Ao longo dos últimos oito anos, tive a oportunidade de pensar, ler e refletir sobre o lugar da cultura na universidade. Neste último texto que assino como Vice-Reitora para a Cultura e Museus da Universidade do Porto, permito-me partilhar convosco uma reflexão mais longa do que é habitual nesta newsletter. É o texto que apresentarei amanhã, 15 de junho, no âmbito das comemorações do Dia da Escola Superior de Enfermagem, mas é também um texto que, de certa forma, procura tornar explícitas as ideias que orientaram o projeto cultural da Casa Comum ao longo destes anos. Mais do que um balanço do que foi feito, é uma reflexão sobre aquilo em que sempre acreditei que a cultura universitária pode e deve ser.
 
Chegada ao fim deste ciclo, quero deixar uma palavra de profundo agradecimento a todos os que me acompanharam neste percurso: às equipas que tornaram possível cada projeto, aos artistas, criadores, investigadores e parceiros que aceitaram pensar connosco, e também a todos quantos me têm lido nesta newsletter, tantas vezes escrevendo-me depois para prolongar a conversa. A cultura universitária só existe verdadeiramente quando é habitada, partilhada e discutida.
 
Ao deixar estas funções não abandono os lugares, as pessoas e as perguntas que estes anos tornaram tão importantes. Continuaremos a encontrar-nos nos concertos, nas exposições, nas conversas, nos livros e nos muitos espaços onde a universidade se abre ao mundo.
 
Vemo-nos por aí!

UNIVERSIDADE E CULTURA: PARA UMA IDEIA DE CULTURA DEPOIS DE STEINER 

No rescaldo da Segunda Guerra Mundial e do Holocausto, num tempo ainda marcado pela memória da barbárie nazi, George Steiner, um dos pensadores contemporâneos que mais radicalmente interrogou a ideia de cultura, confronta a tradição humanista europeia com uma das suas perguntas mais difíceis: como foi possível que a alta cultura – a literatura, a música, a filosofia, as universidades – tivesse coexistido tão intimamente com a desumanidade extrema?


Em Language and Silence, publicado em 1967, Steiner formula essa ferida de modo quase insuportável:


Sabemos hoje que um homem pode ler Goethe ou Rilke ao serão, que pode tocar Bach e Schubert, e, na manhã seguinte, dirigir-se ao seu trabalho em Auschwitz. Dizer que os leu sem os compreender ou que o seu ouvido era grosseiro é uma banalidade enganadora. […] “[N]ão se trata apenas de os meios instituídos da civilização – as universidades, as artes, o mundo do livro – terem falhado em oferecer uma resistência adequada à bestialidade política; muitas vezes, ergueram-se para a acolher, para a revestir de cerimónia e para lhe fornecer uma justificação (tradução minha; Steiner, 1967, p. ix).


No livro que publica quatro anos mais tarde – In Bluebeard’s Castle –, Steiner regressa à questão, dando exemplos concretos:


Homens como Hans Frank, que administrou a “solução final” na Europa de Leste, eram ávidos conhecedores e, em alguns casos, intérpretes de Bach e Mozart. Conhecemos membros do aparelho burocrático dos torturadores e dos fornos crematórios que cultivavam um conhecimento de Goethe e um amor por Rilke. [...] Uma das principais obras que possuímos no domínio da filosofia da linguagem, uma leitura total da poesia de Hölderlin, foi escrita praticamente ao alcance do ouvido de um campo de extermínio. A pena de Heidegger não parou, nem o seu pensamento emudeceu (tradução minha; Steiner, 1971, p. 77).


Durante séculos – de Platão a Matthew Arnold, como lembra Steiner – a tradição humanista acreditou que a cultura teria uma força intrinsecamente humanizadora. Arnold formula essa convicção de forma particularmente clara em Culture and Anarchy, obra publicada em 1869, onde entende a cultura como uma forma de aperfeiçoamento individual e coletivo: “Esta é a ideia social” – declara o intelectual inglês – “e os homens de cultura são os verdadeiros apóstolos da igualdade” (tradução minha; Arnold, 1994 [1869], p. 48). Para Arnold, a cultura só cumpriria plenamente a sua função quando o melhor conhecimento e pensamento do seu tempo deixasse de estar confinado a uma elite e circulasse por toda a sociedade, contribuindo para a formação de indivíduos mais esclarecidos, sensíveis e humanos. O século XX, porém – sublinha Steiner – quebra de forma irreversível essa confiança humanista.   

     
Note-se, contudo, que Steiner não constrói o seu argumento contra a cultura. O que ele defende é que a experiência de Auschwitz nos obriga a repensar a própria ideia de cultura – e a perguntar: se a cultura não nos torna necessariamente melhores, por que razão continuamos a defendê-la como essencial? A questão, para Steiner, não é, pois, abandonarmos a cultura, mas perguntarmos de que cultura precisamos.


Transpondo a reflexão de Steiner para o contexto desta palestra – sobre “Universidade e Cultura” – poderemos, pois, perguntar: por que razão precisamos de investir na cultura na universidade? E de que cultura precisamos? Proponho-me apresentar vários argumentos. Permitam-me, porém, antecipar a ideia que atravessará todos eles: a cultura não é garantia de humanidade, mas continua a ser uma das condições através das quais podemos afirmar a nossa humanidade.


Para desenvolver esta ideia, proponho cinco razões – melhor dizendo, cinco ordens de razão – pelas quais a cultura continua a ser indispensável à universidade: de ordem antropológica e formativa; de ordem ética e relacional; de ordem afetiva e experiencial; de ordem democrática e interpretativa; e, por fim, de ordem institucional e civilizacional.


Comecemos pela primeira (de ordem antropológica e formativa). Precisamos da cultura porque o ser humano não é apenas um ser que adquire competências; é um ser que se forma. Para compreendermos esta ideia, convoquemos Humboldt que, no final do século XVIII, defende que o verdadeiro fim do ser humano consiste no “desenvolvimento mais elevado e harmonioso das suas capacidades” (Humboldt, 1969 [1792], p. 16). É a partir desta ideia de Bildung – uma formação entendida como autocultivação e desenvolvimento livre e integral da pessoa – que Humboldt concebe o ideal moderno de universidade. Será importante notarmos, porém, que esta ideia de formação se distingue da concepção de cultura que, em Arnold, enfatiza sobretudo a difusão social do melhor conhecimento e das melhores ideias e a sua circulação por toda a sociedade. Para Humboldt, a cultura não é apenas aquilo que recebemos do passado e dos outros: é, sobretudo, o processo através do qual nos transformamos na relação livre e crítica com o mundo.


Numa outra tradição, mas dentro da mesma preocupação formativa, John Henry Newman defende, em The idea of a university (1852), que o conhecimento possui um valor intrínseco e que a missão da universidade não se esgota na preparação para uma profissão. O seu objetivo mais elevado é a formação de uma inteligência cultivada – um “enlargement of mind”, nas suas palavras (Newman, 2008 [1852], p. 106) –, capaz de estabelecer relações entre os diferentes campos do saber, de compreender a complexidade do mundo e de exercer um juízo crítico.


Na universidade, a cultura deve, pois, ser vista como uma prática de formação: a sua missão é ampliar a forma como cada pessoa compreende o mundo e entende o papel que nele lhe cumpre desempenhar. Porém, por mais necessária que seja, a formação do indivíduo não basta. Steiner obriga-nos a recordar que indivíduos altamente educados e sofisticados puderam também participar na barbárie. A pergunta seguinte é, então, de ordem ética e relacional: que relação estabelecemos com aqueles que não são “nós”?


