PARA QUE SERVEM OS MAPAS

Sempre gostei de mapas. Lembro-me do mapa de Portugal na parede do quarto dos meus irmãos. O meu pai desenhara uma longa secretária, junto à janela, com três reentrâncias para as cadeiras, e a minha mãe improvisara, assim, a sua escola primária privada. Era lá que os meus dois irmãos e eu fazíamos os deveres de casa, todos os dias. O mapa tornou-se especialmente importante para o meu exame de 4.ª classe.


Tínhamos então de decorar listas extensas de rios, serras, linhas férreas, distritos, produtos agrícolas e datas históricas – não só de Portugal Continental e Ilhas, mas também das “Províncias Ultramarinas”, na lógica de um país (assim nos ensinavam) “pluricontinental”. O tão temido exame testava, sobretudo, a nossa memória, mas a minha mãe, que abandonara o ensino quando se casou, quis contrapor à memorização um ensino experiencial e, por isso, planeava com o meu pai pequenas viagens pelo país.


Uma visita à Serra da Estrela, por exemplo, dava-nos a conhecer a nascente do Mondego, os vales glaciares, os pequenos povoados e a localização da serra mais alta de Portugal Continental. Se, nos livros, aprendíamos que o Alentejo era o celeiro de Portugal, confirmávamos a lição percorrendo imensas searas douradas interrompidas, aqui e além, por longas filas de oliveiras. E não conseguia pensar em Guimarães sem associar a cidade ao seu castelo “altaneiro” (uma palavra que aprendi nos livros de História). Os meus pais davam, deste modo, ao mapa do nosso país, a espessura da vida real que lhe faltava.


Mais tarde, já docente na FLUP, recebi do meu colega e amigo geógrafo João Garcia as mais belas lições sobre mapas medievais. Estes são absolutamente fascinantes, pois não cumpriam apenas uma função geográfica: eram também instrumentos religiosos, históricos, morais e imaginativos. Num mesmo mapa, podiam coexistir cidades reais, episódios bíblicos, monstros marinhos, povos fantásticos e ilhas lendárias; registavam coisas a que hoje chamaríamos "invisíveis": crenças, memórias, tradições orais, lendas de viajantes e conhecimentos herdados da Antiguidade. O objetivo, então, não era representar o mundo com a exatidão moderna, mas dar-lhe um sentido.


Vêm estas memórias a propósito do Mapeamento Cultural da Universidade do Porto, cujo processo de recolha de dados demos por concluído no passado mês de maio. Propusemo-nos, com esta iniciativa, atingir dois objetivos. O primeiro – mais fácil – prendeu-se com a identificação dos auditórios, bibliotecas, museus, galerias e outros espaços e equipamentos utilizados pela nossa comunidade académica para a realização de atividades culturais – no fundo, as infraestruturas democráticas básicas que permitem que a cultura seja promovida por todos e chegue a todos. O segundo – bem mais exigente – procurava tornar visível aquilo que normalmente não aparece nos mapas: os grupos que ensaiam depois das aulas (são mais de 50!), os estudantes que organizam festivais; os investigadores que desenvolvem projetos culturais; os técnicos que dão vida aos museus e bibliotecas; os docentes que promovem ciclos de cinema, exposições ou debates; as associações, os coletivos, as orquestras, os grupos de teatro, dança e canto, as tunas, os projetos informais e as redes de colaboração que atravessam a universidade. Mais do que mapear os lugares de cultura, propusemo-nos mapear a comunidade que os faz existir.


Dei comigo a imaginar como poderíamos representar todos estes dados numa folha de papel. Hoje sabemos representar edifícios, medir audiências, contar atividades e produzir infografias, apresentando os dados com absoluta exatidão. Mas desaprendemos a forma de representar aquilo que dá sentido a isso tudo. Num mapa medieval da U.Porto, a Casa Comum talvez surgisse como uma praça central onde convergem caminhos vindos de muitos lugares. As bibliotecas apareceriam como casas do conhecimento; os museus, como guardiões da memória; e os mais de cinquenta grupos identificados pelo mapeamento surgiriam como aldeias vivas espalhadas pelo território universitário. Aquilo a que hoje chamamos "redes de colaboração" seria representado por caminhos, pontes e rios. Um cartógrafo medieval encontraria forma de representar também o que é “invisível”: as memórias, os entusiasmos, os encontros improváveis e as formas de pertença que sustentam uma comunidade cultural.


