E SE?...

constelações de modos de viver o espaço urbano

exposição • visita guiada

E SE?... constelações de modos de viver o espaço urbano é o projeto expositivo que neste momento habita a Casa-Atelier José Marques da Silva. Nele, resgatam-se futuros que ficaram suspensos, para nos fazer pensar sobre a cidade que temos e aquela que desejamos. 
 

Os projetos expostos têm diferentes autorias: Contemporânea (de Manuel Graça Dias e Egas José Vieira); David Moreira da Silva; Fernando Távora; Germano de Castro; GPA – Grupo de Planeamento e Arquitectura; José Forjaz; José Porto; Manuel Botelho; Manuel Teles e Santiago Calatrava. Percorrem uma linha de tempo que vai da década de 40 do século XX aos primeiros anos do novo milénio e têm como território de trabalho o norte de Portugal (Porto, Vila do Conde, Barcelos e Aveiro), assim como a área metropolitana de Lisboa ou as cidades africanas de Luanda, Maputo e Beira. Partilham o facto de não terem sido construídos e de estarem documentados no arquivo da Fundação Marques da Silva.
 

No âmbito da exposição, uma iniciativa da Fundação Marques da Silva, com curadoria de Tiago Castela e co-curadoria de Fátima Vieira, está a ser programado um conjunto de iniciativas que se estenderá até setembro e que arranca a 30 de maio, com uma visita guiada pelo curador, Tiago Castela, e por Max Kahlen, o designer e arquiteto que assina o projeto expositivo. A visita é de acesso livre, apenas sujeita à lotação do espaço, e tem início às 16h30. Uma oportunidade única para conhecer as histórias que estes projetos têm para contar e o processo de construção de E SE?... constelações de modos de viver o espaço urbano.

 

Fotografia de Igor Martins

FRONTISPIECE | PRECIPICE

exposição • visitas guiadas • lançamento do catálogo

A exposição internacional FRONTISPIECE | PRECIPICE é um território de liberdade artística, de experimentação criativa e de questionamento crítico entre a Gravura Contemporânea e a Arquitetura. Nela se articulam práticas de impressão, obras concebidas especificamente para os espaços expositivos por cerca de meia centena de artistas vindos de vários pontos do mundo, numa demonstração de diversos processos artísticos que exploram a interseção entre estas duas áreas.

 

No contexto desta exposição está a decorrer um ciclo de visitas guiadas que não só estabelece a ligação entre o espaço expositivo central, na Fundação Marques da Silva, com a sua extensão urbana, no átrio do Teatro Nacional São João, como desafia os seus participantes a participar em múltiplas ações criativas coletivas. A primeira decorreu a 11 de abril, e passou pela instalação de uma oficina portátil no passeio da cidade, na Rua de Santa Catarina, em frente ao lugar onde funcionou a primeira Oficina Litográfica do Porto. A próxima acontece já no próximo sábado, 9 de maio, e, entre as várias surpresas previstas, vai desafiar os seus participantes a explorar a técnica da serigrafia através de um momento criativo e participativo nos jardins da Fundação. Estas visitas começam sempre às 15h30, no Teatro, e incluem um percurso pedonal pela Rua de Santa Catarina até à Praça do Marquês de Pombal, onde se encontra situada a Fundação. As visitas são de acesso livre e gratuito, pelo que basta apenas comparecer à hora prevista.

 

Entretanto, vá reservando o final da tarde do dia 27 de maio, dia do lançamento do catálogo que integrará também os registos destes momentos de ativação dos espaços expositivos. Nesse dia, estará também patente ao público a peça coletivamente criada no contexto da visita do dia 9 de maio. Em breve serão partilhadas mais informações sobre a sessão.

 

A exposição internacional FRONTISPIECE | PRECIPICE, coordenada por Graciela Machado, é uma iniciativa do PPA Pure Print Archeology, um grupo de investigação do i2ADS, da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. Foi organizada em parceria com a Fundação Marques da Silva, entidade que integra a RPAC - Rede Portuguesa de Arte Contemporânea, e conta com o apoio da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto e do Teatro Nacional São João. 

