No âmbito das comemorações do seu Bicentenário, a FMUP assinalou, no dia 25 de novembro, um dos momentos mais significativos da sua já longa história: a abertura solene da Régia Escola de Cirurgia do Porto. O momento marcou o início do ensino regular de medicina no norte do país, que decorreu, ao longo de 134 anos, no Hospital Real de Santo António, pertencente à Misericórdia do Porto, e onde se formaram mais de três mil médicos.
Para evocar a data, a FMUP organizou, 200 anos depois, uma sessão de homenagem à Santa Casa da Misericórdia do Porto e ao Hospital de Santo António, que decorreu neste hospital, com a presença dos responsáveis máximos das diferentes entidades.
Entre os presentes contavam-se o diretor da FMUP, Altamiro da Costa Pereira, o provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto, António Tavares, o presidente da ULS Santo António, Paulo Barbosa, o diretor clínico do da ULS Santo António, José Barros, o diretor do ICBAS, Henrique Cyrne de Carvalho, o coordenador dos Museus da FMUP, José Paulo Andrade, e o representante dos Alumni, Joaquim Torres.
As festividades arrancaram com um cortejo académico de professores, estudantes e Alumni, que se formou na Ala Sul-Nascente do Edifício Neoclássico daquele hospital, que funcionou como a primeira “Casa da Medicina”, seguindo, depois, para o Salão Nobre, onde se realizou a cerimónia.
O diretor da FMUP sublinhou que esta cerimónia era “necessária”, perante uma sala “cheia” e num “clima de grande fraternidade e de grande “cumplicidade”. “
“A nossa vinda aqui é para agradecer à Misericórdia do Porto, que teve um papel fundamental na criação da Escola”, afirmou Altamiro da Costa Pereira, que agradeceu também ao Hospital de Santo António, o “berço” da faculdade que dirige.
“Hoje comemoramos os primeiros estudantes da Régia Escola de Cirurgia do Porto. Os estudantes nesta sala têm o mesmo número que a escola teve em 1825. São esses estudantes – e os professores que sistematicamente procuram ensinar e investigar – que são a fonte da renovação e do desenvolvimento da instituição”, salientou.
O diretor concluiu salientando a ligação e a necessidade de articulação da FMUP com outras faculdades de medicina do país, designadamente o ICBAS, assim como com outras instituições de saúde e entidades da cidade do Porto. “É fundamental unirmos as nossas vozes para prepararmos o nosso futuro”, exortou.
Na sua intervenção, o provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto, António Tavares, agradeceu a homenagem da FMUP à instituição, fundamentada no seu papel histórico e no seu empenho, tendo destacado as figuras de Luís de Pina e de Domingos Braga da Cruz.
“Fico muito grato, em nome de todos os irmãos. Houve momentos em que nem todos estiveram de acordo, mas estou convicto de que o que interessa hoje é dizer às gerações futuras que vale a pena sonhar”, declarou.
Reconhecendo a importância de cultivar as memórias, o diretor clínico da ULS Santo António, José Barros, recordou alguns momentos da história, como a transição da FMUP para o Hospital Escolar de São João e a criação do ICBAS por antigos estudantes da FMUP, em particular do seu último curso (1953-59). Como frisou, de resto, a maioria dos estudantes e, provavelmente, dos médicos do Hospital de Santo António formou-se na FMUP.
Pela sua parte, o presidente da ULS Santo António, Paulo Barbosa, confessou que esta é uma homenagem que “muito sensibilizou” a instituição e que fica “grata por esta aproximação e por esta celebração em conjunto”.
Também o diretor do ICBAS, Henrique Cyrne de Carvalho, manifestou a sua “enorme satisfação”, como alumnus desta academia, por terem estado “unidos na celebração de um passado que nos orgulha”, expressando ainda a “esperança” que este momento representa para o futuro. Ao diretor da FMUP, deixou um “agradecimento pela disponibilidade que tem tido durante este trajeto em conjunto”.
Aos 95 anos de idade, Joaquim Torres representou os Alumni da FMUP nesta cerimónia. Corria o ano de 1951 quando entrou nesta casa, onde se licenciou, em 1954. “Sinto-me muito feliz por esta casa que foi a minha durante tantos anos”, rejubilou-se o antigo professor e médico oftalmologista.
Conforme explicou José Paulo Andrade, coordenador dos Museus da FMUP, a sessão solene de abertura ocorrida há precisos 200 anos, deu-se “perante um auditório numeroso que reuniu autoridades e figuras de relevo da cidade”. Poucos dias depois, a 2 de dezembro, iniciaram-se as aulas, com os primeiros 62 alunos e 78 matrículas nos vários anos do curso. Apenas 23 alunos eram do primeiro ano”.
José Paulo Andrade lembrou, nesta cerimónia, alguns dos momentos-chave da FMUP, desde o nascimento num “espaço acanhado” até à inauguração do novo edifício, em 1883, e à ampliação, na década de 1930, passando pela elevação da escola a Faculdade de Medicina, em 1911, e pela transferência para o Hospital de São João, em 1959.
Esta homenagem, que incluiu a atuação do Grupo de Fados de Medicina, terminou com o descerramento de uma placa comemorativa.