Pensando bem, acho que o problema não é termos desaprendido a fazer mapas, mas termos esquecido para que servem.



Fátima Vieira
Vice-Reitora para a Cultura e Museus


Nota 1: O Mapeamento Cultural da Universidade do Porto foi liderado pela Professora Andréa Falcão (do Instituto Federal do Rio de Janeiro), promovido pela Unidade de Cultura da Reitoria em parceria com o recém-criado Observatório da Arte e da Cultura no Ensino Superior (do Instituto de Sociologia da FLUP) e integrado numa iniciativa mais vasta do Plano Nacional das Artes de mapeamento cultural das várias instituições de ensino superior nacionais. Deixo aqui o meu agradecimento a todos os diretores e coordenadores de unidades orgânicas, departamentos, centros de investigação, museus, bibliotecas e grupos culturais formais e informais que responderam ao inquérito. O Mapeamento Cultural da U.Porto, bem como o Perfil Cultural da nossa universidade, que está a ser traçado com base em inquéritos lançados à comunidade académica, serão instrumentos essenciais para a definição das políticas culturais da nossa universidade nos próximos anos – dados que deixamos como legado da presente gestão da U.Porto.


Nota 2: Não poderia estar mais feliz com a nomeação do Professor José Varejão para Vice-Reitor para a Cultura e Relações com a Sociedade: um bom amigo e um humanista, com um profundo conhecimento da organização dos museus. Desejo-lhe, e a toda a equipa liderada pelo Professor Pedro Teixeira, um excelente mandato!


Nota 3: Ainda terei uma newsletter mais para escrever, antes da tomada de posse da nova equipa reitoral. Entretanto, muito se vai passar na U.Porto: a Festa das Histórias da Cidade, já na próxima terça-feira, dia 9, às 21:30 (um espectáculo itinerante entre a Reitoria, o Tribunal da Relação, o Centro Português de Fotografia e o Museu de História Natural e da Ciência da U.Porto [MHNC-UP]; convidamos todos a participar!); o Festival Cultural Maravilhário, com início no dia 15 de junho, com múltiplas atividades entre o Pólo Central, a Galeria da Biodiversidade e o Jardim Botânico e a inauguração de uma exposição temporária no dia 17; e a inauguração, também no dia 15 de junho, da exposição Extraordinário no Comum, que vai comemorar os 21 anos do projeto Geração XXI, do SPUP. Vemo-nos por aí!

Estudantes da U.Porto lideram "roteiro" pelas histórias da cidade

A Festa das Histórias da Cidade sai às ruas do Porto na noite de 9 de junho. A liderá-la estarão os grupos de extensão  cultural da U.Porto.

O Edifício da Reitoria será o ponto de encontro para um "roteiro" aberto a toda a população. Foto: Egidio Santos/U.Porto

Com direito a pausa nos locais mais significativos, vamos seguir a  voz dos grupos de extensão cultural da Universidade do Porto e fazer a  pé, em grupo, uma “cartografia das histórias da cidade”. A viagem está  marcada para o próximo dia 9 de junho e terá partida, às 21h30, da fachada principal do Edifício Histórico da Reitoria da U.Porto.


E o que irá, então, acontecer? Uma espécie de visita turística em  grupo e a pé, com direito a breves concertos, canções, debates, ou  performances teatrais de curta duração (de cinco a dez minutos), em  diferentes pontos do percurso. A liderá-los estarão elementos da Sociedade de Debates (SdDUP), do Orfeão Universitário do Porto (OUP), do Coral de Letras (CLUP), do Coro Frenezim e do Núcleo de Etnografia e Folclore (NEFUP) da U.Porto, aos quais se juntarão também estudantes das faculdades de  Desporto (FADEUP), de Belas Artes (FBAUP) e de Medicina (FMUP).


