUNDS FOR SPECULATION | BEAST - International Film Festival 

06 JUN'26 | 19h00
Cinema | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

[CON]TEXTUALIDADES | Encontros de Poetas | Da Extinção

08 JUN'26 | 18h30
Poesia | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações  aqui

[CON]TEXTUALIDADES | Encontros de Poetas | Sismo

15 JUN'26 | 21h30
Poesia | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui 

Club di Lettura Italiano 2025 |  Clube de Leitura Italiano 2026 

10 SET, 30 OUT e 10 DEZ'26 | 19h30
Literatura | Casa Comum e ASCIPDA
Entrada Livre. Mais informações e inscrições aqui

Gemas, Cristais e Minerais

Exposição | Museu de História Natural e da Ciência U.Porto
Entrada Livre. Mais informações aqui 

E se?… Constelações de Modos de Viver o Espaço Urbano

Até 29 SET'26 
Exposição | Fundação Marques da Silva
Mais informações aqui

FRONTISPIECE | PRECIPICE

Até 27 JUN'26 
Exposição | Fundação Marques da Silva
Mais informações aqui

Corredor Cultural

Condições especiais de acesso a museus, monumentos, teatros e salas de espetáculos, mediante a apresentação do Cartão U.Porto.
Mais informações aqui

Novo livro conta a história do Círculo Universitário do Porto

A Casa do Círculo, publicado pela Editora da Universidade do Porto, será apresentado publicamente a 1 de junho, no edifício da Reitoria da U.Porto. A entrada é livre.

Esta obra, coordenada pelos investigadores Armando Malheiro, Carla Garrido de Oliveira e Ernesto Português, traça o percurso do edifício que alberga o Círculo Universitário do Porto, desde a pertença a várias famílias até ser adquirido pela Universidade do Porto, na década de 1980. / FOTO: U.Porto Press

"A Casa do Campo Alegre terá sido construída, muito provavelmente, na  segunda metade da década de 60 do século XIX”, sendo que “todos os  indícios apontam para que (…) tenha sido primeiramente edificada pelo  industrial e capitalista José Inácio Ferreira Roriz (…)".


A contextualização é feita por Armando Malheiro, Carla Garrido de Oliveira e Ernesto Português, coordenadores de A Casa do Círculo, obra que traça o percurso do edifício que atualmente alberga o Círculo Universitário do Porto.


O trabalho desenvolvido por estes investigadores, agora vertido em  livro, aborda, também, a pertença do edifício a várias famílias, desde a  sua construção, no século XIX, até à aquisição pela Universidade do  Porto (U.Porto), na década de 1980.


A Casa do Círculo, livro recentemente publicado pela U.Porto Press, na sua coleção Atelier, será apresentado publicamente a 1 de junho, a partir das 18h00, no Auditório da Casa Comum – Reitoria da U.Porto (Praça Gomes Teixeira).


A apresentação da obra ficará a cargo de Manuel Luís Real, que foi Diretor do Departamento Municipal de Arquivos da Câmara  Municipal do Porto, Professor Convidado da Faculdade de Letras da  U.Porto e curador científico da exposição A Urgência da Cidade: o Porto e 100 anos de Fernando Távora.


A entrada é livre.

A Casa do Círculo: evolução histórica e arquitetónica

Segundo os coordenadores desta obra, o objetivo que os motivou a  avançar com a publicação foi “defender a preservação de um património público que a Universidade do Porto assumiu valorizar”.


No seu prefácio a esta edição, Fátima Vieira, Vice-Reitora da U.Porto  para a Cultura e Museus, realça igualmente “um gesto essencial de  cuidado patrimonial” que, conforme defende, A Casa do Círculo traduz: “conservar um lugar ou um edifício é também estudar a sua  história, interpretar as suas transformações e transmitir a memória que  lhes dá sentido”.


A também Presidente da Fundação Marques da Silva (onde está  depositado o acervo de Fernando Távora) considera que A Casa do Círculo  “constitui, neste sentido, um caso particularmente significativo”.


