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Nº #73  Out 2026
 
 
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Faculdade de Medicina
da Universidade do Porto
 
 
Biomarkers 360: O que um laboratório pode mudar

A inauguração do Laboratório de Biomarcadores – Biomarkers 360, na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, é uma excelente notícia para a investigação em Portugal. Mas a sua importância não se mede apenas pela sofisticação das tecnologias instaladas ou pelo investimento de 2,1 milhões de euros, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência. Mede-se, sobretudo, pela investigação que agora se torna possível. A ciência avança quando conseguimos formular perguntas relevantes, testar hipóteses com rigor e aproximar disciplinas que, demasiadas vezes, trabalham separadas. Ao reunir novas competências e metodologias numa infraestrutura da FMUP e da RISE-Health, criamos condições para que ideias ambiciosas deixem de esbarrar em limitações técnicas e possam transformar-se em projetos, conhecimento e novas oportunidades para a saúde.


A medicina vive uma transformação profunda: sabemos cada vez mais sobre as alterações moleculares das doenças, mas continuamos a precisar de compreender quais dessas alterações têm verdadeiro significado para os doentes. A combinação de sequenciação genética, PCR digital, imunoensaios ultrassensíveis e análise espacial de tecidos abre possibilidades de investigação que vão muito além da identificação de uma mutação ou da medição de uma proteína. Permite estudar não apenas o que muda numa doença, mas também quando, onde e com que consequências. Do cancro às doenças neurológicas, genéticas e infeciosas, poderemos explorar novas formas de detetar processos patológicos precocemente, compreender a resistência aos tratamentos e encontrar critérios mais rigorosos para personalizar intervenções. O Biomarkers 360 deve ser, acima de tudo, um espaço onde diferentes perguntas clínicas encontram ferramentas científicas para serem investigadas.


Importa, contudo, resistir à tentação de confundir capacidade tecnológica com progresso automático. Ao longo do meu percurso na patologia molecular, tenho visto a distância que pode separar uma descoberta promissora da sua aplicação na prática clínica. Para que um biomarcador seja útil, não basta identificá-lo: é necessário compreender o seu fundamento biológico, demonstrar que a sua medição é fiável, validar o seu significado em populações relevantes e estabelecer que a informação obtida pode melhorar decisões. O mesmo se aplica à inteligência artificial, cujo potencial é extraordinário, mas cuja credibilidade depende da qualidade dos dados, de métodos transparentes e de validação independente. A medicina de precisão não nasce da acumulação de testes. Constrói-se com evidência sólida, espírito crítico e atenção às necessidades concretas das pessoas.


É por isso que vejo este laboratório, antes de tudo, como um lugar de encontro. Uma Faculdade de Medicina tem uma vantagem que não pode desperdiçar: muitas das perguntas científicas mais importantes nascem diariamente junto dos doentes. É necessário criar pontes reais entre médicos, investigadores fundamentais, patologistas, bioinformáticos, profissionais de laboratório e estudantes; entre os hospitais, a academia e os parceiros nacionais e internacionais. A RISE-Health pode ter aqui um papel agregador, ajudando a transformar uma infraestrutura localizada na FMUP numa oportunidade de colaboração mais ampla. Desejo que seja também um espaço aberto à formação de jovens investigadores, à partilha de competências e a projetos interdisciplinares que dificilmente avançariam de forma isolada. Talvez as descobertas mais importantes sejam precisamente aquelas que ainda não conseguimos imaginar.


Há, finalmente, uma responsabilidade que não devemos ignorar. Investir em ciência não é apenas comprar equipamentos: é assegurar profissionais qualificados, manutenção, atualização tecnológica, financiamento competitivo e tempo para investigar. É criar uma cultura que valorize a cooperação, a qualidade dos resultados e a sua transformação em benefício público. O verdadeiro desafio começa depois da inauguração e exige uma visão de longo prazo. Queremos que a FMUP não seja apenas um lugar onde se aplica conhecimento produzido noutros centros, mas também um lugar onde novas ideias nascem, são testadas e alcançam reconhecimento internacional. Gostaria que, daqui a alguns anos, o Biomarkers 360 fosse recordado não pelo número de máquinas que reuniu, mas pelas perguntas que ajudou a responder, pelos investigadores que contribuiu para formar e pelos cuidados de saúde que ajudou a melhorar. Essa será a medida mais exigente — e mais importante — do seu sucesso.


