César Soares


Tem 48 anos, é natural de Amares e reside em Billund, na Dinamarca. 


Profissionalmente, é Model Design Master na Lego. Entre vários sets de destaque, foi responsável pelo recém-lançado Death Star (na foto), da série Star Wars da Lego — o set mais caro de sempre da marca dinamarquesa.


[o que se recorda com mais saudade dos tempos de estudante] "Definitivamente, as amizades

que fiz para toda a vida!.", César Soares

O César foi estudante de licenciatura na FADEUP. Quer falar-nos sobre o seu percurso profissional após a conclusão do curso?

Terminei a minha licenciatura em 2000 e comecei por lecionar no Distrito de Castelo Branco, nos primeiros dois anos. Os anos seguintes foram bastante incertos, uma vez que, por diversas vezes, não obtive horário completo e/ou anual. Andei por Abrantes, Lisboa e Oeiras, mas também pelo Norte, como Vagos e Santo Tirso.

 

E porque escolheu a área do Desporto para a sua formação superior? Quando percebeu que era esse o caminho a seguir?

Sempre estive ligado ao Desporto e fui praticante de futebol e voleibol (este último durante muitos anos); por isso, uma das profissões que sempre esteve no meu radar foi ser professor de Educação Física. Os meus pais, ambos funcionários públicos em escolas, também influenciaram a minha decisão, pois sabiam que a profissão de professor seria adequada para mim.

 

Atualmente é designer na LEGO e tem assinado alguns dos sets mais icónicos da marca. Como surgiu esta oportunidade de integrar a equipa de design da LEGO?

Quando era criança, a LEGO era o único brinquedo que queria e pedia nos aniversários e Natais. Já nessa altura, lembro-me que adorava fazer as minhas próprias construções a partir da minha imaginação. Claro que deixei de construir com LEGO durante muitos anos, à medida que fui crescendo, mas, em 2014, por acaso, redescobri a minha paixão pelos blocos coloridos e comecei a comprar sets e a construir novamente. Em 2015, um amigo disse-me que a LEGO estava a recrutar designers, e enviei o meu portfólio de construções originais. Passei por uma longa fase de recrutamento, com várias entrevistas e um workshop presencial de 3 dias aqui na Dinamarca, e foi-me finalmente oferecida uma posição como designer na equipa de Star Wars.

 

Criar um set LEGO implica visão artística, precisão técnica e muito trabalho em equipa. Que aprendizagens da sua formação em Desporto considera mais úteis para a sua atividade profissional atual?

Certamente, a noção de que o trabalho em equipa e fundamental para a realização de um bom set de LEGO. Embora o designer seja responsável pela forma, cor, aspeto, tamanho, etc, de um set, há, no entanto, muitos outros profissionais envolvidos, que permitem que tudo funcione como é suposto, como especialistas em moldes, especialistas em manuais de instruções, etc.

 

Recentemente, a LEGO apresentou a Estrela da Morte, da saga Star Wars, o set mais caro de sempre da marca e cuja criação teve a sua assinatura. Pode contar-nos, de forma resumida, como se chega ao produto final? Sabemos que é um processo longo e com várias etapas…

O processo de design de um set LEGO passa muito por construir, tanto com peças físicas como digitalmente, vezes e vezes sem conta. Quando se trata de uma Propriedade Intelectual, como é o caso dos sets Star Wars, temos de nos manter perto do material de referência e, ao mesmo tempo, certificarmo-nos de que o produto final é estável, fácil de construir e divertido! Portanto, grande parte do meu dia consiste em construir com peças LEGO e ir descobrindo quais as melhores soluções, formas, cores, técnicas de construção, etc. E muito disto: construir, desmontar, construir novamente até chegarmos ao produto final.

 

Algum dos sets pelos quais foi responsável é inspirado no mundo do Desporto? Gostava de desenvolver um projeto nessa área? Se sim, qual seria?

Infelizmente, ainda não. Quando a LEGO, há uns anos atrás, estava a desenvolver os estádios de futebol, fiquei muito curioso e acompanhei de perto o desenvolvimento dos mesmos, mas não estive diretamente envolvido. Mais recentemente, têm sido desenvolvidos alguns sets alusivos ao basquetebol (43008), dos quais também sou grande apreciador, e adorava trabalhar em algo semelhante no futuro.

Vive na Dinamarca há vários anos. Tendo formação na área do Desporto, que hábitos desportivos observa nos dinamarqueses que gostaria de ver mais enraizados em Portugal — e, por outro lado, o que acha que os dinamarqueses poderiam aprender connosco?

Não sendo um hábito desportivo propriamente dito, há uma coisa que admiro imenso nos dinamarqueses: o facto de andarem de bicicleta para todo o lado. Tenho colegas de trabalho que vão de bicicleta todos os dias para o escritório, e alguns deles moram a mais de 5 km de distância. Um deles mora a 12 km e, todos os dias, há 25 anos faz o mesmo percurso, seja qual for a previsão meteorológica!

Por outro lado, tendo em conta que o clima aqui é rigoroso, acho que eles podiam passar mais tempo em atividades desportivas indoor. No verão, veem-se imensas pessoas a fazer jogging ou outros desportos, mas quando o inverno chega (e é longo!), há uma tendência muito grande para se voltarem para outras atividades que, sendo indoor, não são desportivas.

 

Voltando à FADEUP, o que recorda com mais saudade dos tempos de estudante? 

Definitivamente, as amizades que fiz para toda a vida! E também a minha paixão, que se instalou pela cidade do Porto, pela cultura e pelas pessoas da cidade invicta.

 

Recorda-se de alguma história, enquanto estudante FADEUP, que queira partilhar connosco? 

Há muitas que recordo com um sorriso ou carinho, mas a que mais sobressai foi aquela vez em que percebi que alguns dos meus ídolos do voleibol nacional (Pedro Azenha, Adriano Paco ou Carlos Teixeira, por exemplo) eram da mesma turma que eu. Foi uma sensação incrível!

 

Qual é a sua maior realização?

Conseguir estabilidade profissional, pese embora numa área diferente. E, juntando a isso, o facto de adorar o que faço todos os dias e de ter as melhores condições de trabalho que poderia imaginar, cimenta a ideia de que ter deixado tudo para trás foi a melhor decisão que tomei.

 

Como ocupa os tempos livres?

Tenho diversos hobbies (reefkeeping [ndr: cultura de corais em aquário] e colecionar filmes em Blu-ray são dois deles), mas passo muito tempo com a família, porque a cultura de trabalho aqui é bastante diferente e permite isso mesmo. E, claro, sempre que posso tento praticar desporto, sobretudo no exterior (jogging), porque existem imensos espaços verdes ideais para isso.

 

Quer deixar algum conselho aos nossos estudantes?

Seja qual for o objetivo profissional que se tenha, nunca é tarde para perseguir um sonho. Eu, infelizmente, tive de me afastar do ensino em Portugal devido à precariedade e à incerteza, mas fui afortunado o suficiente para descobrir que a vida pode mudar muito quando se ama aquilo que se faz todos os dias. Para mim, demorou quase 40 anos, mas valeu a pena.

 

O que espera do futuro?

Continuar a fazer o que gosto, tirar prazer da excelente qualidade de vida que tenho aqui

na Dinamarca e, ao mesmo tempo, desfrutar do facto de que aquilo que faço traz alegria,

divertimento e aprendizagem a crianças e adultos no mundo inteiro.

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