Num dos livros cuja leitura mais impacto sobre mim teve, nas últimas décadas – A Conquista da América: A Questão do Outro (1982) – Tzvetan Todorov analisa o encontro entre europeus e indígenas como um drama de incapacidade de reconhecimento da humanidade do outro. O problema da conquista – explica Todorov – não é apenas a violência física exercida sobre os povos indígenas, mas uma incapacidade mais profunda, por parte dos conquistadores, de reconhecerem o outro na sua diferença, de o compreenderem como um sujeito portador de uma visão própria do mundo. No capítulo intitulado “Colombo e os índios”, Todorov observa que a nudez física dos índios se traduz, aos olhos de Colombo, numa espécie de nudez cultural: surgem-lhe como que desprovidos de costumes, ritos ou religião; e mesmo a sua cultura material não lhe desperta atenção. Para Colombo – argumenta Todorov – os índios são uma espécie de “objetos vivos” (Todorov, 1990 [1982], pp. 48; 63).


Esta questão do reconhecimento e do respeito pela alteridade está, hoje, mais do que nunca, na ordem do dia. Filósofos como Byung Chul-Han têm vindo a sublinhar o perigo em que incorrem as sociedades contemporâneas, cada vez mais marcadas pela tendência para a homogeneização. Em A Expulsão do Outro (2016), Han afirma: “Os tempos em que o outro existia passaram. (...) Hoje, a negatividade do outro cede lugar à positividade do idêntico”. Mais adiante, alerta-nos para o “terror do idêntico”: “A expulsão do outro põe em marcha um processo [...de] autodestruição. A dialética da violência impera em geral: um sistema que rejeita a negatividade do diferente desenvolve traços autodestrutivos” (Han, 2018 [2016], p. 9). Assim, se Todorov nos mostra a violência que nasce da incapacidade de reconhecermos o outro, Han alerta-nos para os riscos de uma sociedade que expulsa a alteridade e se encerra na reprodução do idêntico.


É precisamente aqui que a cultura se torna indispensável à universidade. Se a primeira dimensão da cultura nos ajuda a formar o indivíduo, esta segunda lembra-nos que essa formação só se completa quando aprendemos a sair de nós mesmos e a habitar a perspetiva de outros. Esta ideia de que nos constituímos na relação com o outro atravessa, aliás, toda a obra de Todorov, reaparecendo com particular acuidade em La littérature en péril (2007), onde defende que a literatura tem a capacidade de nos fazer sair de nós próprios e de nos colocar em contacto com outras experiências e formas de vida humanas. Tornamo-nos humanos porque reconhecemos os outros como humanos; formamo-nos através do encontro.


O encontro com o outro, porém, não acontece apenas ao nível das ideias ou do pensamento racional. Somos também seres afetivos e sensíveis, que compreendem o mundo através da emoção, da imaginação e da experiência. É esta a terceira razão pela qual a cultura é indispensável à universidade: uma razão de ordem afetiva e experiencial.


A tradição filosófica – da estética do século XVIII à fenomenologia contemporânea –  defende que a arte nos dá acesso a formas de conhecimento que não se reduzem ao pensamento conceptual: conhecemos o mundo também através da perceção, da imaginação, da emoção e do corpo. Um concerto, uma peça de teatro, um livro, um filme ou uma exposição podem permitir-nos compreender algo antes de sermos capazes de o formular em palavras: a fragilidade de uma existência, a experiência da perda, a beleza de uma paisagem, a injustiça de uma situação social ou a complexidade de uma emoção humana. Compreendi a violência da guerra crescendo junto de uma reprodução da Guernica que os meus pais tinham numa parede de uma área da casa que dava acesso a uma arrecadação; deslumbrei-me perante a complexidade do humano observando, na sala de espera da dentista, as mulheres pintadas por Armanda Passos. Interessei-me pela ideia de possibilidade cada vez que visitava um tio que tinha, na sala de estar, um grande quadro com uma cidade de Nadir. Conheci a força destrutiva da miséria lendo Dickens. E encontrei a turbulência das paixões humanas em Shakespeare; a espessura da consciência em Virginia Woolf; e a complexidade da responsabilidade moral em George Eliot. Fui, desde a minha infância, afetada pela cultura.


Podemos possuir cultura, conhecer obras e acumular referências; nesse caso, falamos de cultura enquanto posse. Mas sermos afetados pela cultura é totalmente diferente – significa reconhecermos que a nossa relação com a arte não se esgota na contemplação distante de um objeto ou na aquisição de conhecimento sobre uma obra. A experiência estética acontece quando algo nos toca, nos desloca e nos transforma. É precisamente esta ideia que John Dewey desenvolve em Art as experience (1934). Opondo-se à ideia de uma arte separada da vida, Dewey defende que a experiência estética deve restabelecer uma continuidade entre a obra de arte e os acontecimentos, ações e sofrimentos da vida quotidiana. A arte permite-nos habitar o mundo de forma mais intensa:


A experiência, na medida em que é verdadeiramente experiência, é uma vitalidade intensificada. Em vez de significar um encerramento nos nossos sentimentos e sensações privados, ela representa uma relação ativa e desperta com o mundo; no seu ponto mais elevado, significa uma completa interpenetração entre o eu e o mundo dos objetos e dos acontecimentos (tradução minha; Dewey, 1980 [1934], p. 19).


A arte é, pois, para Dewey, uma forma de relação intensificada com o mundo: cria uma experiência em que o sujeito e o mundo se encontram, se afetam e mutuamente se transformam.


Esta dimensão da experiência estética permite-nos regressar a uma ideia que, como vimos já, atravessa a reflexão de Todorov: a capacidade de sairmos de nós próprios e de habitarmos a experiência alheia. Martha Nussbaum chama-lhe “imaginação narrativa”. Como afirma no seu livro de 1997 Cultivating Humanity, a imaginação narrativa é a capacidade que temos para “imaginar como seria estarmos no lugar de uma pessoa diferente de nós”, lendo a sua história com inteligência, compreendendo as suas emoções e desejos, e reconhecendo o sentido das suas ações no contexto da sua vida. A imaginação narrativa – defende Nussbaum – torna o nosso juízo crítico mais responsável (tradução minha; Nussbaum, 1997, pp. 9-10).


A imaginação narrativa tem, contudo, uma dimensão que ultrapassa a experiência individual. A capacidade de nos colocarmos no lugar de outros seres humanos está no centro da própria vida em comunidade: uma sociedade onde os cidadãos são incapazes de imaginar a experiência dos outros é uma sociedade onde o diálogo se torna impossível. Por isso, a experiência da cultura só atinge plenamente o seu potencial quando se transforma em espaço de encontro, de interpretação e de construção partilhada de sentido. É esta a quarta razão pela qual a cultura é indispensável à universidade: uma razão de ordem democrática e interpretativa.


A democracia não é apenas um sistema político; é, antes de mais, uma forma de convivência que assenta na nossa capacidade de escutarmos o outro, de interpretarmos as suas narrativas e de lidarmos com o sempre possível dissenso. É nesse sentido que a Carta de Porto Santo – para uma Cidadania Cultural Europeia (aprovada em 2021 no âmbito da Presidência Portuguesa da União Europeia) oferece um contributo particularmente relevante para a nossa reflexão sobre universidade e cultura. Como afirmam os autores do documento, a democracia deve ser entendida como “um processo, um movimento” cujo estilo próprio consiste em “confiar na inteligência cooperativa da comunidade” (Carta do Porto Santo, 2021, p. 4).


