O Francisco concluiu a licenciatura na Faculdade. Quer partilhar connosco o percurso que seguiu desde então? No ano letivo 1999/2000, terminei a licenciatura com a realização do estágio em Penafiel. Desde o primeiro dia do curso que o meu objetivo primeiro era ingressar numa escola, era ser professor de Educação Física. Assim, a prioridade foi tendo em conta as regras do “jogo” daquele tempo: conseguir, o quanto antes, o tempo de serviço necessário para ingressar nos quadros do Ministério da Educação. Com esse objetivo traçado, percorri o país, ano após ano, de forma a conseguir o máximo de dias de trabalho. Nem sempre foi fácil, uma vez que essa procura me levou a trabalhar, durante alguns anos, a mais de 600km de casa. Depois, com as voltas da vida, acabei por ficar por Leiria, cidade onde resido. Ao longo destes anos, foram variados os desafios que se me colocaram ao nível do Desporto e da Educação. Ainda assim, considero-me uma pessoa que não vira a cara a um desafio…. No ambiente escolar, costumo dizer que “já passei por tudo”, inclusivamente fui Presidente do Conselho Geral, pertenci à equipa do Diretor…. A título de curiosidade, nos últimos cinco anos, estive ligado ao Plano de Transição Digital das Escolas, em trabalho de proximidade com a Direção Geral da Educação, pelo Centro de Formação RCA-Leiria. Ao nível do Desporto Federado, esta época, fui convidado a colaborar num projeto recente de desenvolvimento/implementação do voleibol, aqui em Leiria. E assim vamos caminhando. Aceitando desafios que se nos colocam, alguns deles jamais imaginados. E porque escolheu a área do Desporto para a sua formação superior? Quando percebeu que era esse o caminho a seguir? Desde criança que o Desporto e a atividade física eram as minhas atividades de eleição. Chegado ao 5º ano, aquando das aulas de Educação Física, a oferta desportiva nas aulas foram marcantes. Desde a experimentação de novos jogos, até à alegria que vivíamos nas aulas, fizeram-me querer viver com a Educação Física. Retenho na memória o ter pensado: “Quero ser como estes professores”. E pronto, assim foi! Ou mais ou menos. Que principais competências considera ter adquirido na FADEUP e que hoje aplicam na sua atividade profissional? Diria que a exigência e o rigor, a par com a organização/planificação - foram competências marcadamente adquiridas. A essas, acrescentaria a importância da procura de novos conhecimentos e a amplitude de visão na análise de situações ou fenómenos. Em resumo, nunca me contentar em “ficar pela rama”. O Francisco é professor de Educação Física e treinador de hóquei em patins, mas fotógrafo amador, esta última atividade com diversos trabalhos profissionais no portfolio. Existe alguma ligação entre estas três atividades? Qual das três o entusiasma mais? Vejo o profissionalismo mais como o nível da entrega à tarefa do que qualquer outra aceção. Nesse sentido, o fotografar é, para mim, uma atividade que faço com todo o amor e dedicação. Em tempos, a vontade em mudar de ramo foi grande, mas o chamamento pela atividade física foi maior. Não era possível trocar as bolas, as raquetes, as redes, pelas lentes. Têm de coabitar. Diria que a ligação entre elas está na necessidade de disciplina, rigor, preparação, pormenor e estudo. Tanto no ato de fotografar, quanto no treino nada acontece por acaso. Pode parecer um contra-senso, mas, por vezes, o acaso é que torna a fotografia ímpar; contudo se previamente não houve a preparação, o acaso, só por si, não é suficiente. O mesmo acontece com aquele golo que surge após um ressalto e que nos faz alcançar o sucesso. Pode acontecer uma ou outra vez, mas não leva à vitória de campeonatos. Tanto na Educação Física, quanto no treino e na fotografia, temos de preparar, temos de estudar, temos de conhecer e fazer acontecer. E, mesmo assim, muitas vezes, não chega. Temos de voltar com mais vontade, mais bem preparados, com outra entrega, arriscar mais. Na fotografia também temos fases em que começamos pela “quantidade” para chegar à “especialização”. Quando abordarmos novos assuntos, é fundamental percorrer este percurso. Para fechar, diria que o que as une é o “desafio de fazer”, não digo fazer mais, mas fazer melhor. Como é que surgiu a paixão pela fotografia? O que mais o motiva nesta área? Desde sempre que o gosto pela fotografia me acompanha. Tenho memórias de, em miúdo, brincar com a câmara do meu pai, mesmo sem rolo. Com o tempo, com a idade, a atividade foi sendo levada de forma mais séria: um concurso aqui, outro ali. Os desafios puseram-se, e eu abarquei-os: o desafio da técnica, da estética, da mensagem. Depois vieram os assuntos: como fotografar melhor este ou aquele tema. É um caminho sem fim, ou não estivéssemos a falar de luz [risos]. Hoje todos temos uma câmara