Com início na “casa mãe” da Universidade, o percurso segue depois  para o Jardim da Cordoaria, o Tribunal da Relação do Porto, Largo Amor de Perdição, Centro Português de Fotografia, terminando na Praça de  Parada Leitão (em frente ao Museu de História Natural e Ciência da Universidade do Porto).


Quem e quando se poderá juntar a este “roteiro das histórias”? Qualquer pessoa e em qualquer altura.

A Festa das Histórias da Cidade irá culminar na entrada do MHNC-UP. (Foto: Egidio Santos/U.Porto)

Reforçar o “sentido de comunidade”

A Festa das Histórias da Cidade irá, assim, durante  todo o percurso, criando pontos de ativação do património cultural  material e imaterial, recorrendo e dando voz aos grupos de extensão cultural da U.Porto, nomeadamente aos estudantes que têm também, aqui,  espaço para partilharem as suas próprias histórias.


Esta atividade resulta de uma residência artística que Josefina Fuentes realizou com a comunidade académica da U.Porto. Partindo da força  motriz de criação de “sentido de comunidade”, construíram um projeto  multidisciplinar que procurou celebrar a identidade do Porto, através  das respetivas tradições, palcos, artistas e cidadãos.


Josefina Fuentes dedicou-se ao teatro e à pedagogia teatral na Universidade do Chile, com foco na poética de Antonin Artaud e no método  Alba Emoting de Susana Bloch. Trabalhou corpo, emoção e presença como  base da criação e do ensino, com experiência no Chile, Vietname e  Portugal.


Atualmente, é artista residente na U.Porto, onde desenvolve projetos  de Prescrição Cultural orientados para o desenvolvimento da autoestima, criatividade e bem-estar da comunidade académica. 


Contribuirá igualmente para a Festa Abigail Ascenso, também artista residente na U.Porto, na área das artes visuais.


Fonte: Notícias U.Porto

 ISPUP apresenta o retrato da Geração XXI na Casa Comum

A exposição O Extraordinário no Comum convida  a percorrer 20 anos do projeto de investigação pioneiro, liderado pelo   Instituto de Saúde Pública da U.Porto.

O Geração XXI é um estudo pioneiro que acompanha vida dos participantes desde o período pré-natal até à idade adulta. Foto: DR

A completar 20 anos de existência, o Instituto de Saúde Pública da U.Porto (ISPUPpromove uma exposição sobre o projeto Geração XXI, que acompanha os participantes desde o período pré-natal até à idade adulta. O Extraordinário no Comum inaugura dia 15 de junho, às 17h00, na Casa Comum. Para conhecer até final do mês de setembro.


São painéis informativos que convidam a uma viagem  por duas décadas, mapeando não apenas os pontos-chave da investigação,  mas sobretudo a generosidade das famílias que integram o projeto que, à  data em que foi formalizada a criação do ISPUP, a 14 de julho de 2006,  já acompanhava mais de oito mil mães e os seus recém-nascidos.


Desenvolvido em parceria com a Faculdade de Medicina da U.Porto  (FMUP), o projeto Geração XXI assenta num estudo longitudinal que se  mantém presente ao longo da vida dos participantes desde o período  pré-natal até à idade adulta. Através de uma metodologia rigorosa, o  estudo permite estabelecer relações causais entre as exposições precoces  e respetivas consequências a longo prazo, compreendendo a construção da  saúde na infância, na adolescência e na idade adulta.


Desde o seu início, em abril de 2005, o projeto já recolheu dados de  mais de 8.600 crianças (51% sexo masculino, 49% sexo feminino), cerca de  8.500 mães e cinco maternidades públicas da Área Metropolitana do  Porto. De acrescentar que envolvem estes números jovens, mães, pais,  técnicos e investigadores que formam o capital humano da Geração XXI.