 

Fotografia de Michael Trindade

A BELEZA DE UM CORPO NU

lançamento de livro • Fundação Marques da Silva • 14.05.'26

A Beleza de Um Corpo Nu, o mais recente livro de José António Bandeirinha, publicado pela editora Tinta-de-China, é «um manifesto romântico sobre os destroços do conceito de cidade que é também um apelo à sua reconstituição». Nele, o autor percorre mitos, ética, morte, arquiteturas, descendências suburbanas legítimas e ilegítimas e, por fim, a coisa política enquanto razão de ser. Como refere Nuno Grande, autor do Prefácio, é «um livro obrigatório, que devemos ler e reler, como um aviso ou uma sirene que nos alerta, uma e outra vez, sobre o que estamos a perder enquanto cidadãos do mundo, e sem o qual, provavelmente, nunca mais nos saberemos encontrar.»
 

A sessão de apresentação deste livro vai decorrer no próximo dia 14, quinta-feira, na Fundação Marques da Silva. Uma sessão que terá início às 18h30 e vai contar com a participação dos arquitetos Carlos Antunes, José Fernando Gonçalves, José Miguel Rodrigues, e do próprio autor, José António Bandeirinha

Festival do Luto

O Festival do Luto está de regresso ao Porto. Organizado pela Associação Compassio, pretende transformar a forma como lidamos com o luto e explorar novas formas de o viver, também em comunidade. Vai acontecer a 16 de maio, sábado, é de entrada livre e tem atividades para todos e todas as idades, espalhadas por cinco espaços na zona do Marquês, entre eles, a Fundação Marques da Silva.
 

O programa é muito diversificado e estende-se entre as 10h30 e as 20h30. Pela Fundação Marques da Silva passarão a Roda de Poesia, com Gonçalo Tavares (nos jardins, entre as 11h e as 12h), e duas sessões dos «Testemunhos de Esperança», no auditório, o primeiro com moderação de Carmo Soares (entre as 11h30 e as 13h) e o segundo com moderação de Filipe Pinto (entre as 15h30 e as 16h30). Mas há muito acontecer, entre performances artísticas, apresentação de livros, conversas com especialistas, workshops, pontos de autocuidado, pontos de escuta, atividades para crianças e famílias, bordado comunitário, Death café musical, murais, o percurso «O silêncio dos pássaros» ... (ver +)

em volta do desenho

A Fundação Marques da Silva é um dos principais espaços de pesquisa do projecto de investigação «draft — o papel, o(s) desenho(s) e o projecto de arquitectura», mas desde finais de março passado que passou a ser também lugar de reunião dos investigadores que nele colaboram. 
 

O projecto, cuja investigadora responsável é a arquitecta Marta Cruz (esad-idea), pretende explorar desenhos de trabalho preservados no Arquivo desta Fundação, abordando-os a partir da sua materialidade com o duplo objetivo de gerar conhecimento relativamente à prática do projeto e propor novas categorias e vocabulário de Desenho, decorrentes de um estudo material dos mesmos. 

Pretende-se conhecer o processo de concepção, observar os materiais e desencadear diálogos com os universos e contextos que cada peça condensa.

O projecto é desenvolvido no âmbito de um Protocolo de Colaboração entre a esad-idea e a Fundação Marques da Silva, com uma equipa de investigação que integra investigadores do CEAU/FAUP, do i2ADS/FBAUP e do CIEBA/FBAUL. 

Entre 12 e 21 de maio, os estudantes da Licenciatura em Desenho da FBAUP vão regressar aos  jardins da Fundação. É a segunda edição da residência artística «Desenhar a partir do natural», uma iniciativa coordenada pelos professores David Lopes e Jorge Marques, que conta com o apoio da Fundação Marques da Silva. 
 

Os estudantes da unidade curricular Estúdio II — Perceção e Representação terão como missão realizar, através do desenho, uma recolha que vai documentar e traçar um percurso individual ao longo destes espaços. Neste pequeno mas diversificado ecossistema poderão selecionar e representar elementos vegetais, orgânicos, arquitetónicos, mecânicos ou escultóricos, no contexto de uma experiência de apropriação do lugar. 