Fernando Schmitt
Professor Catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto
Diretor da RISE-Health



 
 
 
 
Cirurgia metabólica reduz impacto de doenças associadas à obesidade

Um estudo pioneiro liderado por investigadores da FMUP demonstrou que a cirurgia bariátrica ou metabólica melhora significativamente a qualidade de vida dos doentes, reduzindo em 36% a carga individual de incapacidade provocada pelas doenças associadas à obesidade.


Coordenado pela médica Paula Freitas, o trabalho, publicado na revista científica Obesity Surgery, aponta para a eficácia da cirurgia não apenas na perda de peso, mas também na devolução de anos de vida saudável à população portuguesa, bem como na poupança de gastos com medicamentos.



 
 
Estudo da FMUP apresenta primeiro mapa da histamina no cérebro

Um estudo assinado por investigadores da FMUP concluiu que a histamina, habitualmente associada a alergias e ao sono, poderá desempenhar uma ação fulcral na regulação do estado cerebral, na saúde mental e no bom funcionamento emocional e cognitivo.


“Existe uma relação entre variações da histamina em determinadas regiões do cérebro e alterações cerebrais observadas em perturbações psiquiátricas, como depressão, esquizofrenia, anorexia nervosa e perturbação de hiperatividade e défice de atenção”, anuncia Daniel Martins, investigador da FMUP.



 
 
 
Investigação FMUP e RISE-Health recebe financiamento de 300 mil euros da Fundação ”la Caixa”

Os projetos de Raphaël F. Canadas e Ricardo Fontes Carvalho, investigadores da FMUP e da RISE-Health, foram distinguidos pela Fundação ”la Caixa”, em 2026.


Os resultados dos vencedores de três concursos, destinados a promover o conhecimento científico, o desenvolvimento de novas soluções biomédicas e a melhoria dos cuidados de saúde, foram conhecidos no passado dia 16 de outubro.


O projeto de Ricardo Fontes-Carvalho é uma das cinco iniciativas distinguidas na primeira edição do Concurso de Investigação em Promoção da Saúde, lançado este ano para apoiar o desenvolvimento e a avaliação de intervenções de promoção da saúde e prevenção de doenças em contextos reais.


Selecionado entre 579 candidaturas internacionais, o CARDIO-DAY – Cardiology Ambulatory Day Care Hospital: Clinical, Economic and Health System Impact in Tertiary Prevention of Cardiovascular Disease receberá cerca de 150 mil euros para responder à questão: “Poderão os cuidados em ambulatório melhorar os resultados cardiovasculares?”.


A investigação, que terá a duração de 24 meses, vai avaliar um modelo de hospital de dia em cardiologia que disponibiliza cuidados estruturados e de curta duração a doentes que precisam de vigilância próxima, sem necessidade de internamento convencional. O objetivo é reduzir a pressão sobre o internamento e as urgências e melhorar a eficiência dos cuidados cardiovasculares.


A equipa, que integra a FMUP, a ULS Gaia e Espinho e a Brown University (Estados Unidos da América), analisará o impacto clínico, económico e organizacional da sua implementação em Portugal, comparando resultados antes e depois da introdução do modelo. Serão avaliados reinternamentos, episódios de urgência, eventos cardiovasculares graves, mortalidade, utilização de camas e custos.


“Esta distinção internacional reforça o posicionamento da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e da ULS Gaia e Espinho como instituições de referência na investigação cardiovascular, na inovação clínica e no desenvolvimento de novos modelos de prestação de cuidados de saúde”, afirma o professor da FMUP.


O projeto CELLECTED 2 é um dos seis projetos premiados, este ano, no Concurso CaixaImpulse de Inovação em Saúde, promovido pela Fundação ”la Caixa”. O concurso, em colaboração com a Criteria Bio Ventures, visa transformar a investigação em soluções de saúde. Em Portugal, conta com a parceria da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT).


Financiado para a fase 2 com cerca de 150 mil euros, o projeto coordenado por Raphaël F. Canadas tem como objetivo desenvolver um método mais acessível e preciso de vigilância do cancro da bexiga, com base numa simples amostra de urina, permitindo reduzir procedimentos invasivos repetidos, melhorar a avaliação do risco e tornar a vigilância mais confortável e eficiente.


De acordo com o investigador, este prémio constitui “um apoio para iniciar um processo de transformação de resultados científicos num produto tecnológico que pode ser útil para a sociedade, neste caso, em concreto, para os doentes com cancro da bexiga, médicos urologistas e patologistas”.