Geração XXI, um projeto para conhecer na Casa Comum. (Foto: DR)

Durante este período de tempo, a Geração XXI consolidou-se como um  observatório geracional, acumulando um biobanco pioneiro de material  biológico e uma vasta base de dados sociais, económicos, comportamentais  e de saúde. Uma infraestrutura científica que fundamenta a produção de ciência reconhecida internacionalmente, dá base à formação de dezenas de  investigadores de diversas áreas científicas e sustenta o planeamento  de políticas públicas.


Os dados revelam que adoecer não é um processo aleatório. Indivíduos  expostos a determinados fatores (biológicos, comportamentais, sociais e  ambientais) em períodos críticos do desenvolvimento têm mais  probabilidade de expressar a doença. Ficamos a perceber que a saúde se  molda antes do nascimento. O período pré-natal e os primeiros anos de  vida são determinantes para o crescimento, a saúde óssea, a programação  metabólica e de doenças futuras, como a obesidade. Que não só a  biologia, mas também o contexto psicológico, social e ambiental moldam a  saúde.


O Extraordinário no Comum faz todo este  percurso de 20 anos de trabalho também para nos ajudar a projetar como queremos que seja o futuro da saúde pública em Portugal. 


Fonte: Notícias U.Porto

Junho na U.Porto

Para conhecer o programa da Casa Comum e outras iniciativas, consulte a Agenda Casa Comum ou clique nas imagens abaixo.

Inventarium: Derivas da Forma | Exposição de Ana Aragão

13 ABR a 12 SET'26 
Exposição | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

YUGEN [幽玄]: UMA REITERAÇÃO POÉTICA DO JAPÃO | Exposição

15 ABR a 12 SET'26
Exposição | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

Papagaios com Alma do Mar | Exposição

09 JUN a 31 JUL'26 
Exposição | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações  aqui

[CON]TEXTUALIDADES | Encontros de Poetas | Da Extinção

08 JUN'26 | 18h30
Poesia | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações  aqui

Festa das Histórias da Cidade | Um Passeio pelo Porto 

09 JUN'26 | 21h30
Festival | Vários locais
Entrada Livre. Mais informações aqui

Balázs Fülei | Os sons da Europa (A caminho do solstício - um ciclo musical) 

11 JUN'26 | 18h00
Música | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

Uma Porta de Vidro Entre o Céu e o Inferno | Apresentação do livro 

12 JUN'26 | 18h30
Apresentação de livro | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

Cine Vandoma | Ciclo de Cinema Expressionista Alemão 

12, 19 e 26 JUN'26 | 21h30
Cinema | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

Tardes de Matemática |  O Problema de Basileia 

13 JUN'26 | 16h00
Palestra | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

Nova Música, Novos Intérpretes

13 JUN'26 | 21h30
Música | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

[CON]TEXTUALIDADES | Encontros de Poetas | Sismo

15 JUN'26 | 21h30
Poesia | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui 

Club di Lettura Italiano 2025 |  Clube de Leitura Italiano 2026 

10 SET, 30 OUT e 10 DEZ'26 | 19h30
Literatura | Casa Comum e ASCIPDA
Entrada Livre. Mais informações e inscrições aqui

E se?… Constelações de Modos de Viver o Espaço Urbano

Até 29 SET'26 
Exposição | Fundação Marques da Silva
Mais informações aqui

FRONTISPIECE | PRECIPICE

Até 27 JUN'26 
Exposição | Fundação Marques da Silva
Mais informações aqui

Gemas, Cristais e Minerais

Exposição | Museu de História Natural e da Ciência U.Porto
Entrada Livre. Mais informações aqui 

Corredor Cultural

Condições especiais de acesso a museus, monumentos, teatros e salas de espetáculos, mediante a apresentação do Cartão U.Porto.
Mais informações aqui

Obra do pintor Nadir Afonso em análise em novo livro da U.Porto Press

O livro Nadir Afonso: para uma harmonia do ato tem lançamento marcado para 11 de junho, na Reitoria da U.Porto. Entrada livre.

