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Música, poesia e performance na última semana de cultura ao luarDe 21 a 25 de julho, as Noites do Pátio do Museu vão cruzar épocas, áreas artísticas e fronteiras geográficas, da Galiza à Índia, passando pelo Porto e pelo Brasil. O grupo Sitar Jugalbandi atua na noite de 23 de julho.Foto: DR
Dois espetáculos audiovisuais, um deles com música eletrónica, ritmos clássicos da Índia e poesia de travo brasileiro são os principais destaques do programa da última semana das Noites no Pátio do Museu. Acontecem sempre à noite, a partir das 21h30, e o acesso é livre até ao limite de lotação do espaço. A entrada faz-se pelo Jardim da Cordoaria. Logo no dia 21 de julho atravessaremos o Atlântico à boleia das palavras de Mário Quintana, uma das mais singulares vozes de poesia brasileira do século XX. Nascido há 120 anos, precisamente no mês de julho de 1906, na cidade de Alegrete, no Rio Grande do Sul, Quintana foi poeta, tradutor e jornalista, ou, conforme de autodefinia, “a inquieta voz do vento”.
Na voz do Colectivo de Poesia da U.Porto, a poesia de Mário Quintana mostrar-se-á enquanto luta com as palavras para as obrigar a dizerem aquilo que o poeta quer, segundo confessou numa entrevista publicada na Revista do Brasil. O tom e o modo ficou marcado logo desde a publicação, em 1940, de A Rua dos Cataventos, o seu primeiro livro de poesia, definindo-a como “lição de leitura” e “hora de recreio” em simultâneo.
Supplica, histórias de marinheiros e famílias vai fazer-se ouvir no dia 24 de julho Pátio do Museu.
Dois dias depois, a 23 de julho, o Sitar Jugalbandi vai colocar “instrumentos em conversa”. Este grupo de música clássica da Índia é formado pelo casal de sitaristas Abhishek Adhikary e Murchana Adhikary Barthakur, que irão subir ao palco com o tablista Ibram Kashi e o vocalista Sali Musica Siva. No âmbito da música indiana, o termo jugalbandi refere-se a um dueto de instrumentos melódicos, introduzindo esta mudança no formato clássico de um só instrumento solista acompanhado pela tabla. O duo já subiu ao palco da Casa Comum em 2024, tendo Murchana Adhikary Barthakur atuado já este ano no Palácio Presidencial da Índia, perante António Costa, Ursula von der Leyen e o presidente indiano.
No dia 24 de julho, sexta-feira, o pátio do museu vai ser ocupado por um espetáculo audiovisual que promete fazer-nos entrar na máquina do tempo a fim de revisitar uma tragédia com mais de 130 anos: numa tarde de fevereiro de 1892, uma tempestade, com particular impacto entre Aveiro e a Galiza, varreu o litoral e colheu, no mar, a vida de 105 pessoas das comunidades piscatórias entre a Póvoa de Varzim e da Afurada. Em terra, instalou-se o luto profundo. As festas populares esmoreceram, os trajes coloridos cederam lugar ao negro e os instrumentos musicais silenciaram-se. O mar, outrora sustento, tornou-se espelho da ausência.
É neste contexto que surge Supplica, um espetáculo audiovisual e imersivo que revisita o episódio, associando-o a uma experiência coletiva em que a música, a imagem e a palavra dão voz ao mar, aos náufragos e às famílias. O espetáculo foi criado por Hélder Luís e estreou em fevereiro de 2026 na Igreja da Lapa, na Póvoa de Varzim.
Caberá a Dullmea encerrar, com chave de ouro, o programa das Noites no Pátio do Museu
No dia 25 de julho, sábado, entrar no Pátio do Museu equivalerá a ficar envolvido por paisagens sonoras que resultam da recomposição da voz por meios eletrónicos. Dullmea, que está a assinalar dez anos de percurso artístico, usará a figura feminina como fio condutor de Jano, um concerto que é também uma viagem histórica e literária por algumas figuras femininas pioneiras que habitam o nosso imaginário coletivo, mas cujas narrativas foram escritas, maioritariamente, por homens.
