Não consegue visualizar o email? Ver no browser.
 
 
Nº #66  Fev 2026
 
 
logo
 
 
Newsletter
Faculdade de Medicina
da Universidade do Porto
 
 
Alavancar a Investigação em Saúde – um compromisso coletivo

A investigação em saúde constitui um dos pilares estruturantes da missão da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP). Num período marcado pela celebração dos 200 anos da FMUP, este percurso histórico convida não apenas à evocação do passado, mas, sobretudo, à reflexão sobre a responsabilidade acrescida de projetar a instituição para o futuro.


Ao longo das últimas décadas, a FMUP tem afirmado um posicionamento sólido de excelência no panorama científico global, sustentado na qualidade do seu corpo docente, na excelência das suas unidades de investigação e na integração entre ensino, investigação e prática clínica.  Num contexto global marcado por rápidas transformações tecnológicas e exigências crescentes de competitividade, importa refletir sobre as metas estratégicas da investigação e sobre os obstáculos que importa superar.


Entre os principais objetivos que orientam a investigação na FMUP, destacam-se o reforço da produção científica de elevado impacto, a consolidação de equipas multidisciplinares e a valorização da investigação translacional, capaz de aproximar o conhecimento científico da prática clínica e das necessidades da sociedade.


A criação e o fortalecimento de estruturas como a unidade de investigação RISE-Health representam passos decisivos nesse percurso, permitindo concentrar massa crítica, potenciar sinergias e promover uma cultura de excelência. Paralelamente, a aposta na formação avançada, no envolvimento precoce dos estudantes em projetos científicos e na internacionalização constitui uma prioridade estratégica para assegurar a renovação geracional e a competitividade futura.


A investigação clínica melhora a qualidade dos cuidados de saúde prestados, acelera o acesso dos doentes à inovação terapêutica, promove a adoção de práticas clínicas de excelência e baseadas na evidência mais atual, e posiciona as instituições como polos de excelência e de atração de recursos humanos de qualidade.


Não obstante os enormes progressos alcançados, persistem constrangimentos estruturais que condicionam o pleno desenvolvimento da atividade científica.  


O financiamento irregular e competitivo, a complexidade dos processos administrativos, a escassez de tempo protegido para investigação dos docentes clínicos e as limitações infraestruturais continuam a representar desafios significativos.


O tempo protegido para os médicos envolvidos em investigação clínica é absolutamente central. A investigação exige continuidade, rigor metodológico, capacidade de planeamento e acompanhamento prolongado dos projetos. Não pode ser encarada como uma atividade residual, realizada à margem da prática clínica, em horas não reconhecidas ou em regime de sacrifício pessoal permanente. Sem tempo protegido, a investigação clínica torna-se frágil, intermitente e dependente de esforços individuais, perdendo impacto e qualidade.


Proteger tempo para investigação não significa reduzir a qualidade assistencial. Pelo contrário, significa investir em profissionais mais qualificados, mais motivados e mais capazes de integrar inovação na prática clínica diária.


Os sistemas de saúde mais robustos são precisamente aqueles que reconhecem que ensinar, investigar e assistir não são missões concorrentes, mas complementares.


A estes fatores somam-se as exigências crescentes da atividade assistencial e pedagógica, que frequentemente reduzem a disponibilidade dos profissionais para a investigação. Torna-se, por isso, fundamental promover modelos organizativos mais eficientes, simplificar procedimentos e reforçar mecanismos de apoio técnico e administrativo, criando condições efetivas para que a investigação possa florescer.


A criação de um Núcleo de Apoio à Investigação na FMUP (integrado na Unidade de Gestão do Conhecimento, Departamento de Recursos Comuns) também representou um desenvolvimento estratégico de enorme importância. É indispensável dispor de estruturas de apoio à investigação clínica profissionalizadas, com competências diferenciadas e claramente definidas. A complexidade crescente da investigação clínica, com requisitos de regulamentação, de ética, de gestão de dados, de monitorização, de contratos, de financiamento, de proteção de dados, exige o apoio de equipas especializadas que libertem os investigadores clínicos para aquilo que fazem melhor: formular perguntas clínicas relevantes, desenhar estudos de qualidade e cuidar dos doentes.