A Carta é importante porque propõe uma concepção de cultura que evita dois extremos: por um lado, a ideia de que tudo é cultura; por outro, a redução da cultura à cultura erudita e ao grande património. “Entendemos cultura no plural” – lemos no documento – “como um conjunto de sistemas simbólicos nos quais estamos inseridos e que nos ajudam a dar um sentido à experiência (pessoal e coletiva) e uma forma humana ao mundo” (Carta do Porto Santo, 2021, p. 5). A partir desta concepção, a Carta propõe uma passagem de um modelo de mera difusão cultural para uma lógica de “democracia cultural” que assenta, essencialmente, numa transformação da relação entre instituições e cidadãos. Nesta perspetiva, a cultura deixa de ser apenas algo que se oferece a um público passivo para se tornar uma prática de mediação, capaz de transformar a experiência estética em diálogo, escuta e reflexão crítica. “A grande arma da democracia é fazer emergir questões e debatê-las” – defende a Carta. “Abrir a mesa da discussão, sem excluir, sem medo do dissenso ou do contraditório” (Carta do Porto Santo, 2021, p. 10).


A importância da cultura na universidade não se esgota, porém, na sua capacidade de nos formar, de nos abrir à experiência do outro, de nos afetar ou de criar espaços de diálogo democrático. Existe ainda uma última razão, de ordem institucional e civilizacional: a cultura recorda à própria universidade que esta existe não apenas para formar profissionais eficientes, mas também para formar seres humanos capazes de compreender criticamente o mundo que habitam. É precisamente este o alerta lançado por Martha Nussbaum em Not for Profit: Why Democracy Needs the Humanities (2010).


Para a filósofa americana, a educação contemporânea está a viver uma “crise que tem passado largamente despercebida, como um cancro”: a tendência para subordinar o ensino superior à lógica do crescimento económico e da utilidade imediata. Nussbaum é particularmente violenta na descrição dos perigos que o processo acarreta: “Se esta tendência continuar, as nações de todo o mundo em breve estarão a produzir gerações de máquinas úteis, em vez de cidadãos completos, capazes de pensar por si próprios, criticar a tradição e compreender o significado dos sofrimentos e das realizações de outra pessoa.” (Nussbaum, 2024 [2010], pp. 1-2).


O alerta de Nussbaum torna-se particularmente relevante num momento em que as universidades enfrentam uma pressão crescente para justificarem a sua existência em termos de empregabilidade, inovação e impacto económico. É significativo que a European University Association tenha escolhido para a sua visão para 2030 o título Universities Without Walls (universidades sem muros). Como lemos logo nas primeiras páginas do documento, “[a]o olharmos para o futuro, imaginamos universidades sem muros: universidades abertas e comprometidas com a sociedade, sem que, por isso, deixem de preservar os seus valores fundamentais. Todas as universidades europeias serão responsáveis, autónomas e livres, com diferentes perfis institucionais, mas unidas nas suas missões de aprendizagem e ensino, investigação, inovação e cultura ao serviço da sociedade” (tradução minha; European University Association, 2021, p. 5).  


Ao longo dos últimos oito anos, foi precisamente esta ideia de universidade que procurámos concretizar através do projeto “Casa Comum”. Nunca acreditei que um concerto tornasse alguém melhor, ou que uma exposição transformasse automaticamente um indivíduo numa pessoa mais ética. Mas acredito profundamente que a experiência cultural, quando acompanhada pelo diálogo, pela interrogação e pela reflexão crítica, nos pode tornar mais disponíveis para o encontro, mais atentos à complexidade do mundo, mais capazes de suspender as nossas certezas e mais aptos a imaginar outras formas de existência.


Nestes anos, mais do que apresentar cultura na universidade, procurámos criar as condições para que a cultura pudesse ser pensada. Um concerto comentado tornou-se uma oportunidade para compreendermos de que tempo nasce uma obra, que conflitos revela, que visão do mundo transporta e o que ainda nos pode dizer hoje. Uma exposição acompanhada por uma mesa-redonda afirmou-se como o ponto de partida para uma conversa sobre memória, identidade, desigualdade, tecnologia, ambiente ou futuro. Um ciclo de cinema construído em torno de determinada questão permitiu que diferentes filmes entrassem em diálogo entre si, oferecendo múltiplas perspetivas sobre um mesmo problema humano ou social. E uma sessão de poesia aberta à participação do público lembrou-nos que a cultura se afirma na construção de uma experiência comum.


Foi essa, afinal, a ideia de cultura que procurámos defender: uma cultura que nos forma, como queriam Humboldt e Newman; que nos ensina a reconhecer a alteridade, como nos recordaram Todorov e Han; que nos afeta e nos transforma pela experiência, como defendia Dewey; que nos permite imaginar formas diferentes de vivermos em comunidade, como propôs Nussbaum; e que cria espaços de interpretação partilhada e de inteligência cooperativa, como nos convida a pensar a Carta de Porto Santo.


E talvez seja precisamente aqui que encontramos uma resposta à pergunta que Steiner nos deixou. A cultura não é uma vacina moral, mas a cultura que se faz encontro, diálogo, escuta e reflexão crítica pode tornar-se uma poderosa escola de humanidade. É esta a cultura que é possível termos depois de Steiner. E é esta ideia de universidade que continuo a defender. 


Fátima Vieira

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Referências:
Arnold, M. (1994 [1869]). Culture and Anarchy (S. Lipman, Ed.). Yale University Press.
Dewey, J. (1980 [1934]). Art as Experience. Perigee Books.
Han, B.-C. (2018 [2016]). A Expulsão do Outro. Sociedade, Perceção e Comunicação Hoje. Trad. Miguel Serras Pereira. Relógio d’Água.
European University Association. (2021). Universities without walls: A vision for 2030. European University Association.
Humboldt, W. von. (1969 [1792]). The limits of state action (J. W. Burrow, Ed.). Cambridge University Press.
Ministério da Cultura. (2021). Carta do Porto Santo: A Cultura e a Promoção da Democracia – Para uma Cidadania Cultural Europeia. Ministério da Cultura da República Portuguesa. https://www.culturaportugal.gov.pt/wp-content/uploads/2021/05/Carta-do-Porto-Santo.pdf
Newman, J. H. (2008 [1852]). The idea of a university defined and illustrated: In nine discourses delivered to the Catholics of Dublin. Project Gutenberg. https://www.gutenberg.org/ebooks/24526
Nussbaum, M. C. (1997). Cultivating humanity: A classical defense of reform in liberal education. Harvard University Press.
Nussbaum, M. C. (2024 [2010]). Not for profit: Why democracy needs the humanities. Princeton University Press.
Steiner, G. (1967). Language and silence: Essays on language, literature, and the inhuman. Atheneum.
Steiner, G. (1971). In Bluebeard’s Castle: Some notes towards the redefinition of culture. Yale University Press
Todorov, T. (1990 [1982]). A Conquista da América: A Questão do Outro. Litoral Edições.
Todorov, T (2007). La littérature en péril. Flammarion.