A Licenciatura em Desenho é financiada pelos fundos do programa «Next Generation EU» do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), através do «Programa de Formação Multidisciplinar da U.Porto – Impulso Jovens STEAM & Impulso Adultos».

em volta dos livros

um novo título e novas entradas na Biblioteca Corrente

Acaba de sair o terceiro dos dez volumes que constituem a coleção A Escolha do Porto: contributos para a atualização de uma ideia de Escola, projeto que nasce da tese homónima de doutoramento do seu autor, Eduardo Fernandes. Depois dos Antecedentes da Escrita do Porto, isto é, da análise do contexto da arquitetura portuguesa na primeira metade do século XX, numa revisitação do legado de Marques da Silva, do dilema da primeira geração moderna e do legado de Carlos Ramos; depois da passagem pelo período onde se assiste à Construção de uma Identidade, de 1945 a 1954, entre a publicação de “O Problema da Casa Portuguesa” e o anteprojeto do Mercado de Vila da Feira, de Fernando Távora, anos marcados por um percurso solitário em busca de uma arquitetura moderna e portuguesa; seguem-se agora Os Anos do Inquérito, com o autor a centrar-se nos seis anos que separaram o início dos trabalhos do Inquérito à Arquitectura Regional Portuguesa e a publicação do livro Arquitectura Popular em Portugal, que sintetiza os seus resultados, um período marcado por uma sucessão de acontecimentos muito relevantes, durante o qual as ideias que anteriormente se associavam ao percurso solitário de Fernando Távora passaram a ser partilhadas por uma identidade coletiva. Neste terceiro volume é João Vieira Caldas a assinar o prefácio.
 

Em breve daremos notícias sobre o momento de apresentação pública deste livro, mas, por enquanto, já o pode encontrar em loja, na Fundação Marques da Silva.

Também a Biblioteca Corrente da instituição assinalou a entrada de novos títulos, a saber:
- Archinews 68, «Cannatà & Fernandes: Projetos / Projets», 2024;
- Semeadores, «Interespécies» (vol. 1); «Interterritorial» (vol. 2),; «Intercultural» (vol. 3); Município do Funchal, 2024/25;
- Paula Rego: Histórias gravadas. Da imaginação para a chapa, catálogo, Câmara Municipal da Maia, 2026.
 

FORA DE PORTAS

LA CIUDAD EN DISPUTA: Experimentos colectivos en torno a la vivienda social en el sur de Europa (1949–1976) é uma exposição que fala do direito à cidade e do direito à arquitetura. Tem curadoria de María García Ruiz e Moisés Puente e pode ser visitada no Instituto de Arquitetura Basco, até 14 de junho.
 

Tendo como pano de fundo três grandes contextos políticos do século XX —  a reconstrução neorrealista da Itália do pós-guerra, os bairros de habitação projetados para Madrid durante o regime franquista e as experiências do SAAL (Serviço de Apoio Ambulatório Local) após a Revolução dos Cravos em Portugal —, apresenta exemplos de projetos de arquitetura que, visando resolver problemas urgentes de falta de habitação, se desenvolveram em íntima ligação com as comunidades para as quais foram construídos. Com uma sala integralmente dedicada a Portugal e ao Processo SAAL, mostra materiais originais, como maquetes e cartazes provenientes da Fundação Marques da Silva e do Centro de Documentação 25 de Abril, complementados por reproduções de obras pertencentes a mais de 30 instituições diferentes.

Fotografia de Mikel Blasco.

A 3.ª edição dos ENCONTROS MOAGEM, a pensar num futuro mais sustentável, traz como tema «Quanto vale a memória? Dar vida aos espaços industriais». 
 

«Pela primeira vez, será possível fazer uma análise global da reutilização dos espaços industriais e da sua adaptação a museus em Portugal. Pretende-se contribuir para uma compreensão da distribuição geográfica destes museus construídos em espaços industriais, das temáticas que abordam e das opções arquitetónicas realizadas. Uma outra dimensão a não esquecer são os benefícios que trouxeram para o território, nomeadamente no âmbito do turismo industrial.» Os encontros, que resultam este ano de uma parceria entre o Museu de Lisboa - Fábrica de Moagem e o Museu da Chapelaria, vão decorrer durante o dia 21 em Lisboa, na Fábrica da Moagem, e no dia seguinte, no Museu da Chapelaria, em S. João da Madeira. Neles vão participar cerca de duas dezenas de especialistas e, entre eles, estarão Luís Martinho Urbano e António Costa Cabral com uma intervenção sobre o Museu dos Lanifícios, projetado por Bartolomeu Costa Cabral.

O acesso é gratuito, mas carece de inscrição prévia.

