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Nº #11  Mar 2021
 
 
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Newsletter
Faculdade de Medicina
da Universidade do Porto
 
 
RISE – o nascimento de um Laboratório Associado com características únicas

A notícia chegou da parte da Fundação para a Ciência e a Tecnologia no passado dia 24 de fevereiro e foi acolhida com grande entusiasmo institucional: o RISE – Rede de Investigação em Saúde foi aprovado como Laboratório Associado. Pela primeira vez, duas escolas médicas (FMUP e FMUL), uma unidade hospitalar (IPO-Porto) e quatro centros de investigação (CINTESIS, UnIC, CCUL e CIP-IPOP) uniram-se para criar um grande laboratório, que junta Porto e Lisboa, com o objetivo de promover investigação médica com elevada aplicabilidade na clínica e na comunidade. As caraterísticas especiais do RISE não passaram despercebidas e os próprios media deram eco da constituição do novo Laboratório (Público, Lusa, SIC , RTP, entre outros).


Como divulgado aquando da submissão da candidatura, o novo Laboratório pretende fortalecer a investigação em saúde em Portugal, desde os estádios pré-clínicos e clínicos até ao nível da comunidade, juntando Universidades e prestadores de cuidados de Saúde, no âmbito dos objetivos da política nacional para a Ciência e a Tecnologia.  Pretendemos criar e desenvolver um ambiente focado na investigação em equipa, no qual as descobertas possam ser rápida e eficientemente implementadas para melhorar a saúde humana. Para isso, a rede envolve já mais de 220 investigadores de várias formações (médicos, enfermeiros, cientistas de dados, nutricionistas, etc.), de uma gama de diferentes especialidades, que irão dedicar-se à investigação clínica.


Apesar de muitos Centros de Investigação ou Laboratórios reunirem, frequentemente, no mesmo edifício, várias dezenas de investigadores, não é raro que os cientistas trabalhem lado a lado sem saberem exatamente o que é que os colegas estão a estudar. O RISE tem outra filosofia. Mais do que reunir investigadores num espaço, queremos montar e dinamizar uma rede que permita que a informação flua e que a transferência do conhecimento seja acelerada. Queremos estabelecer uma ponte que permita a comunicação entre a parte laboratorial e a comunidade e o inverso, isto é, observando, na comunidade, o que é necessário investigar e trazendo essas perguntas para dentro do laboratório.


Embora o RISE tenha sido reconhecido pela FCT como Laboratório Associado, recebendo financiamento de base para iniciar o seu funcionamento, temos consciência de que as verbas atribuídas são claramente insuficientes para dar cumprimento aos nossos objetivos que são –assumidamente – ambiciosos.  Sabemos que temos de ir em busca desse financiamento “lá fora”. Portugal é um dos países europeus com menor nível de ensaios clínicos patrocinados pela indústria, devido à falta de articulação. Com articulação, dentro do RISE, será possível atrair mais ensaios clínicos, pois aumentaremos o número de pacientes envolvidos nos ensaios.


Fernando Schmitt
Professor Associado da FMUP
Coordenador do RISE



 
 
 
 
COVID-19: Crianças com asma não correm maior risco

A asma não parece constituir um fator de risco para COVID-19 em crianças, mesmo nas que também são obesas. Ao contrário do que se julgava no início da pandemia, a asma alérgica pode até proteger contra a infeção por SARS-CoV-2. A conclusão é de um estudo da FMUP e do CINTESIS, publicado no International Journal of Environmental Research and Public Health pelos investigadores José Laerte Boechat e Luís Delgado.



 
 
Algoritmo para tratar insuficiência respiratória

Um trabalho de investigação conduzido por João Carlos Winck, médico pneumologista e professor da FMUP, propõe um algoritmo que pode ajudar os médicos a decidir o momento em que devem iniciar, descontinuar e interromper cada terapia respiratória não-invasiva, no tratamento da insuficiência respiratória aguda provocada pela COVID-19.


 
 
 
SisPorto lidera investigação Mundial na área de Cardiotocografia

O grupo de investigação SisPorto, liderado por João Bernardes, diretor do Departamento de Ginecologia-Obstetrícia e Pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), mantém a liderança da U.Porto na investigação em Cardiotocografia, assinalada pela primeira vez em 2009. No ranking mais atual da ExpertSCape, baseado em 936 artigos, publicados desde 2010, a U.Porto lidera à frente da Universidade de Londres, Instituto Karolisnka Institute, Imperial College London, Universidade de Washington e Universidade de Utrecht, entre mais de 600 instituições.