Deste modo ficará concluído o mês de programação que trouxe centenas de pessoas ao Pátio do Museu de História Natural e da Ciência da U.Porto, da enologia à etnografia, passando pela música de diferentes géneros e distintas proveniências geográficas e pela literatura.
Fonte: Notícias U.Porto
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Galeria da Biodiversidade sintoniza O Tempo das ÁrvoresUm "concerto-performance" e a inauguração de uma exposição, nos dias 24 e 25 de julho, marcam o arranque deste projeto que se irá prolongar até setembro. A entrada é livre. Pormenor de peça de Samuel Ornelas, autor da exposição As Flores Violadas
Tendo por fio condutor o estudo das árvores e das lendas das florestas, O Tempo das Árvores é um projeto da Associação Cultural Fogo Lento que vai marcar a programação da Galeria da Biodiversidade-Centro Ciência Viva nos próximos dois meses. Constará de uma exposição e de um podcast, e arranca já no dia 24 de julho com o concerto/performance
Perdida No Bosque, uma criação de Clélia Colonna. Revisitação do universo arquetípico do conto O Capuchinho Vermelho, o espetáculo cruza diferentes experiências, geografias e culturas, e promove um diálogo entre diferentes linguagens artísticas. Repete-se no dia seguinte, 25 de julho, às 19h00, logo após a inauguração da exposição As Flores Violadas, de Samuel Ornelas, marcada para as 18h00.
As Flores Violadas é uma mostra que, entre outras fontes, como as lendas dos Alpes suíços, vai beber inspiração ao livro Empúsio, de Olga Tokarczuk, Prémio Nobel de Literatura em 2019. A narrativa coloca-nos numa hospedaria onde o tempo livre dá lugar à especulação sobre fenómenos que acontecem na floresta circundante.
Samuel Ornelas, xilogravurista, pintor e antigo estudante da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, criou obras que refletem esta deambulação entre os sentinelas da floresta e um mundo fantástico habitado por seres espectrais. A exposição ficará parente até 27 de setembro. A entrada é livre.
O Tempo das Árvores é um projeto da Associação Fogo Lento.
Também no dia 25 estreará Dendromorphosis, a arte de ser árvore, uma criação sonora em formato de podcast, com assinatura de Costanza Givone, Clélia Colonna e Alex Cassal. Será através do som que iremos trepar até ao cimo de uma das árvores mais altas do mundo, a qual se encontra num bosque da Tessália, nome tradicional de uma antiga região geográfica que pertence à Grécia, na fronteira com a Macedónia. É aqui que vamos encontrar uma ninfa aflita, a fugir de uma perseguição, no encalço da qual iremos descobrir a inumerável fauna microscópica que habita o tronco de uma árvore. E também um futuro pós-humano em que as cidades dão lugar a florestas luxuriantes. A estreia deste podcast resulta, refira-se, de uma residência artística realizada em Portugal, no Jardim Botânico da U.Porto, e na Islândia.
O Tempo das Árvores propõe, assim, novas formas de relação entre humanos e o mundo vegetal, afirmando a arte como ferramenta de regeneração ambiental e social. Inspirado no conceito de plant blindness — um viés cognitivo definido por J. H. Wandersee e E. E. Schussler, em 1999, que descreve a dificuldade em reconhecer a presença das plantas e compreender o seu papel fundamental na biosfera —, o ciclo desenvolve atividades com comunidades escolares, artistas e investigadores.
Fonte: Notícias U.Porto
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Julho na U.Porto
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Para conhecer o programa da Casa Comum e outras iniciativas, consulte a Agenda Casa Comum ou clique nas imagens abaixo.