U.Porto inaugura exposição com bustos de escritores


Rostos, Palavras e Cidade é o título da  exposição de autoria de Hélder de Carvalho que ficará patente nas arcadas do edifício da Reitoria.

Eugénio de Andrade é um dos escritores retratados em Rostos, Palavras e Cidade. Foto: DR

Alguns têm ligação à Universidade do Porto, outros com a cidade do Porto. Rostos, Palavras e Cidade é uma exposição que apresenta bustos de escritores que, através das  suas narrativas, nos revelam épocas, perspetivas e histórias, reais ou  inventadas, que nos fazem imaginar a cidade. Para conhecer a partir de 17 de junho, nas arcadas do edifício da Reitoria.


Já nos habituamos a ver as obras do escultor Hélder de Carvalho com base em textos de escritores como Gonçalo M. Tavares, João  Habitualmente, José Eduardo Guimarães, João Luís Barreto Guimarães,  entre outros, obras que resultaram do projeto As Sombras que não quero ver. Agora, chegou a altura de conhecermos a sua interpretação, em forma de  bustos, das figuras de alguns escritores ligados não só à Universidade  do Porto, mas também à cidade.


Um deles é Camilo Castelo Branco (1825-1890) que, depois de uma curta passagem pela Escola Médico-Cirúrgica e pela Academia Politécnica do Porto (antecedentes da Universidade do Porto), acabou encarcerado, em 1860, na Cadeia da Relação do Porto, na sequência do relacionamento amoroso com Ana Plácido, que resultou num escandaloso processo de adultério. O casal foi julgado e condenado, tendo sido absolvido após um ano. É considerado expoente máximo do romantismo e produziu obras intemporais como Amor de Perdição ou A Queda de um Anjo.

Eça de Queiroz será uma das figuras a “observar a cidade”, das arcadas do edifício da reitoria da U.Porto

Outro nome incontornável é Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004). Foi no Porto que a escritora nasceu e viveu os períodos da  infância e adolescência que iriam influenciar a  sua obra. Vivências  junto ao mar e também na Casa Andresen e na Quinta do Campo Alegre (dos  avós), território fértil ao imaginário que se viria a refletir, mais  tarde, nos poemas e contos. Local que abriga hoje a Galeria da  Biodiversidade – Centro Ciência Viva do Museu de História Natural e da Ciência, assim como  o Jardim Botânico da Universidade do Porto.


Eça de Queirós 
é outra das figuras representadas. Completou os estudos secundários no colégio da Lapa e casou na capela de Santo Ovídio, na já desaparecida Quinta de Santo Ovídio, que ficava numa zona situada entre Praça da República e a Rua de Cedofeita, no Porto. Aqui fez parte do “Grupo dos Cinco, que visitava regulamente, e do qual faziam parte Antero de Quental, Ramalho Ortigão, Guerra Junqueiro e Oliveira Martins, figuras centrais do movimento literário português do  século XIX. Foi no Porto que, em 1889, Eça lançou a Revista de Portugal.


Almeida Garrett, ou João Leitão da Silva nasceu em  1799, na antiga Rua do Calvário, atual Rua Dr. Barbosa de Castro, na  freguesia da Vitória, no Porto. Depois de ter vivido em França e Inglaterra, fez parte do Desembarque do Mindelo e do Cerco do Porto em 1832 e 1833.  Fundou o Jornal Regeneração, a propósito do movimento da homónimo. Para além da intervenção política, também revivemos Almeida  Garrett através da obra literária que nos deixou, através de livros como As Viagens na Minha Terra, Folhas Caídas e Frei Luís de Sousa, a peça que escreveu para teatro.

Manuel António Pina será um dos “rostos” da exposição.

Trabalhou como jornalista e editor, durante três décadas, no Jornal  do Notícias. Também é autor de livros para a infância, juventude e de  diversos textos poéticos. 


Manuel António Pina tem toda uma vida profissional, cultural e social que o liga à cidade do Porto. Os desenhos, rascunhos de poemas, correspondência, cadernos e originais  dos seus livros encontram-se no Centro de Estudos da Cultura em Portugal (CECP), organismo criado pela FLUP para acolher, tratar e investigar acervos documentais relevantes para a cultura e literatura portuguesas. 


Fernando Pessoa
tem uma ligação mais ténue ao Porto,  mas encontra aqui um ponto de ressonância pela figura de Ricardo Reis  (heterónimo que nasce no Porto e estuda num colégio de Jesuítas) e pela  relação com a revista A Águia, com sede na Rua dos Mártires da Liberdade, da qual foi colaborador.


Miguel Torga, não é natural do Porto, mas integrou a cidade na sua vida intelectual e afetiva, com o Café Ceuta como lugar de tertúlias. 


Agustina Bessa-Luís viveu no Porto, no Campo Alegre. Foi doutorada Honoris Causa pela Universidade do Porto, pela “personalidade de prestígio no campo literário, pelo caráter motivador e por ter inspirado importantes estudos académicos”. 


Eugénio de Andrade fez do Porto  berço de adoção, residindo na Foz do Douro, refletindo a cidade na sua  obra e a quem a U.Porto também atribuiu o título de Doutor Honoris Causa.


Luís Vaz de Camões
é representado pela dimensão do respetivo património literário, nomeadamente através de uma rara primeira edição de Os Lusíadas, guardada no Ateneu Comercial do Porto.


Com materiais como o gesso e a chapa de alumínio, as esculturas  exploram uma “tensão entre tradição e contemporaneidade”, afirma Hugo Barreira que, juntamente com Angélica Carvalho, assina a curadoria da  exposição.


“Partindo do conceito de busto, as formas desenvolvem-se de modo  livre, revelando um processo aberto onde permanecerá visível o gesto que  modela e transforma a matéria. São perecíveis e delicadas, realizadas  em materiais leves, estando sujeitas à condição de efemeridade”, remata. 


Fonte: Notícias U.Porto

U.Porto lança catálogo da exposição O Rock no Porto nos Anos 80

O lançamento da publicação está agendado para o próximo dia 20 de junho, na Casa Comum. A entrada é livre.

O catalogo da exposição Uma Viagem Pelo Asfalto. O Rock no Porto nos anos 80, tem a chancela da U.Porto Press. (Foto: Miguel Nogueira / capa do catálogo )

Foi uma exposição, mas foi também ponto de encontro, debate e reflexão. Acolheu concertos, oficinas e ciclos de cinema; mapeou tendências, promoveu reencontros, cruzou bandas e sonoridades de  diferentes gerações e revelou de quantas confluências se fez o roteiro  da cena musical da cidade do Porto durante a década de 1980. A memória reunida durante a exposição Uma viagem pelo asfalto. O rock no Porto nos anos oitenta está agora compilada no catálogo que vai ser apresentado no dia 20 de junho, às 21h30, na Casa Comum da Universidade do Porto.


A exposição Uma viagem pelo asfalto. O rock no Porto nos anos oitenta abriu as portas, recorde-se, no dia 8 de abril de 2025 e esteve patente até novembro. Juntou fotografias, cartazes, recortes de jornais, fanzines e capas de discos de vinil, evocando alguns dos locais e das bandas que marcaram aquela geração e as seguintes, como os GNR, os Taxi ou os Trabalhadores do Comércio.