A equipa vai isolar e concentrar células tumorais raras libertadas na urina através de uma técnica que utiliza ondas acústicas. Depois, recolherá informação detalhada sobre a forma e as propriedades biofísicas das células através de técnicas de imagem sem marcadores. Os dados serão analisados com inteligência artificial para identificar padrões associados ao cancro da bexiga, à sua progressão e ao risco individual. Nesta fase 2, o INESC TEC é parceiro de consórcio e o Serviço de Urologia da ULS São João surge como colaborador.


É de assinalar ainda a colaboração de Hélder Maiato, professor da FMUP e investigador do i3S, e de Fernanda Borges, da FMUP, RISE-Health e FCUP, no projeto «Novos medicamentos que modulam as modificações da tubulina para melhorar o tratamento com Taxol no cancro da mama», liderado por Sónia Silva, do i3S, financiado com 150 mil euros através do Concurso CaixaImpulse de Inovação em Saúde.


Na edição de 2026, a Fundação ”la Caixa” vai apoiar 20 projetos portugueses de investigação e inovação em saúde, com um financiamento total de mais de 7,6 milhões de euros. No total, a Fundação vai financiar 80 projetos em Portugal e Espanha, com um investimento global de 32,4 milhões de euros.



 
 
 
 
«Ouvir» crianças e cuidadores pode melhorar a segurança dos medicamentos


 
 
Professor da FMUP é distinguido internacionalmente


 
 
FMUP acolhe MetBalance 2026


 
 
Prémio Prática Pedagógica Inovadora


 
 
FMUP NOS MEDIA


– A inauguração do Laboratório de Biomarcadores da FMUP e da RISE-Health, que promete acelerar a investigação e os cuidados de saúde, foi destaque na RTP e no Jornal de Notícias.


– A investigadora Patrícia Monteiro comentou, no Público, o trabalho de investigação distinguido com o Prémio Nobel da Fisiologia ou Medicina de 2026.


– Francisco Vasques-Nóvoa, professor da FMUP, foi um dos especialistas ouvidos pelo Jornal de Notícias no âmbito de um artigo sobre o acesso a medicamentos após o fim dos ensaios clínicos.


– Mariana Viana Neto é uma das autoras de um estudo da FMUP que identifica um subgrupo de doentes psiquiátricos particularmente complexo e vulnerável. A investigação foi notícia no JN, Antena 1 e em outros órgãos de comunicação social.


– José Paulo Andrade, coordenador da Unidade de Anatomia da FMUP, falou à Sábado sobre a importância da doação do corpo à ciência para a formação médica.


– “Dentro de dois ou três anos teremos robots a operar vários tipos de cancro” é o título da entrevista de Rui Nunes, professor da FMUP, à revista Visão.


– Um estudo coordenado por Paula Freitas, professora da FMUP, demonstrou que a cirurgia bariátrica ou metabólica reduz o impacto de doenças associadas à obesidade. Os resultados foram divulgados pelo Jornal de Notícias.


– O professor da FMUP Ricardo Dinis Oliveira foi um dos especialistas ouvidos pela SIC Notícias para analisar o caso de uma norte-americana que sobreviveu a duas tentativas de execução por injeção letal.


– Em declarações à Agência Lusa, Renato Ferreira da Silva, investigador da FMUP, abordou o estudo da farmacovigilância que propõe "ouvir" crianças para melhorar a segurança dos medicamentos.


– O pneumologista João Carlos Winck falou ao Jornal de Notícias sobre os casos de COVID longa em Portugal, num artigo que aborda a experiência de uma jovem com esta condição.


– Uma investigação liderada por Jonathan dos Santos, médico e investigador da FMUP, concluiu que a utilização de ecografia cardíaca nos centros de saúde pode detetar doença cardíaca “invisível". O estudo foi destacado pela SIC Notícias.


– Sofia Magina e Maria Augusta Coelho, da FMUP, foram convidadas do programa Biosfera sobre "O que Usamos na Pele", emitido na RTP 2.



 
 
 
 
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Edição: Unidade de Gestão de Comunicação - FMUP | Redação: Olga Magalhães, Daniel Dias, Cláudia Azevedo | Infografia e Imagem: Bárbara Mota e Miguel Alves | Produção: Pedro Sacadura
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