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Inventarium: Derivas da Forma | Exposição de Ana Aragão
Entrada Livre. Mais informações aqui
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YUGEN [幽玄]: UMA REITERAÇÃO POÉTICA DO JAPÃO | Exposição
Entrada Livre. Mais informações aqui
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Papagaios com Alma do Mar | Exposição
Entrada Livre. Mais informações aqui
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O Extraordinário no Comum | Exposição
Entrada Livre. Mais informações aqui
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Rostos, Palavras e Cidade | Exposição
Exposição | Arcadas do Edifício Histórico da U.Porto Entrada Livre. Mais informações aqui
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Noites no Pátio do Museu 2026
Festival | Museu de História Natural de da Ciência da U,Porto Entrada Livre. Mais informações aqui
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Colectivo de Poesia - Poetas a Várias Vozes | Mário Quintana
Poesia | Museu de História Natural de da Ciência da U,Porto Entrada Livre. Mais informações aqui
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Sitar Jugalbandi – Ragas da Índia do Norte em diálogo com a tradição carnática
Música | Museu de História Natural de da Ciência da U,Porto Entrada Livre. Mais informações aqui
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SUPPLICA | Espetáculo Audiovisual
Espetáculo audiovisual | Museu de História Natural de da Ciência da U,Porto Entrada Livre. Mais informações aqui
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Jano | Dullmea em concerto no Pátio do Museu
Música | Museu de História Natural de da Ciência da U,Porto Entrada Livre. Mais informações aqui
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RIR, APESAR DE TUDO! O CINEMA POLITICAMENTE INDISCRETO DE MEL BROOKS | Ciclo de Cinema
Entrada Livre. Mais informações aqui
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Club di Lettura Italiano 2025 | Clube de Leitura Italiano 2026
10 SET, 30 OUT e 10 DEZ'26 | 19h30 Literatura | Casa Comum e ASCIPDA Entrada Livre. Mais informações e inscrições aqui
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Maravilhário. Doações ao Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto
Ciência | Polo Central do MHNC- UP Entrada Livre. Mais informações aqui
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Gemas, Cristais e Minerais
Exposição | Museu de História Natural e da Ciência U.Porto Entrada Livre. Mais informações aqui
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E se?… Constelações de Modos de Viver o Espaço Urbano
Exposição | Fundação Marques da Silva
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Corredor Cultural
Condições especiais de acesso dos estudantes do Ensino Superior a museus, monumentos, teatros e salas de espetáculos.
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FBAUP celebra a integração do arquivo de Elvira Leite no seu acervoCom a integração do arquivo de Elvira Leite, a FBAUP reforça o seu acervo e abre novas portas ao estudo da educação artística em Portugal. Acervo de Elvira Leite é uma fonte relevante para o estudo da história da educação artística em Portugal. Imagem: DR
A Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (FBAUP) assinala, no dia 21 de julho de 2026, às 18h30, na Aula Magna, a doação do arquivo pessoal da artista, professora e autora Elvira Leite. A sessão Elvira Leite no acervo da FBAUP celebra publicamente o gesto de generosidade da autora e a integração deste importante património documental no acervo da instituição. O arquivo reúne mais de cinco mil itens, entre materiais físicos e digitais, que documentam mais de seis décadas de atividade de Elvira Leite nos campos da arte e da educação artística, congregando a sua prática como artista, professora, autora, formadora e dinamizadora de projetos culturais. Integra fotografias, slides, publicações, manuscritos, livros-jogos, documentos de trabalho, registos audiovisuais e outras materialidades que registam projetos desenvolvidos em contextos de educação formal e não formal, bem como as redes de colaboração que marcaram o seu percurso.
A doação compreende ainda um acervo documental e fotográfico relativo ao projeto pedagógico desenvolvido por Elvira Leite em Pena Ventosa, no Bairro da Sé, Porto, em 1977, uma experiência de educação artística participativa com a comunidade local. Este núcleo integra vinte e oito provas fotográficas, trezentos diapositivos e duzentos e quarenta e oito negativos das atividades desenvolvidas no âmbito do projeto. Projeto que já tinha sido abordado na exposição Quem te ensinou? – Ninguém. Pena Ventosa 1977, apresentada no Pavilhão de Exposições da FBAUP (2016).
Tendo formalizado a doação do arquivo à FBAUP em 2025, depois da incorporação de um primeiro conjunto documental em 2016, o acervo de Elvira Leite será agora colocado ao serviço da investigação, do ensino e da construção da memória. Organizado e sistematizado por Amanda Midori no âmbito do seu projeto de investigação de doutoramento em Educação Artística, desenvolvido na FBAUP sob orientação de Cat Martins e coorientação de Rita Bredariolli, este arquivo constitui uma uma fonte relevante para o estudo da história da educação artística em Portugal e da trajetória de uma das suas protagonistas.