ACONTECEU
 

27-28 de março '26
performance
DESEMPACOTANDO A MINHA BILBIOTECA.  Uma experiência site specific para construir uma «memória futura» do edifício da Biblioteca Pública e Municipal do Porto, encerrado para obras de requalificação e ampliação (ver+)

 

3 de abril '26
série televisiva
PASSAGEM DE NÍVEL. Com a exibição do 10.º episódio, onde se inclui a entrevista realizada ao historiador especializado em ferrovias em Portugal, gravada na Fundação Marques da Silva, concluiu-se esta série, agora disponível na RTP Play. (ver+)

 

13 de abril '26
prémio & conferências
PRÉMIO FERNANDO TÁVORA. Lançamento da 22.ª edição e conferências de Gabriel Weber e Joel Cleto. A sessão decorreu no Salão Nobre da Câmara Municipal de Matosinhos. (ver+)

 

15 de abril '26
abertura
CENTRO DE DOCUMENTAÇÃO E INTERPRETAÇÃO URBANA JOÃO ÁLVARO DA ROCHA. Abriu na Maia um novo espaço dedicado à Arquitetura, onde o público é convidado a visitar, estudar ou trabalhar. (ver+)

 

 

A ACONTECER
 

9 e 27 de maio '26
visita guiada e lançamento de catálogo
FRONTISPIECE | PRECIPICE. Visita que segue um percurso entre o TNS e a Fundação e inclui a criação de uma peça coletiva que estará representada no catálogo e exposta no dia do lançamento. (ver+)

14 de maio '26
apresentação de livro
A BELEZA DE UM CORPO NU. Livro de José António Bandeirinha. A sessão de apresentação vai contar com a participação de Carlos Antunes, José Fernando Gonçalves e José MIguel Rodrigues. (ver+)

 

16 de maio '26
festival
FESTIVAL DO LUTO. Uma iniciativa da Compassio que este ano, na sua 2.ª edição, passará pela Fundação Marques da Silva. (ver+)


18 de maio '26
encontros
DIA INTERNACIONAL DOS MUSEUS. Para assinalar mais um DIM, as entradas nas exposições da Fundação Marques da Silva, neste dia, serão gratuitas.

 

21 e 22 de maio '26
encontros
ENCONTROS DA MOAGEM. Esta é a 3.ª edição destes ecnontros, que decorrem em Lisboa e em S. João da Madeira. Luís Martinho Urbano e António Bartolomeu Cabral também participarão, com uma comunicação sobre o Museu dos Lanifícios, projetado por Bartolomeu Costa Cabral. (ver+)

 

10-11 de junho '26
congresso internacional
ON PAPERS. ARCHIVES FOR PROJECT, HISTORY AND PROSPECTS. Coordenado por Antonio Labalestra e Raffaella Maddaluno, este Congresso terá lugar em Bari. Luís Martinho Urbano estará presente em representação da Fundação  Marques da Silva. (ver+)

 

30 de junho '26
prémio & congresso
CONGRESSO MUNDIAL DE ARQUITETURA. Eduardo Souto de Moura vai receber a medalha da UIA, no contexto do Congresso que este ano se realiza em Barcelona. Uma candidatura apresentada pela OA e reconhecida pelo júri internacional. (ver+)

ANIVERSÁRIOS ABRIL / MAIO '26

(destaques que podem ser lidos no Site ou no Facebook)

4 de abril | José Manuel Soares: o Planetário do Porto, um feliz encontro entre arquitetura e ciência.
 

10 de abril | Germano de Castro: o exercício de projetar uma Colónia Balnear para Vila do Conde.

 

11 de abril | Manuel Graça Dias: um «divadlo» do século XXI para Pilsen.

 

11 de abril | Amândio Silva: do Porto até Osaka, via Cascais, com regresso pelo Nepal.

 

16 de abril | Manuel Teles: a Igreja de Meãs do Campo ou como um exercício académico pode abrir caminho a um projeto real.

17 de abril | Bernardo Ferrão: quando no Porto se abriu o primeiro Túnel rodoviário do país.
 

25 de abril | Sergio Fernandez: um regresso a Rio de Onor.

 

26 de abril | António Menéres: uma Biblioteca entre Torre de Moncorvo e São Paulo.
 

MAIO

 

10 de maio | José Forjaz: entre fotografias e cadernos de apontamentos.

 

 

SERGIO FERNANDEZ

in memoriam

Sergio Fernandez, um homem singular, fiel aos seus princípios, profundamente humano e comprometido com a sua profissão, partiu a 25 de março, de forma serena, com essa mesma discrição que sempre pautou a sua vida.
 