Este é um ensaio sobre os enunciados estéticos de uma das mais singulares e importantes teorias artísticas do século XX. / FOTO: U.PORTO PRESS

Nadir Afonso, arquiteto, pintor e reconhecido pensador português, pioneiro do movimento cinético internacional, é a  figura central de uma nova publicação da U.Porto Press.


Nadir Afonso: para uma harmonia do ato, de Rodrigo Magalhães, “é um ensaio sobre os enunciados estéticos de uma das mais singulares e  importantes teorias artísticas do século XX”, defende o autor, doutorado em História da Arte.


Nas suas palavras, a arte de Nadir Afonso deriva da “pura intuição  assente nas leis da natureza”, considerando que a sua posição no  território estético “é de excentricidade, ou melhor, de descentramento  de qualquer ‘imperativo categórico’ (…) formulado pela lógica vigente”.


O lançamento desta publicação conjunta da U.Porto Press e da Fundação Nadir Afonso terá lugar a 11 de junho, a partir das 18h00, na Reitoria da U.Porto (Biblioteca do Fundo Antigo).


A apresentação da obra ficará a cargo de Maria de Fátima Lambert,  Professora Coordenadora de Estética e Educação na Escola Superior  Educação/Politécnico do Porto e coordenadora da linha de investigação em  Cultura, Arte e Educação do InED – Centro de Investigação e Inovação em Educação (FCT)/ESE-P.Porto, Rui Maia, Professor Auxiliar da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e membro  integrado do Centro de Investigação Transdisciplinar «Cultura, Espaço e  Memória» (CITCEM/FLUP), e Maria Nassalete Miranda, Professora convidada da Universidade Lusófona do Porto e fundadora/diretora do jornal As Artes entre As Letras.


A entrada é livre.

A singularidade da obra e do pensamento nadiriano

Segundo Rodrigo Magalhães, autor de Nadir Afonso: para uma harmonia do ato, o objetivo deste ensaio é “revelar as possibilidades harmoniosas” de compreensão do “espaço compositivo de um corpus de obra de um artista/pensador que entende os meios de aceder à essência  fulcral da arte através de uma imutabilidade geométrica intuída na  natureza”.


Este espaço compositivo é descrito como “o espaço preferencial de  ação desmemoriada e sem linguagem intelectiva para o capturar”, já que,  como também refere o autor, a propósito da obra nadiriana, “a arte não  envolve pensamento, nem estruturação ancorada na razão e imaginação, mas pura intuição assente nas leis da natureza”.


Para Rodrigo Magalhães, a teoria de Nadir Afonso “reforça a  vitalidade das relações de harmonia com o espaço morfométrico de  envolvência artística”.


“Interligando os pontos fulcrais da teoria nadiriana com pontos de  contacto ou de fricção da estética internacional – como sistemas de  diálogo ou como contraponto – acedemos a uma compreensão da importância e  abrangência de um pensamento que pretende edificar uma estruturação  artística sempiterna na sua constância, como reflexo inabalável das leis  geométricas ordenadoras de todos os princípios formais”, afirma.

NADIR  AFONSO: PARA UMA HARMONIA DO ATO é uma publicação conjunta da U.Porto  Press e da Fundação Nadir Afonso. (Foto: U.Porto Press)

A produção estética de Nadir Afonso pode ser vista como disruptiva,  na medida em que é apresentada como “a dinâmica flexuosa que impõe as  suas próprias condições, não atinentes às impressões dogmáticas do  pensamento tradicional”.


O autor explica que, “Mais do que tendências, interpretações,  posições metodológicas, a capacidade que o artista tem de desmontar,  excisar, retirar para sobrepor noutras modalidades, representa a  assunção assumida do desvio à normatividade do pensamento estético”.