Introduzida no Hospital de São João por Luís Pereira Leite e Belmiro Patrício, antigos professores da FMUP, a Cardiotocografia foi fortemente desenvolvida na Faculdade de Medicina por João Bernardes, que, com Joaquim Marques de Sá, investigador do Instituto de Engenharia Biomédica do Porto (INEB), desenvolveu o Sistema Porto e, subsequentemente, o SisPorto. Mais tarde, a linha de investigação foi amadurecida na companhia de Diogo Ayres de Campos, membro da FMUP até 2017 e, atualmente, docente na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL).


Foi já pelas mãos desta equipa que o SisPorto evoluiu para o OmniView-SisPorto, um sistema de monitorização fetal com grande impacto na prática clínica na área da Obstetrícia. O OmniView-SisPorto efetua uma leitura dos sinais provenientes do feto, identificando situações relacionadas com a baixa oxigenação. O sistema emite ainda alertas automáticos que são recebidos pelos profissionais de saúde em qualquer ponto com acesso à rede informática hospitalar ou à internet. A monitorização dos bebés é assim realizada pelo programa 24 horas por dia, alertando os profissionais de saúde no caso de surgirem alterações.


A validação clínica do OmniView-SisPorto, atualmente comercializado e em uso em países como Portugal, Espanha, França, Holanda, Reino Unido, Suíça, Dinamarca, Roménia, Brasil, Singapura e Austrália, contou ainda com o trabalho de um grupo de investigação liderado por Cristina Santos e Altamiro da Costa Pereira, professores da FMUP e investigadores do CINTESIS.



 
 
 
 
Maria Amélia Ferreira condecorada pelo Presidente da República


 
 
Luís Moura na linha da frente do combate às doenças valvulares


 
 
Davide Carvalho integra órgão europeu de Endocrinologia



 
 
FMUP promove formação no domínio da violência doméstica e igualdade de género


 
 
Histórias, Factos e Personagens Relevantes para a Identidade da FMUP

3.° - Da Organização Inicial da Real Escola de Cirurgia do Porto


Do primeiro Regulamento e do primeiro Plano Curricular da Escola
Pelo Alvará de 25 de junho de 1825, D. João VI instituiu dois Cursos de Cirurgia, um em Lisboa, em edifico próprio no Hospital de S. José, e um outro, no Porto, em instalações cedidas pelo Hospital da Misericórdia. No Regulamento anexo, da responsabilidade do Ministro e Secretário de Estado dos Negócios do Reino, espécie de Ministro da Administração Interna atual, indicava-se a duração dos Cursos, as matérias a lecionar, a periodicidade das lições, os requisitos para as matrículas dos estudantes, bem como a natureza e registo dos exames e do Ato Grande. Este último decorria no final do curso, com provas em três dias, incluindo a defesa de uma dissertação, um exame prático de Cirurgia e um outro de Medicina. O Regulamento estipulava ainda a nomeação por decreto - mediante proposta do Cirurgião-Mor do Reino (análogo ao Ministro da Saúde atual) - dos Lentes Proprietários (que corresponderiam hoje à figura de “professor decano de ano”) e dos Lentes Substitutos. Estes últimos atuariam no impedimento dos Lentes Proprietários e seriam uma espécie de coordenadores do ensino prático, existindo um para as cadeiras cirúrgicas e outro para as cadeiras médicas.


O recém-criado Curso de Cirurgia tinha então a duração de apenas 5 anos letivos, sendo lecionada no 1.º ano a Cadeira de Anatomia e Fisiologia; no 2.º a Cadeira de Matéria Médica, Farmácia e Higiene; no 3.º a cadeira de Patologia Externa, Terapêutica e Clínica Cirúrgica; no 4.º a cadeira de Medicina Operatória, Arte Obstetrícia e a parte forense; e no 5.º a cadeira de Patologia Interna e Clínica Médica.


Dos contrastes com a Real Escola de Cirurgia de Lisboa
No início, existiram diferenças assinaláveis na organização e na governança do Curso de Cirurgia no Porto, face ao de Lisboa. Por exemplo, enquanto a Escola de Lisboa foi sediada num edifício hospitalar próprio atribuído pelo Estado, a do Porto situava-se numas poucas enfermarias cedidas por um hospital privado. Na verdade, a Escola do Porto apenas viria a dispor de instalações condignas quase um século após a sua criação, através da construção de um edifício próprio, em 1935, que - face à mudança da Faculdade de Medicina em 1959 para o interior do edifício partilhado com o Hospital Escolar de S. João - foi, em 1975, ocupado pelo recém-criado Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar. Por outro lado, os honorários dos seus Lentes eram inferiores, em cerca de um terço, aos dos seus colegas de Lisboa. A quantidade e diversidade dos seus recursos materiais era também inferior aos da Escola de Lisboa.