A disponibilização do arquivo será assegurada através do acesso à documentação nos seus suportes originais
e, de forma progressiva, em formato digital, promovendo simultaneamente a sua preservação e uma maior democratização do acesso. Esta estratégia permitirá alargar significativamente o universo de utilizadores, que inclui estudantes, docentes, investigadores e o público em geral.
A descrição e gestão arquivística do fundo serão asseguradas através do Archeevo, plataforma de referência para a descrição e gestão de documentação de arquivo. Paralelamente, a informação poderá ser recuperada através do sistema integrado de pesquisa das bibliotecas da Universidade do Porto, o discovery.up.pt, possibilitando a pesquisa e o acesso, a partir de um único ponto, a toda a documentação física e digital relacionada com a artista.
Complementarmente, será ainda criado um espaço dedicado ao arquivo na página do Serviço de Documentação e Informação (SDI) da FBAUP, destinado à sua divulgação e valorização. Este espaço funcionará como uma plataforma de mediação e divulgação, agregando a informação disponível nos sistemas de origem sem duplicação, e garantindo a sua atualização e consistência.
Deste modo, a FBAUP reforça o seu compromisso com a preservação, o estudo e a divulgação da obra e do legado de Elvira Leite, colocando este relevante património documental ao serviço da comunidade académica e do público em geral.
Elvira Leite (ao centro) foi este mês agraciada com a Medalha de Mérito da Cidade do Porto. (Foto: CMP)
Vida e obra de Elvira LeiteElvira Leite (Porto, 1936) concluiu o Curso Complementar de Pintura na Escola Superior de Belas Artes do Porto, em 1964. Nos primeiros anos da sua carreira, afirmou-se no panorama artístico nacional, integrando a representação portuguesa na VIII Bienal de São Paulo (1965) e recebendo o Prémio Nacional de Pintura, em 1968. Paralelamente à atividade artística, iniciou a carreira docente no ensino básico e secundário da escola pública, exercida maioritariamente na Escola Secundária Rodrigues de Freitas, onde permaneceu até 2000. Ainda na década de 1970, optou por centrar a sua atividade no campo da educação, mantendo, a par da função docente, os projetos artístico-educativos implementados em ateliers, museus e comunidades em situação de vulnerabilidade social.
No âmbito da educação, concebeu metodologias, abordagens e estratégias centradas no trabalho de grupo, na resolução de problemas do quotidiano e na lógica de projeto, além de conceber jogos, livros-jogos e equipamentos para a educação visual. Colaborou igualmente em processos de reestruturação educativa, em Portugal e no estrangeiro, participando na formação de professores, na revisão curricular e atuando como consultora da UNESCO. A partir da década de 1980, publicou obras sobre trabalho de projeto, criatividade e pedagogia.
Desde os anos 1990, exerceu consultoria educativa em instituições culturais do Porto, destacando-se a sua colaboração com o Serviço Educativo da Fundação de Serralves. Em 2004, foi condecorada a nível nacional como Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique e, em 2026, recebeu a Medalha de Mérito da Câmara Municipal do Porto.
Em 2016, o seu projeto de atividades artísticas com crianças e jovens desenvolvido no Largo da Pena Ventosa (1976–1977) ganhou renovada projeção através da exposição Quem te ensinou? — Ninguém. Pena Ventosa, 1977, apresentada no Porto e posteriormente em Paris, Nova Iorque, Barcelona e Funchal. Em 2025, a Galeria Municipal do Porto dedicou-lhe a exposição Aprender a Ensinar, Ensinar a Aprender com Elvira Leite, centrada na sua produção pictórica e educativa.