no bolso. Como é que, enquanto professor e fotógrafo, vê o impacto dos telemóveis no modo como os jovens aprendem, observam e se expressam? Como é que lida com a questão dos telemóveis na escola, um tema tão atual…? Esse é um assunto muito sensível. Reconheço problemas na relação que os miúdos têm com os telemóveis e que alguma ação era necessária. Contudo, sou da opinião que é um instrumento com enorme potencial para a aprendizagem, e que precisa de ser “integrado” nas atividades letivas, pois não chega estar nas mãos da criança para que a aprendizagem aconteça. Exige que seja trabalhado como um instrumento pedagógico. O facto de ser possível aceder, em segundos, a mais e melhor informação - a informação mais visual, a informação dinâmica - é uma potencialidade que não pode ser esquecida. A título de curiosidade, pensemos nos gráficos da circulação sanguínea dos manuais escolares em papel, onde somente conseguíamos ver o “sangue azul” e o “sangue vermelho”. Com os formatos atuais (animados), a mensagem e a informação são adquiridas muito facilmente. E como é que surge o hóquei em patins e o treino da modalidade? O hóquei em patins sempre foi uma modalidade pela qual nutri muito carinho e admiração. Acompanhei-a desde garoto. A certa altura, já depois do curso, surgiu a possibilidade de integrar uma equipa técnica, enquanto preparador físico, e depois, com o tempo, com estudo e formação, surgiu a oportunidade de ocupar a função de treinador. Voltando à FADEUP, o que recorda com mais saudade dos tempos de estudante? A camaradagem, a união que se vivia diariamente. Os momentos de ansiedade também, aquando da realização de algumas avaliações. Uma fase inesquecível foi a abertura das novas instalações. Um sonho. Recordo a participação nos jogos galaico-durienses, eram uns dias muito animados. O mesmo nos campeonatos nacionais universitários. E claro, saudades da vida na cidade do Porto, com os seus costumes, as suas pessoas…. a sua Ribeira. Recorda-se de alguma história curiosa ou divertida dos tempos de estudante que queira partilhar connosco? Penso que os alunos do antigo FCDEF [ndr: atual FADEUP], que tenham tido aulas práticas no Estádio do CDUP, natação na Boa Hora e ginástica no Barracão, têm imensas histórias para contar. Claro que umas são mais divertidas que outras. Que dias! Que viagens de um lado para outro lado! “A malta da mochila” nos autocarros ou a partilhar boleias de carro - eram a loucura! As aulas de Estatística, a seguir ao almoço, eram propícias a momentos de grande sossego, principalmente depois de uma manhã inteira com aulas no Barracão. Recordo, ainda, as aulas de Anatomia no ICBAS, especialmente aquelas que decorriam no teatro anatómico. Numa dessas aulas, o professor Paulo Cunha e Silva pediu-nos para “puxar pelos músculos da “peça anatómica”, para que víssemos o movimento. Foi um momento muito, muito visual. Qual é a sua maior realização até agora? Essa é uma pergunta muito abrangente. Vamos ver. A nível pessoal, a minha maior realização é, sem dúvida, a minha família: o ser pai de dois filhos maravilhosos, que são a luz dos meus dias. A nível profissional, no que à escola diz respeito, destacaria o facto de já ter ocupado todas as funções possíveis numa escola e ter sido sempre desafiado para tal. Ao nível do treino desportivo, recordo com bastante satisfação o facto de ter pertencido a duas equipas técnicas de hóquei patins, em competição na primeira divisão nacional. Recordo ainda uma época que, enquanto treinador principal, acompanhei na subida à segunda divisão nacional, sendo que andamos na luta pelo título de campeão nacional da terceira divisão. Na fotografia, destaco o facto de ter obtido uma menção honrosa nos prémios Talentos Fnac com um trabalho de Kickboxing e de ter sido finalista no prémio internacional Sony Awards, na categoria de Arquitetura. Como ocupa os tempos livres? Para além das tarefas familiares e preparação das tarefas profissionais, gosto de ler, ver filmes/séries/documentários e conhecer novos lugares. A fotografia, a par da leitura, é uma atividade que realizo e que me permite “desacelerar o tempo”. Costumo dizer, também, que durante as minhas corridas, tomo as minhas melhores decisões, e na leitura e na fotografia, fujo da correria do tempo. Quer deixar algum conselho aos nossos estudantes? Aproveitem ao máximo os conhecimentos, os pensamentos e sugestões que os professores partilham. Podem, por vezes, parecer uma “seca” mas eles sabem muito bem do que falam. E questionem - questionem sempre que se sintam inseguros ou insatisfeitos. O que espera do futuro? Espero continuar a ser surpreendido por desafios e espero ter condições, por muitos anos, para os poder aceitar. Mas, acima de tudo, gostaria de ter, um dia, dias calmos e longos. |