Paula Guerra,
que, juntamente com David Pontes, assinou a curadoria científica da exposição, recorda que “a  explosão da participação política dava lugar a outras causas – o  pacifismo, o combate ao nuclear, o emergente ambientalismo –, e,  sobretudo, a uma intensa procura de expressão individual e coletiva de se ser diferente”. “É neste cenário que a música assume um papel de maior intervenção e é neste contexto político e cultural que surge o boom do rock português. “Ao contrário da canção de intervenção que marcara os anos posteriores ao 25 de Abril, o pop rock dos anos 1980 deslocava o foco. Neste processo, o Porto assumiu um  papel central. Mais do que cenário, foi agente ativo de criação e  circulação musical”.


A sessão de apresentação do catálogo contará com a participação de várias pessoas que contribuíram para a concretização do projeto:  André Carneiro (editor da Pós-80), João Carvalho e Costa (radialista), Miguel Correia (coordenador da Fanzineteca de Aveiro), Rui Sousa (produtor musical) e Elias Marques e Sérgio Correia (designers da  exposição e do catálogo). A moderação da conversa estará a cargo de  Paula Guerra. A entrada é livre.


Para além do catálogo, no renovado website O Rock no Porto nos Anos 80, é possível encontrar álbuns de bandas como Os Entes Queridos, Repórter Estrábico ou Bramassaji,  assim como telediscos, testemunhos, vídeos e mais fotografias. Informação que irá permitir continuar a aceder a esta “rota sonora” e ao  “caleidoscópio” social e cultural que marcou o Porto dos anos 1980.


Com a chancela da U.Porto Press, o catálogo já se encontra disponível para venda na loja online da editora, com 10% de desconto e portes gratuitos. 



Fonte: Notícias U.Porto.

Para cá e para lá do solstício – dois dias, três pianistas na Casa Comum

Joana Cordeiro, Francisco Fernandes e Carolina Machado são os pianistas que irão subir aos palco da Casa Comum na próxima semana.

As sessões dos dias 20 e 22 de junho do ciclo musical A caminho do solstício (respetivamente a 6.ª e a 7.ª sessões) trazem à Casa Comum jovens pianistas em formação na ESMAE. Têm em comum o facto de terem sido  premiados em vários concursos de piano, e de serem orientados pelo Professor Constantin Sandu. O ciclo A caminho do solstício tem  equilibrado as prestações de músicos consagrados com as de estudantes, e  os recitais destes últimos têm surpreendido pela sua capacidade técnica  e expressão musical. Não será certamente diferente nestes dois próximos  concertos.


No dia 20, sábado, às 18h00, será a vez de dois finalistas do curso de música da ESMAE, Joana Cordeiro e Francisco Fernandes,  demonstrarem a sua familiaridade com as peças que selecionaram de diversos compositores. Os seus programas têm em comum o (quase) inevitável Beethoven e o nosso contemporâneo, embora já nonagenário,  Helmut Lachenmann. Depois, cada um parece variar dentro de um tema:  Joana Cordeiro prefere Cláudio Carneyro e Ravel, Francisco Fernandes o  desditado António Fragoso e Poulenc. Enfim, Joana dirige-se para a  Rússia soviética do alinhado Kabalevsky e Francisco para a Argentina  cuja música tradicional influencia a música de Ginastera. Gostos e  escolhas pessoais, que nos garantem, neste duplo recital, a manutenção  de diversidade e interesse musical. Mais informações


Carolina Machado apresenta-se sozinha no dia 22, 2.ª  feira, também às 18h00. Seria originalmente também um recital duplo, mas o seu colega Pedro Granado, tendo sido selecionado para a final do  Concurso Internacional de Piano de Oeiras, lutará pelo primeiro lugar  exatamente nesse dia. Desejamos-lhe boa sorte. Carolina Machado ainda só está inscrita no 1.º ano da licenciatura na ESMAE, mas não lhe faltam  prémios nem experiência em palco. O programa que apresenta desce mais no  tempo, com Bach e Mozart, esquiva-se de Beethoven em favor do  romantismo de Liszt e Chopin e chega ao impressionismo com Debussy.  Esperemos, então, um bom momento musical da jovem pianista. Mais informações 


Entrada livre, sujeita à lotação da sala.


A Caminho do Solstício é um ciclo musical organizado cooperativamente pela Casa Comum, ESMAE-i2ADS e Rumor – Cooperativa de Compositores.

Exposição de Ana Aragão traz Música e Cinema à Casa Comum 

A Casa Comum recebe nos dias 18 e 19 de junho dois encontros que expandem o universo de Ana Aragão para a música e o cinema.

O Castelo Andante, de Hayao Miyazaki é o filme que será exibido no dia 19 de junho na Casa Comum

Nos dias 18 e 19 de junho, a Casa Comum da Universidade do Porto recebe dois eventos que prolongam a exposição Inventarium: Derivas da Forma, de Ana Aragão, para além do espaço expositivo, convocando o cinema e a música como formas de revisitar os universos imaginários da artista. Através de um concerto, de um visionamento e de momentos de conversa. Os encontros propõem novas leituras da exposição, explorando temas como a cidade, a fragilidade das estruturas e a imaginação do espaço habitado.


Atualmente patente na Casa Comum, Inventarium: Derivas da Forma reúne desenhos de arquiteturas imaginárias, cidades em permanente mutação e formas urbanas que parecem desafiar a estabilidade. É a partir destas paisagens visuais, simultaneamente frágeis, orgânicas e especulativas, que nasce a programação dos dois encontros, concebidos como extensões da própria exposição.

A banda Arcos promove o seu novo EP  Arco ao Meio

O primeiro evento será no dia 18 de junho, às 21h30, sob o tema As cidades de Ana Aragão parecem prestes a implodir. Os Arcos dão-lhes voz. O evento estabelece um diálogo entre o universo visual da artista e o mais recente EP da banda portuense Arcos, Arco ao Meio, propondo uma aproximação entre desenho, música e escrita.


A noite inicia-se com uma atuação ao vivo da banda, seguindo-se então uma conversa com o baixista e letrista Ivo Maia, orientada para a relação entre as letras do EP e os desenhos de Ana Aragão. Embora pertençam a linguagens distintas, ambos os universos parecem convergir numa preocupação comum: como viver ou resistir em estruturas frágeis, sejam elas cidades, relações ou estados emocionais?


Marcadas pela precariedade, pela exaustão contemporânea e pela sensação de instabilidade, as canções dos Arcos encontram um eco inesperado nas arquiteturas imaginárias de Aragão: edifícios inclinados, cidades acumuladas e formas urbanas que parecem oscilar constantemente entre equilíbrio e colapso. O encontro propõe, assim, uma reflexão sobre o modo como diferentes práticas artísticas podem dar forma às fragilidades do presente. 


No dia seguinte, 19 de junho, às 17h30, a exposição entra em diálogo com o cinema através de uma sessão intitulada O Castelo Andante de Ana Aragão. Nesta iniciativa será exibido o filme O Castelo Andante, do realizador japonês Hayao Miyazaki.


O encontro inclui uma breve apresentação da obra, seguida do seu visionamento integral e de uma conversa com David Pinho Barros, da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, centrada nas possíveis ressonâncias entre o universo visual de Miyazaki e os desenhos de Ana Aragão.


No filme, um castelo ambulante surge como uma estrutura híbrida, instável e mutável, sendo simultaneamente um edifício, uma máquina e um organismo vivo. Essa lógica de transformação aproxima-se das arquiteturas desenhadas por Ana Aragão, particularmente dos seus desenhos Hrönir.