Das diferenças entre as Régias Escolas de Cirurgia e a Faculdade de Medicina da Universidade Portuguesa, em Coimbra
Até à criação das duas Reais Escolas de Cirurgia, o ensino da Medicina em Portugal estava exclusivamente a cargo da Universidade Portuguesa, sediada em Coimbra. Embora este ensino tivesse sido amplamente reformado no seguimento da lei de 28 de agosto de 1772 - que instituiu as diversas sedes de ensino prático, assistencial e de investigação, tais como o Teatro Anatómico, o Hospital no edifício dos Jesuítas na Couraça dos Apóstolos, o Laboratório Químico, o Jardim Botânico e o Dispensário Farmacêutico -, continuava a existir uma deficiência na formação universitária de futuros cirurgiões que, na sequência das guerras peninsulares, se irão encontrar em grande demanda.


Com a criação das Reais Escolas de Cirurgia, o problema da falta relativa de cirurgiões qualificados diminuiu bastante, tendo passado a existir uma clara preferência por cirurgiões formados nessas Escolas, sobretudo nas situações de provimento de lugares em regimentos, na Brigada Real da Marinha e nos Primeiros Cirurgiões da Armada Real, bem como no provimento e substituição dos Lentes das cadeiras de Cirurgia dessas próprias Escolas. Por outro lado, os cirurgiões formados nestas Escolas apenas podiam exercer Medicina em zonas do País onde não houvesse médicos formados pela Universidade de Coimbra ou se o seu número fosse insatisfatório para colmatar as necessidades locais.


Das diferenças entre a Real Escola de Cirurgia e a atual FMUP
A caminho do bicentenário da sua criação, a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) conserva, no atual plano de estudos do seu Mestrado Integrado em Medicina, várias matérias básicas do seu plano inicial - tais como as das áreas da Anatomia, Fisiologia ou Terapêutica - como inclui também a defesa de uma Dissertação. Todavia, o número de Unidades Curriculares (UC) passou de 5 para 62 e, se a estas UC nucleares acrescentarmos as optativas, o número total atinge já as 237.


De igual modo, o tamanho e a organização atuais da Faculdade são bastante diferentes. Por exemplo, o número de estudantes inscritos no Curso de Medicina passou de 62, no ano letivo de 1825-26, para 1.678 no de 2020-21, a que acrescem outros 2.648 estudantes de pós-graduação. Por outro lado, o número inicial de 8 professores contratados ultrapassa hoje já os 800, entre docentes de carreira e muitos convidados, dos quais mais de 250 são doutorados.


Ou seja, orgulhando-se das suas raízes reais, a FMUP foi sobretudo fruto de necessidades pragmáticas, tendo crescido com mais dificuldades que a sua congénere da capital e desenvolvido um modelo de ensino distinto do da sua irmã, mais velha e mais ilustre, da Universidade de Coimbra. Mas, à semelhança da cidade que a acolheu, com o trabalho e o engenho dos seus docentes, estudantes e técnicos, foi sendo moldada na adversidade das suas limitações, na dureza dos tempos de lutas políticas em que viveu e, sobretudo, no exemplo corajoso e abnegado de muitos dos seus docentes e estudantes, tornando-se num exemplo no ensino e na investigação que ultrapassa as fronteiras da sua Cidade e dignifica a sua Universidade. Mas isso serão histórias para as próximas Newsletters.


Altamiro da Costa Pereira
Diretor da FMUP


Amélia Ricon Ferraz
Diretora do Museu de História da Medicina Maximiano Lemos



 
 
 
 
FMUP NOS MEDIA

- Luís Delgado, professor de Imunologia da FMUP, foi um dos especialistas ouvidos pelo Observador sobre o risco de adiar a segunda dose da vacina contra a COVID-19.


- Em conversa com o Diário de Notícias, Elisabete Ramos, professora da FMUP, defende que deve ser dada prioridade à abertura das escolas no desconfinamento.


- A investigação sobre o envolvimento cardíaco na COVID-19 grave, realizada por Roberto Roncon, investigador da FMUP, foi o mote da conversa em mais um episódio do 90 Segundos de Ciência, emitido na Antena 1.


- “Passaporte COVID-19 vai gerar situações de discriminação e restrição artificial de direitos”, alerta Rui Nunes, professor de Bioética na FMUP, em entrevista ao Expresso.


- O estudo realizado pelo médico Celestino da Costa Maia sobre a gripe espanhola, apresentado na FMUP em 1920, foi mencionado no programa da RTP “Linha da Frente”.


- Bernardo Gomes, médico de saúde pública e professor na FMUP, falou com o Público sobre os critérios para desconfinar.



 
 
 
 
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Edição: Gabinete de Comunicação e Imagem - FMUP | Redação: Olga Magalhães, Daniel Dias, Cláudia Azevedo | Infografia e Imagem: Bárbara Mota e Catarina Carrinho | Produção: Pedro Sacadura
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