Fonte: Notícias U.Porto
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Há novos podcasts no espaço virtual da Casa Comum |
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 O percurso de Diogo Peixoto reflete um compromisso consistente com o serviço público, através da articulação entre a prática clínica, a investigação e o ensino na área da enfermagem. Licenciado, especialista e mestre pela Escola Superior de Enfermagem do Porto, frequenta atualmente o doutoramento em Ciências de Enfermagem no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto, onde desenvolve investigação dedicada à construção de indicadores de qualidade dos cuidados de enfermagem em unidades de medicina intensiva. Atualmente exerce funções como enfermeiro no Centro Hospitalar Universitário de São João e é assistente convidado na Escola Superior de Enfermagem do Porto. Ao longo do seu percurso profissional, passou por diferentes instituições do Serviço Nacional de Saúde, consolidando experiência em unidades de medicina interna e cuidados intensivos, sempre com especial enfoque na qualidade, segurança e melhoria contínua dos cuidados prestados. Paralelamente à atividade assistencial, tem desenvolvido trabalho na docência e na investigação, participando em projetos científicos e comunicações em congressos nacionais nas áreas dos indicadores de qualidade, supervisão clínica e organização dos cuidados de enfermagem. Neste episódio do Alumni Mundus – Serviço Público, damos a conhecer um percurso onde a prática clínica, a investigação e o ensino se unem para promover a excelência dos cuidados de saúde e contribuir para a qualificação do Serviço Nacional de Saúde.
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“Caderneta de cromos”, de Nuno Artur Silva, in Erros Meus – Poesia Incompleta, 2026, p. 320.
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Alunos Ilustres da U.PortoEmílio PeresEmílio Peres (1932-2003) foto DR Emílio Fernando Alves Peres nasceu em Ermesinde a 22 de julho de 1932. Era filho único de pais oriundos de Lisboa. Fez o ensino primário numa escola pública e, como tantos outros naqueles tempos, frequentou, por obrigação, a Mocidade Portuguesa e as aulas de religião e moral, apesar de não ser crente.
Das suas recordações, lembrava as férias memoráveis que passava na capital, plenas de passeios e convívios.
Estudou durante sete anos no Liceu Alexandre Herculano, no Porto, fazendo a viagem de comboio e, mais tarde, de elétrico. No Liceu fez amizades para a vida e estreou-se a escrever no jornal escolar. Trabalhou em part-time como agente de um quinzenário de palavras cruzadas e vendeu livros na Editora Civilização durante as férias.
Em 1949 matriculou-se na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, instituição que frequentou até 1955. Foi um excelente aluno, merecedor de alguns prémios académicos. No 6.º ano apresentou o seu primeiro trabalho de investigação, Acção hipoglicemiante da Vitamina E.
Paralelamente ao estudo praticou desporto: hóquei em patins na equipa do Centro Universitário do Porto; ténis, no Ermesinde Ténis Club; montanhismo, no Club Nacional de Montanhismo. Integrou, também, o Orfeão Universitário do Porto, experimentou o jornalismo e, quando frequentava o terceiro ano do curso, passou a trabalhar como delegado de informação médica no laboratório Lepetit.
Interessado em Endocrinologia, transferiu-se para Lisboa em 1955, para aprofundar os conhecimentos numa área que não existia no Porto. Ocupou, então, uma vaga disponível no Serviço da Clínica Médica com o endocrinologista Luís da Silveira Botelho, que veio a ser o seu mestre. Estagiou no Hospital de Santa Maria e concluiu a licenciatura com a classificação de dezoito valores, em 1957.
Nos quatro anos seguintes, chefiou os serviços de propaganda médica, desenvolvendo técnicas inovadoras de marketing na empresa Lepetit, foi admitido no Internato dos Hospitais Civis de Lisboa, cumpriu o serviço militar, publicou os primeiros trabalhos científicos, apresentou as primeiras comunicações e, por um ano, foi assistente voluntário de Química Fisiológica na Faculdade de Medicina de Lisboa, onde fez amizade com Manuel Júdice Halpern e Manuel Neves e Castro.
No início da década de 60, altura em que era interno de Medicina nos Hospitais Civis de Lisboa e estagiário de Endocrinologia no IPO, teve possibilidade de obter uma bolsa de estudo para Montreal. Contudo, os seus pais solicitaram-lhe que regressasse ao Porto e à Faculdade de Medicina desta cidade pediu-lhe que se transferisse do Hospital de Santo António para o de São João. Acabou por ser contratado como assistente de Clínica Médica para implementar a consulta regular de Endocrinologia, a qual veio, mais tarde, a integrar a Unidade de Endocrinologia.