Mais do que procurar relações diretas de influência, o encontro pretende abrir espaço a uma reflexão sobre formas de imaginar abrigo e pertença em arquiteturas sempre inacabadas, onde a instabilidade surge não como uma falha, mas como uma condição de existência.


Com estes dois encontros, a Casa Comum propõe novas formas de habitar Inventarium: Derivas da Forma, expandindo a exposição para outros territórios sensoriais e interpretativos e reforçando o diálogo entre artes visuais, música, cinema e pensamento crítico. A entrada é livre, sujeita à lotação do espaço. 


Fonte: Notícias U.Porto


Junho na U.Porto

Para conhecer o programa da Casa Comum e outras iniciativas, consulte a Agenda Casa Comum ou clique nas imagens abaixo.

Inventarium: Derivas da Forma | Exposição de Ana Aragão

13 ABR a 12 SET'26 
Exposição | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

YUGEN [幽玄]: UMA REITERAÇÃO POÉTICA DO JAPÃO | Exposição

15 ABR a 12 SET'26
Exposição | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

Papagaios com Alma do Mar | Exposição

09 JUN a 31 JUL'26 
Exposição | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações  aqui

O Extraordinário no Comum | Exposição 

De 15 JUN a 26 SET'26
Exposição | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações  aqui

Rostos, Palavras e Cidade | Exposição

A partir de 16 JUN'26
Exposição | Arcadas do Edifício Histórico da U.Porto
Entrada Livre. Mais informações aqui

[CON]TEXTUALIDADES | Encontros de Poetas | Sismo 

15 JUN'26 | 21h30
Poesia | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui 

Colectivo de Poesia - Poetas a várias vozes na Casa Comum | Fernando Pessoa 

16 JUN'26 | 21h30
Poesia | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui 

As cidades de Ana Aragão parecem prestes a implodir. Os Arcos dão-lhes voz | Concerto

18 JUN'26 | 21h30
Música | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

O Castelo Andante, de Hayao Miyazaki

19 JUN'26 | 17h30
Cinema | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

Cine Vandoma | Ciclo de Cinema Expressionista Alemão 

19 e 26 JUN'26 | 21h30
Cinema | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

Recital duplo: Joana Cordeiro e Francisco Fernandes, piano (ciclo musical "A caminho do solstício")

20 JUN'26 | 17h00
Música | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

Uma Viagem no Asfalto. O Rock no Porto nos Anos 80 | Lançamento do catálogo da exposição 

20 JUN'26 | 21h30
Apresentação de livro  | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui

Carolina do Vale Machado, piano (ciclo musical "A caminho do solstício")

22 JUN'26 | 18h00
Música | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações aqui 

Vinicius de Moraes e os 60 anos dos Afrossambas: Poesia e Identidade | Quintas Brasileiras 3 Especial 

25 JUN'26 | 18h30
Música | Casa Comum
Entrada Livre. Mais informações  aqui

Festival Cultural Maravilhário

15 a 20 JUN'26
Festival | MHNC-UP
Entrada Livre. Mais informações  aqui

Maravilhário. Doações ao Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto

De 18 JUN a 20 SET'26
Ciência | Polo Central do MHNC- UP
Entrada Livre. Mais informações aqui

Club di Lettura Italiano 2025 |  Clube de Leitura Italiano 2026 

10 SET, 30 OUT e 10 DEZ'26 | 19h30
Literatura | Casa Comum e ASCIPDA
Entrada Livre. Mais informações e inscrições aqui

Gemas, Cristais e Minerais

De 18 JUN a 20 SET'26
Exposição | Museu de História Natural e da Ciência U.Porto
Entrada Livre. Mais informações aqui 

E se?… Constelações de Modos de Viver o Espaço Urbano

Até 29 SET'26 
Exposição | Fundação Marques da Silva
Mais informações aqui

FRONTISPIECE | PRECIPICE

Até 27 JUN'26 
Exposição | Fundação Marques da Silva
Mais informações aqui

Corredor Cultural

Condições especiais de acesso a museus, monumentos, teatros e salas de espetáculos, mediante a apresentação do Cartão U.Porto.
Mais informações aqui

U.Porto oferece "viagem delirante" de uma semana pelo MHNC-UP

É uma oportunidade única para conhecer as  coleções do Museu em profundidade. As atividades vão decorrer de 15 a 20  de junho. Entrada gratuita.

Dia 18 de junho, vamos Soltar a voz com Sophia no Jardim Botânico do Porto. Foto: DR

Oficinas, visitas guiadas e inaugurações de exposições… De 15 a 20 de junho o Museu de História Natural e da Ciência da U.Porto (MHNC-UP) convida toda a comunidade para uma “viagem delirante” que se vai fazer entre o Polo Central, a Galeria da Biodiversidade – Centro Ciência Viva e o Jardim Botânico da U.Porto.


Dia 17 de junho, a partir das 18h00, prepare-se para descobrir o Maravilhário do MHNC-UP. Trata-se de uma exposição com milhares de peças que  resultam de doações, sem as quais o Museu não poderia ser, nem oferecer,  o que oferece hoje.


Então, e no resto da semana? O dia 15 de junho será dedicado à técnica milenar japonesa de criação de árvores em miniatura.  Se a filosofia e o cultivo de bonsais são temas que o fascinam, saiba  que temos toda uma coleção no Jardim Botânico da U.Porto, para conhecer a  partir das 15h00.


Gosta de observar sapos, rãs e salamandras? Répteis e peixes? Então o dia 16 de junho foi pensado para si. Pode inscrever-se numa sessão de observação destes animais, às 17h00, no Jardim Botânico da U.Porto.


A 18 de junho, desta vez no Polo Central do MHNC-UP,  a proposta passa por explorar de que forma a imagem pode revelar  detalhes, construir relações e criar narrativas. A Oficina de fotografia – Um olhar sobre as coleções do Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto tem início às 9h00. Até ao  final do dia, haverá trabalhos práticos e visitas guiadas às reservas  de Arqueologia, Etnografia, Zoologia, ao Herbário e às Plantas da  Estufa.


Com o pôr do sol, através do telescópio, iremos observar planetas do Sistema Solar, bem como estrelas, nebulosas e galáxias. À noite, haverá ainda uma sessão de observação de insetos no Jardim Botânico.


A participação nestas oficinas é gratuita, mediante inscrição prévia através do e-mail: s.educativo@mhnc.up.pt.

Numa noite de final de primavera, o Jardim  Botânico da U.Porto abre as suas portas para uma sessão especial "Os  insetos à noite no Jardim". (Foto: DR)

Se não lhe for possível participar em todas as atividades que  pretendia, pode ainda verificar o programa que preparámos para os dias 19 e 20 de junho. Haverá uma palestra sobre Conservação e Restauro em Coleções de História Natural; uma oficina de herborização; uma visita ao Arquivo Científico (mas também artístico e poético) de Desmond Morris e muito, mas mesmo muito mais.


Também a 19 de junho, a partir das 15h00, haverá tempo e espaço para Soltar a voz com Sophia no Jardim Botânico da U.Porto. Nesta oficina, que terá como ponto de  encontro a Galeria da Biodiversidade – Centro Ciência Viva, os  participantes vão ser desafiados a ler e a trabalhar poemas de Sophia de  Mello Breyner Andresen, sob a batuta de Isabel Marcolino. Para  contagiar quem ouve.


Todas as atividades são gratuitas, mediante inscrição prévia.