“A história reconstituída neste volume cruza a expansão urbana do Campo Alegre, os modos de habitar de diferentes famílias portuenses, a  transformação de uma casa privada em património público e a intervenção,  nesse processo, de figuras fundamentais da arquitetura portuguesa”,  afirma, destacando os nomes do arquiteto Fernando Távora e do arquiteto  paisagista Francisco Caldeira Cabral “na adaptação da Casa do Círculo a  espaço universitário”.


Assim, entende que “O livro mostra como a relevância da Casa do Círculo decorre tanto do valor arquitetónico do edifício como da  densidade histórica e institucional que este foi adquirindo ao longo do  tempo”.

Através  desta publicação dá-se a conhecer a investigação desenvolvida em torno  da história e valor arquitetónico do edifício. (Foto: U.Porto Press)

Fátima Vieira destaca “um dos méritos fundamentais desta obra (…) na  forma como reuniu, cruzou e interpretou” um “conjunto heterogéneo de  materiais, produzindo, pela primeira vez, uma leitura integrada da Casa  do Círculo enquanto objeto arquitetónico, urbano, social e  institucional”.


Destaca, ainda, a interdisciplinaridade do trabalho realizado,  articulando áreas como História, Arquitetura, Urbanismo ou Paisagem,  como fator distintivo da investigação realizada, e um dos aspetos que  considera mais interessantes da leitura proposta pelos autores: “A  atenção dada à relação entre edifício e jardim, à permanência de uma  certa escala doméstica e à continuidade entre arquitetura, paisagem e  vida quotidiana”.


Para Fátima Vieira, este volume constitui “um contributo  particularmente relevante para o estudo e valorização do património  universitário”.


Os coordenadores da obra realçam que todo o processo evolutivo da  casa, “no plano histórico e arquitetónico”, está refletido na obra, “que  inclui a partilha de conversas com especialistas da transformação”.


Referem-se, ainda, ao Pólo do Campo Alegre, onde o Porto se constitui  “como uma grande ‘casa urbana’”, sendo que “a Universidade organiza as  suas casas-compartimentos institucionais, e a Casa do Círculo é a Casa  de encontro entre as duas escalas”.


A Casa do Círculo está disponível na loja online da U.Porto Press, com 10% de desconto e portes grátis. 


Fonte: U.Porto Press

Editora da U.Porto presente na Feira do Livro de Lisboa 2026

As publicações da U.Porto Press podem ser encontradas no renovado Espaço dos Pequenos Editores (pavilhão E01). A iniciativa decorre até 14 de junho, no Parque Eduardo VII.

A U.Porto Press apresenta as suas mais recentes novidades neste festival literário. As áreas temáticas são diversas e um terço dos livros está à venda por menos de 10 euros. / Foto: U.Porto Press

Dando continuidade à presença regular dos últimos anos, a U.Porto Press está novamente representada na Feira do Livro de Lisboa!


A 96.ª edição de um dos maiores festivais literários do país volta a reunir dezenas de editores, livreiros e alfarrabistas no Parque Eduardo VII. Até 14 de junho há livros e livros a perder de vista, para todos os gostos de leitura.


São “cerca de 900 chancelas, em 350 pavilhões, tornando esta a  livraria com maior oferta do país”, informa a organização do evento.


Os livros da Editora da U.Porto podem ser encontrados no Espaço dos Pequenos Editores – pavilhão E01, localizado junto à entrada sul do recinto (próxima da rotunda do Marquês de Pombal).


A oferta da U.Porto Press é variada, desde as Ciências Exatas e Naturais, passando pelas Ciências Sociais ou pelas Artes, até às Ciências Humanas, com destaque para as suas mais recentes publicações.


A Editora da U.Porto reserva preços especiais para os visitantes da 96.ª Feira do Livro de Lisboa: um terço dos seus livros está à venda por menos de 10 euros, havendo oportunidades abaixo dos 5 euros.