Alavancar a investigação em saúde implica, em última análise, um compromisso coletivo. Requer uma visão estratégica partilhada, investimento sustentado, valorização do mérito científico e uma cultura institucional que reconheça a investigação como componente central da missão académica. Para a FMUP, esta visão é indissociável da sua missão. Formar médicos, produzir conhecimento e inovar em saúde exige ambientes que valorizem a investigação clínica como parte integrante da prática médica e como investimento estratégico no futuro da saúde em Portugal.


João Frazão
Vogal do Conselho Executivo da FMUP



 
 
 
 
Estudo liderado pela FMUP melhora reanimação cardiorrespiratória

“Mesmo pequenas variações na postura e no posicionamento do reanimador têm um impacto real na qualidade da reanimação cardiorrespiratória.” A conclusão é de um estudo europeu liderado pela FMUP, e que já deu lugar a três artigos científicos publicados na revista Resuscitation Plus.


Realizado em três países, o trabalho analisou a influência da posição dos braços e do posicionamento do reanimador na qualidade das compressões torácicas e na fadiga muscular. Estes aspetos são cruciais para a eficácia das compressões torácicas em doentes que estão em risco de vida.


 
 
FMUP mostra que solidão leva idosos a utilizar mais recursos de saúde

“Quanto maior o nível de solidão, maior é a utilização de recursos de saúde”. A conclusão é de um estudo da FMUP, que identificou um maior número de consultas, mais episódios de ida às urgências e um consumo mais elevado de medicamentos entre idosos que apresentam solidão severa.


De acordo com os investigadores, a solidão surge como um determinante clínico que aumenta a procura de cuidados médicos, não por agravamento da doença, mas frequentemente como forma de substituir a ausência de relações sociais, com potenciais impactos humanos e económicos relevantes.



 
 
 
FMUP e ICBAS unem-se para formar novos profissionais de Saúde Pública

A Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) e o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), em cooperação com o Instituto de Saúde Pública (ISPUP), vão dar início, já no próximo mês de setembro, a uma nova licenciatura em Ciências da Saúde Pública.


Com o objetivo de formar profissionais capazes de intervir nas ameaças emergentes que mais afetam a saúde das populações, em Portugal e no mundo, este novo curso pretende reforçar a ação da Saúde Pública em contextos nacionais e internacionais.


Recorde-se que a Saúde Pública é, atualmente, uma área de intervenção prioritária a nível global. Entre os principais desafios que se colocam à escala planetária estão, por exemplo, as alterações climáticas, epidemias, pandemias, migrações, equidade e sustentabilidade.


Assim, a proposta de uma licenciatura em Ciências da Saúde Pública revela-se “essencial para ultrapassar estes desafios e alcançar políticas de saúde mais eficazes, efetivas, eficientes e equitativas, alinhadas com os objetivos europeus de Saúde Pública”, refere o diretor da FMUP, Altamiro da Costa Pereira.


Próximo da área da Epidemiologia e da Saúde Pública, na qual é doutorado, o diretor da FMUP refere ainda que “a criação desta licenciatura era uma ambição antiga da FMUP que, finalmente, encontrou concretização nesta parceria com o ICBAS”.


De facto, a nova licenciatura resulta da longa parceria que as duas escolas médicas da U.Porto vêm mantendo na investigação e no ensino pós-graduado em Saúde Pública. Dessa colaboração resultou um Mestrado com mais de 25 anos de existência e um Programa Doutoral bem consolidado no panorama académico nacional e internacional.


Completando agora este círculo formativo, a licenciatura em Ciências da Saúde Pública vem “contribuir para a qualificação consistente da competência diferenciada nesta área, na capacidade de identificar e responder aos atuais desafios de Saúde Pública, ao mesmo tempo em que compreende e minimiza o impacto do comportamento humano na sociedade e no planeta como um todo, enquadrando o conceito “One Health”, acrescenta Henrique Cyrne Carvalho, diretor do ICBAS.


Com coordenação e co-coordenação de Carla Lopes e Raquel Duarte, respetivamente, o curso irá preparar os jovens que finalizarem o curso para integrarem organizações dentro e fora do setor da saúde, em diferentes níveis de intervenção, nos governos locais, nas escolas, nas instituições prestadoras de cuidados de saúde, em unidades de investigação, nos serviços de assistência social e noutras organizações públicas, privadas e do terceiro setor, nomeadamente organizações não governamentais.


Sob o mote “Faz-te ação em Saúde Pública”, a nova licenciatura abrirá 40 vagas no Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior 2026/2027, procurando jovens preocupados com a saúde da população, curiosos quanto à investigação epidemiológica e orientados para a ação no terreno, em proximidade com diferentes comunidades.