Para mais informações, consultar o website do MHNC-UP.


Fonte: Notícias U.Porto

Museu de História Natural e da Ciência apresenta Maravilhário

A exposição Maravilhário mostra milhares de  peças que foram doadas ao MHNC-UP ao longo de dois séculos de história.  Para visitar de 17 de junho a 20 de setembro.

São milhares de peças de um espólio com mais de dois séculos de existência. Maravilhário. Doações ao Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto (MHNC-UP) é o título da exposição que vai inaugurar dia 17 de junho, às 18h00, no Polo Central do MHNC-UP.


Quando visitamos um museu de história natural e da ciência,  deparamo-nos com uma diversidade de peças. Podem ser espécies animais,  vegetais, ou minerais, mas não só. O museu concentra coleções (que tanto  podem ser históricas como mais recentes) das mais diversas tipologia e  áreas do conhecimento: da geologia, paleontologia, zoologia, arqueologia  e etnografia, até à botânica. Preserva, estuda e partilha as  descobertas não só com o público, como também com outros museus. Um  circuito de investigação que se mantém constantemente em movimento.


É no Polo Central do MHNC-UP, localizado no Edifício Histórico da  U.Porto (com entrada pelo Jardim da Cordoaria), que estão concentradas  as coleções históricas que começaram a ser constituídas ainda durante as  primeiras aulas públicas de ensino de Náutica (1762) e de Debuxo e Desenho  (1779). Ou seja, durante os primórdios da U.Porto. São já dois séculos e  meio de aquisições para os núcleos museológicos de faculdades e  departamentos, recolhas para o desenvolvimento de atividades  pedagógicas, colheitas para a investigação, e também a incorporação de  doações/legados cedidos por colecionadores e respetivas famílias.

Espécime de borboleta que integra os espólios de doações ao MHNC-UP. (Foto: DR)

Celebrar dois séculos de doações

Historicamente, grande parte da expansão do património do MHNC-UP  deve-se à doação ou ao depósito de objetos e coleções privadas,  provenientes de particulares e de instituições de ensino, investigação  ou de outra natureza. Frequentemente, estas incorporações resultam de  colheitas realizadas no contexto de expedições e trabalhos de  investigação.


A exposição que agora abre portas ao público resulta, precisamente,  dessas doações. São mais de 125.000 insetos, 40.000 moluscos; 39.000  espécies de herbário; 4.400 aves; 3.000 objetos etnográficos e  arqueológicos; 1450 fósseis, rochas e minerais; 600 peixes; 500 répteis e  anfíbios, 198 mamíferos e muitos (muitos) outros “tesouros” do museu.  E, exatamente, o mesmo número de histórias que cada uma das peças pode  contar.


No Maravilhário que agora se abre ao  público cabe então uma seleção de objetos que representam uma ínfima e  simbólica fração da extraordinária diversidade de doações feitas ao  MHNC-UP. De coleções de aracnídeos, conchas, insetos, azulejos e  figurado de Barcelos a herbários, passando por instrumentos científicos,  fósseis, elementos fotográficos, cartas, aves e mamíferos, muitas serão  as surpresas com que nos poderemos maravilhar.


E, claro, não faltarão, para que isso aconteça, coleções históricas,  como as coleções Braga Júnior e António Miranda de Magalhães, a coleção  de ovos Henry Waldo Coverley, as coleções entomológicas Correia de  Barros e Maria Amélia ou a coleção de peças Tchokwe Fonseca Cardoso. E  nem o arquivo científico de Desmond Morris deixará de estar  representado.


Esta é também, por isso,  uma forma de reconhecer e celebrar o ato de  doar, absolutamente fundamental para a criação e consolidação de museus  como este.

Coleção de ovos que fará parte da exposição que inaugura a 17 de junho. (Foto: DR)

À descoberta do Maravilhário

A exposição Maravilhário. Doações ao Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto vai estar patente ao público até 20 de setembro de 2026. Pode ser visitada de terça-feira a domingo, das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 18h00.


As visitas livres são gratuitas. Já as visitas orientadas e combinadas (com o Laboratório Ferreira da Silva e a exposição Gemas, Cristais e Minerais)  terão o seguinte preçário:  Visita orientada simples – 3 euros; visita  orientada combinada (2 exposições) – 5 euros; visita orientada combinada  (3 exposições) – 7 euros; visita orientada ao Edifício Histórico  (Reitoria + MHNC-UP) – 6 euros; visita orientada ao Edifício Histórico  (Reitoria + MHNC-UP) para colaboradores, Alumni e portadores de cartão  Porto – 3 euros.


Para grupos escolares, os preços variam entre os 3 euros (visita  orientada simples), 3 euros (visita orientada combinada a duas 2  exposições) e 5 euros (visita orientada combinada a três exposições).


A inauguração da exposição está integrada no Festival Cultural Maravilhário, com um programa variado de atividades que se irá prolongar de 15 a 20 de junho.


As primeiras visitas guiadas às exposições acontecem a 18 de junho, às 11h30 e às 12h00.  A participação é gratuita, mediante inscrição prévia para visitas@mhnc.up.pt


Para mais informações, consultar o website do MHNC-UP. 


Fonte: Notícias U.Porto

Há novos podcasts no espaço virtual da Casa Comum

 132. Tropicália, de Marcelo Machado (2012)

Comentário de Denise Wal (Curso Avançado de Documentário KINO-DOC)

 133. The Black Tower, de John Smith (1987)

Comentário de Lucy de Freitas Hofle (Curso Avançado de Documentário KINO-DOC)

207. Peixe Bala, Chantal Guilhonato

“Peixe Bala”, de Chantal Guilhonato, in Peixes Carnívoros, 2025, p. 34


Mais podcasts AQUI


Nova publicação da U.Porto Press revela o “Porto escondido”

Porto: a cidade por trás da cidade será apresentado a 16 de junho, na Reitoria da U.Porto. Entrada livre.

Através de uma série de fotografias, esta obra mostra o espaço urbano escondido no miolo dos quarteirões do Porto. / FOTO: U.PORTO PRESS

Em Porto: a cidade por trás da cidade, do arquiteto e urbanista Mário Mesquita, encontramos “A cidade do avesso”. Foi assim que Miguel Leal, docente da  Faculdade de Belas Artes da U.Porto (FBAUP) e investigador do Instituto  de Investigação em Arte, Design e Sociedade (i2ADS), designou o  prefácio deste livro, numa alusão à cidade do Porto.


Nas suas palavras, “Se procurarmos bem no meio do seu tecido  complexo, feito em grande parte de barreiras sociais, políticas e  económicas (…), podemos encontrar outras cidades escondidas entre as  suas dobras”, sendo essa “cidade por trás da cidade que as fotografias de Mário Mesquita nos mostram”.


Porto: a cidade por trás da cidade, obra publicada pela U.Porto Press, com o apoio da Fundação Engenheiro António de Almeida, será lançada a 16 de junho, a partir das 18h30, na Reitoria da U.Porto (Auditório Ruy Luís Gomes).


A apresentação da obra ficará a cargo de Raquel Paulino, arquiteta, docente na Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto (FAUP) e investigadora integrada no Centro de Estudos Nuno Portas.


A entrada é livre.

O “Porto escondido” de Mário Mesquita

Conforme explica Miguel Leal no seu prefácio a esta edição, “O Porto,  naquilo que podemos considerar o seu centro urbano, consolidou-se em  grande parte durante o século XIX”, num período em que “recebeu muita  gente que vinha em busca de trabalho e de uma nova vida”.