“A partir dos seus postulados, Nadir prorrompe por várias áreas do  pensamento, pois a sua conceção estética seria exígua se só se  conformasse à teoria pictórica”, e “a sua aplicabilidade (…) ultrapassa  em larga medida a sua própria realização artística, pois aquilo que  Nadir constrói serve como uma espécie de lastro, de base de sustentação  ou de amparo da descarga para a metodologia estética da arte (…)”,  afirma Rodrigo Magalhães”.


Nadir Afonso: para uma harmonia do ato está disponível na loja online da U.Porto Press, com 10% de desconto e portes grátis.

Sobre o autor

Rodrigo Magalhães nasceu em 1993. É doutorado em  História da Arte, versando sobre a obra de Alberto Carneiro, Pedro Cabrita Reis e Rui Chafes. Escreve regularmente artigos em jornais e revistas sobre temas das Artes Visuais, da Estética, da Literatura, do Cinema e da Música, bem como em catálogos de exposições. Em 2026  publicou Emerenciano. À procura da linha recta, pelas Edições Afrontamento. 


Fonte: U.Porto Press

Há novos podcasts no espaço virtual da Casa Comum

206. Peixe Machado, Chantal Guilhonato

 “Peixe Machado”, de Chantal Guilhonato, in Peixes Carnívoros, 2025, p. 21.

 2. A filosofia, o impacto e os critérios do Prémio LFA

Uma reflexão sobre a visão conceptual do  prémio, os seus princípios orientadores e o modo como promove uma  leitura crítica, sensível e contemporânea da fotografia de arquitetura.
 Pensar o prémio como plataforma crítica e cultural:
• A filosofia e os objetivos estruturantes do Prémio LFA
• O legado de Luis Ferreira Alves enquanto referência conceptual
• Os critérios de avaliação e a valorização da narrativa fotográfica
• O papel das séries fotográficas como construção de sentido
• O impacto institucional e internacional da primeira edição
 Entrevistadora/moderadora: Maria Neto; Convidado: Pedro Leão Neto


130. Nheengatu: a Língua da Amazónia, de José Barahona (2019)

Comentário de Chrysologo Neto (Curso Avançado de Documentário KINO-DOC)

 131. I Do not Know what It Is I Am Like, de Bill Viola (1986)

Comentário de Afonso Quintã (Curso Avançado de Documentário KINO-DOC)

6. 100 anos (e 100 facetas) de Marilyn Monroe

Num episódio especial, as Noites de Cabíria acontecem pela primeira vez ao vivo: no âmbito do ciclo de cinema Quem és tu, Norma Jeane? 100 anos de Marilyn Monroe, programado por Francisco Noronha, que decorreu em junho de 2026 na Casa Comum da U.Porto, parte-se de um dos filmes do ciclo, Bus Stop (Paragem de Autocarro, Joshua Logan, 1956), para debater o percurso artístico e biográfico (se  é que eles se distinguem) daquele que é porventura o maior ícone  popular do século XX.  Bem-vindos ao inesgotável mundo de Marilyn  Monroe.


Mais podcasts AQUI


Alunos Ilustres da U.Porto

Eduardo Souto de Moura

Eduardo Souto de Moura (Porto, 1952)

Eduardo Elísio Machado Souto de Moura nasceu no Porto, em 25 de julho de 1952.


Frequentou o curso de Arquitetura na Escola Superior de Belas Artes do Porto e na Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto. No decurso da sua carreira estudantil colaborou no atelier de Álvaro Siza Vieira entre 1974 e 1979.


Em 1980, ano da conclusão da licenciatura, recebeu o seu primeiro prémio, atribuído pela Fundação Engenheiro António de Almeida, e iniciou a atividade de arquiteto como profissional liberal.


Em 1981 foi nomeado assistente do curso de Arquitetura da FAUP, instituição onde lecionou até 1990 e à qual regressou, mais tarde, em 2003.