Durante esta fase, dedicou-se, também, ao ensino, à investigação, à atividade de conferencista, ao estudo de novos métodos pedagógicos e à propaganda médica. Na Lepetit passou a diretor de Marketing, investindo em estudos pós-graduados em Marketing e Gestão de Empresas, tendo sido depois promovido ao cargo de consultor de negócios no exterior. Em 1965, quando o laboratório entrou no Grupo Dow Chemical, assumiu o cargo de Diretor-geral da empresa em Portugal até a deixar em 1971, mantendo-se, no entanto, associado ao sector editorial da Lepetit.
Entre 1961 e 1962 viveu a guerra de Angola, integrando um batalhão de Caçadores Especiais. Regressou ao país depois de ser ferido.
Dos anos 70 aos anos 90, publicou dezenas de artigos científicos, iniciou a clínica privada em Endocrinologia e Doenças da Nutrição (1979), prosseguiu a sua carreira no Hospital de São João, instituição da qual veio a ser chefe do Serviço de Endocrinologia e da qual se aposentou, em 1992. Na Faculdade de Medicina do Porto integrou a comissão diretiva (1974-1975), foi membro do Conselho Científico (1975-1976) e terminou a sua atividade de docente (1976).
Entre 1974 e 1975 participou ativamente em duas comissões nacionais, uma composta por representantes das três faculdades de Medicina e dos hospitais centrais, que resultou na criação de duas escolas médicas, uma em Lisboa e outra Porto (esta última, o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar); a outra formada pelos representantes das faculdades de Medicina sob a tutela do Diretor-geral do Ensino.
Na sequência destes trabalhos surgiram conselhos e diretrizes para a formação de profissionais de Saúde. Foram então criadas escolas superiores públicas de Saúde Oral, de Alimentação e Nutrição, como a Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto, de Psicologia Clínica, da Motricidade e do Desporto e Educação Física para a Saúde. Algumas destas recomendações também resultaram na reciclagem dos auxiliares de enfermagem, na formação superior de enfermeiros e na criação de cursos médicos regulares.
Em 1976, fez parte do Grupo de Trabalho Instalador do Curso de Nutricionismo da Universidade do Porto, que se transformou na atual Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto (FCNAUP). A aula inaugural por ele lecionada, na Faculdade de Medicina, foi mantida até 1998.
O professor, investigador e conferencista procurou atingir públicos alargados. Publicou livros de divulgação, fez rádio durante 12 anos, teve inúmeras intervenções na televisão, escreveu centenas de trabalhos de divulgação e artigos de opinião, colaborou em livros sobre ambiente, alimentação e política, participou na Campanha de Educação Alimentar Saber Comer é Saber Viver e no projeto A Roda dos Alimentos. Também deu cursos de formação.
O seu apego à cultura levou-o a participar na fundação da Universidade Popular do Porto, uma associação cultural sem fins lucrativos e de utilidade pública, com Rui Luís Gomes, Óscar Lopes e Armando de Castro, instituição que abriu portas no dia 25 de junho de 1979, nas comemorações do 30º aniversário da morte de Bento Jesus Caraça.
Esteve igualmente ligado à Fundação Maria Isabel Guerra Junqueiro e Luís Pinto de Mesquita Carvalho, instituída após a morte da filha do poeta transmontano. Foi consultor da Enciclopédia Verbo, militante do PCP e vice-presidente da secção Regional da Ordem dos Médicos (1973-1975).
Do seu casamento com D. Odete Peres teve a filha Mafalda, mãe de Frederico e de Santiago.
O pai da educação alimentar em Portugal, culto e interventivo, que dedicou a sua vida à investigação científica, ao ensino, à cultura (letras e música), à política e às artes plásticas (arte sacra e faiança, nas quais usou o método científico para o seu estudo), morreu em 26 de outubro de 2003.
Em 2008 foi a Figura Eminente da Universidade do Porto.
U.Porto - Antigos Estudantes Ilustres da Universidade do Porto: Emílio Peres
Homenagem a uma Figura Eminente da UP : Emílio Peres(1932-2003)- up.pt
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