Assim, “a cidade cresceu e densificou-se muito rapidamente”. E foi  neste contexto que surgiram as ilhas proletárias, “escondidas atrás de  muros ou ao fundo de longos corredores, depois de transpostas portas  quase secretas”.


Perante o desacelerar do modelo industrial do século XIX, as  “pequenas casas insalubres”, que naquele período se encontravam  “espalhadas às centenas e centenas pelo tecido urbano”, deram lugar a  “ruínas e ilhas abandonadas”, habitadas pelo que restava dos  proletários”.


Atualmente, muitas dessas ruínas são habitadas por “aqueles que vivem  nas margens da cidade, por opção ou fatalidade”, afirma Miguel Leal.


Nas fotografias de Mário Mesquita a esta cidade por trás da cidade “são poucas as vezes em que alguém aparece, mas é de um mundo vivo e da  presença das pessoas que habitam aqueles lugares que elas nos falam”.

PORTO:  A CIDADE POR TRÁS DA CIDADE, da autoria do arquiteto e urbanista Mário Mesquita, contou com o apoio da Fundação Engenheiro António de Almeida.  (Foto: U.Porto Press)

Também do ponto de vista de Mário Mesquita, que em Porto: a cidade por trás da cidade aborda “a temática do espaço urbano que podemos encontrar no miolo dos  quarteirões do Porto”, estes “são compostos por pátios, vilas, ilhas,  hortas e quintais”. No entanto, destes muitas vezes apenas é possível  ter uma perspetiva, “por entre edifícios, por trás de muros, grades e  portões”, ou “quando quem os habita ou os usa nos deixa entrar”. Na sua  opinião, é nestes interiores que “as transformações de que o território  foi sendo alvo nos últimos cento e cinquenta anos (…) se manifestam numa  grande diversidade”.


Para o docente da FAUP, o Porto “ainda conserva, no essencial, a  riqueza dessas interioridades para além da face visível dos quarteirões e  das ruas que a conformam”. Assim sendo, com este ensaio pretende  mostrar “essa riqueza quase invisível (…)”.


Mário Mesquita fala de “permanências ocupadas, abandonadas, em  decadência, mas também muitas ainda com imensa vida em múltiplos casos,  sempre que habitadas. É uma nova e outra cidade”, afirma. E de “casos  singulares”, na medida em que, “na sua maioria, ou os espaços estão  quase ou mesmo sem gente e apenas conservam as paredes, ou das paredes  apenas resta o delimitar dos espaços e a memória da sua apropriação”.


Mas estes espaços estão em lenta transformação, nomeadamente pela  “absorção (…) por empreendimentos de pequena e média escala” ou pelos  pátios e ilhas que dão lugar a alojamentos locais.


“O que podemos perceber ao longo deste ensaio desaparecerá e dará  lugar a novas e novíssimas formas de apropriação do espaço construído,  mas sobretudo à eliminação dos caminhos que o atravessam e nos contam  ainda histórias maravilhosas de vida urbana”, conclui.


Porto: a cidade por trás da cidade está disponível na loja online da U.Porto Press, com 10% de desconto e portes grátis.

Sobre o autor

Mário Mesquita é arquiteto, urbanista, artista e  professor na FAUP, lecionando também na FBAUP e na Faculdade de  Psicologia e de Ciências da Educação da U.Porto. É investigador  integrado no i2ADS, colaborador no CITCEM – Centro de Investigação  Transdisciplinar Cultura, Espaço e Memória, e membro da R3IAP – Rede de  Informação, Investigação e Intervenção em Arte Pública. Coordena a Comunidade de Inovação Pedagógica da U.Porto PTRI – Porto: Territórios e Redes da Invisibilidade. Publicou vários livros e artigos sobre  Arquitetura, Património e Urbanismo e tem obra pública em Arquitetura,  Design e Projeto/Planeamento Urbano. É especialista na cidade do Porto e  no seu território, tendo sido investigador na Águas e Energia do Porto e  colaborador do Museu do Porto.


Fonte: U.Porto Press

Alunos Ilustres da U.Porto

Eduardo Tavares

Busto de Miguel Torga em bronze, no Museu Amadeo de Souza Cardoso (Amarante). Oferta do autor [Eduardo Tavares: 1918-1991]

Eduardo Augusto Tavares, filho de António Joaquim Tavares, nasceu a 24 de julho de 1918, no concelho vinhateiro de S. João da Pesqueira.

Nos anos trinta do século XX surpreendemo-lo a trabalhar no ateliê do escultor António Teixeira Lopes, em Vila Nova de Gaia (atual Casa-Museu Teixeira Lopes). Em 1938, incentivado pelo mestre, matriculou-se na Escola de Belas Artes do Porto, onde foi seu aluno e também de Acácio Lino, Pinto do Couto e Joaquim Lopes.


Nos anos quarenta associou-se às exposições do Grupo dos Independentes, fundado em 1943 e composto por artistas como Fernando Lanhas, Nadir Afonso ou Júlio Pomar. Em 1946 concluiu o curso de Escultura, com a apresentação da obra Toupeira Douriense com a qual alcançou a classificação de dezanove valores. Entre 1947 e 1948 trabalhou como professor no ensino técnico. Na sequência da obtenção de uma bolsa do Governo francês, frequentou um curso na École Nationale des Beaux Arts de Paris.

Da sua produção escultórica dos anos 50 avulta uma série de cabeças esculpidas representando personalidades da esfera artística e cultural.


Em 1960 ingressou como professor na Escola Superior de Belas Artes do Porto, apresentando provas no Concurso de Agregação, em 1962, com a escultura Maturidade, tendo sido aprovado com mérito absoluto. Só veio a deixar esta Escola vinte e três anos depois.


Nos anos 60 e 70 recebeu diversas encomendas para obras públicas e participou em exposições coletivas.

Além da atividade docente e da produção de escultura, também se dedicou à escrita, sendo autor de três livros teóricos sobre arte: Do Número de Ouro à Figura Humana; Da Geometria de Miguel Ângelo na Capela Sistina: Giotto, Piero della Francesca, Verrocchio, Botticelli, Perugino, Leonardo da Vinci, Rafael, Ticiano, El Greco e Anatomia Artística, o último dos quais editado postumamente.


Faleceu no Porto no ano de 1991 com 73 anos de idade.


Quatro anos volvidos sobre a sua morte, a Faculdade de Belas Artes dedicou-lhe uma exposição.

Em 2003, foi inaugurado na sua terra de origem o Museu Eduardo Tavares. Este espaço museológico nasceu de uma doação ao município duriense de S. João da Pesqueira e procura divulgar a sua obra. Está instalado numa casa nobre setecentista da Praça da República, no centro histórico da vila, usada outrora como câmara e cadeia, e alberga igualmente o Posto de Turismo, uma pequena biblioteca e um núcleo arqueológico. As obras aqui expostas foram produzidas entre 1952 e 1982 e são provenientes da oficina de Eduardo Tavares. Por este motivo, a exposição de escultura simula o atelier do artista, onde não faltam gessos, modelos, maquetas, desenhos e instrumentos de trabalho.



U.Porto - Antigos Estudantes Ilustres da Universidade do Porto: Eduardo Tavares


Museu Amadeo de Souza Cardoso

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