Como grandes referências da sua obra devem referir-se, além de Siza Vieira (1933 -), os arquitetos Mies van der Rohe (1886-1969) e Aldo Rossi (1931-1997), as experiências californianas dos anos 50 e 60 (Craig Ellwood, Pierre Köning e as "case study houses") e a arte minimalista (Donald Judd e Sol Lewitt). Souto de Moura foi também influenciado por Bernardo Soares, um dos heterónimos do poeta Fernando Pessoa (1888-1935), por Roland Barthes (1915-1980), pensador e escritor francês, pelo pintor catalão Antoni Tapiès (1923-) e pelo artista alemão Beuys (1921-1986).


Durante os anos oitenta e noventa do século XX foi professor convidado de diversas faculdades e escolas de Arquitetura europeias: Faculdade de Arquitetura de Paris-Belleville (1988), escolas de Arquitetura de Harvard e de Dublin (1989), ETH de Zurich (entre 1990 e 1991) e Escola de Arquitetura de Lausanne (Professor Convidado em 1994).


A conceituada figura da chamada "Escola de Arquitetura do Porto" tem inúmeras obras espalhadas pelo país e fora dele. De entre os projetos de Souto de Moura podem enunciar-se o Mercado Municipal e o Estádio Municipal de Braga (Estádio Axa); a Casa das Artes e o Edifício Burgo, no Porto; a Ponte dell' Accademia, em Veneza (Itália). Dignas de nota são também as intervenções patrimoniais no Convento de Santa Maria do Bouro, em Amares, no edifício da Alfândega Nova (atual Museu dos Transportes e Comunicações/Centro de Congressos e Exposições) e na antiga Cadeia da Relação (convertida no Centro Português de Fotografia), no Porto, e as intervenções territoriais na Faixa Marginal de Matosinhos, no Metro do Porto e na Praça do Município da Maia.


Durante os últimos anos, Souto de Moura também tem trabalhado na área do design de produto e, em 2008, em conjunto com o artista plástico Ângelo de Sousa, participou na XI Bienal Internacional de Arquitetura de Veneza, em representação de Portugal, com um projeto em coautoria intitulado Cá fora. Arquitectura desassossegada. O primeiro Arquiteto a receber o prémio Pessoa não aprecia o relativismo e a desordem do mundo atual. Nos seus trabalhos procura criar uma paisagem exata e respeitar a construção, a estrutura, a infraestrutura e os acabamentos das opções originais. Gostava de ter desenhado o Parténon - a maior obra de arquitetura existente, segundo o próprio - e o Pavilhão de Barcelona de Mies van der Rohe, projetado pelo arquiteto que mais admira.


Em 2011, Souto de Moura tornou-se o segundo arquiteto português, depois de Siza Vieira (1992), a alcançar o Prémio Pritzeker de Arquitetura, o mais conceituado galardão nesta área, atribuído desde 1979 pela americana Hyatt Foundation aos maiores nomes da Arquitetura mundial, como Óscar Niemeyer (1988), Frank Gehry (1898), Norman Foster (1999) e Rem Koolhaas (2000).


Ao longo da carreira, arrecadou várias outras distinções como o Prémio Wolf (2012), o Prémio Carreira da Bienal Ibero-americana de Arquitetura e Urbanismo (2016), o Leão de Ouro na Bienal de Veneza (2018), o Prémio Arnold W. Brunner, da Academia Americana de Artes e Letras (2019), a Medalha de Ouro do Círculo de Bellas Artes de Madrid (2023), a Medalha de Ouro da União Internacional dos Arquitetos (UIA, em 2026), por proposta da Ordem dos Arquitetos, e as insígnias de Comandante das Artes e das Letras, do Ministério da Cultura francês (2024).


Eduardo Souto de Moura vive no Porto com a família, na Praça de Liège, Foz do Douro, numa moradia com 3 habitações que ele próprio projetou e onde é vizinho de Siza Vieira.


U.Porto - Antigos Estudantes Ilustres da Universidade do Porto: Eduardo Souto de Moura

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