A Renovação do Espaço dos Pequenos Editores

No ano em que renovou o protocolo com a Câmara Municipal de Lisboa  por mais três anos, a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros  (APEL), entidade responsável pela organização da Feira, reajustou o  recinto no sentido de tornar o percurso mais intuitivo e funcional e  oferecer uma experiência de visita mais coerente e fluida.


Mas, entre as novidades desta edição, “destaca-se a renovação do  Espaço dos Pequenos Editores, um equipamento icónico da Feira do Livro  de Lisboa, que traduz o compromisso da APEL com a diversidade editorial e  com a valorização de projetos que procuram afirmar-se no mercado  editorial”, afirma fonte da APEL. Segundo a mesma fonte, “Este espaço  foi objeto de uma aposta reforçada, pela riqueza e pluralidade que traz à  Feira”.

O  Espaço dos Pequenos Editores está no pavilhão E01, situado junto à  entrada sul do recinto, próxima da rotunda do Marquês de Pombal. (Foto:  DR)

"Ao renovar este espaço, a APEL procura criar melhores condições de  visibilidade, conforto e participação, reconhecendo que a vitalidade do  setor do livro depende também da capacidade de acolher novas vozes,  novos catálogos e novas formas de editar".


A 96.ª Feira do Livro de Lisboa estará aberta ao público nos seguintes horários: de segunda a quinta-feira, entre as 12h00 e as 22h00; à sexta-feira e  vésperas de feriado, entre as 12h00 e as 23h00; ao sábado, entre as  10h00 e as 23h00, e ao domingo e feriados entre as 10h00 e as 22h00.


Há, assim, horários especiais a considerar nos dias 3 e 9 de junho (12h00-23h00) e 4 e 10 de junho (10h00-22h00).


A entrada é livre. 


Fonte: U.Porto Press

Há novos podcasts no espaço virtual da Casa Comum

205. Peixe limpador, Chantal Guilhonato

“Peixe limpador”, de Chantal Guilhonato, in Peixes Carnívoros, 2025, p. 30. 

5. Mafalda Almeida

Natural de Coimbra, Mafalda Almeida entrou na FCNAUP em 2019 e foi  presidente da Associação de Estudantes em dois mandatos (2021/2022 e  2022/2023) já nas novas instalações da Casa da Nutrição, no Campo  Alegre. É a mais nova nutricionista entrevistada ao longo dos cinco  episódios deste podcast.


128. Lulu in Berlin, de Richard Leacock, Susan Woll (1984)

Comentário de Carla Gomes (Curso Avançado de Documentário KINO-DOC)

129. Cabeças que Falam, de Krzysztof Kieslowski (1980)

Comentário de José Figueira (Curso Avançado de Documentário KINO-DOC)

6. João Peças Lopes

João Peças Lopes é uma das mais influentes  referências europeias na área da energia elétrica e dos sistemas  elétricos, e o seu percurso combina excelência académica, investigação  aplicada e impacto no serviço público através da ciência e da  engenharia. Peças Lopes doutorou-se em Engenharia Eletrotécnica e de  Computadores pela FEUP em 1988, instituição onde iniciou a sua carreira  docente em 1981 e onde exerceu funções como professor catedrático até  2025. É atualmente professor emérito da Universidade do Porto. Ao longo de mais de quatro décadas,  desenvolveu trabalho de investigação e inovação com impacto direto na  forma como a energia elétrica é produzida, distribuída e utilizada, em  Portugal e internacionalmente. Foi administrador do INESC TEC e é  atualmente diretor da instituição, coordenando projetos estratégicos  como o GreenH2Atlantic, focado na produção de hidrogénio verde em larga  escala em Sines, com contributos decisivos para a transição energética e  a sustentabilidade. Especialista em integração de energias renováveis, microrredes, smart grids e mobilidade elétrica, liderou projetos em Portugal, Cabo Verde e  Brasil, contribuindo para soluções que reforçam o acesso à energia e a  resiliência dos sistemas elétricos. Com mais de 450 artigos científicos  publicados e tendo orientado mais de 40 teses de doutoramento, o seu  trabalho tem sido amplamente reconhecido pelo impacto na modernização do  setor da energia elétrica. Neste episódio do Alumni Mundus Serviço  Público, exploramos um percurso onde a ciência e a engenharia se afirmam  como formas de serviço à sociedade.