Para além das escolas promotoras, a formação destes jovens vai beneficiar do contributo de investigadores de unidades de investigação da U.Porto, nomeadamente do ISPUP e do RISE-Health – a maior unidade de investigação do país -, bem como de outras unidades nacionais.


À FMUP, ICBAS e ISPUP uniram-se também entidades de relevo como a Direção-Geral da Saúde, o INSA – Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, a ASAE – Autoridade de Segurança Alimentar e Económica, o INIAV – Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, as ULS São João e Santo António, bem como municípios e organizações não governamentais, que acolherão os estágios dos primeiros estudantes deste novo curso, em ambiente profissional.


Colaboram também com esta nova licenciatura outras unidades orgânicas da U.Porto com oferta formativa específica. São elas as faculdades de Arquitetura (FAUP), de Engenharia (FEUP), de Farmácia (FFUP), de Medicina Dentária (FMDUP), de Psicologia e de Ciências da Educação (FPCEUP).


Note-se que a licenciatura em Ciências da Saúde Pública é o segundo curso de pré-graduação lançado pela FMUP num curto espaço de tempo, em colaboração com instituições parceiras. Em 2024/2025, a FMUP também lançou a licenciatura em Saúde Digital e Inovação Biomédica. Juntos com Medicina, “estes cursos correspondem a apostas estratégicas para o desenvolvimento da saúde no nosso país”, salienta o diretor da FMUP.


Para informações sobre a Licenciatura em Ciências da Saúde Pública, consultar a página do curso. Informações sobre candidaturas disponíveis em breve no site da Direção-Geral do Ensino Superior



 
 
 
 
FMUP investiga primeiros casos de 'Candida auris' em Portugal


 
 
Mostra da U.Porto 2026 bateu todos os recordes de participação


 
 
Nuno Lunet é Professor Agregado da FMUP


 
 
FMUP promove 3.º Encontro de Parceiros da Licenciatura SauD InoB


 
 
FMUP NOS MEDIA

– A criação da nova Licenciatura em Ciências da Saúde Pública foi destaque em praticamente todos os órgãos de comunicação social, com notícias publicadas na SIC, TVI/CNN, TSF, Renascença, Agência Lusa e Porto Canal.


– Os investigadores Abel Nicolau e Carla Sá Couto falaram com a RTP sobre as principais conclusões do estudo que recomenda mudanças na postura e posição das reanimações cardiorrespiratórias.


– A investigadora e professora Sofia Dória comentou as conclusões de um estudo internacional sobre os fatores genéticos que influenciam a perda gestacional. Para ler no site do Público.


– O Jornal de Notícias dá conta de que “idosos em solidão utilizam mais os serviços de saúde”, a propósito de um estudo coordenado por Paulo Santos, professor da FMUP.


– Elisa Keating, professora catedrática da FMUP, foi ouvida pela revista Sábado acerca de um artigo sobre os suplementos alimentares.


– Os professores da FMUP Ângela Carneiro, Paulo Santos e Pedro Viana Pinto prestaram esclarecimentos ao Viral em três artigos de fact-checking de saúde.


– Em entrevista à Agência Lusa, Mário Dinis Ribeiro, professor catedrático da FMUP, defendeu associar a endoscopia à colonoscopia, já realizada no rastreio do cancro do cólon e reto, para ajudar a reduzir casos de cancro de estômago.


– Num artigo publicado pela SIC Notícias, António Sarmento, professor emérito da U.Porto, desmistifica uma suspeição levantada nas redes sociais sobre a infeção pelo fungo ‘Candida auris’.



 
 
 
 
Copyright ©2026 FMUP - All Rights Reserved.
Edição: Unidade de Gestão de Comunicação - FMUP | Redação: Olga Magalhães, Daniel Dias, Cláudia Azevedo | Infografia e Imagem: Bárbara Mota, Miguel Alves e Hugo Silva | Produção: Pedro Sacadura
A equipa editorial da FMUP reserva-se o direito de selecionar os conteúdos informativos
Sugestões e pedidos de inserção/remoção da mailing list para comunicacao@med.up.pt
Arquivo FMUPNews
 
 
 
Faculdade de Medicina da Universidade do Porto
Al. Prof. Hernâni Monteiro, 4200 - 319,
Porto, Portugal

Versão Web