Nasceu no Porto, em 1937. Diplomou-se em Arquitetura na Escola Superior de Belas Artes do Porto, em 1965, num período marcado pelo Inquérito à Arquitectura Popular e pela luta de um espaço para, num tempo politicamente difuso, se fazer diferente, para se ser moderno. Viana de Lima, que acompanharia ao CIAM, em Otterloo, Fernando Távora, Álvaro Siza ou Arnaldo Araújo tornaram-se referências permanentes, como assim foram as experiências imersivas e estruturantes que teria em Rio de Onor, em trabalho de campo para obtenção do CODA, ou, já após 1974, ao liderar a Brigada do SAAL para o Bairro do Leal, no Porto. Nelas encontrou a raiz sólida e o sentido para o seu modo de fazer arquitetura, a partir do real e ao serviço da comunidade. Por diversas vezes referiu que a esses inesquecíveis momentos de aprendizagem da vivência coletiva corresponderam os períodos mais felizes da sua vida. A sua casa de férias, em Caminha, a Vill´Alcina, projetada com poucos meios entre 1971 e 1974, num engenhoso apagamento com a paisagem que a envolve, é hoje um paradigma da arquitetura moderna portuguesa. É ainda durante a década de 70 que vai fundar, juntamente com Alexandre Alves Costa, o Atelier 15. Desde então, partilharam a autoria de uma obra maioritariamente construída, que desde a pequena casa aos grandes equipamentos, foi somando reconhecimento, nacional e internacional, atualmente quase toda publicada. 
 

Sergio Fernandez assumia-se como um arquiteto fundamentalmente do projeto e da obra, que resilientemente acompanhava na sua materialização. Sabia, porém, comunicar e tinha inscrito na sua natureza ser professor. Para as provas de agregação à Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, onde foi Vice-Presidente do Conselho Directivo (1988-1994) e Director do Centro de Estudos (1990-1997), escreveu Percurso: Arquitectura Portuguesa, 1930/1974, uma reflexão sobre como a situação política e social do país foi formatando a arquitetura que se fazia, numa clara ressonância do seu próprio percurso. Publicado em 1988, acabou por se tornar uma obra de consulta indispensável para os investigadores em arquitetura portuguesa. Na capa, um desenho seu feito em Tblisi, pois também as viagens contribuiram para a expressão da sua mundivisão.
 

Este Professor Emérito da Universidade do Porto foi também regente da disciplina de Projecto I do curso de Arquitectura da Universidade do Minho, entre 1997 e 2005, e exerceu igualmente a docência a nível internacional, orientando seminários e leccionando em Angola, Holanda, União Soviética, Finlândia, Itália, Brasil, Panamá e Colômbia. Teve ainda ampla atividade de comunicação de arquitectura, participando em inúmeros encontros científicos ou assinando múltiplos artigos publicados em revistas e outras edições nacionais e internacionais, como, entre muitos outros títulos, Architectures à Porto, Tendenze dell´Architettura Contemporanea, Casabella, Lotus International, Wonen Tabk, Electa, Deutsches Architektur Museum, Revista Monumentos e Boletim da Universidade do Porto.
 

Sergio Fernandez recebeu, em 2008, com Alexandre Alves Costa, o Prémio AICA/MC (Associação Internacional de Críticos de Arte/Ministério da Cultura) pela qualidade e contemporaneidade das suas propostas arquitetónicas, pelo rigor e cuidado histórico das muitas intervenções sobre o património construído e pelo notável percurso ao serviço do ensino da arquitetura. Foi agraciado com a Medalha de Ouro da Cidade de Vila Nova de Gaia (2013) e foi-lhe atribuído o título de Sócio Honorário da Ordem dos Arquitectos.
 

Sempre foi um defensor da Fundação Marques da Silva e do projeto que ela representa. A esta instituição viria a doar, em 2022, juntamente com Alexandre Alves Costa o seu acervo profissional. Neste preciso momento, encontra-se em exposição, no Instituto Basco de Arquitectura, documentação do seu acervo relativa ao projeto para o Bairro do Leal, num sinal que a sua memória, a sua obra, permanecem agora enquanto herança presente e transmissível.

Praça do Marquês de Pombal, 30-44/
Rua Latino Coelho, 444, Porto Portugal

FUNDAÇÃO MARQUES DA SILVA

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