Mais podcasts AQUI


Alunos Ilustres da U.Porto

Eduardo Malta

Eduardo Malta (1900-1967). Autorretrato de Eduardo Malta de 1955 © Museu José Malhoa

Eduardo Malta nasceu no Largo de São João, na cidade da Covilhã, a 28 de outubro de 1900. Filho de Manuel Morais, era parente do escultor Manuel Morais e do escritor Raul Brandão.


Desde a infância exibiu os seus dotes de artista. Aos 4 anos de idade já fazia desenhos de espantar e aos 9 imitava na perfeição os selos postais. Foi, assim que, com toda a naturalidade, depois de concluídos os estudos primários na Covilhã, se matriculou com 10 anos de idade na Escola de Belas Artes do Porto, contrariando o desejo do seu pai de o ver seguir Medicina, mas cumprindo a sua vocação.

Nos sete anos seguintes estudou na ESBAP, escola onde, entre outros, teve por mestre o pintor naturalista Marques de Oliveira (1853-1927).


Durante a sua carreira retratou políticos, membros da alta sociedade e das artes, de Portugal, Espanha e Brasil, e ainda figuras do povo. São famosos, por exemplo, os seus retratos de António de Oliveira Salazar, do Presidente da República Craveiro Lopes, do Cardeal Cerejeira, do poeta Teixeira de Pacoaes, do escritor Aquilino Ribeiro, do banqueiro e colecionador de arte Ricardo do Espírito Santo Silva, da fadista Amália, do ditador espanhol General Primo de Rivera (retrato equestre), obra muito bem recebida em Madrid e que lhe granjeou fama internacional, ou do Presidente Brasileiro Getúlio Vargas.


Com o pintor coevo Henrique Medina (1901-1989) partilhou o epíteto de retratista do regime; no entanto, produziu outro tipo de obras, como estudos de nus (desenhos e pinturas), ilustrações e desenhos destinados a livros (de Henrique Galvão, de Augusto de Santa Rita, de João de Vasconcellos e Sá, etc.), edições do jornal O Século e, ainda, cenários para a revista teatral O País da Guedelha (1921), criada pelo jornalista Mário Quintela (1872-1956), assim como maquetas de cenário para a Companhia Rey Colaço — Robles Monteiro, entre 1927 e 1940.


Expôs em Lisboa, em Madrid, em Paris, em Londres e no Rio de Janeiro. Foi membro da Academia de Belas Artes e membro correspondente da Real Academia das Artes de San Fernando, Madrid.


Foi também escultor, escritor de romances e de livros sobre arte, intérprete cinematográfico, conferencista, cronista em programas de rádio e colaborador de publicações periódicas, portuguesas e estrangeiras.


Não foi, nunca, uma figura consensual, tendo-se envolvido em várias polémicas no seio do meio artístico. Em 1952, durante a eleição de júris para a escolha de trabalhos a apresentar ao Salão Primavera, Malta acusou injustamente José Dias Coelho (1923-1961) de práticas desonestas, um episódio que desencadeou a sua expulsão da Sociedade Nacional de Belas Artes e o encerramento temporário desta instituição. Sete anos mais tarde, em 1959, ao ser nomeado Diretor do Museu Nacional de Arte Contemporânea (1959-1967), sucedendo ao escultor Diogo de Macedo, foi alvo de vivos protestos de artistas e críticos de arte.


No início dos anos 60 comprou em hasta pública o Solar da Praça de Santa Maria (também conhecido como Solar dos Brito Pegada) no centro de Óbidos, um edifício maneirista remodelado após o terramoto de Lisboa de 1755, para o oferecer à sua mulher Dulce e que mais tarde restaurou para ambos o habitarem.


Este pintor conservador e academista faleceu a 30 de maio de 1967, na sua casa de Óbidos, hoje convertida em museu municipal.



U.Porto - Antigos Estudantes Ilustres da Universidade do Porto: Eduardo Malta



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